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História Tradições Não Mentem - Capítulo 1


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Notas do Autor


Meu primeiro especial de Natal fora de época e também um especial de noventa histórias um tanto atrasado que desenvolvi através de uma doação de ideias natalinas no Tumblr! Eu não sei se isso está bom, mas é resumidamente uma tentativa de comédia sem graça.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Infelizmente, o CEO da maior empresa de cosméticos da zona leste da Cidade S decidiu que responsabilizaria dois funcionários azarados para trabalhar além do feriado, estritamente encarregados de preparar uma festa de Natal exclusiva dentro do departamento.

 

Por meio de conselhos desafortunados e maus julgamentos, o chefe teve seu veredito ao escolher um par de rivais que não suportavam um ao outro para prestar seus serviços em conjunto.

 

Josuke era ótimo em trabalhar em equipe, mas seus acessos súbitos de raiva o levaram a ter seu próprio espaço na administração. Rohan era um designer sublime e demasiadamente dedicado para a corporação, criando vida e atraindo multidões de novos consumidores somente através de suas campanhas sofisticadas e bem chamativas; entretanto, sua personalidade ríspida e mal-humorada construiu poucos parceiros.

 

Quando um comentário inconveniente vindo do artista chegou aos ouvidos de Josuke, uma discussão pipocou mais rápido do que todos os novos anúncios juntos. "Como alguém com um penteado tão idiota poderia fazer parte do staff de analistas do planejamento de marketing para novos produtos capilares?", ele inquiriu há três meses, delimitando uma rivalidade assídua entre ele e o homem mais alto.

 

Josuke e Rohan se odiavam intensamente desde então, e nem mesmo uma única alma solitária os suportou por mais de uma semana no mesmo escritório. No entanto, nenhum deles possuía o poder de escolha. Seu supervisor havia sido claro o bastante ao destacar que, caso um deles sequer cogitasse rejeitar aquela ideia, não haveria nada além da rua para os dois funcionários teimosos juntos.

 

"Você acreditou que eu seria como os outros e iria me voluntariar para coçar seu ego apenas porque você é o filho do chefe", Kishibe assoprou em uma risada sarcástica enquanto limpava a bagunça que ambos fizeram no setor principal após uma briga violenta sobre a escolha das cores que estariam ornamentando a sala. "Eu não aceito nepotismo tão facilmente e eu não vou me dar bem com você apenas porque o senhor Joestar pediu para que eu fizesse."

 

Josuke estava revirando os olhos em sua direção quando estalou a língua no céu da boca, puxando um tapete grande e esverdeado que estaria dando suporte à árvore — e que, relutantemente, Rohan selecionou.

 

"O que está feito, está feito. Faça o que quiser. Eu dependo do seu trabalho, mas você é incapaz de abrir sua boca e não dizer um insulto sobre quem eu sou."

 

Ele estava inventando uma desculpa para utilizar o design gráfico em seus projetos, enviando numerosas tarefas de larga escala nas mãos do mais velho. O que não se demonstrou uma via valorizada para o seu inimigo nada hospitaleiro, cujo ignorou todas as investidas que o jovem propôs para melhorar seu trabalho.

 

O artista se negou a sujar seu uniforme na presença de Josuke.

 

Eles observaram o suporte esperando para ser desdobrado, completamente em silêncio.

 

"Ei, espero que seu espírito natalino ainda não esteja morto, pois precisamos montar essa árvore até o fim do expediente."

 

Rohan o encarou com uma expressão nada menos do que debochada.

 

"O expediente já acabou há muito tempo. Você é burro por natureza ou o seu relógio barato pifou?"

 

Josuke percebeu: eles estavam bastante além das oito agora. Nessa lógica, os dois deveriam ir para casa depois da madrugada. Mentalmente, ele quis se desligar e sair ao pensar em reservar seu tempo ao lado de Rohan.

 

Mas o menor continuou: "Oh, não, isso foi um erro. Talvez você não tenha aprendido a contar na escola."

 

"Você poderia calar a boca?", Higashikata rosnou, começando a abrir os galhos e ramos da árvore.

 

"Pobre Josuke, quando irá aprender a ler os ponteiros?"

 

"Me dê o pisca-pisca."

 

Era em torno de meia-noite no momento que Rohan introduziu a estrela no topo da árvore, suspenso sobre uma cadeira nada confiável que ele se recusou a deixar Josuke segurar.

 

"Tem certeza que isso está da maneira correta?", o analista questionou com ceticismo, observando pelo canto dos olhos o trabalho que o artista estava fazendo. Seu corpo inteiro gritava exaustão, suplicando por descanso iminente.

 

Kishibe parecia muito mais tranquilo em comparação as primeiras horas, acostumado com a presença do homem de topete. Suas sobrancelhas estavam relaxadas no instante que ele olhou para baixo, vislumbrando-o tremer ligeiramente em seus agasalhos em detrimento do frio e a neve se acumulando nas janelas. "Eu sei o que estou fazendo. Olhe só para essas fitas caras e enfeites bonitos, eles não estariam lá se não fossem por mim."

 

Os ombros de Higashikata subiram e desceram num paradigma inerte. "É claro. A única coisa que pude fazer é segurar as guirlandas e iluminar o galpão."

 

Afinal, o mais baixo não deixou que ele tocasse em todas as suas preparações. Todavia, Josuke não reclamou: havia arte fluindo pelo corpo de Rohan ao invés de sangue, e isso foi inegável.

 

"Precisamos embalar todos aqueles presentes agora." Ele desceu da cadeira, respirando curtamente antes de se afastar e encarar a montanha inóspita de caixas.

 

Eles observaram sua obra-prima — ou a obra de Rohan. As coisas que você poderia encontrar nos achados e perdidos da Joestar’s Cosméticos... elas eram bastante assustadoras, porém muito úteis. Uma vista conclusiva custou para revelar que até o Papai Noel estaria orgulhoso. Enquanto isso, Josuke achou interessante como os olhos verdes de Rohan refletiram as luzes cintilantes e douradas da árvore simultaneamente.

 

De repente, o rosto do designer adquiriu uma espécie de característica enojada. "Se eu ganhar meias de Natal de novo este ano, eu vou me demitir.”

 

Higashikata riu baixinho, tardando a acreditar que, pela primeira vez, ele sentiu que poderia estar aproveitando a companhia do outro de certo modo. No fim das contas, talvez Rohan não fosse um babaca em tempo integral.

 

"Deveríamos fazer um amigo secreto. Acho que eles gostariam dessa ideia em particular."

 

O mais baixo ponderou, refletindo acerca do que viria a seguir. Eles finalmente tinham concluído a decoração, entretanto, ainda teriam mais um dia para terminar a listagem dos convidados e selecionar o cardápio (além de remover toda a sujeira proveniente de pequenos reparos).

 

"Você está sugerindo como mais uma das suas iniciativas de socialização ou há uma razão oculta por trás disso?"

 

"Seria interessante poder tirá-lo e ver sua reação com isso, mas, não”, Josuke brincou, coçando a nuca à medida que se preparava para checar as luminárias. "Na verdade, eu acho que-"

 

Ele congelou.

 

O artista arqueou uma sobrancelha, indiferente à forma como o maior parecia totalmente imóvel ao encarar alguma coisa. "O quê?", Rohan cruzou os braços.

 

O pomo-de-adão de Josuke fez uma volta violenta, guiando o olhar do artista com seu dedo indicador: "Por que colocou isso aqui?"

 

Um visco pairava despretensiosamente acima de suas cabeças.

 

Higashikata engoliu em seco, olhando para qualquer lugar que não fosse a estrutura confusa de seu suposto rival. "D-Duas pessoas devem se beijar ao passar sob um ramo de visco." Ele tomou coragem, sentindo suas orelhas queimarem. "É uma tradição."

 

As coisas ficaram tensas repentinamente. Um clima constrangedor tinha acabado de ser montado, gerando borboletas insaciáveis no estômago de Josuke. Ele nunca tinha pensado sobre isso.

 

Quer dizer, seria uma mentira se ele dissesse que os lábios avermelhados que o designer ostentou eram algo senão muito convidativos, só que...

 

"Você achou que eu tinha feito isso de propósito?", a fala de Kishibe ecoou como uma risada contínua no cômodo decorado; abaixo do visco.

 

Ah, não.

 

Agora, Rohan tinha mais um argumento para jogar contra ele sempre que quisesse infernizá-lo e abusar de sua paciência.

 

Higashikata engasgou, procurando palavras para se explicar. "Eu-"

 

No entanto, o mais velho o interrompeu, cobrindo a boca de Josuke com sua mão direita antes mesmo que ele pudesse terminar sua sentença. O artista se aproximou sorrateiramente de seus ouvidos, pondo-se na ponta dos pés ao sussurrar: "Eu fiz. Eu queria beijar você.” E se afastou tão rápido quanto chegou mais perto, perfurando-o com seu olhar mais penetrante do que qualquer faca que o maior pudesse ter em sua cozinha.

 

“Há muito tempo, a propósito."

 

Higashikata viu Rohan se aproximar de forma lenta, se apoiando em seus ombros. Quando o hálito canforado do homem mais baixo tocou seu nariz e seus cílios bateram morosamente em suas bochechas, o jovem o afastou.

 

"R-Rohan, qual é o seu desejo de Natal?"

 

O designer piscou, suspirando ao massagear suas têmporas e segurar o rosto do analista.

 

"Eu desejo que você cale a boca."

 

Rohan enrolou seus dedos nas madeixas de Josuke, e Josuke enroscou sua língua em torno dos lábios de Rohan. Ele acariciou seu abdômen sob a blusa, agarrando sua nuca; toda a tensão sexual reprimida sendo esvaziada através dos toques, tomando o dono de sua aspiração no carpete que ambos estiveram organizando minutos atrás.

 

Ocasionalmente, músicas natalinas de péssimo gosto tocaram na sala de estar do mais velho durante a véspera de Natal. A neve ainda congelava as janelas dos corredores e estufava as portas em seu quintal, porém, o evento havia sido mais do que um sucesso e, graças a isso, seu salário receberia muitos zeros suplementares a partir de então.

 

Ele passou seus olhos pela árvore bastante medíocre que repousava perto de sua lareira, nada realmente comparável ao trabalho que ele e Higashikata fizeram no escritório da empresa. Um presente à primeira vista anônimo tomou seu colo no fim de toda a sua contagem e Rohan descobriu que Josuke não o tirou no amigo secreto, mas deu a ele um par de meias do Grinch.

 

"Estava esgotado em todos os lugares, então eu andei por toda a cidade atrás disso. Espero que possa valorizar meu esforço, pois ele parece demais com você!

 

De seu querido inimigo,

— Higashikata Josuke"


Notas Finais


O presente do Rohan (aka Grinch) foi algo assim:
https://galleryrock.vteximg.com.br/arquivos/ids/179911-1000-1000/meia-stance-grinch.jpg?v=636806789043800000

Muito obrigado por ler 💚 — e me desculpe pela má qualidade.


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