História Touchdown - Capítulo 3


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol
Tags Chanbaek, Chanbaek Flex, Colegial, Esportes, Futebol Americano, Taekai, Xiuhun
Visualizações 819
Palavras 3.920
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Esporte, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OIIIIIIIIIIIIII! Gente, primeiramente... que feedback foi esse???? Meu Deus, obrigada mesmo por cada favorito e cada comentário. Eu não respondi todos (como sempre, vocês devem ter percebido que e demoro uma década pra responder, juro que vou tentar melhorar) mas li e amei cada um. Obrigada mesmo.

Outro aviso importante: a próxima atualização provavelmente só vai sair no final do mês que vêm :( pra quem não sabe, eu estou no terceiro ano (horrivel horrivel horrivel) e esse ano é basicamente o ano decisivo da minha vida, e um dos meus sonhos é conseguir uma bolsa pra arquitetura na Mackenzie, então eu estou estudando que nem condenada o dia inteiro e isso me desgasta bastante pra escrever de noite. Por favor, não desistam da fanfic! Continuem dando amor à Touchdown mesmo com a demora pra atualizar.

Esse cap é um pouco mais parado mas é essencial pra história, fiquem atentos nos detalhes heheh

Boa leitura <3

Edit: gente socorro, eu postei o cap faltando coisas sjfnas mil perdões

Capítulo 3 - Play Action


PLAY ACTION

Tática usada pelo quarterback para enganar a defesa.


 

Vergonha era uma boa palavra, mas medo e puta merda se encaixavam melhor na situação em que eu estava. Desespero também.

 

A cena ridícula de Chanyeol foi o suficiente para que atraísse a atenção das pessoas que estavam do lado de fora da escola, mais especificamente dos meus amigos. Eu podia ver o semblante confuso deles, encarando um até então desconhecido gritar e acenar para alguém.

 

Ao perceber toda a atenção que estava ganhando, Chanyeol aparentemente ficou mais empenhado em me fazer passar vergonha, mandando beijos e fazendo corações com o polegar e o indicador das duas mãos. Algumas garotas davam risadinhas contidas e tiravam os celulares dos bolsos para tirar uma foto, provavelmente  para postar no Tumblr com uma legenda do tipo “boyfriend material”.

 

Por sorte meus amigos eram lerdos e demoraram um pouco para raciocinar o que estava acontecendo, me dando a deixa perfeita para sair dali o mais rápido o possível. Girei os calcanhares, pronto para correr para dentro da escola, mas infelizmente não fui tão rápido quanto a boca de Jongin.

 

— Ele tá falando com quem? — Jongin perguntou, confuso.

 

— Acho que ele tá olhando pra cá — Eunwoo pontuou, mexendo sem jeito o braço enfaixado.

 

Taemin semicerrou os olhos, com um olhar desconfiado.

 

— Espera aí, eu já vi esse cara antes… — comentou, interrompendo a linha de raciocínio dos dois — Esse não é o-

 

— Ele não é ninguém! — me apressei em dizer, minha voz saindo nervosa e alta demais. Taemin ergueu uma sobrancelha — Eu… ah, deve ser só mais um idiota pregando peças ou algo do tipo hahahaha.

 

Eu estava suando frio, sério. Está certo que eu ia contar sobre tudo o que aconteceu na noite passada, incluindo sobre Chanyeol, mas eu omitiria a parte que pedi pra namorar com ele bêbado e cheio de vômito pelo corpo. Depois ficaria tudo bem, riríamos os da situação toda e isso de certa forma seria um gatilho para treinarmos mais e vencer o time do Park.

 

Mas claro que não sairia como eu planejei. Aparentemente, Park Chanyeol adorava acabar com meus planos.

 

Meus amigos me olhavam desconfiados, principalmente Taemin. Eu precisava tirá-los dali antes que descobrissem que o “namorado” que o gigante gritava, era eu.

 

— Podemos ir para dentro? Por favor? Eu preciso de um banho e quero treinar. — fiz meu melhor olhar pidão ao observar meus amigos, todos eles me encarando sem entender nada. Exceto Minseok, que tinha uma expressão sombria.

 

— Tudo bem — Jongin falou, dando um sorriso — Você ainda precisa nos contar o que aconteceu ontem.

 

Não mesmo.

 

— Claro. — dei um sorriso amarelo, antes de apertar a bolsa de roupas contra o meu corpo e praticamente correr para dentro da escola.

 

Meus amigos vieram logo atrás, conversando alto e atraindo os olhares das pessoas que guardavam seus materiais e esperavam pela próxima aula. Não éramos o clichê de filme americano, onde os “garotos populares” passam pelo corredor e as pessoas abriam espaço e ficavam encarando o time de futebol com inveja. Longe disso, atraíamos atenção era pelo barulho que fazíamos.

 

Mas naquele momento atrair atenção era a última coisa que eu queria, por isso me certifiquei de andar uns bons passos na frente dos meus amigos, fugindo dos olhares curiosos e da risada alta de Jongin.

 

Empurrei as portas duplas do vestiário masculino como se estivesse abrindo as portas de um castelo. Aquele banheiro úmido e com cheiro de suor era quase como um paraíso perto do que tive que aturar na noite anterior com… ugh, Park Chanyeol.

 

— Nunca estive tão feliz em estar nesse lugar fedido como estou agora — falei sorrindo, acariciando um dos armários com um sorriso bobo no rosto.

 

Não esperei mais nem um segundo antes de arrancar os tênis e a roupa de Chanyeol, prometendo a mim mesmo atear fogo em todo aquele tecido junto com uma boa quantidade de sal mais tarde. Não me importei muito de arrancar todas as peças de roupas na frente dos meus amigos, ouvindo alguns murmúrios em protesto. Me virei de soslaio, vendo todos desviando os olhos enquanto Jongin tampava os olhos de Taemin.

 

— Você precisa fazer isso na nossa frente? — Eunwoo protestou, passando a mão boa pelos cabelos escuros e se virando de costas.

 

— Você não pode fazer isso na frente dos nossos maknaes, Baek! — Jongin protestou, arrastando Eunwoo e Taemin para um banco afastado dos chuveiros — Você pode traumatizar eles!

 

— No máximo posso ser a causa de uma ereção mais tarde — falei, dando de ombros antes de chutar a cueca para um lado e ir tranquilamente até uma das cabines com chuveiros.

 

Abri o registro, sentindo todos os meus poros se arrepiarem por entrarem em contato com a água inicialmente fria, pegando o sabonete e esfregando-o na minha pele até que eu considerasse que estava livre dos germes adquiridos pelas roupas de Park Chanyeol.

 

— Então Baek, o que aconteceu na noite passada?

 

— É cara, você sumiu.

 

Engoli em seco, quase engasgando quando deixei água entrar no meu nariz. Eu ia contar sobre Chanyeol, mas agora não sabia mais se era uma boa opção. E se eles surtassem? E se pensassem que traí o time?

 

— Hm, nada demais. — respondi, incerto.

 

Ouvi uma risadinha maliciosa.

 

— Conta outra, Baek. Nós sabemos que você foi pra casa de alguém, não adianta negar — Taemin cantarolou do lado de fora.

 

Os outros concordaram, se tornando aos poucos agitados e começando a me fazer suar frio dentro do chuveiro. Minha cabeça gritava “não posso falar”, mas o peso nas minhas costas dizia o contrário. Eu odiava mentir, principalmente para os meus amigos, mas precisava fazer aquilo. Não para proteger Park Chanyeol, mas proteger o nosso time.

 

Eu era a droga do Quarterback e precisava ser a droga do exemplo. Que tipo de líder eu seria se contasse que passei a noite da nossa derrota dormindo de conchinha com o Quarterback do time adversário? Um líder horrível. E eu não queria ser esse tipo de líder.

 

— Não foi nada demais, eu só reencontrei um velho amigo. Só isso. — respondi sério, na intenção de fazer o assunto morrer ali.

 

Ledo engano pensar que eles ficariam satisfeitos só com aquilo. Um coro de risadinhas ecoou pelo vestiário, me fazendo revirar os olhos com os comentários “aham, sei”, “vou fingir que acredito”, entre outros tão irônicos quanto.

 

Não respondi às provocações, então eles logo trataram de mudar de assunto, comentando sobre os garotos dos Eagles e o Quarterback aparentemente sério e focado.

 

— Os olhos dele estavam tão sérios e focados quando ele trombou comigo… o cara parecia estar realmente nervoso — Eunwoo comentou.

 

Quase ri em escárnio dentro do cubículo do chuveiro, pensando seriamente em soltar um comentário irônico sobre como o grande e maldoso Quarterback havia me abraçado como uma mocinha indefesa durante a noite.

 

Estremeci só de lembrar daquele corpo gigante colado no meu, passando a esfregar meus ombros com mais força, me livrando do resquício de germes de Park Chanyeol.

 

É, eu definitivamente incineraria as roupas que ele havia me emprestado. Tocar naquele tecido contaminado não era uma opção. Não mesmo.

 

Fechei o registro do chuveiro e me enrolei na toalha, saindo do cubículo apertado e caminhando até a sacola de roupas que estava em cima do banco de madeira que ficava no centro do vestiário. E após pegar e vestir as minhas roupas, com o meu cheiro e completamente sem germes, pude pela primeira vez em algumas horas me sentir limpo.

 

Assim guardei as roupas sujas de Chanyeol — com o auxílio de uma sacolinha plástica utilizada como luva — bem no fundo do meu armário do vestiário, dei um pulo quando me virei e acabei dando de cara com um Minseok sério, me encarando como se soubesse todos os meus pecados.

 

— Você me assust-

 

— Precisamos conversar — ele interrompeu minha frase, o olhar penetrante que me lançava fazia com que eu me sentisse nu e exposto. E, céus, só Deus sabia como eu odiava me sentir frágil em qualquer sentido — A sós.

 

Balancei a cabeça positivamente, abrindo um pequeno sorriso para que eu parecesse estar calmo e sem expressão culpada, quando na verdade estava uma pilha de nervos por dentro.

 

— Claro.

 

Minseok apenas assentiu antes de me dar as costas e sair do meu ponto de visão, meu sorriso se desmanchando quase imediatamente.

 

Aquilo estava longe de significar alguma coisa boa, então o jeito era fugir de Minseok o quanto eu conseguisse, assim não corria o risco de ser abordado em alguma conversa séria que eu estava com medo do que poderia ser.

 

Joguei a toalha sobre o ombro e caminhei pelo piso molhado até a parte seca do vestiário, onde havia um amontoado de jogadores sentados entre as fileiras de armários.

 

— Chega de descanso, preguiçosos. Vamos pro campo.



 

[...]



 

— Trocar posições! — gritei em plenos pulmões, ouvindo o resmungar do time antes de vê-los praticamente se arrastarem para o outro lado do campo.

 

Estávamos mortos. Ou quase isso. Treinamos durante duas aulas seguidas sem tempo para descanso, beber água ou ir ao banheiro. Tudo porque aquele maldito campo me fazia lembrar da maldita derrota e do maldito Quarterback. Precisávamos virar o jogo e recuperar o nosso troféu, e já que os Eagles se mostraram tão bons assim, precisávamos ser melhores.

 

— Jongin, tente ir mais rápido dessa vez — orientei, tirando alguns fios de cabelo que estavam grudados no meu rosto.

 

O moreno bufou, me encarando com ódio.

 

— Eu até poderia tentar se sentisse as minhas pernas.

 

Revirei os olhos, voltando a colocar o capacete e me ajeitar na posição de defesa.

 

— Elas vão poder descansar quando recuperarmos o nosso troféu.

 

Taemin apareceu ao meu lado, também assumindo a nova posição.

 

— Supera logo isso, Baekhyun. Não pode matar o seu time por um troféu de lata que não vale nada.

 

Ergui a sobrancelha e virei o rosto na direção de Taemin, incrédulo. Aquilo era muito mais do que um troféu de lata dourado, aquilo era o nosso legado, a reputação que deixaríamos para trás quando fôssemos para a faculdade, aquilo era tudo. Por que parecia que só eu via isso?

 

— Troféu de lata?! Troféu de lata?! Aquilo foi a nossa honra sendo levada embora bem por debaixo dos nossos narizes!

 

Me levantei, revoltado demais para ficar na posição de Cornerback, Taemin revirou os olhos, assim como Jongin, que logo trataram de tirar os capacetes e se jogar no gramado.

 

Eu ouvia os murmúrios dos outros jogadores, que pouco a pouco desmanchavam a linha de posições e se jogavam no gramado, falando coisas como “Ah, não, vai começar” e “Quem foi o idiota que questionou o Baekhyun?”.

 

Eles estavam provavelmente esperando o discurso que sabiam que eu faria. E eu realmente iria falar até cansar se o sinal da próxima aula não tivesse batido exatamente naquele momento.

 

— Obrigado, Deus! — Zitao, da linha de defesa comemorou em meio ao amontoado do gramado, erguendo as duas mãos para o céu.

 

Estalei a língua no céu da boca, colocando o capacete debaixo do braço, encarando meu time com uma expressão séria.

 

— Vocês se livraram da bronca agora, mas não pensem que eu vou pegar leve amanhã. Não iremos descansar até trouxermos o nosso troféu pra casa.

 

E dito isso, dei as costas, ouvindo um coro decepcionado logo atrás de mim.


 

[...]


 

Aparentemente, minha onda de azar não tinha fim.

 

Já estava no quinto período e em exatamente todo lugar que eu pisava o vídeo de Park Chanyeol gritando e acenando para mim me perseguia.

 

Eu tinha perdido a conta de quantas vezes o vídeo fora mandado no meu celular com legendas cheias de coraçõezinhos e comentários perguntando quem era o suposto namorado de Park Chanyeol — porque não bastava ser um azarado, alguém ainda tinha que foder ainda mais as coisas descobrindo a identidade do idiota.

 

E como se não bastasse a perseguição de Park Chanyeol, ainda tinha que lidar com a perseguição do professor de matemática e o mau humor do meu time por estarem doloridos pelo treino.

 

— Ok, quem vai se voluntariar pra me carregar até a sala? — Jongin propôs, se jogando dramaticamente nos ombros de Taemin.

 

Estávamos em uma mesa no centro do refeitório. Ok, talvez não uma mesa, e sim cinco que juntamos para caber o time de futebol inteiro, e estava tudo uma zona, é claro, nossa mesa era a mais barulhenta do refeitório. Mas não é como se os outros alunos não estivessem acostumados.

 

— Eu só queria uma batata decente — Taemin comentou, encarando uma das batatas fritas que pegamos na cantina. Aquelas batatas tinham gosto de tudo, menos de batata.

 

— Parem de reclamar, estou de saco cheio de ficar ouvindo vocês reclamando de tudo. — comentei, empurrando o saquinho de papel com as batatas para longe da minha bandeja.

 

— Talvez, se você não tivesse nos matado durante o treino não estaríamos reclamando — Taemin alfinetou, com um Jongin resmungando em seu ombro.

 

— Você não pegou leve nem com o Eunwoo, e ele tá com o braço quebrado! — Zitao se pronunciou à algumas cadeiras de distância.

 

Dei de ombros, sugando o restinho de suco da embalagem antes de a colocar de volta na bandeja. Ingratos, nunca percebiam que aquilo era somente para a melhora do time. Quanto mais treinássemos, mais resultados teríamos. Era simples e lógico.

 

Os garotos continuaram discutindo e eu particularmente, não quis participar. Tateei os bolsos em busca do celular e logo me deparei com algumas notificações de mensagens da minha mãe. Quando abri a conversa me deparei com duas fotos de gatinhos com textos inspiradores e uma mensagem de texto.

 

[09:32] Omma:

Não se abalem por uma derrota. Fighting!

 

E, de repente tudo estava claro na minha cabeça. Era por isso que minha mãe tinha aceitado tão facilmente que eu dormisse na casa de alguém sem fazer um escândalo. Minha mãe sabia como o futebol americano era importante pra mim, eu treinava ardualmente e fazia regimes rígidos para sempre conseguir um bom físico e uma melhor resistência para os treinos, além de passar horas me dedicando a aprender estratégias para que os Lions melhorassem cada vez mais. Eu não era rico e nem inteligente o bastante para passar em uma boa universidade, portanto só me restava o futebol como alternativa pra ingressar com uma bolsa na Universidade de Seul

 

E eu precisava daquela vitória. Daquela maldita vitória que Park Chanyeol roubou de mim!

 

Mordi o lábio inferior, nervoso, me culpando pela trigésima vez naqueles dois dias. E eu teria me afogado novamente no sentimento de ódio se as duas palavrinhas mágicas não tivevssem chegado aos meus ouvidos.

 

— Então Park Chanyeol é um boiolinha? — Pyeong, um dos que ficava na linha de ataque comentou, o tom de voz áspero e debochado — Quem será que é o namoradinho dele?

 

Em sua mão, o vídeo de Chanyeol pela manhã era rodado. Senti as pernas tremerem de nervoso e na minha cabeça uma vozinha gritava “fodeu, fodeu, fodeu”. Arregalei os olhos, olhando ao redor os jogadores aos poucos ficarem interessados na conversa.

 

— A questão não é a sexualidade dele, e sim quem teria coragem de se relacionar com ele. Nossas escolas são rivais há séculos, nós não suportamos a presença dos estudantes da Gayon da mesma forma que eles não suportam a nossa. — Taemin comentou, bebericando o resto do suco antes de jogar a embalagem vazia em Zitao, rindo quando ele se assustou.

 

Alguns murmuraram em concordância enquanto eu só balançava a cabeça, fingindo estar fazendo algo muito interessante no celular para que não me metessem no meio da conversa.

 

— Um boato assim não fica em segredo por tanto tempo, logo logo vamos saber quem é o pobre coitado — Zitao falou e os outros concordaram.

 

Acabei erguendo os olhos sem querer, me deparando com o semblante sério de Minseok, que estava sentado na outra ponta da mesa. Senti um calafrio no mesmo instante, ele não havia aberto a boca nenhuma vez desde o treino e alguma coisa me dizia que aquele olhar sério era uma prévia de como seria nossa conversa. O que me deixou com mais vontade de fugir dele.

 

Quando o sinal bateu, todos se levantaram desanimados, rumando para suas respectivas salas. Jongin fez manha e Taemin aceitou ajudá-lo a ir até sua sala, e eu acompanhei de longe, vendo o moreno fazendo bicos exagerados e falando sobre como sua perna doía. Algumas vezes eu chegava a duvidar que o Kim era realmente o mais velho.

 

Voltei para a sala acompanhado de Minseok e mais alguns garotos do time que eram da mesma sala que eu. Me incomodava o fato do Kim me encarar sem parar, com a mesma expressão séria que estava mais cedo. Portanto, me desvencilhei do meu lugar ao seu lado e avancei duas cadeiras para frente. Quanto mais tempo ficasse longe de Minseok, mais adiaria a conversa que ele queria ter comigo.

 

A aula teria seguido tranquila se não fosse o professor me bombardeando de pergunta sobre matrizes — matéria que eu não lembrava e duvidava que tivesse aprendido — e a bolinha de papel que alguém acertou na minha nuca. Esfreguei o local com raiva, me inclinando na cadeira para ver quem havia sido o infeliz e me deparando com ninguém menos que Kim Minseok, completamente sério e apontando para a bolinha que estava no chão próxima dos meus pés.

 

Revirei os olhos, me abaixando para conseguir alcançar o papel e logo desdobrando no meu colo para garantir que ninguém veria o que estava escrito.

 

“Me encontre perto do ponto de ônibus para conversarmos. E nem pense em me evitar, precisamos falar sério sobre uma coisa que você fez”

 

E, pelo visto hoje eu tomaria o caminho mais longo para casa. Tudo pra não passar nem perto daquele maldito ponto de ônibus.


 

[...]


 

Quando o sinal da última aula soou, eu praticamente soquei os materiais dentro da mochila de qualquer jeito antes de me levantar com um pulo e sair correndo para fora da sala de aula. Meus ombros batiam em mochilas e em outras pessoas, mas minha preocupação naquele momento era sair dali o mais rápido o possível.

 

Ouvi meu nome ser chamado, assim como alguns palavrões quando e pisava sem querer no pé de alguém, mas nem aquilo foi o suficiente para me fazer parar. Quando avistei o portão de entrada praticamente vazio quase chorei de emoção, correndo para fora em liberdade.

 

E tudo estaria bem e feliz se eu não tivesse o azar de trombar com algo no meio do caminho.

 

Ou melhor, alguém.

 

— Ei, cuidado aí em baixo, pequeno — essa voz, essa maldita voz… eu só podia estar em um pesadelo — Como foi seu dia na escola, namorado?

 

Se Deus existisse em algum lugar, ele com certeza não gostava de mim.

 

Ergui os olhos, o coração começando a ficar acelerado conforme a adrenalina tomava meu corpo. E lá estava ele, com um sorriso gigantesco e as orelhas inconfundíveis. Park Chanyeol, razão da minha desgraça.

 

Seus olhos se espremiam um pouco conforme ele sorria, reparei também que ele usava uma roupa diferente de quando me trouxe até a escola de manhã. Jeans claros e a camiseta de seu uniforme, o que me lembrou de todos os germes que minhas roupas limpinhas deveriam ter adquirido só com essa esbarrada. Ótimo, agora teria que queimar as minhas roupas.

 

Eu poderia muito bem ter respondido com um comentário maldoso ou quem sabe um palavrão, mas felizmente, Park Chanyeol não merecia o meu tempo precioso. Portanto, apenas desviei de seu corpo e voltei a andar rapidamente na direção da minha casa.

 

Ledo engano se eu pensei que não seria seguido.

 

— Ei, Baekhyun, espera! — chamou, me alcançando segundos depois.

 

Olhei de relance para o corpo alto me acompanhando sem dificuldades e revirei os olhos, sentindo meu estômago se revirar.

 

— Shh! Tá louco? O que você acha que vão pensar se me virem falando com você?  O que você tá fazendo aqui, na verdade? — falei baixo, mas em tom ameaçador. Ser conhecido como namorado de Park Chanyeol não estava nos meus planos.

 

Ele riu. O desgraçado riu e deu um passo pra ficar ainda mais perto de mim. O fitei indignado, empurrando seu corpo para longe.

 

— Eu só vim buscar o meu namorado na escola — respondeu — E quem se importa com o que eles pensam?

 

— Eu, eu me importo com o que eles pensam. Eu sou a porra do Quarterback dos Lions, eu tenho uma reputação a zelar e você tá estragando tudo! — torci os lábios, virando o rosto para observar Chanyeol melhor — E sai fora, não quero carona sua e nem a sua presença perto de mim.

 

Dito isso, tratei de andar ainda mais rápido, deixando Chanyeol para trás. O mais engraçado é que dessa vez ele nem ao menos tentou correr atrás de mim, só ficou longe como eu pedi. Fiquei até um pouco impressionado, Park Chanyeol podia ser obediente quando queria.

 

Continuei mantendo o ritmo, andando rápido e sem olhar para trás e soube que aquilo estava dando certo quando meu celular começou a apitar no bolso traseiro da minha calça jeans. Eu podia não estar olhando, mas sabia que o dono daquelas mensagens era Kim Minseok, provavelmente irritado e pronto para me socar pela demora.

 

Mal sabia ele que eu nem apareceria.

 

Dei um sorriso gigantesco, me permitindo saltar os degraus que separavam as casas na calçada, completamente feliz de ter me livrado da conversa com o Kim. E eu estava feliz, estava mesmo. Tinha me livrado de uma conversa provavelmente horrível e de um idiota perseguidor, não havia como ficar mais feliz que aquilo.

 

Isso, é claro até um carro familiar em uma velocidade baixa começar a andar perto da calçada. Quase me assustei quando Chanyeol colocou a cabeça para fora do vidro do motorista, fazendo questão de buzinar duas vezes, chamando atenção de alguns estudantes que andavam na minha frente.

 

— Ei, namorado! — ele gritou, buzinando de novo. Me encolhi instintivamente. — Entra aqui, vou te dar uma carona.

 

Me virei para o Park, abismado. Aquele cara não sabia o significado da palavra “limites”?

 

— Eu prefiro a morte.

 

Anunciei, alto e em bom som para aquelas orelhas gigantes ouvirem. E como se não bastasse o azar fodido que eu tinha, aparentemente o resquício de sorte que sobrava resolveu dar o pé naquele momento.

 

— Byun Baekhyun! — arregalei os olhos, virando a cabeça para trás e vendo ninguém menos do que Kim Minseok correndo no começo da rua, com os olhos vidrados em mim.

 

De todas as escolhas que eu já tinha feito na minha vida, aquela parecia ser a mais importante. Entrar no carro do demônio ou esperar que o outro devorasse a minha alma?

 

Mordi o lábio inferior, intercalando o olhar entre um Chanyeol sorridente e um Minseok provavelmente raivoso e cansado correndo na minha direção. E, merda, eu tinha certeza que me arrependeria daquilo mais tarde, mas o resquício de sanidade que me restava preferiu entrar no carro de Park Chanyeol à enfrentar a conversa com Kim Minseok.

 

— Destrava essa merda — falei, correndo até o outro lado do carro e ouvindo o barulho da porta ser destravada.

 

— Destravada, meu amor.

 

Abri a porta e me joguei no banco, fechando-a com força e vendo a figura de Minseok mais perto pelo retrovisor do carro. Meu coração estava mais acelerado do que normalmente ficava em uma partida de futebol, eu sentia que poderia ter um infarto ali mesmo, principalmente quando virei o rosto para o lado o suficiente para ver o sorriso ladino que o Quarterback esboçava, esperando apenas um comando meu para pisar fundo naquele acelerador e me levar a qualquer lugar que eu pedisse. E com muito pesar, eu pedi pra ele acelerar.

 


Notas Finais


E então, o que acharam??

Me mandem perguntas no CuriousCat: https://curiouscat.me/xiumeu
Meu twitter: @xiumeu


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