História Toxic Twins - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Aerosmith
Tags Aerosmith, Amor, Drama, Drogas, Jaded, Musica, Romance, Separação, Sexo, Steven Tyler
Visualizações 15
Palavras 3.541
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Peço desculpas pelo atraso do capítulo, esta semana está bastante corrida para mim. Estou me preparando para viajar na quinta-feira (16). Fiquem atentos para um novo capítulo também na quarta feira (14) já que no Sábado (18) estarei viajando para o show do Bruno Mars no Rio de Janeiro!
Boa leitura. Devidas atualizações serão feitas na segunda.
Comentários são bem-vindos, sejam eles da natureza que forem. Criticas, elogios, etc...
Obrigada desde já ♥

Capítulo 5 - Same old song and dance


Fanfic / Fanfiction Toxic Twins - Capítulo 5 - Same old song and dance

 

Te pegaram com a cocaína

Que acharam com a sua arma

Nenhum advogado sem vergonha

Pra desfazer isso

 

 

Steven tapou os olhos, tentando se livrar daquele maldito raio de sol que entrava por uma pequena fresta, minúscula, em meio a cortina blackout.

Quando finalmente se acostumou com a claridade do cômodo, esticou-se, com um pouco de dor nas costas, e só então notou que se encontrava deitado no carpete de sua sala, com duas garotas ao seu lado, que, aliás, pareciam idênticas as mesmas que se ofereceram para ir ao camarim.

Passara do ponto com a bebida depois da partida de June, nem mesmo conseguia se lembrar de como chegara em casa, mas, aparentemente, a noite tivera sido bem longa e divertida, pois quando despertou por completo e focalizou sua visão no relógio pendurado na parede, notou que já passava das duas da tarde.

Levantou-se em um salto, tinha uma entrevista marcada em uma rádio as três - teria menos de meia hora para se arrumar se quisesse chegar a tempo. Sem nenhuma dó ou piedade, arreganhou as cortinas de uma só vez. A loira resmungou algo sobre “apagar a luz” e abriu os olhos. Ele se aproximou, agachando-se em sua direção e sorriu.

- Sinto muito - falou - estou atrasado. Tem comida na cozinha, vou levar vocês de volta em vinte minutos.

Já no banho, recordou-se novamente do que acontecera na noite anterior. Não que estivesse incomodado com o fato de June ter ido embora com outro homem. Sua situação como figura pública, uma vez ou outra, não o permitiria dedicar toda a sua atenção a ela quando estivessem juntos. Mas, de certa maneira, assim que a viu em frente ao palco, naquele exato momento, planejou sair de lá em sua companhia. Mesmo que apenas para dirigir pelas ruas de Los Angeles sem rumo algum.

Sentia-se parcialmente frustrado consigo mesmo por ter tido aquele tipo de pensamento. Que clichê você é, cara. Pensou consigo mesmo.

Depois de se arrumar em tempo recorde e vestir o primeiro conjunto de roupas que viu pela frente, saiu em disparada estrada a fora, torcendo para que não se atrasasse muito. Pelo retrovisor, observou as duas garotas cochicharem algo uma a outra e logo depois olhou para o relógio, ainda tinha dez minutos. As deixaria no primeiro lugar menos movimentado que encontrasse.

- Aqui - a morena se agachou na janela do carro assim que desceu, entregando-o um post it. Adivinhe? Arrancado de sua geladeira - Me ligue quando quiser um pouco de diversão.

- Com certeza. Pode deixar. Foi uma ótima noite garotas - mentiu, não se lembrava de nada - Arrivederci!

E com um sorriso mecânico no rosto, acelerou de volta a estrada. Nunca discaria aquele número. Amassou o papel assim que estava a uma distância segura e o arremessou longe. Não era o tipo de cara que costumava a repetir. A não ser que se apaixonasse, mas este era outro caso, o qual não acabou muito bem da última vez que rolou.

Faltando apenas dois minutos para o horário em que tinha sido marcado o início da entrevista, o carro já se encontrava estacionado, enquanto, a passos apressados, caminhava pelos corredores. De acordo com a recepcionista, todos já tinham chegado e esperavam-no na sala 3B, segundo andar.

Quando abriu a porta, Joe se levantou e veio em sua direção. Seria naquele exato momento em que ele passaria de passivo-agressivo para apenas agressivo. Steven se preparava para receber um soco no meio do rosto, mas o outro apenas o puxou e fez sinal para que se sentasse na cadeira.

- Trinta segundos - o radialista anunciou.

- O que?

Pronunciou, sem nenhum som. Como podia começar uma entrevista sem nem ao menos se preparar antes? Contar umas piadas. Dar em cima da DJ....

- No ar - o homem continuou - Estamos no ar com mais um programa “Sitting with the rock stars”, hoje estaremos recebendo alguns dos maiores nomes do momento, os bad boys de Boston e a banda Aerosmith.

Steven odiava fazer as coisas com pressa. Não conseguia se concentrar sob pressão. O seu bom humor se dissipara completamente no exato instante em que se sentara naquela cadeira e fora obrigado a iniciar tudo aquilo sem nem ao menos ter tempo para respirar. Bem, em outro ângulo, aquilo fora culpa sua. Bebera demais, transara demais, dormira demais.... Mas, isso não o impediu de lançar algumas farpas enquanto dava suas respostas.

- Sabemos que - disse o radialista e ele meio que previu o que viria a seguir - o problema com as drogas trouxe gigantescas consequências para a banda. Brigas feiras, discussões mal resolvidas e, a temida decadência dentro e fora da banda. Como anda a sobriedade de vocês?

Aquela pergunta. Aquela porra de pergunta. Já tinham a respondido quantas vezes? Será que não tinham escutado muito bem da última vez ou faziam aquilo de propósito, apenas para provoca-los e tentar fazer o circo pegar fogo novamente? Steven sabia que, apenas de todo mundo ali já ter enchido o rabo de drogas até desmaiar, o único que levava toda a culpa era ele. Todos guardavam mágoa dele.

- Não iremos responder essa pergunta mais uma vez seus sensacionalistas de merda - respondeu em um impulso - Acredito que nas revistas de fofocas já tenham todas as respostas. Inclusive aquelas que nunca demos. Obrigada. Entrevista encerrada.

Ele arrancou os fios que ligavam todos os microfones a outra máquina, que enviava o sinal da rádio para os ouvintes. Saiu pela porta sem nem ao menos olhar para trás. Não precisava, sabia exatamente como todos estariam o olhando.

Com sorte, se apressasse seus passos, conseguiria sair pela porta principal e sair quem ninguém o alcançasse e começasse com aquela maldita pregação de moral.

- Tallarico, seu filho de uma puta - Joe gritou atrás dele.

Não conseguiria continuar andando, não engolia sapos, mesmo sabendo como tudo acabaria. Então parou e girou os pés, virando-se em direção ao outro. O amava de todo seu coração, mas porque não conseguiram passar cinco dias sem lançarem palavras de baixo calões e xingamentos um ao outro? Por quanto tempo aquela rixa ainda continuaria? Ah.... O maldito LSD.

Ele estava mal-humorado. Com sono. Irritado. Frustrado. Cansado. Aquilo o fazia agir como um completo babaca. Tinha concepção disso, mas, de certa forma, era sempre pelo bem da banda. Mesmo que não parecesse.

Joe franziu o cenho, acabaria congelando naquela posição para sempre, afinal, nunca parecia feliz. A mesma expressão vazia e sem definição. Raiva? Tristeza? Decepção? Foda-se?

- Vá em frente, despeje sua merda - Steven falou - Diga-me o que já sei. Que sou um grande e maldito filho da puta.

O outro respirou profundamente, tentando controlar a si mesmo.

- Não entendo porque sempre tem que agir assim. Mas entendo que quer o melhor para a banda, mas desse jeito, não vai funcionar. Já não nos basta ficar o tempo inteiro tentando encontrar uma solução para nossos problemas, ainda vem um bando de filhas da puta e esfregam todo o esterco na nossa cara.

- Então você me entende - afirmou.

- Não - Joe o corrigiu - Não entendo por que

- Não – Joe passou a mão pela testa – Não aqui. Cara! Eu também estou tão cansado disso quanto você. Estou cansado dessas mesmas perguntas. Estou cansado de reviver esse passado o tempo todo. Já não bastasse eu ficar pensando em todas essas merdas sempre, ainda me vem um bando de filhas da puta me fazerem pensar nisso de novo e de novo e de novo.

- Então você me entende – ele afirmou.

- Não – Joe o corrigiu – Não entendo porque sempre tem que agir como um babaca. Mas sei que quer o melhor. Você não pode simplesmente defecar por cima da merda, entendeu?

Ele tinha razão. Desligar os microfones como um maluco, os fariam pensar que realmente estava maluco. O que diriam? Que teve um surto psicótico por causa da abstinência? Provavelmente sim. Muito provavelmente aqueles merdinhas já estavam escrevendo a todo vapor a nossa matéria das colunas de fofoca do jornal.

Mesmo que não fosse assumir que Joe tinha razão, sabia que ficar em silêncio seria a melhor forma de dizer que tinha entendido. De qualquer maneira, não voltaria para aquela sala. Precisava de um tempo para pensar em suas próprias atitudes. De um tempo para botar a cabeça no lutar. Então, apenas voltou a caminhar como se aquela conversa nem tivesse acontecido e foi direto para o seu carro.

Uma freada brusca em frente a oficina fora motivação o suficiente para que todos os funcionários saíssem correndo pela porta para verificar do que se tratava. Não costumava acontecer muitos acidentes de trânsito em frente a oficinas, na maioria das vezes a pessoa tinha que esperar por horas no meio da estrada até que o reboque aparecesse para buscar os seus veículos. June se espremeu entre Matthew e Paul, esticando o pescoço para ver, era ele.... Steven.

Há poucos minutos atrás, Matthew aparecera de repente, gritando, anunciando que a banda que gostavam estaria na rádio e depois daquela súbita interrupção, tivera pensado até mesmo em ir atrás dele, mas não podia, sua mãe tinha passado lá para pegar algumas anotações da contabilidade exatamente no momento em que o locutor anunciou que alguns problemas técnicos os impediram de continuar.

Mas naquele momento, já sem a presença de Meredith, ela apenas limpou as mãos em sua flanela e pendurou o pano no ombro de Paul, correndo em direção ao carro. No meio do caminho, deu meia volta, lembrando que mesmo que sua família fosse proprietária do estabelecimento, não podia simplesmente sair quando bem entendesse.

- Matt, se Meredith aparecer, diga a ela que fui buscar algumas peças. Termine o carro para mim, eu te dou minha parte.

Então, beijou o rosto dele, e sem nem mesmo esperar uma resposta, disparou de volta a encontro de Steven. Abriu a porta e se jogou no banco dianteiro. Nem mesmo tinha colocado o cinto quando ele arrancou novamente.

Ele não sabia ao certo porquê tinha ido parar lá, mas estar com June, mesmo sem nenhuma palavra como naquele momento, o trazia paz. Apenas por vê-la adentrando o carro e o peso em seus ombros diminuíra de maneira notável.

A garota, preocupada com aquele silêncio, varreu o veículo com os olhos e, ao lado dos pés dele, viu uma garrafa de conhaque.

- Você bebeu? - perguntou.

- Não - Steven respondeu monossilábico - Nós vamos.

Evitaria questiona-lo sobre o que tinha acontecido na rádio, preferia que ele falasse por livre e espontânea vontade. Se sentisse vontade e quando sentisse. Ela escorou a cabeça no banco e ficou olhando a paisagem se transformar. Desde lojas a casas, então, apenas árvores e o ar puro da natureza. Apenas quando a placa imensa, anunciando que estavam em Bel Air surgira no horizonte, percebera que estavam longe. Que diabos faziam ali?

Após alguns minutos estavam no portão de uma casa, bem maior do que a que ele morava em Burbank. Ela franziu o cenho, confusa, o local parecia um tanto abandonado. Se não fosse pelo jardim extremamente verde e bem cuidado, podia jurar que ninguém residia lá.

- Ok - June falou enquanto desciam do carro - onde estamos?

- Mi casa es su casa - Steven a respondeu, com um sorrisinho fraco no rosto.

- Mas... – coçou a têmpora – Você... Aquela casa... O que?

- Estamos trabalhando em uma turnê, para o ano que vem – explicou – e como a maior parte da banda mora próximo a Burbank, morar lá seria o melhor para todo mundo.

June se calou, aquilo fazia sentido, entretanto, ela ainda tentava digerir o fato de ele ter uma casa gigantesca apenas para passar uma temporada. Bem provavelmente faria a mesma coisa se tivesse muito dinheiro.

A casa tinha uma grande sala de entrada em formato circular. Os corredores pareciam ramificações e levavam aos outros cômodos. Ela se sentou em uma poltrona e esperou que Steven demonstrasse algum tipo de reação, mas ele apenas jogou as chaves do carro na mesa de centro e sumiu de seu campo de visão. Depois de alguns segundos, gritou algo sobre o que preferia beber e voltou a reaparecer com dois copos em mãos, a garrafa de conhaque e outra de uísque.

- O que prefere? – Steven falou, parecia tenso – São as únicas opções. Faz muito tempo que não venho aqui e os funcionários não bebem, então...

- O mesmo que você – June sorriu, tentando acalmá-lo.

Os dois copos foram preenchidos quase até a borda. Ou Steven estava tentando embriaga-la ou a si mesmo. Se aquela fosse uma questão de múltipla escolha, June escolheria a segunda. Ele parecia precisar de uma boa dose de álcool para extravasar.

- Desculpe aparecer lá de repente – o homem falou depois de uma golada – Eu... Eu não sei. Senti vontade de te ver.

- O que aconteceu?

June perguntou, mesmo que seu plano inicial fosse deixa-lo falar, Steven estava a deixando preocupada. Seu olhar estava um pouco distante. Não parecia o mesmo cara da noite anterior.

- Aquela pergunta – seu maxilar travou – eu não aguento mais falar sobre aquilo. Não aguento mais que as pessoas tirem suas próprias conclusões sem saber de metade da história – ele suspirou fundo – As pessoas estão sempre tentando me dizer o que devo ou não devo fazer. Porra!

Aquela história a lembrou de sua família, mas não estragaria a confiança tentando falar sobre seus próprios problemas. Ela se levantou e se sentou ao lado dele, escorando a cabeça em seu ombro. O entendia. Como entendia. Mas não conseguia imaginar como era quando o mundo inteiro passa o tempo todo tentando descobrir coisas sobre você e te dizendo como ou não deveria agir. Aquela era uma escala bem maior do que seu pai ou sua mãe.

Steven sentiu o peso em seu peito desaparecer completamente quando ela tocou sua mão e fez movimentos circulares com o polegar.

- Eu teria feito o mesmo – June falou, após alguns minutos em silêncio.

- Eu sei que sim – ele riu – Você quer dormir aqui hoje? Podemos sair à noite.

- Claro. Por que não? Nunca vim a Bel Air antes.

- Jura?

- Não. Bel Air está muito acima do meu nível –brincou – É uma cidade apenas para estrelas do rock.

O resto da tarde passou em um piscar de olhos. Ao menos Steven não bebeu muito mais do que aquele copo de uísque, ocupou-se em mostrar a casa para June e mostrar a ela as gravações de seus videoclipes na televisão.

Quando a noite caiu, ele a mostrou seu quarto para que tomasse banho e disse que podia vestir qualquer peça que quisesse de seus guarda-roupas. Os dois possuíam basicamente o mesmo porte físico e, como dissera antes, costumava comprar muitas roupas femininas para compor seu vestuário.

Enquanto tomava banho, a garota pensou na desculpa que pedira Matthew para contar a sua mãe. Ela já não serviria mais, não se demora um dia inteiro para buscar nada.

Mas não dava a mínima, já tinha feito aquilo incontáveis vezes. Não seria a primeira e muito menos a última.

Enrolada no roupão, separou algumas roupas. Uma calça rasgada, uma calça de couro justa – muito parecida com a que Steven usava na noite anterior – algumas blusas com manga flare e dois coletes. Não conseguia se decidir, então resolveu pedir uma segunda opinião.

Quando ela apareceu na sala, o copo que Steven segurava na mão foi parar no chão, derramando todo o liquido no carpete. June correu para ajudá-lo. Mal sabia que quanto mais próxima ficasse, mais o deixaria nervoso.

O causaria determinados pensamentos, os quais preferia não ter.

- Meu Deus, você se cortou? – perguntou – O carpete!

- Não se preocupe. Os empregados vêm para cá toda semana para limpar – ele engoliu seco, desviando o olhar das pernas dela amostra.

Ela o ajudou a juntar os cacos, jogando-os em uma pequena lixeira que ficava em cima da pia. Enrolaram o carpete e levaram para a lavanderia da casa.

- Estou em dúvida do que usar – ela se explicou, assim que terminaram de limpar, mostrando-os as peças que tinha em mãos – Pode me ajudar?

Subiram para o segundo andar, ele a ajudou a tentar montar algum visual com as peças que tinham em mãos, mas nenhuma delas parecia encaixar muito bem. No fim, acabou vestindo uma calça flare, com uma bata de seda rosa e um colete felpudo. Ela se olhou no espelho e deu uma volta completa.

- Meu Deus – falou – Quantos você cobra para ser meu estilista pessoal?

Steven riu. Não que tivesse algum tipo de manha na escolha de suas roupas, simplesmente comprava as que o deixava mais a vontade. Mas lá estava ela, sorrindo para o espelho como se nunca tivesse estado tão bonita antes.

- Aonde você quer ir? – Steven perguntou quando já estavam no carro.

- Eu não sei – June deu de ombros – Me surpreenda.

Ele se lembrou de um local em que costumava ir quando a banda se separou. Quase não aparecia nenhum paparazzo por lá e provavelmente poderiam sentir-se mais a vontade. Não queria expô-la, não queria que acontecesse com ela a mesma coisa que acontecia consigo mesmo todos os dias. Já lhe bastava à família, que parecia não dar a mínima à garota, um bando de abutres cercando sua vida não a faria nada bem.

O local estava praticamente vazio. Os dois logo se sentaram nos bancos em frente ao bar. Algumas pessoas pareciam reconhecê-lo, mas suas reações não passavam de olhares e cochichos.

- Steven Tyler – o atendente falou – Há quanto tempo não te vejo por essas bandas.

- Bob, meu chapa – Steven o cumprimentou – Não estou morando por aqui. Estou passando uma temporada em Burbank.

- Trabalho?

- Com certeza – ele sorriu.

- Fico feliz que esteja de volta ao topo – Bob devolveu o gesto, estava satisfeito em vê-lo bem – Bem acompanhado também – olhou para June – Quem diria que seu coração fosse ser amarrado de novo.

- Meu coração amarrado? – Steven arqueou a sobrancelha – Conte-me outra, Bob. Não caio nessa de novo. Esta é June, uma amiga de Burbank.

- Certo. Certo – o homem fez-se de desacreditado – Se é apenas uma amiga – ele tomou-a pela mão e depositou um beijo em seu dorso – Muito prazer. Bob Mc’Nail. Não sou nenhum cantor famoso, mas estou ao seu dispor.

June riu e apresentou-se. Logo seus copos estavam cheios, de acordo com Bob, pela conta da casa. Em poucos minutos, ambos já haviam bebido o suficiente para ficarem levemente zonzos. Não precisava de uma longa conversa ou de prestar muita atenção nele, apenas à companhia daquela garotinha de olhos azuis era o suficiente para que se esquecesse de seus problemas.

Uma música country tocava ao fundo e Steven não parava de remexer os pés, no ritmo da canção. June já estava irritada em vê-lo daquela forma e levantou-se.

- Vamos dançar – ela o puxou da cadeira.

- Cuidado com o copo – Steven deu uma golada, bebendo todo o resto do liquido – Você tem certeza disso?

- Ande, vamos! – ela sorriu enquanto o arrastava.

Entre tropeços e risadas, criaram uma coreografia apenas deles. Steven a rodopiava pelo salão e a puxava de volta em encontro com o seu corpo. Ela afastava-se e remexia os quadris de forma exagerada.

Não parecia existir mais nada além daquele momento. Para ambos. Era como se todos os problemas lá fora fossem apenas poeira e estivesse indo embora com o vento. Nada poderia alcança-los ou tocá-los.

Perderam a noção do tempo que passaram lá dentro. Entre copos, danças e um dueto mal sucedido no karaokê – mais riam do que cantavam. Saíram de lá quando o dia já amanhecia.

Os dois não poderiam ir embora naquele estado, Steven mal conseguia manter-se de pé, June encontrava-se ainda pior. O primeiro hotel que encontraram pelo caminho fora escolhido como a morada por algumas horas.

- Olha o tamanho dessa cama – ela gritou depois de se jogar no colchão - Ela é grande demais ou eu estou tão bêbada que aqui parece o paraíso?

- Não sei – Steven se deitou ao lado dela – Acho que estamos bêbados. Meus pés não cabem aqui.

A loura gargalhou, engasgando com o ar que entrava em seus pulmões, por vezes chegava a fazer um barulho estranho com o nariz. Steven não conseguia parar de rir, mesmo que perguntasse a si mesmo o que tinha de tão engraçado ali.

- O que acha de fugirmos? – ele perguntou, deitando-se do lado dela – Podemos passar o resto da vida na estrada, provar todos os tipos de bebidas, visitar todos os lugares.

- Eu gostaria muito de fazer isso com você – June sorriu – mas você tem uma banda. Não pode deixa-los na mão.

- E você? – Steven perguntou.

- Eu o que?

- Você tem algo que não pode deixar para trás?

Ela ficou em silêncio por um longo tempo. Sua respiração estava começando a ficar lenta. Estava prestes a dormir. Steven tocou a testa dela com a sua e esperou pacientemente por uma resposta.

- Eu acho que não.

Finalmente ela respondeu. De forma tão baixa e quase inaudível que não o fez querer continuar o assunto. Então ele apenas fechou os olhos e deixou-se embalar pelo sono.



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