História Touro Negro: "A Cólera do Dragão" - Capítulo 5


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Fantasia, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - "É Tempo de Esquecer"


Fanfic / Fanfiction Touro Negro: "A Cólera do Dragão" - Capítulo 5 - "É Tempo de Esquecer"

- Desculpe... eh... Madden, não é? 

Murmurou a menina, soando temerosa e incerta. Era Robin Soloviev, aluna do mesmo ano que Frey. Ficou ali parada de olhos arregalados, prendendo atrás da orelha os cabelos laranjas e brilhantes. Tinha a franja longa na frente. Mas era curto nas costas. Seus olhos eram verdes e ardentes, sob uma franja de cílios cor de fumaça num rosto delicado e bonito. Seu corpo era esbelto e um tanto frágil. E, ainda assim, Frey sentiu que ela possuía segredos íntimos que ele ainda não compreendera. Resistiu ao impulso de estender a mão tocá-la. 

- Não quis te assustar.  

Olhou para o chão de blocos de pedra, mais exatamente para um ponto próximo aos pés do rapaz. Era um ponto muito específico. Frey seguiu seu olhar com má vontade. Viu pegadas carbonizadas fumegantes atrás de si. Depois se sentiu drenado e menos incendiário. Não parecia mais tentado a perseguir a névoa e causar mais dano.

Rob - Legal. Não se mexa. 

Murmurou Robin e pegou sua câmera. Bateu foto antes que Frey pudesse dizer qualquer coisa. Bosta. Sabia que precisava sair dali. Sabia que a última coisa que queria era plateia. Principalmente quando se tratava da Robin, que assistia enquanto ele ficava ali, jorrando chamas como uma vela romana. 

Fre - Desculpe. Eu... preciso ir. 

Virou-se para ir embora quando um trovão soou ao longe. Ou o que parecia ser o som de um trovão. E, de algum modo, Frey entendeu imediatamente. Já estava correndo para casa quando a tempestade que havia ameaçado cair o dia inteiro desabou. Viu-se soltando vapor sob a chuva torrencial. Poucos segundos depois já estava encharcado até os ossos. Parou em algumas casas isoladas para ver se estava sendo seguido. Conseguia ver cada pessoa na calçada fria e irregular. Ouvia uma centena de conversas ao mesmo tempo. Como se todos os seus sentidos estivessem aguçados. Era demais para o rapaz aguentar. Mas sentia-se tranquilo e no controle de tudo. Olhou para trás à tempo de ver alguém emergir entre duas casas e mover-se rapidamente na direção dele.

Tinha o rosto enrugado e as roupas que recaíam sobre o corpo magro como zimbro sobre uma encosta. Seus olhos eram opacos e enevoados como um céu de inverno. Frey conseguia ver isso e muito mais. Apesar do estranho há mais ou menos 26 metros de distância. Cobria a distância entre eles com passos largor. Não demorou para que o rapaz descobrisse quem realmente era. Reconheceria-o mesmo se estivesse num formigueiro, apesar da cegueira. Era Lucius Frowsley, o velho proprietário da destilaria mais produtiva do mercado. Nunca ia a cidade, se pudesse evitar. Sua cabana ficava num bosque em algum lugar distante daquela selva urbana. Frey tinha certo fascínio pelo velho.

Se orientava por trilhas e saliências da região elevada como um cabrito. E a melhor parte era que Lucius tinha livros. Não eram tantos quanto na biblioteca de Jocelyn. Mas eram mais livros do que qualquer outro homem tinha direito de ter. Lucius os mantinha trancados num baú, para protegê-los do clima. Para que um cego precisava de uma biblioteca: Frey não saberia dizer. Mas o velho o encorajava a se aproveitar dela. E o rapaz fazia isso. Alguns dias, descia com dificuldade o bosque, carregando metade de seu peso em livros. Outro mistério para o rapaz. Já deveria ter lido todos umas duas vezes cada. Mas parecia que Lucius sempre tinha livros novos.

Luc - Garoto! Vá para casa agora! Rápido! Jocelyn está esperando por você.

Latiu velho quando se aproximou. Sua voz feria como uma chicotada, fazendo o rapaz recuar, cambaleante. 

Fre - Lucius? 

Murmurou o rapaz, incerto. Sentia seu corpo transformando-se, retorcendo-se outra vez ao voltar a sua forma humana. Escamas que lhe cobriam o corpo recuaram, desaparecendo sob a pele. 

Luc - Eu mandei você ir!

Gritou velho. 

Luc - E o que aconteceu com você? Porque está cheirando como um posto de gasolina que acabou de explodir?!

Fre - Como você pode saber disso?

Luc - Eu sinto cheiro, garoto! 

Falou Lucius. Sempre o chamava de "garoto". Deu-lhe as costas. Olhou para o fim da rua, em direção ao Colégio, com o rosto feroz e determinado. Ainda parecia agitado e inquieto. Continuava inclinando a cabeça de um lado para o outro, como se captasse um odor ou um som fraco na brisa. 

Luc - Vá para casa, agora, garoto! Conversaremos mais tarde.  

Ralhou o velho outra vez. Virou-se para o rapaz, que literalmente começou a correr para casa. Vento sacudia freneticamente os balanços quando Frey passou pelo pátio de recreio da escola primária. Copas dos pinheiros à volta do estacionamento curvavam-se e dançavam. Pedaços de lixo corriam pelo chão. Frey lembrou-se da mensagem que deixara na secretária eletrônica. Jocelyn devia ter mandado Lucius procurar por ele. Estava zangada pelo rapaz ter saído escondido em vez de ter ficado no Café. Bosta. Sentiu agulhas espetando-lhe os braços. Provavelmente estava frito. Começou a se perguntar se era boa ideia correr para casa para não tomar uma bronca da Jocelyn. 

Mas a essa altura o rapaz estava dobrando a esquina na rua do Café. Andou mais dois quilômetros para chegar, cambaleando, passando por conjuntos residenciais cheios de pichações e lojas escuras e trancadas. Postes esporádicos manchavam o chão com luz amarelo-vômito. Logo Frey seguiu para os becos, onde chegou a um café de estilo antigo com uma persiana vermelha e branca sobre a porta com os dizeres: Café e Curry LeBlanc. Era feito de tijolos. Também se destacava por ser a única estrutura residencial independente numa vizinhança só de casas geminadas e pequenos prédios.

Seu bairro era mais bonito por ali, com calçadas mais largas cobertas por árvores. Seu Café parecia oprimir gentilmente os carros, postes de luz e outras casas ali em volta com as memórias de seu elegante passado claramente holandês. Sua entrada era protegida por uma porta de tela que dava um ar suburbano prosaico e deprimente. Flores alaranjadas e roxas de zínia ainda desabrochavam contra qualquer lógica vegetal. Permaneciam espalhadas num padrão aleatório pelos canteiros de terra preta ao lado da porta. 

Fre - Que estranho. Não sabia que a Senhora Buvelle gostava de flores.

Murmurou ainda que sem interesse algum. Aproximou-se exitante da janela. Podia ver que o Café estava quase vazio. Porém o rapaz não entrou no pequeno café. Deu a volta até os fundos do café. Viu seu alvo no segundo andar: uma janela à esquerda do centro.  

Fre - Certo. Agora é só alcançar a janela. 

Observou com cautela. Flexionou de leve as pernas. Depois saltou até a parede. Suas botas quase não encontraram apoio nos tijolos molhados. Sabia que a janela era alta demais. Mas Frey ultrapassou a saliência embaixo num único salto. Começou a escalar até encontrar qualquer ponto de apoio. Encontrou um cano de escoamento. Bosta. Por um momento, seu corpo começou a se inclinar para trás, no ar. Mas o rapaz se endireitou e dobrou os joelhos para fora. Como tinha visto lagartos fazerem ao grudar nas paredes. E então encontrou uma forma de se equilibrar.

 Ainda não tinha chegado tão longe no plano. Inclinou a cabeça para cima e tentou avaliar a distância. Parecia estar suficientemente perto, caso saltasse. Mas se errasse o pulo. Não parecia provável que conseguiria pousar na saliência. Não tinha um ângulo limpo para ver qual seria o tamanho da queda. Provavelmente era melhor assim. Melhor o cacete! Discordou com amargura. Não deixaria Lucius na mão. Precisava fazer isso. Vamos lá. Dobrou os joelhos ainda mais, com a barriga e a parte interna das coxas grudadas na parede áspera. E então lançou-se no ar com os braços o mais esticados possível. Seus dedos se esforçaram na direção do parapeito. E o agarrou.

Fre - Cacete! 

Exclamou espantado. Aquela fora por pouco. 

Fre - Como eu queria ter nascido falcão!

Riu mesmo em meio á urgência. Ergueu-se com um grunhido e colocou os pés no piso de madeira. Nada daquilo fora planejado. Estava mais para um improviso. 

Fre - Bem á tempo. 

Disse ao ver o relógio. Quase foi atingido de raspão na cabeça por algo que parecia uma grande tela de lona. 

- Seu moleque irresponsável!

Gritou uma voz furiosa e musical. Frey nem percebeu, de tão rápido que foi, que tinha pulado de susto. Contraiu-se em ao ver o vulto parado na porta. Tentou pensar se era tão rápido como uma galinha. Ou se apenas tinha bons reflexos.  

- Você está mais do que atrasado!

Ralhou o vulto. Avançou com passos pesados até o interruptor de luz na parede mais próxima. Quando a sala foi inundada de luz. Lá estava Jocelyn Buvelle com o rosto manchado pelas lágrimas. Trajava uma camiseta branca com botões coberta de tinta por cima de uma blusa verde. Usava botas esportivas de cor cinza cujas solas estavam cobertas de tinta a óleo. Seu chão já estava cheio de bolinhas de papel. Provavelmente um sinal claro de que a criatividade não estava circulando da maneira que ela esperava.

Fre - Seu humor parece o chão deste lugar, sra. Buvelle. 

Murmurou o rapaz, se recompondo do susto. Era bem mais alto do que ela. Mas Jocelyn curvou o queixo dele para baixo para poder ver-lhe o rosto. Desta vez o cabelo preto dela estava tingido de verde-neon. Era liso e curto como algum tipo de capacete. Porém seu rabo-de-cavalo tinha o dobro do comprimento. 

Joc - O que aconteceu com você? E porque está fedendo posto de gasolina? 

Perguntou largando-lhe o queixo. Mas ainda estudava seu rosto.  

Fre - Não é nada. Eu estava resolvendo algumas coisas na escola. Coisas que você nunca faz. 

Disse o rapaz, dando-se conta de que estava tornando a situação pior. Jocelyn colocou as mãos na cintura. Agora ela estava furiosa mesmo. 

Joc - Resolvendo coisas com seus amigos, no caso! Estava cheio hoje, e você nem estava aqui, Madden! Eu tinha que cuidar de tudo sozinha! E o que aconteceu com as suas roupas?

Fre - Não posso te dizer isso agora. Melhor eu te contar isso amanhã. 

Falou de forma evasiva. Seu rosto ficou quente pelo embaraço. 

Fre - Eu encontrei o Lucius. 

Joc - Lucius? 

Piscou distraída. Olhou para Frey como se ele houvesse acabado de pronunciar um monte de frases em babilônio. 

Joc - Mas eu nem falei com ele. O que aconteceu? 

Fre - Eu não sei. Nos encontramos na rua. E ele me disse para voltar pra casa. Disse que você estava preocupada e... e... 

Sua voz falhou. Bosta. Jocelyn se concentrou para voltar ao ataque. 

Joc - Se você o encontrou, então você devia ter voltado rápido! Como pôde ser tão descuidado? E se alguma coisa tivesse acontecido com você?

Fre - Me sinto ótimo, Senhora... Jocelyn. Sério. 

Murmurou o rapaz, ajeitando-se com um resmungo. Jocelyn tinha lhe pedido para que ele parasse de chamá-la de Senhora mais de uma semana, alegando que a fazia se sentir velha. Porém era verdade. Apesar de tudo o que aconteceu nas últimas horas. Depois de Frey ter sido jogado ao chão e coberto de lixo. Sentia-se realmente leve. Era difícil de explicar. Tudo parecia estranhamente nítido. Mais em foco. Perfeitamente translúcido. Também totalmente estática. Havia um lado intenso e primitivo em tudo. Como o vento uivava lá fora. Frey podia ouvir o chapinhar do granizo no telhado. Ouvia as velhas janelas que chacoalhavam nos batentes de madeira. Sentia vontade de voltar para fora em meio ao vento. Sentia vontade de brandir o punho e uivar de volta.

Fre - Eu estou bem.

Disse o rapaz outra vez.

Joc - Sério? Pois está com uma aparência péssima! Tem lixo no seu cabelo! 

Disse puxando-o para um abraço.

Joc - Tenho trabalho para fazer hoje à noite. E você precisa tomar um banho. Quem sabe a gente encomenda comida tailandesa? Podemos esquecer o que aconteceu, está bem?

Fre - Claro. Está ótimo.

Continua...



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