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História Torre de cartas - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Um encontro?


Fanfic / Fanfiction Torre de cartas - Capítulo 9 - Um encontro?

-Sasuke me contou que você começou a trabalhar, fico muito contente - A terapeuta parabenizou. -Me digam, Sarada não veio hoje, ela está em uma creche?

Sasuke negou com a cabeça, mas quem respondeu foi Sakura.

-Contratamos uma babá - Explicou. 

-Entendo, precisamos mesmo falar sobre Sarada nesta consulta - Divagou, deixando o casal confuso. -Mas primeiro peço que me digam como foi a conversa de vocês sobre o assunto da consulta passada: ciúme. Correu tudo bem?

Os dois ficaram visivelmente desconfortáveis com a pergunta. Sakura ficou vermelha e Sasuke a encarou pelo canto dos olhos.

-Ela até fez as malas para ir embora - Acusou ele.

Tsunade arregalou os olhos.

-É verdade Sakura? 

Ela dá um sorriso sem graça.

-Culpada - Admitiu.

-Mas me diga, o que a fez ficar? Vocês estão visivelmente juntos - Estavam mesmo sentados a poucos centímetros um do outro.

Sakura fica mais vermelha ainda antes de responder.

-Ele me beijou - Fala como se não acreditasse no que dizia. -Foram duas vezes essa semana.

Parecia sonhadora, embora duas vezes fosse pouco para sete dias. Mas já era um grande passo considerando que ele não fazia nada.

-E você Sasuke? Como se sentiu quando ela quis ir embora? 

-Desesperado - Na verdade foi medo, ficou aterrorizado, mas ele não diria isso.

-Entendo - Fez suas anotações. - Agora vamos para o tópico de hoje: filhos.

Os dois se aproximam.

-Vocês a planejaram? 

-Sim, mas tivemos muitas complicações - Sakura explicou. -O anticoncepcional que eu tomava era forte demais para mim, tentamos por um ano até conseguir ter Sarada. Agora não tomo anticoncepcional algum.

Sasuke concorda com ela.

-Então planejam ter mais filhos- Afirmou.

Os dois se olharam envergonhados, não falavam sobre fazia muito tempo.

-Sim - Sakura respondeu. Sasuke apenas ficou mais rabugento que o normal.

-Não sei como vamos ter filhos, já que não transamos faz uma eternidade - Resmungou. 

Sakura passou de vermelha para roxa. Como ele ousava falar daquela forma? Tsunade apenas riu, a situação estava cômica.

-O tópico sexo ficará para semana que vem, acredito. Vamos por etapas - Falou. - Quando planejam ter outro filho?

Sasuke olhou atento para Sakura. Atento até demais, com os olhos arregalados e tudo. Para ter um filho era necessário fazer sexo, e sexo era o que eles menos faziam. Aguardaria a data ansiosamente. Não importava o motivo, para ele sexo era sexo.

-Ainda não sei - Respondeu, fazendo a expressão esperançosa do marido desmoronar.

-Entendo - Anotou. - Agora sobre o nascimento de Sarada, como foi?

-Dolorido. Fiquei um dia inteiro sentindo as dores das contrações, mas no final eu não dilatei nem um pouquinho. Tive que fazer cesária. 

Abaixou a cabeça.

-Isso incomodou você? - Tsunade incentivou. 

-Demais, eu queria aquela experiência. Sem contar na cicatriz horrorosa que tenho agora - Seu olhar dizia tudo, a cicatriz a incomodava.

Sasuke a olhou extremamente irritado.

-Algo me diz que você tem sua versão dos fatos - Tsunade apontou para o moreno, incentivando-o a falar.

-Foi um dia estressante, era feriado e não tinha nenhum médico no hospital - Respondeu. - Sakura tinha certeza que conseguiria o parto natural, então não chamaram ninguém. 

Continuou após um breve intervalo.

-Justamente naquele dia eu era o médico de plantão, como não conseguiram contatar nenhum ginecologista e obstetra, eu tive que fazer o parto - Suspirou. Tsunade arregalou os olhos de surpresa com a informação. - Não é como se eu não soubesse o que fazer, eu sabia, estudei sobre, só nunca havia feito. Mas não admito que alguém fale mal da minha costura, a minha costura é perfeita!

De todos os motivos que a terapeuta imaginou que teriam irritado o Uchiha, a costura era o último deles.

-Ficou uma cicatriz tão fina que nem dá para reparar - Explicou, olhando para Sakura.

-Não é por ela ser fina ou grossa Sasuke! Ela é vermelha, é uma cor totalmente diferente da minha pele, dá para ver a linha vermelha a metros de distância - Retrucou também irritada.

-Não seja hipócrita, ficou vermelha porque a sua cicatrização foi ruim por motivos genéticos - Respondeu. - Não venha dizer que a culpa foi minha.

-Quando eu falei que a culpa era sua!? - Sua voz soou alta, alarmando Tsunade.

-SEM BRIGAS AQUI - Mandou mais alto ainda.

Os dois obedeceram.

-Continuando. Sakura, eu sinto muito pelo seu plano ter falhado. Sei como o parto é importante na vida de uma mãe - Consolou. - Foi corajoso de sua parte ter feito a cirurgia em Sakura, sei que ficou com medo. Mas deu tudo certo, Sarada está aqui.

Houve uma pausa de silêncio.

-E depois? Como foi sua recuperação? - Perguntou.

-Minha mãe ficou em cima a maior parte do tempo, queria ditar pra mim como eu deveria amamentar, cantar e ninar. Felizmente Sasuke a mandou embora no quinto dia.

A loira ficou surpresa mais uma vez. Ele expulsou a sogra de casa?

-Depois Mikoto, a mãe do Sasuke veio me ajudar. Ela foi perfeita, me ajudou com a comida e organização da casa.

Havia alguém faltando na história.

-E seu marido? Ajudou em que?

Sasuke se afastou um pouco de Sakura.

-Ele me ajudou bastante enquanto teve a licença paternidade, que durou uns cinco dias. Depois ele teve que voltar a trabalhar - Explicou. - Aí ele me ajudava só quando voltava do trabalho, o que não adiantava muita coisa, era só dar banho e fazer dormir. Durante a noite ela acordava muito, às vezes só precisava de chupeta ou colo, nessas vezes Sasuke ficava com ela, mas nas outras eu tinha que amamentar. Foi cansativo.

-Entendo. Por que se afastou de Sakura Sasuke? Esse assunto te incomoda?

Ele balança a cabeça, como quem diz "mais ou menos".

-Eu deveria ter feito muito mais. Não estava presente em vários momentos, como os primeiros passos ou a primeira palavra que ela disse…

Sakura toca o ombro dele, numa forma de consolação.

-Se sente ausente por causa dessas coisas?

Ele concorda com a cabeça.

-E o que faz para se redimir com essas faltas? 

-Desculpe, como? 

Tsunade tira os óculos por um segundo antes de falar.

-Você se sente ausente por passar a maior parte do dia fora de casa. O que faz para se redimir? O que faz para ser mais presente na vida de Sarada? 

Sasuke ficou sem palavras.

-Nada - Falou enquanto sentia uma onda de vergonha se apossar do seu corpo.

-Tem muito tempo para pensar - Tsunade disse. - Faça algo apenas vocês dois, pode ser qualquer coisa. Levar para brincar num parquinho ou play ground… talvez até mesmo brincar da coisa que ela mais gosta em casa mesmo. Mas nunca tente se redimir comprando algo, isso vai apenas causar um vazio nela. 

Sasuke assentiu.

-E você Sakura? Como é a sua relação com Sarada? 

A rosada suspirou. Sasuke imaginou que ela fosse falar algo sobre como elas eram próximas e tudo mais.

-Aquela menina é impossível - Falou.

Sasuke a olha esperando que ela prosseguisse. 

-Ela acorda tão agitada que parece ter comido um quilo de açúcar durante o sono. Briga muito até eu conseguir dar banho e vestir, sempre está bagunçando a casa e jogando brinquedos pelo chão, mesmo eu tendo acabado de arrumar tudo.

Ela continuou.

-Ela chora e berra por horas por motivos bobos, como eu não ter permitido ela beber a água da privada. Isso me cansa. Duas vezes a polícia foi chamada pelos nossos vizinhos por acharem que eu estava maltratando ela! 

Sasuke não sabia de nem 10% do que ela falou.

-Mas quando eu chego em casa e nos finais de semana ela é tão quietinha - Murmurou.

-Sim, ela se faz! Ela fica assim porque você está lá.

Tsunade solta uma risada.

-Uma criança agitada é normal. Eu até diria hoje para vocês fazerem um programa em família, mas acho que não é necessário.

Ela escreve isso no papel antes de dizer.

-Escutem! Vocês têm tempo para muitas coisas, sair para a terapia, sair para o trabalho, sair para a terapia individual… dessa vez eu sugiro que saiam apenas os dois, como um casal.

Os dois trocam olhares confusos. Por que sairiam de casa para ficar juntos se podem ficar juntos em casa?

-Eu sei o que estão pensando. Para que sair de casa? Eu digo sempre a mesma coisa, o casal se acomoda, se força a entrar em uma rotina e perde todo o romantismo.

Ela prosseguiu.

-Vocês devem se esforçar, Sakura deve se arrumar para seu marido, e Sasuke deve se arrumar para sua esposa. Não é porque casaram que não devem mais agradar um ao outro.

Ela bebeu um pouco do café antes de continuar.

-Deixo a critério de vocês o lugar para onde vão. Eu aconselharia sair para um jantar, mas cada um sabe os seus gostos para um encontro. Ah, menos cinema.

Sasuke a olhou confuso. Era justamente o que queria fazer.

-Por que não cinema? 

A terapeuta o olhou de volta, séria.

-O objetivo é ficarem juntos, conversarem. Isso não é possível em um cinema.

Os dois se levantaram em conjunto, mas perceberam a mão levantada de Tsunade.

-Antes que saiam, digo para virem preparados semana que vem. Terá dois tópicos: Sakura e sexo.

Sakura fica pálida imediatamente.

-Nos concentramos muito em Sasuke, mas ele não é o único que erra.

 (...)

Sakura estava mais estressada do que nunca.  Era sábado, teve que pedir para Chiyo, a babá para cuidar de Sarada à noite para que os dois pudessem sair. Não fazia parte do seu contrato cuidar da pequena durante a noite, então teriam que pagar a mais.

Usava um vestido preto com várias flores minúsculas brancas, era cheio de babados. Nos pés colocou uma sandália simples, sem salto, e deixou o cabelo curto solto. Tudo isso totalizava num visual romântico e simples, não acreditava que Sasuke fosse a levar num lugar requintado.

Ele por sua vez usava um smoking completo da cor preta. Ela até perguntou se não deveria trocar de roupa, já que ele estava tão formal e ela tão descontraída, mas ele disse não ser necessário.

Sakura quase teve um treco quando ele parou o carro no restaurante mais caro e mais chique de Konoha. 

-Diz pra mim que nós vamos comer cachorro-quente ali, por favor - Apontou para o outro lado da rua onde tinha um food truck.

-Não, por que? - Perguntou visivelmente confuso e perdido.

-Eu não estou com roupas adequadas! Se você falasse que viríamos aqui, até marcar horário no salão de beleza eu teria marcado! 

Sasuke revirou os olhos.

-Você está linda, para de ser maluca - Resmungou.

Sakura reparou algo na frase dele. Ele disse que ela estava linda, pela primeira vez. Esperou alguns segundos antes de sair do carro, sentia que iria chorar igual um bebê a qualquer segundo.

-Que foi? - Os olhos de Sakura estavam vermelhos.

-Nada… - Respondeu.

Quando entrou no restaurante, Sasuke foi falar com o responsável pelas mesas. Enquanto isso ela olhou em volta, todas as mulheres estavam usando vestido de gala semelhante ao que ela usou no aniversário de Hinata.

-Que droga… - Maldita hora de querer ser simples. Nunca na vida iria imaginar que Sasuke se esforçaria nesse encontro.

-Vamos - Pegou a mão dela. Sentaram em uma mesa um pouco mais afastada das demais, em um lugar mais reservado. 

O cardápio era lindo, cada canto daquele lugar era lindo.

-Eu acho que vou pegar o pene mignon, e você? - Sasuke chamou sua atenção.

Ela não havia escolhido nada, estava muito ocupada observando a decoração vintage do lugar.

Olhou rapidamente para o cardápio, não sabia o que era metade daqueles ingredientes. E o pior de tudo era que não tinha preço em nada.

A garçonete voltou antes mesmo que ela pudesse escolher.

-Sakura? - Sasuke a chamou assim que pediu o que ele iria comer, junto com um vinho de um nome que ela não sabia nem pronunciar.

-Ah, eu vou querer esse frango com batatas - Apontou para o cardápio.

Quando a garçonete saiu, Sasuke a olhou incrédulo.

-Pensei que soubesse sobre essas coisas - Apontou para o cardápio. Reparou muito bem que ela estava perdida olhando para tudo aquilo.

Sabia que ele se referia a vida de luxo que tinha com seus pais.

-Meus pais sempre pediram coisas para mim, arrumavam minhas roupas também - Explicou. - Nunca tive que perder tempo aprendendo.

-Entendo.

Quando o vinho chegou, ela bebeu com avidez. Era doce e ao mesmo tempo forte. Seu tipo preferido.

-Por que me trouxe aqui? - Sakura quis saber. - Nunca fomos para lugares assim.

Ele colocou a taça na mesa.

-Pensei que era o tipo de lugar que gostava de frequentar - Considerando a vida anterior dela, aquele lugar não era nada se comparado aos restaurantes chiques que ela frequentava em Paris. Uma legítima patricinha, era assim que a chamava antes de se apaixonar por ela.

-Era o tipo de lugar que eu frequentava, mas acho que deixei claro no começo do namoro o que eu curtia fazer.

Ele lembrava que o "primeiro encontro" dos dois foi após o expediente de trabalho. Não tinha ninguém mais, apenas eles e o chapeiro. Foi quando Sakura pediu para ele fazer dois hambúrgueres, batata frita e dois milk shakes. 

Comeram e depois tiveram que continuar trabalhando na limpeza, mas mesmo assim foi especial.

O prato chegou, e para a surpresa de Sakura tinha um mini pedaço de frango com dois pedacinhos de batatas em volta.

-Tá de brincadeira comigo - Resmungou.

Sasuke achou graça, restaurantes como esse eram assim mesmo.

-Quer ir para outro lugar? - Sugeriu.

Sakura concordou.

-Vamos assim que comer esses petisquinhos - Riu.

(...)

Sasuke estava no banco do carona, Sakura que estava dirigindo. Nesse momento eles estavam num lugar distante da cidade, não tinha ninguém, nenhuma casa ou estabelecimento. Apenas a rodovia.

-Para onde estamos indo? 

Sua esposa lança um olhar maroto para ele.

-Não reconhece essa estrada?

Sasuke encolheu os ombros, mostrando que não.

-Não está com medo que eu mate você e desove seu corpo dentro do mato, está?

Sasuke se arrepiou com o comentário dela. Não tinha esse medo, mas ouvi-la falando essas coisas com o tom de voz meigo era um pouco assustador.

Não tinha nada de especial, era apenas uma estrada com árvores em volta.

Mas quando passaram por um posto de gasolina abandonado ele reconheceu.

Logo mais, Sakura estacionou ao lado da lanchonete em que trabalhavam.

-Que nostalgia - Comentou. Foi ali que eles se apaixonaram.

Sakura apenas sorriu, entrelaçando as mãos e entrando no local.

As mesas e assentos estofados cor-de-rosa ainda estavam lá, o grande balcão verde água também. Na estufa tinha alguns pastéis já prontos. Pela janela que dava para a cozinha podia se ver o chapeiro, filho do dono do local. No caixa havia uma mulher com cabelos curtos pretos e vários piercings no rosto, parecia estar entediada.

Vários bêbados já estavam dormindo e babando no balcão, enquanto alguns motoristas e caminhoneiros comem nas mesas. O cheiro de cigarro era fortíssimo, mesmo não tendo ninguém fumando dentro do lugar.

Por sorte, a mesa do então "primeiro encontro" estava vaga, e logo uma garçonete loirinha veio anotar o pedido.

Sakura pediu as mesmas coisas de sete anos atrás, estava super animada.

Fazia muito tempo que eles não se divertiam tanto, mesmo que não conversassem a todo o momento. Em dado momento, Sakura colocou uma música que sempre escutava quando trabalhava ali: jealous rock. 

-O hambúrguer daqui continua seco - Reclamou.

-Para de ser chato - A rosada retrucou. - Se estivesse mais úmido, pode ter certeza que ia ser de cuspe.

Eles não duvidavam nada do chapeiro Yuri. Ele fazia isso sempre que um cliente enchia o saco.

No final da noite eles entenderam o que Tsunade queria com aquele encontro. Sakura se sentia menos sobrecarregada enquanto Sasuke se sentia mais próximo da esposa.

Fazia um grande contraste. 7 anos atrás ele apenas sonhava com Sakura, apenas ansiava por ela. Agora ele estava lá com a mãe de sua filha, discutindo sobre as flores do jardim que estavam morrendo rápido demais. Como se tudo que sempre quis estivesse realizado. Mas com um porém: Sakura ainda estava distante, não tanto quanto antes, mas estava.

Ela já falava mais abertamente, mas não era a mesma coisa. Ela ainda não era carinhosa e afetuosa. 

Antes de abrir a porta para ela, a beijou. Não foi um beijo selvagem como os outros, mas sim cheio de amor. 



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