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História Tormenta - Capítulo 9


Escrita por: e _Miranha_


Notas do Autor


Como prometido → BEM-VINDAS PIRATAS!


Peço que me perdoem pela demora, estava ansioso para postar esse capítulo, mas não podia apressar a história. A partir de hoje, aparecerão em todos eles!

Espero muito que gostem e, boa leitura!

★Se cuidem, viu?★

Capítulo 9 - Cap. Six - Pirates


Fanfic / Fanfiction Tormenta - Capítulo 9 - Cap. Six - Pirates

Tormenta





O C E A N O   A T L Â N T I C O

18 horas : 00 minutos

A tarde se encerrava com um brilho caloroso do astro rei, a reger o céu. As águas em um azul anil faziam-nas lembrar que estavam no caminho certo e, sem dúvidas, a honrar seus antepassados. Assim, a cigana saboreava, sentada pouco antes da proa, uma maçã suculenta e esverdeada, com a pequena embarcação a todo vapor; deixou que Margot controlasse, pelo menos um pouco, sua direção futura. A mulher encarava, sobrepondo seus cabelos ao vento, a imensidão se fazer diminuta perante seu desejo de liberdade e, estando há quilômetros por hora, tudo parecia muito mais simples que realmente era. Se recordava ainda de seu passado, mesmo sem querer, até porque tudo fora brusco o suficiente para arrancar-lhe pedaços, porém, minuto por minuto, percebia que seu interior era muito mais forte ao que acreditava e, independente da maneira que a julguassem, permanecer forte seria seu lema. Na verdade, estar ali, na água, a deixava sentir a tal liberdade que sempre amou, além de observar os golfinhos e entender, ainda mais, o quão rica a natureza podia se fazer; quem sabe um dia recompensados tudo o que ganhou dela. Às vezes, chegava a se recordar dos momentos proporcionados pela própria Terra à ela, com águas puras e viagens a beira da praia; momentos memoráveis, os quais só se pode acessar pela própria mente, infelizmente, mas que não depende de uma presença para se tornarem sólidos. 

Um navio — gritou Alisha com um sorriso no rosto, acima da cabeça de Astrid, a qual ergueu lentamente o olhar e analisou a situação com os olhos cerrados pela luz do Sol. A mais nova acenou à dos olhos azuis, tal que analisava por um daqueles equipamentos modernos de observação; um binóculo. Seu sorriso passava as bochechas e, assim, ajeitou a barra da calça enquanto caminhava pela escada, se aproximando, em segundos, da outra que calmamente continuava a degustar sua maçã. — Dos grandes, Alba! 

Não assaltamos navios, Thompson — balbuciou Astrid arrumando a barra do vestido, com os pés no chão, afinal, adorava ficar à vontade em seu próprio barco. Entretanto, a ética ainda lhe portava e sabia, muito bem, que embarcações grandes não merecem ser roubadas; as chances de serem pegas é enorme, além do mais, piratas não são apenas ladrãozinhos. — Sabe disso — bufou insinuando para que a outra se sentasse. — É muito complicado invadir e ainda mais conseguir sair imune de lá — ela sorriu olhando à outra. — Militares! — revirou os olhos. 

Podíamos dar apenas uma olhadinha — sussurrou rindo, enquanto arqueava magicamente suas sobrancelhas bem feitas. Os olhos da mulher ficavam ainda mais azuis em meio tanta água. — Parece ser um navio incrível, Alba! Precisa ver — apontou à sombra do mesmo, em meio ao horizonte. Para serem sinceras, Margot aparentava querer o mesmo que Alisha, afinal, estava indo especificamente em sua direção. 

Ele é grande mesmo — sorriu ao encará-lo. Era estranho, não seguia o modelo padrão da marinha, bem como qualquer outro navio que já puderam notar. Ela frazil a testa e tentou enxergar melhor, tomando o binóculo preto das mãos da amiga, que a encarava, também séria. — Que navio é esse, Thompson?

Não reconheci, Astri — sussurrou tentando se lembrar de algo caricato da embarcação, entrando em negação logo em seguida, afinal, não havia nada para observar. — É só um navio antigo — pigarreou vendo a face da outra mudar cada vez que alterava a direção das lentes. — Talvez voltando ao porto original nos Estados Unidos... 

DOUGHERTY — berrou Astrid da maneira mais alta de pôde, atentando a mulher imediatamente, a qual contemplava uma música dos anos sessenta baixa na cabine pouco acima de suas cabeças, mas que, pelas portas escancaradas, permitiu o som da voz da pirata adentrar seus ouvidos. O susto fora instantâneo, mas a mesma colocou a cabeça para fora e respondeu apenas fazendo sinal. — Vá até o navio! 

Ficou maluca? — gritou do segundo andar, indo na direção da escada por segundo, já que não poderia abandonar o leme. — Morreriamos, Astrid — argumentou segurando, dentre os dedos, seu cigarro de filtro branco preferido, com os longos cabelos loiros presos por uma pequena presilha de pedra esverdeada. — Não chegaremos perto deles nem que me pague — bufou tragando mais um pouco. — Acharemos um marinheiro mercante por aí! 

Não, Margot — retrucou a cigana, ríspida, sem pestanejar, ainda vidrada no que aquelas duas lentes a mostravam. Naquele momento, já havia até mesmo esquecido sua maçã; quem sabe a mesma houvesse caído até mesmo em pleno mar. — Não existe nem fabricam mais navios com esse material — continuou retirando o aparelho dos olhos. — Isso é uma carcaça dos anos oitenta, no máximo! 

O Belizziet? — sussurrou a dos olhos azuis, apavorada, tomando das mãos da outra o objeto que facilitava-na tal visibilidade. — Mas isso é impossível, Alba! 

Não inventa, Astrid — Margot tentava se fazer de durona, mas acreditava que eram eles, no fundo de seu coração e, infelizmente, sabia disso. Suas pernas babearam e ela correu até a cabine para abaixar a música e tentar ouvir melhor a amiga. — Sumiram há quinze anos, como sobreviveriam? 

Vamos invadí-lo durante a madrugada — respondeu-as abaixando seu olhar, como se pensasse alto ou voltasse algum tipo de plano. — Devem estar sem combustível — suspirou fundo. — Seja o que for que os aconteceu, se há alguém vivo, precisamos ajudar...

Pode não ser o Belizziet — interviu Alisha, com as extremidades gélidas, enquanto entregava o aparelho à Margot, a qual estava eufórica. — Naufragaram, Astri! 

No mínimo, Thompson — sussurrou a cigana enquanto se levantava; a cabeça não estava, definitivamente, no lugar. — Nos renderá uma grana boa por encontrá-lo, não é? 



O C E A N O   A T L Â N T I C O

18 horas : 30 minutos

Os últimos raios da hora dourada adentravam o salão, onde a comida séria servida há poucos minutos, iluminando os quatro cantos do buffet e, finalmente, todo o centro. Entretanto, na lateral, a mesa estava lotada, com todos os mais perplexos do navio, a não ser Frank e Ericka, os quais coordenavam a ponte de comando. Rogg estava na ponta e, em sua direita, Curtis, segurando um pequeno crucifixo, tentando não dar ouvido ao que falavam; a sua esquerda, Minerva, que segurava sua mão com lágrimas nos olhos e, ao resto da tábua, todos os outros. Acontece que, depois do aviso de Cygnus, o capitão resolveu pensar durante um bom tempo, isolado em sua cabine e, ao final da tarde, assim que desceu, todos o pressionaram. Seus homens tentaram barrá-los, mas fora definitivamente em vão; alguns estavam muito assustados. A ideia de sentarem-se à mesa foi de Marseille, que fora bem calmo, por mais estranho que aparentava, afinal, disse-lhes que deviam conversar antes de acusarem de qualquer coisa; o que mais alegavam era que Kanewo planejava os matar. De qualquer forma, alguns sentiam tédio: Demétrius abaixou a cabeça, usando sua melhor roupa, com raiva da situação e se sentindo um homem a busca de holofotes, mas aquilo movimentaria sua vida; George, na verdade, odiava conflitos e permanecia ali para entender qual sua relação com tudo o que estava acontecendo; Sophie e Isadora tremiam, só querendo chegar em casa; Ciel e Charlotte ofegavam de ansiedade perante o capitão, afinal, nunca estiveram tão próximos assim e, por fim, Cygnus e Ernst diziam, inconformados, que Rogg não deveria se submeter daquela maneira. Porém, independentemente, estavam ali para esclarecer dúvidas pertinentes e, claramente, amarraram-no naquela mesa, ou seja, não sairia dali sem os contar a verdade.

 — Eu não sou um assassino — gritou histérico batendo à mesa, derrubando duas ou três taças vazias, assustando o garçom que chegava com seu prato favorito; lagosta. Os olhares dos que estavam à mesa se arregalaram, enquanto Minerva o encarava desconcertada e, obviamente, amedrontada, fazendo com que ele, imediatamente, voltasse a sua postura calma de antes. — Não matei Amélia Rogg — virou, já marejado, à Curtis, que aperou os olhos juntamente com o objeto que segurava e deixou que uma lágrima o escapasse. 

Ela morreu em um incêndio — sussurrou Minerva, segurando forte as mãos do capitão, contendo as lágrimas em seu rosto enquanto se direcionava aos outros à mesa. — Faz tanto tempo — ela o observou, pelo canto dos olhos, chorar. 

Só estamos com medo — iniciou Ciel, com calma e baixa voz, olhando aos lados, se certificando dos ouvidos perigosos no recinto. — Se meus pais sonharem, comandante — disse sério, observando a face derrotada do capitão. — Ficarão furiosos! 

É claro que esconde algo — balbuciou Isadora, segurando as mãos de Sophia, logo ao seu lado, torcendo para que sua família continuasse bem do lado de fora, já que seu marido brincava com a criança ao vento do final de tarde. — Soube disso desde que pisei neste navio — ele apenas virava o olhar vermelho pelos sentimentos que carregavam, enquanto tentava manter a postura do líder que era. 

Eu também acho tolice — Demétrius ergueu a voz, calmamente, o encarando de longe com esplendor. — Aparenta ser apenas um homem que busca pela paz, como eu — o Beauchamp causava, no capitão, arrepios desde o primeiro dia que se viram e, naquele instante, não fora diferente. Ele respirou fundo e o olhou de volta, tremendo por segurar o choro quase esvaindo de si mesmo. — Entretanto — arqueou a sobrancelha pensando nas baboseiras que assumiria logo após. — Apesar de odiar admitir, tem algo em você que ainda não compreendo! 

Kane — Minerva suspirou olhando o que havia a beijado, segurando sua mão acalentada e virando seu rosto com a outra mão, encaixando seus olhos e tentando aquietar o coração eufórico do homem. — Na noite que Ernst me encontrou — ela encarou o barbudo, que consentiu instantaneamente. — Uma menina pequena pediu para que a seguisse — o olhava com pesar, amava demais para vê-lo sofrer. — Me levando até a proa e... — suspirou, temendo as próximas frases. — P-pode ter sido a Amélia — segurou o choro. 

Amélia? — ele sussurrou com dificuldade, com as lágrimas descendo por seu rosto, sem sequer uma pausa ou timidez. Ernst abaixou a cabeça imediatamente; não tinha histórias felizes para contar naquele momento, estava triste o suficiente por ver um homem tão forte se despedaçar daquela forma..— Viu ela? — sorriu em meio as gotas saindo de seus olhos.

Rogg... — Marseille sorriu, colocando seu objeto de devoção nas mãos do desesperado; o capitão realmente não estava em seu posto naquele momento, segurando imediatamente, estranhando. — Vá descansar...

Estávamos sozinhos — relutou interrompendo o médico, enquanto ainda olhava o que havia recebido. Se olhar não parecia estar nesta dimensão, fazendo mais alusão ao seu triste passado. Agora, os que o questionavam, começaram a sentir uma leve culpa em meio tal consciência. — O quarto dela era em frente o meu e, no meio da noite, acordei com o fogo vindo de lá — soluçava em meio suspiros. — Minha mãe tinha ido para uma festa com meu pai — ele encarou Minerva, já sem se importar com o choro. — Então levantei, corri até a porta e vi ela me gritando — pausou, por um segundo, encarando o nada, sentindo tudo o que assolava seu peito. — Eu tinha quatorze — encarou Gilda novamente, que já chorava, como Curtis e todos os outros marinheiros, tais que certificavam-se da circulação de passageiros. — Fiquei com medo e... Virei as costas... 

Kanewo — sussurrou Cygnus no outro canto da mesa, com uma pena lastimável do amigo; nunca o vira tão vulnerável daquela maneira. 

Matei Amélia porque fui covarde — interrompeu o comandante, erguendo a cabeça e encarando o oficial, enquanto, num instante, levantou-se da mesa. O médico só conseguia pensar na dor, a qual se assemelharia se comparado a sua família, bem como todos na mesa, tendo sido orquestrado um silêncio assustador. Charlotte arregalou os olhos, seguida de George, os quais sentiram um calafrio percorrer todo seu sistema nervoso, enquanto observavam o homem enxugar as lágrimas e virar as costas subitamente, deixando algo instalado na garganta de cada um, mas foi acompanhado rapidamente por Minerva, que chorava em transe. 




O C E A N O   A T L Â N T I C O

18 horas : 58 minutos


Vamos parar a qualquer momento, piloto Morgan — sussurrou baixinho o homem, sentado, ou melhor, jogado na poltrona de couro da lateral esquerda. Sua mão de apoiava no braço do móvel, enquanto, com a outra, segurava um velho relógio de bolso deixado pelo comandante na cômoda central; ele encarava como se fosse uma relíquia. 

Naquela tarde, com os olhos fundos e amedrontados, quando ficaram sozinhos por um contratempo com a mulher, Rogg agiu como seu pai, apesar dos anos de amizade; o mais velho pegou o objeto dourado em seu bolso, encarou Myers e sorriu, dizendo, com calma: "Caso se sinta perdido algum dia, Frank, lembre-se que, até mesmo um relógio perdido no tempo, pode ser consertado". Aquela frase o tocara como nenhuma outra na vida, afinal, que estranho era ver o amigo tão solto como se mostrava ali; ainda se lembrava da repulsa que tivera ao ser selecionado e do sacrifício que fora para convencê-lo que não estaria tudo perdido. A verdade era que, às vezes, Kanewo parecia mentir para todos e para si mesmo perante qualquer situação, como uma camuflagem diante do perigo, ou como maneira de se precaver e, infelizmente, Frank sentia a impotência por não conseguir ajudar. Ser fechado assim era genético. Porém, ao olhar para o lado, percebeu onde estava e, rapidamente, ajeitou os cabelos bagunçados pelo nervosismo. Sua amiga, Ericka, apesar de nervosa, encarava o oceano com  encantamento, assim, mostrando a sua própria mente, que o Atlântico, mesmo tendo uma paixão, mata sem piedade, ou, no mínimo, se faz de cego quando está faminto. 

Não vamos conseguir — respondeu a menina se jogando na outra, de tom azulado. Sua feição era desanimadora, até mesmo porque jamais a viram daquela maneira, mas, sim, sorrindo aos quatro cantos independe do pavor corroendo seu peito; era o arco-íris daquele navio e, infelizmente, se sentia frio pelas nuvens que a escondiam. — Os rádios não nos ouvem e vamos parar em meio ao Atlântico...

Olha a língua, Morgan — sorriu guardando o relógio no bolso, tentando implantar o mínimo de felicidade na que antes sequer se abalava.— Não vamos morrer — encarou novamente o mar. — Somos os melhores pilotos da Inglaterra — sorriu. — Quem sabe consigamos trabalhar juntos mais vezes...

Não pretendo continuar na marinha, Myers — Ericka suspirou fundo, movimentando seus dedos e os observando, olhando, calmamente, o mais novo amigo e, por mais estranho que pudesse parecer, o qual confiava. — Estou aqui por mera experiência... Não quero viver assim para sempre! 

Piloto Morgan, por experiência? — franziu o cenho acertando a postura e ficando mais próximo, sorrindo e estranhando, tudo ao mesmo tempo. — Gostaria de entrar na marinha inglesa por experiência — gargalhou. 





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