História Touch the sky - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Amigos De Infancia, Bottom!jimin, Bottom!jungkook, Childhood Friends, Jikook, Jikook!flex, Jimin!bottom, Jimin!jornalist, Jimin!top, Jungkook!singer, Jungkook!top, Kookmin, Namjin, Top!jimin, Top!jungkook
Visualizações 265
Palavras 4.498
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi, oi! Se vc está prestes a ler isso aqui, espero que saiba que eu fico bem feliz, pq essa fic é meu nenê, e é ela que está me mantendo completa ultimamente.

× Todo e qualquer conteúdo exposto aqui é ficcional;
× Os banners são feitos por mim com imagens e fanarts encontradas no Pinterest, créditos aos autores;
× Quem já conhecer as letras de Working e Begin (solos do Jeongguk) terá uma melhor interpretação deste capítulo. Deixarei os links nas notas finais;
× Jikook é mais real q eu;
× Espero que gostem 🌈

Capítulo 1 - (Re)conhecer-te


Fanfic / Fanfiction Touch the sky - Capítulo 1 - (Re)conhecer-te

Jimin havia partido o  ego de Jeongguk ao meio quando decidira não ligar para o cantor depois do reencontro de ambos. Mal sabia das reações que aquilo acarretaria, afinal, o Jeon era um artista de fama internacional; ele deveria flertar com a mesma facilidade com que troca de meias, certo?

Errado.

Jeongguk não era de flertar. Na verdade, mal se lembrava do dia que havia dado tanto de sua atenção para outro alguém como dava ao Park com tanta naturalidade.

Sentado ali, de frente para o loiro, em uma mesa de um bistrô que nunca havia ido – aquela havia sido uma escolha de Jimin –, perguntava-se se seu hyung tinha noção das reações que sempre causou em si. Pois, se tivesse, ele claramente não dava a mínima.

– A cada dia que nos reencontramos, você parece ainda mais alto – confessou ele, Park Jimin, o dono dos lábios mais desejados pelas meninas de Busan na época de sua adolescência. Ele riu baixinho e tirou do Jeon um apertar de lábios meio envergonhado, meio sem saber o que dizer.

Park o deixava tão confuso, sempre o deixou. Nunca questionara sua sexualidade, exceto em alguns episódios de sua vida: nos reencontros com Jimin e sempre que fodia a própria mão imaginando a boca macia do jornalista pelo seu corpo.

Mas, isso já fazia muito tempo. Não era mais um adolescente, não podia deixar essas sensações se apossarem de si novamente.

– Você pintou o cabelo... – observou, fitando atentamente os sedosos fios de tons claros antes acastanhados.

– Sim – confirmou Jimin, afundando os dedos nas mechas e as puxando para trás. Ah, aquilo definitivamente era familiar para Jeongguk. O moreno sorriu ao rever a mania charmosa de seu hyung – Enjoei de mim mesmo e resolvi mudar.

O cantor segurou um pensamento bastante piegas sobre aquele comentário e tentou concentrar-se no que havia ido fazer ali. Não era um encontro, Jimin não havia lhe convidado para matar a saudade. Ele era um jornalista e precisava de uma entrevista. A relação que teriam seria estritamente profissional e não duraria mais do que um dia. Não poderia alimentar expectativas como havia feito um ano antes. Porque, pelo que o Park deixava transparecer, Jeongguk não lhe interessava mais.

– Então, você precisa de uma entrevista? – perguntou, um tanto mais sério, deixando Jimin transparecer um pouco de seu acanhamento. Gostava de conversar com o mais novo. Gostava tanto, que por alguns instantes até se esqueceu do que havia ido fazer.

– Parabéns pela Billboard – disse com um timbre mais baixo que o normal e sorriu. Jeon pôde identificar várias coisas naquelas palavras e naquele olhar. Compaixão e orgulho eram algumas delas – E sim, preciso de uma entrevista. Sei que a BigHit irá fazer uma coletiva de imprensa daqui a alguns dias, mas...

– Você pode me entrevistar – disse o cantor, de forma tão simples que causou surpresa no outro.

– Mas... Eles não proibiram ou algo do tipo?

– Eles estão me devendo muita coisa, não vão me repreender por eu fazer algo que quero somente esta vez.

O faro apurado de ótimo jornalista que Jimin detinha farejou algo bastante intrigante naquelas palavras, o que fez uma pequena ruga se formar entre as sobrancelhas. O timbre do Jeon também levava uma pitada leve de ressentimento e por mais que nenhum dos dois tivesse total conhecimento sobre isso, a entrevista já havia começado. Talvez não a oficial, não a que iria para as páginas dos jornais e para o portal online, mas aquela que serviria para aproximá-los novamente. Aquela que faria Park Jimin (re)conhecer Jeon Jeongguk; o verdadeiro, o de carne, osso e inseguranças; aquele adolescente que o fez sentir tantas coisas em somente um dia e que havia sumido sem mais nem menos, fugindo dos sentimentos que não conseguia frear.

– Você está bem? – demorou alguns segundos para o loiro perceber que havia sido ele a perguntar aquilo. Saíra involuntariamente, sem pensar – Fique tranquilo, ainda não estou te entrevistando – sorriu, passando a confiança que Jeongguk sempre admirou no mais velho, derretendo qualquer bloqueio que o mesmo estivesse tentando colocar entre ambos.

Não que se sentisse ameaçado pelo Park, não. Jeongguk confiava em seu hyung; sabia que nada que lhe prejudicasse seria exposto, mas o problema era que não confiava em si mesmo. Será que estava assim tão transparente o quanto Jimin mexia consigo? Porque podia ouvir no fundo de sua mente a voz de Hobi, seu melhor amigo, lhe chamando de “trouxa” caso não parasse de babar pelo jornalista a sua frente.

– Eu ando… – fechou os olhos e passou os dedos pela testa brevemente, pensando nas palavras certas – com saudades dos meus avós… Não os vejo há certo tempo.

E automaticamente, o coração de Jimin apertou-se trazendo consigo uma expressão preocupada. Gukie parecia tão vulnerável lhe dizendo aquilo… “Não é só quando sorri que parece um coelhinho”, pensou ele, “quando está triste também aparenta ser inofensivo”.

Repreendeu a si próprio por ter aqueles pensamentos, e logo tratou de respondê-lo – Também não vejo meus pais há muito tempo – disse, mordendo a parte interna da bochecha ao tocar naquele assunto. Não lembrava da última vez que tocara no nome daqueles que haviam lhe tido – Algumas vezes, eu… – riu com amargura, afundando os dedos nas mechas aloiradas – muitas vezes… Eu sinto saudades.

Jeongguk não entendeu de pronto a melancolia que apossou a expressão do outro, só soube que aquilo trouxe reações à seu peito. Curiosidade. De súbito, reconheceu que queria saber tudo sobre Park Jimin e desejou ser ele o entrevistador ao invés do baixinho.

– Nós poderíamos… – abriu a boca algumas vezes e tornou a fechá-la enquanto tinha a total atenção do outro – poderíamos ir à Busan… qualquer dia desses…

E por mais que soubesse que não, não poderia voltar à cidade natal, Jimin preferiu sorrir, mesmo que de forma triste, pois naquele momento, a fofura de seu dongsaeng ultrapassava qualquer lembrança melancólica que tivesse.

– Claro – ele sorriu – Poderíamos sim.

 

×

 

– Simples assim? – a voz de Taehyung expressava tanta indignação quanto a forma como seus olhos estavam franzidos e surpresos, e isso não o impedia de realizar suas tarefas sem interrupções. Enquanto conversava com Jimin, que o olhava de maneira repreensiva para que falasse um pouco mais baixo, trocava o cartão de memória lotado de sua câmera por um novo.

– Eu disse que conseguiria a entrevista, não disse?

O fotógrafo posicionou a bolsa que levava sua canon e duas lentes em um dos ombros e fez sinal para que um auxiliar levasse o resto do equipamento de montagem e iluminação para a van que já os esperava em frente ao prédio do jornal. Lançou um olhar para o amigo que dizia “vamos conversar sobre isso fora daqui”, e logo foi seguido pelo mesmo em direção ao elevador.

Jimin estalava os dedos com afinco enquanto sentia o cubículo descer do nono andar ao térreo, sem perceber os olhos debochados de Tae em si. Estava nervoso e isso era nítido, pelo menos para o melhor amigo. Não importava o quanto negasse para si mesmo, sempre teria o mais alto para lhe dizer exatamente o porquê daquelas sensações.

– Você está parecendo as fãs pré-adolescentes do Jeon – debochou, assim que sentaram-se nas últimas poltronas da van, e recebeu de volta um olhar bastante intimidador do mais velho – Ok, parei! – esclareceu, rindo do outro – Voltando ao que estávamos conversando… Realmente fiquei impressionado com a rapidez que conseguiu isso. A agência dele já deixou claro: sem entrevistas antes da coletiva, e… sejamos sinceros, Jiminie, você meio que esnobou o cara um ano atrás.

– Eu não o esnobei! – defendeu-se, no automático. À essa altura, já estavam no trânsito – E isso não tem nada a ver com o que estamos tratando, ok? Sou um jornalista. Pedi uma entrevista e ele me concedeu.

A forma como as respostas do Park, um homem tão gentil, estavam esquivas e nervosas, fazia Taehyung levantar uma sobrancelha, deixando claro que sabia que o amigo estava escondendo algo. Óbvio, não iria insistir no assunto caso aquilo incomoda-se Jimin, mas não precisava fingir que estava acreditando em todo aquele papo ‘profissional’. Afinal, ainda era da paixonite de adolescência do editor que estavam falando.

Felizmente, o Kim ainda conhecia Park Jimin como a palma de sua mão ou as sardas de seu rosto. Bufou, virando-se para a frente e passando a fitar os carros que andavam diante de si, fingindo desistir de tocar no assunto. De canto de olho, viu a expressão do jornalista vacilar e sorriu imperceptivelmente. Não demoraria dois minutos para que soltasse aquilo que queria ouvir.

– Só… Só é nostálgico – atraiu a atenção do mais alto para si e franziu a testa enquanto apoiava o antebraço na janela do automóvel – Ver o Jeon, falar com ele de novo… É como se eu estivesse voltando à Busan, sem ir de fato até lá.

– Espera aí, vocês já se encontram? – questionou rapidamente com tamanha surpresa, e não teve palavras em resposta, sequer um olhar. Não precisava, pois pela expressão pensativa do amigo, já imaginava o que havia acontecido. Agora, tudo estava mais claro. Era por isso que Jimin já parecia tão mexido – Ah, Jiminie, ele rompe tanto a sua zona de conforto…

O editor, por sua vez, soltou um risada curta e áspera dirigindo-se ao outro – Olha quem está parecendo um pré-adolescente agora…

– Estou sendo romântico, admito – sorriu para o loiro – Nunca disse que não era.

– O problema, Tae, é que isso não é um dorama – foi duro e quase se arrependeu ao ver o sorriso quadrado e bonito do fotógrafo sumir – Essas coisas podem dar certo com você, mas não comigo. Jeongguk faz parte de um passado que já deixei para trás. Vamos fazer essa entrevista e acabar com isso, ok?

 

×

 

Notavelmente, todo o determinismo de Park Jimin roía em frente à Jeon Jeongguk.

Já estavam dentro do apartamento do cantor, e céus, era lindo! Lindo não só por ser uma cobertura num dos prédios mais luxuosos de Seul. Lindo, por cada mínimo detalhe revelar algo do Jeon. Para começar, tudo ali expirava minimalismo: as paredes brancas, os poucos móveis no cômodo, a forma elegante com que alguns objetos simples davam charme ao local.

O sofá baixo era de madeira e levava um acolchoado de verde intenso cujo tecido parecia veludo. “Se não fosse, era tão confortável quanto” pensou Jimin, assim que sentou-se. Alguns aparelhos eletrônicos espalhados pela sala contrastavam com a aura do local, mas não faziam do ambiente menos harmonioso. Livros e discos amontoavam-se de maneira organizada em bancadas e criados-mudos; os quadros pendurados eram de paisagens dos mais diversos lugares e pareciam ter sempre alguma característica em comum que Jimin não conseguiu identificar, mas Taehyung sim. Todos eram do mesmo fotógrafo, era nítido para o loiro mais novo.

E ah, não poderia deixar passar os diversos e diferentes vasos de plantas próximos à sacada de tamanho considerável do Jeon, pois Jimin também era um fascinado por ervas. O cheiro característico dessas fizeram-o pensar que ali, dentro daquele apartamento, diferente do ambiente urbano de Seul, o ar era mais limpo.

O auxiliar, que também era o motorista do jornal, terminava de montar os equipamentos de iluminação em um ponto estratégico do cômodo, sendo assessorado por Tae. Enquanto isso, Jimin passava os olhos pela milésima vez nas perguntas que havia formulado para Jeongguk. Estava um tanto nervoso, tinha que admitir.

Como que para confirmar ainda mais seus pensamentos, o Jeon adentrou a sala vindo de outro cômodo interno. Vestia uma calça de tecido bege e uma camisa de seda verde-escuro, com pouca maquiagem no rosto; seus lábios rosados se destacavam em meio à face de pele leitosa. Certo, ele era mesmo bonito, o Park também admitiria isso. O olhar de ambos se encontrou e o mais novo não demorou a sentar-se a seu lado, encostando o joelho no seu de maneira confortável. Lançou um sorriso genuíno para seu hyung, e Jimin pensou o quanto seus instintos estavam traindo sua consciência naquele momento, pois seus dedos formigavam para fazer um carinho naquelas bochechas.

Antes que pudesse dizer algo para dar fim àquele clima – que estava estranhamente confortável –, outro homem fez seus passos serem ouvidos pelo piso de madeira. O Jeon teve sua atenção atraída e o Park saiu do transe que havia se instalado há poucos instantes.

Todos cumprimentaram aquele que se dizia Sejin, o manager do cantor. Ele era alto, maior até que Jeongguk, e aparentava ser um dos mais velhos dali. Jimin se perdeu por alguns instantes na interação que o mais novo trocava com o outro e na forma como seu pomo-de-adão subia e descia enquanto este falava animadamente – muitas vezes, dando leves tremidinhas por uma risada ou outra saída de sua garganta. Definitivamente, não percebeu de imediato quando Jeongguk o flagrou lhe fitando e nem pareceu ouvir Sejin pedindo-lhe educadamente que lhe mostrasse as perguntas que iria fazer.

– … É um procedimento padrão, espero que não se importe.

Aigoo! – exclamou Jeongguk, de forma risonha, atraindo até mesmo a atenção de Taehyung, que estava mais afastado – O Jiminie também é meu hyung. Não precisa se preocupar, Sejin.

A mente do jornalista pareceu dar um pequeno curto-circuito, que logo foi disfarçado – ou, pelo menos, ele havia tentado – pelo sorriso um tanto forçado que foi dirigido ao manager, já que tinha certeza que suas bochechas tomariam uma coloração ainda mais rosada caso encarasse Jeongguk. Sentiu os olhos levados de Tae queimarem seu rosto e não o deu a ousadia encará-lo de volta. No entanto, de uma coisa tinha certeza: havia um sorriso malicioso naquela cara sem vergonha.

O mais velho, Sejin, ajeitou os óculos de grau que levava no rosto e sorriu condescendente, levantando as mãos no ar como sinal de rendição, deixando que os pensamentos voltassem ao dia anterior; “Gukie não estava triste até ontem?”.

Focou o olhar dessa vez no homem ao seu lado, Park Jimin, um exímio jornalista, que pelo que seu dongsaeng havia lhe contado – de forma bastante animada –, fora seu amigo na infância. Era um cara charmoso, isso era notável. E há muito tempo Sejin não via tamanho sorriso na face do cantor; estava intrigado. No entanto, educadamente, disse que precisaria resolver alguns negócios e despediu-se.

Tomando aquilo como a sua deixa, Jimin deixou que o nervosismo – bastante sem sentido, para o mesmo – escapasse por suas narinas num último suspiro. Encarou o Jeon de maneira confiante e rodou os olhos pelo cômodo – Vamos começar?

 

×

 

A primeira parte da entrevista já havia fluído com facilidade. O que o Jeon havia sentido ao saber da liderança na lista da Billboard, alguns detalhes de seu novo álbum, como estava andando a promoção, e demais perguntas padrão, que apesar de repetitivas, precisavam ser feitas.

A segunda parte dos questionamentos viria de forma mais íntima e profunda. Jimin havia escolhido ficar responsável por todas as palavras que seriam publicadas sobre Jeongguk e já havia traçado em sua mente uma linha de raciocínio. Ele queria mostrar o interior do Jeon. Queria respostas sinceras, algo que inspirasse e fizesse os fãs do cantor suspirarem ao ler.

Havia passado a última madrugada estudando as letras das principais faixas do álbum e criando teorias que poderiam ser confirmadas ou não pelo outro. É claro, tinha uma vantagem. Conhecia Jeongguk desde os dez anos, passara boa parte de sua infância com o mesmo e o cantor parecia gostar, especialmente, de escrever sobre aquele tempo.

Havia escolhido duas – não coincidentemente, as que mais lhe tocaram. Working e Begin.

– Antes de fazer o resto das perguntas, queria saber se você se importa em falar sobre a sua família – questionou o jornalista, de maneira suave; queria que o mais novo ficasse o mais confortável possível.

– Sinceramente, hyung – brincou com os próprios indicadores sobre o colo e apertou os lábios num sorriso leve – eu ficaria sim um pouco incomodado em falar com um desconhecido sobre os meus laços mais íntimos – lhe respondeu – Mas, como é você… Pode fazer qualquer pergunta, prometo ser sincero.

O modo como os olhos negros do moreno, bastante grandes e redondos, fitavam seu hyung dizia muita coisa. Dizia tantas coisas que chegava a deixar o Park um tanto atordoado. Não de uma maneira ruim, longe disso. Era só… muito intenso. Jeongguk parecia clamar por uma nova aproximação entre ambos, nunca desperdiçava sequer uma única chance de expressar o quanto estava gostando daquela conversa, especialmente por ser Jimin quem lhe ouvia. Aquilo, pouco a pouco, ia quebrando a concentração que o loiro fazia um tremendo esforço para manter.

E sob click em cima de click, Taehyung ia fazendo suas fotografias fascinado com aquela energia que brotava de ambos. Fotografava pelos cantos do cômodo de maneira extremamente silenciosa, receoso de ser notado e acabar findando toda a aura que os rodeava.

Jimin havia corado um pouco e sorrido para o outro – Bom… escutei seu novo álbum e escolhi algumas composições suas para…-

– Você gostou, hyung?

– O quê?

– Das minhas músicas… – esclareceu ele, bastante interessado em saber a opinião do loiro – Você gosta de me ouvir?

Durante alguns instantes, Jimin não soube o que dizer. Sim, ele amava ouvir Jeongguk. Metade das novas músicas e boa parte das antigas constituíam sua playlist favorita, mas não poderia dizer isso, não é? Não poderia ser tão óbvio. Na verdade, estava com medo do rumo daqueles questionamentos. Eram tão simples, mas tão… íntimos.

Umedeceu os lábios que já pareciam meio secos pelo nervosismo e assentiu brevemente – Claro, eu… eu gosto muito das suas canções, Jeon – viu seu dongsaeng sorrir abertamente, deixando explícito o quanto aquilo havia lhe agradado e tossiu um pouco para desobstruir a garganta; tinha a impressão que sua face nunca iria parar de corar – Em Working, você claramente fala sobre seus pais. Fala também sobre rotina, saudade… Pode nos contar um pouco sobre seus pensamentos ao compor essa música?

Jeongguk desviou o olhar durante um momento, mas assentiu logo após – Working foi a primeira música que compus desse novo álbum, então, ela já tem certo tempo de vida… Foi antes mesmo de terminar a última turnê – pousou a mão nos fios que tinha na nuca e massageou ali – Estava no México, tinha acabado de me apresentar. Bom… a insônia havia me pegado aquela noite. E sempre que ela me pega, me rende alguns sentimentos que me fazem ter a necessidade de escrever. Foi uma época que eu estava bem sensível, mais que o comum. As lembranças dos meus falecidos pais me vinham à mente a todo momento, até em meio às apresentações. Eu chorava bastante e a maioria das pessoas pensava que era simples emoção pelos concertos, mas... era bem mais que isso, sabe, hyung? Eu realmente ligava para minha avó e ela perguntava onde eu estava. Eu dizia “trabalhando”... E aquilo era tão nostálgico em todos os sentidos… Porque a minha avó tem a voz muito parecida com a da minha mãe. Também porque era a mesma pergunta que eu sempre fazia para o meu pai… Ele não era ausente, longe disso, mas… Eu realmente gostaria de ter tido um pouco mais de tempo com os dois.

– Eles estariam bastante orgulhosos de você, Gukie.

Aquilo havia sido diferente. Todo o turbilhão de sensações que Jimin sentia antes foi substituído por uma genuína preocupação com o mais novo. Mas, ele era seu dongsaeng, afinal, não era? Ele tinha a obrigação de ficar preocupado. No entanto, bem sabia que obrigação não era lá uma boa palavra para descrever aquele momento. Carinho, sim, talvez fosse.

O Jeon reagiu àquelas palavras. Falar de seus pais nunca foi e nunca seria uma tarefa fácil. Evitava tal assunto em entrevistas, mas sabia que devia sinceridade a seus fãs, então tentava fazer isso por meio da música. Aquele consolo por parte de Jimin o fez perceber o quanto o apreço que ambos tinham um pelo outro ainda estava ali. O Park sabia de tudo. Até tentara o ajudar na época mais difícil de sua vida, quando ambos os pais morreram, mas o Jeon era tão pequeno ainda… Quão imaturo um jovem de dezesseis anos poderia ser? E aquilo era algo que o cantor se arrependia amargamente. Poderia ter aceitado a ajuda do outro. Poderia ter abraçado aquele sentimento que crescia cada vez mais em seu peito e se manifestava em forma de batidas descompensadas sempre que seu hyung chegava perto. Mas, foi covarde. Não entendia o que sentia. Não entendia quase coisa alguma, e depois da tragédia, entendeu ainda menos. Não queria magoar Jimin com a sua confusão, então fugiu.

Queria tanto consertar aquilo…

Alguns minutos em silêncio se passaram, sem que ambos sequer se mexessem. Jeongguk maquinava em sua mente uma forma de pedir para que o outro não fosse embora depois que aquelas perguntas acabassem, mas nada, nenhuma frase, soava boa o suficiente em seus pensamentos. Como pediria aquilo? Havia ido embora há anos atrás sem mais nem menos. Tinham se reencontrado um ano antes, mas Jimin não fizera nenhum esforço para reatarem o contato que um dia tiveram. Afinal, ele queria? Céus, estava quase enlouquecendo.

Mordeu o lábio inferior com demasiada força enquanto respirava fundo e levantava o olhar de encontro ao loiro. Ao contrário de tudo que imaginou, encontrou Jimin com o pescoço curvado para baixo enquanto escrevia em seu bloco de notas com uma fluidez impressionante. Observou o mesmo terminar uma página inteira e virá-la sem hesitações, como se as palavras fossem fugir de sua consciência caso demorasse a pô-las sobre o papel. E ele era tão bonito daquele jeito… Um anjo, pensou Jeongguk.

Não teve coragem de soltar sequer um único ruído. Aquilo estava sendo mágico demais para ser interrompido.

Mas, foi quando focou os olhos diretamente nos lábios grossos, macios e de um rosa tão apetitoso, que teve a certeza. Poderia não entender por completo sua própria sexualidade, poderia ainda ser um garoto imaturo, mas desejava Jimin mais do que podia controlar.

Não imploraria por sua atenção ou por seu carinho. Não pediria para que ficasse com todas as letras, pois não queria correr o risco de tê-lo por simples pena, mas faria o que pudesse, daria o melhor de si para que aquele homem sentisse o mesmo.

Observou-o mais atentamente, mesmo quando o loiro pareceu findar suas anotações, voltando a fitá-lo. Jimin estranhou de imediato, pois os olhos negros do outro encontravam-se levemente arregalados e seus lábios estavam entreabertos também. Assim que se encararam, o Jeon sentiu as mãos e outras determinadas partes de seu corpo começarem a suar; estava nervoso? Sim, estava. Havia acabado de assumir para si mesmo que seu coração descompensava as batidas perto de seu hyung; aquilo era totalmente novo.

Raciocinando pouco sobre isso, sorriu. Sorriu porque sabia que se o fizesse, seria correspondido. Viu os cantos dos lábios bonitos de Jimin se arquearem e as bochechas fofas saltarem em sua face. Deus, ele era perfeito.

– Acho que chegamos a última pergunta – Confidenciou-o, olhando para seu bloco de anotações e logo após fitando Jeongguk novamente.

Os sorrisos não estavam mais nas faces de ambos. Na verdade, as sobrancelhas do moreno haviam se curvado levemente; estava apreensivo. “Então, é assim?”, ele pensou, “depois disso, você vai embora?”.

– A faça – orientou-o – Depois que eu respondê-la, quero lhe fazer uma também.

O Park pareceu ponderar durante alguns instantes, mas acabou rindo baixinho; aquele garoto ainda era uma caixinha de surpresas.

Begin fala sobre uma bonita, e também triste, relação entre irmãos. Mas, você é filho único – meneou a cabeça para o lado, expressando sincera dúvida – Então, para quem você escreveu essa música?

O Jeon pregou as pálpebras levemente, enquanto ajeitava-se no estofado. Outro assunto delicado… Pela primeira vez, tomou conhecimento do quanto algumas de suas composições eram realmente densas e ficou feliz ao ver que o Park havia escolhido escolhido as melhores.

Begin fala do meu melhor amigo. Não poderei dizer o nome dele, desculpe – explicou e Jimin assentiu, o incentivando a continuar – Ele é um cara que apanhou muito da vida. Mas, que se levantou, reconstruiu seus cacos internos sem ajuda e me ofereceu sua sabedoria quando eu mais precisei… Mesmo depois de muitos obstáculos, eu ainda vejo pessoas querendo menosprezá-lo, como se ele não fosse digno de alguma coisa, e céus, ele é o cara mais digno que eu conheço… Ele é gay. Tem plena certeza do que é, além da sexualidade, e também de quem ama. Ainda assim, eu o via chorar em alguns poucos episódios… Ele já havia me ajudado tanto… E eu nunca soube como retribuir – espalmou as mãos nos joelhos e tirou o excesso de suor que havia ali, enxugando-as nas calças – Bom, até agora. Fiz essa música como agradecimento. Ele pareceu gostar muito – soltou uma risada baixa ao lembrar da reação chorosa de Hobi ao ouvi-la pela primeira vez – Por mais que não tenhamos o mesmo sangue, ele é, sim, meu irmão.

– É uma música para a comunidade LGBT?

– Sim.

– E você, realmente, quer que eu coloque isso no jornal? – o tom do Park foi baixo, mas não deixava de expressar demasiada surpresa. Na verdade, quando havia escutado Begin, ainda na madrugada passada, tudo passara por sua mente como algum suposto significado, menos aquilo. Sabia das consequências que aquela revelação acarretaria, era polêmica na certa. Mas, sinceramente, era um significado importante e bonito demais para ser escondido. Seu coração se encheu com a coragem que o Jeon estava tendo.

– Não há do que me envergonhar, hyung.

Na realidade, Jeongguk nunca havia pensado daquela forma. Sim, seu melhor amigo era gay e assumido desde a época em que se conheceram melhor. Por conta dele, o Jeon sabia da maior parte das coisas relacionadas à comunidade LGBT, coisas essas bem mais difundidas no ocidente. Ali, na Coréia, as pessoas mal pareciam cogitar a ideia de que outras denominações, além de “hétero”, existiam. Muitos pensavam até que não haviam coreanos gays e que aquela fora uma cultura ruim trazida da América. Era um campo minado, sabia disso. Qualquer outro idol que tentou abordar aquele assunto foi, automaticamente, rechaçado.

No entanto, ouvir aquelas perguntas do Park, juntamente com um olhar cheio de expectativa direcionado a si lhe dava outro fôlego. Ele queria conquistá-lo, não queria? Se, de fato, isso acontecesse, a ideia de ter alguém maltratando física ou psicologicamente Jimin, lhe dava nos nervos. E aquilo acontecia a todo momento, com diversas pessoas… Talvez, estivesse na hora dele fazer algo.

– Jeongguk?

A atenção do moreno foi atraída pelo chamado do Park, ele havia se distraído com os próprios pensamentos.

– Sim, hyung?

– Você disse que tinha uma pergunta ‘pra mim.

Oh, era mesmo, havia uma pergunta a ser feita. No início, aquilo fora somente uma desculpa para no fim conseguir o número do jornalista, mas agora parecia tão ridículo simplesmente pedir-lhe isso… Resolveu seguir os conselhos que sua falecida mãe havia lhe dado quando ainda pequeno, ao estar prestes a se confessar para a primeira namoradinha. Jimin não era uma simples garotinha, então, teria que se esforçar dez vezes mais do que quando havia feito isso com uns oito anos de idade.

“Mostra que você é intenso”, ela havia lhe dito.

– Quer escutar a música que eu compus ‘pra você?

 

×

 


Notas Finais


Quem já assistiu Aquarius sacou a referência. Quem ainda não assistiu, eu recomendo!

× Working (tradução): https://www.letras.mus.br/bangtan-boys/working-jungkook/traducao.html
× Begin (tradução): https://www.letras.mus.br/bangtan-boys/begin/traducao.html

Vcs não tem noção do quanto eu já reescrevi cada palavrinha dessa! E eu, realmente espero que tenham gostado. Tenho mais 2 capítulos prontos, então nos próximos dois sábados vcs tem tts garantida, haha.

Fiz um tt há poucos dias, só pra caso vcs queiram falar cmg: https://twitter.com/touchthechimin?s=08
Podem falar, de vdd, eu amo conversar 🌈


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