História Touch My Body (SasuHina) - Capítulo 8


Escrita por:

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, TenTen Mitsashi
Tags Ewellein, Hinasasu, Hinata, Hinnacrf, Naruto, Romance, Sasuhina, Sasuke
Visualizações 735
Palavras 4.883
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oioioie <3
Esse capítulo, eu achei que ia demorar mais, mas consegui arrumá-lo hoje ainda pra liberar logo pra vocês.
Desde já, eu agradeço pelos comentários que vocês tem deixado assim como os favoritos <3 Muito obrigada <3
Sou muito grata <3 Vocês estão me apoiando muito <3
Quase 50 comentários e 90 favoritos é muito gratificante <3
E espero ver mais comentários e mais favoritos <3

Tenho várias coisas pra citar, mas citarei algumas aqui e outras nas notas finais.
Passem lá <3

-- Touch my body = Toque o meu corpo
-- Esse capítulo pode ser um pouco mais pesado e triste :/ Alerta aí
-- Façam das notas de Shinomiya, as minhas notas. É sério, pessoal. Quando vocês lerem as palavras dele, vocês também estarão lendo as minhas para vocês <3
-- Todas as capas foram mudadas mais uma vez e_e Na real, tenho medo da questão de direito autoral das imagens, prefiro algo mais simples.
-- O nome desse capítulo seria: Touch my Body [1/2], mas o site não me permite esse [1/2], então precisei trocar para Revelações;
-- Ignorem a falta do cedilha na capa do capítulo, não tinha como colocar e o Ç normal ficaria feiosão ali D:

Boa leitura, pessoal, espero que gostem, de verdade <3

Capítulo 8 - VII - Revelações


Fanfic / Fanfiction Touch My Body (SasuHina) - Capítulo 8 - VII - Revelações

 

Touch my Body

Capítulo 07 ~ Revelações

 

— O… O manuscrito?

— O próprio. — Foi a única coisa que ouviu de Sakura antes de se despedir e correr para o prédio.

~ x ~

Sem a intenção de ser discreta, Hinata adentrou a Editora Konoha como um foguete. O som agitado dos saltos em atrito com o piso denunciava o quão apressada estava e, pelas escadas mesmo, ela avançou rumo ao terceiro andar. O manuscrito que Sasuke havia deixado sob sua responsabilidade permanecia no seu escritório e a Hyuuga precisava dele urgentemente.

Ao escancarar a porta sem o mínimo de cuidado, a moça de olhos perolados deparou-se com Naruto sentado em sua cadeira como se estivesse na própria presidencial. As íris claras passearam por todo o cômodo avistando, sobre a mesa, o robusto envelope já aberto pelo Uzumaki.

— Naruto? — chamou-o visivelmente incomodada com a presença do chefe.

Com um sorriso largo, ele se virou para ela no mesmo instante.

— Hinata-chan, você voltou. — festejou simpático se levantando da cadeira. — Fiquei preocupado.

— O que faz aqui no meu escritório, Naruto-san? — Um tanto ríspida, a mulher cruzou os braços à espera de uma resposta.

— Queria recebê-la de volta. — explicou-se encontrando o olhar duro da Hyuuga. — O que foi?

— Foi você, não foi? — O semblante da morena fechou e o loiro se viu encurralado.

— Desculpa, eu não estou entend…

— Não se faça de idiota, Naruto! — Ela aumentou o tom da voz. — Sasuke não tinha outro amigo aqui! Você era o melhor amigo dele! — O timbre permaneceu firme. — Por quanto tempo contou mentiras?

Sem possibilidades de esquiva, o Uzumaki abaixou os olhos e passou a encarar o chão escuro. Fez silêncio por alguns segundos matutando o que poderia responder, mas já era tarde demais, não existia chance alguma dela acreditar nas suas histórias e, já que ela não acreditaria, tocaria diretamente onde mais doía.

— Ele não merecia saber sobre você! — bradou como se aquela fosse a sua cartada final. — Ele a fez sofrer!

— E você também me fez! — devolveu exasperada. — A sua consciência não pesou? O Sasuke confiava em você! — Nervosa, ela soltava tudo que permanecia engasgado na sua garganta. — E você escondeu tudo! Como você conseguia dormir tranquilo sabendo de todo o sofrimento dele? Você escondeu as inúmeras vezes que o meu amor, o meu único amor, procurou por mim! — Enfatizou bem para que não houvesse dúvida.

— Que inferno! — grunhiu atingido. — Eu sempre te amei, Hinata! — Inconformado, ele se declarou. — Eu te amava desde que te conheci! — Entredentes, ele confessou com uma irritação aparente. — Maldita foi a hora que eu o convenci a ir comigo naquele festival! — Deu alguns passos na direção da Hyuuga. — Você só enxergou aquele maldito cheio de defeitos quando eu… Eu, Hinata, eu era o único que queria ser visto por você!

— Fique longe! — Ela gesticulou impondo distância. — Não se aproxime!

Por mais que Hinata ordenasse, o Uzumaki se julgou incapaz de obedecê-la. À medida que ela corria porta afora, ele aumentou a velocidade dos passos e, segurando com uma mão no batente da porta, o rapaz se esticou, a agarrando pelo pulso com a outra.

Por ser fisicamente mais forte, puxou-a de volta para ele, a recebendo em um abraço apertado, carregando-a para dentro do escritório mais uma vez. As suas íris azuladas encontraram a claridade das dela visivelmente assustadas, mas ele não podia — e nem queria — deixá-la ir. Sasuke não a merecia, nunca a mereceu.

Com os seios fartos espremidos contra o seu peitoral, ele salivou como nunca ao constatar que, além de deliciosos, eles também eram incrivelmente macios, o que já era esperado. Atento, imaginou que a Hyuuga pediria socorro ao vê-la encher os pulmões de ar, contudo, obviamente, ela não gritaria… E como seria a melhor forma de calá-la? Ah, claro.

Sem delongas ou qualquer aviso prévio, Naruto uniu os lábios necessitados nos dela, saboreando o gosto adocicado daquela que ele tanto desejava provar. Ouviu-a murmurar sons incompreensíveis enquanto se debatia, lutando para se soltar, mas ele, impassível, apenas empurrou a porta com um dos pés a fechando. Ninguém deveria atrapalhar aquele momento tão aguardado.

Graças ao seu peso relevante sobre o corpo feminino, conduziu-a até que a moça sentisse a parede gelada contra as suas costas. Por mais que ela tentasse de diversas maneiras afastá-lo, havia uma diferença gritante de força entre eles e isso, infelizmente, transformava em zero as suas chances de escapar.

Um tanto animado com o que acontecia, Naruto, em fração de segundos, removeu os lábios dos da Hyuuga e, com um sorriso sádico exposto, sussurrou provocante:

— Você é tão gostosa quanto eu imaginei. — Mordeu o lábio inferior mirando a boca avermelhada dela. — Não vai fugir de mim, Hina-chan.

De cenho franzido, Hinata parecia perplexa com aquele Naruto até então desconhecido, todavia ela não teve tempo de se lamentar, uma vez que o loiro a beijou mais uma vez, agora impondo a sua língua naquele contato forçado e repugnante. Na cabeça do rapaz, ele finalmente havia a roubado e não a soltaria nunca mais.

O Uzumaki largou-se sobre a Hyuuga quase esgotada e deslizou a mão direita pelas curvas que aquele corpo deslumbrante oferecia. Massageou-a pelo quadril, apertou-a na coxa grossa com vontade sentindo a sua excitação ir às estrelas dentro da cueca. Queria mais, queria muito mais. Queria colocá-la de quatro, queria estocá-la fundo como pudesse.

Direcionou os dedos ávidos por debaixo da saia comportada e ela, trêmula e incrédula com aquela situação inimaginável, cravou-lhe os dentes nos lábios com violência, como uma última tentativa, fazendo-o sangrar no mesmo instante. Naruto interrompeu o beijo desfrutando do gosto do próprio sangue na boca.

A doce Hinata poderia ser arisca quando necessário.

— Mesmo que me morda, eu não vou te soltar, Hina-chan. — avisou confiante e desafiador.

O loiro roçou a sua pulsação na altura da barriga da moça, que se viu ainda mais desesperada. Os olhos claros encheram-se de lágrimas e, mesmo apavorada com tudo aquilo, ela juntou forças para negá-lo com veemência.

— Mesmo que me prenda, mesmo que me toque, mesmo que me chame como ele, você nunca… nunca será o Sasu-kun. — cuspiu as palavras com asco. — E eu nunca serei sua como sou dele. — As íris azuladas mostraram estranheza e as palavras pareciam tê-lo atingido. — Naruto, me solte. — As lágrimas, antes acumuladas, escorreram e o Uzumaki desarmou completamente. — Quando o meu melhor amigo se tornou esse monstro?

Estático, o sorriso morreu nos lábios dele. Uma careta esbanjando confusão se desenhou no rosto masculino e, sem demora, ele a soltou. Afastou-se espalmando as duas mãos no rosto e, ao mostrá-lo novamente, desviou o olhar para um outro ponto qualquer. Não queria encarar Hinata, se sentia como um verdadeiro monstro mesmo.

— Me perdoe… — A voz saiu tão baixa que mal dava para ouvi-lo. — Me perdoe, Hinata-chan, eu me descontrolei e… Meu Deus, me perdoe.

Pela terceira vez, ele se desculpou com pesar. Balançou a cabeça diversas vezes reprovando o próprio comportamento e deu alguns passos para trás visivelmente abalado, arrependido e constrangido.

Assistiu a jovem mover-se com dificuldade, ela estava tão assustada que o rapaz se amaldiçoou como nunca em toda a vida. Havia destruído toda e qualquer possibilidade e, agora, a sua única paixão o olhava com desprezo, repulsa, medo, mágoa, tristeza.

Havia esperado tanto o momento em que ela o enxergasse e… quando tinha o foco dela, era daquela forma tão indigna.

— Perdão. — ele murmurou novamente. — Eu juro, nunca mais. Isso nunca mais vai se repetir, Hinata-chan. — Era real, ele nunca mais tocaria um dedo nela.

Embora as pernas não respondessem direito, a Hyuuga atravessou a sala com dificuldade notando o olhar lamentoso de Naruto a acompanhando. Apossou-se do envelope robusto, o abraçando com um carinho nítido, como se aquilo tivesse o poder de confortá-la e acalmá-la. Sasuke… Só Sasuke.

Com o semblante decepcionado, ela refez todo o trajeto novamente optando pelo silêncio. Não pretendia e nem responderia aos pedidos de desculpas do Uzumaki. A morena apenas abriu a porta e deixou o escritório certa de que não voltaria atrás… Certa de que aquela seria a última vez que passaria por ele…

— Eu me demito.

~ x ~

Triste, a Hyuuga seguiu para casa depois de olhar, pela última vez, o prédio da editora Konoha. Jamais voltaria sozinha àquele lugar, e talvez pedisse a Ten-chan que a acompanhasse quando viesse assinar os documentos da rescisão.

Teria de abandonar o projeto de Sasuke, e não pretendia contar para ele o motivo da sua saída, no entanto, muito provavelmente, ele arrancaria dela de qualquer maneira. Aliás, Hinata duvidava muito que o projeto dele permanecesse com Naruto após aquilo. Impossível.

Já no apartamento, ela se sentia um pouco mais calma. Nada melhor do que a segurança da sua própria casa. Mesmo que tivesse total consciência de que deveria denunciar o loiro, ela não o faria. Estava errada, claro que estava, mas nunca mais chegaria perto dele de novo.

Depois de lavar diversas vezes o rosto, a única coisa que queria, agora, era tomar um café quente, se acomodar no sofá e esquecer aquele péssimo dia ocupando a sua mente com algo mais produtivo como o manuscrito da Touch my Body. Aliás… Touch my Body soava muito… intenso… para o título de um livro de romance.

Viu-se nervosa como uma adolescente quando pensou na tradução daquilo… Uma proposta, no mínimo, ousada… As bochechas avermelharam, ela engoliu em seco e o estômago revirou como nunca. Suas mãos começaram a suar e ela buscou coragem para virar a página, que consistia apenas no título todo em maiúsculo e centralizado. Bem simples.

Depois de muita hesitação e autocontrole, Hinata prosseguiu encontrando uma pequena introdução escrita à mão, com caneta preta, o que já era uma das marcas registradas da autora. Tratavam-se das primeiras palavras de Sasuke aos seus leitores. Ele era realmente misterioso, uma caixinha de surpresas, e ela se via como uma tremenda sortuda por tê-lo ao seu lado.

As íris claras, atentas, passearam pelo breve texto e ela se pegou namorando a caligrafia perfeita do Uchiha, que contava, como um bônus, com a comum assinatura de Shinomiya no final.

 

“Eu, como leitora assídua de diversos contos extraordinários, não acredito que esta história venha para ser inovadora… Pelo contrário, ela foi construída para ser algo simples que qualquer um pode ter vivido em algum momento das suas vidas.

Acredito que ela seja mais comum do que se imagina, no entanto ser mais comum não a deixa menos pesada. E o peso emocional que a envolve é enorme para mim.

Experimente se encarar como o protagonista e, quem sabe, o peso que falo recaia sobre você também.

Por amor, as pessoas fazem loucuras e talvez essa tenha sido a dele.

Shinomiya”

 

Um arrepio percorreu toda a espinha da Hyuuga ao mesmo tempo que a curiosidade crescia, sem controle, em seu interior. O que ele queria dizer? Que tipo de loucura viria naquele texto? Talvez a loucura citada fosse… o próprio livro?

Desceu mais um pouco, cruzando com algo que, ali, funcionava como um prólogo curto, bem curto, composto por um conjunto de diversas frases. De maneira inesperada, o coração acelerou quando leu a primeira palavra… A palavra que dava início a tudo que viria, como uma onda devastadora capaz de lhe causar ainda mais emoções inexplicáveis.

 

Traição: Quebra da fidelidade prometida e empenhada por meio de ato pérfido; aleivosia, deslealdade, perfídia.

Infidelidade no amor.

[...]

No brilho daquelas pérolas, ele se perdeu.

Em meio à escuridão, ela o encontrou.

Para todas as escolhas da vida, um preço justo deve ser cobrado.

E, pela sua última decisão tomada, o inevitável se tornou o pior dos pagamentos.

[...]

Como lidar com a traição?

Com o peso da culpa?

E com a saudade?

[...]

Debaixo da chuva forte que insistia em cair sobre eles, o fim já não se tratava apenas de uma opção, mas sim de uma certeza…"

 

O estômago embrulhou mais, o que Hinata julgou ser impossível de acontecer, e os seus lábios entreabertos deixavam claro o seu estado de choque. Automaticamente, lembrou-se de Sakura a indicando o manuscrito e… Caramba! Era sua impressão ou as pérolas se referiam aos seus olhos? A escuridão seria os olhos dele? A traição… ? Era nítido, mas soava tão surreal que não era possível crer com tanta facilidade.

Um livro…? Um livro em forma de perdão?

 

Início

“Como completos desconhecidos, os dois frequentavam a mesma escola e pertenciam ao mesmo grupo de amigos, mas, ainda assim, sequer percebiam a presença um do outro.

Opostos, ele era fechado, rude e arisco, já ela era doce, calma e gentil.

E foi naquela gentileza inocente, repleta de doçura, que ele se viu de joelhos.”

[...]

“O maldito telefone não parava de tocar.

Vencido, ele atendeu a ligação ouvindo o seu melhor amigo, um loiro de olhos azuis, aos gritos do outro lado da linha, explodindo em felicidade.

Naquela noite, última do ano, os festivais enchiam a cidade de belas moças, e era da beleza delas que o garoto animado queria desfrutar…”

[...]

“E, então, no meio daquela multidão de visitantes do templo, a antes invisível do grupo apresentou-se como a perfeição personificada. Vestida tradicionalmente, ela esbanjava meiguice naquele sorriso fascinante capaz de aquecer o coração de qualquer um que o encontrasse pelo caminho.

Como uma presa abatida, ele se perdeu no encanto dela e engoliu o pouco da saliva que restava em sua boca, a sentindo seca. Internamente, se perguntou quais seriam as suas chances de aproximar-se e se viu tentado a descobrir.”

[...]

“Exercendo o papel de stalker protetor, ele prosseguia ao encalço dela apenas para ter a certeza de que nenhum daqueles abutres ousaria chegar perto da preciosidade que ela significava.

Extremamente grato pelo amigo ter arrumado uma companhia feminina, agora ele poderia segui-la à distância, sem tê-lo ao lado para atrapalhar.”

[...]

“E, de repente, sem que ele esperasse, o campo de visão dela se expandiu o revelando. O rosto angelical se iluminou e ela sorriu destruindo todo o psicológico dele, que acreditava cegamente estar bem camuflado.

Apaixonado por aquele sorriso radiante, além da coragem, ele tomou um caminho sem volta, e foi ali mesmo, naquele festival, onde tudo começou...

A primeira troca de olhares curiosos, o primeiro sorriso retribuído, a primeira conversa divertida, o primeiro contato físico necessitado, o primeiro beijo inesquecível… de muitos que viriam…

O primeiro e único… amor.”

[...]

 

— Sasuke… — O chamado saiu falho, embargado e muito, mas muito apaixonado.

Viu o rosto molhar-se involuntariamente com as lágrimas que insistiam em escorrer mesmo sem autorização. Deus, como ele pôde? Aquelas preciosas memórias… Quantas saudades ela sentia daquela época… Tantas saudades.

O ex-namorado, naquela noite, a olhava com tanto carinho que ela não se conteve e abriu um sorriso para ele depois do rapaz tê-la perseguido o festival inteiro. Aliás, o Uchiha achava que ela não o tinha notado, mas ela sabia da presença dele desde o princípio.

Antes do rapaz percebê-la, a Hyuuga já tinha o visto dando voltas na companhia de Naruto. Trajava um quimono em tons escuros que contrastava incrivelmente bem com os olhos ônix, a pele pálida e os cabelos bagunçados típicos dele. Sasuke era o mais lindo de todos.

Pousou uma das mãos no peito numa falha tentativa de acalmar o coração que mergulhava na ternura das palavras. Passou por mais algumas folhas, agora denominadas como “Meio”, que descreviam uma série de acontecimentos em suas vidas à dois. Encontros, segredos, brincadeiras. Tudo, tudo estava tudo ali, exposto da maneira mais singela e amorosa de todas.

— Você é louco. — sussurrou com um sorriso e uma expressão leve no rosto. — E eu sou ainda mais apaixonada por você. — A confissão saiu baixa, muito baixa.

Prosseguiu pulando algumas páginas com a certeza de que as leria mais tarde, com calma. Agora, havia uma única parte em especial que ela precisava encontrar. Muito provavelmente, mais para o final…

~ x ~

Com uma tremenda dor de cabeça, Sasuke acordou dentro do próprio apartamento. Ainda com os olhos pesados devido ao sono, observou em volta e percebeu que os pertences de Sakura já não constavam mais no espaço. Sentou-se, deslizando as mãos pelos cabelos, puxando as lembranças de mais cedo.

O semblante reservado transformou-se em desagrado ao se recordar de que havia feito um escândalo no trabalho de Hinata. Tinha sido muito irresponsável, mas Naruto possuía o dom de tirá-lo do sério. Como ele ousava querer julgá-lo e tratá-lo como um criminoso, se ele também possuía uma parcela de culpa em toda aquela história? Não aceitaria aquilo nunca.

Pôs-se de pé, caminhando instável até o pequeno frigobar existente no canto do quarto. Pegou uma das garrafas de água e, pensativo, sorveu um pouco da bebida enquanto a Haruno passava pelos seus pensamentos antes tomados por Hinata. Ela não havia nem se despedido e, por mais que tivessem rompido, a considerava muito.

Fechou a garrafa e colocou-a dentro do frigobar novamente. Ao encostar a mini-porta, os seus olhos foram atraídos pelo envelope rosado abandonado próximo do seu notebook de trabalho. Ao avistar o seu nome no espaço reservado ao destinatário, reconheceu de imediato as letras de Sakura.

Era para ele.

~ x ~

Depois de tanta imersão no passado graças aos muitos trechos que a traziam tantas lembranças memoráveis, a Hyuuga pôde, finalmente, encontrar o tal dia referente ao problema antigo. Respirou fundo, e a sua atenção começou a deslizar pelas linhas.

 

Fim

“Aquele dia…

Aquele terrível dia seria o último.

O último dos muitos beijos apaixonados, dos muitos abraços apertados, dos muitos laços de união, todavia o amor não… o amor dele seria eterno.”

[...]

“Infeliz, era essa a imagem que ela exibia. Os tempos de alegria e afeto pareciam ter sido abandonados nas semanas anteriores e nenhum dos dois sabia como lidar com aquela situação frustrante.

Brigavam sem motivo aparente e, sem necessidade, se magoavam com duras palavras.

Ele se via completamente perdido, e ela já não o encontrava mais.”

[...]

“Inseguro, afinal ela era a sua primeira namorada, ele resolveu recorrer ao seu melhor amigo, quem mais confiava depois dela. O rapaz era experiente com as mulheres, mesmo que não deixasse isso explícito, e poderia ajudar.

“E, assim, ele o fez…”

— O que você está precisando, meu amigo, é tirar o estresse dos ombros! Sabe, eu conheço alguém que pode te dar uma mão nisso.

“Tirar o estresse?”

— Tá vendo aquela ali? Linda e louca por você. Escute o que estou te dizendo, depois de passar por ela, você estará em outro nível e essa tensão entre vocês vai acabar… Você é homem, tem necessidades e são essas necessidades que estão te fazendo agir diferente.

“Um bom conselho?

Não, era certo que não.”

[...]

 

As pérolas demonstraram um abatimento visível e, por um instante, Hinata ousou duvidar do que lia, no entanto conhecia a verdade mais que o suficiente. Naruto havia a apresentado a sua outra face mais cedo, e Sasuke… Ele seria incapaz de mentir ali.

— Então, foi você, Naruto?! — O monstro se transformava cada vez mais. — Foi você?

 

[...]

“Confuso e pesando sobre a tal proposta, ele pensou em recuar, mas se acharia um tolo perante o amigo que afirmava ser simples. A sua sanidade relutou, contudo ele colocou na cabeça que, talvez, se fosse menos imaturo, poderia entender melhor os sentimentos da sua namorada preciosa.

De resposta, explicou que pensaria um pouco mais sem imaginar o quanto aquele conselho o marcaria, para sempre, da pior e mais amarga maneira possível.”

[...]

“Mesmo sem o aval final, o seu quase irmão deu início aos preparativos. Marcou o encontro com a moça em questão e fez com que tudo estivesse dentro dos conformes.

Quando o envolvido chegou, após algumas horas de afastamento, recebeu o aviso de que aconteceria naquela noite mesmo, na casa dele.

O seu único trabalho seria apenas deixar a porta aberta para a outra.

“Para a outra”

[...]

“Por conta da pressão do momento, ele se viu encurralado.

Faria aquilo mesmo com uma desconhecida só para aliviar a tensão?

Valia a pena?

Quando havia se tornado tão sujo, tão patético?

Resistiu a idéia novamente sentindo o coração, aos prantos, clamar forte para que ele não prosseguisse com aquele plano estúpido, todavia tornou a ouvir do seu irmão que, se continuasse daquela maneira, a tendência seria perder o amor da sua vida…

E perdê-la não era uma opção.

Assentiu.

Tudo bem, seria só sexo.”

[...]

 

— Só sexo? — ela murmurou lamentosa. — Sasuke… seu… imbecil…

Pressionou os lábios enquanto limpava as lágrimas de tristeza. Seria só sexo, então. Naruto sempre se declarando para ela, dizendo o quanto ela era importante e havia sido ele quem organizara um encontro só para sexo do seu ex-namorado.

Tudo fazia sentido. Os motivos de Sasuke, agora, eram mais do que claros. Na época, mesmo ciente de que não era o certo, ele fez. O Uzumaki era manipulador e sabia jogar com as palavras, mas, ainda assim, o Uchiha era tão culpado quanto o loiro.

Quem, em sã consciência, acredita que trair seja uma melhor opção? Ele confiava tanto assim em Naruto ao ponto de não enxergar a gravidade daquilo?

 

[...]

“Próximo de anoitecer, ele seguiu para casa.

Na mochila, carregava algo incomum e no mínimo curioso: um pacote de preservativos. Era um presente que o anfitrião daquela festa havia lhe dado depois de acrescentar que precisaria de muitos deles para suportar a leoa que a outra era.

Ignorante e totalmente desligado, ele não fazia idéia do porquê da felicidade estampada no rosto do loiro, porém, mais tarde, descobriria os motivos de tantos sorrisos.

[...]

Como acordado, ele permitiu que a porta ficasse aberta e se direcionou para o quarto que contava com uma confortável cama de casal. Deitou-se nela buscando limpar a própria mente, mas só conseguia vislumbrar aquele doce sorriso da única que ele amava.

Balançou a cabeça negando para si mesmo as dúvidas que preenchiam o seu coração incerto. Aquilo era para o bem deles. Não amava qualquer outra além da sua namorada, os seus sentimentos pertenciam apenas à ela e a mais ninguém.

O que aconteceria ali ficaria ali, e amanhã seria um novo dia.”

[...]

 

Em meio a uma crise de choro, Hinata soluçava assistindo as próprias lágrimas pingarem sobre o manuscrito, que tremia por culpa das suas mãos instáveis. Por que uma decisão daquela? Por que continuava dizendo que a amava prestes a cometer tal ato?

Ler aquilo, tantos anos depois, tão detalhado e escrito pelo próprio Sasuke doía muito mais.

 

[...]

“De repente, a outra chegou.

Animalesca, voraz, sedenta.

Sexy! Ela estava sexy apenas de lingerie, o que era óbvio para um moleque de dezessete anos, no entanto, o corpo dele travou, a cabeça começou a girar por puro nervosismo e, antes que ele pudesse fazer algo, deu uma desculpa qualquer para se desvencilhar dela e fechou-se no pequeno banheiro embutido no cômodo espaçoso.”

[...]

“Num tom manhoso, ela rolava pelo lençol branco enquanto o chamava pelo nome da maneira mais sensual possível, mas ele se mantinha petrificado, estático. Tinha sido atingido por uma mistura de desconforto, mágoa, rancor, culpa.

Sentia-se diferente do que era, sentia-se cruel.

Como poderia fazer aquilo com a sua garota?

Como poderia olhar para ela depois?

Como poderia abraçá-la, beijá-la…?

Ciente do tamanho daquele erro, ele destrancou a porta confiante de que tudo acabaria ali.

Desviou das mãos melosas que tentavam, a todo custo, tocá-lo.

Ele, definitivamente, não tocaria um dedo nela, e ela muito menos nele.

Se ele tivesse de tocar em alguém e se alguém tivesse de tocar o seu corpo, esse alguém seria apenas a sua doce…

Hina.”

[...]

 

Por Deus!

Hinata desabou. Pela primeira vez, naquele livro de tantas páginas, Sasuke resolveu nomear a personagem e, era ela, era para ela. Não que não soubesse disso, mas… Tinha um nome! Facilmente conseguia compreender o porquê de Sakura demonstrar tanta confusão quando escutou o apelido sair da boca do Uchiha.

Pelo jeito, ela não imaginava que o livro contava a sua história com ele.

 

[...]

“Ele não era hipócrita e muito menos mentiroso. Cogitou traí-la sim, como negaria?

Desejou completar todo aquele plano, mas como seria capaz?

Se arriscaria a perdê-la depois daquilo, e ele poderia conviver com todos os problemas, todos os impasses, mas não com a ausência, com o desprezo, com a rejeição dela.

Ele definharia por dentro, tinha certeza.

Hina era e sempre seria o grande amor da sua vida, e ele jamais seguiria sem ela.

 

— Saia da minha casa. — Afastou as mãos da mulher mais uma vez. — Eu desisti.

— Mas eu estou pronta para você, Sasuke-kun. — Aquele tom o irritava.

— Ouça…

 

Tarde demais, o castelo já estava ruindo.”

[...]

“O som dos passos acelerados pela escada anunciou, para ele, o preço alto daquela tentativa insana.

Hesitante, medroso, como um covarde, debruçou-se na janela, colocando metade do corpo para fora, e sentiu a dor do seu coração se partindo em vários pedaços.

“Hina”

Ela corria desnorteada para a parte de fora da sua residência.

Ela esteve lá, ela havia assistido tudo, ela…

Como explicaria aquilo? Como diria para ela que havia desistido? Como demonstraria o tamanho do seu amor por ela? Como a faria acreditar?”

[...]

“Correu…

— Hey, deixe-me explicar!

 

Correu o máximo que pôde para alcançá-la...

— Não toque em mim! Não encoste! Nunca mais eu quero te ver e nunca mais me chame de Hina… Só me deixe… Só me deixe em paz, por favor.

— Hina! Só me ouça!

 

Mas correr não era o suficiente…

— Desapareça da minha vida.

 

No fim, o preço alto foi cobrado e ela escapou das suas mãos.”

[...]

“E, então, seis anos depois, ele achou que, talvez, o destino estivesse lhe dando uma última chance para reverter os seus erros…

A garotinha de dezesseis anos havia crescido e se tornado uma mulher ainda mais linda.”

x

Editora-san… Ou Hina,

Como pôde notar, a Touch ainda não foi concluída como deveria.

A maneira como ela se desenrolará só depende de você.

 

Shinomiya-san ou Uchiha Sasuke

Como preferir, meu amor

x

 

A partir daquele ponto, só existiam folhas em branco.

A Hyuuga se levantou do sofá com um peso ainda maior nos ombros. As pernas não respondiam ao seu comando, as lágrimas não cessavam, a vontade de gritar não ia embora, na real, a situação só piorava. Andou até a cozinha e encheu um copo de água. Perdida, virou o líquido na boca com tanta velocidade que engasgou-se com ele.

Sasuke tentou… Ele tentou, mas não conseguiu. Os sentimentos falaram mais alto e ele voltou atrás. Não encostou um dedo sequer em outra e, saber de tudo aquilo agora, só a deixava mais desesperada e confusa.

Chorosa, pegou o telefone. Precisava da única que a salvaria agora.

— Oi, Hi-chan! — Ela atendeu e Hinata se acabou em chorar.

— Ten-chan… — Sua voz era embargada, mal dava-se para entender. — Ten-chan, pelo amor de Deus, Ten-chan, me salve. Eu não vou aguentar isso, dói tanto, mas tanto.

— Hi-chan? — gritou do outro lado, apavorada. — O que aconteceu? Onde você está? Hi-chan, me responde!

— Em casa… — Soluçava. — Eu descobri coisas terríveis, Ten-chan… Me sinto tão cul…

— Estou indo! Não saia daí! — E desligou o telefone.

Quinze minutos depois, uma Tenten desesperada invadiu o apartamento da cunhada, que havia deixado a porta encostada para que ela entrasse direto.

— Minha amiga, o que houve? — Segurou-a no rosto olhando bem de perto. — O que te fez ficar assim? — Sua vontade era chorar junto.

— Leia… Leia, Ten-chan… — O manuscrito tremia por culpa do nervosismo dela.

As duas fizeram silêncio e Tenten encarou, atentamente, o papel. Os olhos se arregalaram e a boca abriu-se em surpresa.

— Hi-chan, isso… ? — Viu-a balançar a cabeça, concordando. — Hina? — quase gritou. — Hina? Não é dessa forma que o Sasuke… Não, não me diga que isso é…

— Esse manuscrito é dele, Ten-chan… Ele assina como Shinomiya-san. É a autora do projeto que estou responsável, aliás esse é o projeto. — Pausou, passando as costas da mão pelo rosto, limpando-o. — A história é nossa… Ele escreveu um livro contando tudo, nos mínimos detalhes, e explicando o que aconteceu naquela noite.

— Eu imagino… — Abraçou-a com a intenção de consolá-la. — Eu imagino o que você está sentindo agora, minha amiga.

— O que eu faço? Eu não sei o que fazer… — Queria uma luz. — Você viu? Ele ia, mas não o fez… Ele se arrependeu no último minuto… E…

— O que você tem de fazer é o que você quer. — Sorriu com carinho. — O que você quer fazer?

— Eu… — Encarou o endereço do documento, o mesmo que ela havia ido com Sakura.

Ele estava tão perto…

— Quer vê-lo, não é? — Interrompeu-a ciente de que Hinata se culpava também. — Esqueça, amiga. Acho que já está mais do que provado as intenções que ele sempre teve. Quem escreveria um livro para a ex? Precisa ser muito apaixonado mesmo. — Riu. Era muita verdade. Quem faria tal coisa? — Passe por cima dessa mágoa e corra lá, vai até ele. Se, em seis anos, vocês não se esqueceram, ainda tem dúvidas dos sentimentos que os unem?

Com um olhar confiante, Hinata encheu-se de coragem. Resolveria tudo. Tenten tinha razão, eles se amavam, era óbvio. Com ou sem livro, era óbvio, claro, transparente. Todos possuíam uma parcela de culpa naquela história, Sasuke, Naruto e ela, mas quem nunca errou? Quem nunca se arrependeu?

Os erros servem para ensinar, e Sasuke parecia ter aprendido a lição com maestria.

— Eu vou tomar um banho rápido, Ten-chan… — Pausou rapidamente — E, depois, vou vê-lo.

 

Continua…


Notas Finais


Gente, por favor, me digam D:
O que vocês acharam desse capítulo?
Ele tá me doendo até agora, to quase entrando numa crise nervosa, na real D:
Essa fanfic mexe muito com o meu emocional, e eu não to sabendo lidar e_e

-- Todo e qualquer tipo de abuso DEVE ser denunciado. Isso aqui é uma fanfic, mas na vida real, é outra história. Acho muito importante ressaltar isso.
-- Não tenho nada contra o Narutinho <3 Eu o amo, mas nessa fic, ele estava se encaminhando pra isso :/ Nos próprios capítulos anteriores, os pensamentos e as ações dele já deixavam meio nítido um comportamento do gênero e_e
-- Eu preciso MUITO saber o que vocês sentiram com esse capítulo, de verdade.
-- No próximo, imagino que vocês já tenham uma ideia do que acontecerá -v-

Eu espero, sinceramente, que esse capítulo tenha sido o que vocês esperavam ou que tenha sido agradável, pelo menos x_x
Beijos e até a próxima, se eu não morrer por conta do desespero que to x_x


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...