História Touch - Capítulo 13


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Categorias Orphan Black
Personagens Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Personagens Originais, Rachel Duncan, Siobhan Sadler "Sra. S"
Tags Cophine, Cosima, Delphine
Visualizações 431
Palavras 2.067
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Ficção Adolescente, Fluffy, Orange, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Capítulo XIII - Ela voltou


Canadá, 2020.

 

Cosima desceu de seu carro na frente da fazenda de seus pais. Sua namorada, ao seu lado, tentava demonstrar algum tipo de apoio, mas nada conseguia apagar o que havia passado naquela cidade dez anos antes de seu retorno. Ela ainda não se sentia confortável para retornar àquele lugar, lembrava-se de cada detalhe do ocorrido e aquilo fazia seu estômago embrulhar. Ela ouviu gritos de duas crianças em sua direção, eram seus irmãos de sete anos. Veera e Ira eram os gêmeos que Siobhan e Walter tiveram três anos depois de Cosima partir, eles amavam a irmã mais velha e estavam contentes de vê-la em sua casa. Sua verdadeira casa.

 

Shay Davydov, a atual namorada e noiva de Cosima, desceu do carro em seguida e foi recebida por seus cunhados, abraçando-os com ternura. Ela amava demais os pequenos e a família Niehaus, que sempre lhe acolhera tão bem. A morena estava diferente: seus cabelos cacheados deram lugar para dreads, no seu nariz tinha um piercing de argola bem discreto e as armações dos óculos estavam trocadas. Ao lado de seus irmãos e de sua noiva, Niehaus entrou na grande casa que vivera por longos 16 anos.


 

— Walter, olha quem chegou! — Siobhan gritou para o marido que estava na cozinha. A matriarca da família saiu correndo para abraçar a filha mais velha que tanto sentia falta. — Shay, você mudou o visual, está cada dia mais linda. — falou abraçando a nora. — Eu não acredito que vocês estão aqui!

 

— Só Alison mesmo para me fazer voltar a essa cidade… — Cosima bufou um pouco, como uma criança mimada fazendo as coisas à contra-gosto. — É uma ocasião importante para minha amiga, então não tem motivo para não vir.

 

— Onde está a minha bióloga favorita? — Walter gritou correndo em direção a filha para abraçá-la, causando um pouco de ciúmes em Veera e em Ira.


 

Dez anos longe da cidade, dois anos sem ver os pais pessoalmente. Cosima estava ocupada demais com o começo de sua tese de doutorado que pretendia entregar o quanto antes. A morena mal tinha tempo para namorar, mas conheceu Shay pouco tempo depois de iniciar seus estudos e encontrou nela um conforto que nunca pensaria que encontraria novamente. Davydov sabia dos fantasmas da noiva e entendia a razão de Niehaus ser tão compenetrada em sua carreira acadêmica.


 

— Quer conhecer o quarto onde eu dormia quando pequena? — a morena perguntou para a noiva com um sorriso fraco em seu rosto.

 

— Mas filha… — Siobhan parecia hesitar um pouco ao tocar naquele assunto tão delicado. — Combinamos de trocar seu quarto com o quarto da Veera, lembra? Trocamos até a mobília…

— Eu esqueci… Ainda posso te mostrar toda a fazenda… Eu quero que conheça Frida, ela é a melhor vaquinha que você conhecerá. — Cosima se animou novamente ao se lembrar dos animais que tanto adorava.

 

— Claro, meu bem. — Shay respondeu entusiasmada.

 

[...]


 

— Não precisa se preocupar, oficial Childs, é apenas uma gripe. Logo, logo ele vai poder voltar as atividades normais. Eu recomendo muita vitamina C e essa medicação aqui. — a loira passou o papel com uma letra rabiscada. — E bastante repouso. — deu ênfase na palavra bastante a fim de que o menino escutasse em alto e bom tom.

 

— Obrigada, doutora, mas pode me chamar de Beth… Formalidades apenas quando eu estiver no serviço, além do mais, sou colega de trabalho do seu marido… Acho que não precisamos mais dessas formalidades.

 

— Então me chame de Delphine. — sorriu para a morena de longos cabelos lisos. — Entendeu, John? — virou-se para o menino que estava bufando um pouco, o que se tornava uma atividade difícil com seu nariz corizando. — Não pode jogar bola na chuva, meu bem. — ficou abaixada para ficar na altura do garotinho que estava com um biquinho em seus lábios. — Sua mamãe vai cuidar de você, está bem? Você vai poder brincar logo.

 

— Mais uma vez, muito obrigada! Principalmente por vir me atender quando seu turno já acabou, mas eu realmente fiquei preocupada com ele naquele estado febril. Eu sei que você tem suas obrigações com Robin, mas eu não tenho palavras para agradecer. — a policial foi sincera esboçando um largo sorriso.

 

— E não precisa. Eu sempre gosto de atender crianças! — Cormier sorriu de volta, entregando para o garoto um pirulito de laranja.


 

Quando Beth Childs saiu do consultório, Delphine sorriu para si se lembrando da primeira vez que Robin tivera uma gripe… Ela ficou totalmente atordoada com o pequeno resfriado do garoto que esqueceu de sua formação. A loira estava onde queria, tinha se formado em medicina para ajudar as ações solidárias de François. Não era exatamente o que ela queria fazer, mas aceitou qualquer coisa que não fosse a teologia.

 

Cormier tirou seu jaleco e pegou sua bolsa, andando até sua casa. Apesar dos grandes privilégios que sua profissão lhe oferecia, ela gostava das coisas simples e de desejar boa noite aos moradores da cidade que há 10 anos atrás lhe condenou por algo tão simples e sincero. Sua casa não era tão longe da clínica, ela conseguiu comprar sua casa perto da estrada que levava para Toronto… A cidade dos seus sonhos.


 

Quando abriu a porta branca foi recebida por Robin pulando em seu colo. Delphine só tinha se ausentado por duas horas, mas já era o suficiente para o garoto de cabelos loiros sentir ausência da mãe.

 

— Seu pai ainda não chegou? Eu devia ter te levado comigo, filho. — ela apertou o menino em seus braços, protegendo-o.

 

— Está tudo bem, mamãe. Eu sou um homem agora. — o menino soltou do abraço esboçando uma cara máscula para a mãe. — John está melhor? — perguntou do melhor amigo, preocupado com a situação.

 

— Sim, meu bem. — Delphine deixou o menino sentado no sofá, sentando ao lado dele. — Vocês são teimosos, brincaram no meio da chuva… — estava preparando o sermão que daria no menino, mas foi interrompida pelo barulho da porta abrindo.

 

— Boa noite! — Paul disse correndo para abraçar o filho, fazendo Delphine revirar os olhos. — Papai trouxe aquela bala que você tanto gosta.
 

— Que ele só comerá depois do jantar, não é? — olhou para o menino, repreendendo-o um pouco, mas soltou um sorriso logo em seguida. — Eu soube que Charlotte deixou o jantar pronto.

 

— Ela deixou, ela só precisou sair mais cedo porque o vovô está um pouco doente. — falou olhando para os pés, um tanto apreensivo.

 

— Vai ficar tudo bem, campeão. O vovô é forte, você vai ver. — Paul tentou confortar o filho.


 

Delphine e Paul foram até a cozinha separar os pratos do jantar. Charlotte havia preparado uma macarronada simples, mas a irmã mais nova de Delphine tinha uma mão culinária e já era o suficiente para a família fazer sua refeição.


 

[...]


 

— Como você está? — Paul perguntou a sua esposa depois dela trocar sua roupa, preparando-se para dormir. — Em relação ao seu pai, não desvie do assunto…

 

— Eu não sei… Ele ficou totalmente abatido quando Rachel se foi, mas agora ele está com a Virginia… Eu pensava que ele estava mais estável, ele nunca foi violento com Charlotte e isso nunca mudou, mas é preocupante saber que ele está doente… Ele é meu pai. — despejou suas palavras rapidamente, fazendo Paul analisá-la melhor.

 

— Tem certeza? Você quer visitá-lo amanhã? — o delegado perguntou olhando fixamente nos olhos cor de âmbar.

— Acho que não. — foi sincera, desligando a luz do seu abajur e cobrindo seu corpo. — Não se esqueça do casamento de Alison na próxima semana, ela mandou uma mensagem hoje pedindo a confirmação, acho que ela tem medo que ninguém vá…
 

— Nós iremos. — Paul também desligou o abajur de sua cabeceira, fechando os olhos cansados rapidamente, pegando no sono.

 

[...]

 

— O que achou da casa? — Cosima perguntou a sua noiva, abrindo a porta do quarto de visitas e jogando sua mochila por cima da cama. — Desculpa pela demora do jantar, mas meus pais insistiram em me esperar…

 

— Eu amei cada cantinho dessa fazenda, especialmente Frida… Você não tem que se desculpar, sua família precisava desse momento com você e se esqueceu que agora você é vegetariana. — a loira de franja respondeu, colocando sua mala de carrinho no canto do quarto. — Além do mais, essa janela tem uma vista linda para o portão da casa.


 

Cosima sorriu. Adorava a vista da antiga janela, que, agora, pertencia a Veera. Gostava do cheiro das folhas pela manhã depois de uma noite chuvosa, gostava do barulho dos arbustos em sua janela de vidro… Amava cada detalhe, mas aquele cômodo causava más lembranças a morena, e ela combinou de trocar o quarto assim que seus irmãos nasceram.

 

Niehaus não precisava de um quarto naquela fazenda, concordou em ceder o cômodo para a irmã, deixando o quarto de hóspedes intacto. Ela prometera a si que nunca mais pisaria na cidade, mas Alison Hendrix era uma pessoa extremamente difícil de contradizer e o casamento da morena de franja com Donnie era um dos maiores eventos e em memória aos bons momentos, a morena de dreads acabou cedendo.

 

Shay foi tomar um banho rápido enquanto Cosima checava suas redes sociais. Scott estava namorando há três meses com Brie e só chegaria no dia do casamento devido aos seus compromissos com a universidade. Niehaus amava sua namorada, fazia questão de mostrar o quanto era orgulhosa de poder ser quem era, sem julgamentos ou repressão.

 

Após se mudar para Toronto, Cosima travou uma guerra consigo mesma. Tentando se descobrir e definir uma identidade para apresentar ao mundo. Foram meses tentando superar o trauma que a fizera se separar de Delphine e, quando o fez, percebeu seu lugar no mundo. Foi uma questão de tempo para Niehaus começar a frequentar grupos de militância LGBTQ+ e perceber seu lugar lutando contra as injustiças sociais que assolam o mundo.


 

— O que você está vendo? — Shay perguntou assim que saiu do banheiro, enrolada em uma toalha branca.
 

— Estava falando com Scott. Ele só vai poder vir no dia do casamento, ele precisa entregar a tese dele… Brie está em semanas de projetos também… — Cosima suspirou, decepcionada por seu melhor amigo chegar apenas no dia que estava marcado o evento. — O que achou do banheiro? A água estava boa? — perguntou preocupada. Sempre gostou de oferecer uma excelente estadia para todos e não seria diferente para sua namorada.

 

— Eu preferia que você estivesse comigo. — Shay esboçou um sorriso sexy, fazendo Niehaus revirar os olhos, sorrindo em seguida.

 

— Você sabe que aqui não… — mesmo sabendo que sua namorada estava brincando, Cosima queria ter a certeza que Davydov havia entendido toda a energia que circulava naquele lugar.

 

— Eu sei, Cosima… — foi a vez da loira revirar os olhos, mas sem esboçar nenhum sorriso em seguida.

 

— Pois bem, irei tomar meu banho agora. — a morena de dreads se levantou, indo em direção a suíte.

 


Dentro do box do banheiro, Niehaus pode descarregar o peso das lágrimas que carregou desde que desceu de seu carro. Mesmo 10 anos depois de tudo que a fizera sair da cidade antes do planejado, ela não estava pronta. Se perguntava se um dia estaria pronta para visitar o lugar e conversar com todos normalmente, sem se sentir tão culpada. A morena não entendia, já deveria ter superado os últimos momentos na cidade, mas sempre se sentia arrastada por uma correnteza que não podia nadar contra.

 

As gotas do chuveiro misturavam-se com as lágrimas salgadas em todo o rosto da morena. Ao fechar os olhos, Niehaus podia ver muito bem os rostos que tanto lhe assombram… Via a figura angelical de Delphine com seus 17 anos chorando totalmente assustada com toda a situação que se encontrava, podia até mesmo enxergar seus pais preocupados com toda a situação...

 

Cosima ouviu batidas na porta do banheiro. Estava dentro dele há muito tempo? As batidas serviram para ela despertar do transe de dor em que estava envolvida. Ela podia ouvir a voz de Shay fracamente lhe chamando, sorriu para si mesma ao se lembrar da sua namorada encantadora. Ela girou a válvula do chuveiro, fechando-o e se enrolando numa toalha.

 

Niehaus vestiu um pijama e Davydov percebeu os olhos vermelhos de sua noiva, mas pensou que seria ainda pior tocar naquele assunto tão delicado para Cosima. Esperou a morena deitar-se na cama para abraçá-la, inalando o pescoço da amada e apagando a luz do seu abajur. Niehaus não falou nada, apenas segurou mais forte, apertando seu corpo no de Shay. Pelo que parecia, Cosima teria uma longa jornada para tentar esquecer tudo que lhe aconteceu antes de Toronto.

 


Notas Finais


não, não ficou faltando um capítulo pra esse, o formato da história vai ser fragmentado e ao longo dela eu vou dar dicas do que aconteceu entre as duas

para quem acompanha closer, o capítulo sairá na segunda

para quem for fazer enem amanhã, boa prova! eu acredito no seu potencial e tenho certeza que os filhxs de cophine vão arrasar na prova de amanhã!

peço perdão pela demora do capítulo de hoje e não se esqueçam que tem vaga no grupo do whatsapp (se você mandou o número e eu não adicionei foi porque o spirit apagou :/)


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