História Too Late - Capítulo 3


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Personagens Ele Tian, Jian Yi, Mo Guan Shan, Personagens Originais, Zhang Zhen Xi
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Palavras 1.459
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Festa, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Trois


Mike (He Tian)
  
  Tiro a tabela com os horários das aulas do bolso e a desdobro para procurar o número da sala. 

  — Que droga — digo ao telefone. — Me formei na faculdade há três anos. Não me inscrevi nesta merda para fazer dever de casa. 

  Jian Yi ri alto, me fazendo a afastar um pouco o telefone da orelha.
 
   — Que pena — diz ele. — Tive que dormir numa maldita banheira ontem à noite. Se conforme, cara. 

  Interpretação fazia parte do trabalho. 

  — Fácil dizer. Você se inscreveu para uma aula por semana. Eu tenho três. Por que Zhang só te deu uma? 
  — Talvez eu faça um boquete melhor — responde Jian. 
  Olho para os horários e de volta ao para o número da sala à minha frente, e percebo que eles batem. 

  — Preciso ir. La clase de Español.
  — Mike, espera — O tom de voz dele fica mais sério. Jian pigarreia e se prepara para falar algo de incentivo. Tenho sofrido com isso diariamente desde que começamos a trabalhar juntos. — Tente tornar isso divertido. Estamos tão perto de conseguir tudo o que queremos… Você vai ficar no máximo dois meses. Encontre um gostoso e se sente ao lado dele, isso vai fazer seus dias passarem rápido.
  Olho pela janelinha de vidro na porta da sala. Está praticamente lotada, com apenas três cadeiras vazias.
  
   Meu olhar logo se fixa num garoto no fundo da sala, ao lado de um dos lugares vagos. Ele apoia a cabeça nos braços. Está dormindo. Posso me sentar ao lado dos dorminhocos; são os tagarelas que eu não consigo tolerar. 
  
  — Olhe só. Já encontrei o gostoso ao lado de quem vou me sentar. Falo com você depois do almoço.
  
   Encerro a ligação e abro a porta da sala, colocando o celular no mudo. Aperto a alça da mochila enquanto caminho até o fundo da sala. Eu me espremo ao passar por ela e chegar ao lugar vazio, largando minha mochila no chão e o telefone na mesa. O barulho que o aparelho faz quando bate na madeira sólida acorda o garoto. Ele se empertiga imediatamente, arregalando os olhos. Ao redor da sala, frenético e confuso, e então para o caderno em sua mesa. Puxo a cadeira e me sento ao seu lado. Ele olha feio para meu celular largando na mesa à nossa frente, e então me encara. 
 

Seu cabelo ruivo está uma bagunça e há um rastro brilhante de saliva escorrendo do canto de sua boca, descendo até o queixo. Ele está me olhando feio, como se eu tivesse interrompido o único minuto de sono que já teve na vida.

  — Ficou acordada até tarde? — pergunto.
   
  Depois me abaixo e abro a mochila, tirando o livro de exercícios de espanhol que eu provavelmente poderia recitar de cor.
   — A aula acabou — questiona ele, estreitando os olhos para o livro que estou colocando na mesa.
   — Depende.
   — Do quê? 
   — De quanto tempo você ficou apagado. Não sei exatamente a que aula veio assistir, mas aqui é a de espanhol das dez horas. 

  Ele joga os cotovelos na mesa e resmunga, esfregando o rosto com as mãos. 

  — Eu dormi por cinco minutos? Só isso? — Ele se recosta e relaxa, apoiando a cabeça no encosto da cadeira. — Me acorde quando terminar, ok? 

  Ele fica me olhando, esperando que eu concorde. Bato o dedo no queixo. 
  
  — Tem uma coisa bem aqui.

  Ele seca a boca e olha para a mão para inspecioná-la. Achei que fosse ficar envergonhado por ter saliva escorrendo pelo rosto, mas ele apenas revira os olhos e puxa as mangas compridas até cobrirem suas mãos. Ele seca a poça de saliva na mesa com a manga, e então relaxa novamente na cadeira, fechando os olhos. 

  Já fiz faculdade. Sei como são as noites em claro, as festas, os estudos, e nunca ter tempo para tudo. Mas esse garoto parece estressado ao máximo. Estou curioso para saber se é o por trabalhar durante a noite ou por festejar além da conta. 
   
  Estico o braço até minha mochila e pego um energético que comprei a caminho daqui. Acho que ele precisa mais do que eu. 

  — Toma. — coloco-o na mesa à frente dele — Beba isso. 

  Ele abre lentamente os olhos, como se as suas pálpebras passassem quinhentos quilos cada. Ele olha para bebida, e então pega depressa e a abre. Ele bebe freneticamente, como se fosse a única coisa que bebesse em dias. 
  
  — De nada. 

  Eu rio. 

  Ele termina de beber e coloca a lata de volta na mesa, secando a boca com a mesma manga que usou para secar a saliva antes. Não vou mentir: seu comportamento desgrenhado e descuidadamente sexy é muito excitante, de um jeito estranho.

  — Obrigado — diz ele.

   Ele olha para mim e sorri, esticando os braços logo em seguida e bocejando. A porta da sala abre e todo mundo se remexe nas carteiras, indicando a entrada do professor, mas não consigo tirar os olhos do garoto por tempo suficiente para ao menos validar a presença dele. 

  Ele desembaraça algumas mechas do cabelo. Ainda está ligeiramente úmido. Ele olha pra frente da sala e abre o caderno, então copio seus movimentos. 

  O professor nos comprimenta em espanhol, e damos respostas coletivas e fragmentadas. Ele começa a dar instruções sobre uma tarefa quando meu telefone acende na mesa entre nós dois. Olho por para baixo e leio a mensagem de Jian Yi.

  E esse gostoso do seu lado tem nome? 

  Imediatamente viro a tela do celular do telefone para baixo, torcendo para que o garoto não tenha lido. Ele leva a mão à boca para abafar uma risada. 

  Merda. Ele leu. 

  — Gostoso, é? — comenta.
  — Desculpe. Meu amigo… Ele se acha engraçado. E também gosta de transformar minha vida num inferno. 

  Ele ergue uma sobrancelha e se vira para mim. 

  — Então você não me acha gostoso? 

  Quando ele me encara, tenho a primeira chance de realmente observá-lo. Vamos apenas dizer que agora estou oficialmente apaixonado por esta aula. Dou de ombros. 

  — Com todo o respeito, você está sentada desde que te conheci. Nem vi sua bunda ainda. 

  Ele ri novamente. 

  — Mo Guan Shan — responde, estendendo o braço para me comprimentar. 

  Aperto a mão dela. Há uma pequena cicatriz na forma de lua crescente em seu polegar. Esfrego a marca com um dedo e giro a mão dela para trás e para a frente, inspecionado-a. 

  — Mo Guan Shan — repito, pronunciando seu nome demoradamente. 

  — Geralmente é nesta hora que a pessoa responde com seu próprio nome. 

  Encaro seu rosto novamente e ele puxa a mão de volta, me olhando com curiosidade. 

  — Mike — respondo, mantendo o personagem que devo ser. 

  Foi bem difícil para me acostumar com esse nome nas últimas seis semanas. Mais de uma vez, vacilei e quase disse meu nome de verdade. 

  — Mucho gusto — diz ele, com um sotaque quase perfeito, voltando a atenção para frente da sala. 

  Não. O prazer foi meu. Pode acreditar. 

  O professor orienta a turma: devemos nos virar para o colega mais próximo e dizer três fatos sobre a outra pessoa em espanhol. Este é meu quarto ano de espanhol, então deixo Guan Shan começar para não intimidá-lo. 

  Viramos um para o outro é aceno com a cabeça na direção dele. 

  — Las señores primeiro — digo.

  — Não, vamos revezar. Você primeiro. Vá em frente, diga um fato sobre mim. 
  
  — Ok — concordo, rindo de como ele assumiu o controle. — Usted es mandão. 

  — Isso é uma opinião, não um fato — declara — Mas admito que sou. 
 
  Inclino a cabeça na direção dele. 

  — Você entendeu o que acabei de dizer? 

  Guan Shan assente. 

  — Se sua intenção era me chamar de autoritário, então entendi. — Ele estreita os olhos, mas exibe um sorriso. — minha vez — continua. — Su compañero de clase es bello. 

  Eu rio. Ele acabou de elogiar a si mesmo ao dizer que meu colega de turma é bonito? Balanço a cabeça, concordando. 

  — Mi compañero de clase está correcto. 

  Vejo seu rosto corar um pouco. 

  — Quantos anos você tem? — pergunta ele. 
   
  — Está é uma pergunta, não um fato. E em mandarim, ainda por cima. 

  — Preciso fazer uma pergunta para chegar ao fato. Você parece um pouco mais velho que a maioria dos veteranos de espanhol. 
 
  — Quantos você acha que eu tenho? 

  — Vinte e três? Vinte e quatro? 

  Quase acertou. Tenho vinte e cinco, mas ele não precisa saber disso. 

  — Vinte e dois — respondo. 

  — Tiene veintidós años — diz ela, escolhendo um segundo fato ao meu respeito. 

  — Você roubou — devolvo. 

  — Precisa dizer isto em espanhol se for um de seus fatos sobre mim. 

  — Usted engaña. 

  Pelo jeito como ele arqueia a sobrancelha, percebo que não esperava que eu soubesse dizer aquilo em espanhol. 

  — São três para você — diz ele.

  — Você ainda tem um. 

  — Usted es un perro.

  Caio na gargalhada.

  — Você acabou de me chamar de cachorro por acidente. 

  Ele balança a cabeça. 

  — Não foi por acidente.



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