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História Tokyo ghoul re: sob costuras e sorrisos - Capítulo 19


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Notas do Autor


Capítulo desta semana!
Boa leitura :v

Capítulo 19 - - As cartas do fim -


Fanfic / Fanfiction Tokyo ghoul re: sob costuras e sorrisos - Capítulo 19 - - As cartas do fim -



Juuzou


Amanheceu chovendo aquele dia...
Oque você faria se tivesse um desejo?
Independente das regras bobas de gênios da lâmpada e de poços mágicos. Oque você faria se por um simples instante, o mundo todo pudesse escutar a sua voz?
Você gritaria? Você iria rir?
Eu não sabia oque fazer na época, naquele pequeno e duradouro segundo.
E então, eu acordei.
Eram 10 horas, estou atrasado para o trabalho. Hoje, é o dia em que tudo vai desabar, o dia em que vamos por um fim ao que começamos á 2 anos. Em menos de 24 horas, ou estaremos mortos, ou estaremos livres.
Me levanto da cama, meu corpo está elétrico, sinto minhas costuras geladas formigarem sob meu corpo, como se eles fizessem mesmo parte de mim.
Ando até o banheiro, meus olhos vermelhos sempre me deixavam curioso. Dizem que quando você passa por algo muito traumático, seu corpo reage á ansiedade, desespero, extress...
Seu cabelo fica branco, seus nervos ficam atiçados, seus olhos ficam em êxtase.
Eu já tive os cabelos brancos, imagino que meus olhos reagiram graças á mesma situação traumática que meus cabelos.
Quando eu olho para meu passado, não consigo ver muito além da época que conheci kaneki. É como se minha vida partisse daquele nosso primeiro encontro fora da loja de conveniência da rua 36.
Quando me esforço, consigo lembrar da minha mãe. Não minha mãe biológica, alguém que eu nunca conheci...
Quando eu era pequeno, fui adotado por uma ghoul chamada "Big madam", ela me fazia brigar para entreter plateias. Ela me colocava em vestidos apertados e me machucava muito.
"Sessões de tortura" eram para aquela criança, nada além de "Sessões de brincadeira com sua mãe"
Não deixo de pensar que talvez ela esteja lá hoje, que ela pode estar me esperando com seus olhos apertados e dentes tortos, que ela pode estar lá com aquele óculos retro e chapéu feio.

E... se ela realmente estar lá, eu não tenho ideia do que fazer. De certo, ela me roubou uma vida normal, como também me deu muitas cicatrizes físicas e psicológicas.
Minha mão desliza sob meu ventre, encostando e tocando na cicatriz dentro de minha calça.
Já fui um adolescente cujo tinha desejos e curiosidades, já pensei muito sobre minha incapacidade de formar uma família, pelo menos sem intervenções químicas.
Me pergunto oque ela está fazendo agora, se a mãe que eu tanto amava, mesmo que me machucasse, está pensando em mim.
Talvez seja um problema humano, pensar e insistir tanto nas pessoas erradas.
Escovo meus dentes e lavo o rosto, olho-me bem para o espelho, me imaginando se por acaso eu voltaria a me olhar nesse mesmo espelho amanhã.
Me dirijo até a sala, onde na superfície da mesa da cozinha, está minha carta.
Sempre antes de uma missão grande e com altos riscos como os meus, a CCG nos manda escrever uma carta para as pessoas que amamos.
"Um vislumbre do que já fomos, algo para que lembrem de quem somos."
Eu toco na carta, o papel áspero do sufite branco e virgem me deixa um tanto tenso.
Há dois anos atrás, quando kaneki me carregava nos braços até Arima, eu me recordo de uma curta frase que se repetia em sua boca.
"Não me esqueça... por favor, não me esqueça"
Kaneki sempre foi bom em escrever, sempre estava lendo um livro e sempre estava com uma poesia na cabeça.
Me pergunto oque ele escreveria, e...
Oque haise está escrevendo nesse exato instante.
Sento na cadeira e me ponho sob o papel, lembro-me de tudo que passei, de todos que conheci e que me ajudaram a crescer. Ghouls, humanos, me lembro de todos eles, e todos estão em minhas palavras, eu pego o lápis e o toco na superfície do papel, o deslizando e formando cada palavra, cada vírgula, cada sentimento que formavam quem sou.
Senti por alguns segundos, que aquilo era o fim. Mas não era mesmo o fim.
Quando kaneki se foi, ele não teve chance de escrever uma carta, não teve chance de dizer as coisas que queria. Ele simplesmente foi, e num piscar de olhos, eu estava sozinho...
Se esse fosse o fim, eu pelo menos teria escrito uma carta. Sei que esse pensamento é horrível, sei que ninguém deve pensar assim.
Mas para pessoas que já perderam tanto, estar preparado para perder é algo importante.
Com um ponto final, eu termino minha carta.
Suspiro fundo, sinto o peso em meus ombros se esvair de meu corpo. Fecho a carta e a seguro, como se, assim como as minhas costuras, aquela carta também fizesse parte de mim.
Fecho os olhos, eu deveria entregar a carta hoje no escritório. Caso algo aconteça, eles entregam para o destinatário.
Mas não. Eu não vou deixar ela lá.
Me levanto e ando até o armário, a carta em mãos.
O abro e vejo meu vestido, embaixo da saia tem alças para que minhas facas possam se prender e eu esconder elas até que chegue a hora de agir.
Eu enrolo a carta com cuidado, e a prendo em uma das alças.
Em seguida também pego o vestido e o visto. Com cuidado para que o tecido não se rompa, ele cabe perfeitamente em mim.
Me olho no espelho que é preso na porta do armário e sorrio. Estar de vestido me fazia me sentir bem, o tecido, os detalhes, o estilo da saia e a forma que ela ressalta minha cintura.
Minhas pernas tremiam, meu peito estava rápido. Me sinto errado ao pensar o quanto isso satisfaz minha mãe, o quanto isso a faria sorrir daquela forma que ela fazia quando me batia.
Mas... isso importava?
Me lembrei da reação de Haise ao me ver, como seus olhos brilhavam e como seu corpo reagia acalorado. Da forma que ele sorria de forma nervosa, da forma que ele conseguia me fazer sentir como se mesmo que eu fosse incompleto como homem, eu era completo como juuzou.
Recupero o fôlego, a noite de ontem me deixou levemente elétrico. Lembro de seu corpo colado ao meu em um vai e vem acelerado. Minhas pernas formigavam ao lembrar, eu podia ficar naquele momento para sempre, sentindo haise ao meu lado, fazendo de tudo que é novo, algo confortável e carinhoso.
Me ponho em posição, visto minhas botas e então a peruca longa e cumprida que faz parte do disfarce. De certo, pareço uma garota magra, talvez 16 anos.
- Uau... - A palavra escapa de minha boca, dou um rodopio para olhar bem como estou, a saia se ajustando á física e balançando conforme me mexo. É uma sensação gostosa, é como se eu nascesse pra usar aquilo.

Saio do apartamento, assim que fecho a porta e a tranco, me lembro que já faz alguns dias que não me despesso de Ken, o ursinho. Sei que não preciso mais, sei que as coisas são diferentes agora. Mas ainda sim, não consigo não sorrir ao lembrar da forma gostosa de fechar a porta e saber que Ken estaria ali quando eu voltar.

Fecho os olhos, respiro fundo e me encaminho pro corredor.


Afinal, eu tenho um kaneki me esperando, não para casa, mas para um futuro.










___________________________________


Haise

Escrever uma carta...
Estava em meu quarto, o relógio batia as 10 horas da manhã. Na janela, uma leve chuva que batia no vidro. Em minhas mãos, a carta em branco cujo eu precisava escrever para o caso de dar tudo errado.
O engraçado, é que todos cujo pedi ajuda para escrever, disseram para eu transmitir oque penso e o que faz eu ser eu.
Bem, é algo difícil quando se está vivo faz apenas 1 ano e pouco.
Suspiro fundo, o branco da carta me deixa um pouco nervoso. Na verdade, eu nunca havia reparado o quanto o branco sempre me deixou um pouco nervoso. Como uma neve ambígua de uma noite de inverno.
O papel e o lápis em minhas mãos me deixam tenso, Oque eu diria se essa fosse a última vez? Se ontem fosse a última vez que vejo juuzou sorrindo? Se aquele fosse nosso último café?
Se passam mais 10 minutos, escuto meu esquadrão se arrumando pro trabalho através da porta. Eles parecem motivados, consigo até escutar algo que se parece com saiko vestindo suas botas, oque para ela, já é algo bem adiantado.
Minha carta ainda está em branco, não consigo escrever. Sei que o certo é fazer desta carta, algo bobo e que não vai ser preciso ler nunca. Mas como pensar assim? Ken kaneki foi morto pelas mesmas pessoas cujo irei enfrentar hoje.
Hoje iniciamos um futuro, hoje vamos começar algo que foi além de tudo que a CCG já fez. Vamos dar um fim á tudo que esse mundo já tirou de nós...

Hoje vamos mudar o mundo, e escrever uma carta como essa, é como se estivéssemos prevendo uma derrota de nossa luta.




Mas ainda sim...
Sinto que em algum momento, eu gostaria de ter escrito algo como ela, algo para que lembrassem de mim, algo que juuzou podia ler para seguir em frente caso tudo desabe.
Querendo ou não, existem pessoas que eu amo e pessoas que me amam nessa vida.
Se algo acontecer, tudo que restará de mim será o silêncio, o silêncio quebradiço que ficou com juuzou durante dois anos até que nos reencontrassemos.
Eu não posso permitir isso.
Não hoje.
Não amanhã.
Não mais...
Aperto o lápis, e apoio o papel sob minha mesa de cabeceira. Respiro fundo e começo a deslizar o lápis sob o papel, formando palavras, minhas dúvidas e respostas, meus mais diversos sedimentos que me compõem. Tudo que forma Haise Sasaki, e tudo que sinto que formava Ken kaneki.
Tudo que juuzou podia ler para seguir em frente, tudo que meu esquadrão podia ler para seguir em frente, tudo que Arima e Akira podiam ler para seguir em frente, e tudo que eu podia escrever para ter certeza que Eu seguiria em frente.
Por fim, tudo apenas se traduzia a uma única palavra.



"Carta de missão, ponto 30.30.56

_Obrigado.


- Haise Sasaki."

Eu não iria admitir isso, não iria admitir que estava perdendo pro mundo, sem mesmo entrar no campo de luta. Não dessa vez.
Eu vou lutar para proteger a todos, para proteger juuzou.
Mesmo que seja por alguns instantes, estaremos mudando o mundo.
E por isso, tudo que eu posso dizer é "Obrigado".
Obrigado por estarem comigo, obrigado por me abraçar naquela madrugada de outono, obrigado por me deixarem contar aquela história cujo tanto anseiamos por um final feliz. Obrigado por me fazer estar aqui, lutando para conquistar o final feliz que buscavamos á dois anos atrás.

Porque vale a pena lutar por um final feliz, mesmo que seja em um campo de neve distinto, mesmo que seja no leilão mais perigoso que existe. Não podemos parar para respirar, não podemos tomar forma e descansar, temos que ser intensos e rígidos.
É por isso, que temos que lutar.
Para que pelo menos por um segundo, possamos deixar de ser pessoas fortes, para sermos pessoas felizes.






Então, independente do que acontecer hoje...




Obrigado...




Obrigado por fazerem parte da minha história, e obrigado por estarem comigo desejando um final cujo poderemos sorrir diante de uma cafeteria e beber café enquanto conversamos sobre como o mundo está mudando.


Me levanto da cama e me visto, meu traje de batalha da ccg está um pouco apertado, mas deve ser pelo fato de se ajustar á nossas kagunes.
Eu saio do quarto e dou de cara com meu esquadrão, todos me encaram, seus olhos determinados a fazer deste mundo um lugar melhor...
- Estão prontos? - Pergunto.



- Estamos - Eles mentiram, ninguém está pronto para algo assim. Mas ainda sim, estão ali, sem preparo, sem forças, mas estão ali. Lutando uma batalha que não se pode ganhar.
Sei que eles escreveram suas próprias cartas, sei que isso deve ter deixado eles com medo. Mas mesmo assim, eles estão aqui, estão vestidos com seus trajes e estão prontos para a luta.
Esse é o único jeito de reagirmos á esse mundo, e é isso que faremos.


- Vamos - Eu digo - Hoje, ou tudo desaba, ou tudo se reconstrói.



Notas Finais


Obrigado por ler até aqui!
Até semana que vem ♡


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