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História Toxicidade (Kakuhida) - Capítulo 10


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Notas do Autor


Olá para quem não tinha um guarda-chuva no momento do primeiro caixão de areia do Gaara no Clássico

Aqui está o capítulo que levei duas semanas para fazer, de longe foi o que mais me frustrou no processo, mas eu até que gostei na hora de revisar. Enfim, mesmo com as desavenças, ele é um dos mais importantes desse processo...

Portanto... boa leitura <3

Capítulo 10 - Um convite, três xícaras e um homem aflito - capítulo nove


-Droga! Isto não pode estar acontecendo!

Kakuzu atirou o celular nos lençóis com raiva, puxou seus fios de cabelo entre os dedos e apertou os olhos com força, tudo estava ruindo diante de si e ele estava de mãos atadas. Logo cedo, recebeu uma mensagem direta de seu hacker, mensagem esta nem um pouco agradável: era um áudio com a voz passada por um modulador, insistindo em um encontro entre os dois com a condição de a não-revelação da identidade do criminoso; deu instruções detalhadas de onde se encontrariam e fez Kakuzu convidar um amigo também para ficar no mesmo local de maneira afastada e sem saber o que acontecia, caso saísse da linha, o convidado pagaria com a vida.

Kakuzu não podia submeter seus amigos, sua família ao risco, não poderia simplesmente escolher alguém para arriscar a vida. Sua demora para responder foi tamanha que o próprio Hacker escolheu dois de seus amigos: Kisame e Itachi, agora ele precisaria apenas contatá-los para o local desejado. Não tinha outra opção a não ser se comportar da forma desejada por seus manipuladores.

Levantou-se irado, precisava se preparar para a aula e torcer para os dois estarem disponíveis no momento desejado pelo hacker, senão o risco seria triplicado.

 

=

 

Em uma cafeteria movimentada e espaçosa estava Kakuzu, sentado em uma das mesas externas do estabelecimento, de onde estava podia ver as costas de Kisame, ele já estava lá e não via o moreno; Itachi não poderia ir e aquilo estava preocupando o dono do blog, ele tinha um compromisso com o irmão mais novo e não podia desmarcar, esperava entendimento por parte do hacker. Ele estava nervoso, já estava na segunda caneca de café e nada dele aparecer, o tempo passava e sua mente se enchia: será que fizera alguma coisa errada e perdera a oportunidade que tinha?

Não, não poderia pensar desta maneira, precisava se manter firme para não colapsar. Virou o líquido restante no recipiente e esperou, batendo os dedos contra a mesa em impaciência total. Porém, todas as suas emoções foram substituídas por nervosismo assim que avistou uma pessoa de moletom largo e capuz, coberta da cabeça aos pés, sem mostrar uma parte sequer de sua pele; usava uma máscara com forma animal, por baixo do capuz as outras pessoas não enxergavam nada, mas Kakuzu podia vê-lo muito bem. Com a rápida análise da pessoa, Kakuzu conseguiu perceber que ele não era alto nem baixo, seu corpo aparentava ser esguio e forte, era impossível determinar sua idade.

Estagnado onde estava, ele mal percebeu quando o Hacker se sentou em sua frente, suas primeiras palavras eram irritadas:

-Onde está o Uchiha? Esqueceu da condição?! -como esperado, sua voz era robotizada, provavelmente escondia um aparelho sob as vestes para a alteração simultânea, de modo que seu verdadeiro timbre não pudesse ser ouvido.

-Ele não pôde vir, tenho as mensagens para te provar! Por favor, não faça nada com Itachi!

-Que seja a última vez que me desaponta. -ele se ajeitou na cadeira, em uma pose relaxada e baixando o tom de voz- Eu sei sobre seus pesadelos, tome cuidado ao escrevê-los nas notas do celular, eu tenho acesso a tudo. Aquele, onde desintegro seus amigos, me inspirou bastante. Pode me chamar de Algoritmo, considere uma homenagem ao seu tormento.

-Ok, não me importo, grande desgraçado, mas me responda por favor, por que estamos aqui?

-Bem, digamos que eu tenho trabalho para você. -Kakuzu franziu o cenho, estava confuso, achou que seu único objetivo seria melhorar a imagem deteriorada da polícia causada por sua influência. Como se lesse sua mente, o Hacker logo explicou- Sim, continuará seu trabalho de restauração à imagem dos meus patrões, você já deve ter deduzido que trabalho para a polícia né? Você não é burro. Enfim, os superiores decidiram usar você para mais.

-Como assim?

-Você é bom com tecnologia, não tanto quanto eu, mas não é de se jogar fora. Não podemos usar disso para entrar nos blogs que difamam o corpo, desconfiariam na hora, mas existem uma série de dados que precisam ser apagados e pessoas para serem eliminadas. Não podemos sair matando a todos, então queremos que use suas habilidades com o financeiro para subornar algumas pessoas, além de usar a internet como ferramenta.

-Eu não vou fazer isso! Eu não posso fazer isso, não vou manchar meu nome por conta de um blog!

-Baixe seu tom para falar comigo! Olhe para seu amigo, -apontou sutilmente para Kisame e ele pôde ver uma marca avermelhada em suas costas, mira de um rifle- olhe bem para ele. Agora, não se mova. -Kakuzu iria retrucar, porém sentiu um pé descalço tocar o seu sob a mesa, o que estava havendo?- Fique bem quietinho, se acalme antes de falar comigo.

De repente, o toque do pé no tênis de Kakuzu cessou e o tal Algoritmo se levantou, ajeitando o moletom no corpo e virando as costas.

-Somos misericordiosos, vamos deixá-lo decidir o melhor caminho, mas cada um tem uma consequência.

Então ele se retirou, deixando o dono do blog intrigado: tinha algo dentro de seu tênis, o que aquele cara havia aprontado? Sabia que não poderia ver agora, não enquanto ainda tinha um rifle apontado para as costas de seu melhor amigo, simplesmente deveria ignorar até se despedir de Kisame para ir embora, deveria aguentar sua curiosidade até tomar pelo menos um chá com ele.

Disfarçou seu nervosismo ao máximo e botou um sorriso no rosto, dando dois tapinhas nas costas de Kisame antes de se sentar na cadeira em frente. O Hoshigaki sorriu e perguntou o motivo do encontro, desculpando-se pela falta de Itachi; Kakuzu apenas justificou que estava distante e gostaria de passar mais tempo com os velhos amigos. Conversaram por cerca de uma hora, bebendo ao todo três xícaras de matcha, debateram assuntos mundanos e o moreno pôde esquecer de seus problemas por pelo menos alguns instantes.

Ao se despedirem, Kakuzu andou uma boa distância para se afastar de Kisame e da mira dos atiradores e retirou os sapatos desesperado, sentia o pulso claramente em sua garganta tamanho o nervosismo que o acometia. Retirou do pé um pequeno papel e o desdobrou com pressa, lendo as palavras rapidamente e arqueando as sobrancelhas em surpresa em seguida. Amassou o pequeno bilhete e correu na direção oposta, buscando Kisame desesperadamente e torcendo para que ele não houvesse ido embora ainda, agradeceu aos céus ao encontrá-lo abrindo a porta do carro.

-Ei, Kisa! -o mais alto parou o que estava fazendo e encarou o amigo, com uma sobrancelha arqueada- Existe alguma chance de você e o Itachi me deixarem dormir na casa de vocês hoje? Sabe, acho que estou precisando da companhia de um amigo mais do que posso admitir...

-Ah, que pedido estranho vindo de você! Mas tudo bem, não nos importamos, ao contrário! Adoramos a sua companhia, Kaku. Sinto que está escondendo alguma coisa de mim pelo pedido repentino, mas se não quiser contar, não vou insistir.

-Valeu, Kisa!

-Vamos, entre logo no passageiro.

Ele se acomodou no banco suspirando pesado, odiava mentir aos seus amigos, mas não podia hesitar.

O trajeto foi silencioso e o moreno apenas encarava as ruas alaranjadas pelo sol poente enquanto pensava na mensagem curta do papel amassado em seu bolso, por que aquele hacker o entregou aquilo? O texto era simples, mas perigoso, o intrigava e assustava ao mesmo tempo.

Vá para casa com Kisame, banheiro da suíte as três e cinco da manhã, não procure Itachi Uchiha.”

 

=

 

Hidan não parava de se revirar no sofá apertado e já tinha recebido cinco chutes de advertência de Deidara: se não parasse de se remexer, seria explodido, uma ameaça frequente do garoto loiro. Os dois estavam atirados no sofá da sala do jashinista deitados em lados opostos, com um balde de pipoca entre suas pernas e um filme antigo de terror passando na televisão. Em uma cena um tanto quanto tensa, o som da descarga ecoou no apartamento indicando que Obito estava saindo do banheiro; no exato momento em que o Uchiha voltou para a sala, um famoso “jump scare” dominou a cena e o moreno deu um grito tão agudo que superaria uma criança de cinco anos fazendo birra.

-Tobi, seu desgraçado, quer me enfartar?! -Deidara gritou bravo, jogando um grão de pipoca na cabeça do namorado encolhido no chão em horror, enquanto Hidan ria como um bebê.

-Para, Senpai! Meu coração quase parou agora! -o anfitrião rolou os olhos e se levantou, pegando Obito pelos braços e o arrastando até uma poltrona, indicando silêncio para continuar o filme e voltando a se atirar ao lado do loiro.

Na realidade, não estava verdadeiramente concentrado no longa, só gostaria de um pouco de paz para pensar. Todos pareciam mais distantes nos últimos dias: o trio estava relativamente isolado, mas isso não era tão incomum, os gêmeos estavam se adaptando a relação após a briga, então passavam muito tempo juntos e com Sasori, Kisame e Itachi sumiam e as vezes só davam sinal de vida depois de dias, também tinha Kakuzu... Hidan não entendia, estavam tão próximos, em pouco tempo tornaram-se melhores amigos e agora não falava com ele desde o dia de cinema.

Não sabia se deveria enviar uma mensagem e perguntar se tudo estava bem ou simplesmente esperar que ele o procurasse, talvez algo estivesse acontecendo, afinal ele esteve estranho nas últimas semanas e poderia estar enfrentando algum problema ocultado por si. Suspirou, era estranho se sentir preocupado com alguém depois de tanto tempo, a última pessoa por quem possuiu este tipo de empatia foi sua mãe, não gostava desse sentimento. Tudo passava mais devagar desde a última vez em que conversaram, parecia que faltava parte de seu dia, até mesmo na faculdade a distância era notória (aliás, não duvide, até mesmo a professora estranhava a repentina desunião da dupla líder em distração).

Levantou-se do sofá irritado, recebendo os resmungos de seus amigos e trancando a porta do quarto atrás de si, precisava ficar um tempo sozinho, mais do que esteve antes. Retirou o celular do bolso da calça e cogitou ligar para alguém, mas quem? Não, não fazia sentido, não sentia vontade de conversar, se sentisse, estaria na sala com os outros dois. Não, ele gostaria de conversar com uma pessoa em específico, mas não poderia ligar, era humilhante se rebaixar por uma amizade que já considerava unilateral, graças a falta de mensagens de Kakuzu.

Bufou frustrado, esfregando os polegares nos olhos. Seu tédio e dúvida, porém, não duraram muito; cerca de cinco minutos depois, seu celular tocou e a tela brilhou com o número de Kisame Hoshigaki, o que era incomum, eles nunca se comunicavam por ligações.

-Al...

“Hidan, o Itachi está aí?!”

-Ãh? Não, não vejo o Ita desde a aula. Por quê?”

De repente, começou a ouvir soluços do outro lado da linha e a preocupação o invadiu, algo estava errado. Perguntou desesperado o que estava acontecendo e estranhou ao notar um som ao fundo da linha, parecia que o celular estava trocando de mãos.

-Kisame, o que caralhos está acontecendo?!

“Hidan,”- sua preocupação era tanta que mal pôde se alegrar por ouvir a voz de quem tanto sentiu falta- “sou eu, Kakuzu. O Ita sumiu, disse que ia fazer sei lá o que com o irmão, só que o Sasuke disse que não o vê desde anteontem. Perguntamos para todo mundo, ninguém o viu.”

-Mas que merda! Estou com o Dei e o Tobi aqui, vou perguntar se eles sabem de alguma coisa!

“Ok, nós vamos estar na delegacia, caso não souberem, corra para lá.”

Hidan congelou no local, não poderia entrar em uma delegacia, não quando corria o risco de ver aquele homem novamente, o autor de seus pesadelos. Estremeceu, sentiu as lágrimas querendo sair de seus olhos somente com a ideia de pisar em um lugar como aquele, a possibilidade de reencontrar a pessoa que mais abominava o assustou. Mas precisava ser forte, se fosse preciso iria até seus demônios para encontrar o Uchiha, uma das pessoas que mais o ajudaram quando precisou.

“Hidan? Hidan! Está aí? Aconteceu alguma coisa?!”

-Não, está tudo bem. Vou desligar agora...

Jogou o aparelho na cama e abriu a porta com força, assustando os namorados que dormiam agarrados no sofá e ignoravam o fim do filme. Puxou o cobertor de cima dos dois e os fez pular assustados do acolchoado.

-Que porra é essa? O que tá acontecendo, Hidan?

-O Itachi sumiu!

-O que? -Obito parecia assustado- Como assim? Ele tá bem?!

-Eu não sei, cacete, ele sumiu!

 

=

 

Kakuzu estava assustado, nunca viu o amigo chorar tanto em preocupação como naquele dia, Kisame estava destruído apenas por cogitar a possibilidade de algo ter acontecido com o namorado. Assim que deixou o mais alto na delegacia juntamente com Kuro, Shiroi, Nagato, Konan e Yahiko, deu meia volta para o apartamento do Hoshigaki, dizendo que esperaria lá para caso Itachi voltasse. Era mentira, e ele se sentia mal por isso, mas era necessário, no bilhete estava escrito: “Não procure Itachi Uchiha.” Precisava cumprir as instruções, precisava descobrir o que fizeram com um de seus melhores amigos.

Na rua, próximo de onde estava, uma figura passou chorando escondida pela penumbra da noite. Secava as lágrimas com a manga do moletom e se escondia sob os longos cabelos pretos, tinha poucas horas para fazer o que deveria e estava assustado, se fosse pego, seu irmão estaria morto. Precisava ser resistente, sabia que todos estavam preocupados, mas aquilo era necessário. Pelo menos por agora.

 

 

 

Continua


Notas Finais


Itachinho não tem paz nem nas fanfics... E então? Teorias?

Saudade de não fazer nada juntamente com meus amigos, do jeito que o Hidan e os Tobidei fizeram... quem topa um mutirão pra pegar o vírus na porrada?

Por hoje é só pessoal (referências, referências). Espero que esteja gostando, bom fim de semana! <3


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