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História Tons de Outono. - Capítulo 14


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Notas do Autor


Boa leitura! ♡

Capítulo 14 - Dor.


Fanfic / Fanfiction Tons de Outono. - Capítulo 14 - Dor.

Daegu; 2018.

Já era fim de tarde, quando cheguei em casa. Estávamos no inverno, e por mais que achem que Daegu seja um dos estados mais quentes da Coréia do Sul, o inverno costumava castigar além da conta, de tão congelante que esse lugar ficava.

Antes de abrir a porta, apaguei o cigarro entre meus dedos, meus pais não sabiam que eu fumava e deveriam continuar sem saber, ou ouviria inúmeros sermões como qualquer outro adolescente, que esteja afim de "apodrecer" os pulmões, com isso. Mas nesse frio, fumar me esquentava, e aliviava os meus problemas, sinceramente a cada dia era uma decadência diferente na minha vida, e creio que não seria o cigarro a me matar primeiro.

Enfim, foda-se.

Procurei a chave nos bolsos, e abri a porta devagar. Mesmo que estivesse cedo, não queria alertar todos da casa sobre a minha chegada, principalmente o meu pai que vem monitorando os meus passos, dia e noite.

Mas ao contrário do que pensei, não ouvi o grito do meu irmão mais novo ao chegar, pois ele sempre estava na sala assistindo algum desenho. Hoje, não estava. Ou o barulho vindo da cozinha, pois a essa hora, minha mãe estaria na cozinha começando a preparar o jantar. Dessa vez, não estava. Embora hoje fosse um meio de semana comum, o ambiente em si nessa casa não estava tão comum assim.

Devem ter saído apenas, não devo me preocupar.

Subi às escadas calmamente até o meu quarto, estava exausto por ter trabalhado metade da manhã, e ainda ter levado Taehyung ao shopping, como lhe havia prometido há algumas semanas. Tudo estava complicado na verdade, pois tinha que fazer tudo isso escondido, olhando para os lados me certificando de que não teria ninguém suspeito ao redor.

Ao abrir a porta do meu quarto, me surpreendi ao ver o homem de meia idade sentado sobre a minja cama. Meu pai me olhava como se já esperasse que eu chegaria nesse horário. E em suas mãos, tinha um envelope branco, ele tateava o mesmo com o dedo indicador enquanto me olhava de forma rígida, nem um pouco contente.

— O que faz no meu quarto?

Perguntei um pouco rude, sempre deixei claro nessa casa o quanto eu odeio com todas às minhas forças, quando invadem a minha privacidade.

— Boa tarde para você também, filho.

Disse calmo, como se o jeito nem um pouco amigável que eu o olhava, não estivesse o intimidando nem um pouco.

Se bem que, eu como o magrelo que sou, perto de um ex soldado que serviu anos ao exército e tem um ótimo porte físico, é de se esperar que eu não tenho o menor efeito sobre ele.

— Pai, o que você está fazendo no meu quarto? E que envelope é esse?

O cortei, deixando claro que eu não tinha a menor intenção em render assunto. Estava cansado, sem paciência e não é como se nós dois tivéssemos uma grande relação entre pai e filho.

— Já que você quer ser direto, vamos lá então. Diga-me, tem visto a Suran?

O olhei confuso com a pergunta repentina.

— Tenho... C-Claro... Inclusive estava com ela agora.

Vacilei um pouco nas palavras, pois estava nervoso. Para o meu pai, eu tinha terminado com Taehyung há muito tempo, e agora estava com a Suran, assim como ele queria, após ter ameaçado o machucar caso continuássemos juntos.

Ele negou com a cabeça, e começou a rir de um jeito sinistro, que me amedrontava o suficiente, para ficar estático, o olhando.

— Certo, certo... Só que acho engraçado, eu ter ido há pouco tempo ver o Kang, e veja só, a Suran estava com ele em casa, reclamando sobre você a ignorar. Curioso, não?

O deboche explícito em cada palavra pronunciada pelo meu pai, era o suficiente para eu entender que não viria coisa boa por aí.  E por ter sido totalmente desmentido, fiquei tenso sem saber o que lhe responder, mas confesso estar com medo do que esteja por vir.

— Sem resposta, eu imaginei.

Disse enquanto abria o envelope, que eu tanto estava curioso para saber o que tinha ali, mas pelo sorriso que ele deu ao abrí-lo, estava claro que não seria algo bom que estava ali dentro.

— Sabe Yoongi, mentir para pai e mãe, é o mesmo que mentir para Deus. A gente sabe quando os filhos mentem, mas esperamos que eles possam confesssar, o que evidentemente não é o seu caso.

Ele ergueu uma foto para mim, que me fez congelar dos pés a cabeça, quando me dei conta das pessoas que estavam se abraçando nela.

Era eu e Taehyung, hoje, no shopping. Desgraçado, mandou alguém me vigia!

— Pai...

Tentei me explicar, embora não tivesse em mente algum argumento plausível para isso, no fim das contas, fui pego no flagra, e não poderia contestar sobre.

— Eu tentei ser uma pessoa compreensiva, juro que tentei. Lhe dei uma chance, quando me disse que terminaria com aquele garoto, e ninguém sairia machucado na história. Mas você Yoongi... Aish, não rebelde..

Jogou em minha direção todas às fotos que tinham no envelope, quando me dei conta, eram fotos de vários momentos entre mim e Taehyung. Eu o buscando na escola, nós dois comendo juntos, até mesmo fotos de quando o levei no meu lugar até então secreto tinham. Ele sabia de tudo, mando alguém me vigiar o tempo todo, para esperar a hora certa e jogar a bomba de uma vez.

— Por quê você não entende? É a minha vida, a minha felicidade, você não tem o direito!

Meus olhos já estavam começando a encher de lágrimas, eu estava assustado, com medo do que ele poderia mandar fazer com o Taehyung. Tudo que vinha em minha mente, eram coisas horríveis que podem acontecer por eu ter um louco como pai!

— Você carrega o sobrenome Min, mora na minha casa, eu mando em você queira ou não! Eu comprei a sua moto, às roupas que você veste, até mesmo o seu suspiro eu posso ter comprado, então não venha me dizer que não tenho direito! E eu, não vou aceitar que o meu filho seja "uma bicha"!

Ele se lavantou, pegando na gola da minha camisa e erguendo meu corpo um pouco. Me sentia como um fracasso, em não poder revidar, o bater tanto ao ponto de fazê-lo entender que amor é válido de qualquer forma, e era isso que eu sentia por Kim Taehyung, amor.

— Eu amo ele, e não é você querendo nos separar e me fazer ficar com aquela garota, que irá mudar isso!

Revidei com às palavras, sentindo todo o meu corpo ir de impacto na porta, ele me empurrou com tanta força, que parecia que eu poderia quebrar a coluna só por me mover demais.

— E se ele sumir do mapa, ainda iria contra mim?

Levantei o olhar para ele, incrédulo e amedrontado com suas palavras. Afinal, o que ele queria dizer com isso?!

— C-Como assim?

Ele riu, novamente, e isso me assustava mais do que qualquer filme de terror nesse mundo inteiro. Tentei me levantar um pouco, mas o jeito que minhas costas doíam, estava me desestabilizando completamente.

— Apenas uma ligação, e os miolos do seu namorado estarão estourados. O que acha?

Ele pegou o celular, e me mostrou uma foto, era da frente da casa do Taehyung, com ele através da janela do quarto, parecia estar estudando. Tinha alguém o vigiando, nesse exato momento!

Uma sensação de desespero havia me apossado completamente, tanto que ignorei a dor que sentia, para arrastar o corpo até ele, e ficar ajoelhado, com os olhos cheios de lágrimas.  Eu estava com muito medo, nunca pensei me sentir dessa forma, em toda a minha vida.

— Por favor, não faça nada com ele, eu te imploro.  Eu me afasto, eu juro, mas não faça nada com ele!

O desespero misto de ansiedade que eu sentia nesse momento, me faziam atropelar um pouco às palavras, principalmente pelo choro incessante.

Não, ele não!

— Como saberei que está dizendo a verdade? Você me enganou uma vez, pode me enganar de novo.

Ele permanecia frio, como se o meu estado aos seus pés, não fosse nada além de uma diversão. Meu pai conseguia ser pior do que imaginei, muito pior, um verdadeiro monstro!

— E-Eu faço o que você quiser, juro por tudo que é mais sagrado, mas não machuque ele pai, eu te imploro, me dê mais uma chance. 

Eu só sabia chorar e tremer, em minha cabeça vinham várias coisas ruins, a cena de Taehyung morto com um tiro na cabeça, isso estava me enlouquecendo completamente. 

— Certo, só porque sou uma boa pessoa, irei lhe dar essa chance. Mas você não só irá terminar essa palhaçada de namoro, como além de namorar com a Suran que é a pessoa certa para você, irá partir para Seoul daqui dois meses. Meu amigo tem um pequeno apartamento vago lá, acho que dá para vocês dois. Eu não te quero aqui, perto da outra "bichinha". Pois sei bem, que não irá se afastar dele.

O olhei incrédulo, como ele poderia ser assim? Não tinha expressão de remorso, não vacilava com às palavras, era como se tudo o que estivesse acontecendo, era um mero entretenimento para ele.

O meu sofrimento, parecia o alegrar.

Eu não queria ir embora, não queria ter que o deixar, droga eu amo tanto aquele garoto, como nunca amei ninguém. Ele acha que apenas eu sou o primeiro amor dele, mal sabe que ele sem dúvidas foi o meu primeiro amor, o que sinto por Kim Taehyung é maior que qualquer outro relacionamento que eu tenha tido na vida.

Temos uma certa diferença de idade, mas isso nunca me incomodou. Aquele garoto de 15 anos, me encantou completamente,   do seu jeitinho, eu não colocaria e nem tiraria nada.

Mas agora, eu teria que deixá-lo, para que continuasse vivo...

— Eu... Aceito. Mas tem que jurar que não irá ir atrás dele nunca mais, e muito menos colocar alguém para o vigiar.

Eram às minhas condições, para fazer esse absurdo. Meu pai não parecia se importar, se eu ficaria infeliz pelo resto da minha vida, ao lado de alguém que não amo, longe da pessoa que eu verdadeiramente quero estar.

Desgraça de vida!

— Claro, com você longe, a vida daquele garoto não me interessa em nada. Agora anda, termina com ele logo, na minha frente.

Arregalei os olhos com seu pedido.

— Quer que eu vá até ele com você por perto, acha mesmo que ele não vai desconfiar de nada?

Aos poucos me levantei, ainda dolorido, para olhar nos olhos daquele homem no qual sinto tanto ódio e repulsa, que chega a dar náusea.

— Claro eu sei, não sou burro. Mas existe uma coisa chamada mensagem de texto. Não confio em vocês dois sozinhos, você é fraco demais para fazer isso cara a cara Yoongi. Sem contar que ninguém gosta de levar um "pé na bunda", principalmente por mensagem de texto, será melhor para ele não que ter saber de você mais.

Dessa vez, não teria como eu escapar.

Não queria fazer isso, mas seria egoísta em vê-lo perder sua vida de um jeito tão precoce, e por culpa de um capricho meu. Isso está doendo tanto, que sequer sei como poderei digitar sem chorar, principalmente com aquela homem me olhando severamente, apenas esperando.

Peguei o celular no bolso, minhas mãos estavam trêmulas demais, mal conseguia o equilibrar em minha mão. Droga!

— Anda garoto, antes que a sua mãe chegue.

Me intimidou, aumetando a voz de um jeito que aumentou ainda mais o meu nervosismo. Suspirei, abrindo na nossa conversa, e doeu tanto no meu coração ver que a última coisa que ele me mandou, havia sido um "Eu te amo".

Droga, eu também te amo Taehyung, tanto que me sinto um merda em não poder te proteger.

Taehyung... Eu passei um bom tempo pensando nisso, e hoje cheguei a conclusão de que não dá mais, não podemos ficar juntos, porque o seu jeito imaturo e inconsequente é impossível de lidar, não me sinto mais apito para isso, nem um pouco.

Eu sinto muito, de verdade eu sinto, mas eu não sei lidar com você, é demais para a minha cabeça, e acho melhor você algum dia, encontrar alguém que possa te entender, da maneira que eu não pude.

Me desculpe, mas terminamos aqui e agora.

Eu demorei tanto tempo para escrever isso, que por várias vezes meu pai estava me xingando, dizendo para agilizar.

Passou um filme na minha cabeça, um triste filme sobre o quão eu fui feliz por um tempo, e tão precocemente isso acabou, porque eu tive o azar de ter um monstro insensível e criminoso como pai. Era horrível, horrível saber que eu teria que ir embora da vida dele assim, sem mais e nem menos, para que continue vivo.

Assim que mostrei a mensagem para o meu pai, ele sorriu assentindo satisfeito.

— Bom trabalho, só não apague, estarei checando esse celular o tempo todo até o dia em que você for embora.

(...)

— Certo, por quê me chamou aqui, tão urgentemente?

Jungkook perguntou, enquanto se sentava em um dos puff's que eu tinha no quarto. Demorei para me acalmar, tive que jogar algumas coisas longe, chorar até sentir que alivou, embora essa sensação não tenha vindo para mim de maneira nenhuma.

Resolvi chamar o Jungkook até aqui, meu amigo mais próximo, para lhe fazer um pedido mais que importante, era o único jeito d'eu ir embora, com um pouco de tranquilidade.

— Eu preciso de um favor brô, mas você tem que me jurar pelo o que mais ama nesse mundo, que nunca irá falar sobre isso com absolutamente ninguém. Anda, jura!

Disse sério, chamando sua atenção que agora, me olhava mais atento.

— Aish, e desde quando eu já quebrei uma promessa Yoongi? Anda, fala logo, eu juro que ninguém irá saber.

Senti um alívio com seu juramento, afinal ninguém jamais poderá saber sobre isso, para o bem de todos.

Reuni coragem e lhe contei toda a história, de uma vez, envolvendo meu pai e Taehyung.

Conheço Jungkook desdos meus 10 anos, apenas ele sabe absolutamente tudo sobre mim, confio naquele garoto cegamente.

— E essa é a história.. E agora que terei que ir embora, preciso que você cuide do Taehyung para mim. Se aproxime mais dele, sejam mais amigos do que nunca, fique de olho nele para mim. Não confio no meu pai, nem um pouco, e se eu for sabendo que ninguém poderá o proteger, me apavora.

Jungkook ainda me olhava abismado, até lhe entendia, afinal era uma história muito complicada, envolvia coisas demais ao mesmo tempo, e até mesmo uma vida estava em jogo.

— Por quê você não denuncia o seu pai Yoongi? Isso que ele fez é crime, sabia?

Assenti com a cabeça, mas eu bem sei que se eu fizesse isso, só poderia piorar às coisas.

— Você não conhece o meu pai Kook..  Durante sua carreira militar, ele fez algumas coisas ilegais e.. Tem contatos demais por aí, a prova são às fotos que ele conseguiu. Se eu o denunciar, aí sim algo muito ruim pode acontecer não só ao Tae, mas a mim, minha mãe, meu irmão e quem mais esteja envolvido. É arriscado demais, não posso fazer isso. Apenas me prometa que fará o que eu pedi, por favor.

Ele suspirou, ficando calado por um tempo. Não confio em mais ninguém para fazer isso, e ele já era relativamente próximo do Taehyung por minha causa, seria tudo mais fácil e natural. E eu poderia saber como ele está, sem que o meu pai possa desconfiar. Me parece um plano perfeito.

— Certo.. Eu vou me aproximar do Taehyung, e cuidarei dele para você. É uma promessa!

Continua...



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