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História Tonight, we are young - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - One.


Fanfic / Fanfiction Tonight, we are young - Capítulo 1 - One.

Carolina do Norte, 23 de novembro, 02:47 AM.

Todoroki Shoto

Give me a second I

I need to get my story straight

My friends are in the bathroom getting higher than the Empire 

As pessoas dançavam animadamente ao meu redor e as luzes, que incessantemente piscavam desgovernadas, me deixava irritado e meio zonzo. Em meu copo continha uma cerveja que, a esta altura do campeonato, já estava quente. 

Sentado em uma mesa de um bar aleatório da cidade, eu via a minha ruína beber como se o planeta fosse acabar daqui a algumas horas. E aquilo me deixava irritado. 

Irritado por não vivendo que nem ele, por não estar me divertindo que nem ele, por ser um completo filho da puta que vai em toda festa que ele somente para o ver dançar. Talvez eu não devesse me irritar tanto quanto atualmente estou irritado. 

E talvez eu já devesse ter me acostumado. 

E novamente eu me afogo em minhas próprias angústias, virando um copo de cerveja quente e provavelmente ficando mais bêbado e menos racional a cada gole. 

Eu preciso de algo mais forte.

Preciso esquecê-lo.

Preciso fodé-lo até ele entrar em outro estado mental. 

Preciso ouví-lo gemer. 

My lover she's waiting for me just across the bar

My seat's been taken by some sunglasses asking about a scar

Me levantei da enferrujada cadeira e, tomando um distância que considero segura, me aproximei do bar e pedi a bebida mais forte que o barman tinha no momento. 

— Problemas no amor, jovem? — Um rapaz, aparentemente da minha idade e com exóticos cabelos verdes me perguntava enquanto pegava algumas bebidas da enorme prateleira de madeira atrás de si e colocava-as em cima do balcão. 

Gim, tequila, vodka, conhaque, whisky e umas três bebidas que eu não consegui distinguir. Isso certamente fará um belo estrago no meu fígado. 

— Pois é. — Iniciei entediante, observando o loiro que se agarrava com um ruivo esquisito no meio da balada. — Aposto que o estrago que essa mistura fará em meu fígado não chegará nem aos pés do estrago que aquele desgraçado fez em mim. — O verdinho ria levemente enquanto misturava com exímia maestria as bebidas em uma coqueteleira prateada.

Suas covinhas eram adoráveis e realçava a beleza de suas sardas. O garoto era pequeno e adoravelmente fofo, fazendo contraste com o lugar em que estava e com a profissão que exercia. 

— Tenho que concordar, por mais que eu não entenda muito de amor. — Sua voz era divertida juntamente com sua expressão. Ele colocou a bebida em uma taça de vidro e colocou alguns cubos de gelo e limão para decorar. — Aqui, se caso precisar. — Em suas mãos tinha um pequeno prato prateado que continha um pouco de açúcar. 

— Ah, obrigado. — Falei pegando o pratinho de sua mão, vendo-o limpar suas mãos em um paninho branco e sorrir ladino para mim. 

— Se precisar de algo, me chame. — Talvez seja a bebida, mas eu juro que o ouvi dizer isso com segundas intenções. 

And I know I gave it to you months ago

I know you're trying to forget

But between the drinks and subtle things

The holes in my apologies, you know

I'm trying hard to take it back

Dei um pequeno gole na bebida, sentido-a descer rasgando em minha garganta. Era forte e doce ao mesmo tempo, aquele garoto sabe realmente como fazer um bom drink. 

Molhei as pontas dos meus dedos com a bebida e os passei no açúcar do pratinho, levando-os até a boca logo em seguida. O gosto é estranhamente bom e viciante. 

Senti meus lábios levemente dormentes pela forte bebida. Passei a língua sobre os mesmos, para tirar qualquer resquícios de bebida sobre eles. E, logo em seguida, virei todo o líquido da taça em minha boca, num ato, provavelmente, suicida.

Eu senti tudo girar por alguns segundos. Minha vista estava embaçada, a ponta do meu nariz ardia com o mal estar que eu estava sentindo e minha boca salivava muito, indicando que provavelmente eu iria vomitar. 

Okay, aprendi que essa bebida não é para ser tomada rapidamente. 

Eu respirava fundo enquanto abria alguns botões de minha camisa xadrez, numa falha tentativa de fazer meu corpo esfriar do calor repentino. 

— Uow! — O verdinho apareceu na minha frente, me olhando surpreso, enquanto retirava a taça, agora vazia, da minha frente. — Não me diga que virou aquela tacinha de uma vez. — Vendo meu silêncio como resposta, ele fez uma breve careta antes de suspirar. — Quer morrer? Se jogar de uma ponte seria menos dolorido. 

— Ah, muito obrigado pela sugestão, querido estranho. — Falei em um tom sarcástico enquanto abria mais alguns botões de minha camisa. 

— Tome, beba isso. — Ele me estendeu um copinho de vidro que tinha algo transparente dentro.

— Vai me dar mais bebida? — Arqueei uma sombrancelha enquanto ria baixo. Senti minha cabeça doer e me arrependi amargamente por ter bebido aquela merda de bebida. 

— É glucose líquida. — Ele deixou o copinho em cima da mesa e começou a limpar o balcão ao meu redor. — Açúcar corta o efeito do álcool na corrente sanguínea. — Enquanto ele falava, eu olhava pro copinho na minha frente, pensando no porque de ele estar ajudando um completo estranho e bêbado como eu. 

Porque, sinceramente, eu não faria o mesmo. Eu deixaria um bêbado se afogar nas bebidas, se quisesse, portanto que pagasse. Mas por que ele está me ajudando? Não vejo motivo em ele ajudar alguém como eu. 

— Como assim? — Perguntei virando o copinho de uma vez na minha boca. Era terrivelmente doce, tanto que fiz uma careta horrível quando terminei de o engolir. E novamente eu senti meu estômago revirar, parece que vou vomitar a qualquer minuto. 

— Podemos dizer que quando se ingere álcool, o fígado se concentra em tirar o mesmo do sangue, deixando de produzir e liberar glicose na corrente sanguínea. — Vê-lo falar tão elegantemente enquanto seu pequeno corpo se movia dentro daquele uniforme apertado me deixava extasiado. Sua bunda rebolava lentamente, me fazendo, instintivamente, morder meu lábio inferior. — Ingerir glicose ajuda o corpo a entrar em equilíbrio. Por isso, ingerir ou comer algo que contenha açúcar ajuda a cortar o efeito do álcool. 

Ele havia tirado o copinho da minha frente e colocar outro com mais uma dose de glucose numa rapidez, no mínimo, admirável. 

— Quantos copinhos desse você pretende me dar até o bar fechar? — Perguntei pegando o copinho e brincando com ele nos meus dedos. 

— Só esse. Duas doses é o suficiente. — Ele disse antes de sorrir divertido. — E você não vai ficar aqui até o bar fechar. 

So if by the time the bar closes

And you feel like falling down, I'll carry you home

— Ah, e por que não? — Minha pergunta soou mais divertida do que eu queria. 

— Ninguém fica até o bar fechar. — Seu sorriso aumentou, fazendo suas sardas se levantarem graciosamente. 

— Fico feliz em saber que eu serei o primeiro. — Comentei soltando uma risada nasal. 

Ele me olhou curioso e riu logo em seguida, mas antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, eu ouvi a melodia de uma música que eu conhecia muito bem. 

— Stivie Nicks? — Perguntei arregalando levemente os olhos. Ele sorriu ladino e pegou o copinho em minha frente, agora vazio. 

— É a troca de DJ's. Eles tocam algumas músicas aleatórias enquanto o próximo DJ não chega. — o verdinho dizia numa calma de dar inveja, mas naquele momento eu não ligava pra mais nada, só queria ir pro meio daquela pista e dançar até minhas pernas ficarem dormentes. 

— Me vê uma dose de Vodka, por favor! — Falei entusiasmado, batendo minha mão na mesa. 

Eu tenho que me acalmar. 

— Tem certeza? — Em uma de suas pequenas mãos continha uma garrafa de Vodka, enquanto na outra continua um copinho de vidro. 

— Ainda pergunta?! — Falei me levantando, virando o copinho, agora cheio, de uma vez na minha boca. O líquido desceu queimando, mas não liguei. Pelo contrário, coloquei o copinho em cima da mesa como forma de pedir mais uma dose. — É Stivie Nicks, porra! — Falei virando a próxima dose que ele me deu e fui apressado para a pista, queria dançar e esquecer o idiota do Katsuki por um tempo. 

A pista estava meio vazia por conta da música pouco conhecida, então eu tinha espaço o suficiente para dançar do meu jeito desengonçado. 

Tonight we are young

So let's set the world on fire

We can burn brighter than the sun

Tonight, we are young

So let's set the world on fire

We can burn brighter than the sun

Eu fechei os olhos por um momento, sentindo o efeito da bebida em meu sangue. A batida da música me contagiava, me fazendo dançar de um modo que nunca dancei antes. 

Provavelmente eu estava parecendo um retardado dançando uma música desconhecida em uma pista de dança quase vazia, mas eu estava pouco me fodendo.

Só por hoje eu queria me divertir, só por hoje eu queria fazer coisas que nunca fiz antes, só por hoje eu queria mandar as opiniões dos outros irem se foder. 

Só por hoje eu queria esquecê-lo. 

— Just like the white winged dove / Sings a song / Sounds like she's singing who who who — Cantei baixinho, sentindo meu sangue ferver e uma vontade de beijar crescer em meu corpo. Eu precisava de alguém, não importava quem fosse. 

Ainda com os olhos fechados e dançando de um modo esquisito, eu senti o corpo de alguém colar em minhas costas. Um agradável calor foi transmitido para mim, me fazendo relaxar lentamente. 

— Vi que estava dançando sozinho, vim lhe fazer companhia. — Me virei para ver quem era o dono da estranha voz e quando o olhei, eu quase bati palmas. 

Porque, olha... É uma tentação esse loirinho usar uma roupa apertada dessa. 

— Fico grato pela gentileza. — Falei puxando sua cintura, grudando seu corpo ao meu. Eu vi um singelo sorriso aparecer em seus lábios rosados. — Eu realmente precisava de alguém. — Sussurrei perto de sua orelha, seu corpo se arrepiou e seu sorriso aumentou. 

— Então aproveite a chance, não se sabe quando terá outra chance como essa. — Seu tom era convencido, mas seu sorriso era brincalhão, me fazendo sorrir junto com ele. 

— Com certeza. — Falei antes de colar meus lábios junto aos dele. Seus lábios tinham um peculiar gosto de tequila com menta, e pode apostar que eu amei essa combinação.

O beijo começou voraz e feroz, sem gestos tímidos ou algum tipo de preliminar. Minhas mãos passavam por todo o seu corpo de forma desesperada, queria explorá-lo por completo, queria saber o que se escondia pode de baixo daquela roupa apertada. Mas acho que tirar a roupa no meio do bar é ilegal. 

Fomos pra um local mais escuro e reservado. Suas mãos, que estavam no meu cabelo, desceram para a nuca, que desceram para minhas costas, parando na minha bunda, dando um leve aperto nela. Senti meu corpo arrepiar e um calor subir por entre meus músculos. 

O prensei na parede e desci meus lábios para se pescoço alvo, deixei um visível chupão naquela região e beijei o local logo em seguida. Ouvir seu suspiro deixou minhas calças um pouco mais apertadas. 

Esse loirinho ainda me mata. 

Now I know that I'm not

All that you got, I guess that I, I just thought

Maybe we could find new ways to fall apart

Ele puxou meus cabelos, fazendo minha cabeça ir para trás, me beijando logo em seguida. Eu passei meus dedos por debaixo de sua camisa, subindo lentamente, explorando cada pedaço daquele corpo esbelto. 

Eu percebi que o DJ tinha chegado, uma música parecida com as músicas do David Guetta começou a tocar. Não me importei. Sentir as curtas unhas do loirinho arranhar minhas costas era algo que eu deveria dar mais importância. 

Mas, ao fazer menção de arrancar sua camisa, ele me empurra de leve, me olhando levemente assustado. 

Foi como um balde de água fria.

— A-ah! Me desculpe. — Ele falou tímido, respirando rapidamente. Fechou seus olhos e continuou a respirar. 

— Tudo bem. — Eu também respirava depressa, mas nada comparado a ele. — Eu fui apressado. — Aos poucos eu fui me separando dele, o deixando mais a vontade. 

— Um pouco. — Ele soltou uma risadinha e, em resposta, eu soltei uma leve risada nasal. — Bem... Eu acho que preciso ir... — Ele estava extremamente envergonhado e tímido, e eu quase ri da expressão fofa que ele fez. 

— Ah, claro. — Me afastei mais ainda, dando espaço para ele sair. Ele saiu devagar, deixando um rastro de seu perfume inebriante. — Ah, aliás. — Falei um pouco mais alto, atraindo a sua atenção. — Qual o seu nome? — Só me dei conta da pergunta que fiz, quando eu terminei de falar. 

Por que diabos eu estou perguntando o nome dele? 

— Hm, já se apaixonou? — Ele soltou uma sonora risada, e eu não pudendo me segurar, ri também. Dei de ombros, como se eu tivesse falando "Hm, talvez". Se tá na chuva é pra se molhar, né? — Kaminari Denki. — Ele falou e continuou andando, entrando naquela multidão de gente e sumindo da minha vista. 

But our friends are back

So let's raise a tab

'Cause I found someone to carry me home

Suspirei pesadamente e olhei pro volume em minhas calças. Precisava me acalmar antes de voltar pra multidão ou podia ser tachado de tarado. 

Fiquei escorado na parede, respirando profundamente e tentei ao máximo esquecer aquele loirinho que me fez ficar assim. 

Fiquei escorado nessa parede por uns quinze minutos, até eu ver que o bar estava praticamente vazio. Vi o verdinho trabalhando de um jeito incrível e elegante ao mesmo tempo. 

Algo me fez ir até lá. Algo que eu não conhecia. Por que me sinto atraído por ele? Mais atraído por ele, do que pelo loirinho? Talvez eu devesse me tratar. 

Eu cheguei lá com passos calmos e firmes. Vê-lo trabalhar me deixa sentindo um formigamento no peito. Jesus, preciso mesmo me tratar. 

Tonight, we are young

So let's set the world on fire

We can burn brighter than the sun

Tonight, we are young

So let's set the world on fire

We can burn brighter than the sun

— Preciso de um pouco de conhaque. — Falei apressado, como se alguém tivesse roubado o ar de meus pulmões. 

— É pra já, bicolor. — Ele falou soltando um risinho, me fazendo... Corar? O que eu sou? A porra de um adolescente na puberdade. — Que gracinha. Tá vermelhinho. — Ele riu ainda mais, colocando o copinho na minha frente. 

— Não começa. — Falei bebendo o conhaque de um modo mais calmo.

— Calma, não queria deixá-lo bravinho. — Ele riu novamente fazendo-me fechar a cara. — Okay, me perdoe. — Ele parou de rir e assumiu uma pode mais profissional. Gostei desse ar profissional dele, me fez ter uns pensamentos que eu não gostaria de ter nesse momento. 

— Tudo bem. — Meus ombros relaxaram e eu suspirei antes de tomar outro gole do meu conhaque. — A culpa não é sua que eu não consegui foder hoje, não é? — Soltei uma risada nasal para descontrair o clima pesado que se instaurou, mas ele ainda continuava com sua pode profissional. 

— Ainda. — Ele falou de costas para mim, enquanto preparava uma bebida para algum outro cliente. Eu quase engasguei com sua fala repentina. O que caralhos ele quis dizer com isso? — Se precisar de algo, me chame. — Ele falou e se virou para atender outra pessoa. E caralho, aquela bunda rebolava de um jeito que me deixava louco. Esse verdinho ainda me mata. 

Não me lembro por quanto tempo eu fiquei ali, naquele bar quase vazio, virando muitos copos de conhaque, ficando cada vez mais bêbado e irracional, mas sei que fiquei tempo o suficiente para derramar algumas lágrimas e passar uma grande vergonha ao deitar a cabeça na mesa e chorar por longos minutos. 

Por que eu ainda me lembrava daquele infeliz? Por que eu simplesmente não podia esquecê-lo? Por que ele tem que ser um puto que domina minha mente? 

Virei mais copos de conhaque, ou qualquer outra bebida que me fizesse esquecer aquele maldito, até eu não saber distinguir o real do imaginário. A música havia acabado, mas as luzes ainda piscavam, me deixando zonzo e inerte a qualquer outra coisa. 

Algumas vozes chegavam aos meus ouvidos, mas não me importei. Não ligava pra mais nada, eu só queria o calor de alguém nesse momento, para esquentar o frio que se instaurou em meu peito. 

E, milagrosamente, minhas preces foram ouvidas. Alguém, que reconheci ser o verdinho, me ajudou a levantar daquela cadeira de aço enferrujada e, aos poucos, me levou até a porta do bar. 

— Quando você falou que ia ficar até o bar fechar, não imaginei que falava sério. — Ele suspirou me ajudando a vestir um moletom que ele tirou de algum lugar que eu não sei. Eu não o respondi. Eu estava bêbado e envergonhado por estar sendo carregado por um estranho. — Não se preocupe, eu te levarei para casa. 

Carry me home tonight

Just carry me home tonight

Carry me home tonight

Just carry me home tonight

E novamente, nada falei. Me deixei ser guiado por aquele verdinho que tinha um suave cheiro de bebida, menta e um leve odor de chocolate. Ele cheirava muito bem, eu não podia negar. 

A gente caminhou por alguns longos minutos silenciosos, até ele parar em frente a uma casinha pequena e, aparentemente, aconchegante. Ela era bonita, de cor verde pastel com branco, e com uma cerca de madeira pintada de branco na frente. 

— Consegue ficar de pé? — Ele perguntou calmamente, me olhando gentilmente. Eu me perdi por alguns segundos naqueles belo par de olhos esmeraldinos, que, com o brilho do luar, brilhavam lindamente, iluminando o escuro em meu ser, preenchendo o vazio que estava em mim, queimando as cinzas que sobraram do fogo que Katsuki colocou em meu ser.

Eu estava me afogando em um mar de sentimentos, me sufocando e me afundando em extremos que nunca sequer pensei em chegar. Alguns segundos desse olhar que esse estranho me lançou, me fez sentir coisas que Katsuki não fez em anos de um relacionamento sério. 

Será que é muito tarde pra eu ir me tratar? 

Eu concordei lentamente com a cabeça, engolido minha vontade repentina de beijá-lo. Eu estou bêbado e irracional, eu não quero fazer nada idiota enquanto eu estiver nesse estado. 

Ele me soltou levemente, se certificando que eu conseguiria me manter de pé, e foi até a porta para destrancá-la. O vento frio de um outono, que estava em seu ápice, bateu contra meu rosto, me fazendo ir até onde o verdinho estava, para buscar o seu calor que agora me fez falta. 

Andei dois passos e uma vertigem me fez parar, procurei qualquer coisa para me apoiar, mas nada encontrei. Iria cair no chão, e isso iria doer muito. Mas antes que meu corpo se chocasse violentamente contra o chão, eu senti braços gentis me segurarem e um amor agradável me envolver.

Me senti acolhido, como se eu estivesse em casa. Como se eu pertencesse a alguma casa. Foi bom sentir isso novamente, mesmo que por alguns rápidos segundos. A vertigem ainda não havia passado e, antes de eu perder a consciência por completo, eu olhei mais uma vez para aqueles olhos esmeraldinos, desejando que eu não estivesse sonhando ou tenho alucinações. 

Pois aquilo era bom demais para ser verdade. 

E, sem controle de meu corpo, eu deixei ser tomado pela inconsciência, desmaiando logo depois se sentir sua mão quente em minha testa. 

The world is on my side

I have no reason to run

So will someone come and carry me home tonight

O sol ardia majestosamente naquela manhã de domingo. O vento batia contra as cortinas de cor vinho que haviam ali. Os pássaros cantavam alegremente e os carros passavam nas ruas, fazendo um barulho que eu não gostaria de ouvir nesse momento. 

As nuvens espessas rapidamente chegavam, trazendo a melancolia de um dia de ressaca. O cheiro de café invadiam minhas narinas, mas o peculiar cheiro de bebida, menta e chocolate. Tenho a impressão que já havia sentido esse cheiro antes, mas não lembro exatamente onde e quando. 

O quarto que eu estava era estranho para mim. Não me recordo como fui parar aqui ou quem me trouxe até aqui, por mais que eu já tenho uma ideia de quem provavelmente tenha feito essas coisas por mim. 

Permaneci sentado na cama de casal, até ouvir passos se aproximarem do cômodo em que eu estava. Me ajeitei melhor na cama, esperando quem quer que fosse aparecer naquele momento. 

E, quando a porta se abriu e eu pude novamente contemplar aqueles olhos esmeraldinos, eu fui tomado por lembranças de horas mais cedo. De quando ele carregou até sua casa, de quando eu olhei para seus olhos gentis e me senti em casa, de quando eu estava em seus braços quentes e me senti acolhido, de seu olhar preocupado e da bela lua que olhei por alguns míseros segundo. Me lembrei de tudo e não sei se isso é bom ou ruim. Eu só queria cavar um buraco agora e me enfiar nele de tanta vergonha que estou sentido agora. 

— Acordou cedo, bicolor. — Sua voz era risonha assim como sua expressão. Eu tentei sorrir, mas a vergonha não me deixava fazer nada além de ter as bochechas coradas. Eu tô parecendo a porra de um adolescente na puberdade. — Você fica vermelhinho com frequência, né? 

— Só quando você está perto. — Merda! Por que caralhos eu disse isso? Eu sou idiota por acaso?

— Ah, que gracinha. — Ele sorriu, levantando suas sardas e mostrando suas covinhas. Ele é sempre fofo assim ou só faz isso pra me provocar? — Eu fico lisonjeado por ouvir isso. — Sua risada ecoou pelo quarto, me fazendo rir baixinho pela aura leve que ele tinha. 

The angels never arrived

But I can hear the choir

So will someone come and carry me home

— Bom dia. — Eu disse de repente, fazendo-o me olhar curioso. Ele sorriu ladino e caminhou calmamente até a mim, e somente agora eu percebi a bandeja em suas pequenas mãos. 

— Bom dia, bicolor. — Ele se sentiu ao meu lado na grande cama de casal e colocou a bandeja em nossas pernas, agora juntas. — Dormiu bem? — Ele perguntou se servindo com uma torrada. Até quando ele está comendo ele fica lindo, meu santo Deus. 

— Quase não dormi. — Peguei uma das canecas de café que estava disposta ali e dei um pequeno gole, sentido o líquido quente e amargo descer em minha garganta. Ele me olhou curioso e antes que eu pudesse novamente falar, eu bebi mais um gole daquele maravilhoso café. — Tenho insônia. 

— Ah, entendo... — Ele disse baixo. Provavelmente sabia que eu tinha insônia por causa de algum trauma e resolveu não se intrometer, e eu agradeci mentalmente por ele ter feito isso por mim. — Midorya Izuku. — Eu o olhei confuso. Talvez seja pela ressaca ou pelo sono que eu tinha, mas eu não entendi o que ele quis dizer com aquilo. — Esse é meu nome, Midorya Izuku. 

— Ah! — Agora entendi o que ele quis dizer. Jesus... Hoje eu tô muito lerdo. — Todoroki Shoto, prazer. — Falei sorrindo ladino, vendo-o sorri gentilmente para mim, fazendo meu coração bater mais rápido. 

— O prazer é meu, Shoto.

Tonight, we are young

So let's set the world on fire

We can burn brighter than the sun

Tonight, we are young

So let's set the world on fire

We can burn brighter than the sun

A gente ficou se olhando por alguns segundo, numa briga interna de ambos por não saberem o que fazer. Eu sabia o que queria, mas não sabia se ele queria fazer o mesmo. 

Não estou mais bêbado, tenho consciência de minhas ações. Não quero fazer nada de idiota e não poder dar a desculpa de estar bêbado por fazer aquilo. 

Ele me olhava ansioso, e como se estivesse lendo minha mente, ele concordou com a cabeça, me dando permissão para beijá-lo, e bem, foi isso que fiz. 

Diferente de Denki, esse beijo era calmo e lento. Nossas línguas eram tímidas e ainda estavam se conhecendo. Mas devo admitir que beijar ele era quase como tocar o céu com a boca. 

Ele segurou meus cabelos e eu puxei levemente sua cintura, trazendo-o para perto de mim. O beijo foi ficando cada vez mais feroz, cada vez mais necessitado, cada vez mais faminto. E talvez, se não fosse por aquela bandeja, a gente já estaríamos em um outro estágio. 

Mas o ar fez falta e nos separamos, respirando rapidamente e suando levemente. Quando foi que o quarto ficou tão quente? Ele tirou a bandeja em cima de nós e a colocou em um criado mudo que estava ao lado da cama. 

Ao voltar, ele se sentou no meu colo e em um ato involuntário, eu passei a mão por de baixo de sua camisa branca, sentindo o pequeno corpo sob meus dedos. Seu corpo se arrepiava a média que meus dedos percorria a sua pele quente. 

— Obrigado por me trazer para casa. — Sussurrei baixo em seu ouvido, olhando em seus olhos logo em seguida, vendo-o sorrir sacana. Um sorriso, que até agora ele não havia mostrado para mim. E novamente nos beijamos, agora sem nada para nos atrapalhar.

So if by the time the bar closes

And you feel like falling down

I'll carry you home tonight



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