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História Todos os Anjos do Paraíso - Hinny - Capítulo 9


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Notas do Autor


Oi, gente! O que estão achando da fic?

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Capítulo 9 - 9 - Uma Companhia Irritante


A diretora McGonagall era, com toda a certeza, uma guia muito mais falante do que Theo Nott fora. Depois que ela e Gina saíram do corredor lúgubre da diretoria, a mulher não pôde deixar de apontar para as várias estatuas que ladeavam os corredores da escola como soldados, falando sobre suas histórias e os artistas que foram felizes o suficiente para ter sua arte exibida na escola mais conhecida de Escócia.

Corredores aqueles que estava completamente vazios, muito diferentes do momento em que ela chegara à Hogwarts.

Gina tentou se concentrar no caminho que estavam fazendo para pelo menos se lembrar de como chegar ao salão de entrada, mas era difícil se concentrar nisso com a conversa animada da diretora atraindo sua curiosidade a todo momento, assim como todas as coisas para as quais ela apontava, tudo o que havia para se observar e admirar, tudo o que havia para aprender.

Ela conseguiu memorizar, no entanto, que os dormitórios eram mistos e os alunos podiam fazer as modificações que quisessem desde que alertassem a diretoria.

— Temos regras muito rígidas por causa disso, mas estendemos que é melhor assim do que separar vocês por gênero. — Disse McGonagall enquanto explicava aquela separação. — Como eu não perguntei a você sobre sua preferência, coloquei-a com uma outra garota. O nome dela é Pansy e eu acho que vocês vão se dar muito bem.

O que era só outro jeito de falar que ela não fazia ideia de como seria a relação de Gina com sua colega de quarto. A perspectiva de conhecer mais alguém de sua idade fez com que as palmas da mão dela suassem ao redor da alça de sua mala, tornando ainda mais difícil carregá-la.

Gina, no entanto, permaneceu em silêncio, sem confiar em si mesma para falar algo e acabar saindo como uma estúpida. Elas pararam, então, em frente à uma porta feita de madeira escura e a diretora bateu, esperando com os olhos escuros brilhando para ela com simpatia, como se ela soubesse exatamente o quão nervosa Gina estava.

Ela não gostou daquela sensação de estar exposta e desviou os olhos de McGonagall. Se aquela mulher suspeitasse do que ela estaria ali para fazer seria seu fim em Hogwarts.

Mas Gina não deixaria que ela descobrisse. Não até ter sua vingança.

A porta se abriu de uma vez, quase com violência, revelando uma garota da idade dela, menor em estatura que Gina e com cabelos lisos e pretos que emolduravam seu rosto redondo com perfeição. Os olhos castanhos e puxados dos lados se fixaram primeiro em McGonagall, então seguiram para nela, brilhando por um segundo com algo que Adra não conseguiu ler.

— Bom dia, diretora. — Cumprimentou a garota e então olhou para ela. — Oi.

— Oi. — Gina respondeu em meia voz, sem saber exatamente se deveria falar mais alguma coisa. Ela mal sabia se deveria estender a mão ou alguma coisa assim.

— Pansy, essa é Gina Weasley. — McGonagall apresentou-a rapidamente e então acrescentou: — Ela vai ser sua nova colega de quarto, desde que a última... partiu.

Um arrepio percorreu a espinha de Gina. Ela iria dormir na mesma cama que Susan, compartilhando a mesma colega de classe, quase a mesma vida que ela. Isso era definitivamente perturbador.

— Oh, tudo bem. — Disse Pansy com o rosto completamente em branco. Gina não sabia dizer se ela estava feliz ou indiferente ou mesmo com raiva como podia fazer com os outros demônios cujo caminho ela cruzara com Theo mais cedo.

Pansy deu espaço para que Gina passasse pela porta e elas olharam para a diretora McGonagall, que rapidamente se despediu, desejando à Gina boas aulas e se colocando à disposição dela. Depois do discurso de praxe, as duas garotas finalmente foram deixadas a sós e Pansy observou em silêncio enquanto Gina entrava.

O cômodo era pequeno, mas o suficiente para que elas não fossem exatamente forçadas a se falarem com frequência. Havia duas camas em lados contrários do quarto, dois armários feitos em nichos ao lado das portas e duas escrivaninhas em lados diagonais contrários, além da janela enorme de madeira escura do mesmo tipo da porta, que dava visão para o Thanathos.

A colega de quarto de Gina demorou cinco minutos inteiros para finalmente falar:

— Então você é a bruxa.

Não havia julgamento na voz dela, apenas curiosidade crua, mas o jeito direto de falar fez com que Gina, que ocupara-se com desfazer a própria mala ao colocá-la sobre a cama, virasse e encarasse Pansy.

— Sim, eu sou a bruxa. — Ela disse, preparando-se para alguma expressão de nojo ou mesmo de ódio, mas Pansy apenas assentiu, passando os olhos por Gina mais uma vez.

— Harry realmente falou que você entra na defensiva com muita facilidade. — Ela comentou afinal e Gina se sentiu ficando ainda mais tensa, apesar da clara provocação de Pansy.

Harry, ao que parecia, não sabia bem o que era manter segredos.

— E o que mais Harry te falou sobre mim? — Gina não pôde segurar uma nota de amargura no próprio tom de voz, o que fez Pansy sorrir perigosamente.

Gina sentiu o poder de Pansy estalando no ar entre elas, como se respondendo ao humor de sua dona, assim como suas sombras o faziam. Ela deixou sua Escuridão alerta, só por precaução, mas Pansy apenas deixou o poder cair e deu de ombros.

— Eu sei sobre a investigação secreta de vocês dois, se é isso que está se perguntando.

Não era, mas Gina não deu voz àquele pensamento, muito mais distraída com aquele pedaço de informação que Pansy lhe dera. Ela sabia sobre a investigação dos assassinatos. Então deveria saber sobre Arthur.

Gina trincou os dentes, fazendo uma nota para encontrar Harry e falar com ele o quanto antes.

— Você está com raiva. — Pansy sorriu perigosamente de novo e havia algo nos olhos castanhos e límpidos que colocou Gina em alerta e obrigou-a a pensar.

Então, a realização bateu sobre ela.

— Ira. — Murmurou, irritada o suficiente para começar uma briga com Pansy, que riu baixinho e então tirou seu encanto sobre ela. Gina sentiu aquilo saindo como o tecido de uma coberta pesada sendo retirado de seus ombros.

— Mantenha sua magia protegendo-a o tempo todo aqui dentro. — Alertou Pansy com o rosto bem mais sério agora. — Dominar as suas emoções foi fácil demais, Gina Weasley.

Com um olhar de ódio para a colega, Gina fez o que ela mandou, fazendo sua Escuridão cobri-la como o poder de Pansy fizera alguns segundos antes, mas em vez de ser pesada como a magia dela, a própria magia de Gina era como um edredom em um dia de chuva. Confortável e quente.

— Então, você é descendente de Azazel. — Gina falou assim que se assegurou de estar protegida. Pansy assentiu.

— Descendente direta. — Falou e Gina ergueu uma sobrancelha, impressionada. Então, Pansy fazia parte das Sete Famílias e era uma amiga de Harry. Intrigante. Pansy observou-a por um momento. — É, você está segura contra demônios da Terceira Ordem, pelo menos.

— Terceira Ordem? — Gina nunca tinha ouvido falar de algo como isso, mas Pansy não parecia chocada.

— É separação que fazemos, mais por causa dos nossos poderes do que qualquer outra coisa. — Explicou ela. — A Terceira Ordem, minha ordem, são os Synathi, e o nosso poder está ligado aos sentimentos, o que quer dizer que nós podemos manipular qualquer sentimento, mas temos mais afinidade com a Ira e a Inveja.

— Por que vocês descendem dos demônios da Ira e da Inveja. — Deduziu Gina com um suspiro. — Azazel e Leviatã.

— Exatamente. — disse Lena, assentindo. — A Segunda Ordem, os Sympéri, é daqueles cujo poder influencia o comportamento dos outros, então a Preguiça e o Orgulho.

— Descendentes de Belphegor e Lúcifer. — Gina assentiu, acompanhando a explicação com facilidade.

— E a Primeira Ordem são os Pithymía e ela envolve os demônios cuja magia está ligada ao desejo e por isso influenciam tanto o comportamento quanto os sentimentos de alguém. — Lena explicou por fim. — Como você pode imaginar, eles são os mais poderosos entre nós. São os descendentes de Asmodeus e Mammon.

— A Luxúria e a Ganância. — Gina engoliu em seco ao se lembrar do poder de Harry, de como ela podia sentir aquilo mesmo de longe. Não era uma surpresa que ele descendesse de uma das famílias mais poderosas entre os demônios, não realmente. — E Belzebu, Príncipe da Gula?

— A Gula é um pecado à parte, a exceção à regra. — Disse Pansy dando de ombros. — Ela é um meio termo, porque sua magia alcança o comportamento e o desejo, mas não alcança a esfera dos sentimentos. Então os descendentes dela transitam entre aquilo que eles têm mais afinidade quando desenvolvem os próprios poderes. Se para tentar com o desejo ou mudar o comportamento das pessoas fazendo com que elas comam excessivamente ou algo como isso são os descendentes de Belzebu que acabam decidindo.

Gina assentiu, entendendo.

— Então a minha magia me garante segurança com os Synathi, mas você não sabe se tem efeito com os Sempéri ou os Pithymia, é isso? — Ela perguntou e Pansy assentiu, o sorriso perigoso voltando aos lábios fartos.

— Bem, nós vamos testar isso assim que pudermos, com certeza. Harry não vai te deixar andar por aí desprotegida...

— Harry não tem que deixar nada. — Gina interrompeu o discurso de Pansy, eriçando-se. — Eu não sou a empregada dele. Tenho meus próprios motivos para estar aqui e não vou sair só porque ele acha que vou estar desprotegida.

Pansy olhou para ela longamente então sorriu de novo e, dessa vez, seu sorriso era verdadeiro.

— Eu acho que você gostar bastante de você, Gina Weasley. — Declarou ela, fitando os olhos dela.

Gina procurou algo para dizer — qualquer coisa que parasse aquele fluxo terrível de sangue aquecendo seu rosto —, mas não achou absolutamente nada. Era como se ela tivesse perdido a capacidade de juntar as letras em palavras e as palavras, em frases completas.

Ela se mexeu sob o olhar de Pansy, que parecia divertida agora, e então se virou, voltando-se para sua mala com o coração disparado. Gina detestava aquilo tudo. Detestava o modo como estava se sentindo estúpida e o modo como Pansy a desarmara com tanta facilidade.

E ela detestava aquela escola horrível e detestava ainda mais Harry por coloca-la ali.

— Sabe, só porque eu não consigo influenciar a sua raiva, não quer dizer que eu não posso senti-la, sabia? — Pansy disse atrás dela, agora um pouco mais baixo, fazendo com que Gina se virasse lentamente, o coração retumbando nos próprios ouvidos. — Você me lembra o Harry. Ele também tem esse tipo de raiva.

— Que tipo de raiva? — Gina disparou, incapaz de se segurar dessa vez. Com raiva, sim, ela estava com raiva, mas também não podia negar aquela pontada de curiosidade se enroscando em sua mente como uma gavinha de poder.

— A raiva que te come por dentro, que te torna rancorosa e amarga e que esconde muita dor. — A voz de Pansy era tão neutra que Gina mal pôde acreditar que ela estivesse conseguindo golpear fundo o suficiente para fazê-la se encolher, mas foi o que Pansy conseguiu.

Gina se encolheu quando as palavras afundaram nela.

Pansy, por sua vez, apenas se virou e começou a mexer nas próprias coisas. Parecia que também tinha acabado de chegar de viagem, o que provavelmente a excluía da lista de suspeitos. Ao se perguntar o motivo de Pansy ter saído da escola, Gina se lembrou do feriado de Isiméria.

Isiméria eram os dois dias do ano em que o dia e a noite tinham a exata mesma duração, um equilíbrio perfeito entre céu e inferno. Ele era festejado tanto por humanos quanto por demônios e bruxas, mas Gina tinha trabalhado até tarde na loja naquele dia, considerando que feriados como aqueles garantiam mais movimento e, consequentemente, mais venda. Por isso ela esquecera que o feriado acontecera um dia antes do assassinato em Hogwarts e a escola estava praticamente vazia. Ela só precisava descobrir quem ficara em vez de ir para a casa no feriado e sua lista diminuiria consideravelmente.

Aquela vantagem melhorou o humor de Gina consideravelmente e ela se virou para Pansy, hesitante, mas querendo falar sobre isso e perguntar se uma grande quantidade de alunos tinha ficado na escola, mas um barulho estridente de sino tocou, fazendo os ouvidos de Gina doerem com a surpresa e o volume.

Pansy olhou para a porta, virando-se para ela com um olhar compassivo.

— Você se acostuma com o sinal alguma hora. — Disse ela vendo a careta de Gina. — Ou fica surda. O que vier primeiro. De qualquer modo, esse é o sinal para o começo do almoço.

— Você vai... — Gina começou a perguntar, insegura do que iria perguntar realmente, mas Pansy a interrompeu antes que ela pudesse descobrir, falando:

— Vamos, Harry provavelmente vai querer saber se você chegou inteira até aqui. — Ela agarrou a mão de Gina e puxou-a corredor afora com uma força considerável. Quando Gina puxou a mão de volta, Pansy se virou para ela com um sorriso sem graça. — Desculpe se eu apertei demais, eu sou desatenta com a minha própria força.

— Tudo bem. — Gina sentiu o coração na garganta enquanto apertava a mão que Lena anteriormente segurara. Ela não gostava dessa sensação constante de não saber o que fazer e o que falar, por isso simplesmente apontou para o corredor. — Vamos?

Pansy sorriu e assentiu em silêncio.



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