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História Torre de cartas - Capítulo 8


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Notas do Autor


Desculpem a demora, espero que gostem do capítulo e não detestem o Sasuke!

Capítulo 8 - Karin


Fanfic / Fanfiction Torre de cartas - Capítulo 8 - Karin

-Como assim você nunca andou de bicicleta? - Sasori estava incrédulo. Era uma de suas funções auxiliar Sakura, que nesse momento fazia um curativo em um paciente nesse momento.

-É que na minha família tinha um motorista particular, nunca precisei - Explicou. - Depois que me casei, Sasuke me comprou um carro.

-Bicicleta não é questão apenas de locomoção, é diversão também! 

-Não faz muita diferença para mim, se bem que… 

O ruivo se aproximou ainda mais.

-O que?

-Sempre quis andar de skate quando era mais nova - Confidenciou.

-E por que não anda agora? - Tentou entender.

-Ah, sei lá. Eu já sou velha demais para essas coisas - Explicou enquanto passava uma gaze no machucado.

-Velha? Você tem só vinte e cinco anos, e nem ao menos aparenta a idade que tem.

-Ahn, obrigada? - Estava em dúvida se aquilo era um elogio ou não. Sasori ficou em silêncio de repente, olhando seriamente para um ponto acima dos seus ombros.

-Sakura? - Soou a voz do marido atrás de si.

-Ah, oi - Cumprimentou.

Sasuke olhou bem para Sasori antes de responder.

-Vou sair agora para ir… naquele compromisso meu - Ele se referia a terapia individual, não queria que ninguém soubesse. -Esquecemos desse detalhe, eu vou ter que ir com o carro.

Desde que começou a trabalhar, os dois iam para o hospital com o mesmo carro.

-Tudo bem, pego uma carona com Sasori - Olhou para o ruivo que concordava com a cabeça.

-Não, já falei com Naruto, ele leva você - Respondeu com o tom de voz sério e brusco.

-Hm, tudo bem - Respondeu. -Até depois.

-Até.

Sasuke saiu rapidamente da sala, não queria perder o controle perto de Sakura. Entrou no banheiro e trancou a porta.

Andou para um lado, depois para o outro, repetindo o mesmo caminho.

Sentia as mãos e o peito tremendo, a cabeça tão quente que parecia explodir. 

-Que droga, Sakura! - Grunhia. 

Quem aquele cara pensava que era para se aproximar de sua esposa? E por que ela pegaria uma carona com ele?

Se não fosse formado em medicina, diria que estava entrando em convulsão. O gosto amargo na boca combinado com a tremedeira, o calor e suas mãos fechadas em punhos. 

Seu olhar encontrou o espelho por breves segundos, se assustando com o que viu. Parecia um animal prestes a atacar alguém, nem de longe parecia um renomado cirurgião.

Respirou fundo inúmeras vezes, não podia perder o controle e correr o risco de Sakura querer ir embora novamente.

No carro ele dirigia em alta velocidade. O tempo que perdeu no banheiro tentando se controlar o faria se atrasar para a primeira sessão.

Quando estacionou em uma vaga do estacionamento, o celular tocou indicando uma notificação.

"Espero que tudo corra bem, você consegue! 

Cha Cha! 

De: Sakura"

Isso o ajudou de tantas formas que não conseguia explicar.

Tsunade deu um gole enorme no seu café quando Sasuke entrou. Pela sua leitura de linguagem corporal diria que ele estava péssimo. Corpo rígido, olhar irritado, ombros tensionados e as mãos em punho.

-Aconteceu algo antes de vir para cá? - Foi direta, sem demoras.

-Não é nada demais - Respondeu, mas Tsunade o ficou encarando até desembuchar. -É o terceiro dia de trabalho de Sakura e ela já está muito próxima de um dos estagiários. 

-Sakura começou a trabalhar? Que bom! - Anotou isso. -Próxima como? Ela está sendo desrespeitosa com o casamento de vocês?

Sasuke se moveu desconfortável no sofá.

-Não - Respirou fundo. -Ela só fica conversando o tempo todo com esse estagiário. 

Tsunade piscou e esperou que ele prosseguisse, o que não ocorreu.

-É só isso? 

-Como assim "só isso"? Ao menos ouviu o que eu falei? - Questionou irritado.

-Teria essa mesma reação se o estagiário em questão fosse uma mulher? 

Sasuke negou com a cabeça.

-Se ela ama realmente você, vai te respeitar. Vai se afastar quando perceber duplas ações vindas dele - Falou. -Tem que confiar no julgamento de Sakura, ela não é idiota.

Escutou apenas um suspiro pesado.

-Na sessão em casal da semana passada você citou uma ex namorada. Pode falar mais sobre?

-Karin fazia medicina comigo.

Foi então que Tsunade lembrou que Sasuke falava apenas o necessário, teria que fazer perguntas específicas.

-Como foi o início do envolvimento de vocês? 

-Eu, Juugo e Karin passamos muito tempo juntos durante o curso. Karin era divertida, mas não desgrudava um segundo. Depois de um tempo acabamos nos envolvendo.

A loira assentiu.

-Você falou que Sakura também era grudenta e que vivia correndo atrás de você. Qual foi a diferença?

-Eu apreciava mais a presença de Sakura - Falou simplesmente.

-Explique. 

Sasuke não gostava de falar sobre seus sentimentos, mas não tinha como evitar.

-Quando ela começou a trabalhar naquela lanchonete, ficamos juntos finais de semanas inteiros. Ela era simpática com todos, não só comigo, ao contrário de Karin que olha qualquer um de cima a baixo. Ela falava sozinha a maior parte do tempo, mas eu prestava atenção. Os monólogos dela eram longos e irritados, imitava perfeitamente a voz de outra pessoa durante a fala. Quando a lanchonete fechava e tínhamos que limpar todo o estabelecimento, Sakura ligava uma música animada e dançava loucamente enquanto limpava, era tão animada que me contagiava todas as vezes - Falou, dando um sorriso pequeno. -Depois quando me encontrava com Karin eu sentia falta da leveza que ela me trazia, e quando vi, comparava Karin a Sakura a maior parte do tempo que estava com ela. Não dava para continuar.

Ele continuou:

-Antigamente eu contava as horas para o expediente na lanchonete acabar, mas depois que ela começou a trabalhar lá eu torcia para que durasse mais tempo - Suspirou. -Quando não estávamos juntos eu só pensava em encontrá-la novamente.

Tsunade deu um sorriso quase imperceptível. Era só fazer as perguntas certas que ele desembuchava igual um poeta apaixonado.

-Tenho certeza que Sakura pensa a mesma coisa sobre você - Falou. - E como foi o término com Karin?

-Acho que a palavra "tenso" define - Desviou os olhos. -Quando eu falei que queria terminar ela entrou em estado de choque. Não falava nada, só ficava olhando para a parede. Quando me levantei para ir embora ela começou a chorar e bater em si mesma, eu não sabia o que fazer.

Sasuke não gostava de falar sobre ela, sempre foi seu maior arrependimento.

-Até hoje eu não sei o que fazer com Karin. Eu levei semanas para fazê-la entender que eu não a amava - Olhou para a aliança antes de responder. -Ela surtou de novo quando me viu com Sakura, começou a se culpar.

-Mas eu não tinha o que fazer! Depois de conhecer Sakura, todas as outras mulheres perderam a graça para mim, seria impossível continuar com Karin.

A terapeuta termina de anotar e olha bem para ele.

-E atualmente como se sente em relação a Karin? - Arrumou os óculos no nariz.

Não pensou muito tempo, logo respondeu.

-Culpado. Todos os nossos colegas e amigos estão se casando e seguindo suas vidas, menos ela. Ela bate na mesma tecla de anos atrás todo dia. 

-Parece que ela depende emocionalmente de você - Explicou. - Não precisa e não deve se culpar. Isso é apenas dela. Ela depositou toda a felicidade e expectativa dela em você e foi desiludida, ela tem que procurar ajuda e ver isso sozinha. É um problema apenas dela. Consegue dizer isso? Que não é sua culpa?

Sasuke respirou fundo antes de falar. 

-Não é minha culpa - Não havia credibilidade alguma em sua voz.

-Um dia chegaremos lá.

Anotou mais algumas coisas.

-Consegue se afastar dela? - Perguntou.

-Como assim?  - Ficou confuso.

-Consegue parar de falar com ela? Não ficar no mesmo ambiente? - Tsunade exemplificou. -Ela precisa de algo firme e sério para perceber que não tem mais volta.

Sasuke demorou um pouco para responder.

-Consigo.

-Ótimo - Exclamou. -Agora, da próxima vez que você a ver, deixe tudo claro para ela, sem margem de dúvidas. 

Tsunade bebeu mais um pouco de café.

-Converse com Sakura sobre essa nova amizade, procure entender. E lembre-se, quanto mais a proibir, mais irá a afastar.

(...)

Quando chegou em casa, Sakura já estava na cozinha e Sarada estava na sala brincando com pecinhas de montar. Pelo cheiro, estava assando algo no forno.

-Como foi? - Sakura perguntou quando ele lavou as mãos.

-Interessante - Respondeu.

-E como se sente? - Entregou um copo de água.

-Estranho, ela me deu muito o que refletir principalmente sobre Karin - Foram para a sala, onde sentou na poltrona e Sakura no sofá. -Ela também me aconselhou a conversar com você sobre algumas coisas.

Sarada larga os brinquedos no chão e corre em sua direção.

-Papai! - A abraçou de volta.

(...)

No dia seguinte Sasuke entrou no seu consultório e tentou não sair mais. Não foi buscar café, não saiu na hora do intervalo e agora lutava para não ir para o refeitório na hora do almoço.

Uma pena que Sakura não fazia e nem levava mais o almoço, não sabia mais o que fazer. Precisava evitar Karin.

"Talvez se eu for quando o horário de almoço estiver acabando, ela não esteja mais lá" Pensou. Ouviu a porta abrir.

-Não vi você o dia inteiro, está bem? - Era Karin. Não podia ser, quanto mais a evitava, mais ela insistia. 

-To sim, pode me dar licença? Tenho trabalho a fazer - Apontou para o computador. A ruiva espichou o pescoço para ver o que poderia ser tão importante.

-Tíbia? Sério? - Desdenhou. -O que foi? Brigou com Sakura de novo? 

Sasuke revirou os olhos.

-Pensei muito num assunto - Ele falava com interesse, diferente das outras vezes que procurava ignorar sua presença. -Eu tentei deixar esse assunto para depois, mas já que está aqui…

Karin fez sinal para continuar.

-Você levou esse assunto longe demais, Karin - Simplificou. -No dia que terminamos e você pediu para continuarmos sendo amigos eu aceitei, mas agora não dá mais. 

Deu um passo para trás, ele estava falando sério? 

-Isso é por causa daquela pirralha? - Guinchou.

-Também, isso atrapalha o bem-estar meu relacionamento com minha mulher - Deixou bem claro a parte do "minha mulher", mostrando que não era uma pirralha. Olhou bem para ela novamente. - Mas principalmente por você, não pode continuar assim. Lamento a forma como terminamos, mas está na hora de esquecer isso. 

A dor nos olhos dela quando citou "término" era visível. 

-Você está… terminando comigo? - Os olhos dela não focavam em nenhum ponto. 

-Nós já terminamos há sete anos atrás - Explicou. -Estou rompendo nossa amizade apenas.

Karin assente e foca os olhos na mesa e parede de Sasuke. Estavam lotados de fotografias de Sakura, Sarada, desenhos de Sarada e fotos dos três juntos. Não teria volta.

-Agora pode me dar licença? - Pediu.

Saiu do consultório sentindo as pernas bambas, mas escutou os passos do ex atrás de si. Uma pontada de esperança surgiu tão rápido quanto desapareceu. Ele estava falando com Shion.

-Não a deixe entrar novamente, por favor - Pediu em voz baixa, mas ela escutou mesmo assim.

Era isso, era apenas um parasita na sua vida perfeita.

-Não atenderei ninguém hoje, vou para casa - Gritou para Suigetsu, seu secretário. 

Mas não conseguiu sair da sua sala. A maquiagem completamente borrada denunciava as lágrimas que não paravam de sair.

Como tudo chegou a aquele ponto? Fez um esforço descomunal para conseguir namorar com Sasuke, ele era tão difícil. Parecia perfeito, eram como um casal normal. Durou dois anos, não teria durado tanto se não se dessem tão bem, foi quando ele mudou.

Ele nunca foi muito extrovertido, bem humorado, mas parecia mais frio e indiferente do que o normal. Não prestava atenção no que ela falava, parecia sempre pensar em outra coisa, ou outra pessoa. Mas ela realmente se deu conta quando em uma noite aparentemente romantica em que ela se esforçou para criar um clima agradável, não foi o nome dela que ele gemeu durante o sexo. Ela não sabia quem era, e pelo jeito nem ele se deu conta do que disse, pois agiu normalmente depois.

Mas já não era a mesma coisa, ela tentou de todas as formas chamar a atenção dele novamente, sem sucesso. Entrou na sua rede social onde tinha algumas poucas fotos com o namorado e comparou a primeira com a última foto deles. 

A primeira ele estava calmo, não sorria mas dava para ver que ele estava feliz. Os olhos esbanjavam felicidade. Era a primeira semana de namoro dos dois.

Mas a última, tirada duas semanas atrás, mostrava-lhe sério, olhos e mandíbulas duros e inflexíveis. 

Alguns dias depois ele por conta própria mandou uma mensagem pedindo para se encontrarem. Ela ficou radiante, imaginou que ele pediria desculpas e colocaria a culpa na universidade que o cobrava demais.

-Precisamos terminar - Ele disse depois de um tempo enrolando. Não era "eu quero" era "precisamos". 

Não se lembrava bem do que aconteceu depois, a crise de choro a impediu de raciocinar devidamente.

Mas ela pediu um motivo. Nada era sem motivo.

-Eu não sinto mais nada por você - Respondeu, os olhos dessa vez expressavam pena. 

Não deu uma semana, ele andava correndo sempre atrás de uma pirralha cinco anos mais nova que ela pela universidade toda.

Quando o enfrentou e perguntou o que diabos era aquilo, ele respondeu que era sua namorada. Depois de insistir, ele jurou que nunca a traiu, que tudo aconteceu depois deles terminarem. Não que fizesse alguma diferença.

"Ele apenas quer experiências novas, quando ver que não era realmente o que esperava, ele vai voltar" pensava, isso fazia ela se acalmar o suficiente para poder dormir a noite e esperar pacientemente o dia que ele voltaria para ela.

Dois anos depois ela recebeu um convite de casamento, foi ali que ela reparou no nome da felizarda: Sakura.

Foi uma festa tão bonita, naturalmente ela estava vestida de branco. Tudo que queria era ver a cara de taxo que a noiva mostraria ao ver uma convidada de branco, cor exclusiva da noiva. Quem no final fez cara feia foi ela, ao ver Sakura entrando com um vestido enorme estilo princesa, volumoso da cor vermelho sangue. Caminhou até o altar chorando de felicidade, ninguém reparou no noivo nesse momento, mas Karin sim. Uma lágrima riscou sua bochecha, seu rosto estava completamente retorcido em uma expressão de puro amor. Ela não ficou para a festa.

Dois anos e alguns meses depois do casamento ela descobriu por meio das redes sociais de Sakura que ela estava esperando um bebê.

Era uma foto simples, de lado com uma bermuda de academia preta e um top rosa. O centro que estava em evidência era a barriga com o ventre levemente inchado. Estava de três meses. 

Foi quando seu mundo desabou de verdade. Mentiu para si mesma por tantos anos que ele iria voltar e deixar a rosada para trás, mas ele não voltou. E agora mesmo que ele terminasse com a mesma eles sempre teriam algo que os unisse: Sarada. 

Mas ela não desistiu, ele prometeu manter a amizade. Até aquele momento.

Ficou até o final do expediente da tarde tentando se controlar, foi quando se dirigiu até o estacionamento. 

E lá estavam eles, andando lado a lado, Sakura tagarelava e Sasuke a escutava com um sorriso de canto. Ele abriu a porta do carro para ela entrar. 

Quando o automóvel passou por ela, tinha um adesivo dado pelo hospital para os novos papais: Bebê a bordo, tome cuidado! Com a imagem de um bebezinho sendo carregado por uma cegonha, era uma referência a Sarada. Um aviso para os motoristas alheios terem cuidado em dobro para não bater no carro.

Aquela vida devia ser dela, não de sakura


Notas Finais




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