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História Todos querem um Corvinal! - Capítulo 19


Escrita por:


Notas do Autor


Olá amores! Espero que gostem do capítulo e se gostarem ou tiverem alguma sugestão, comentem. Só assim eu posso saber se vocês gostaram ou não, além do mais não custa nada nao é mesmo?
Muito obrigada pelo carinho de voces e pelo apoio.
Os próximos serão Norenmin, TaeTen e Hendery x YangYang. Caso queiram mais especiais de algum casal, basta me dizer.

Espero que gostem :)

Capítulo 19 - PARTE V: Dowoo - Você é a minha estrela Sirius


 

Você é a minha estrela Sirius - Especial Dowoo

Doyoung sempre gostou das estrelas, um de seus passa-tempo favoritos era justamente ir para o varanda de seu quarto, pegar seu telescópio e observar o céu. Tinha algo no céu, algo que nunca soube ao certo, mas que estava lá e que sempre o deixou fascinado. Talvez fossem as estrelas tão brilhantes e solitárias em meio ao infinito de cores, talvez fosse a calmaria da noite ou talvez fosse o desconhecido que vinha junto ao universo. Seja lá o que fosse, Doyoung estava preso em seu feitiço eterno.

Quando pensava em Jungwoo, ele gostava de pensar na estrela Sirius e secretamente sempre o chamava assim em todas as suas histórias de romance que nunca foram lidas por ninguém. Como um segredo doce que era preciso demais para ser compartilhado. Porque mesmo que Jungwoo não se tornasse seu amor na realidade, pelo menos ele seria sua estrela em seus sonhos. E como descrevê-lo melhor do que como uma estrela Sirius? A estrela mais brilhante do céu noturno, encontrada na constelação do cão maior.

E Kim Jungwoo era a estrela mais brilhante do céu de Lee Doyoung.

"Seus olhos são como mel, tão doces e viciantes que deixam perdido em meio a essa imensidão castanha de mistérios e sonhos"

Rabiscava com a pena na folha do pergaminho, não estava se importando de fato com a aula, assim como qualquer outro estudante em meio a motona aula de História da Magia, afinal o professor fantasma estava naquele exato momento tirando uma soneca, debruçado sobre a mesa de madeira rústica. Os demais estudantes conversavam, faziam as tarefas de outras disciplinas ou simplesmente dormiam. Nada importava e aquele era um dos poucos momentos em que Doyoung se encontrava relaxado para escrever, mesmo em meio ao caos que era aquela aula. Mas já havia se tornado normal, grifinorios eram mesmo baderneiros e se tornavam ainda mais irritantes quando unidos a sonserinos em uma sala.

O fato é que, Doyoung tinha o costume de escrever pequenas frases que gostaria de dizer a Jungwoo, frases essas que nunca saíram do papel por motivos óbvios. Mas que um dia, ele gostaria de dizer. Nem que fosse em seus mais doces sonhos. Porque Jungwoo as merecia, não havia como negar.

— Doyoung?

O som suave da voz de Taeil lhe tirou de seus devaneios, fazendo com que o rapaz de cabelos castanhos rapidamente escondesse o que havia escrito, colocando o braço por cima daquela frase repleta de amor platônico.

— Hã? Sim? — massageou suas têmporas cansadas com as pontas dos dedos sujos de tinta, piscando algumas vezes antes de focar sua visão no garoto a sua frente — Perdão, eu estava distraído.

— Me pediram pra te entregar isso. — lhe estendeu uma pequena caixa decorada a mão com estrelas brilhantes.

— Quem te pediu?

— Não sei, um outro garoto que me deu e me informou que um menino da lufa-lufa havia dito, que isso era pra ser entregue à você.

— Lufa-Lufa? — franziu o cenho, encarando o amigo com um semblante confuso — As únicas pessoas da Lufa-Lufa que eu converso, mesmo que dificilmente, são o Kun e o Chenle. Não vejo motivos pra que algum deles tenha me dado isso.

— Talvez tenha sido outra pessoa, vocês tem muitos admiradores.

E de fato era verdade. Não era tão popular com as garotas e garotos, como era o caso de Hendery ou de seu amigo Sicheng, até mesmo o caso de seu irmão mais novo Jeno, mas poderia-se dizer que Doyoung chamava atenção. Talvez por sua aparência delicada ou até mesmo por sua inteligência. Doyoung era um dos mais inteligentes, ou se não o mais, de sua turma e era muito querido por todos os professores, até mesmo pelos mais severos.

— Mas eu não estou interessado em ninguém, vou jogar esse pacote no lixo.

— Não! — Taeil rapidamente pegou a caixinha das mãos de Doyoung e a protegeu, encarando o amigo com uma expressão indignada — Tem ideia do trabalho que a pessoa teve ao fazer isso? Como pode ser tão insensível? Eu choraria de alegria se alguém me desse algo assim.

— Provavelmente é algum doce com poção do amor, eu não quero morrer, obrigado.

— E se não for?

— Prefiro não correr o risco. — rolou os olhos, suspirando baixinho e fechando o pergaminho em seguida, o guardando para que estivesse a salvo de qualquer acidente que algum aluno desatento poderia causar — Pode ficar com a caixa se quiser, só tome cuidado quando for comer os doces.

Observou seu amigo rolar os olhos, antes de lhe mostrar a língua e virar de costas para Doyoung, afim de poder abrir a caixinha e comer os docinhos. O castanho nem ao menos se surpreendia com o romantismo de Taeil, ele odiava receber coisas como aquela de qualquer pessoa, mas seu amigo não podia ver nenhuma demonstração de carinho que acabava se derretendo como manteiga.

Mas de repente Taeil virou-se e passou a encarar o amigo com um sorriso travesso nos lábios, seja lá qual fosse o motivo, deixou Doyoung preocupado.

— Não são doces e sim uma carta.

— Jogue fora, não estou interessado.

— Nem mesmo se essa carta estiver assinada com o nome do Kim Jungwoo?

— O quê?!

Em um movimento abrupto, Doyoung se levantou e bateu suas mãos na mesa com força. Sua respiração estava levemente pesada, os olhos dobraram de tamanho devido ao susto misturado com surpresa, incrédulo de que aquilo que havia escutado era de fato verdade.

— Ele quer te encontrar na torre de astronomia, disse que tem algo que precisa conversar com você. — Dizia Taeil ao acabar de ler o conteúdo da cartinha, sorrindo em seguida para o amigo que ainda se encontrava paralisado após aquela revelação — E então? Devo jogar fora?

— Não!

— Tão previsível! — uma risada escapou dos lábios do amigo, o que claramente havia irritado o castanho.

— Não me julgue, tá bom? Agora me dê a carta e vá ficar com o seu namorado.

— Ele não é meu namorado! — foi a vez de Taeil se irritar, ficando vermelho das bochechas até as orelhas.

— Claro, claro.

Doyoung rolou seus olhos, acenando com a mão como se mandasse silenciosamente para que Taeil fosse embora. O amigo moreno lhe xingou de todos os nomes possíveis antes de voltar ao seu lugar, indo se sentar ao lado de Jhonny que contava uma piada idiota qualquer para Ten e jogava cartas. Enquanto isso, Doyoung pegou a cartinha que estava dentro da caixa decorada, suas mãos tremiam enquanto a seguravam e seu coração, batia como se estivesse prestes a explodir em seu peito.

" Olá querido Doyoung,

Acredito que me conheça, apesar de que eu não tenho certeza se irá chegar a ler essa carta, em alguns dias pude pesquisar mais sobre você e descobri que nunca aceita presentes ou declarações de qualquer pessoa. Então, é provável que eu acabe sendo jogado no esquecimento por você. Mas existem coisas aqui dentro que precisam ser colocadas para fora.
Não sei como me aproximar de você e muito menos se devo fazer isso, entretanto gostaria de agradecer por ser sempre tão gentil comigo. Sinceramente, nunca nem ao menos havia parado para lhe notar antes e me arrependo profundamente por isso, você é incrível Doyoung. É tão brilhante quanto uma estrela, realmente de tirar o fôlego. Sei que a maneira da qual lhe conheci não foi a das melhores, sinto muito por ter me encontrado com você em uma situação tão vergonhosa, mas desde aquele dia em seu quarto, não consigo te tirar da minha mente e muito menos do meu coração. Suas palavras foram tão doces e gentis, que me tocaram como nunca antes.
Acho que estou apaixonado por você e isso não é uma brincadeira. Como disse no começo, é provável que você não chegue a ler essa carta, mas caso leia e seu coração esteja aberto para mim, por favor me encontre na torre de astronomia às oito horas.

Atenciosamente, Kim Jungwoo. "

— Claramente uma pegadinha, vocês acham que eu sou idiota?

Murmurou irritado, mas aquela carta mesmo que fosse falsa ou não, havia lhe causado um terrível rubor em seu rosto, além da sensação desconfortável de seu estômago embrulhando. Poucas sabiam de sua paixão por Jungwoo, se bem que depois daquele episódio em seu quarto, Hendery poderia ter facilmente contado para todos o que aconteceu. Mas uma questão rondava a mente de Doyoung, o deixando desesperado e assustado. E se não fosse uma brincadeira? E se, por algum motivo louco, o destino estivesse disposto a ajudá-lo? Seria essa sua oportunidade de ganhar o coração daquele que sempre observou em segredo? Infelizmente, teria que engolir o orgulho e esperar até que desse oito horas para enfim ir à torre de astronomia.

 

ههههه

 

Doyoung passou toda a tarde daquele dia nublado e gélido pensando se deveria ir ao local marcado. Sua parte racional dizia que era apenas uma brincadeira estúpida de Hendery ou uma vingança extremamente cruel da qual ele estava planejando, mas seu coração insistia em lhe dar a ilusão de que aquela carta era sim verídica. Ele nunca foi do tipo de pessoa que seguia o coração, mas sim a razão. Entretanto, naquele momento ele travava uma batalha interna sem saber o que fazer.

Desde aquele dia, Hendery e ele passaram a definitivamente não conversar mais e ultimamente era raro ver o colega de quarto, mesmo que ficassem no mesmo lugar e fossem da mesma casa em Hogwarts. Recentemente Hendery havia se afastado de muitos de seus amigos e quase não comparecia ás aulas, os únicos momentos em que ele era visto por Doyoung, era quando o rapaz furtivamente entrava no quarto de madrugada e se escondia entre os lençóis da cama. Não sabia o que estava acontecendo, mas Doyoung estava em alerta, esperando pelo momento em que seu colega fosse lhe dar o bote. Ele disse que não deixaria barato o que Doyoung fez e todos sabiam que quando Hendery dizia que se vingaria de alguém, ele de fato se vingava. Mesmo que demorasse, mas ele nunca esquecia nada. Chegava a ser assustador as vezes, uma mente tão sombria por trás daquele belo rosto de príncipe.

Naquele momento, o Lee mais velho estava na biblioteca tentando inutilmente se concentrar para escrever uma redação para sua aula de Aritmância, a ponta da canela de pena já havia molhado e manchado a longa folha de pergaminho diversas vezes, mas nenhuma palavra saia, nada que não fosse o nome de Jungwoo. Literalmente. Doyoung nem ao menos havia notado que escreveu o nome de seu amado lufano diversas vezes no pergaminho e que estava com um terrível semblante pensativo, ainda travando aquela batalha interna entre razão e emoção. Doyoung era conhecido por ser muito esperto, precisava agir com cautela ou acabaria sendo encurralado em uma pegadinha provavelmente feita por Hendery. Se isso acontecesse, ele nunca se perdoaria. Enquanto ele estava imerso em seus pensamentos novamente, Jeno começou a ficar incomodado com aquilo. Era normal para si observar seu irmão mais velho se desligar do mundo e ir para outra dimensão, mas ele estava ultrapassando os limtes naquele dia.

Apenas naquele dia, Doyoung havia derrubado toda a tinta da caneta no chão, tropeçado em dois estudantes da Sonserina e quase levou um soco de um deles, felizmente XiaoJun e Sicheng estavam por perto e interferiram. Além de ficar suspirando pelos cantos ou surrando coisas sem sentido de uma maneira estranha, assustando a todos. Jeno então chamou o irmão para que fossem a biblioteca estudar, Jaemin estava com dificuldade em poções — pois segundo Jaemin, Kyungsoo não gostava de ninguém da Grifinoria e ele era um tirano, nunca havia lhe dado uma boa nota por pura implicância — e Renjun se disponibizou para ensina-lo, enquanto isso Jeno apenas assistia os namorados e ao mesmo tempo tentava ficar de olho no irmão para garantir de que ele não fizesse algo estúpido por estar distraído demais.

— O que está acontecendo com você?

— Perdão?

— Você está estranhamente distraído hoje, aconteceu algo irmão?

— Só estou pensando em algo, não se preocupe.

— Tudo bem, não irei insistir. Mas se precisar falar sobre qualquer coisa, estou aqui.

— Eu sei, obrigado.

Respondeu com um sorriso gentil, levando uma de suas mãos até os fios negros de cabelos de Jeno e os bagunçando de maneira afetuosa, arrancando um sorriso do irmão que logo voltou sua atenção para Jaemin, deitando a cabeça em seu ombro enquanto observava Renjun explicar pacientemente ao Na alguma coisa sobre a disciplina de poções.

Ainda não havia se acostumado em ver os três juntos como um casal de namorados, no início acreditou que fosse algum tipo de piada mas não era, eles realmente estavam apaixonados um pelo outro. Doyoung não conseguia imaginar como era possível amar igualmente duas pessoas, mas aparentemente seu irmão Jeno, mesmo que no começo protestasse, acabou se acostumando a ideia. Os três estavam juntos a dois meses e meio, passavam a maior parte do tempo juntos e as poucas vezes que discutiram foram por motivos fúteis como comida ou livros, o que obviamente contribuiu para que fizesse as pazes minutos depois.

Porém, a coisa mais estranha ou inesperada que veio junto aquela relação um tanto quanto nada convencional, foi o fato de que seu pai DongHee nem ao menos havia se importado ao descobrir a respeito do namoro. Sempre imaginou que seu pai ficaria extremamente irritado com Jeno e talvez até mesmo o proibiria de ver os dois novamente, entretanto Donghee os aceitou de braços abertos e sempre convidava Jaemin e Renjun para ficarem em sua casa aos finais de semanas, as vezes até mesmo os levando para viajar pra algum país, mesmo que apenas pelo final de semana. Sua madrasta Luce sempre lhe disse que um dos motivos de ter se apaixonado por Donghee, era porque seu pai era um homem com um coração gentil, mesmo com aquela aparência bruta e assustadora.

Pela primeira vez, Doyoung se sentia mais confiante. Pois ele sabia que se por algum milagre, pudesse ficar com o seu amor, ele receberia o apoio de seu pai e para alguém que durante toda a sua vida, buscou a aprovação de sua família, saber que seu pai o amava incondicionalmente era algo magnífico.

— Jeno, posso te perguntar algo? — depois de quase quinze minutos pensando e pensando, Doyoung finalmente se pronunciou.

— Claro, pode falar.

— Eu estou em um dilema, não sei se você poderá me ajudar.

— Então tente descobrir. — Jeno ajeitou-se no assento, dando total atenção pro irmão.

— Você sabe que eu sempre fui apaixonado pelo...Jungwoo. — seu doce nome saiu como um sussurro dos lábios de Doyoung, que rapidamente ganhou um rubor em suas bochechas, fazendo com que os três garotos sorrissem um para o outro, dedicando toda a sua atenção ao Lee mais velho — È constrangedor falar sobre isso na frente de vocês, mas...Eu recebi uma carta dele hoje e nela estava escrita que o Jungwoo suspostamente estaria me esperando na torre de astronomia hoje a noite.

— Você vai?

— Esse é o problema, eu não sei.

— Por que não? — questionou Jaemin, largando os óculos em cima da mesa e passando a brincar com os cabelos negros de Jeno que estava sentado entre Doyoung e ele, enquanto Renjun se encontrava na outra extremidade da mesa.

— Uma parte minha sabe que  o Hendery com certeza está aprontando alguma coisa e ele quer se vingança, com certeza isso é obra dele. Mas outra parte de mim quer acreditar que aquela carta foi de fato escrita pelo Jungwoo.

— Acho que você deveria ficar no seu quarto a noite toda e rasgar essa carta.

— O quê? — seu irmão havia respondia com tamanha seriedade que Doyoung não pode evitar de o encarar perplexo, assim como os outros meninos.

— Que isso Jeno?! — ambos os namorados estavam incrédulos com aquela fala e encaravam Jeno como se ele fosse louco, Jaemin até mesmo o beliscou de leve.

— Não posso fazer isso, e se a carta for verdadeira e ele realmente gostar de mim? Eu preciso ir! — disse exasperado, atraindo a atenção de Baekhyun que o encarou feio por estar fazendo barulho na biblioteca e os meninos se encolheram no lugar, sussurrando desculpas.

— Sim, precisa. —  continuou Jeno, sorrindo timidamente —  As vezes precisamos dar o caminho errado, pra que a pessoa indecisa admita, qual o caminho que ela realmente deseja seguir.

— Você estava me manipulando? Logo você?!

O olhar indiganado de Doyoung era engraçado pro mais novo dos Lee, mas compreensivel. Seu irmão nunca havia feito algo como aquilo antes, ele era mais do tipo lerdo que nunca sabe o que dizer em momentos de conflito e que nunca percebe nada ao seu redor.  Mas namorando com Huang Renjun e Na Jaemin, fazia sentido ele ter mudado mesmo que um pouco.

— Olha, pensar racionalmente não é um defeito, mas as vezes precisamos fazer algo estúpido e nos arriscar, ouvir seu coração é um risco que vale a pena. Você já sabe o que quer, não precisa de conselhos, apenas precisava admitir pra si mesmo o que realmente desejava.

— Mas e se alguma coisa der errado?

— E se não der?

— Se eu posso te dar um conselho, aqui vai um: não pense, apenas vá. — Renjun sorriu pra Doyoung e o mais velho correspondeu ao sorriso.

— Eu tenho dois namorados muito inteligentes, é melhor você escutar eles. — disse Jaemin, exibindo um sorriso tão orgulhoso que fez Doyoung rir.

 

ههههه

 

Kim Jungwoo tinha uma má fama. Ele era apenas um nascido trouxa, cresceu em uma cidade pequena no sul do país de Gales juntamente ao seu irmão mais velho Junmyeon, um famoso romancista que levava uma vida tranquila juntamente ao seu marido Yixing e sua filha adotiva Olívia, uma adorável e travessa garotinha que havia sido a responsável por unir o casal. Seus pais eram pessoa muito simples, viveram e cresceram em uma fazenda e sempre foram pessoa muito humildes, criando os filhos da mesma forma. Jungwoo gostava de estar em contato com a natureza e com livros, amava ler histórias de fantasias e gostava de fugir de seu quarto todas as noites quando todos estivessem dormindo, apenas para fazer uma única coisa. Observar as estrelas. Ele carregava consigo um binóculo velho, uma cestinha com docinhos para comer e uma garrafa com chocolate quente, ajeitava seu moletom grande demais pro corpo e corria pela fazenda com um sorriso em seu rosto. Era o seu momento favorito do dia.

Ah, aquilo era um paraíso! O pequeno garotinho se sentia no topo do mundo ao se deitar na colina, sentindo o frescor da noite e o cheirinho da grama, sentindo a maciez da grama tocar sua pele e afundando-o. Olhar aqueles pontinhos brancos no céu fazia com quele se sentisse menos solitário e lhe despertava os sonhos de uma criança com uma grande imaginação. Seus pais costumavam dizer que todas as estrelas no céu eram pessoas boas que um dia faleceram e agora elas estavam ali, observando e cuidando daqueles que um dia as amaram. Seus pais faleceram em um acidente, deixando Junmyeon responsável por cuidar de Jungwoo e sua irmã mais nova Dahyun.

As vezes Jungwoo conversava com as estrelas — principalmente com seus pais —, gostava de estudar as lendas de cada constelação e as vezes ficava imaginando que em algum lugar, havia alguém como ele, fazendo o mesmo que ele naquele momento. Alguém igualmente sonhador e em busca de aceitação. Jungwoo queria amigos, queria saber o que era sair nos finais de semana pra jogar algo com outros garotos, queria lanchar junto a um grupo durante o horário do almoço na escola, queria ter um confidente mas havia duas coisas que o impedia de fazer isso: o fato de ser pobre e o fato dele ser gay. Jungwoo sempre soube, seus pais tambem. E diferente da sua família, todas as pessoas a sua volta não concordavam com seu jeito de agir, com seus sentimentos, com sua classe social, com nada. Ele era uma criança defeituosa.

E então aos onze anos, Jungwoo descobriu que na verdade era um bruxo. Pela primeira vez ele se sentiu especial, mas esse sentimento não durou muito. Ele não tinha muito dinheiro e portanto comprou materiais de segunda mão, quando colocou o chapéu seletor ele se sentiu por breves segundos aliviado em ter sido quase mandado pra Corvinal. Lá ele poderia ter algum reconhecimento, afinal, quem não gostaria de ir pra casa dos inteligentes? Mas Jungwoo sabia que seu lugar era a Lufa-Lufa, sendo assim, a Lufa-Lufa o acolheu e ele fez o mesmo. Entretanto, a Lufa-Lufa era a pior casa para alguém em sua posição acabar ingressando, ele nunca seria respeitado a menos que se destasse por alguma coisa extraordinária.

Sua vida não mudou muito em Hogwarts. Ele se sentia isolado de todos, humilhado e constantemente sofria bullying. Todas as noites ia á torre de astronomia apenas para observar as estrelas e chorar, perguntando aos céus o que ele havia feito de errado. Por que as pessoas eram tão crueis? Por que ele nunca era bom o suficiente pra ninguém? Jungwoo passou a deixar-se ser usado por qualquer um, a medida em que crescia, ele queria sentir que pertencia a algo, mesmo que fosse uma sensação passageira ou falsa. Ele era tratado como um brinquedo e deixava as pessoas fazerem isso, porque isso era melhor do que sofrer bullying ou ficar sozinho.

Mas ele se sentia sujo. Não queria se sentir assim, estar vazio, ser usado e descartado. Queria que alguém o enxergasse de verdade e queria ser abraçado por alguém que o aceitasse com seus defeitos e qualidades, alguém que o visse como mais que um sangue-ruim. E então aconteceu.

"O Jungwoo é a pessoa mais gentil e inteligente que você poderia conhecer, ele é lindo tanto por dentro quanto por fora, você não é digno nem ao menos de toca-lo. Porque ele é bom demais pra um verme como você"

Ainda se lembrava com clareza daquelas palavras gentis — talvez não tão gentis para Hendery —, ele sentiu que pela primeira vez alguém havia o enxergado. Primeiro ele sentiu gratidão por Doyoung, por ele ser tão gentil consigo. Depois a gratidão se transformou em admiração, a medida em que Jungwoo aprendia mais sobre o Lee e o observava. E então, quando menos esperou, entrou em desespero ao perceber que talvez ele estivesse se apaixonando.  Ainda não entendia como não havia notado Doyoung antes, ele era tão inteligente, responsável e lindo de maneiras indescrítiveis.Os lábios carnudos, os olhos grandes e doces, a voz agradável, a maneira como seus óculos sempre caíam levemente do nariz a medida em que falava e isso resultava em um Doyoung que estava sempre ajeitando os óculos no rosto, todo desajeitado. A maneira como ele parecia tão sereno ao estar na sala de astronomia ou quando estava escrevendo algo, diferente da maior parte do tempo que se encontrava sério e um tanto quanto mal-humaorado. Ainda assim, Jungwoo o achava fofo. E então dois meses e meio depois, Jungwoo decidiu que ja estava esperando demais.

Depois daquele dia, ele nunca mais dormiu com ninguém, parou de se relacionar com seus falsos amigos e de alguma maneira, acabou se aproximando muito de Kun, Chenle e Renjun, pela primeira vez sentia que havia feito amigos de verdade e que fazia parte de algo. Ele nunca esteve tão feliz. Até mesmo de Lucas, que parecia ser uma pessoa difícil de se lidar, Jungwoo havia encontrado nele um grande amigo após o rapaz começar a namorar com Kun e isso também fez com que acabasse fazendo amizade com o grupo de amigos dele. Naquele momento Jungwoo não se sentia mais sozinho.

Talvez havia sido uma má ideia de ter mandado aquela carta para Doyoung, mas Jungwoo não era do tipo que conseguia manter seus sentimentos guardados. Ele precisava colocar tudo para fora, precisava dizer a Doyoung o que sentia e mesmo que acabasse sendo rejeitado, pelo menos ele estaria aliviado por ter ao menos tentado. E Doyoung valia qualquer risco, mesmo que um risco doloroso que talvez partisse seu coração.

Oito horas. Jungwoo estava sozinho na torre de astronomia, próximo á janela e observando o céu, sentindo o frescor do vento bater em seu rosto, bagunçando seus fios de cabelos enquanto tentava acalmar seu coração. Pensando se Doyoung viria ou não. Oito e vinte. Ele continuava sozinho. Oito e quarenta. Jungwoo se conformou com a rejeição e então após deixar um suspiro tristonho escapar, ele caminhou para fora da sala de astronomia, se encolhendo em seu manto quentinho em busca de se aquecer. Já estava acostumado a ser rejeitado, mas ainda doía.

E então, quando estava caminhando pelo silencioso e sombrio corredor, descendo as escadas , uma figura apareceu a sua frente em meio as sombras.

— Espera!

Jungwoo parou onde estava e então Doyoung lançou um feitiço de iluminação, se revelando em meio a escuridão da escadaria. Ele estava ofegante e assustado, não muito diferente de Jungwoo que tremia imaginando que talvez levaria uma bronca pela carta. Seu coração parecia que iria explodir em seu peito. Mas tudo o que disse em forma de um sussurro foi:

— Você veio.

— Eu tive alguns imprevistos envolvendo alguns monitores que não me deixaram sair da minha torre, eu fiquei pensando muito sobre o que disse em sua carta e decidi que deveria vir. — Doyoung falava rápido, ajeitando seus óculos no rosto e respirando pesado.

— Você vai brigar comigo?

— Por que eu faria isso?

— Não sei, você é um pouco intimidador. — formou um biquinho em seus lábios, desviando o olhar por breves segundos — Pensei que ficaria bravo comigo por ter escrito aquela carta.

— Eu não fiquei bravo, na verdade fiquei atordoado e feliz. — subiu mais alguns degraus da escadaria, ficando abaixo do de Jungwoo e podendo o encarar mais de perto — Nunca imaginei que um dia você iria se interessar por mim.

— Me arrependo por não ter feito isso antes. — continuava a sussurrar, sorrindo envergonhado e supirando por estar tão perto de seu adorável Doyoung.

— Antes tarde do que nunca. — deu uma risada baixinha, segurando a mão de Jungwoo e sorrindo envergonhado ao notar que o menino havia se assustado com aquele ato repentino, amas apesar do susto, Jungwoo sorria — Que tal a gente sair dessa escadaria? é um ruim conversar aqui.

Jungwoo concordou com um aceno de cabeça, puxando gentilmente Doyoung para que ele o seguisse até a sala de astronomia novamente, adentrando no local e também fazendo o feitiço luminus, deixando a varinha em algum canto para iluminar melhor a sala, já que não seria prudente ligar as luzes pois poderia chamar atenção. A noite estava tão estrelada, parecia que tudo estava finalmente dando certo.

— Melhor? — questionou a Doyoung e o observou acenar positivamente com a cabeça.

— Me diga, aquilo na carta era verdade? — sussurrou, apesar de estar um tanto escuro, Jungwoo sabia que ele e Doyoung estavam corando naquele momento. Ambos tão próximos, olhando nos olhos um do outro — Você realmente tem sentimentos por mim? Porque você sempre esteve no meu, preciso saber se é verdade.

Jungwoo segurou nas mãos de Doyoung, inclinando seu corpo para mais perto dele e parando breves segundos para olhar nos olhos do corvinal, tentando ter permissão para fazer aquilo que tanto queria. Com permissão ou não, ele fez. Seus lábios se encontraram em um toque tímido e gentil, colocando um pouco de pressão após seus labios se afastarem e ambos sorrirem um pro outro, perdidos naquele momento. Então se beijaram novamente, e de novo, e de novo. Suas mãos tremiam mas era de felicidade por estar nos braços de Doyoung e compartilhar com ele aquele momento tão doce e inocente que era o primeiro amor.

— É a mais pura verdade. — sussurrou, sorrindo timidamente e fechando seus olhos por breves segundos ao depositar um beijo carinhoso na testa do corvinal — Então, isso significa que nós somos um casal agora?

— Se você quiser, sim. — o sorriso nos lábios de Doyoung naquele momento era algo inédito e adorável aos olhos do Kim — Seria uma honra ser seu namorado.

— È tudo o que eu mais quero!


Notas Finais


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