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História Toque de Recolher - Enquanto os olhos se fecham - Capítulo 2


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Capítulo 2 - A Candelária


Fanfic / Fanfiction Toque de Recolher - Enquanto os olhos se fecham - Capítulo 2 - A Candelária

Eu poderia me sentir perdida no meio de tanta confusão. O que aconteceu com essa cidade? Será que estão todos mortos? Essas pessoas nas ruas o que se tornaram?

Estava pronta para encontrar meu irmão e resolver tudo isso. A Candelária terá as respostas que eu preciso. Ou talvez nem todas.

 

                                                                        (...)

 

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Márcio se virou e desceu da janela com um salto e ao cair no chão rolou para não se machucar, logo se levantou esticou os braços para que eu também pulasse. Respirei fundo, me apoiei com os braços na janela e me soltei ao encontro dos braços dele.

- Conseguimos! – disse ele me olhando com um belo sorriso.

- Isso. Nós conseguimos! – Me soltei de seus braços e caminhei até o centro da Igreja, olhando para todos os lados.

- Preciso encontrar meu irmão agora, finalmente cheguei aqui.

- Claro. Vamos dar uma olhada senhorita. – Olhei para ele franzindo os lábios e depois de alguns breves segundos disse – É Sophia – O que? – Meu nome. Sophia. – Ah, belo nome Sophia. – Ele sorriu e me estendeu a mão para que finalmente pudéssemos nos cumprimentar corretamente.

- Me chamo Márcio Costa. Então, vamos procurar o seu irmão.

- É. Vamos soldado.

No mesmo momento que estávamos no meio do corredor da Candelária começaram a surgir pessoas ao nosso redor apontando armas para nós. Levantamos as mãos e ficamos ali parados

– Estão mordidos? – perguntou um homem negro fumando um cigarro.

– Não! Estamos bem. A moça aqui só está procurando o irmão dela. – Respondeu Márcio.

- Qual o nome do rapaz?

- Colin! O nome dele é Colin. Colin Fisher. – respondi.

- Colin? Você é a Sophia? – Disse aquele homem já bem próximo a mim.

- Sim. Por favor, me deixem vê-lo. – Ele me estendeu a mão para se apresentar

– Olá Sophia! Aguardávamos você. Chamo-me Barreto. – ele tinha um aperto de mãos bem firme e me encarava de uma forma bem sutil.

- Tudo bem aqui pessoal. – ele fez um sinal com as mãos para que aquelas pessoas abaixassem as armas. – Venham comigo. Eles estão lá dentro.

Finalmente iria encontrar o Colin e esclarecer tudo. Ele nos encaminhou para uma sala fechada e esticou o braço esquerdo para frente.

- É logo ali naquela porta. Podem ir.

- Obrigada. – Respondi gentilmente a ele. Segui em direção àquela porta a minha frente, girei a maçaneta levemente e a abri bem devagar. Nossa! Aquela sala parecia o centro tecnológico mais avançado do mundo. Como conseguiram fazer isto? Finalmente vou ter as minhas respostas e, nada mais vai me deixar confusa. Preciso descobrir a origem deste caos.

 

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E por essa eu não esperava...

- Mãe! o que você está fazendo aqui? – ela me olhou e não expressou nenhuma felicidade e nem mesmo um sorriso forçado. O que já era de se esperar.

- Sophia. – Me respondeu friamente. Logo depois veio o meu padrasto por uma entrada ao lado daquela sala e a abraçou, somente com um braço sobre seus ombros. – Olá, Sophia. Colin ela chegou! – gritou ele. Colin veio pela mesma entrada em que meu padrasto havia saído e me lançou um forte e potente abraço.

- Sophia, ainda bem. Precisamos conversar. – Se afastou um pouco e pousou as mãos sobre meus ombros. – O que aconteceu com você? – perguntou.

- Colin, eu não sei eu... Eu estou aqui para que você me explique tudo. Há duas semanas o governo me mandou uma mensagem me dizendo para lhe procurar, algo grave que poderia ter feito. Devido a uma vacina roubada de um laboratório e eu... – levantou uma sobrancelha. – O que? Espera... – olhou para meus pais e franziu o cenho.

- Está me dizendo que o governo te mandou uma mensagem?

- Sim. Meu trabalho. É bem normal eles fazerem isso, mas não com aquele grau de urgência. – ele me pegou pela mão e me guiou até a tela de um computador.

- Olha como está lá fora Sophia. Você se lembra disso? Farmás te lembra alguma coisa?

- Não. Colin o que está acontecendo? Achei que estava ferido e vim ajudá-lo.

- Tudo bem. Vou te explicar um pouco agora mesmo. – apontou para uma cadeira em frente ao computador para que eu me sentasse.

"Sophia, eu estava doente há uns meses atrás. Antes era como uma simples dor de cabeça e depois começou a agravar até que resolvi tomar um dos medicamentos que havia acabado de chegar à farmácia onde trabalhava. Eram da empresa Farmás. A única empresa que estava disponibilizando medicamentos para tratar aqueles sintomas que mais parecia uma gripe forte, mas não era como eu havia pensado. Após dois dias de ter-me medicado eu senti fortes dores no corpo e minha cabeça estava prestes a explodir, sentia muita falta de ar, mal conseguia levantar da cama. Minha pele começou a descascar aos poucos e então, resolvi procurar um médico especialista. Ele disse que nunca viu algo parecido antes e era como uma daquelas doenças raras começando a querer surgir.

Ele me perguntou se eu havia tomado algum medicamento, respondi que sim, porém já estava com fortes dores antes. Receitou-me alguns remédios pra ver se eu melhorava e depois de um longo tratamento nada ainda havia mudado. Minha pele caia como de uma cobra que trocava de pele e minha mulher estava ficando apavorada, tinha medo de se aproximar de mim. Após quatro meses com aquela suposta doença que parecia incurável, pesquisei na internet mais a fundo sobre isso e descobri que todas as pessoas que também haviam tomado aquele medicamento e estavam com os mesmos sintomas haviam falecido. Então decidi ir até a empresa Farmás e descobrir o que estava acontecendo já que ninguém tomava uma atitude sobre isto. Foi ai que as coisas pioraram.

 

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Chegando a empresa negaram o atendimento e em assumirem a responsabilidade pelo medicamento, perdi a cabeça já assustado e com medo da morte invadi o local com o cartão de uma amiga que tinha um dos cargos mais altos da empresa e podia acessar qualquer informação e entrar aonde quisesse.

Encontrei laboratórios subterrâneos e descobri uma vacina que estava em desenvolvimento e vários outros experimentos. Era terrível o que aquelas pessoas faziam lá dentro e vendiam para outros países. A Farmás é uma organização muito poderosa que se dá a união de duas empresas independentes do Brasil e dos Estados Unidos. Onde constroem e inventam tecnologia de última geração e haviam acabado de inaugurar sua marca farmacêutica. A Farmás já era uma das empresas mais ricas e prósperas do mercado em tecnologia e agora com sua própria farmácia com medicamentos exclusivos. Era uma ideia incrível!

O marketing estava perfeito e atraia muitas pessoas. Todos estavam ansiosos para a chegada dos medicamentos que se diziam milagrosos para o surto de uma gripe forte.

Depois de um tempo lendo as pesquisas daquele laboratório, percebi que a minha possível doença incurável na verdade, era um medicamento experimental que foi lançado para conter um vírus que foi liberado do laboratório talvez propositalmente e contaminando milhares de pessoas . Passei horas escondido lendo sobre muitos experimentos que estavam sendo realizados naquele lugar, não imaginava que era tão assustador. A vacina Chamava-se C3-corpus. Sua descrição prometia curar inúmeras doenças e regenerar células mortas podendo até trazer pessoas que já estavam mortas à no máximo 10 horas à vida. Isso era incrível, assustador e ao mesmo tempo totalmente inapropriado. Eu não poderia permitir que aquilo ficasse escondido para eles usarem para suas próprias conquistas. E foi assim que eu roubei toda a pesquisa sobre aquela vacina e todos aqueles frascos milagrosos, precisava contar ao mundo o que a Farmás havia desenvolvido e que poderia salvar ou destruir muitas vidas. Mas um segurança me viu e me perseguiu por todo aquele laboratório, ele chamava muitos reforços e solicitava o travamento das portas imediatamente, mas graças a minha grande e fiel amiga com o seu cartão chefe eu consegui fugir daquele lugar com duas malas e uma mochila cheias das pesquisas e frascos daquela maravilhosa e perigosa evolução.

Ao chegar em casa, notei as janelas quebradas e a porta aberta. Corri o mais depressa possível, minha casa estava destruída e com sangue por toda parte. Minha mulher... Minha mulher estava morta e com uma maldita carta na mão...

"Parabéns! Neste momento você está com algo que nos pertence e agora nós também tiramos algo que te pertencia. Que pena, ela parecia tão gente boa e disse que estava grávida numa tentativa frustrada de nos fazer parar.

 

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Saiba que vamos até o fim atrás de nossa vacina. É melhor que a deixe amanhã ao por do sol no Aeroporto Santos Dumont antes do meu embarque para os Estados Unidos ou todos que você ama morrerão."

Ao amanhecer fui ao aeroporto, mas não para entregá-la ao cientista que estava a desenvolvendo. Fui vingar a morte de minha esposa e destruir aquela vacina por completo. Se nós não poderíamos tê-la, então eles também não a teriam.

No aeroporto, fui reconhecido por dois seguranças do cientista e numa velocidade além do normal consegui escapar e ir até o reservatório de água daquele aeroporto, derramei todo o C3-corpus naquela água e segui até o estacionamento, espalhei todo o combustível de alguns carros naquele lugar e lancei fogo sobre eles. Um guarda do estacionamento me notou e correu atrás de mim avisando toda a equipe de segurança, mas em alguns minutos aqueles carros foram explodindo em sequencia colocando a parte leste do aeroporto em chamas e causando um imenso desmoronamento.

Finalmente o sprinkler é acionado espalhando jatos de água com C3-corpus por toda a parte. Ainda correndo rapidamente, coloquei uma máscara de hóquei para tentar despistá-los e desesperadamente empurrava todas as pessoas a minha frente, sem nem perceber, derrubando algumas até escada abaixo.

O Aeroporto se tornou o início do caos, enquanto eu só pensava em vingança as pessoas ao redor estavam morrendo e o fogo se alastrava rapidamente destruindo tudo. Eu procurava o Dr. João Ferreira, o cientista que mandou matar a minha família por conta de uma pesquisa e sim, pelo que eu tinha feito. Eu sabia que ele ainda estaria no estacionamento do lado leste onde eu havia começado o incêndio.

Quando avistei de longe a destruição total do estacionamento percebi que ele já não poderia mais estar vivo ou já poderia ter fugido, então fui procurar uma saída daquele lugar e sair daquela área leste antes que desmoronasse sobre mim. E ao voltar já havia muita gente morta espalhada e como já era de se esperar nada dos bombeiros e policiais chegarem ao local. Vi o que tinha causado, não sabia o que fazer...

Uma mulher já bastante pisoteada e um pouco queimada se movimentava lentamente no chão e dava leves grunhidos. Como se estivesse levando uma forte descarga elétrica por segundos. Aproximei-me para tentar ajudá-la e ela me atacou ferozmente no rosto e graças a minha máscara de hóquei não fiquei sem um pedaço da minha boca. Ela me atacava com uma força incrível e tentava me agarrar desesperadamente como se eu fosse a última carne bovina do mundo. Isso mesmo! Ela estava querendo me morder...

 

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Eu a chutava com todas as minhas forças, mas nada parecia impedi-la de me atacar, minutos depois todos que estavam caídos começaram a se levantar lentamente, eu me virei e procurei sair daquele lugar o mais rápido possível. O que aquela vacina havia feito? Ao invés de dar a vida de novo os transformava em pessoas violentas. canibais. Sedentos.

Eu fiquei com tanto ódio que não pensei no que eu havia feito. Espalhei uma vacina ainda em desenvolvimento, incendiei um aeroporto, e matei pessoas sem nenhuma preocupação. O que eu havia me tornado? Nem pensei em tentar usar aquela vacina na minha mulher, só pensava em vingança e destruição, eu...

- Acho que por hoje chega Colin! – disse meu padrasto o interrompendo. – Tem razão, é melhor ir se deitar Sophia. Fizemos quartos do outro lado. Peça ao Barreto que te acompanhe. Depois continuamos com mais calma, você precisa descansar.

Disse ele e, me levantando da cadeira me deu um outro forte abraço e me soltou.

- Mas e aquela história de quem eu sou? A ligação? O que você fez Colin?

- Ah, esqueça isso Sophia, por hoje. Eu estava em choque com a morte da minha mulher e não pensava em nada mais além de vingança.

- Não, não é só você que me fez esta pergunta. Diga-me Colin!

- Sophia, não tenho mais nada a dizer hoje. Você está cansada, só precisa de uma boa noite de sono. – Me levou até a porta desejando-me boa noite e a trancou. Barreto veio em minha direção para me acompanhar até o quarto.

- Vamos Sophia.

- Espere só um segundo. – Respondi, então me encostei na porta lentamente para tentar ouvir algo, eu estava desconfiada que ele não foi totalmente sincero comigo. E ouvi...

- Por que não contou a verdade a ela? - disse meu padrasto, parecia estar revoltado.

- Pai, ela não se lembra de nada. Vamos dar a ela uma chance, vai ser melhor assim.

- Seu idiota! Estamos falando da Sophia. Ela não é confiável! Se a conhecemos bem, com certeza está mentindo para nós e nos manipulando.

- Dê uma chance a ela pai, se ela se lembrar de alguma coisa já estaremos todos ferrados mesmo.

- Você tem até amanhã para descobrir se ela está inventando tudo isto ou eu mesmo vou matá-la. – Que meu padrasto me odiava eu já sabia, mas me matar? Eu sabia que tinha algo de errado e se ninguém confia em mim o bastante para me contar eu mesma irei descobrir.

- Chega de bancar a espiã. Vou acompanhá-la até o quarto. Tem um banheiro logo em frente, pode utilizá-lo a vontade.

 

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​- Tudo bem, Barreto. Não vou fazer novamente!

Ele me acompanhou até o outro lado da Candelária, onde havia um enorme quarto branco com lindas decorações douradas e um pequeno banheiro ao lado. O clima sombrio que estava não tirava cem por cento o encanto do lugar, que mesmo com pouca iluminação transmitia paz.

- É aqui. Até mais. – disse ele se retirando do quarto e fechando a porta. Admirei aquele lugar por alguns minutos, joguei minha mochila no chão e fui para o banho.

Ah, finalmente uma ducha quente e adorável que por sinal era a única hora em que me achei uma pessoa normal em um mundo normal.

Fiquei debaixo daquela ducha por quase uma hora, estava deliciosa. Ao sair, coloquei novamente minha roupa e me deitei naquela cama maravilhosa, mas não conseguia dormir eu só conseguia pensar em tudo o que estava acontecendo e no que poderia ter acontecido comigo. Quando finalmente consigo fechar os meus olhos, ouço algumas batidas na porta.

- Pode entrar! – disse, era o Márcio. Ele estava ainda um pouco molhado como se estivesse acabado de sair de um banho, estava sem a farda; apenas com uma calça Jeans e uma bota preta.

- Oi. – Oi – respondi com um belo sorriso no rosto.

- Vim ver se está tudo bem.

- Está sim. Ainda estou um pouco confusa, mas fora isso...

- Confusa com o que? – me perguntou, ainda na porta com as mãos na maçaneta, parecia um modelo de capa de revista.

- Pode entrar Márcio, você está me devendo uma explicação se lembra?

- Claro. Estava esperando que perguntasse por isso. – se aproximou e deitou na cama ao meu lado com leveza. Encarou-me, dando um sorriso sádico por alguns segundos e logo depois rimos um do outro sem motivos.

- Como consegue sorrir desse jeito pra mim? A cidade está um caos e você sorri dessa forma pra mim. – perguntei-o dando um leve toque para trás em seus ombros.

- Sorrindo de que forma? Esse é o meu sorriso normal.

- Que cara de pau! Esse deve ser o seu sorriso de más intenções.

- Claro que não. – respondeu ele meio envergonhado - Aliás esse sorriso é novo. – Como assim novo? – ruborizo-me.

- Ele surgiu quando você apareceu. – respondeu.

Pensei: "não... Não.... Ele não disse isso. Ele só pode estar brincando".

Que droga! E agora? O que ele quer que eu diga?

Que eu prometo amá-lo e respeitá-lo até que a morte nos separe?!

 

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- Por que ficou vermelha? – disse ele sorrindo.

- Eu, não estou. O que você acha que pode acontecer? Só porque você me salvou das garras perigosas e da fome insaciável por carne daquelas coisas lá fora não quer dizer que tenho que dormir com você no primero encontro. (Sussurrei)

- Sophia não é nada disso. Eu também te devo uma massagem nos pés esqueceu? – disse ele passando a mão no meu rosto e chegando cada vez mais perto. Dei um leve sorriso mordendo o lábio.

- Isso não vai acontecer soldado... – ele me deu um leve beijo e então separou nossos lábios.

– Estamos numa igreja sabia... – sussurrei. Lançou-me outro beijo e se afastou mais lentamente. O dia foi tão confuso. Eu só queria que aquilo continuasse, mesmo que por alguns minutos.

- Nós vamos para o inferno! – murmurou e nós demos uma risada e voltamos a nos olhar. Ele agarrou firme meu cabelo e me puxou ao seu encontro colando seus lábios aos meus e começamos a nos beijar.

Com uma mão segurou meu braço esquerdo e me puxou para cima dele. Não sabia se estava envolvida ou se estava só querendo esquecer de tudo o que estivera acontecendo por algum tempo, para relaxar a cabeça de toda essa confusão. Somos adultos. Quem nunca ficou com alguém no primeiro encontro?! Dãh

Ele passou a mão pelas minhas costas fortemente e trouxe-as para frente desabotoando minha blusa. Mordi seu lábio inferior e puxei-o delicadamente – É... tão... doce, - sussurrei.

Ele me beijava e tirava minha blusa lentamente. Me jogou para baixo e numa rápida jogada ele já estava por cima de mim, beijava meu queixo de um jeito inexplicável e passava lentamente para o meu pescoço. – como consegue ficar tão... cheirosa e tão... doce, - sussurra.

Droga! O que foi isso? Ouvimos uma sessão de tiroteios e muitas vozes.

- O que é isso? – perguntei, o empurrando e fechando a blusa.

- Não sei. Vamos lá ver o que é, alguém pode ter invadido o lugar. Vamos! – me pegou pela mão e me guiou para o salão principal. Havia muita fumaça e todos estavam gritando e correndo.

- Vem Sophia, por aqui. – me levou até um corredor para sairmos daquela fumaça e procurar alguém para nos ajudar.

- Droga, o que está acontecendo! Droga! – Márcio me abraça tentando me confortar. – Calma, nós vamos ficar bem!

- Eu já não tenho tanta certeza disto. (disse uma voz por trás de nós, estava certa de que já tinha a ouvido antes). Márcio me soltou e nos viramos lentamente

– Caio? – disse, apavorada.

- Olá Sophia. Porque não nos avisou que daria um passeio? – Respondeu-me, dando um sorriso sarcástico com uma arma apontada para nós – que bom que fez um amigo. – murmurou.

 

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Não sabia exatamente as horas, mas já estava escuro e a Candelária estava com suas luzes brilhantes acesas refletindo todo o dourado de sua arquitetura genial e, Caio continuava com a arma apontada para nós.

- Porque está aqui? – perguntei me acolhendo nos braços de Márcio.

- Você fugiu sua filha da mãe! Por isso eu estou aqui.

- Quem é você? O que quer com ela? – Márcio pergunta.

- Se soltar ela soldado, não vamos precisar nos apresentar.

- Olha, eu... Eu encontrei o Colin. Ele está por aqui em algum lugar. Não era ele que você queria?

- Não. Nós queríamos você Sophia. Sempre foi você!

- Então porque me permitiu que fugisse daquele lugar?

- Só queríamos saber se você ainda é esperta e inteligente como disseram. E eles tinham razão. Você fugiu rápido demais Sophia.

- Mas o que é aquilo? – diz Márcio olhando atentamente para trás de Caio, mas não havia nada. Caio olha para trás curiosamente e leva um tremendo soco no queixo. Nossa! Nessa o Márcio caprichou.

Conseguiu enganá-lo facilmente. Pegou em minha mão e me carregou com ele procurando algum lugar seguro onde poderíamos nos esconder.

- Por que não vamos embora daqui? – perguntei. – Agora não dá Sophia, falta pouco tempo para o toque de recolher! – responde Márcio.

- Que droga de toque de recolher é esse?! – perguntei indignada. Sem resposta alguma sobre isso todo o tempo, sempre que alguém vai me contar algo acontece uma desgraça. Meu irmão Colin, era minha única esperança, mas como confiar nele se ele não confia em mim? Não sei se a história que ele contou é verdadeira ou se é apenas mais uma trama armada para me deixar confusa.

Quem está falando a verdade agora? O Márcio é o único em quem eu confio neste momento. Preciso me afastar de tudo isso e ir para algum lugar que seja realmente seguro para que possamos conversar.

- Sophia eu deveria ter te dado uma explicação quando tivemos tempo. Agora só precisamos procurar um lugar seguro até que essa confusão se acabe. – ele segurando em meu braço, me carregava sem parar por um segundo por todos os cantos daquele lugar.

 

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– Chega! – gritei, separando nossas mãos.

– Sophia, temos que ir antes que seu amigo nos encontre.

- Tá bom, mas vamos sair daqui. Agora! – ele veio até mim e colocou as mãos sobre meus ombros os segurando e se aproximou.

- Sophia, e o seu irmão? Fique calma, por favor, vamos ver se o encontramos em algum lugar, aí esperamos até amanhecer...

- Não Márcio! Colin sabe se cuidar e, eu preciso de um tempo. Sei que precisava encontrá-lo, mas agora preciso de respostas e sei que não virão dele.

Ele me olhava fixamente nos olhos e franzia a testa. Márcio parecia fazer de tudo para tentar me salvar, seus olhos brilhavam quando me olhava e demonstrava preocupação com a minha decisão.

- Sophia, - ele me envolveu com um doce abraço e deu-me um beijo suave na testa.

Continuou...

- Então vamos. – ele disse, me pegando novamente pela mão. Ao avançarmos dando alguns passos.

- Se vão fugir, vão precisar de ajuda. – disse Barreto saindo de trás de uma coluna da Candelária nos surpreendendo.

- Vamos sair por trás. Uma mulher explodiu a porta da Igreja e com certeza já tem muitos deles aqui dentro.

- Temos que ser muito cautelosos, viu? Está na hora do toque de recolher! – disse Márcio novamente nos advertindo.

Barreto seguia na frente, nos guiando. Márcio continuava a segurar minha mão com bastante força e com muito medo nos olhos...

- É por aqui, venham rápido!

Seguimos Barreto por aquele longo caminho, e chegamos a tal porta que dava a saída da Candelária.

 

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Não estava muito preocupada com aquelas criaturas espalhadas por toda a cidade, mas é claro que com medo eu estava, e com muito medo. Só que a única coisa que mais me preocupava naquele momento era a verdade. Eu queria uma explicação de alguém que confiasse em mim.

Barreto abriu a porta lentamente e, saiu com muito cuidado. Estávamos logo atrás dele. Barreto olhou para os dois lados e não viu nada, então fez um sinal com os dedos para que saíssemos e aí fechamos a porta com muito cuidado.

O cheiro lá fora estava insuportável, lixo espalhados por todos os cantos e muito sangue nas ruas. Barreto seguiu para a esquerda se escondendo ao lado de uma pilastra, havia muitos carros abandonados na rua e seria uma boa encontrarmos um que ainda funcionasse como o que eu peguei mais cedo para entrar na candelária.

- Está tudo muito quieto. Se mantivermos assim conseguiremos sair daqui. – sussurrou Barreto.

- Talvez alguns destes carros funcionem ainda, podemos procurar algum lugar isolado para ficarmos. – murmurei

Barreto balançou a cabeça em sinal de "tudo bem" para a minha dica, e foi em direção a um Eco Sport vermelho que estava próximo a calçada do outro lado da rua. Seguiu até lá com muito cuidado e ao olhar para a esquerda ele avistou muitos deles aglomerados próximo a um chafariz bem na frente da candelária. Ele colocou os dedos na boca em sinal de silêncio e chamou-nos até ele.

(Um forte barulho de sino toca constantemente)

- Ah! Que barulho é esse? – grito assustada.

Os malditos ouviram, que droga! Eles têm um ótimo reflexo a sons de pessoas desesperadas.

- Malditos! Vamos! Vamos! Tá na hora do toque de recolher! Desgraçados! – disse Márcio furioso, me puxando até o carro onde Barreto estava.

Eles estão correndo até nós... desesperados... famintos! Barreto ainda não conseguiu ligar o carro... merda! Como eles são rápidos!



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