História Too good to say goodbye - Capítulo 43


Escrita por:

Postado
Categorias Bruno Mars
Tags Musica, Romance
Visualizações 137
Palavras 7.701
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um capítulo em menos de uma semana?! Que que isso Brasiiiiil?!?! hahahaha pessoal, boa notícia: acabei minhas provas desse semestre, então (espero eu) terei muuuuito mais tempo para escrever! Espero que vocês estejam gostande, de coração! Boa leitura! :*

Capítulo 43 - Surpreendidos


Fanfic / Fanfiction Too good to say goodbye - Capítulo 43 - Surpreendidos

Bruno ON

Não faço ideia do que está acontecendo. Estou aqui, parado, em frente à plateia, tentando entretê-la enquanto espero a entrada de VOTF, que já era para ter começado. Olho para a banda, tentando entender, mas não consigo enxergar direito, justamente pela iluminação, agora, estar totalmente focada em mim e o resto estar tudo escuro. O piano está do meu lado e chego perto, tentando ver, quando percebo que John não está em seu posto. Mas que merda tá acontecendo?! Phil chega de repente e me puxa para o meio do palco, me tirando dos holofotes e agitando o pessoal, que corresponde com gritos. Ele vira disfarçadamente e me diz que John saiu do palco, e que teríamos que improvisar. Como improvisar agora?! No momento não tenho nenhum músico para improvisar, exceto eu, mas o piano não está com um microfone acoplado, e a inútil da turma de produção ainda não veio aqui resolver essa merda, sem falar no Phredley que não percebeu que estamos em apuros. Mas que merda! Estou pensando em mudar de música, pular para a próxima e deixar essa por último, quando, de repente, ouço alguns acordes no piano. Finalmente! Ou Phredley apareceu ou John ressurgiu da onde quer que tenha isso. Phil se afasta, indo para o fundo do palco, e volto para a frente com um refletor em mim e a plateia indo à loucura. Mesmo aliviado com a situação estar, aparentemente, resolvida, franzo as sobrancelhas quando os acordes parecem estar diferentes, como se quem quer que esteja tocando está improvisando. O piano ressoa pelo palco e pelo local, com acordes improvisados mas muito bem pensados, viajando em campos harmônicos e em melodias, errando um pouco, mas mesmo assim, muito bom e... diferente. Mas que merda tá acontecendo?! Por que não tocam o que está ensaiado?!
     A introdução termina e, mesmo receoso, entendo que preciso começar pelo início da música, e não pelo refrão, como ensaiamos várias vezes e fizemos nos outros shows, então, obedeço ao que a música pede. Olho para a plateia e, focando no que está acontecendo, começo a cantar e a interpretar. Todos vão à loucura, cantando junto, e o piano continua seguindo, com acordes improvisados e, não sei, algo diferente expressado nas notas... não sei dizer, mas parece que há puro sentimento em todos os acordes tocados. Depois que eu chamar a atenção dos meninos por deixar essa situação constrangedora acontecer, irei elogiar quem dos dois está tocando. Com certeza, está um clima diferente, algo mais... verdadeiro na música.
     Já estou no final da primeira parte, “Let's just kiss 'til we're naked, baby, Versace on the floor”, quando as luzes se acendem abruptamente, com tons de roxo, e percebo que, pelo menos nisso, a produção foi rápida em acertar e modelar conforme a mudança de estrutura da música. Tudo normal até aí, mas, quando finalmente o palco inteiro está iluminado e consigo enxergar tudo, principalmente o piano que está praticamente ao meu lado, penso que terei um infarto.
Mas... que?!?
Meu.
Deus.
- Oh my god... – É o que eu digo, falando sem querer no microfone, abaixando-o e vendo Saphira com um sorriso no rosto, olhando para a plateia enquanto toca o piano de forma angelical. A música continua, “Ooh, take it off for me, for me, for me, for me now, girl...”, mas eu não consigo nem respirar direito. A plateia continua por si mesma, assim como o backing, mas, a única coisa que consigo prestar atenção é em Saphira à minha frente, correndo seus dedos pelas teclas de forma impressionante, enquanto acompanha o restante da banda.
      Olho para trás e vejo todos da mesma forma: atônitos, surpresos e impressionados. Phredley surge, colocando a cabeça para dentro através do backstage, e parece que seus olhos irão saltar das órbitas, o que, no caso, acredito que os meus estejam da mesma forma.
    Quando volto a olhar para Saphira, meu coração dispara ainda mais. Como... como é possível?!
     Ela olha para mim, sorrindo, e sinto que meu mundo irá cair. Percebo um sinal dela de cabeça para que eu continue cantando, e, voltando a mim, continuo a cantar a segunda parte, mas totalmente transtornado e surpreso, talvez errando a letra. Chegamos na parte do solo, e Phredley já está em seu posto, no teclado, fazendo as melodias com perfeição, enquanto Saphira segura firme na base. Olho para ela, inconformado, enquanto sorri para a plateia, de forma natural, como se tudo o que estivesse acontecendo estava ensaiado, e, mesmo com alguns errinhos, Saphira demonstra enorme habilidade, até agora, desconhecida por mim, e acredito, por todos também. Sua expressão enquanto toca é inspiradora: olhos ora fechados, ora abertos, sorrisos, o corpo mexendo no ritmo e muito sentimento envolvido. Nossos olhos se encontram, e, quando ela sorri para mim, sinto a química entre nós mais uma vez; meu coração parece querer explodir.
    O solo termina, e já estamos partindo para o final. Todos da plateia estão gritando alto, fazendo ecoar a música por todo o local, e, a julgar pela expressão da banda, parecem estar todos extasiados pelo que está acontecendo. Terminamos a música e Saphira fecha os olhos, tomba um pouco a cabeça para trás e levanta os braços, como sentindo o final. Todos no local vibram, gritam, e sinto que irei desmaiar a qualquer momento. Ela volta a ficar ereta, abre os olhos e sorri, e, nesse momento, tenho a plena certeza de que nunca mais irei encontrar alguém ao menos parecido com Saphira em toda minha vida. Ela é única, sempre foi, e uma angústia toma conta de meu coração ao pensar que, talvez, eu esteja sendo um tremendo idiota.

Bruno OFF

Saphira ON

Quando a música termina, sinto que meu coração irá sair pela boca. Todos ali estão aplaudindo, gritando enlouquecidamente, e a banda me encara com expressões diferentes: confusão, surpresa, e outras que não consigo compreender. Levanto do piano e sigo para meu lugar, no qual Trisha está me esperando com a maior cara de merda que já vi em toda minha vida. Minhas mãos estão tremendo, assim como em cada segundo da música, e temo levar um xingo pelo o que eu fiz. Foi totalmente improvisado, e, com certeza, não atingiu o padrão profissional do show de Bruno.
     Terminamos o show normalmente e, quando saímos do palco, penso que os aplausos irão estourar meu cérebro. Caminho para o corredor e espero os meninos da banda chegarem, e quando chegam, começo a me desculpar imediatamente.
- Por favor, me desculpem pelo que eu fiz. Juro, eu não queria mudar as coisas assim, do nada, mas eu vi o desespero de vocês, vi que a equipe técnica não estava tomando providências, então tentei ajudar. Olha, me desculpa se ferrei com tudo, se errei... Eu só queria ajudar.
     Todos ali me encaram, sem expressão nenhuma, e penso que serei demitida, agora mesmo. Eric é o primeiro a sorrir.
- Tá brincando, né?.
- Como? – Franzo as sobrancelhas, e, quando Phil e Bruno chegam, meu coração estremece. – Por favor, me desculpem, eu só queria ajudar... Vi que John saiu do palco e...
- Pode parar aí. – Phil me interrompe com uma mão na minha frente, e penso que serei demitida, aqui e agora. Prendo a respiração durante alguns segundos, esperando a bronca, mas sinto o alívio tomar conta de meu corpo quando Phil dá aquele sorriso orgulhoso. – Garota, sabe o que é o mais interessante em trabalhar com você? – Olho para ele, perplexa, não entendendo. – É que nunca estaremos entediados, sempre teremos surpresas com você por perto!.
     Phil ri e me abraça, e sinto minhas pernas bambearem. O que ele quis dizer? Será que gostou?.
- Você simplesmente... – Ele ajeita seus óculos. – Droga, nem sei o que dizer. Como pode ser tão incrível, menininha?. – Quando ele diz isso, eu solto a respiração novamente e sinto uma lágrima caindo. Estou tão emocionada com suas palavras que quase não consigo parar em pé.
- O que foi isso?!?!?!. – Jamareo pergunta, chegando perto e sorrindo. – Você deve ser de outro planeta, sei lá... Ou isso ou teve aulas com Alicia Keys, talvez. – Todos nós rimos, e percebo que Bruno também ri, mas olhando fixamente para mim. Sinto um gelo na barriga.
    Os meninos me cumprimentam, riem e fazem eternos elogios enquanto estou completamente extasiada. Abraço cada um deles, chorando de felicidade que nem uma menininha; quando Bruno chega perto, talvez querendo conversar, ou algo assim, sinto meu corpo arrepiar, mas fecho a cara, viro as costas e saio andando. Não posso falar com ele, não posso estar perto dele, muito menos sentir seu cheiro. Sei que isso é minha perdição, e não irei resistir, então, saio. Ainda sorrindo feito bobo alegre, entro no camarim e vejo John deitado no sofá, passando tão mal que chega a estar verde.
- Droga, John!. – Ajoelho no sofá e coloco a mão em sua testa, sentindo-o queimar de febre. Tento falar com ele, mas seus olhinhos abrem só um pouco, e sua voz sai um tanto rouca, e percebo um pouco de vômito do lado do sofá. – Alguém!!! Alguém ajuda aqui!!!!. – Estou gritando enquanto tento levantar John, já que, se continuar deitado assim, pode afogar com seu vômito ou sei lá mais o que pode acontecer. É normal artistas passarem mal, já que tudo contribui pra isso: mudanças bruscas de clima, comidas diferentes e cansaço; mas John aparenta estar realmente mal, o que eleva meu nível de preocupação, mas minha tentativa de ajudar é quase inútil, já que, além de eu ter emagrecido mais um quilo, ainda estou fraca e ele é muito maior que eu. Depois de alguns segundos, Dwayne e Jamareo aparecem, e ambos arregalam os olhos ao me ver tentando segurá-lo, o que é quase impossível, comparado o meu tamanho e minha força perto desses meninos.
- Gente, me ajuda!. – Os dois correm para me socorrer, quando John libera todo seu peso em mim e percebo que ele desmaiou. Os meninos o seguram firme a tempo e o colocam novamente no sofá. Minhas mãos estão tremendo quando digo para deixarem a cabeça dele mais em pé, caso aconteça alguma coisa.
- Chama o Phil, precisamos leva-lo ao hospital. – Dwayne diz isso para mim e, mais que rápido, saio procurando. Correndo, entro em duas portas e não encontro Phil, e, quando abro a terceira, encontro ele e Bruno em pés, conversando. Abro a porta tão abruptamente que eles assustam, mas não me atraso para falar.
- Phil. Rápido. John. Passando mal. Desmaiou. Hospital. – Estou quase sem fôlego por ter saído correndo no corredor como louca e sentindo a preocupação pesando em mim. Phil arregala os olhos e entende a mensagem, correndo para fora da sala e entrando na outra em que John está. Bruno segue junto, e passa pela porta como um raio.

     Meia hora depois estou no quarto de hotel, tomando banho. Os meninos levaram John para o hospital e, bem, não tive notícias depois, já que não me deixaram acompanha-los até lá. Estou mandando mensagens para Phil, mas ele não me responde e muito menos me atende. Coloco um pijama azul confortável, minhas pantufas do Sullivan, de Monstros S.A., e ligo a TV, assistindo qualquer coisa enquanto espero notícias chegarem. Quando menos espero, a porta se abre, e corro para ver, esperando encontrar alguém que desse alguma notícia, mas, o que vejo é Trisha, se agarrando com um homem um pouco mais alto que ela, loiro; eles tropeçam, e, com dificuldade, entram no quarto. Cada gota de meu sangue ferve dentro de mim, e penso muito para não bater naquela porta e jogar uma bomba lá dentro. Os barulhos logo começam e, como já pedi a Phil que desse um jeito nisso e ele pediu para eu esperar, pego meu travesseiro e minha coberta, e, assim, sigo pelo corredor, decidida.
    O quarto dos meninos é um pouco mais longe, considerando que o de Bruno é sempre ao lado do meu, mas todos no mesmo andar. Sei que alguns deles estão alojados no 34, então simplesmente paro na frente da porta e bato nela. Segundos depois Dwayne a abre e dá uma risada ao ver minha situação; não o culpo, afinal, estou parecendo uma criança indo dormir na cama dos pais porque está com medo.
- Posso dormir aqui hoje?. – Pergunto com uma vozinha suplicante e uma cara de cachorro que caiu da mudança. Dwayne estranha no começo.
- Qual o motivo?.
- É que eu não tenho notícias do John, então pensei que aqui, com vocês, eu conseguiria alguma coisa, e tem também uma mulher escandalosa gemendo ao lado de meu quarto. Espero que aqui seja diferente. – Quando digo isso, ele arregala os olhos, talvez não acreditando no que estou falando, mas depois suaviza a expressão.
- Bom, também não temos notícias do John, mas pelo menos ninguém está gemendo aqui dentro. Pelo menos não por enquanto. – Rimos e ele segura em meu ombro, me convidando para entrar.
     Esse quarto, diferente dos que já fiquei, é bem maior, mais parecendo pequeno apartamento; é um pouco mais bagunçado também, mas, considerando que são homens e que estão em quatro, está até limpo demais. Jamareo, Phredley e Jimmy estão sentados no chão assistindo beisebol.
- Pessoal, temos visita... – Quando os meninos olham para nós, arregalam os olhos e, no caso, Phredley até engasga com a cerveja. – Saphira irá dormir conosco essa noite.
- Desculpe atrapalhar e estragar a noite de você meninos, é que... – Eles ainda estão olhando para mim, ainda não crendo. – Tá um pouco difícil dormir no meu quarto, e, por favor, não me peçam mais explicações. Posso dormir aqui hoje? Juro que nem irão notar minha presença.
- Como poderíamos dizer não pra você, irmãzinha?. – Phredley finalmente se pronuncia e os outros meninos sorriem, aprovando sua fala. Sorrio também, jogando meu travesseiro e minha coberta no sofá desocupado.
- Quer alguma coisa? Lanche, chocolate, cerveja? Eu poderia te servir um banquete, a julgar que você tá emagrecendo cada vez mais... – Dwayne pergunta, querendo ser prestativo e cuidadoso nas palavras.
- Qual é, todo mundo percebe isso?! Deus me livre! Uma cerveja, pode ser. – Quando digo isso, ele parece não acreditar, talvez esperando outra resposta, mas vai pegar uma na geladeira. Enquanto isso, chego mais perto da TV.
- Kenley Jansen arremessando?! Acho que temos uma chance hoje, hein!. – Quando faço um comentário sobre o jogo dos Dodgers, todos, t-o-d-o-s ali me olham abruptamente, não acreditando no que estou falando.
- Assiste beisebol?. – Pergunta Jamareo, por fim.
- Rá!. – Pego a cerveja da mão de Dwayne e sento no tapete, junto com os meninos. Por que os homens não se sentam no sofá quando irão assistir a essas coisas?! – Não sabe nem um pouco sobre mim ainda, rapazinho. Se fosse futebol brasileiro, vocês com certeza iriam saber quem sou, mas beisebol dá pro gasto... – Bato na aba do boné que está na cabeça de Jamareo e os meninos riem.
- O futebol brasileiro é realmente insano... - Começa Dwayne.
- Já foi melhor, viu? Pelé, Ronaldinho, Rogério Ceni... bons tempos ess... ISSO! ISSO! EU DISSE, NÃO DISSE?! Eu disse que Jansen iria acertar!. – Interrompo minha fala dando um grito e levantando os braços pela tremenda jogada dos Dodgers. Os meninos olham para mim com incredulidade e diversão.
- Não disse, não. – Corrige Jimmy, que quase não fala comigo. Olho para ele com uma sobrancelha erguida.
- Ouvi uma aposta a caminho? É isso?!. – Coloco a mão na orelha, como quem está desafiando, e os meninos riem alto, enquanto Dwayne se junta à nós e Jamareo me olha, perplexo. – Prontos para perderem, mulherzinhas?.
- Deus, acho que estou apaixonado... – Diz Jamareo enquanto dou uma risada, pego seu boné, coloco na minha cabeça e faço pose.
- Calma, querido, isso é só o começo.
     Eu e os meninos passamos as próximas duas horas torcendo pelos Dodgers e apostando em jogadas e pontuação. No final de tudo, eu venci todas as apostas e fiz graça com o dinheiro, tipo rapper ricaço. Rimos muito e nos divertimos, e é incrível sentir essa sensação com os meninos... É um clima totalmente familiar e íntimo, tanto que me sinto totalmente à vontade com eles, mesmo usando pijama e pantufas.
- Garota, o que foi aquilo hoje?. – Pergunta Jimmy quando o jogo termina e deitamos nos sofás, ainda rindo de tudo. Olho para ele e sorrio.
- Só um pouco de minhas infinitas utilidades. – Todos ali riem.
- Desde quando toca? Não vai me falar que aprendeu na hora, né?. – Jamareo tira sarro enquanto dou uma risada.
- Ah, pelo amor, né! Mas é claro que sim. – Digo isso e bebo uma cerveja, enquanto alguém joga uma almofada em mim. Rio alto antes de explicar. – Comecei a tocar desde criança, e, tenho que dizer, me apaixonei pelo instrumento, mas, quando me mudei para L.A, era e é muito difícil conseguir um piano ou um teclado para tocar assim, todos os dias, e vocês mais que ninguém sabem que para conseguir tocar bem um instrumento você tem que praticar todo dia, então, desisti da ideia. Fazia muito tempo que eu não tocava mais, tanto que nem Jaque sabe que eu toco, mas a teoria musical e meu amor por instrumentos nunca saíram de mim. Hoje foi um “remember” muito bom, tenho que dizer.
- Toca teclado também?.
- É, eu tento, mas preciso dizer que gosto mais dele do que do piano... Você consegue fazer muitas coisas com um teclado, desde piano até efeitos especiais, e isso é muito insano.
- Eu que o diga. – Diz Phredley, me olhando com presunção.
- Foi incrível você com o piano, Bruno adorou. – Dwayne diz isso e bebe um longo gole de cerveja.
- Ele disse isso?!. – Minha pergunta sai mais animada do que quero que pareça.
- Não, ainda não, mas, a julgar pela sua expressão, deve ter, no mínimo, adorado.
- Ah... – Me ajeito no sofá de novo, perdendo o interesse na conversa.
- Aliás, a julgar pela sua expressão de sempre ao olhar pra você, acho que ele adora muito mais que só seu talento em tocar piano. – Jamareo está sentado, encostado no sofá que estou deitada, ainda assistindo qualquer coisa na TV. Levanto a cabeça, talvez não entendendo direito o que ele disse.
- O que?.
- Ok, vamos dormir... – Dwayne começa a recolher as garrafas vazias de cervejas e as leva para a cozinha. Desconfio de que esteja tentando encerrar a conversa. – Saphira, pode dormir no meu quarto, irei dormir aqui no sofá.
- Não, Dway, já arrumei minhas coisas aqui, não quero incomodar. – Digo puxando a coberta em meu corpo. Ele revira os olhos.
- Por favor, para de charminho. Vai logo pro meu quarto se não eu te levo pra lá. – Sua fala, infelizmente, dá outro sentido ao que quer dizer, e finjo estar ofendida, jogando meu travesseiro nele.
- Não tem vergonha, Sr Dwayne? Imaginava que era direto, mas não desse jeito! Me respeite!. – Todos os meninos ali entendem a piada riem descontroladamente, enquanto Dwayne fica vermelho.
- Você sabe do que estou falando.
- Sei sim, por isso recuso. Sou uma mulher de família, acha que sou fácil assim?. – Empino o nariz e os meninos riem ainda mais, enquanto Dwayne também ri, não aguentando.
- Ok, ok, chega de gracinha. Vai, quero dormir. – Ele diz, ainda rindo.
- Já disse que não precisa, Dway, de verdade, eu posso ficar... – Antes que eu termine a frase, Dwayne pega meus braços e faz um sinal para Jamareo, que pega em minhas canelas. – Não, não, não!!!!. - Começo a rir e a gritar, enquanto sou levada ao quarto como aquela brincadeira “balança caixão”. Os dois literalmente me balançam quando chego no quarto e me jogam na cama. Me recupero, rindo e tirando o cabelo do rosto.
- Isso não é justo!!!. – Digo rindo.
- A vida não é. Boa noite, irmãzinha. – Diz Jamareo e Dwayne, ao mesmo tempo, enquanto Jimmy vem e joga meu travesseiro e minha coberta em minha cabeça. Tiro o pano do rosto e sorrio.
- Boa noite, meninos. – Assim, eles fecham a porta e me acomodo na cama.
   Depois de Liza e Jaque ficarem sabendo do ocorrido e me ligarem surtando por eu ter tocado piano no show e Jaque particularmente uma fera por eu nunca ter contado, desligo o celular e fico pensando no quanto amo esses meninos, no quão são incríveis, porém, minutos depois, Bruno toma meus pensamentos novamente. O que Jamareo quis dizer com aquilo? Por que não me explicou melhor?
    Quer saber? Não importa. Nada relacionado à Bruno me importa agora. Ele que se dane, não é? Fiz o que fiz no show hoje para ajudar a banda, e não ele.
    Fico dizendo essas coisas pra mim mesma até dormir, mas, quando acordo, percebo que foi totalmente em vão, já que Bruno é a primeira coisa que me vem ao pensamento.

Ficamos mais um dia na França de folga, no qual os meninos me acompanharam por toda a cidade, conhecendo vários outros lugares. Sair com eles é, no mínimo, divertido, já que formamos um esquadrão idiota, rindo de tudo e fazendo palhaçadas; dormi mais uma noite no quarto de hotel com Dwayne, Jamareo, Jimmy e Phredley quando percebi que Trisha continuava com aquele escândalo ridículo, ao contrário dos meninos que não fazem escândalo nenhum. Nessa última noite na França, Dwayne chegou mais tarde, com cheiro de perfume feminino e a camisa amassada, enquanto, ainda mais tarde, Phredley (que terminou com a namorada antes da turnê começar) chegou do mesmo jeito, mas com um arranhão no pescoço; os zoei pra caramba, e é incrível como um homem pode ficar sem graça com esses assuntos, e mais incrível ainda como criamos intimidade de irmãos mesmo. Enquanto ia até meu quarto trocar de roupa ou pegar alguma coisa na recepção, via um movimento de Phil andando pra lá e pra cá, entrando em salas diferentes; ele não falou muito comigo depois do ocorrido no show, apenas entrou de manhã no quarto dos meninos certa vez e me viu lá, com um pijama da Ariel (eu, apaixonada pela Disney? Imagina!) e riu, felizmente, nos trazendo a notícia de que John está melhor, passou mal por causa de uma intoxicação alimentar, e, na próxima viagem, já estará 100%. Sinto alívio em meu coração... me sinto tão íntima da banda, fazendo parte realmente, que, se alguma coisa acontecer a esses meninos, não sei o que eu faço. Falando nos meninos, nenhum sinal de Bruno durante esses dois dias, o que me ajudou muito a, pelo menos, não pensar muito nele; Dwayne me pegou chorando na primeira noite, no quarto, e ele, sem saber o que fazer, disse um “estou aqui pra o que precisar”, e saiu. Depois disso, enxuguei as lágrimas e fui pra sala, assistir mais uma partida de beisebol e me divertir à beça. Dwayne fingiu que nada tinha acontecido, e gosto ainda mais dele por causa disso. Sinto que ergui uma barreira de vez, e agora, é indestrutível.

- Vai continuar no alojamento mais legal e badalado do hotel?. – Depois de sairmos da França e chegarmos na Alemanha, passeei sozinha pela cidade, conhecendo cada canto e sentindo o frio percorrer meu corpo, tão diferente em L.A. Alemanha é um lugar incrível, cheio de cultura e coisas diferentes, sem falar na cerveja, a mais gostosa e saborosa que já provei em toda minha vida, mesmo não tendo o costume de beber sempre. Já terminamos o show, que foi, como todos os outros, muito bom, mas sem tanta energia... Acho que o frio contribuiu para que a plateia não se empolgasse tanto. Bruno olhava para mim de vez em quando, de soslaio, mas eu sempre desviava o olhar, mesmo sentindo um calafrio pelo corpo. Agora, no carro, voltando para o hotel, viro para Dwayne e respondo com um sorriso.
- Desculpe, mas a menina mais legal e badalada do hotel precisa voltar para a toca.
- Ah, qual é! Por que não fica?. – Jamareo pergunta, me olhando seriamente, e dou uma risada.
- Por que Bruno não paga um quarto de hotel caríssimo para mim e Trisha à toa, e, aliás, acredito que a essa altura o problema já tenha sido resolvido.
- Bom, ok... – Dia Phredley, bufando. – Agora, literalmente, nosso quarto deixará de ser o mais legal e badalado do hotel. Droga!. – Ele bate a mão fechada em sua coxa, e força uma expressão de irritação quando dou uma risada alta.
- Eu sempre suspeitei de que esse título só se deu depois que eu entrei naquele quarto. – Cerro os olhos e os meninos riem junto comigo.
    Quando chegamos ao hotel, pego algumas coisas que ficaram no quarto deles, me despeço e sigo para o meu. Abro a porta e entro, feliz por não ouvir nada e não ver nenhum movimento estranho aqui dentro, então, sendo assim, sigo para meu quarto, tomo um banho e visto meu pijama rosa de seda; Jaque me liga e pergunta se estou me divertindo, e faço questão de lembrar a ela a ocasião em que me apresentou há mais ou menos um ano atrás, Miguel, um cara babaca, enquanto finjo estar brava e traumatizada por isso. Jaque ri e depois me xinga novamente, dizendo que tenho que me divertir, independentemente do que esteja acontecendo, e, depois de desligar a ligação, começo a pensar e pesquisar quais locais irei visitar amanhã aqui na Alemanha, já que temos o dia de folga, novamente. Bem que dizem que felicidade de pobre dura pouco, e comprovo isso quando ouço a porta do quarto do hotel abrir e, novamente, ouço barulhos e risinhos. Quando a porta de Trisha, ao lado da minha, se fecha e os ruídos começam, automaticamente, meu sangue começa a ferver como nunca antes. Estou cansada, esgotada, e não só do trabalho, mas dessa situação... não parece, mas trabalhar em uma turnê é extremamente cansativo, e uma noite de descanso sem dormir prejudica totalmente o desempenho de qualquer artista, mas, pra Trisha, é indiferente, já que, quando seu brinquedo sai pela porta, ela rapidamente cai no sono, enquanto eu fico tentando dormir, totalmente assombrada por esses barulhos. Automaticamente, a raiva começa a crescer em mim.
Não, hoje não.
Já chega.
Hoje Trisha não irá tirar meu sono, e Phil já teve tempo suficiente pra resolver essa merda.
Não importa o que ela irá fazer, eu não posso me prejudicar por causa disso.
Começo a chutar a parede de meu quarto e grito para que parem. Grito mesmo, sem dó, afinal, se eu consigo ouvi-los, com certeza eles também me ouvem.
- PAREM, CACETE! VÃO PARA OUTRO LUGAR!!!! TEM MAIS GENTE AQUI, SABIA?. – Ao contrário do que penso, os barulhos persistem, e sinto o ódio tomar conta de mim por completo.
    Levanto num pulo, deixando meu celular na cama e seguindo totalmente raivosa para fora de meu quarto. Sinto o sangue correr em minhas veias, quente, fervendo, quando bato na porta do quarto ao lado.
- PAREEEEM!!!! EU VOU ABRIR ESSA MERDA, ESTÃO OUVINDO?!. – Parece que quanto mais eu grito, mais ouço. Bufo e giro a maçaneta da porta com vontade, pronta para ver qualquer cena traumatizante que seja, mas também decidida a acabar com nisso. Me sinto totalmente frustrada quando percebo que a porta está trancada, e, pela estrutura de nosso quarto, vai ser impossível eu arrombar. – PAREEEEM!!!! AAAAARGHHH!. – Grito alto, enquanto pego meu celular e tento ligar para Phil.
Ocupado, ótimo.
Com mais raiva ainda, sigo para fora do nosso quarto de hotel, decidida a tomar providências por mim mesma.
      Ouvi mais cedo que Bruno e a equipe teriam uma reunião, ou sei lá o que depois do show, então estariam todos reunidos numa sala que, se não me engano, está no segundo andar. Dispensando o elevador, desço as escadas, ainda vestida com meu pijama e meias nos pés, mas, no momento, não consigo pensar em mais nada, só que eu tenho que acabar com isso. Chego no segundo andar e, no fim do corredor, enxergo Phil na frente de uma porta com o celular na mão, provavelmente conversando com sua mulher, a julgar pelo seu sorriso bobo no rosto. Miro a porta, sigo pisando firme, os pés como duas pedras, e bufando como um touro. Quando estou chegando perto, Phil me vê e arregala os olhos, não sei se pelo meu look ou pela raiva estampada em meu rosto e corpo; talvez os dois.
- Oi, Saphira! Precisa de alguma coisa?. – Ele tapa o alto-falante do telefone com a mão e sorri para mim, enquanto ainda estou andando, chegando perto. Ele fecha o sorriso quando não dou uma única resposta sequer e muito menos olho para ele, focada na porta, andando ainda mais rápido. – Saphira, estamos em reun... – Não dá tempo para ele completar a frase, já que eu abro a porta daquela sala abruptamente, quase quebrando a maçaneta, que faz um barulho, no mínimo, perceptível.
    Abrindo a porta, não consigo enxergar nada além de Bruno sentado numa cadeira e umas folhas na mesa oval à sua frente, e algumas pessoas ao seu lado, como Phredley e Kameron. É possível que tenham outras pessoas ali dentro, mas a raiva é tão grande em mim que não consigo nem enxergar direito.
- NÃO SEI SE FICOU SABENDO, MAS EU TÔ TENDO QUE OUVIR UMA PORR* DE UM BARULHO TODA NOITE, JÁ QUE SUA BACKING VOCAL NÃO SABE COMO É TER UMA VIDA SEXUAL PARTICULAR, SEM INCOMODAR NINGUÉM. – Digo com a voz alteradíssima, e o ódio transparecendo de forma feroz. Bruno olha para mim com os olhos arregalados, enquanto os outros meninos me encaram, não acreditando no que estão vendo (meu look estilo “tô indo dormir” ou dando uma de louca ensandecida? Acho que os dois) - OU VOCÊ DÁ UM JEITO NAQUELA MERDA OU EU MESMO DOU, CACETE!.
     O rosto de Bruno estampa surpresa, enquanto viro, fecho a porta com muita força e vejo Phil paralisado, com a boca aberta e os olhos arregalados, ainda segurando o celular. É uma cena muito engraçada, mas, no momento, a única coisa que consigo fazer é empurrá-lo para que saia da minha frente, enquanto sigo com passos firmes para meu quarto. Ainda ouvindo o barulho, pego meu travesseiro e meu cobertor, e sigo firme para o quarto dos meninos. Quando abro a porta, sem bater, eles se assustam.
- Sabia que voltaria pro melhor quarto de hot... – Jamareo começa a fazer alguma graça, mas minha irritação é tanta que não o deixo terminar a frase.
- Cala boca. – Todos os meninos me encaram enquanto sigo para um quarto qualquer. Bato a porta e, só quando deito na minha cama e grito no travesseiro, é que percebo o quanto isso tá sendo uma merda, mas, ainda pior, saber que a raiva por Bruno influenciou nisso. Tenho raiva de Trisha por fazer essa merda, mas nada se compara a que tenho por Bruno, por me fazer de idiota e não dar um jeito nisso. Sinto lágrimas queimando meu rosto enquanto soco o travesseiro, gritando feito doida.
Por que ele fez isso comigo?! Por que me tratou tão mal? Eu não mereço isso!!!
Perguntas e mais perguntas tomam conta de minha mente, parecendo um turbilhão.
Só quando sinto o cansaço tomar conta de mim é que caio no sono, ainda sentindo minhas veias latejarem.

- Saphira? Ei, Saphira?. – Ouço alguns toc toc na porta, e a voz suave de Jamareo ecoa pelo quarto. Estreito os olhos, acostumando-os com a luz do sol. Normalmente não acordo tão fácil assim, mas é como se minha mente não estivesse desligado durante a noite.
- Que horas são?. – Minha voz é um sussurro.
- Ã... 10:31.
- Argh.- Bufo e deito na cama, de novo. Jamareo fala alguma coisa baixo demais, e não ouço, então peço que ele entre no quarto. Ele fica em pé, diante de mim.
- Disse que você tem uma reunião hoje, às 11:00h.
- Que? Eu tenho uma reunião? Tipo, só eu?.
- Foi o que Phil pediu pra avisar...
- Então quer dizer que eu tenho uma reunião daqui meia hora e você só me avisa agora?!. – Levanto meu corpo na cama, sentando, e sinto minha cabeça doer. Com certeza, meu rosto deve estar uma porcaria.
- Bom, considerando que você está em meu quarto e que talvez não tenha tido uma boa noite de sono, decidi te deixar dormir mais. – Jamareo olha para mim com cuidado, e a culpa cai totalmente sobre mim.
- Droga, Jam, desculpe por ter sido uma idiota com você. – Me ajoelho na cama e o abraço. Ele parece recuar no começo, mas depois retribui meu abraço. – Eu estava estressada e acabei sendo grossa. Por favor, me desculpa.
- Claro, pequena. – Ele separa nosso abraço e me dá um sorriso caloroso. – Agora, vamos, você tem uma reunião para ir. Mas, antes, café da manhã!.
    Saio da cama e o sigo para a cozinha. Quando chego, os meninos parecem tensos, olhando para mim com cuidado, como se eu pudesse esmurra-los a qualquer momento. Seguro para não rir.
- Ganheeeeei!. – Diz Jamareo, do nada, esticando as mãos e pegando dinheiro das mãos dos meninos.
- Que merda é essa? – Pergunto com as sobrancelhas franzidas.
- Apostamos quem seria o corajoso pra ir te acordar e te trazer pra um café da manhã. Bom, parece que Jamareo ganhou. – Jimmy diz isso entregando uma nota de 5 dólares para Jamareo, que faz pose de ostentação.
- Não acredito... – Digo cerrando os olhos e segurando a risada. – Parecem que adoram uma aposta, não é?.
- Você nem sabe o quanto. – Jamareo diz isso abando seu rosto com o dinheiro, como um leque. Dou uma risada alta enquanto olho para eles pensando no quanto são idiotas.
- Vocês não existem! Mas, agora, tenho uma reunião!.
- Ô! Antes, café da manhã!. – Dessa vez é Dwayne que fala comigo, e reviro os olhos ao perceber que não vou conseguir sair antes de comer com eles.
     Exatamente meia hora depois, tomei somente um café (levando xingos eternos por não ter comido nada), fui ao meu quarto, tomei banho e vesti uma calça de moletom cinza super cool e uma regata preta, achando estranho não ter nem sinal de Trisha por aqui. Felizmente, os meninos não me perguntaram o que aconteceu para eu dormir no quarto deles novamente, o que me fez ficar tranquila, já que não saberia o que dizer. Exatamente às 11:07, bato na porta da sala de reunião e, quando a abro, vejo Bruno sentado de frente para a porta, numa mesa oval, e, ao seu lado, Phil; na hora sinto um cheiro cítrico, tipo perfume, mas com um aroma de cigarro ao fundo, algo que tenho sentido todas as vezes que Bruno está presente. Pensar que ele pode estar fumando mais que o normal atinge fundo meu coração. Estou pensando que essa reunião pode ser sobre o escândalo que fiz ontem, e sinto um frio na barriga me atingir em cheio, enquanto peço licença, fecho a porta e fico de frente para eles. Droga, serei demitida?.
- Serei demitida?. – Faço uma cara esquisita, tipo uma careta, e ambos permanecem sérios, enquanto Phil me indica que eu sente. “Me ferrei” é a única coisa que consigo pensar ao sentar na cadeira. Ambos estão a minha frente, e Bruno está com uma aparência totalmente cansada, com óculos escuros e os cabelos já crescidos, bagunçados. Sinto uma vontade enorme de passar a mão em seus cachinhos, poder senti-los novamente, mas mando pra longe essa vontade e me foco na situação.
- Iremos demitir Trisha. – Phil solta, assim, do nada. Quando ele diz isso, meu coração acelera abruptamente, e minhas mãos tremem. Demitir Trisha? Como assim?.
- O que?. – Pergunto com a voz baixa.
- Isso que você ouviu. Vamos demitir Trisha. – Ouço as palavras frias de Phil, e não consigo processar.
- M-mas por que? E por que tá d-dizendo isso pra mim?. – Estou nervosa, sem saber o que dizer.
- Depois de reclamações a respeito de Trisha, começamos a pensar no que faríamos, mas aí você foi ao palco e mostrou para todo mundo o quanto é uma caixinha de surpresas no que diz respeito à música, tocando piano e gesticulando de forma profissional, e, aí, chegamos numa conclusão. Temos certeza de que só você como backing vocal consegue dar conta tranquilamente de toda situação. – Estou perplexa com as palavras de Phil, e nem a entrada de Trisha na sala consegue cortar meu transe.
- Pessoal, desculpa o atraso, é que eu estava fazendo umas compras e não me avisaram antes sobre a reun...
- Senta, Trisha. – Dessa vez é Bruno quem fala, e, a julgar pelo silêncio de Trisha, ela deve já ter deduzido que a reunião tem a ver com nós duas.
- Claro. - Ela dá um sorrisinho e senta devagar, olhando para mim e emanando raiva de seus olhos. Minha respiração está entrecortada, e estou nervosa.
- Bom, já estão todas aqui, então... Essa reunião é pra discutir um assunto que mais tem a ver com Trisha, porém fizemos questão de que Saphira estivesse junto, a par da situação. – Quando Bruno diz meu nome, parece engasgar levemente, quase de forma imperceptível, mas se recupera rapidamente. Ele não olha diretamente em meus olhos de forma alguma. – Trisha, estamos percebendo que seu comportamento não está de acordo ultimamente.
- Como?. – Ela pergunta com a voz tremendo. Estou suando frio. Demitir ela?!?!?! Como assim?!.
- Tivemos reclamações de algumas pessoas sobre, (utilizando as palavras delas), sua falta de educação e barulhos constantes em seu quarto, o que incomoda sua colega de quarto e inúmeros funcionários. – Trisha olha para mim me fuzilando completamente, mas não sinto um pingo de medo. Foi realmente isso que eu disse e ainda pior, mas Bruno foi educado em suas palavras. A única coisa que me preocupa é ela ser demitida por isso. Há uma folha em cima da mesa que Bruno passa os dedos por cima, e consigo ler algo como “quebra de contrato”. Socorro, irei desmaiar aqui. Minhas mãos tremem loucamente, e penso no que irei dizer, ou fazer.
- Reclamações de quem, especificamente?. – Trisha cerra os olhos. Mas que pergunta é essa?! Tá pedindo pra levar uma, né?!.
- Pessoas da produção já vieram me falar de seu comportamento, que não tem um pingo de educação com todos ali, desde o pessoal da limpeza dos hotéis até nossa produção, e, obviamente, Saphira veio nos dizer que há barulhos constantes em seu quarto, como gemidos escandalosos. Preciso ser ainda mais específico?.
- Não. – Ela diz, um tanto fragilizada e sentindo vergonha, talvez. – É que...
- Não aceitamos esse tipo de comportamento em nossa equipe, Trisha. Todos aqui tratamos todos com total respeito, e você deveria saber que isso não é tolerável. – Trisha olha para eles perplexa, obviamente sem palavras, enquanto continuo muda, fingindo demência. – Por isso, conversamos com a equipe, e chegamos à conclusão de que, infelizmente, você não pode mais fazer parte da turnê, nem da banda.
- O QUE?. – Trisha praticamente sussurra, e lágrimas formam instantaneamente em seus olhos.
- Seu trabalho é muito bom, Trisha, mas sua conduta não corresponde da mesma forma; há muitas pessoas magoadas e raivosas com você, e com razão. Em nome de toda a equipe, agradecemos sua participação no trabalho até aqui. – Bruno empurra friamente com a mão a folha e uma caneta até Trisha, que olha perplexa, obviamente não acreditando na situação. Ela olha para os meninos de novo, e consigo enxergar dor em seus olhos.
Não, eu não poderia deixar uma coisa dessas acontecer.
Trisha é uma cretina comigo desde que a conheço, mas não achei que minha reclamação acarretaria em sua demissão, e, pior, minha autonomia no palco influenciou diretamente nessa decisão.
Não, não irei levar esse peso comigo pro resto da vida. Ela poderia ser chamada a atenção, ter levado uma bucha, mas demitida?
Não.
- Não assina. – Digo, finalmente, olhando pra ela. Trisha me olha com extrema confusão, enquanto lágrimas descem pelo seu rosto.
- Quê? – Ela me pergunta num sussurro.
- Não assina isso.
- Saphira, do que está falando?. – Quando olho para Phil, ele está me encarando com dureza, enquanto Bruno não demonstra reação nenhuma em seu rosto.
- Não podem demiti-la por isso. – Estou firme em minhas palavras, e ambos parecem sentir.
- Mas o quê?! Como assim, “não podemos”?. – Phil cerra os olhos e vejo braveza em seu rosto. Ok, agora que comecei, tenho que terminar.
- Trisha está errada (e muito) no que fez, mas por que...
- Já está decidido, Saphira, e você não está aqui para mudar isso. – Bruno finalmente fala comigo, mas com aspereza na voz, e, diferente das outras vezes, não recuo com suas palavras, pelo contrário, fico ainda mais firme. Levanto da cadeira abruptamente.
- Não pode ser injusto desse jeito. – Ele me encara por alguns segundos.
- Sinto lhe informar, mas, na verdade, eu posso sim. – Ele está me desafiando?!.
     Eu com certeza não gosto de Trisha, e não posso deixar de confessar que a ideia dela longe de mim é tentadora, mas não deixaria isso acontecer; posso ter muita raiva dela, mas não sou tão má a esse ponto. Não poderia deixar isso acontecer sabendo que tive uma parcela nisso.
- Então me demita também, Bruno. – Olho para ele, com os olhos cerrados, e, pela primeira vez durante essa conversa, encontro fragilidade e surpresa em seu rosto. É isso! – Não posso continuar numa equipe que não tenta nem ter uma conversa, não dá uma segunda chance, e, convenhamos, de segunda chance você entende muito bem.
     Depois de minha fala, eu dou uma piscada, provocando-o, e penso nunca ver Bruno tão pálido. Mesmo com os óculos escuros, consigo ver sua frustração, totalmente despreparado para o que eu ia falar. Phil continua impassível, já que não pode ultrapassar ordens de Bruno, enquanto continuo minha fala.
- Olha, a Trisha realmente foi... insolente, antiprofissional e cretina, mas, tenho certeza que dessa vez será diferente. Dê a ela outra chance.
    Bruno trinca o maxilar, e, encostando as mãos umas nas outras, apoia na testa.
- Como pode garantir isso?.
- Bom, eu costumo acreditar nas pessoas... – Nossos olhos estão fixos um no outro, e vejo os olhos de Bruno brilhando. Depois de suspirar, finalmente dá a palavra.
- Ótimo, que seja. – Olho para Trisha e ela sorri, ainda com lágrimas caindo de seus olhos. – Mas fique sabendo, Saphira, que, de agora em diante, você é responsável por isso. Não nos venha chamar para resolvermos problemas entre vocês duas, já que a chance para resolver isso você já teve, e, qualquer problema relacionado a isso que atinja qualquer um de meus funcionários, você também terá parte. – Tremo um pouco com as palavras de Bruno, mas não volto atrás. – A esperança que tenho é que Trisha melhore seu comportamento. Agora, pode ir.
     Começamos a sair da sala, já sentindo a pressão indo embora, quando ouço a voz grave de Phil.
- Você não, Saphira. – Travo no mesmo instante, sentindo meu corpo gelar. – Precisamos falar com você.
   Trisha me olha com alarme, enquanto fecho a porta e volto para o meu lugar, sentando. O local está com mais pressão que antes.
- Saphira, como você já deve saber, gostamos muito de sua performance no palco tocando piano, além da plateia amar a... ã... química que aconteceu entre você e Bruno durante a música. – É só Phil que está falando, parecendo procurar as palavras certas, enquanto Bruno permanece calado. – Foi uma surpresa pra nós sabermos que você também toca, o que explica muito sobre seu conhecimento musical na área da produção e teoria, então, pensando nisso, temos uma proposta: o que acha de tocar o piano nessa música em todos os shows?.
Quê?!
- Rá!. – Dou uma risada totalmente sarcástica enquanto os dois me olham com confusão e meu cérebro raciocina a situação. Depois de alguns segundos, a razão toma conta de mim por completo. – Vocês só podem estar loucos, né?. – Obviamente, estão surpresos e não entendem o que estou querendo dizer. – Pra começo de conversa, nem a coragem de falar diretamente comigo Bruno tem, passando todos os recados pra você, Phil, passar pra mim. Eu fiz aquilo por que a equipe estava em apuros, e eu nunca me perdoaria em deixa-los na mão, mas foi só uma vez, e, digamos, não estou disposta e nem em condições de fazer isso, e Bruno sabe muito bem o porquê.
     Bruno me encara com frieza, totalmente surpreso com minhas palavras. Não posso fazer isso, não posso ser a que sempre o ajuda, ao mesmo tempo que Bruno me trata que nem lixo. Não, não irei fazer isso. Eu poderia muito bem ajudar, mas Bruno não merece.
- Perceberam a situação que me colocaram agora?! Ao menos perceberam isso?! Iriam demitir a garota na minha frente, e a quem acham que ela iria transferir a culpa? Temos um relacionamento péssimo, mas Trisha é muito boa no que faz, não merecendo uma demissão só por mal comportamento. Não disse nada pra Liza porque sabia que ela faria algo assim, ou até pior, mas aí vocês... quer dizer, vocês não, porque sei que Phil pode opinar nas decisões, mas é Bruno quem tem a palavra final; então, você, Bruno, vem e faz essa... cena? Obrigada, mas não estou interessada na proposta. – Sorrio, ironicamente, enquanto levanto, preparada para sair.
- E quanto à segunda chance, Saphira?. – Bruno me lança essa pergunta, do nada, e sinto meu coração bater mais forte.
- Disse bem: segunda chance. Eu acredito até à terceira, mas, passou disso, já é palhaçada, não acha?. – Meus olhos atiram em Bruno, e ele sente cada palavra. – Bom, é só isso? Ou vai pedir para eu tocar gaita enquanto assovio também?. – Bruno trinca novamente o maxilar, não preparado para isso. Phil está totalmente perplexo com minhas palavras, e, com o silêncio deles, saio da sala.
    Lá fora, meu coração acelera do nada, abruptamente, e sinto o fôlego se esvair. Quando volta ao normal, me recupero, já esquecendo.
    Posso ter sido grossa, desnecessária e inconveniente, mas isso foi só uma amostra do que serei com Bruno daqui pra frente. Uma pequena amostra de meu ódio, rancor e ressentimento.


Notas Finais


E aí?!!? Saphira bombril: 1001 e utilidades HAHAHAH Com amor, maybedear <3


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