História Touro Negro: "A Cólera do Dragão" - Capítulo 4


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Fantasia, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - "Chamas do Ódio"


Fanfic / Fanfiction Touro Negro: "A Cólera do Dragão" - Capítulo 4 - "Chamas do Ódio"

Fre - Corram para o Café! 

Vergil e Vance não precisavam de mais nenhum estímulo. Viraram-se e correram para a rua. Frey recuou rapidamente, sempre de frente para a nuvem. Não conseguia ver nenhuma arma nas mãos da criatura. Era apenas uma coisa fumacenta e disforme.

Fre - Você quer uma luta? Lute comigo!

Berrou o rapaz para a névoa. E, de repente, uma cascata de fogo azul rolou na direção de Frey. Instintivamente, o rapaz ergueu os braços para aparar o golpe, que explodiu numa chuva de faíscas que lhe caíram inofensivas sobre os ombros. Duas vezes mais Frey se defendeu de ataques semelhantes. Quando abriu a boca para falar, engoliu um pouco das chamas. Tinha um odor ácido e desconhecido, como o gosto de sangue na boca. Frey sabia que tinha de detê-lo. Sabia que as chamas continham poder, embora não soubesse realmente como. Abriu a boca outra vez e começou a comê-las, como se fossem grandes goles de ar adentrando seu peito. Seu peito se expandiu enquanto os pulmões ficavam três vezes maiores. Quando a resistência de Frey finalmente acabou, abriu a boca e cuspiu. Chamas rugiram de sua respiração. E o feitiço permaneceu inacabado.

Névoa fez uma curva e subiu, deslizando para o telhado. Chamas passaram por ela, gritando, e atingiram as caçambas de lixo no fundo do beco. Frey observou boquiaberto enquanto a nuvem flutuava sobre os telhados dos edifícios. Estava preparando-se para um ataque crítico. Aquele era um adversário que o rapaz não esperava. Porém não recuou. E então a névoa seguiu em disparada. Frey pulou para o lado e fez uma pirueta. E o que aconteceu a seguir foi tão rápido que o rapaz depois precisou se esforçar para lembrar como tudo se deu de verdade. Sentiu que a fumaça roçara nele por um instante, preparando-se para rasgar o ar com as garras. Mas, no segundo seguinte, voava para trás com a figura ágil de Frey segurando-o pelo torso. Afastou-se de seu oponente, revelando os próprios dentes pontiagudos. 

- Eu o conheço, filhote de Ignis. 

Rosnou a névoa, balançando a cabeça, tentando escapar de sua queda. Frey a encarou, franzindo a testa. 

- Eu o conheço.

Repetiu a criatura. Sua voz era um coaxo sussurrante, embora as palavras soassem claras.

Fre - E daí? Não ligo se você me conhece ou não. 

Disse Frey a fumaça. Ainda não tinha se recuperado do fato de aquele bicho saber falar. Seus olhos opacos o encararam fixamente. Depois abriu a bocarra, como se quisesse gabar-se das fileiras de alvas presas pontudas. Porém logo a fechou com um estrondo que lembrava o som da tampa de um baú se fechando. 

- É mesmo?

Sorria como se estivesse muito satisfeito, exibindo os dentes amarelos. 

- Você não faz ideia de quem eu sou. Do quê eu sou. Ou quem você realmente é. Acho que os boatos são verdadeiros. Você não passa de um bichinho domesticado. 

Mergulhou para atacar. Frey moveu-se antes que seu outro pé tocasse o chão. Saiu de sua inércia para um borrão de moção num piscar de olhos. Seu braço fez um movimento de chicote e a lateral dura de sua mão flamejante bateu contra o torço fumacento. Abriu a boca e soprou outra rajada de fogo. Névoa desviou-se delas. Mas não conseguiu se equilibrar no ar. Frey partiu para a frente, rápido como um raio, talhando o outro com as mãos. Suas unhas em forma de garras afiadas cortavam e rasgavam. Névoa lançou um grito terrível, preenchendo o beco com um eco retumbante. Encolheu-se no chão e começou a uivar de maneira surda, ameaçadora e furiosa. Frey podia ouvi-lo. Mas também escutava outra voz. Parecia vir de todos os lugares. E de lugar nenhum ao mesmo tempo. 

- Já deu. Mate-o por isso. Libere a sua... fúria. Queime tudo! Deixe-o completamente queimado!  

Frey deu um passo hesitante. Foi quando escutou algo trás dele: um risinho baixo. Num reflexo, o rapaz olhou em volta, basicamente esperando ver Call ás suas costas. Nada. Não havia ninguém. Provavelmente estava só sendo paranóico. Porém o rapaz ouviu uma voz. Não eram palavras. Tinha apenas um meio murmúrio. Sentiu que algo o observava, como se estivesse entretido, rindo no escuro. Não deu atenção ao estranho sentimento de desconforto que permanecia no fundo de sua mente. Era apenas uma mera apreensão: a tensão de lidar com uma situação potencialmente volátil. Não tinha tempo para um incômodo como aquele. 

- Está relutante? Ah, é mesmo... você queria encontrar a sua mãe. Mas isso agora já não importa, não é? Esse mundo está repleto de mentiras. Não existe nada que é certo e nem o que é errado. 

Dizia a voz como se estivesse muito satisfeita. 

Fre - Não! Eu não vou matá-lo!

Disse o rapaz, indignado. 

- Não. Mas ele é um demônio. E você quer matar é aquele demônio, não é? Escondendo tudo. Decidindo sozinho. Você enlouqueceu por causa dele... Sua mãe sumiu por causa dele! Mas você está livre agora, então vamos queimá-lo. Queima-lo inteiro. Vamos destruir tudo com as suas chamas! Tudo... 

Fre - Queimar tudo...

Murmurou para o vazio entre eles. Suas mãos permaneceram caídas vazias ao lado do seu corpo. Sabia que estava no controle. E, ainda assim, o rapaz teve uma leve sensação de déjà-vu. Algo como um sonho. Veio como um flash. Depois sumiu.

- O que é isso? Com quem você está falando?

Perguntou a névoa. Não conseguiu suprimir um engasgo. Nem impedir o corpo de tremer. Chegou mais perto, hesitante, parecendo que ia tocá-lo. Seu olhar fitou o rapaz de uma maneira estranha, como se sua alma pudesse ser lida pela criatura.

- Essa Magia... a sensação.

Murmurou a névoa. Ficou tão surpreso quanto o rapaz ao perceber a amargura óbvia que tingia suas palavras. Afastou-se quase de imediato, como se pudesse se queimar ainda mais só de olhá-lo.

- Posso ver isso. Você... você é um monstro!  

Fre - Não. Eu sou um Assassino de Dragões.

Sussurrou como se o fogo falasse com ele. Sua voz sufocou o resto das palavras da névoa. 

- Faça o que deve fazer.

Sibilou a voz outra vez. Frey deu um passo à frente. Pensou ter visto algo nas chamas: olhos verdes e reptilianos. Viu um sorriso escarpado. Muito largo para pertencer a qualquer coisa do reino mortal. Aquilo surgiu com um amontoado de dentes grandes e afiados. Salientava-se de lábios escamosos e pretos. Era uma forma enorme e sinistra que se destacava no escuro com definição própria. Mas que sumiu assim que o rapaz virou a cabeça. Foi quando a voz, profunda e primitiva, falou outras vez no vazio entre eles.

- Você não precisa mais pensar em nada. Apague este demônio... devorando as minhas chamas. 

Fre - Claro, porque não? 

Sorriu o rapaz, saboreando tranquilamente aquele momento. Sentiu uma confiança que não estava lá antes ameaçá-lo. Sentiu o poder que os unia incendiar-se, sufocante com o fedor de medo e poeira no ar, crescendo com o fogo. Sentiu um antigo divertimento se acendendo dentro dele. Porém quase surtou quando sentiu algo arranhando sua consciência como unhas afiadas num quadro negro. Tentáculos de insanidade desejo tentaram agarrar sua mente e corrompê-lo. 

- Queime tudo. 

Fre - Sim. Vou queimar tudo. Tudo que não brilha.  

Agachou-se ligeiramente e afastou as mãos, preparado para um possível ataque. Depois o calor percorreu outra vez, mais intensamente, tomando-o por dentro e se espalhando até os dedos das mãos e dos pés. Fagulhas saíram dele outra vez. Jorrou- lhe pelos braços e irrompeu ao redor pelas pontas dos dedos. Porém não era um fogo comum. Não era azul. Nem verde. Ou vermelho-amarelado. Este era de um tipo de fogo tão negras quanto uma noite sem estrelas. Frey começou a ingeri-lo. Desta vez mais intensamente. Seu peito se expandiu enquanto os pulmões ficavam três vezes maiores. Viu escamas saírem de sua pele, avançando parcialmente pelos braços e peito.

Fre - Odeio admitir. Mas sinto o meu poder aumentando. 

Deu um sorriso tão predatório que a criatura pareceu se encolher ainda mais, como se recenado chegar perto. Sentia-se melhor do que nunca. Tinha consciência de que seus sentidos estavam aguçados. Seu sangue que se agitava, correndo pelo corpo como um raio. Cada nervo parecia pegar fogo. Não quisera entregar-se ao ódio. Desconhecia a sensação que queimava por dentro. Agora, porém, esse mesmo ódio começou a borbulhar dentro do peito, cáustico e quente. Algo monstruoso que vinha à tona. Frey sabia que não haveria como voltar atrás se o deixasse livre agora. Por mais tentador que fosse aceitar. Ainda lutava para entender o que se tornara, quanto mais para controlar-se. Podia ser inclusive um perigo para os companheiros.  

Fre - Vamos limpar todo esse ressentimento!

Rugiu alto demais. Foi tão forte que as paredes de ambos os lados do beco quase racharam. Frey estremeceu sem conseguir compreender. Fora necessária toda a sua disciplina para conter-se estando tão perto do inimigo. 

- Você... seu inseto!

Rosnou a névoa para ele.

Fre - Inseto?

Inquiriu o rapaz. Sabia ser apenas imaginação. Mas tinha a sensação de que as chamas poderiam erguer-se para engoli-lo. 

Fre - Você me chama de inseto? Tá falando sério?!

Ralhou como um motor lentamente retornando à vida.  

Fre - Eu tô pegando fogo, seu babaca! 

Saltou para a frente, determinado pelo fogo. Despedaçou a forma volumosa de seu alvo com dois golpes fortes. Adicionou um vórtice de fogo no instante seguinte. Sua chama escura e avolumada se chocou contra a névoa. Explodiu numa rajada de fragmentos rodopiantes que atiraram o rapaz contra a parede com um baque nauseante. Ficou caído no chão, flácido como um cadáver. Seu incêndio atingiu-o como uma enchente, atirando-o para dentro dos recessos escuros do beco. Deslizou pelo chão enquanto as chamas se espalhavam sobre ele, cegando-o com a luminosidade. 

Fre - Ainda não acabou! 

Disse engolindo em seco, tentando pôr a voz sob controle. Ouvia o rugido do inferno. Sentia suas roupas enegrecerem-se e reduzirem-se a pó. Calor soprava quente, escaldante, contra sua pele. Mas o rapaz não sentia dor. Nenhuma agonia de sua carne sendo transformada em cinzas. Nem o mau cheiro de cabelo pegando fogo. Apenas rolou o corpo de um lado para o outro. Até o grosso das chamas deixar em frangalhos suas roupas. 

Fre - Ainda falta... 

Murmurou Frey. Pôs-se de pé e bateu o fogo dos tecidos, piscando para afastar a fumaça dos olhos. Foi quando num guincho de dor, a névoa deu um soco poderoso no rapaz, acertando-lhe o queixo. E o golpe o deixou espantado. Seu adversário aproveitou o momento para se libertar e, em vez de voltar para a luta, a fumaça ferida bateu em retirada o mais rápido que pôde.

Fre - Rápido demais! Seu covarde! Volte e venha lutar!

Rugiu Frey enquanto a nuvem flutuava sobre os telhados dos edifícios e desaparecia. 

Fre - Eu tenho que te queimar! Todo! Tenho que queimar até que tudo vire cinzas!

Magia do fogo fluiu para dentro dele como uma droga. Já estava correndo atrás da criatura quando escutou um ruído à esquerda. Meio segundo depois, o rapaz já tinha chamas negras nas mãos. Mirou num novo alvo. 

- Desculpe... eh... Madden?

Continua...



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