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História Tom Pastel - Capítulo 2


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Notas do Autor


e aíkkk nunca vou acostumar a atualizar aqui, me irrita ficar costando os espaços, ô ódio.

mas tirando isso, como estão? viram que ontem teve um monte coisa nos tópicos do twitter sobre a comunidade LGBTQ+ eu amo demais ver os comentários de gente se sentindo bem e feliz naquela rede social, principalmente quando o twitter virou lugar pra briguinha ridícula. ah! por favor, antes de mais nada, não esqueçam de votar no bangtan la na votação do soribaba, isso é muito importante.

eu nunca sei o que dizer antes de começar um novo capítulo então só boa leitura mesmo

Capítulo 2 - Paleta


#ComoAquarela

Jungkook definiria que conviver com Park Jimin era uma prova de resistência, afinal nunca se sabe quando irá encontrar o azulado fofinho ou aquele que parece que incorporou o demônio.

Jeon preferia o fofinho, quer dizer, as vezes. A feição séria de seu hyung causava-lhe coisinhas no estômago, e ele simplesmente odiava sentir algo que não sabia classificar o que era, tanto é que quem lidava com os mau humores causados por isso era o próprio Park. Jungkook não era lá uma pessoa muito paciente apesar do rostinho de neném.

Sabe, Jungkook não era exatamente o exemplo de doçura. Ele nem sempre tinha aquele brilho nos olhinhos escuros, que cintilavam como as estrelas da via láctea em seus momentos mais felizes. Alguns dias eles estavam tão nublados que, quem visse, sentia vontade de chorar e nunca souberam lidar com o garoto nesses momentos, bom, não até Jimin chegar. Ele sempre conseguia distrair o Jeon mesmo com uma rotina puxada; sempre dava um jeito de conseguir trazê-lo para seu apartamento quando não conseguia falar consigo durante o dia.

Admitia que era bem melhor chegar em casa e ver o Jeon esparramado no sofá assistindo Harry Potter do que ser recebido pelo silêncio, bom, as vezes não era recebido com silêncio, pois quando era o Prisioneiro de Azkaban o filme da vez Jungkook acabava lhe ignorando, mas era por uma boa causa.

Em frente a porta da sala do CEO, Jungkook sentia seus pelinhos arrepiando a cada grito meio baixo proferido por aquela voz angelical; era nítido o tanto de raiva acoplado no tom vocal. Veja, era natural estar um tanto assustado quando Jimin era a pessoa mais doce que conhecia, mesmo que um pouco doida. Era o homem que o acompanhava mas brincadeiras mais idiotas mesmo nos trinta anos de idade e aquele que o acalmava simplesmente por estar perto. Era estranho vê-lo tão irritado, digo, verdadeiramente irritado, já que adorava provocar o mais velho. Jungkook queria, mais que tudo, invadir aquela sala e, bem, foi o que fez.

Que as consequências viessem.

Admitia que às vezes odiava ser tão curioso e conhecer Jimin tão bem, porque mesmo da porta, em uma distância considerável, conseguia ver Heejin, a secretária de Park que sempre dava em cima de si descaradamente. Jungkook não a culpava, admitia que seu hyung era uma das pessoas mais lindas que já conhecera na vida, se não a mais bela, mas era notável o quanto ele ficava desconfortável com as claras investidas; Jimin já tinha tentado de tudo, mas como nada adiantava, teria de demiti-la, o ambiente chegava a ficar desconfortável quando ela não respeitava seu espaço.

Então Jeon sabia que o comichão em seu peito não era por ciúmes, claro que não.

Ok, Jungkook admitia que gostava sim de seu hyung. Bom, o que poderia fazer? Era completamente impossível não se apaixonar por Park Jimin se conhecia ao menos um pouco de sua personalidade, mas de nada podia fazer.

Foi a segunda vez que sentiu seu coração acelerar.

Jeon se sentia especial sempre que via o alívio o nítido no olhar do mais velho quando este percebia sua presença, afinal Jimin nunca escondeu o quanto o garoto era importante para si. Não poderia negar que ver o Park nem hesitar em se levantar da cadeira, cortando a moça para vir ao seu encontro arrancou sorrisos exibidos e superiores. Amava sentir-se como prioridade, principalmente se fosse dele.

Mas mesmo que sentindo-se superior, a timidez ainda estava ali, então foi de modo acanhado que encostou a porta e se aproximou com passos lentos de seu hyung favorito, a saia balançando e os coturnos fazendo barulho a cada passada.

Jungkook não iria admitir nem sob tortura, mas os braços de Jimin eram seu lugar favorito no mundo.

Eles sempre acabavam entrando em uma bolha quando estavam juntos, então quando ambos se abraçaram depois de dias tão estressantes, o alívio foi imediato. Jeon sentiu quando os ombros aliviaram toda tensão logo após as mãos gordinhas de Jimin abraçarem seu corpo com todo cuidado do mundo; como se fosse um cristal frágil prestes a quebrar e que era muitíssimo valioso para o CEO.

Seus braços envolveram o pescoço do mais velho, uma das mãos fazendo um carinho gostoso nos fios ralos da nuca alheia, os arrepios que ele sentia muito bem percebidos pelo mais novo, afinal, já tinham intimidade o suficiente para com que Jeon soubesse todos os pontos sensíveis do mais velho. As vezes isso era horrível, afinal, significava que Jimin sabia os seus também, isso ficou bem nítido quando esfregou o nariz geladinho pelo ar condicionado no seu pescoço antes de apertar de forma levinha sua cintura, subindo o rosto para ficar cara a cara consigo, mesmo que tivesse que erguer um pouco o rosto para isso.

No momento em que os lábios gordinhos selaram demoradamente a pontinha de seu nariz, foi o exato instante em que a porta bateu de forma abrupta, assustando Jungkook que estava de costas e ficou praguejando, amaldiçoando a desgramada’ da secretária.

— Puts, será que ficou brava, foi? — O deboche na voz de Jimin fez Jungkook travar a risada mordendo o lábio inferior, expondo a pintinha favorita do Park, que não perdeu tempo em dar um beijinho furtivo nela. — Aliás, o que te traz aqui tão cedo?

O CEO iria voltar para a sua cadeira enquanto aguardava a resposta do moreno, afinal tinha algumas poucas coisas que precisava fazer ainda hoje antes de dar total atenção ao seu menino, mas Jungkook o impediu ao puxar delicadamente a manga de sua camisa, indicando que deveria parar enquanto desviava o olhar. Confuso, esperou que ele falasse.

— Hyung, eu preciso conversar com alguém e você é o único que me entende. Não peço como meu psicólogo, já me explicou porque não poderia ser, mas como meu melhor amigo, certo?

— Sabe que sim, Jun. Vem cá. — Não demorou para que o Park tomasse o pulso do mais novo entre as mãos adornadas de anéis que Jungkook não queria nem sequer sonhar com o preço, da última vez que questionou ficou tão indignado com a resposta que adorou falar no ouvido de Jimin até que doesse, infernizando sobre como poderia alimentar uma dúzia de famílias africanas; o que no fim ele sempre fazia, já que todo final de mês doava uma quantia a comunidades carentes e em finais de ano visitava regiões mais pobres procurando ajudar como podia. É, apesar de implicar muito, Jungkook admirava e se orgulhava demais de seu hyung.

— Hoje eu fiz a prova de cálculos, sabe? Aquela que você mencionou mais cedo. Consegui fazer tudo sem dificuldade graças a sua ajuda, hyung, então só queria agradecer. — Jimin poderia derreter sob aquele olhar carinhoso que morreria feliz demais, além da conta. — Mas, hoje, eu acho que não quero mais usar saia, Hyung… 

O tom de voz quebrado chamou atenção de Jimin, Jungkook não era muito de chorar, sempre foi durão, não gostava da sensação que o choro trazia, então sempre que acontecia partia o coração do mais velho em diversos caquinhos. Portanto, não hesitou em se ajoelhar diante dele, tomando o rostinho vermelho entre as mãos enquanto o fitava seriamente.

— Jun, seja sincero com seu hyung, o que aconteceu hoje? Você ama usar saias, principalmente as que eu faço exclusivas para ti. 

Era naqueles momentos em que Jeon se questionava o que havia feito de tão bom em sua vida passada, se tinha amado incondicionalmente alguém quando era considerado proibido¹, ou se só tinha muita sorte em ter aquele homem ao seu lado, como melhor amigo ou algo a mais.

Jimin sempre parecia saber o que fazer, quando intervir e como intervir quando as coisas eram pesadas demais para que Jungkook pudesse aguentar sozinho. Park sabia que Jeon não era inocente, que estava bem longe de ser aqueles meninos que usam roupas femininas para acentuar suas curvas e fazê-lo parecer mais passivo. Então é, Jimin sabia da grande demanda de gente que o sexualizava por ter uma bunda grande e ser consideravelmente baixo perto de seus colegas de trabalho. Honestamente, só ele sabe quantas vezes o xingamento travou na garganta perto de gente que gostam de estereotipar tudo e todos. A parte de ser um dos únicos a entender como Jungkook se senta era muito real sim. Era doloroso ser alvo dos fetiches alheios e só isso, puro desejo próprio, pouco se importando se iria ofender alguém, ou não.

Então tudo que fez foi entrelaçar suas mãos nas grandes de seu saeng, esperando que ele falasse o que tanto atormentava-o, para que pudesse ajudar.

Odiava aquele olhar triste nos olhos de seu bem mais precioso, ainda mais que os olhinhos escuros sempre brilhavam como estrelas quando estava em sua presença.

— Um garoto pegou na minha bunda hoje. Ele apertou a polpinha, dizendo que era isso que eu queria por usar uma saia. Minha primeira reação foi meter minha mão na cara dele, por isso estou aqui tão cedo, fui suspenso e não quero falar com meus pais. Mas depois eu me senti tão mal, Ji, eu me senti tão violado, porque ninguém tem o direito de tocar na minha bunda sem a minha permissão, poxa. Eu, de verdade, não entendo quais são a porra dos problemas daquelas pessoas, porque é tão errado um menino usar saia e meia-calça? Quando é branco padrão no twiter todo mundo aplaude mas fora da tela o preconceito fica escancarado. 

O azulado sentia seu coração quebrar em milhares de caquinhos, sem saber como reagir, tremendo de raiva por saber que mesmo depois de tanto tempo continuam a mexer com Jungkook, infernizando-o e assediando-o por gostar de usar roupas “femininas”, como se fosse algo estritamente proibido e um atentado a frágil masculinidade deles.

Às vezes a crueldade do ser humano o impressionava, mesmo que já estivesse habituado.

— Eu juro que não entendo nada disso. O que eu fiz para eles me odiarem tanto assim? 

— Nada.

Jimin silabou, controlando-se para não ir até o colégio do garoto, sabendo que ele era mais importante do que sua raiva e revolta naquele instante.

— Hyung, é sério… Eu não entendo, parece que sou algum tipo de monstro para eles? O que eu fiz de tão errado assim? É tão horrível usar roupas mais curtas?

Isso era algo que Park sempre iria admirar em Jungkook. Ele nunca se referiu as roupas que usava como femininas ou masculinas, não fazia diferença porque, para si, vestimentas não possuíam gênero, então era estranho dizer que pertenciam a um determinado grupo.

Então, é, isso era uma das coisas que faziam com que Jungkook fosse sua pessoa favorita no mundo.

— Claro que não, Jungkook-ah. É minha pessoa predileta e sabe disso, mesmo que Taehyung talvez me odeie por isso. É a criaturinha mais incrível que eu ou qualquer outra pessoa pode conhecer em toda minha vida.

— Então devo ser mesmo especial, porque ela foi bem longa.

— Jungkook, você tá me chamando de velho?

Queria poder brigar com o garoto, mas a risadinha que soou por cima do choro lhe fez sorrir um pouquinho, mesmo que carregasse um pesar nos olhos bonitos. 

Jimin, mesmo que não atuasse como psicólogo, tampouco se não fosse um, conhecia Jungkook mais que qualquer um, sabia quando ele mentia, quando disfarçava a verdadeira dor com brincadeiras para aliviar o ambiente, que às vezes escondia o rostinho no chapéu de pescador quando a barra pesava², que odiava preocupar-lhe por sempre achar seus problemas menores que os que Park enfrentava diariamente. Odiava isso, odiava saber que seu menino era tão arredio até mesmo consigo.

Sabendo disso, apertou mais os dedinhos longos entre os seus, conectando seus olhos nos lumes brilhantes que o encaravam como se fosse seu sol em meio a tempestade.

Jimin se sentia a pessoa mais especial no mundo quando estava na mira daquele olhar.

— Não quero que minta para mim. Faça isso com quem quiser, mas não quero que minta para mim, não quero que quebre nossa confiança, Jungkook-ah. Sabe que levou tempo até que todos nossos segredos fossem escancarados. Você viu meu pior lado, do mesmo jeito que sei todas as suas fraquezas, então esconder o que sente enquanto nem consegue me olhar nos olhos não é muito convincente. — Debochou levemente no final da frase, vendo as bochechas rosadas aparecerem e Jeon revirar os olhos; se tinha algo que odiava nessa vida era ser repreendido.

O que, com Jimin, acontecia com certa frequência já que Jungkook não tinha filtro nenhum.

— Eu não preciso que me diga o que não pode ou consegue contar, mas que o que for dizer seja verdade³. Eu quero que entenda que não é porque usa roupas curtas que está espalhando convites para assediá-lo. Como você mesmo disse, ninguém pode te tocar sem a sua permissão. Sei que isso pesa as vezes, que há anos fazem isso, mas se não se impor, nada vai mudar. Sabe como eu queria poder ajudar mas, nestante’, não é possível, porque eu não estudo contigo, tampouco irei. Mas um coisa eu sei, sei que isso dói bem mais do que revela, sei que isso dói lá no fundinho da alma, que por ter um corpo mais acentuado olhares de desejo caem sob seu corpo com ou sem seu consentimento, mas por favor, Gu, por favor, não desiste de algo que ama por medo da reação alheia.

Sem que pudesse aguentar, Jeon abaixou a cabeça enquanto sentia os dedinhos de JImin em sua bochecha, limpando as lágrimas que não param de cair.

Odiava chorar, odiava a sensação molhada que permanecia em seu rosto; odiava o gosto salgado e apesar de ser consideravelmente chorão, nunca se acostumava ou sabia o que fazer com as gotículas de água que desciam através de seus lumes e paravam na ponta dos dígitos de Jimin, que acariciava o rostinho vermelho com toda ternura que possuía, não deixando de rir sempre que escutava algum xingamento do maior.

Céus, amava tanto aquele garoto. Qualquer um que visse o olhar rendido no rosto do Park saberia a intensidade dos sentimentos no peito do mais velho.

Menos Jungkook, ele era meio lento até para perceber quando as pessoas flertavam com ele, mais interessado em ver como flertavam entre si.

De qualquer forma, JImin sabia o que ia acontecer quando Jungkook se levantou, marchando até o banheiro que tinha no escritório, sabendo que era só questão de tempo até o garoto sair, pegar algo pra comer, e se jogar na cadeira acolchoada em frente a sua mesa enquanto deixava aqueles olhos grandes fixos na sua direção enquanto, em um acordo silencioso, iriam esquecer a conversa de antes pois Jeon precisava digerir as informações.

O que foi exatamente o que aconteceu momentos depois.

O corpo robusto, muito bem trabalhado pelas horas de treinamento que Jungkook fazia no silêncio do seu quarto enquanto ouvia Twice, jogou-se na cadeira a sua frente, arrancando uma sobrancelha arqueada de Jimin, que só riu ao ver o rosto limpinho exceto pela boca suja de molho de frango que fez para comer mais tarde.

— Era meu almoço, sabia?

— Não se preocupe, Ji, vou ficar até seu horário de almoço pra’ gente almoçar juntos naquele restaurante perto da praia.

— Desde quando é tão folgado? Acho que mimei demais.

— Também acho, viu? 

Jimin ouviu a risadinha exibida que se transformou em gargalhada como trilha sonora perante sua faceta de indignação.

����

Por diversas vezes Jimin se perguntou se valia a pena continuar no ramo no qual se encontrava; se questionava se, de fato, era certo o que fazia levando em conta a quantidade de pessoas que se sentiam mal com alguns modelos ou alguma coisa que ele próprio falou errado.

O ramo da moda era delicado. Ficar inovando e criando coisas era difícil, independente de ser o CEO da Chanel ou não. Não colocou a marca onde ela está hoje com favores, chegou porque tinha uma equipe que estava consigo desde que assumiu a liderança; chegou porque reconhecia que tinha tanto talento para a área criativa quanto para a empresarial. Mas, como sempre, tinha seus altos e baixos e isso era quando via algo no twitter de pessoas falando o que não gostaram, às vezes simplesmente destilando ódio a troco de alguns minutos de fama. O que doía nem era isso, e sim ver tanta gente concordando.

Mas Jungkook sempre dizia que ele chegou longe demais para desistir assim.

Era tão grato a ele, tanto que, por diversas vezes, não sabia como agradecer, então só ficava com o peito doendo, dolorido por querer dizer tantas coisas mas sequer sabia como começar, por onde começar. Uma das causas disso era que apesar de ser um romântico nato, com Jungkook as coisas eram mais embaixo, principalmente por seu garoto odiar coisas melosas.

Mas lógico que ele perceberia, Jungkook o conhecia melhor que qualquer um, então nada impediu o garoto de indagá-lo mesmo com a boca cheia de frango.

— O que foi, fyung?

— Nada, bebê.

O biquinho que surgiu na boca alheia deixou claro que não foi convincente em sua resposta direta. 

— É sério, Ji. Tá' com uma cara esquisita, parece com dor de barriga. O que aconteceu?

— Não é nada, Gu, mesmo, e eu não pareço com dor de barriga! Só estão me pressionando a entregar algo para ser a base dos estilistas ainda essa semana, mas sequer sei por onde começar. Taehyung saiu de férias então, honestamente, não sei o que fazer.

— Por que não entrega aquela coleção que desenhou sozinho mês passado? Eu lembro que sempre que ia para sua casa você tinha a mesa de desenho no colo, desenhando algo. Eu até te ajudei a montar algumas peças, você disse que tinha gostado dela.

Os olhos arregalados e a boca aberta de Jimin até poderiam assustar Jungkook, mas conhecia seu hyung bem o suficiente para saber que ele só estava processando a ideia, possivelmente tentando lembrar dos tais desenhos.

Não o culpava, ele cuidava de muitas coisas ao mesmo tempo para se lembrar de uma das infinitas peças que desenhou.

— Eu já disse que você é minha pessoa favorita no mundo, Gu?

Uma vez na vida, Jimin viu as bochechas do mais novo corarem pela vergonha que sentiu com a voracidade da declaração alheia. O garoto de madeixas negras só baixou a cabeça, constrangido demais para dar uma resposta afiada ou algo do gênero.

— Aish', Jimin-ssi! Vamos, vamos, você me disse que iríamos passar naquela loja de jogos.

— Mentira, você que acabou de decidir isso sozinho.

O sorriso traquina de Jungkook o entregou, mas estava animado demais para sequer se importar em ser cara de pau ou se iria tirar o Park do expediente, sabia que ele precisava respirar; Jimin o conhecia bem o suficiente para que conseguisse ter vergonha dele.

— E não vamos?

Jimin nunca iria admitir, mas era só Jungkook lhe encarar com aqueles olhos brilhantes e as sobrancelhas meramente franzidas e pronto, estava ao seus pés. O que poderia fazer? Aquele menino com vários parafusos a menos o tinha nas palmas das mãos grandinhas.

Doía no seu orgulho, mas não o suficiente para lutar contra.

Era um boiola assumido por aquele garoto, por isso sequer questionou quando foram a tal loja depois de Jimin pagar a conta, já que de bobo Jungkook não tinha nada, então nunca que iria pagar a comida naquele restaurante; seu rim custava mais barato e faria muito mais falta do que algumas notinhas na conta bancária de Jimin. 

— Ji, parando pra pensar, você tem dinheiro suficiente pra' virar traficante de órgãos, né?

Apesar de ter engasgado com a própria saliva, Jimin só balançou a cabeça e acertou um tapa na coxa desnuda do outro, que reclamou um pouco porém nada disse. Enquanto isso, Park ria internamente porque, porra, Jungkook era maluquinho e sentia que se não ignorasse ao menos 10% das coisas que saíam daquela boquinha linda iria enlouquecer antes dos quarenta. Era complicado a convivência com o Jeon, apesar de que se tem o amor dele não precise de mais nada no mundo, tanto Jimin quanto o próprio Jungkook sabiam que ele era uma pessoa difícil de lidar; suas alterações de humor provocadas por não entender os próprios sentimentos eram a prova disso.

Mas, como já estava óbvio, Jimin nunca deixaria seu garoto de lado.

Contudo, mesmo assim, aquele garoto com corpo grande e rostinho de criança tinha uma alma tão jovem e curiosa quanto a de alguém com seus sete anos recém completos, então dificilmente JImin usaria a palavra chato para definir a tarde que passaram indo de loja em loja atrás do tal jogo que Jungkook queria. 

— O que acha de levar essas máscaras do Homem de Ferro e do Capitão America?

— Jungkook? Você tem quantos anos? Cinco?

— Não, bocó, eu só queria algo simbólico para te lembrar que é meu super-herói sempre que a visse.

Às vezes a intensidade e pureza que algumas declarações de Jungkook faziam Jimin perder o ar e se encantar ainda mais por ele, como se fosse o Pequeno Príncipe venerando sua rosa⁴.

Contudo, mesmo assim, não levaram as máscaras, mas sim uma pulseirinha com o pingente dos respectivos super-heróis.

— Só você para me fazer usar isso, Jun.

— Ah, para! Eu sei que você adorou, não adorou? Sem contar que combina com as outras pulseiras que usa. — Ok, algumas vezes Jimin também esquecia que aquele era um capetinha em forma de gente, então ter aqueles olhos enormes e redondinhos arregalados em sua direção sabendo que não conseguiria negar era covardia. Era, definitivamente, extremamente rendido por seu menino.

— Injusto, viu? Muito injusto, quando fui eu a pedir para usar as correntinhas de Harry Potter você não quis.

Jungkook admitia, era extremamente gostosinho ver seu hyung resmungando manhoso daquela forma, mas não era como se isso fosse fazê-lo usar as correntinhas que ele queria, isso nem por mil peixinhos livres do aquário.

Ok, talvez por isso sim.

Mas apesar dos quarenta segundo de birra, Jimin em vez de levar Jungkook em casa levo-os a praia quase vazia naquela época do ano, exceto por alguns poucos números de pessoas ali presentes. Todos que conhecem ao menos uma pequena porcentagem de Jungkook sabem o quanto ele ama o mar, virava um próprio peixinho quando podia usufruir do espaço reservado.

— O que a gente tá’ fazendo aqui, Ji? Finalmente decidiu ver como é nadar no inverno? 

Graças a sua animação, Jeon acabou dando pulinhos, ocasionando na saia levantando-se levemente, atraindo olhares maliciosos de homens e mulheres porque, convenhamos, Jungkook era lindo em todos os sentidos e aspectos; seu corpo era proporcional para parâmetros de qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom gosto, então ser alvo de alguns olhares era habitual. Contudo, Jungkook nunca foi uma pessoa confiante, então sempre acabava achando que estavam zombando de si e não admirando.

Portanto, Jimin só abraçou o corpo alguns centímetros mais alto por trás, ouvindo o suspiro surpreso e a risadinha gostosa deste enquanto caminha para beira d'água.

— Vou te dar como oferenda ao deus do mar, isso que viemos fazer aqui, não sou idiota de me jogar nessa água gelada.

— Hyung! Não pode! Eu vou ser bonzinho prometo!

— Como quer que eu acredite nisso se está rindo, hein? Te conheço, Jeon Jungkook!

De fato, Jimin não estava errado, durante a guerrinha de forças Jungkook mal conseguia respirar de tanto que ria, pouco se importando com os olhares sobre eles ou em ser sincero, afinal, irritar JImin era sua parte favorita do dia.

O que podia fazer, Jimin lhe fazia um bem danado, culpa todinha dele por ser tão agradável, ele lava suas mãos.

— Muito bem, muito bem, me solta garanhão. 

Jungkook resmungou enquanto já sentia faltas das mãos gordinhas adornadas por anéis em sua cintura, mas não reclamou em voz alta, seu orgulho era quase tão grande quanto suas coxas.

— Você me fez esquecer totalmente o que iria fazer. 

— Por favor, hyung, diga que está brincando.

— Pior que não. — Jimin realmente estava falando sério, não lembrava porque havia sugerido a praia em específico, mas também não achava que Jeon iria socar-lhe no braço por isso.

Havia doído.

Jungkook só tinha intenção de brincar, fingir uma birra por ser exposto ao frio que estava naquele lugar, mas ao ver seu hyung se encolher pela provável dor seu peito apertou. Não tinha muito controle da sua força, por isso que havia começado a fazer box, para aprender a maneirar na densidade dos golpes. Então, verdadeiramente, não havia sido proposital.

— Hyung, tá’ tudo bem? Me desculpa, Jimin-ssi me desculpa mesmo não foi de propósito. Você quer me socar pra’ ficar justo?! Tudo bem se quiser, eu não me importo nadinha e-

— Shh’, cala a boca, Gu, está tudo bem, já vai passar. Foi só um soco, não um tiro, meu anjo.

O mais velho queria rir porque, céus, ainda morreria de amores com seu bem mais precioso. Jeon era o mais durão dos dois, mas era o único que não sabia como se expressar ou desculpar diretamente, então acabava por ficar nervoso em excesso e até chorava, em situações mais severas.

Tinha um porte de lutador, meio marrento e até chato, mas era só um bebê que não sabia lidar com as próprias emoções.

— Mesmo assim, hyung, tudo bem? Mesmo?

— Sim, coisa linda, tudo bem, mesmo.

— Que saco, você me assustou! 

A ainda saiu, emburrado por ter se assustado com algo que ele mesmo provocou, porém não disse nada, só seguiu o garoto de personalidade forte até o veículo, encontrando-o cantando mais uma música do Justin Bieber.

Essa era a relação deles, baseada em todo carinho e confiança que construíram ao longo do tempo que já fora provada mais de uma vez.

Jungkook nunca vai esquecer de como se sentiu ao dar-se por conta que, agora, ele quem era o porto seguro de Jimin, que era para ele que o mais velho corria quando as coisas davam errado, mesmo que depois de uma crise pedisse desculpas por colocar tamanho fardo nas costas de alguém tão novo. Contudo, não era como se isso importasse para o Jeon, afinal, quando o assunto “diferença de idade” era posto na balança, perdia e feio para todo o amor que o moreno nutria por seu Hyung.

A dinâmica entre eles era única, não era necessário palavras para que se entendessem, as vezes nem precisavam verbalizar o que sentiam, um mero olhar e conseguiam desvendar se estava tudo bem.

Jimin não contou, mas os pais de Jungkook confessaram não gostar dessa aproximação, pois afastava Jeon, mesmo que minimamente, das pessoas da sua idade. Isso ficou reverberando tanto na sua cabeça que, inconscientemente, afastou-se de Jungkook. Mas é aquilo, uma vez para nunca mais, pois o garoto ficara tão bravo consigo que só não o ignorou por uma semana inteira porque, nas suas exatas palavras, acabaria ficando doente sem todo o amor que ele dava-lhe.

Jungkook costumava dizer que Park era seu vírus da felicidade, pois não importa se seu dia esteja péssimo, ele vai fazer o possível para melhorar o de outro alguém. Com Jeon já era meio diferente, afinal, não exitava no momento de mandar alguém à merda. 

Ainda mais quando alguém dizia-lhe apreciar sua delicadeza por vestir roupas “femininas”, já mandava ir para casa do cacete assim garantia que não iriam mais importunar-lhe.

Felizmente, o Park nunca cobrou-lhe nada. Sempre conversou de igual para igual consigo, explicando algumas coisas que ainda não sabia, ajudando sempre que era necessário ou pedido, nunca avançando nenhum passo que Jeon não desse permissão. Mesmo ciente que Jimin não fazia mais que sua obrigação como um ser humano minimamente decente, gostava disso, de como ele mandava uma mensagem aleatória pedindo para que escolhesse uma cor para que só depois Jungkook tomasse conhecimento que era de uma coleção exclusiva.

Mas, ainda sim, apesar de ter uma preocupação enorme, Jimin tratava-lhe como um homem, mesmo que muitas vezes agisse feito um pirralho em busca de irritá-lo.

Então quando pararam em frente aos portões de sua casa, sabendo que o mais velho não entraria somente e unicamente pelo cansaço já que nunca recusava cozinhar para Jungkook, não ficou chateado ou se sentiu comparado a uma garota, até porque não são só os homens que podem dirigir, levar até em casa em segurança ou só as mulheres que podem vestir roupas curtas, só sentiu aquele calorzinho gostoso no peito sempre que notava todo o zelo que Jimin tinha por si.

Era recíproco, no fim das contas.

Jimin sabia disso muito bem, então quando estacionou na sua vaga reservada na garagem de seu prédio, apoiou as mãozinhas no volante, deitando a testa sobre as costas destas, fechando os olhos pequenos e sorrindo bobo, dando mais uma vez graças a todas as divindades que conhecia por terem posto Jungkook na sua vida.

Seu garoto sempre fazia-lhe, mesmo em um período tão difícil.

Park Jimin não era bobo, sabia que Jungkook conhecia-lhe muito bem para saber que seu cansaço não era do escritório ou dele, e sim do cansativo divórcio no tribunal, que sugava-lhe todas as suas energias para conseguir ser alguém bom ou prestativo.

Ele, verdadeiramente, não entendia como uma mulher tão incrível, que aceitou tão bem o término, quisesse mesmo tirar toda a paciência que já não tinha em reuniões com advogados e audiência com juízes. Não era um machista hipócrita, sabia que havia sido Solar quem o ajudou a criar seu nome na Chanel, que fora por causa dela que conseguiu o emprego, mas fora ela quem decidiu lhe trair, ele não devia mais nada a ela além de respeito, porque apesar de tudo, era a mulher mais guerreira que ele conheceu na vida.

Mas que tinha vontade de mandá-la socar as reuniões onde o sol não batia era grande.

Contudo, não o fazia por conta de Jungkook, o garoto sabia toda a barra que seu hyung estava passando com um divórcio que perdurava meses pela mulher sempre remarcar, querendo adiar o momento o máximo possível.

Jeon não julgava, não gostaria de separar-se se tinha Park Jimin como esposo.

Mas ainda sim, odiava todo o estresse que aquela mulher fazia seu hyung passar, então sempre dava seu melhor para fazê-lo dormir melhor.

De: googie 

ei, hyung! eu sei que você deve estar se torturando então vai tomar um banho quentinho e ir dormir, não esquece de comer antes

boa noite, carinha de emoji ♡


Notas Finais


¹ Referência ao universo real onde, ainda sim, muitas pessoas amam alguém que é considerado proibido ou errado.
² Referência a My Time, do Jungkook.
³ Referência a série Outlander, onde Jaime pede a Claire que não precisa revelar o que não pode, mas que seja verdade.
⁴ Referência a O Pequeno Príncipe.

Entãokk foi isso. eSpero que tenha ficado nítido que não, Jeon não é alguém que não tem voz para dizer o que pensa ou quando o incomoda e depende do jimin pra tudo, não é bem assim que funciona. O bebê é tímido quando centro das atenções, mas sabe colocar alguns idiotas em seu devido lugar.

Em relação a conversa dos jikook na sala do jimin, quero deixar claro que ela foi meio corrida porque o próprio jungkook ainda não está pronto para tê-la ainda;jimin deixa isso claro na narração.

Por favor, sem xingar nenhuma mulher citada aqui. Ah! A cena da secretária sempre foi algo que me incomodava bastante, porque quando a coisa muda de é assédio mas, advinha? Se alguém invade seu espaço pessoal onde você já deixou claro que NÃO ESTÁ confortável, é assédio sim. Eu, como mulher, já passei por isso, então só quis deixar claro que, sim, ainda sim conta como assédio, ok? Contudo, isso não quer dizer que o que as mulheres sofrem diariamente deve ser ignorado, não, homens não passam nem 40% do que as mulheres passam em uma ida no supermercado.

Mas, como um todo, é isso. Obrigada por lerem até e não esqueçam de favoritar, poxa, custa nada. E vão acumular corações no soribaba para votar no bangtan antes que os fãs dp kang daniel nos derrubem, de novo.

Se cuidem e uma boa semana.


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