História Tons de frio - Capítulo 26


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Capítulo 26 - Capítulo 26


Acho que estou me apaixonando por você.
Acho que estou me apaixonando por você.
Acho que estou me apaixonando por você.

Que merda tinha acontecido?
Esse era exatamente o tipo de pensamento que eu havia passado a vida inteira ensaiando guardar apenas para mim.
Três dias se passaram desde o casamento. E eu não tive coragem de falar com Shawn sobre a infame declaração.
Declaração? Argh, desde quando palavras melosas tinham começado a fazer parte do meu vocabulário mesmo?
Shawn, por sua vez, também não tinha tocado no assunto. E eu não sabia se era porque ele pensava que eu não lembrava ou porque ele simplesmente não sentia o mesmo.
Ainda assim, aqui estava eu - fim de tarde de uma segunda-feira, direto do meu escritório para o dele. Usando uma lingerie minúscula por baixo da roupa e com inúmeros pensamentos pervertidos bombardeando minha cabeça.
Pensamentos esses que apenas se intensificaram ao abrir a porta de vidro escuro de sua sala. Porque Shawn Mendes de roupa social atrás de uma mesa e com a mais linda cara de concentração era inesperadamente a cena mais erótica que eu já havia visto em minha vida.
Ou minhas incessantes fantasias criadas durante o dia me faziam pensar assim.
- Veio me buscar? - ele deu um sorrisinho maroto ao notar minha presença, suavizando o semblante e abaixando a pilha de papéis que antes observava com atenção.
Balancei a cabeça negativamente e o barulho da chave girando na fechadura ecoou na sala.
Mendes estreitou as sobrancelhas.
E então eu soltei a minha bolsa no chão e, sem dizer nada, apenas puxei meu vestido branco pra cima, tirando-o e revelando a lingerie vermelha e rendada que mal cobria os pontos estratégicos de meu corpo.
- Na verdade a ideia era te atrasar um pouco mais.
Pude ver sua íris cintilando apenas para escurecer um pouco. Quando achei que ele levantaria e me agarraria prontamente, Mendes apenas exibiu um sorriso safado de canto e relaxou as costas na cadeira, cruzando os braços em frente ao corpo.
- E como pretende fazer isso? - a voz carregada de sexo enviou um estímulo direto para o meu ventre, lembrando que, se eu gostava de provocar, Shawn gostava ainda mais.
Caminhei em sua direção com a certeza de que minha bunda rebolava mais que o normal, e seu olhar faminto pairando em meu corpo parecia aprovar o pequeno show. Parei bem em sua frente e apoiei o quadril na mesa, pegando impulso com mãos para sentar sob ela e, sem deixar de mirar os olhos pegando fogo de Shawn, cruzei as pernas da maneira mais sensual que eu conseguia.
- Ainda estou decidindo se quero sua boca ou esse volume maravilhoso em mim. - mordi o lábio inferior ao encarar a ereção evidente apertando a calça social.
Shawn soltou uma risada rouca e levantou. Suas mãos apoiaram em meus joelhos e deslizaram por minhas coxas, abrindo minhas pernas para que ele se encaixasse ali. Então ele dedilhou o caminho até minha nuca, segurando meu cabelo e puxando-o para baixo. Encostou a boca em meu pescoço e escorregou os dentes levemente em minha pele, arrepiando-me antes de sussurrar:
- Porque não me deixa tomar as decisões?
Mal absorvi suas palavras e sua mão livre correu pela minha barriga, seguindo o caminho até dentro da minha calcinha. Um frio estremeceu minha espinha quando ele roçou a ponta dos dedos na minha abertura.
- Shawn… - seu nome saiu como um gemido, implorando por mais contato.
- Você está molhada? - sua voz rouca era provocante, e meu corpo estava tão absorto em prazer que consegui emitir apenas um murmúrio ininteligível, arrancando um riso baixo dele. - Acho que vou ter que descobrir sozinho.
Então ele enfiou um dedo em mim e um grunhindo exasperado arranhou minha garganta. O deleite invadiu meu corpo e eu apertei seus ombros, desesperada por mais contato ao sentir o prazer inflamar dentro de mim. E ele pareceu entender o recado ao pressionar meu clitóris com delicados movimentos circulares que me faziam revirar os olhos e fincar as unhas em seus ombros.
- Você está pingando, linda. - ele grunhiu, os dedos mostrando conhecer exatamente cada pedacinho estimulante de meu corpo. O prazer fazia uma pressão quase insuportável em minha intimidade, e meus quadris ondulavam para tentar aumentar ainda mais a fricção contra sua mão.
Precisei reunir toda força de vontade existente em meu corpo para espalmar minhas mãos em seu peitoral e afastá-lo um pouco. Seus olhos me encararam, confusos. Se aquilo era um jogo de provocação, eu não estava disposta a perder tão cedo. Desci da mesa em um pulo e o encarei com a expressão mais suja que eu era capaz de exibir, abrindo os botões de sua camisa e deslizando as mãos em seus braços para jogá-la no chão. Dei um sorriso antes de ajoelhar e passar a mão sob o tecido apertado. Shawn emitiu um som gutural ao soltar todo o ar dos pulmões, ansiando pelo meu toque.
Abri a calça e envolvi seu pau com meus dedos, masturbando-o lentamente antes de envolvê-lo com a boca. Um rosnado sensual escapou de sua boca e seus olhos, fixos nos meus, estavam cintilantes, quase selvagens. Eu aproveitava para encenar a expressão mais devassa que podia ao colocá-lo por inteiro na boca e deslizar de volta.
Quando meus movimentos aceleraram, Shawn soltou um gemido estremecido e puxou-me para cima com certa urgência.
- Não estrague a brincadeira tão cedo. - ele sorriu e aproximou o rosto do meu apenas para dar uma mordida de leve em meu queixo. - Adoro foder sua boca, mas quero gozar na sua boceta.
Suas palavras pareceram fazer ondas insanas de luxúria eletrizarem meu corpo.
- Está esperando o que pra meter em mim?
Minhas palavras pareceram ser a carta branca para ele deixar de lado toda e qualquer sanidade ainda existente. Ele apertou minha cintura com força, me posicionando em frente a mesa e fazendo-me debruçar sob a bagunça de papéis e pastas. Shawn desabotoou meu sutiã em um movimento veloz, envolvendo meus seios com as mãos e apertando o mamilo sem delicadeza alguma; exatamente do jeito que eu gostava e fazia eles endurecerem de uma forma deliciosa. Ele se posicionou atrás de mim e minha respiração tornou-se descontrolada ao sentí-lo roçar provocante o pênis em minha entrada.
Eu não só queria ele dentro de mim - meu corpo praticamente gritava que precisava sentí-lo.
E, como se estivesse ciente disso, ele me invadiu do jeito que sabia que eu adorava - inteiro e de uma só vez. O grito preso em minha garganta ecoou no vazio da sala e eu me esqueci por um momento onde estávamos.
Mas, a esse ponto, nada além de nossos corpos se movendo juntos em busca do prazer me importava. Cada estocada forte, rápida e precisa envolvia meu corpo em quantidades ideais de dor e prazer. E, céus, como eu gostava daquilo. Suas mãos apertaram minha bunda, me puxando para trás apenas para que ele conseguisse entrar mais fundo. Shawn deslizou a mão para meu ponto de prazer, inchado com tamanho estímulo, e foi preciso apenas um toque para que ele levasse meu corpo a algo maravilhoso.
Os jatos de prazer pareceram ser bombardeados direto para meu âmago. O orgasmo varou meu corpo, deixando-me sem fôlego. Minha visão ficou turva. O corpo mole. O barulho sensual da respiração de Shawn ficou distante - assim como seu gemido rouco e contínuo que reverberou em meu corpo.
Ele me abraçou pela cintura e me puxou para trás, fazendo-me cair sentada em seu colo na cadeira. Me aninhei em seu peito, deitando a cabeça em seu ombro e observando a expressão relaxada em seu rosto enquanto tentávamos fazer as respirações normalizarem. Sorri com os olhos fechados ao sentir um beijo carinhoso em minha testa e tudo o que eu conseguia pensar era… merda.

-
Ainda era uma sensação estranha andar por aí de mãos dadas com Shawn.
Saindo do prédio de seu trabalho, eu podia jurar que havíamos atraído alguns olhares curiosos. E eu apostava que nada tinha a ver com nossos rostos corados e os cabelos levemente mais bagunçados que o habitual, denunciando que havíamos nos divertido em sua sala.
Se eu fosse adivinhar, diria que eles estavam se perguntando quem era a garota que tinha conquistado Shawn Mendes.
E como.
Nada além do mesmo que eu me perguntava todos os dias.
O Lamborghini preto estava estacionado do outro lado da rua e, enquanto atravessávamos, uma memória nublada se formou em meus pensamentos.
- O que aconteceu com a moto?
Mendes soltou uma risada enquanto pegava a chave no bolso.
- Está na garagem. Sabe como é, só a uso em ocasiões especiais.
- Está dizendo que eu não sou uma ocasião especial?
Ele estava prestes a retrucar com uma resposta engraçadinha quando pisamos na calçada e uma mulher baixinha de cabelos negros e compridos se aproximou. Devia ter uns trinta anos e usava um vestido laranja florescente.
- Mendes?
Um segundo de silêncio pairou no ar enquanto meu olhar corria os olhos entre ele e ela, aguardando algum tipo de reação. Se eu não conhecesse os olhos de Shawn tão bem a pequena fagulha enfadonha no fundo de sua íris teria passado despercebida.
E então eu sabia que havia algo de errado ali.
- Uh, Ava… - ele murmurou, hesitante. - Quanto tempo.
- Três anos. - ela respondeu de prontidão, os olhos amendoados fixos em Shawn. - E você é…?
Ela se virou pra mim, o olhar beirando o desprezo. Shawn se remexeu nervoso ao meu lado.
- S/n. Sou… uma amiga. - tentei sorrir, mas tinha certeza que havia parecido completamente desconfortável.
Bom, aquela situação toda parecia completamente desconfortável.
- Precisamos ir. - Shawn apertou minha mão, praticamente me empurrado pra dentro do carro. - Ava, foi… foi um prazer vê-la.
A mulher apenas sorriu, parecendo ainda mais apática que antes. Mendes abriu a porta pra mim e, pelo retrovisor, pude vê-la nos olhar mais uma vez por cima dos ombros enquanto se afastava.
- Isso foi estranho. - comentei quando Shawn tomou o lugar ao meu lado. Ele, em silêncio, apenas ligou o carro e virou o volante para sair da vaga. - Porque isso foi estranho? - insisti e mais uma vez o silêncio perfurou meus ouvidos. - Shawn… pretende me responder?
- Não foi nada.
Sua voz soou afiada, aborrecida e fria como eu estava quase desacostumada a ouvir.
- Quem é ela?
- Ninguém.
Suspirei, fixando os olhos na rua através do vidro frontal. Era um tanto cansativo nunca ter as respostas.
- Você sabe que…
- Não era ninguém importante. - seu tom aumentou. - Podemos não falar sobre isso?
Apertei os lábios, me controlando para não insistir mais um pouco enquanto meu cérebro trabalhava nas teorias. Eu podia ser teimosa, mas invasiva não era uma das minhas características mais fortes. Simplesmente porque eu sabia o quanto era difícil trazer alguns assuntos à tona.

-
Quando entrei na casa de Shawn meu olhar foi prontamente atraído para um ponto azul na cômoda ao lado da porta.
Azul.
E não branco.
Apertei os olhos para ter a certeza de que estava enxergando direito. Era um lindo porta retrato e, dentro dele, estava uma das fotos que tiramos na cabine do casamento. A imagem mostrava nós dois nos encarando com sorrisos únicos no rosto. Dois sorrisos sinceros e com muita história pra contar. Era impossível não se contagiar com a alegria que a cena transmitia.
- Isso é… você colocou a nossa foto aqui. - constatei o óbvio tentando não soar boba, mas meu sorriso provavelmente entregava que havia achado aquilo... fofo.
Ele trancou a porta e parou ao meu lado sorrindo.
- Sim.
- Você colocou nossa foto em um porta retrato… azul. - dei ênfase na última palavra e ele quase riu.
- Sim…
Ri, nervosa. Ele sabia onde eu queria chegar e estava me torturando. Me torturando e se divertindo com isso.
Por mais que fosse evidente eu nunca havia falado em alto e bom som sobre a… palidez de sua casa. Me parecia algo pessoal demais para ser debatido.
- É que é tudo tão branco e…
- Tudo bem, pode parar. - ele riu, provavelmente se solidarizando com meu tom atrapalhado. - É uma metáfora. Era pra ser engraçado, mas acho que acabou ficando sentimental demais.
Encarando os pés, ele coçou a nuca, agora parecendo mais desajeitado que eu.
- Metáfora…?
- É um ponto de cor em meio a essa imensidão branca. Meio que condiz com... bom, com você. Minha vida era completamente cinzenta e você meio que se tornou um ponto de cor nela.
Aquela era a coisa mais cafona que eu já tinha ouvido.
Brega.
Clichê.
E um pouco adorável.
Mas não era assim que a gente agia quando estava... apaixonado?
Meu coração bateu lento, por mais que meu corpo parecesse quente e agitado. Eu estava sem reação e encantada. Confusa e feliz. Surpresa e assustada.
E, nesse misto incontrolável de sentimentos, uma peça antes inexistente pareceu se encaixar dentro de mim. Se antes tudo em meu peito era uma bagunça, agora Shawn havia inesperadamente acabado de instalar a calmaria. Logo ele, que sempre me prometeu ser apenas confusão.
Sorri abertamente pra ele e me aproximei, selando nossos lábios em um beijo extremamente carinhoso. Quase um agradecimento. De olhos fechados, com nossos corpos unidos, percebi que aquele beijo era completamente diferente do que qualquer um que tínhamos compartilhado antes.
Porque agora nós éramos diferentes. Nosso relacionamento tinha mudado. Havíamos nos tornado íntimos. Não no sentido sujo da palavra - mas sim no significado mais puro que ela poderia ter.
Um lampejo de felicidade percorreu meu corpo quando me afastei e encarei o sorriso que transbordava nos olhos dele.
Talvez eu devesse estar apavorada com o tanto que eu era louca por Shawn Mendes.
Mais que isso. Apaixonada.
Mas, de repente, tudo estava bem.
Pela primeira vez a possibilidade de me apaixonar por alguém não me assustou. Porque seus olhos me davam a certeza reconfortante que ele estava igualmente apaixonado por mim.



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