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História Together until the end - Reddie - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Juntos até o fim, Eds?


New York 1985




Kaspbrak não conseguia manter o seu coração calmo, ele se encontrava nitidamente em um estado de apuros. Aliás, por conta de sua ansiedade (tratada psiquiátricamente) o homem sempre se alarmava diante de coisas que julgava ser fora de sua competência. Seus dedos estavam trêmulos, em uma tremedeira constante que subia pelos seus braços, lábios comprimidos e andava de um lado para o outro no quarto, preocupado com o que acabara de fazer.

Suas malas estavam prontas e se pusera de frente ao espelho observando seu próprio reflexo pronto para ensaiar como falaria com sua esposa que estava prestes a voltar para Derry.

-Myra, eu preciso voltar à Maine, recebi uma ligação extremamente importante de Derry e... Ah, droga eu não consigo.

Respirou fundo e sentou-se bruscamente na cama macia, passando os dedos abertos nos cabelos castanhos em seguida.

Eddie não lembrava certamente do que se tratava, mas sentia que aquela ligação que havia recebido de Mike mais cedo, se tratava de algo totalmente importante e que chegava a sentir o medo passear por sua espinha dorsal. Mike Hanlon; como o homem havia se identificado, sussurrou algo na linha telefônica como:"ele voltou preciso reunir todos", mas não conseguia identificar ou lembrar-se do que se tratava.

Era como um pesadelo indecifrável. Pesadelos daqueles que você só se lembra pela manhã quando acorda e quando chega à noite você se esquece como se não tivesse existido aquele sonho em seu sub-consciente, porém no fundo ficava a terrível sensação de ter tido um pesadelo.

Os pensamentos conscientes de Kaspbrak o imploravam para que não voltasse a Derry, o medo tomava conta do seu corpo e ia crescendo a medida que as horas passavam, pois sabia que a cada minuto que se passava, estaria se aproximando da hora que marcara para viajar. Eddie não lembrava de absolutamente nada que viveu em Derry, só recordava-se de sua antiga escola e o quanto a sua mãe o protegia à ferro e fogo. Fora isso nem imaginava que Mike Hanlon ainda existia...

O homem se perguntava o motivo de tantos sentimentos estarem o pegando de surpresa, era como um misto sentimentos e pressentimentos ruins, que julgava ser o medo, mas por uma parte o homem sentia no fundo do seu coração o amor... Ele não sabia ao certo explicar de onde surgira esse sentimento que seu consciente julgava ser tão mútuo e até foi pego esforçando-se para tentar lembrar se havia namorado alguma menina em Derry, mas Eddie sabia o quanto que ele era tímido ao extremo para se aproximar de uma menina, ainda mais em uma época que a sua mãe mal o deixava sair de casa...

Aliás, em meio a lembranças do passado, Eddie lembrou-se que um dos motivos que Sonia Kaspbrak não o deixava sair de casa, era os desaparecimentos constantes de crianças, todas mais ou menos da idade de Eddie. Bom, para Sonia, que era uma mulher super protetora em sua auto aparência (aos olhos alheios super abusiva), o sumiço de crianças em Derry era um prato cheio para trancafiar o seu filho naquela casa tão grande e vazia.



Neibolt Street N°29 /1985

Com os corações acelerados pela tamanha ansiedade e pelo esforços físicos que fizeram para sair do poço, todos observavam a casa se desmoronar. O vento forte acariciava pesadamente os seus rostos úmidos pela água do esgoto, fazendo-os sentirem uma pontada de frio diante todo aquele vendaval que a casa causava. O barulho estrondante das madeiras velhas se chocando causava-lhes um certo incômodo em seus tímpanos. Ainda incrédulos não acreditavam que tudo aquilo havia acabado, Derry agora poderia descansar em paz.

Os cabelos dos sete losers voavam em meio a aquele vento tão forte, levando para longe toda as sensações ruins que Pennywise havia trazido consigo assim que caiu em Derry há milhões de anos atrás, como o medo, ansiedade, pavor... Entre outros sentimentos ruins que só um dos otários poderia realmente explicar.

Eddie por sua vez, pelo primeiro instante em anos de sua vida sentiu o alívio abordar todo o seu corpo, relaxou os ombros e respirou fundo de olhos fechados, tendo um breve flashback de quando era criança e medonhamente teve o seu primeiro encontro com o A Coisa em forma de leproso, bem ali em frente a aquela casa que escondia um dos piores segredos da velha Derry.

Richie que em um ato de consolação e fraternidade entrelaçou lentamente os seus dedos nos de Eddie que por um momento se assustou em um sobressalto, mas deixou que o momento acontecesse naturalmente. Todos estavam aliviados que todo aquele pesadelo havia chegado ao fim.

Bill Denbrough há vinte e sete anos atrás havia juntado os sete amigos com um propósito: achar o seu irmão mais novo, Georgie. Mas que por um motivo maior todos acabaram virando bons amigos e aos poucos enquanto juntavam as suas memórias o sentimento de amizade crescia e evoluia a cada minuto que passava juntos. Por mais que não tivessem tido tanto tempo para conversas, agora teriam, aliás o objetivo já tinha se cumprido. Os otários estavam livres da maldição.

-Acho que acabou... -Sussurrou Stanley acalmando os seus ombros.

Stanley moveu lentamente o seu pescoço de um lado para o outro na tentativa de se alongar e respirou fundo tirando um grande pesar das costas. Ele tinha sido o único a quebrar o silêncio depois que a casa amadeirada e velha da Neibolt Street havia se desmoronado, todos ainda estavam em choque. Aquele momento ficaria marcado em suas vidas, aliás tinham acabado de matar a temida coisa.

-Nós conseguimos galera! -Ben arregalou os olhos e a sua ficha parecia ainda não ter caído, tudo aquilo não parecia passar de um sonho. Mas era real, eles tinham sim conseguido.

-Nós só conseguimos porquê estivemos unidos o tempo inteiro, lutando até o final. -Mike se pronunciou orgulhoso e Bill assentiu com um sorriso vitorioso de canto.

-Cara, você falando assim nem parece um lunático que ficou perseguindo o Pennywise até a maldição completar os vinte e sete anos.

Richie se pronunciou com o seu tom zombeteiro fazendo Mike revirar os olhos enquanto negava com a cabeça. Mas logo riu, riu pois sentiu a felicidade lhe pegar de surpresa pois teve ciência de que estava reunido com os otários e Trashmouth continuava sendo o mesmo de sempre.

-Bom gente, que tal irmos para o Barrens? Eu acho que precisamos de um banho... -Beverly sugeriu, levantou uma de suas sobrancelhas e se olhou de cima a baixo.

Realmente todos estavam imundos, o cheiro de água poluída cobria o seus corpos e a sujeira era totalmente evidente já que não estavam em um local tão limpo e nem muito menos arejado.

-Bev, nem vem, eu não vou tomar banho em água suja nem a pau. Você sabe que o esgoto de toda a Derry desemboca naquele rio? Você quer por acaso contrair alguma micose, fungo em sua pele? Ou pior... Pode pegar até leptospirose. -Eddie franziu o cenho e caminhou em círculos movendo o seu dedo indicador a medida que dava ordens.

-Cala a boca Eds, para de ser chato. Você sabe que estava dentro de um esgoto com corpos há alguns instantes atrás?

Richie deixou o seu olhar se fixar ao de Kaspbrak e de divertido, deixou que sua expressão se tornasse séria. Com os olhos negros por trás dos óculos levemente arregalados, Richie sentiu o seu corpo ter calafrios e a medida que o tempo ia passando tinha certeza de seu amor pelo Kaspbrak.

Richie mais conhecido como o comediante boca de lixo, prestigiado por seus stand-ups, nunca tinha sentido verdadeiramente o que era amor e nem podia explicar o que era ser amado. Ao longo de sua vida após se mudar de Derry ele se relacionara com algumas mulheres mas seus relacionamentos sempre acabavam da mesma forma; na sarjeta. Pois sabia que no fundo a sua felicidade não estava ali, dentro de si tinha uma enorme pergunta seguida de uma interrogação que não sabia responder.

Ele não se sentia bem com mulheres e em seus sonhos mais lúcidos possíveis, no meio a sonos ruins seguidos de madrugadas tão vazias, sonhava todas as noites depois que havia se mudado de Derry, com um garoto que não passava dos seus um metro e cinquenta e cinco de altura, sempre acompanhado de uma pochete em sua cintura pequena, com shorts curtos as vezes vermelhos com listras ao lado e camisetas grandes que as vezes até chegavam a cobrir o short do menino.

No sonho o tal menino angelical parecia ter por volta dos quinze anos e Richie também aparentava ter a mesma idade mas era alguns dez ou quinze centímetros mais alto que o garoto. Em seus sonhos ambos andavam de mãos dadas em uma cidade que acordava sempre querendo saber qual era, com gramíneas verdes e árvores bonitas, em alguns sonhos Richie beijava o menor com tanto amor que o boca de lixo acordava tão atordoado querendo que aqueles sonhos fossem realmente verdade.

Mas achava tudo uma verdadeira palhaçada, até estar frente à frente com o rapaz dos seus sonhos, agora sabia que o homem de chamava Eddie Kaspbrak e com a chuva de lembranças vindo em seu cérebro tosco, lembrava também dos momentos que tiveram juntos. Os beijos e os passeios de mãos dadas realmente aconteceram, mas tudo as escondidas... Aliás os otários não sabiam do caso dos dois por mais que desconfiassem.

Torcia para que Eds lembrasse dos momentos lindos que tiveram juntos, mas o homem continuava sendo lerdo na visão de Tozier, mesmo depois de ter crescido e virado adulto.

-Parem de discutir como crianças, vamos logo.

Stanley cortou a onda de pensamentos que Richie tinha ao se perder nos olhos de Eddie. Era como ver as luzes da morte, se encontrava totalmente hipnotizado quando os seus olhos se juntavam com o de Kaspbrak.

-É Eds, vamos logo, ou quer que eu chame a sua mulher pra levar a gente? Acho melhor não, ela tomaria conta do espaço do carro inteiro, Deus me livre. -Richie mais uma vez soltou uma de suas brincadeiras, o que fez todos rirem, menos Eddie que revirou os olhos em reprovação.

-Beep beep Richie! -O menor torceu o nariz e acompanhou os outros que já se deslocavam em direção ao penhasco.

Tozier sentiu o seu coração arder, como as verdadeiras brasas no inverno que Ben dedicava a Bev em um poema. Eddie se lembrava do "beep beep" que soava como uma forma de alertar que o boca de lixo estava passando dos limites. Aquilo ganhou o dia de Richie e por mais que todos os otários já tivessem dito "beep beep Richie", ouvir aquilo de Kaspbrak era totalmente diferente.

Com um sorriso bobo, Richie seguiu ao Barrens com os seus amigos. Ora trocava olhares com Eddie e essa com certeza era a melhor parte da caminhada, ousadamente insistia em entrelaçar os seus dedos sem que os outros percebessem mas sempre acabavam se afastando quando alguém parecia olhar. Isso mexia com o coração de Eddie que de certa forma lembrava de Richie como uma boa pessoa, a pesar dos seus palavreados.

Eddie se lembrava perfeitamente dos momentos lindos que passara com Tozier, a cada sorriso que o moreno havia lhe arrancado com as piadas ruins e até mesmo com suas imitações grotescas de vozes distintas. Mas por volta dos seus quinze anos, época aonde todos se descobriam verdadeiramente, Eddie se lembrou de todos os sentimentos amorosos que sentia por Tozier.

Ia muito além do sentimento infantilizado e puro que tinham por volta dos doze, treze anos. Richie e Eddie queriam se sentir e ter um ao outro como namorados, eles se amavam. Porém por conta de acontecimentos corriqueiros, ambos acabaram se separando e aos poucos se esqueceram.

Porém agora tudo voltava em seus corações como uma avalanche, sentimento seguido de sentimento.

-Wow, então e-era aqui q-q-que n-nós ficávamos? -Gaguejou Bill um tanto atordoado assim que chegaram ao Barrens.

Diante a aquele penhasco todos olharam para baixo observando a água esverdeada do rio, aquilo fez o estômago de Eddie embrulhar só de pensar em tomar banho ali. Mas pela primeira vez Tozier estava certo, aliás ele havia encostado em água de esgoto com corpos, mesmo que contra sua vontade.

-Quem vai primeiro? -O cacheado Stanley perguntou sentindo o frio em sua barriga.

-Maricas... -Murmurou a ruiva tirando as suas botas e em um movimento rápido pulou do penhasco com um grito agudo que fez eco entre as pedras rochosas.

-Ela pulou mesmo... -Desacreditado Stanley abriu a boca, tirou os seus sapatos tentando tomar coragem para pular.

Depois de Beverly todos pularam, aliás seria uma humilhação se arregassem bem ali.

Stanley estava afastado dos amigos, lavava o seu corpo e pedia um tempo para pensar. Ele sempre foi um dos losers mais pensativos e centrados, nada que Stan fazia era sem pensar e naquele momento delicado respeitaram o psicológico do homem. Ben e Beverly trocavam olhares em meio a conversas que todos sabiam bem o que era... Isso deixava Bill um tanto triste que mesmo conversando com Mike desviava o olhar para os dois um pouco enciumado.

Tozier e Eddie estavam sentando em cima de uma rocha e deixavam os seus pés descansando na água gélida e esverdeada. O silêncio constrangedor permanecia entre os dois e não sabiam como quebrá-lo sem parecer um idiota.

-Eu não acredito que estou me limpando em água suja. -Riu Eddie acariciando os seus dedos naquela água. Richie por sua vez deu de ombros mas riu da preocupação do homem, ele sempre foi assim, tão preocupado com tudo.

-Ah cala a boca Eds, você me estressa. -Brincou Richie chutando alguns pingos de água nos pés de Eddie se tornou sério.

-Eu odeio quando me chama de "Eds", você sabe. -Deu um tapa no ombro de Tozier que fingiu ter doído.

-E eu te adoro ver estressado, você sabe. -Richie não aguentou tamanho os seus sentimentos por Eddie e deixou transparecer naquela frase. Estava tão implícito mas Eddie não tinha que ser especialista em frases para entender que aquilo era uma insinuação.

-Assim você me deixa sem palavras Tozier... -Kaspbrak virou o rosto sentindo as suas bochechas queimarem. Se sentia perdidamente apaixonado por Richie e a cada segundo que passava com ele tinha certeza dos seus sentimentos da adolescência.

-Eu? Richard Tozier te deixo sem palavras? Fico feliz com isso Edward. -Richard disse sério deixando que o seu sentimento o levasse, pela primeira vez no dia se sentiu bem por não ter zoado com Eddie. -Lembra dos nossos momentos? -Perguntou timidamente desviando o olhar.

-Como não lembrar? Bom, antes de estar em Derry eu não lembrava. Mas depois que eu te vi foi...

-Impossível não relembrar. -Tozier interrompeu Eddie continuando sua frase. Richard estava atordoado, com os olhos arregalados e com o coração disparado. Ele jurava que Eddie não lembrava dos momentos que tiveram na adolescência, mas se sentia feliz por saber que o menor agora se lembrava.

-É... É impossível não lembrar aliás você é marcante Richie. -Admitiu Eddie e lentamente moveu sua mão para a direita deixando que seus dedos se entrelaçassem com os de Richie.

Envolveu os seus olhares em um só e mais uma vez Tozier se sentiu hipnotizado por Eddie. O coração dos dois saltavam e agora Kaspbrak não se importava mais de estar se lavando em água suja ou estar com seus pés em água verde, sem se importar com as coisas a sua volta se aproximou lentamente de Richie e selou os seus lábios como faziam quando mais jovens.

Em um selinho demorado Richie levou sua mão até a nuca do menor pedindo passagem com a língua, foi cedido, e aos poucos foram se juntando em um beijo vagaroso com carícias apaixonadas. Naquele beijo não tinha malícia, apenas amor de ambas as partes. Pela primeira vez ambos se sentiam amados da maneira que tinha que ser.

Seus lábios se encaixavam perfeitamente e por mais que o sentimento de culpa estivesse em Eddie, por ele ser casado, naquele momento não ligava, pois o seu verdadeiro amor estava ali a sua frente.

Separaram o beijo por falta de ar, mas totalmente felizes, aquele beijo dizia oque as palavras não foram capaz de pronunciar.

-Juntos até o fim, Eds? 



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