História Traga-me aquele horizonte - Capítulo 13


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bringmethehorizon, College, Girls, Lesbians, Lesbicas, Livros, Old, Saga, School
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Palavras 15.199
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá para leitores fantasmas e população mundial, seguinte eu demorei séculos pra postar pq perdi minha editora, e como eu atualmente estou escrevendo o terceiro livro não tenho tempo pra editar, mas como sofri um block vou "editando" e postando, se possível de 2/3 por semana pra já postar inteiro ( eu já terminei de escrever séculos atrás, só falta editar mesmo) pra ficar ai quem quiser ler vai ta inteiro, enfim, então não se preocupem com a espera, isso se alguém ainda lê isso :)
erros me avisem ;)

Capítulo 13 - Jurado de morte ( Hilary )


Fanfic / Fanfiction Traga-me aquele horizonte - Capítulo 13 - Jurado de morte ( Hilary )

 

[ 14hras e alguns minutos / Sábado ]

( Residência dos Collins )

 

— Hilary você pode me emprestar o brilho labial ? — pergunta Summer batendo na porta do meu quarto antes de entrar. 

— Ali — aponto continuando a ler uma publicação no twitter de uma amiga da escola.

 

Eu o vi as três e meia da manhã nas redondezas de Brentwood estava acompanhado de mais três amigos, eu não sei o que estava fazendo aqui, mas não o vi mais.

 

Respirei profundamente algumas vezes. Brentwood não era longe de Culver e eu não podia dizer que James estaria apenas de passagem, claro que não, fazia pelo menos um verão inteiro que ninguém tinha o visto na cidade, quais seriam suas intenções se afastando de todos, se afastando de mim.

— Ouvi dizer que esse idiota estava em Santa Monica ontem — disse minha irmã me fazendo torcer o nariz pelo modo que ela o chamou — eu vi isso — resmunga.

 — Não gosto quando você o chama assim — explico sem encara-la.

— Não acredito que você ainda não seguiu em frente Hilary — zomba.

— Não gosto dele eu só... — me interrompo para olha-la e ver a mesma com as sobrancelhas arqueadas  — ok talvez eu ainda goste — tento soar o mais indiferente possível.

— Você não me convenceu — diz dando as costas pra mim — depois eu devolvo — balança o brilho no meu rosto.

Desligo o notebook e caminho para fora do quarto pensando se eu teria outra oportunidade de falar com James, embora eu ansiava esse dia mais do que qualquer outro eu ainda tinha medo dele me rejeitar,  eu queria poder achar um jeito de convencê-lo a não sumir, bem não daquele jeito sem nem ao menos me avisar para onde estaria indo e quando voltaria, achei isso muito errado e estaria pronta para confronta-lo. Desço a escada e saio para fora pegando meu celular e conferindo as horas — eu podia chegar em Santa Monica até a uma hora de tarde — se eu saísse agora talvez eu pudesse encontra-lo andando por lá antes de anoitecer. Enquanto vou saindo olho de relance para o movimento ao lado e vejo Marcus estacionando o carro e saindo com algumas sacolas de compras, ele me olha indiferente e apenas acena com a cabeça me fazendo retribuir o gesto continuando a observar ele até entrar na casa. Era incrível como ele não demonstrava qualquer sinal de culpa ou de arrependimento,  estava vivendo a vida dele normalmente como se nunca tivesse condenado Holly a ser a garota infeliz que é hoje, e suspiro pesadamente continuando minha caminhada até o centro da cidade, para apanhar um taxi e pedir para que me leve até Santa Monica.

Não demora muito para chegar e desço em frente a duas concessionárias de carros, já que a praia ainda estava mais a frente resolvi caminhar, por via das duvidas eu podia esbarrar nele enquanto o mesmo estivesse voltando para "sabe Deus onde " por que eu não fazia ideia onde ele estava morando ou alugando. Segui caminho olhando para todos os lados quando via algum garoto parecido com ele meu coração disparava rudemente voltando a palpitar normal logo em seguida e continuei seguindo reto passando pelas lojas e bancos sempre olhando por entre as vitrines Confesso já estar cansada de andar e paranoica demais até chegar  no ultimo cruzamento, o clima estava esquentando e me arrependi de ter vindo de jeans — Droga Hilary você esta indo a praia e nem biquíni leva isso é vacilo — resmungo mentalmente ouvindo a maré e sentindo a brisa passar por mim enquanto já avistava a praia então finalmente atravessei a Ocean. Ave para chegar ao outro lado onde atravessei novamente e lá estava eu de calça jeans em Santa Monica.

Caminhei na calçada olhando para a areia procurando qualquer rosto conhecido para conseguir pistas sobre James. Embora soubesse que a possibilidade de encontrar ele seria mínima resolvi não desistir, eu precisava muito vê-lo, senti-lo e poder falar algumas coisas que eu queria, era irritante imaginar ele sozinho em um lugar cheio de garotas como essas aqui sem roupa alguma. Olhei ao meu redor e percebi um movimento estranho nesse lado da praia era como se todas as pessoas do mundo estivessem ali, era impossível andar e era ótimo para encontrar alguém ali penso sarcástica.

Mais alguns metros a frente vejo a multidão se aglomerando em volta de varias barreiras para impedir o acesso de carros e minha curiosidade domina minha mente me fazendo os seguir, escuto garotos dizendo algo sobre motos e outros sobre mulheres ao me aproximar mais vejo policias e outras autoridades prontas para agir e me convenço que esta acontecendo algum tipo de evento ali,  deixando de dar atenção, mas lembro de um pequeno detalhe James amava motos — Me lembro que em janeiro quando ele estava com o cabelo curto, porque havia voltado do exército e estava lindo com óculos espelhados e um sorriso doce, eu fui até ele e perguntei como estava indo e reparei em seu armário enquanto falava as fotos de motos e figurinhas em seu caderno — Fazia todo sentindo ele estar em Santa Monica agora.

Quando vou voltar para trás quase morro de susto com uma moto que para a poucos metros de me pegar em cheio, se o piloto não fosse habilidoso eu provavelmente estaria no chão me debatendo ou teria sido arrastada por vários metros, respiro fundo e estou quase gritando com ele por estar andando na rua, mas percebo que a errada era eu então abro caminho para ele, que para ao meu lado e começa a fazer menção a tirar o capacete.

— Quer morrer ?  — pergunta ela me fazendo sorrir.

— Droga Charlotte, você quase me matou — reclamo a empurrando na tentativa falha de a derrubar.

— Você que estava no meio da rua — se defende.

— Tudo bem, o que está fazendo aqui ? — pergunto agora curiosa e ela não fala nada apenas aponta para a placa enorme escrita “Corrida demonstrativa motog3” me fazendo suspirar — ah claro — digo sem graça.

— E você ? O que faz aqui, já que tenho certeza que não é para ir a praia — aponta as roupas.

— Estou procurando alguns amigos — digo sendo que não era mentira afinal queria encontrar alguns deles que pudessem me mostrar onde James estava.

— Vai precisar de um pouco de paciência para atravessar isso dali — aponta a rua lotada.

— Posso ligar para eles — digo simplesmente.

— Se quiser eu te deixo do outro lado, tenho que atravessar de qualquer jeito, mas eu posso ir pelo circuito, sou piloto — sorri.

— Tipo subir na moto ? — pergunto olhando para ela sem piscar.

— Sim — diz dando palmadas no banco.

— Está achando que eu tenho cara de Holly ? — resmungo me afastando — eu não curto adrenalina e essas coisas — digo.

 — Quer atravessar ou não ? — insiste acelerando chamando a atenção das pessoas.

— Droga, vai devagar — digo subindo na traseira com as pernas bambas, eu estava apavorada, moto realmente não era meu forte.

— Pode deixar é tudo o que... — pausa sorrindo diabolicamente — não sei fazer  — completa acelerando. 

Me agarro na sua roupa enquanto ela vai fazendo barulho com a moto para que as pessoas abram o caminho para ela passar. Todo mundo olhando, gritando ou alguns se jogavam na frente da moto para fazer graça e penso comigo mesma que se fosse eu pilotando passaria com as rodas por cima deles. Aproveito para olhar para todos os rosto, todos cantos, embora estivesse em movimento eu ainda conseguia identificar as pessoas e murmuro para mim mesma com esse tanto de gente nas ruas era impossível o encontrar, quando finalmente ela chega na parte cercada o segurança abre e ela atravessa ganhando velocidade no circuito vazio e sou obrigada a me segurar nela sem poder olhar ninguém em canto nenhum, pela velocidade absurda até sentir aquele vento cessando.

— Hilary se quiser posso te levar de volta — zomba me fazendo pular pra fora da moto tão rápido que praticamente me joguei contra o chão.

— Nunca mais me deixe chegar perto de você — choramingo sentindo as pernas bambas.

— Vou anotar — pisca — agora tenho que ir — aponta uma largada a uns quinhentos metros de onde estávamos.

— Boa corrida — digo.

— Boa caçada — pisca acelerando e antes que eu possa fazer algo estou sendo retirada por um segurança dali  me colocando atrás da grade de proteção, no meio de um mar de gente e dali eu resolvo por mim que procuraria o que vim buscar.

(...)

Depois de tantos rostos e nenhum era o meu, resolvi me sentar em algum canto achando que estava perdendo tempo com James e resolvo que vou assistir a corrida para a viajem não ter sido em vão. Infelizmente a corrida já havia se iniciado e todas as arquibancadas estavam lotadas me fazendo ficar em pé no alto das mesmas observando o circuito e olho para as pessoas e depois volto a olhar as motos se aproximando e me pergunto se era só eu que não estava entendendo nada ou elas sabiam o que estava acontecendo, porque pareciam entusiasmadas e eu ali alheia a tudo aquilo. Volto a olhar a pista vendo as motos passarem tão rápido que achei que se piscasse eu não as veria, fora o som que parecia trovões rachando o asfalto era muito barulhento, então meus olhos percorrem até parar em um piloto qualquer observando como ele jogou o corpo junto com a moto na curva e os outros o acompanharam, naquele momento achei que todos iriam cair e se acidentar por conta da proximidade que estavam do chão os joelhos praticamente tocavam o solo, mas respirei aliviada quando tão rápido quanto abaixaram voltaram a posição inicial acelerando depressa sumindo na curva com os gritos empolgados da torcida.

Nesse meio segundo de distração o locutor fala em ordem o nome dos pilotos e suas posições, mas não tinha prestado atenção nem entendido nada ate ouvir o nome de Charlotte e os seguintes,  quando entendi procurei a moto com garras verdes e pela velocidade e pelo numero de adesivos de patrocinadores foi difícil encontra-la no meio de tantas motos iguais. Ela estava na oitava posição acabado de voltar do pit-stop — ouvi o locutor dizer — eu nunca tinha visto ela correr e o tanto que vi e tinha sentido a alguns minutos atrás confirmaram que ela era rápida, mas foi mais ainda do que eu esperava, ela parecia com pressa e sedenta por pista pois pulou duas posições rapidamente sumindo da vista. Logo em seguida apareceu no telão seu nome, sua foto e seus números e era sem duvida alguma impressionante era como se ela ganhasse 90% das corridas que disputava, mesmo assim era absolutamente estranho ela não ter nem quinze pontos sendo que cada corrida eram dados 25 pontos ou menos dependendo de sua posição —  ela estava explicando para Holly sobre pontos e eu acabei ouvindo —  ela aparecia zerada era como se do nada seus pontos tivessem sumido. Respirei fundo pois sabia o motivo desse apagão em seu placar observei as pessoas tentando entender o motivo que só eu sabia qual era e tento não retrucar ninguém que falava que ela tinha se vendido ou que não era tão boa assim.

— Essa vou apresentar para meu pai — disse um cara alto o bastante para me tirar da transe fazendo outros dois concordarem. 

— Ela é areia demais para seu caminhãozinho — zomba o outro amigo fazendo os outros rirem do primeiro.

— Concordo — digo fazendo eles me olharem — ela é gostosa demais para você — olho para o que falou e depois para os outros — a propósito para todos vocês, olha que nem viram a namorada dela — zombo fazendo duas garotas atrás deles rirem.

Depois fico quieta e volto a olhar para a corrida pelo telão achando aquilo muito entediante e logo em seguida estou gritando feito uma louca para Charlotte que ganhava cada vez mais posições, agora em terceiro lugar embora não entendesse nada sabia que ela iria para o pódio só estando naquele lugar, então fico na sua torcida fazendo o papel de Holly por alguns minutos chamando a atenção toda pra mim e me colocando de vez no lugar de Holly novamente assumindo uma imensa preocupação com a garota, tento não ter um ataque cardíaco sempre que achava que Charlotte fosse se machucar e me pergunto como Holly aguentaria ter uma namorada em constantes riscos assim e faço o sinal da cruz implorando para que isso não me acontecesse, assim penso em James e seu amor incondicional por motos e me arrependo de ter feito esse pedido.

(...)

— Isso é champanhe ? — pergunto para ela.

— Sim, você quer ? — pergunta me oferecendo.

—  Quem foi o gênio que inventou isso de bebia alcoólica para comemorar a vitória dos pilotos ? — pergunto a fazendo rir — serio depois voltam pilotando bêbados para casa — resmungo.

— Isso até faz sentido — diz outro piloto no pódio rindo.

— Os pilotos não dirigem depois da corrida, eles tem o ônibus da equipe ou seu próprio motorista particular — explica ela pulando do pódio.

— Você não vai dirigindo não é mesmo ?! — questiono.

— Vou de taxi, minha moto vai ficar com a equipe que tem que fazer uma revisão ou seja sem moto para mim hoje — lamenta mesmo depois de ter passado um bom tempo encima de uma. Era impressionante como a pessoa não se cansava.

— Melhor assim — digo vendo ela se aproximar da grade que nos separava sendo abordada por um monte de gente querendo fotos e autógrafos — diga celebridade qual é a sensação ? — zombo.

— A maioria nunca ouviu falar de mim na vida, mas se eu estou no pódio tenho um troféu e uso roupas de pilotos eu viro uma espécie de atração turística — explica assinando um boné.

— Que interessante as garotas devem cair matando — digo vendo sua expressão mudar.

— Algumas, mas não importa — dá de ombros — acha que Holly teria ciúmes ? — pergunta grudando na grade.

— Não sei de nada — digo levantando as mãos para cima.

— Sim claro e quanto seus amigos os encontrou ? — pergunta pulando.

— Na verdade preferi assistir a corrida — pisco — você é ótima quando faz as curvas é assustador parece que vai cair, mas se levanta rapidamente — digo a encarando sorrir — não sei como Holly aguenta eu já estava nervosa ali — aponto para a arquibancada.

— A Holly não é tão medrosa assim — zomba.

— Deixa de ser idiota — resmungo.

— Alguma noticia dela ? — pergunta de repente.

— Pensei que soubesse, sendo a que passa mais tempo com ela — argumento.

— Sim mas ela tem preferido ficar mais tempo com as amigas e eu estou disputando um campeonato interestadual — explica.

— Ela está um pouco mais falante, mas continua desnutrida como um palito de fósforos mesmo comendo bem — digo.

— Julie disse que ela praticamente não dorme — diz ela parecendo triste — ela ainda vai a terapia ? — pergunta.

— A relação com o terapeuta é de puro amor e ódio elas parecem cão e gato brigando mais um não vive sem o outro — zombo.

— Pelo menos não é nem em mim, nem em você que ela desconta a raiva — zomba de volta me fazendo empurra-la.

Minha relação com Charlotte era algo profundo como irmãs porque eu cuidava dela e ela de mim e nos duas cuidávamos de Holly. Claro que no começo meu instinto protetor me fez achar que Charlotte era uma ameaça e eu mal conseguia ficar na sua presença sem querer expulsar ela dali. Aos poucos fui tentando entender qual eram suas intenções com minha melhor amiga e aos poucos fui baixando a guarda para ganhar sua confiança e de todas as amigas ou fletes da garota problema Charlotte era a que eu mais gostava, porque ela não fazia parte de um bando de riquinhas mimadas e assim como eu estava em constante disputa por espaço na vida de Holly contra outras cinco cabeças. Quando Holly foi internada eu simplesmente não sabia o que fazer pois meus pais me matariam se soubessem que eu soquei o nariz do meu vizinho ou que tentei subornar um guarda para libertar ela, então no desespero lembrei de que ela tinha amigas e pedi ajuda para ambas que ficaram tão desesperadas e impotentes quanto eu, assim meu ultimo refugio foi ligar para Charlotte praticamente gritando para a mais velha que se ela amasse realmente Holly ela tinha que me ajudar a tirar minha melhor amiga daquele hospital antes que fosse transferida para um hospício, eu achei que não daria nada certo que ela nem ao menos retornaria a ligação, mas me surpreendi que depois de dez minutos de ligação a mesma já estava na porta de casa querendo o endereço para fazer algo e juntas sentamos para achar um meio de descobrir já que nenhuma informação nos foram dadas tentamos Julie, mas ela sabia o tanto quanto a gente e a única que poderia nos ajudar estava praticamente impotente como a gente, pois ela que era completamente submissa ao marido ditador e frio. Deve ter sido naquele momento que nos juntamos, deixamos as diferenças de lado para nos unir pelo um amor em comum que era Holly, ela vinha todos os dias se informar se eu tinha novas informações se descobri ou bolei algo, as vezes chegamos dormir uma na casa da outra para passarmos a noite investigando sobre o sumiço de Holly poucos momentos de descontração que tínhamos eram de planejamentos de vingança contra o pai ditador e deve ter sido nesse meio tempo que confiei a liberdade da minha melhor amiga em Charlotte que tratou de mostrar que eu havia feito uma escolha certa e nesse período de trabalho em equipe fomos descobrindo que tínhamos mais em comum do que pensávamos, o que nos ajudou no trabalho e que fortaleceu nosso laço afetivo. O que pensei que acabaria assim que toda a confusão acabasse não teve um fim pois eu continuava a conversar com ela e ainda riamos de piadas internas que criamos nesses tempo e acabei tomando Charlotte como o anjo da guarda de Holly e minha fiel escudeira porque eu não havia me interessado pela amizade com as patricinhas e eu prezava pessoas inteligentes e maduras e ninguém melhor que ela pra representar o perfeito tipo de amizade para mim ter.

— Topa uma pizza ? — pergunta.

— Quero saber onde vai parar tudo o que você come — resmungo.

— Meu corpo não é maravilhoso ?! — zomba.

— É estranho sou super a favor de fazer um documentário na Discovery Channel — digo olhando para frente e voltando a atenção para ela.

Ela estava prestes a retrucar mas minha cabeça travou sua voz e todo o barulho ambiente quando ouvi um tom de voz que eu reconheceria em qualquer lugar do mundo até com aparelhos que mudassem e dificultasse o reconhecimento. Olhei para a direção que ela vinha e o vi ali a alguns metros de mim seus olhos brilhavam e seu sorriso se formava no canto da boca, ele usava a típica camiseta polo que deixava seus braços querendo explodir para fora da manga, bermuda jeans e tênis da Ferrari exatamente como eu tinha o visto a primeira vez.

 

[ 23h34min / Terça-feira / Um ano atrás ]

( Culver High School - Ginásio )

 

Segurei o fôlego e submergindo na piscina sentindo falta o ar do pulmão e insisti mesmo a boca algumas vezes soltando bolhas de ar até finalmente desistir voltando a superfície sendo observada por Summer e minhas amigas que seguravam o cronometro.

— Ganhei de você novamente — comemora minha irmã com um High Five com uma amiga ao lado.

— Eu já estava cansada depois de tantas vitorias — lamento. 

— Com toda certeza — ironiza me estendendo a mão para me puxar para fora de volta a superfície.

 — Que espetáculo, as sereias já terminaram a brincadeirinha ? — pergunta o treinador parado com os braços cruzados ao lado da arquibancada — todas para o chuveiro exceto a senhorita Mckenzie porque vestir maiô é coisa do diabo — ironiza nos fazendo rir da garota encolhida no ultimo andar sozinha com suas roupas que cobriam todo o corpo exceto a cabeça.

— Eu aposto que isso é pretexto para não mostrar a tatuagem que fez escondido do papai — diz uma das garotas atrás de mim.

— Vocês não conhecem o pastor Mckenzie, podem apostar que essa garota nunca teve uma oportunidade de fazer tatuagens — digo lembrando todas as vezes que eu o vi advertindo ela por motivos bobos e sem nexo.

— Isso deve ser terrível imagina não poder usar regata — dramatiza outra.

— Eu me rebelaria contra ele — digo as fazendo concordarem.

— Esse dia ainda vai acontecer — diz outra nos fazendo concordar.

— Não olhem agora mas a equipe de polo aquático do segundo ano está vindo pra cá — aponta Summer.

Eles eram altos e tinham ombros terrivelmente largos os admirei por uns segundos até meu olhar ser desviado até um grupo deles, que cercavam Mckenzie e pareciam estar implicando com garota que por sua vez parecia perdida no meio de tantos garotos altos de sunga — ela apesar de perdida não era menor que eles ela sem duvida deveria ter quase a mesma altura deles porem quase não fazia diferença, seu corpo era curvado de medo e sua postura era defensiva — eu sinto pena e penso em ir ajudar mas outro garoto entra no meio os empurrando pra longe de forma brincalhona, ele não estava com sunga estava com roupas normais e deveria ser o mais alto dos garotos pois os outros chegavam a serem menores ao lado dele o que era de assustar, assim que entro em contato com seus olhos eu só consigo pensar em uma palavra para descrevê-lo:

Babaca.

 

[18hras / Sábado /Agora ]

(Sant Monica Beach’s )

 

— Pareceu que viu um fantasma — diz ela.

— Eu não vi a Holly — resmungo fazendo ela me bater então solto um gemido alto chamando a atenção para mim — isso doeu — índigo.

— Hilary Collins — berra Zac um amigo da escola fazendo todo seu grupo se virar na minha direção inclusive James que fez meu peito palpitar, ele não me olhava ele me engolia com o olhar.

— Que coincidência — digo encarando o chão.

  — Sim o que veio fazer aqui ? — pergunta fazendo todos os outros me olharem.

Então encaro Charlotte que parece não estar entendendo o que esta acontecendo então em um pensamento rápido a jogo na minha frente como uma espécie de escudo.

— Ela — digo.

— Você estava correndo ? — pergunta um deles.

— Não seja burro, claro que sim esta é a numero três — diz James de forma arrogante como se quisesse saber mais que os outros — a propósito ótima corrida, sou James — se apresenta.

— Muito gentil — ela tenta sorrir mas não consegue e me olha — Hilary esses não são os amigos que você...

— Ama ? Sim são eles — a interrompo rapidamente — grande corrida — começo a sorrir.

— Desde quando você se interessa por automobilismo Collins ? — pergunta James olhando para Zac que me encarava rindo.

— Eu amo automobilismo quero uma potente moto como a da Charlotte, porque amo adrenalina — aponto para o piloto atrás dele.

— Eu amo também — diz sorridente me fazendo concordar.

 — Quer se juntar a nós, estamos indo comer uma pizza — diz Zac. 

— Eu não curto muito pizza — digo encarando James.

— Eu também não — diz o garoto sorrindo para mim me fazendo derreter.

— Então fica para a próxima — lamenta Zac arrastando a turma com ele.

— Bom te ver, espero topar contigo por ai — James sorri os acompanhando.

Quando eles já estão fora de vista olho para Charlotte com os braços cruzados encarando a mim diretamente com as sobrancelhas juntas.

— Perdão qual a parte de “Eu não curto muito pizza” eu perdi ? — resmunga.

— Estou morrendo de fome vamos logo — a chamo.

— Claro deixa eu só pegar “uma potente moto como a da Charlotte, porque amo adrenalina” para alguém que ama tanto creio eu que aqueles seus gritos anteriores eram de felicidade — argumenta balançado a cabeça.

— Não questione apenas aceite — resmungo a puxando comigo.

— Qual o lance com esse tal de James? — pergunta.

— Nada ele apenas estuda na Culver — digo apenas tentando falar sem emoção para ela desistir de puxar assunto.

— Ele deve bem mas que um colega de classe, se não quer contar e fazer mistério eu não vou insistir — diz apenas andando na minha frente — preciso de um banho e trocar esse macacão — resmunga.

(...)

Quando cheguei em casa depois da pizza com Charlotte notei que o carro não estava na garagem. Primeira nota mental — meus pais não estão em casa — segunda nota mental — casa vazia e na paz da santa entidade do silencio e da harmonia eterna — foi isso que pensei mas ao entrar na garagem fechando o portão atrás de mim e ouvindo o barulho de coisas batendo na panela reconheci o barulho de pipoca percebi que eu não teria a casa pra mim e cruzo a porta adentrando na casa no breu total sendo a única luz que eu via vinda justamente da cozinha.

 — Noite da Nutella, Netflix, pipoca e filmes ?! — ironizo. 

— Esqueceu dos chips, Pepsi e tacos — responde Margot sentada no sofá com controle em mãos. 

— Onde estão os dois adultos da casa ? — pergunto me referindo aos meus pais.

— Aparentemente saíram para jantar — responde Summer desviando de mim com um balde de pipoca em mãos.

— Noite para aproveitar e sair com o namorado com os amigos dar alguma festa maluca ou ir em alguma e não ficar na escuridão engordando uns dez quilos, assistindo qualquer coisa não educativa e sem conteúdo — digo para elas.

— Estamos ótimas aqui — murmura Margot.

 — Summer deve estar se sentindo ótima nessa escuridão total — zombo — habitat natural — completo fazendo movimentos com as mãos como se estivesse fazendo algum feitiço.

— Claro e vou jogar uma praga em você se não ficar quieta — diz forçando um sorriso.

Subo imediatamente até meu quarto indo diretamente ao banheiro deixando as roupas no caminho me dirigindo ao meu banho. Quando saio visto uma camisola e deito na cama com os cabelos molhados respondendo algumas mensagens e me jogo na cama de vez. Embora estivesse cansada e quisesse dormir penso que ainda nem eram nove horas da noite e o clima estava bom para pessoas conversarem e se divertirem lá fora e que se eu dormisse acordaria em um silencio terrível, o clima estaria diferente eu sentiria que estava perdendo algo e estaria deslocada e não queria me sentir assim por mas estúpido e sem sentido que isso fosse. Não queria ficar sozinha e como nenhuma conversa estava interessante o suficiente para prender minha atenção resolvo me juntar as garotas e assim o faço.

 — Que filme estão assistindo ? — pergunto me jogando no sofá ao lado de Summer.

— Uma comedia romântica — diz ela.

— Porque você só escolhe filmes chatos ? — pergunto para Margot.

— Porque sou a mais velha e escolho o que assistir — ironiza.

 — Você não é a mais velha só mentalmente isso não conta eu continuo sendo a mais velha então me passa esse controle aqui — zombo o pegando — esses filmes são chatos e me dão sono — digo procurando algum filme que fosse interessante.

— Você só escolhe filmes violentos com sangue, explosões e esses Zombies estúpidos — reclama ela.

— Filmes assim não me deixam dormir diferente dos seus — diz Summer.

Margot a encarou e logo em seguida ficou fazendo o mesmo comigo como sempre ela queria ter o controle e se sentia ofuscada quando eu conseguia o que queria antes dela ou ate mesmo melhor que ela. Tínhamos um pequeno conflito por autoridade porque eu era a mais velha e ela a mais nova, então sempre quando eu estava no comando ela parecia querer me desafiar achando que mandava no próprio nariz, mesmo sabendo que eu que cuidava dela e sempre cuidei desde quando ela nasceu. Nunca fomos de paz total pois discutíamos quase sempre mas era dessas discussões de irmãs que brigam sempre e depois voltam a se falar conversar e agir como se nada tivesse acontecido, algumas vezes extrapolávamos e ficávamos algumas horas sem nos falar sabendo que uma hora ou outra teríamos que voltar, pois era impossível não falar com alguém que você via todo santo dia e que ate mesmo quando fosse ao banheiro poderia cruzar o caminho. Apesar das nossas divergências eu admirava Margot por ela ser esperta o bastante para se destacar em qualquer coisa que quisesse fazer que não envolvesse atividade física e que apesar de toda a sua pirraça e provocação, era uma garota delicada e gentil admirava o modo que ela via o mundo como tratava as pessoas e como tinha uma plano para transformar o mundo em um lugar melhor. Era isso que ela tinha e muita — fé nas pessoas — Margot era a caçula que fazia de tudo para ser a mais dedicada das filhas sempre a xodó por isso eu enfrentava ela porque queria uma liberdade que não poderia ter, não ainda, ela achava que eu pegava muito no pé dela quando na verdade eu só queria a proteger das pessoas e do mundo que era terrível demais para minha maninha.

Já Summer era o oposto, era mais agitada que Margot, amava esportes e queria sempre estar ocupada fazendo alguma coisa radical do que sentada lendo um livro. As vezes eu achava que ela nasceu ligada a uma tomada em cento e vinte volts, pois não ficava quieta um minuto se quer, falava demais e tinha mania de querer tudo na hora pois achava que perderia tempo esperando, das filhas era a mais independente mesmo sendo ligada a família pois queria crescer e ver que todos viram que ela conseguiu. Já na parte como irmã era a que estava sempre no meio para dispensar uma briga ou tomar alguma decisão que nem eu nem Margot conseguíamos decidir mesmo que não a favorecesse, eu achava que ela preferia ver alguém sorrir do que a mesma fazer isso. No quesito bagunça ela se superava fazendo piadas e bolando planos para passar o tempo, eu a chamava de Camaleão pela incrível capacidade mutável que ela tinha de se adaptar a qualquer ambiente ou situação diferente por isso seus gostos musicais e pessoais eram bem ecléticos se expandindo —  Acho que nunca conheci ninguém que não se agradava com Summer e seu carisma, pois era a pessoa que você podia encontrar rodando todos grupos da escola, de todas as tribos sem que fosse um choque cultural ou pessoal para nenhum deles, nem para ela — uma coisa que se destacava era que ela vivia com roupas camufladas pois minha irmã sonhava em servir as forças armadas e se dedicava a ter paciência com Margot e aprender com a mesma sobre física. Apesar da sua alma pacifica ela se transformava em uma verdadeira juíza quando alguma injustiça ocorria podendo entrar em uma briga com unhas e dentes para defender a injustiça que havia ocorrido.

— Que tal anjos da noite ? — pergunto encarando Margot de repente.

— Pelo amor de Deus vocês já assistiram esse filme um milhão de vezes — resmunga ela tentando tomar o controle da minha mão.

— Calma — berro me livrando dela — que tal algum filme adolescente ? — desço a tela para passar os filme aleatórios.

— ORGULHO E PRECONCEITO ! — berrava ela apontando a tela pois ela tinha uma queda por filmes de época.

— Sai — digo afastando o controle dela.

— Hily, por favor — implora usando meu apelido e o tom de voz que só usava quando queria muito alguma coisa.

— “Vocês já assistiram esse filme um milhão de vezes” — imito ela causando risadas em Summer.

— Summer quer assistir também — diz ela com as bochechas cheias pelo bico enorme que faz.

 — Ela não quer nada — resmungo mudando de tela.

— Hilary por favor, por favor — insiste tentando tirar o controle novamente de minhas mãos.

— Eu vou assistir um filme de Zombies — murmuro a encarando.

— Eu quero assistir orgulho e preconceito — rosna avançado em mim iniciando uma disputa pelo controle fazendo seu corpo cair sobre o meu e eu uso seu peso contra ela mesma para travar minha mão para que o controle fique fora de seu alcance.

— Solta Margot — berro.

— Solta você Hilary — devolve o berro.

As duas agora avançam uma na outra e sinto minha cara sendo esmagada por seu joelho, enquanto meu braço esta no seu rosto o empurrando e eu faço de tudo para ela ficar longe do controle e ela de tudo para se aproximar dele. Ela bate em meus braço e imobiliza um enquanto com o seu livre tenta tirar de seu rosto e algo acontece e o controle voa parando ao lado de Summer que estava ali com o balde de pipocas virada para as duas assistindo sem interferir.

— Me dá Summer — digo estendendo a mão.

— Summer entrega pra mim — diz ela me encarando e olhando para a do meio que observa atentamente quando eu puxo suas pernas e ela acaba caindo me levando junto para o chão.

— Você quer assistir filme de época ? — pergunta ela para Margot que se levanta me empurrando.

— Quero — berra pra mim.

— E você quer assistir filme de Zombies ? — pergunta para mim que me levanto e empurro Margot no sofá.

— Si... — me interrompo para desviar nos pés rasteiros de Margot que me derrubam de cara no outro sofá.

— Então vamos ver esse filme aqui — diz Summer me fazendo olhar para Margot e depois para a tela iniciando um filme com garotas com espartilhos e uma musica brega tocando aos fundos.

— Orgulho e preconceito ! — berra Margot pulando nos braços de Summer enquanto as encaro voltando a atenção para o filme onde as garotas começam a puxar adagas e facas e armas.

— E Zombies — berro olhando para tela empolgada quando reconheço o som que eles fazem.

— Oi? — indiga Margot voltando a atenção pra tela 

— Agora quietas que já começou o filme — resmunga Summer sorrindo satisfeita 

— Genial Summer “Orgulho preconceito e Zombies” — zomba Margot se sentando.

Então ficamos em silencio para prestar atenção, exceto eu que perdi o interesse e fiquei encarando a tela do meu celular para ver se tinha recebido pelo menos uma mensagem de boa noite de James. Mas pareceu que ele mal ligou para mim, então resolvo observar minhas irmãs com os olhos grudados na TV e sorrio porque embora morássemos juntas quase nunca fazíamos esse tipo de coisa, porque a maioria das vezes estávamos cada uma trancada em seu próprio quarto ou em pé de guerra pelo poder do controle remoto deixando de nos curtir como deveríamos invés de ficarmos brigando sempre.

 

(...) 

 

Me apresso para não chegar atrasada, agora que teria de correr para não perder a segunda aula eu havia dormindo tanto que nem o despertador havia conseguido me acordar, eu acordei praticamente aos gritos de mamãe vindo do andar de baixo. Tomei o café apressadamente e corri para não perder minha carona agora Rebbeca estava com carteira de motorista pronta para usar e eu havia ligado pedindo para ir pra escola mesmo que ela estivesse enjoada o suficiente para não querer ir.

Minha sorte foi conseguir chegar na segunda aula a tempo de ver o professor cruzando o corredor antes de entrar na sala contando cinco minutos que ele dava a quem estava atrasado na minha correria infinita, eu mal vi quando esbarro fortemente em alguém e caio no chão pelo peso e pela violência que bati, minhas mãos vão parar automaticamente na testa olho para cima pra ver em quem esbarrei e mesmo com a visão desfocada ainda o reconheço.

 

[ 8h02min / Segunda / Meses atrás ]

( Culver High School – Corredor da maquina de refrigerante )

 

Eu estava seguindo Zac pelos corredores já que ele conhecia mais este lado do prédio do que eu por estar no segundo ano e eu estar no primeiro. Mas as vezes eu duvidava de sua capacidade de localização, sendo que o mesmo por vezes parava e olhava ao redor tentando descobrir algo ou apenas olhar em volta.

— Tem certeza que você sabe onde fica o laboratório de química ? — questiono parando no corredor.

— Claro só estou procurando um amigo — retruca ele parecendo ofendido.

— Claro — resmungo observando as horas vendo que eu não tinha tempo pra procurar amigo de ninguém e observo quando Mckenzie passa por mim segurando livros de química e me pergunto se ela saberia onde é, então resolvo agir por contra própria — Mckenzie você está indo para o laboratório ? — praticamente grito no corredor chamando a atenção para mim.

Ela me olha sem entender e olha para os lados como se perguntasse se era com ela mesma que eu estava falando então caminho na sua direção balançando a cabeça diversas vezes.

— Sim, estou um pouco atrasada — diz sem me olhar nos olhos.

— Sabe onde fica ? — pergunto encarando Zac que assistia nossa interação.

— Sim eu olhei no mapa — diz apontando para um mural que estava ali a poucos metros de distancia.

— Mapa ? nem sabia que existia isso aqui, você pode me levar lá estou atrasada graças a um cara — resmungo olhando para Zac que me olha com cara de confusão.

— Tipo você andando comigo ? — questiona.

— Eu prometo não te desvirtuar se esta pensando isso, eu só quero ir pra sala o mais rápido possível e se não for muito incômodo vamos logo — me viro pra andar mais acabo esbarrando em alguém tão rudemente que acabo me desequilibrando e caindo no chão.

— Me desculpa eu acho que você bateu no meu peito de aço e desmontou — zomba o garoto.

— Eu agradeceria se o senhor cavalheiro me ajudasse a levantar — resmungo estendendo as mãos entrando em contato imediato com ele.

— Oi cara eu estava mesmo te procurando — diz Zac sorrindo vindo na minha direção e sorrindo para mim satisfeito.

— Ótimo pode jogar na cara babaca — ironizo lançando um sorrisinho 

— Esquentadinha — diz James o amigo babaca de Zac.

— Você cala a boca que ninguém esta falando com você afinal que droga estou fazendo aqui, anda Holly estamos atrasadas — digo a puxando comigo.

— Ai meu deus Collins você virou freira ? — se espanta Zac causando um ataque de riso em todos os que ouviram no corredor. 

— Estou pensando em virar assassina profissional advinha quem a primeira cabeça que quero na minha estante — digo para ele que me encara e olho para Holly que esta com os olhos arregalados de espanto.

— Cuidado com o peito de aço — diz James e o encaro nos olhos como se fosse o fuzilar ate bater de frente com ele vendo um sorriso se formar no canto de seus lábios o que fez Zac rir.

— Hilary ainda quer companhia ? — pergunta Zac.

— Muito obrigado, mas eu acho que posso encontrar o caminho sozinha seu idiota — resmungo me afastando dos dois.

 

 [8h06min / Segunda / Agora ]

( Culver High School – Corredor da maquina de refrigerantes )

 

— Cuidado — consigo dizer depois de tanto ar que tento puxar.

— Você esta pálida o que ouve ? — pergunta.

— Eu estou bem — digo tentando desviar a atenção de seus olhos brilhantes.

— Eu te conheço Collins, acho que esta tendo algum ataque, quer eu busque água ? — pergunta me ajudando a levantar.

— Não, estou ótima — digo.

— Então cuidado — diz dando as costas para mim e saindo como se nada houvesse acontecido, como se ele não tivesse esbarrado propositalmente em mim para que eu desse atenção para ele, irritada retomo meu caminho para a sala torcendo para o professor tolerar meu um minuto a mais.

— Porque não estou surpreso de você estar atrasada ? — pergunta ele assim que atravesso a porta sobre olhar de todos.

— Sinto muito — me desculpo correndo para sentar ao lado de minha amiga.

— Dormiu demais ? — pergunta.

— Aquele idiota do James esbarrou em mim, eu quase sofro uma grave lesão — resmungo vestindo meu jaleco.

— Ele voltou para a cidade então ? — pergunta a garota ao lado sim.

— Aparentemente sim, veio me perturbar — digo encarando o vazio.

— Que ideia mais estúpida para uma pessoa tal manjada quanto ele — diz ela.

— Ele já saiu da reabilitação está limpo perguntem ao Zac — retruco rudemente fazendo boa parte da turma me encarar — desculpa — digo ao professor com um sorrisinho.

— Tudo bem então — diz minha amiga levantando os braços.

Fico encarando ela mais alguns minutos antes de voltar a atenção para minha aula, mas com a cabeça vagando nos corredores tentando localizar a presença de James e me perguntando onde ele estava naquele momento. Eu não queria parecer idiota, mas eu sabia que ele estava melhor e por querer retornar a cidade que o afundou, vícios e todos aqueles problemas passados meu peito dói com a lembrança triste que eu tinha do dia que seus pais junto com policias busca-lo para força-lo a voltar para a reabilitação já que o mesmo havia fugido novamente na mesma semana. 

Tento não pensar nisso e pego meu livro na bolsa, abrindo na pagina que o professor pediu, iniciando a leitura dos experimentos que iríamos fazer para me distrair o máximo possível, pois aqueles cenas eram tão doloridas para mim porque eu estava ao seu lado fazendo de tudo para ajudar e ao mesmo tempo defender ele de seus agressores. Minha cabeça martela e eu procuro esquecer logo sendo distraída por uma explosão na mesa ao lado fazendo a turma cair na gargalhada.

Quando sai da sala andei pelos corredores a procura de Zac que deveria estar com Rebbeca ou qualquer outra pessoa pois aquele garoto não parava quieto em um lugar se quer. Atravesso um grupo saindo de sua sala, mas sou impedida de prosseguir sendo segurada por uma mão que me puxa rudemente de volta para o meio do grupo que estava na direção contraria da minha.

— Onde é o incêndio ? — pergunta ela sorrindo.

— Você viu o Zac ? — pergunto.

— Vi ele com Rebbeca e Alexander tem alguns minutos — explica — devem estar no ginásio — aponta.

— Obrigado maninha — sorrio para Summer que sorri de volta.

— Por nada mana — zomba.

Então sigo meu caminho atravessando toda escola até chegar ao ginásio, onde encontro meus amigos sentados rindo e conversando Zac estava no colo de Rebbeca enquanto ela fazia carinho em sua cabeça, assim me aproximo deles jogando a mochila próxima a arquibancada e me sento ao lado das garotas que assistiam a equipe de polo jogar.

— Estávamos falando mesmo de você — diz Rebbeca me encarando.

— Olha eu juro que não queria espalhar o boato que Zac é gay me perdoa cara — começo a dramatizar arrancando gargalhadas deles.

— Foi você que fez isso ? — resmunga ele se levantando para me encarar.

— Todo mundo já está esquecendo — dou de ombros.

— Oi Zac — diz Dereck um garoto um tanto quanto delicado demais para ser um garoto.

— Eu juro que vou te matar um dia — urra ele.

— Talvez mais alguns dias — zombo — ei o que seu namorado estava fazendo aqui afinal ? — pergunto mesclando os assuntos para não dar tanto na cara.

— Olha eu juro que não te bato porque você é mulher, mas por favor me segura Becca — reclama ele.

— Você não me respondeu — advirto.

 — Esta falando de James ? — questiona me encarando.

— De quem mais seria ? — ironizo.

— Veio me entregar minhas chaves que ficaram no carro dele — explica voltando para o colo de Rebecca.

— Mas ele só estava de passagem ou pretende ficar ? — pergunto vendo Rebbeca e as garotas me advertirem com o olhar.

— Você está trabalhando para a policia ? são muitas perguntas Collins — resmunga — eu só fumo um baseado as vezes mas isso não é motivo pra investigação — zomba.

— Ela esta interessada em James — diz Alexander me fazendo querer soca-lo.

— O que ? Qual seu interesse nele ? — pergunta me encarando me fazendo engolir a seco, porque ele era seu melhor amigo e qualquer coisa que eu dissesse poderia ser usado contra mim, então olho para Rebecca que fica me encarando.

— Seu namoradinho babaca esbarrou em mim, queria saber se não vou ter esse desgosto novamente — tento soar zombeteira mais sai como desesperada.

— Vou anotar em um caderno pode deixar, ele vai ficar agora é pra valer — diz se levantando quando um garoto do time chama ele e os garotos para uma conversa enquanto o encaro.

— Para de dar tão na cara — diz Rebbeca fazendo as outras concordarem.

— Eu não...

— James aqui, James ali, James oh... James — ironiza outra.

— Eu não gosto, mas dele qual é só queria saber se eu vou topar com ele por aqui pra mim tirar férias o mais rápido possível — digo tentando parecer convincente.

— Olha é o James — diz ela apontando.

— Onde ? — pergunto sentindo meu coração errar a batida.

— Viu !!! — disseram juntas pois era um alarme falso, ele não estava ali coisa nenhuma e elas me enganaram.

— Odeio vocês suas vacas — resmungo pegando minhas coisas.

— Desapega Collins — zomba Rebbeca enquanto me retiro dali com os olhos queimando em fúria.

 

(...)

—  Então eu acho que isso deve ser feito por alguém que saiba manusear uma faca — diz Frank encarando como Julie corta os biscoitos.

— Eu acho que se a pessoa não ajuda ela deve parar de dar opinião — retruca Julie sorrindo para ele de forma sínica que fez ele fazer uma careta fazendo a pequena Manuela piscar para Holly que estava encostada no balcão com a cabeça virada para a porta encarando a mesma.

— Holly esta esperando alguém ? — pergunto.

— Não — diz apenas continuando a encarar.

Olho para Julie que olha para ela e depois olha para mim e em seguida pega uma colher de pau e afunda no recheio que estava no fogão e caminhando ate Holly entrega na mão da mesma que parece pouco interessada nos doces e sim na porta.

— Mamãe tia Holly esta parecendo um zombie — diz Manuela puxando o vestido dela.

— Não sou um zombie, só estou cansada — responde ela encarando a pequena seriamente fazendo a menor se afastar de medo.

— Ela esta assustando a garota — resmungo pegando Manuela no colo e a levando para sala para procurar algum desenho — que tal você ficar assistindo algum desenho enquanto transformo tia Holly em um ser humano normal ? — brinco fazendo cócegas na pequena que balança a cabeça positivamente enquanto gargalha.

— Não esquece de trazer meus biscoitos — me lembra assim que me afasto voltando para a cozinha.

— Anda Holly desembucha qual o problema ? — pergunto olhando para a mesma que levanta a cabeça pela primeira vez me fazendo tomar um susto seus olhos estavam vermelhos e sua boca seca — meus deus você realmente me parece um zombie — reclamo.

— Eu só preciso dormir um pouco — reclama de mim tentando se levantar.

— Eu sei que odeia quando eu pego no seu pé, mas você precisa tomar seus remédios  — diz Julie a encarando.

— Eles me dão um sono igual bela adormecida — grunhi batendo a cabeça no balcão.

— Sem eles você fica sem dormir e fica nesse estado — argumenta ela.

— Posso sobreviver obrigado tia — reclama ela se levantando e caminhando na direção da sala.

— Pode deixar comigo — digo para Julie correndo atrás de Holly. 

Observo enquanto a mesma faz seu caminho para o andar de cima parecendo estar tonta pelo modo que andava, trocando passos e que seu corpo se arrastava na parede, enquanto ela se locomovia ate seu quarto onde observo a mesma se jogar na cama de cara e fica em estado de repouso por muitos minutos ate eu resolver sentar ao seu lado na ponta da cama.

— Eu não vou tomar nada — diz com a cara afundada no colchão.

— Você precisa...

— Não preciso ! — me interrompe encarando com os olhos mais vermelhos ainda.

— Tudo bem — digo me rendendo e ela volta a afundar a cara no colchão ficando e silencio novamente me fazendo agoniar por querer fazer ela falar, tendo visto que isso agora era raro de acontecer — como estão as coisas em Beverly ? — pergunto tentando puxar assunto.

— A mesma coisa de sempre — diz se virando para encarar o teto.

 — E Culver ? — pergunta sem demonstrar interesse nenhum.

— As coisas andam um pouco diferentes, agora mais nada muito longe do comum — explico encarando seu rosto — mudando de assunto e as coisas com Charlotte ? — pergunto tentando fazer com que ela quisesse conversar.

— Bem não nos vemos mais — diz sem animo algum se virando então minha paciência que já era curta acabou e resolvi que se ela não queria conversar eu não iria forçar.

— Tudo bem, quando quiser sair do modo zombie fala comigo — digo saindo recebendo apenas um arranhar de vozes.

Desço as escadas e vou caminhando até onde Julie está sentada tomando uma xícara de café e me sento na cadeira do balcão recebendo o olhar curioso dela. Eu por minha vez apenas reviro os olhos e observo então uma figura loira passar pela porta acompanhada de Frank e sigo com o olhar ela passar por nos sorrindo.

— Oi Senhora Mckenzie e oi Hilary — diz a caminho da escada.

— Oi Taylor — dissemos juntas.

— Ela parece que pegou gosto em vir aqui não é mesmo ? — resmungo sentindo uma pontada de ciúmes.

— Vai ver que elas estão fazendo aquelas coisas — diz Frank se juntando a nós.

— Não gostei disso, que tipo de coisa ? — pergunta Julie o encarando.

— Nem pensar que Holly e Taylor seriam um casal — resmungo entendendo o que ele quis dizer — acho que elas estão aprontando alguma mas não faço a menor ideia do que é — argumento.

— Ela é a única que vem mais aqui de todas — continua ele.

— São apenas amigas que eu saiba Holly gosta, sei lá como vocês jovens falam hoje em dia, da garota de olhos verdes a morena tal de Megan — explica Julie o encarando.

— De qualquer jeito espero que ela arranque algo da Holly, porque nossa garota parece uma estatua, o que ela tem afinal ? — pergunto.

— Me parece que Marcus planeja pedir a justiça que ela volte para casa — resmunga ela — ele acha que eu a sequestrei — continua.

— Isso é ridículo, ela não pode voltar para lá — rosno me levantando sentindo meu corpo tremer de raiva.

— Calma eu estou cuidando disso vou procurar o processo contra ele de modo que ela seja incapaz de ficar no mesmo ambiente que ele — explica ela tomando mais um gole do café.

— Ela está preocupada não é mesmo ? — digo olhando para as escadas pensando em como fui egoísta deixando ela sozinha lá.

— Na verdade acho que ela esta assim tem um tempo, mas agora parece que ficou desanimada novamente — diz Frank para Julie que concorda com a cabeça.

— Holly precisa sair mais e se distrair ela passa muito tempo trancada no quarto e acho que isso faz com que ela lembre da clinica e de tudo o que passou — Julie se aproxima de mim.

— Eu vou tentar convencer ela sair da caverna — digo me levantando.

— Ótimo Taylor pode te ajudar — sorri.

Então me viro e corro escada acima passando pelo corredor principal ouvindo uns zunidos que eram de uma conversar acontecendo, embora não quisesse me intrometer eu precisava saber do que se tratava, porque era injusto eu ser a melhor amiga dela e ela nem ao menos quis falar comigo. Me aproximo devagar da porta e me aproximo o suficiente para conseguir ouvir.

— Teste de gravidez — diz Taylor.

— Tipo serio você...?

—  Sim, mais por favor não estraga tudo acho que temos que esperar mais e ver o que acontece — continua a loira parecendo desesperada.

— Claro que isso tem que ser mantido em segredo Taylor isso é muito serio. você está se cuidando ? — pergunta Holly.

— Droga Holly claro que sim, estou tomando cuidado ate quando respiro — diz brava.

— Então vai dar tudo certo, será que ele sabe ? — Holly parece se levantar da cama pois escuto passos.

— Não, ele nem sabe que eu... — ela de repente se interrompe bruscamente e escuto o barulho de passos fortes. 

— Calma você não tem certeza não é mesmo ? — insiste Holly.

— Eu não...

— Droga 

Fico ali mais alguns minutos ouvindo o silencio que agora se fazia, pensando ate que fui pega, mas se tivesse Holly provavelmente a esse ponto teria me colocado pelos cabelos para dentro do quarto então fico ali sentindo o peso das palavras delas. Taylor estava grávida e eu não sabia o que fazer pois eu não conseguia me colocar em lugar nenhum a não ser o dela, o que era preocupante éramos novas demais para ter um filho. Agora eu sabia porque Taylor vinha muito aqui, era porque ela não queria conversar com suas amigas mais próximas temendo o julgamento e sabendo o quanto sincera e prestativa que Holly era veio em busca de sua ajuda. Respiro fundo tentando não imaginar qual seria minha cara quando visse Taylor e fingiria que não sabia de seu segredo e adentro no quarto sendo imediatamente recepcionada pelos seus olhares sobre mim.

— Achei que você iria comer biscoitos — disse tentando me manter tranquila.

— Eu estou sem fome — diz ela.

— E você ? — pergunto para Taylor que me encara.

— Estou meio enjoada e bem vou indo Holly até mais — diz apressadamente.

— Até mais — diz Holly vendo ela desaparecer no corredor e me olha agora como se tentasse ler meus pensamentos, ela tinha o dom de entrar na sua cabeça sem que você visse e retirasse as informações que precisava para te desarmar — e quanto a você porque não vai comer os biscoitos ? — pergunta voltando a se deitar.

— Sem fome — digo me juntando a ela.

— Acho que ultimamente ninguém quer comer — zomba.

— Também acho mais não dispenso uma boa nutella — zombo de volta.

— Minha mãe quer que eu vá vê-la hoje — diz me fazendo olha-la surpresa com a noticia.

— Isso é bom não ? quer dizer e seu pai ? — pergunto.

— Ele está por trás disso, claro aposto como ela vai implorar para que eu volte para casa e facilite a vida dele — murmura.

— Ela chega a esse ponto de submissão ? — reclamo me arrependendo logo em seguida vendo sua cara de advertência.

— Não sei mais a que ponto eu mesma chego — diz se sentando — não sei — repete me encarando nos olhos me fazendo ficar sem reação eu não poderia interferir na suas decisões pessoais e muito menos mandar ela escolher algo que afetaria sua vida diretamente, então fico quieta olhando para seus olhos na mesma intensidade e permanecemos ali em silencio, a puxo ela para meu colo e ficamos ali comigo fazendo carinho em sua cabeça enquanto ela fecha os olhos e parecia querer dormir. 

(...)

Pela segunda vez na mesma semana eu estava atrasada e corria no corredor feito uma louca tentando. Primeiro: Nāo esbarrar em ninguém. Segundo : Não esbarrar em ninguém importante.

Desviando do grupo de lideres de torcida entro na sala respirando pesadamente aos olhos da minha turma que me encaravam e logo voltaram os olhares para o homem sentado com cara de tédio segurando um livro.

— Deixa eu adivinhar, senhorita Collins atrasada novamente ? — pergunta levantando o olhar para mim.

— Desculpa ? — digo sorrindo embaraçada.

— Claro, vá se sentar — aponta a cadeira me fazendo caminhar — mas — diz me fazendo parar — leve isso com você — diz sorrindo enquanto estende a mão me entregando um papel dobrado a qual abro lendo a palavra “Detenção “ e sorrio para ele enquanto me sento.

— Acho que ele não vai muito com sua cara — diz uma garota atrás de mim.

— Me diga o nome de alguém que ele vai — resmungo.

A aula se inicia e aproveito a explicação sobre Revolução Francesa para ligar o celular que prontamente é bombardeado de mensagens que ao meu ver eram inúteis. Era uma interligação escolar algo que eu chamava de — Indústria de mensagens inúteis sobre a vida alheia dos estudantes de Culver — que nada mais era que uma grande rede de celulares conectados recebendo e mandando mensagens para outros aparelhos, sobre o que estava acontecendo com certo estudante ou apenas uma baita perda de tempo com vídeos, comentários e muita mensagem besta de alunos fofocando por exemplo “ Brad esta na máquina de refrigerante bebendo uma Coca-Cola, mesmo sabendo que sua dieta não inclui tal coisa “. Cada mensagem desnecessária eu excluía e ficava rolando a tela em busca de algo interessante e parou em um nome pouco conhecido. Festa na casa do Zac — Ele não tinha nada melhor a fazer e resolveu se aparecer fazendo uma festa idiota para comemorar algo mas idiota ainda — murmuro para mim mesma e leio o resto da mensagem “ Zac estará dando uma festa de comemoração da compra de seu novo carro”.

Fico ali alguns minutos encarando a tela do celular e penso em excluir a mensagem mas vejo um endereço de IP e o abro entrando na pagina do Facebook dando de cara com o evento e convidados, rolo a lista das pessoas que confirmaram presença e avisto o nome de James incluso, então como um botão automático dentro de mim confirmo presença aparecendo meu nome logo atrás do seu.

— Senhorita Collins...

— TUDO BEM EU VOU NA FESTA E VOU MOSTRAR PRA ELE QUE EU SUPEREI E QUE NÃO PRECISO DE UM GAROTO IDIOTA COMO ELE PRA SER FELIZ — resmungo rapidamente fazendo a sala cair na gargalhada.

— Que bom que pretende ir na festa amiga e mostra que não precisa dele, arrasa na make — diz imitando uma garota da minha idade causando gargalhadas na sala — agora que tal a senhorita aproveitar e adiantar sua detenção — aponta a saída voltando a ficar sério.

Bem meu caminho até a detenção foi curto embora eu não soubesse pra que servia aquilo, eu sabia que era um lugar para babaca e excluídos sociais. Não conhecia ninguém ali apesar de ter estadia permanente eu me sentia confortável em não ter nenhum rosto conhecido, porque ninguém iria falar comigo e assim eu tinha tempo de sobra para pensar em qualquer outra história mirabolante para explicar essa detenção depois da aula. Pra minha sorte o tempo passou rápido enquanto assistia uma briga de dois babacas por conta de uma bolinha de papel atirada por outro idiota que ria pelo feito.

Assim que vou me aproximando de casa percebo uma movimentação na residência dos Mckenzie havia um carro preto estacionado a qual nunca vira por ali e disfarçadamente caminho na direção dos arbustos que separavam nossas residências, como se quem não quisesse nada olhando para o céu e assobiando me aproximando cada vez mais para ver se conseguia descobrir algo. Não sei por quanto tempo havia ficado ali parada observando a casa distraída já prestando atenção nas formigas juntas levando folhas nas costas percebo movimento com meu sexto sentido e caio pra trás bruscamente sentindo meu coração pular pra fora e volto a me levantar rapidamente para encara-los. Eu nunca havia a visto mas pela descrição que Charlotte fizera tive certeza que olhava para a própria mulher do diabo.

— Ela tem um sorriso falso, olhos grandes e vermelhos parecem que vão te engolir — diz encarando o vazio.

— Ninguém tem olhos vermelhos só pessoas albinas — digo a interrompendo porque era verdade.

— Ela é pálida feito neve da pra ver suas veias roxas no corpo por tamanha palidez — faz uma pausa me encarando — olhar pra ela me arrepiou dos pés a cabeça senti alguma coisa ruim e minha respiração ficou pesada de repente — continua.

— Como ela se veste ? Quer dizer dama de vermelho quer dizer que ela só usa vermelho? — pergunto.

— Vestidos, sapatos e batom — diz olhando para o nada.

— Deve ser uma vadia louca — resmungo.

Assim que meu olhar pousou na mulher a minha frente eu senti o corpo tremer era a mesma criatura maléfica que Charlotte havia descrito mas pessoalmente era um pouco mais aterrorizante do que nunca, porque estava ali perto de mim e eu me sentia intimidada mesmo sem ela se quer notar minha presença, era arrepiante e eu estava apavorada. Esperei ela caminhar e o vento batendo em seus cabelos me lembrou outra coisa que Charlotte jurou perceber assim que a viu ela tinha um rosto muito, mais muito familiar. Era estranho o jeito que era estupidamente idêntica a um rosto conhecido, mas que eu não conseguia identificar de onde conhecia e me peguei encarando ela percebendo então como era linda parecia uma bruxa albina terrivelmente linda, eu não tirava os olhos dela e de alguma maneira não podia pois sentia que uma força maior me prendia, eu continuava ali com sensação de algo familiar e isso que me abismava porque eu nunca a tinha visto antes, não sei se foi sua forma de andar ou seu sorriso sarcástico. Encaro pela primeira vez seus olhos e neles foram o tiro fatal em meu peito, senti meu corpo vibrar, aqueles olhos eram tão famintos, tão lindos, tão familiares.

— Collins — diz uma voz masculina me livrando dos devaneios alheios.

Quando percebo Marcus parado me encarando junto a moça me dou conta que esqueci o que aquela pessoa tinha sido pra Holly e um misto de ódio e medo se espalhou pelo meu corpo eu queria espancar aquela vaca, porém eu tinha medo e não conseguia reagir. Percebo que agora as atenções estão voltadas a mim e encaro os dois me olhando curiosos e eu sabia que os dois juntos apresentavam ameaça para Holly e invés de socar a cara dos dois dou um sorriso sem graça e corro pra dentro de casa rapidamente tropeçando em meus próprios pés e caindo ajoelhada do outro lado da porta já correndo. Me arrastando escada acima contínuo na mesma rapidez ate o primeiro quarto que encontro e caminho ate a janela me jogando antes de alcança-la para apoiar a mão na borda e subir lentamente me certificando de não ser vista. Os dois se despedem sem rodeios e ela caminha ate o carro e acena enquanto da partida então subo me atirando do lado contrario da janela observando o mesmo permanecer ali parado mais alguns minutos antes de virar e olhar na minha direção como se adivinhasse que eu estaria o observando.

— Hilary — diz me fazendo cair no chão de susto.

— Quer me matar do coração? — berro me levantando. 

— O que estava fazendo ? — pergunta vindo até a janela me fazendo acompanhar o olhar e observo que Marcus não estava mais lá.

— Será que eu não posso ter um minuto sozinha com a santa entidade do silencio e da harmonia eterna ? — resmungo me afastando — não estou fazendo nada — digo.

— Então aproveita para fazer nada ali fora — aponta a porta já que eu estava em seu quarto.

Saio para fora pensando no que eles estavam armando e resolvo que precisava contatar Charlotte para ver o que iríamos resolver e tomar providências, porque ninguém merecia ficar parada novamente deixando Holly nas mãos deles.

— Hilly — chama Summer me distraindo dos devaneios que me perturbavam no momento.

— Não vou comprar cerveja para vocês — digo rapidamente olhando para ela e sua amiga.

— Engraçadinha — soa indiferente — soube da festa de Zac ?— pergunta me puxando para dentro do quarto.

— Claro — digo seca — quer ir ? — pergunto.

— Sim — diz animada.

— Nem por cima do meu cadáver — sorrio me levantando.

— Qual seu problema? — resmunga.

— Você é nova demais para ir nas festas do Zac — argumento dando as costas para ela.

— Você foi na primeira com minha idade — insiste.

— Eu sei o que aconteceu lá e pode ter certeza que foi a pior festa da minha vida — continuo abrindo a porta.

— Más...

— LONGE DAS FESTAS DO ZAC — praticamente berro rápido e alto o suficiente para soar ameaçador.

Embora Summer e eu fossemos cúmplices de muitas roubadas e éramos uma dupla incrível eu jamais permitiria que minha irmã do meio, estivesse junto a um bando de veteranos do ensino médio e em meio a tantas coisas horríveis que haviam lá. Havia tido experiências ruins com aquele lugar e não quero colocar minha irmã na mesma situação então ela não iria nem algemada em mim.

[ 21h17min / Ferias / Antes ]

( Festa do Zac – Algum lugar dos corredores )

 

Meus olhos varrem o local de imediato assim que piso dentro da casa tentando encontrar alguém conhecido no meio daquele mar de gente. Afinal eu estava perdida no meio de tantas pessoas que eu nem ao menos sabia quem eram e que em cinco minutos eu já estava praticamente aterrorizada depois de presenciar uma briga entre duas animadoras de torcida completamente bêbadas e um garoto simplesmente se atirando do andar de cima em direção a mesa de centro a partindo em duas partes. A cada passo que eu dava era um ataque do coração as pessoas que estavam naquele lugar me assustavam, a cada corredor que eu entrava era um novo susto maconha, fumaça, bebida, sexo...

Ninguém se incomodava com isso aparentemente, eu estava calma porém incomodada se eu não me envolvesse naquela situação desagradável com nenhum garoto tudo estaria bem, sem contato nos olhos das animadoras, bem longe do corredor da maconha. Andei mais adiante perguntando porque estava me envolvendo nessa droga de festa, ah sim, se não me adequar aos gostos dos meus amigos eu seria deslocada facilmente do grupo e comigo anotei mentalmente que eu tinha péssimos amigos.

Falando neles assim que cruzo o corredor observando um casal lesbico fazendo cena para homofobicos, dou risada batendo palmas e assim subo para o segundo andar na escada toda suja de alguma coisa líquida, murmuro sobre isso e ganho o corredor principal olhando para um grupo entusiasmado de dançarinos nem um pouco bons e gargalho os tirando de meu caminho, avistando meu grupo no final do corredor rindo com garrafas de bebida e cigarros.

— Se perdeu ? — pergunta Timmy meu amigo do primário e claro ex namorado de Rebbeca.

— Eu fui tomar um ar — explico.

— Collins você está uma gata — diz alguém me fazendo virar bruscamente pelo susto que levei e o encaro acompanhado de outros três garotos visivelmente alterados.

— E você um bêbado patético — digo fazendo todos rirem.

— Patético? — pergunta se aproximando de mim com seu hálito de álcool forte me dando náuseas — você é uma estupida metida a besta — diz segurando meu rosto com força — bonitinha mais não gostosa o suficiente para James Lookwood — diz batendo no peito com violência.

— Pra mim continua James Babacawood— digo o encarando frente a frente — de que adianta ser gostosa e ser burra? Ou melhor ficar com um cara como você? —  zombo o fazendo me encarar — espera isso me faz burra — digo fazendo Timmy rir.

— Quer provar? — pergunta apontando para uma porta atrás de mim.

— Deveria levar para o quarto dos meus pais eles tem sonoros embutidos não sai nenhum som de lá — zomba Zac entrando na brincadeira.

— Babacawood já chega — diz Rebbeca o empurrando para longe de mim me arrastando para longe dele e observo o mesmo me encarando ate eu sumir de vista, queria poder voltar lá e quebrar cada dentinho falso que ele tinha — não liga pra ele — diz ela me arrastando até o jardim.

— Ele é sempre babaca assim ? — pergunto me sentando no gramado.

— Não só quando me vê com outra pessoa — resmunga me fazendo encara-la sem entender.

— Desde quando vocês tem isso? — pergunto olhando ao redor vendo como o tempo estava pensando em quando fosse a hora de ir embora como ele estaria.

— Acho que desde sempre ele me ama mais odeia admitir — diz dando de ombros me fazendo juntar as sobrancelhas me questionando se eu perdi algo nos últimos quatro meses e James e ela tinham algo.

— Vocês estão juntos? — pergunto.

—  Não!!! Nos terminamos Hilary, você já esqueceu? — resmunga me fazendo ficar mais confusa ainda

— Espera de quem está falando? — pergunto a encarando.

— De quem VOCÊ está falando? — diz ela me retrucando.

— Do James — digo — do Timmy — diz junto comigo.

— Você viu como ele me encarava ? — pergunta —  aposto como está arrependido de ter terminado comigo — diz me fazendo revirar os olhos por ouvir isso um milhão de vezes.

Tento prestar atenção no que ela dizia mas meus olhos vão imediatamente percorrer todo o jardim e sentada ali prestava atenção em como os garotos abordavam as garotas. Eles ficavam sempre juntos e quando passava uma garota eles simplesmente as impediam de prosseguir ficando em frente delas e prontamente as agarrando pela cintura as beijando, as vezes as garotas tentavam sair e não conseguiam e as vezes conseguiam os empurrar para longe mesmo sendo forçadas a fazer algo que não queriam e isso me revoltava, porque era tudo a força eles riam e achavam graça e se achavam os maiorias.

— Você esta prestando atenção no que estou falando ? — pergunta Rebbeca me encarando.

— Sim Timmy realmente é um estúpido — digo apenas o que certamente ela achava embora realmente não tivesse dando a mínima atenção para o que falava.

— Ele vai ver o que é bom — continua ela me fazendo encarar o céu escuro com poucas estrelas.

Quando volto a olhar para baixo vejo um grupo de quatro garotos se aproximando de nós e prontamente me levanto para sair dali levando Rebbeca junto a mim sendo claro a intenção deles, e  ela resmungou de inicio mas ao perceber o que eu estava fazendo resolveu me seguir por vontade própria para dentro da casa. Passamos pelo corredor onde um cara me oferece um copo com alguma coisa que eu não faria questão de saber o que era e impedi Rebbeca de aceitar, já que a mesma não parava de reclamar que estava com sede me fazendo arrastar ela para a entrada principal da casa buscando um copo de bebida para ela, enquanto observava o fluxo de pessoas que não paravam de chegar.

— Você sabe qual a diferença entre Zac e Zoe ? — pergunta ela me fazendo rir com a comparação aos dois maiores festeiros da escola.

— Nāo, qual é ? — pergunto divertida.

— Zoe tem motivos para dar festas e Zac faz por esporte — explica me fazendo a seguir para as escadas.

— Ouvi dizer que Zoe dará uma festa semana que vêm — digo adentrando no corredor leste da casa só para andar em outros ambientes — me parece que sua equipe ganhou o estadual escolar — explico agora olhando para o corredor a frente.

— Os pais de Zac vão viajar o final inteiro de semana talvez ele faça mais festas assim — diz ela rindo.

De repente ele fica em breu total apenas algumas luzes negras faziam a iluminação deixando um tom sinistro naquela parte então penso em dar a volta,. mas já estou correndo atrás de Rebbeca que parece não se importar onde estava se metendo.

— Onde é que você vai ? — pergunto a perseguindo.

— Esse caminho é o mais rápido até o outro lado da casa tem uma sala de jogos em algum lugar aqui que dá direto ao corredor onde os meninos estão — explica me arrastando para a escuridão — só preciso encontrar a porta porque não estou enxergando nada — resmunga me puxando cada vez mais para o escuro.

Eu além de cega estava assustada pois sentia brisas de vento com origem de pessoas se deslocando, eu sabia que os que estavam ali tinham uma visão melhor, porque andávamos no centro sempre na luz negra eu achava que aquele lado da casa as pessoas levavam as coisas, mas serio as drogas eram pesadas e o que acontecia ali se parecia como um beco de rua em pleno Brooklin. Tremendo de medo tomo a frente dela e a puxo para irmos mas rápido e paramos para encarar uma porta aberta na esperança de ser a nossa porta mas infelizmente não era e vimos algo grotesco — Era uma garota completamente debruçada na cama com pernas abertas e visivelmente drogada ou sei lá o que desapagada o que matou tudo foi um homem beijando ela desacordada e com as calças abaixadas — Não quis ficar para ver o resto aquilo era nojento eu poderia voltar e impedir mais acho que ela estava daquele jeito porque não se cuidou e foi burra e se estava acompanhada de “amigos” deveria rever suas amizades pois ali estava vulnerável sozinha.

Na primeira festa que fui vi uma amiga bebendo todas e sendo abandonada no meio do corredor completamente desmaiada sujeita a várias coisas. Então aprendi que não podia confiar em ninguém para cuidar de mim se eu exagerasse e resolvi que não beberia tanto pra chegar ao ponto de ser como ela ou a garota que acabará de ver nesse exato momento podendo ganhar um filho que ela jamais saberia quem era o pai ou pior como aconteceu.

Alcançamos finalmente a porta branca que se destacava das demais que só poderia ser a sala que dava acesso ao outro lado da casa sem precisar atravessar todos os corredores novamente, então puxo ela para dentro imediatamente fechando a porta atrás de mim e então estamos em uma espécie de salão cheio de máquinas caça-níqueis, bilhar, copas e de todos os tipos imagináveis pra nossa sorte ou não o lugar estava cheio de pessoas que era normais e eu podia respirar aliviada enquanto cruzamos ela que parecia nunca ter fim ate sair em uma porta deparando com o corredor que se encontravam nossos amigos.

— Zac sua festa está fora de controle — resmungo lembrando das drogas e perigos que ali se encontravam.

— Está tudo sobre controle bebam um pouco e relaxem — diz ele fazendo os outros tirem.

— Estamos falando serio tem gente com droga pesada aqui — diz Rebbeca tomando a frente.

— Quer que eu faça o que ? As pessoas se divertem como querem — explica bebendo mais cerveja.

— Zac a casa está uma bagunça você terá que se virar para arrumar — diz Timmy se aproximando da gente fazendo Rebecca tremer ao meu lado.

— Eu vou ficar na casa da minha garota, não voltarei pra casa nem tão cedo — zomba bebendo mais ainda.

— Tudo bem já vi mais que o necessário estou indo embora — grunho me virando pra ir embora.

— Quer que eu te acompanhe ?  — pergunta Rebbeca.

— Não tudo bem eu me viro — digo saindo.

Caminho para longe deles me aproximando da escada que logo é dominada por outra briga e dessa vez é como um furacão que vai levando as pessoas junto, eu me viro para entrar dentro da primeira porta que vejo que é  justo a porta que acabamos de sair e resmungo, aquela era a única saída graças a todas as outras estarem bloqueadas. Me arrasto de volta ao corredor negro e caminho o mais depressa para sair dali tentando voltar as corredores com mais luz e pessoas.Com uma sensação estranha desde que entrei na sala de jogos como se estivesse sendo seguida.

— Porque a pressa gatinha? — pergunta um cara com voz grave me fazendo dar um pulo pelo susto que levei — que tal nos divertimos um pouco ? — pergunta rapidamente me segurando pelos pulsos me grudando na parede me fazendo berrar.

— Me solta droga  — reclamo enquanto me debato tentando sair.

— Você é uma vadia gostosa que quer muito que eu te foda então para de graça — rosna me puxando e empurrando com força na parede e meu primeiro impulso é de me debater com mas força ainda ele responde abrindo o zíper da calça nessa hora meu coração dispara, reagindo da maneira que deu e chuto bem forte sua parte íntima fazendo o mesmo me soltar para mim correr pelo corredor — volta aqui — berra ele me seguindo viro para a direita olhando para os lados em busca de algum abrigo e olho para trás vendo o mesmo correndo na minha direção.

— Socorro ! — grito tentando fazer com alguém me ajude— grito tentando me livrar dele que tapa minha boca me fazendo mordê-lo o fazendo gritar de dor e corro desesperada sentindo meu corpo sendo puxado violentamente para trás e colido com força na coluna da parede gritando de dor.

— Acho bom você parar com isso — reclama se aproximando mais ainda e com a pouca luz não consegui ver seu rosto, só consegui sentir um áspero no rosto significando que ele tinha barba rala para fazer, com a pouca luz olhos quase vermelhos e seu hálito era forte de álcool, ele me parecia incrivelmente familiar sua voz só estava alterada por conta do álcool mais eu sabia que já tinha a ouvido em algum lugar.

Dessa vez eu não conseguia me mexer pois sentia um cansaço pelo esforço que eu estava fazendo ao tentar me livrar dele e meus olhos ardiam violentamente já com o choro entalado na garganta querendo sair. Meu peito doía muito e eu senti minhas forças diminuindo mais e mais eu tinha que reagir eu não podia deixar o medo me paralisar, assim junto toda a força que tenho e com um ultimo golpe me solto e o empurro o derrubando no chão e começo a correr desesperada para outro corredor na tentativa de deixá-lo para trás e agora apavorada eu encarava o homem certamente mais furioso que nunca vindo em minha direção como um touro vai em direção ao toureiro. Meu olhar percorre cada porta cada corredor cada oportunidade de fuga que eu tinha então de porta em porta vou mexendo nas fechaduras, tentando abrir alguma quanto mais perto ele chegávamos certeza eu tinha que eu era uma garota morta e ali no ultimo corredor antes de estar encurralada, uma porta se abre com alguém saindo então eu rapidamente me jogo pra dentro empurrando a porta para fecha-la e respiro aliviada. Prendo o ar alguns minutos depois que sinto a porta tremer e meu corpo vibra eu estava assustada e quase morri quando vi uma figura parada em uma porta me olhando como se não tivesse entendendo nada.

— Me ajuda James — grito para ele que fica petrificado olhando para mim então olha para a porta e entende correndo para trancar a mesma com as chaves.

— O que ouve? — pergunta me encarando com a voz um pouco alterada.

— Ele deve estar drogado ou sei lá o que — digo recuperando o ar e pulo voltado a perder quando a porta treme.

— Parece que ele está bem irritado — diz encarando a porta com preocupação — anda me ajuda colocar algo aqui — diz apontando a porta e depois uma estante do outro lado do cômodo a qual empurramos bloqueando a porta.

— Obrigado — digo finalmente respirando aliviada.

— Você está tremendo vou pegar água — diz saindo e entrando em uma porta que nem eu havia visto ate agora.

Aproveito para me sentar em um sofá grande que tinha ali no que se parecia uma suíte, pois cada peça da mobília era uma mais deslumbrante que a outra e acho que por um segundo percebi que estava no quarto dos pais de Zac e que era um quarto gigante e bonito. Apesar desse pequeno devaneio volto a realidade com o pulmão se enchendo de ar e tentando fazer as mãos pararem de tremer pois ainda estava com medo e mesmo com a estante e James ali comigo eu ainda assim não acreditava que estava segura.

— Só tem água da torneira se não se importa — diz me entregando um copo de água que bebo um pouco e fico o encarando me estudar e então os dois olham para a porta de imediato quando ela treme com um estrondo.

— Por quanto tempo ele vai ficar fazendo isso ? — pergunto.

— Não sei mais algo me diz que permanecerá assim um longo tempo — explica se sentando no sofá ao meu lado.

— Que horas são? — pergunto me lembrando de ter deixado bolsa e celular com Rebbeca.

— Onze horas — diz pegando uma garrafa de bebida em uma pequena geladeira e me oferece mais nego encarando a porta.

E logo me distraio olhando para James beber era evidente que não estava bêbado como antes, Mas voltando a beber ficaria do mesmo jeito ou talvez pior me fazendo passar raiva antes de realmente começar a passar e praguejei por ter que esperar até o louco. psicopata parar de tentar me machucar do lado de fora. Me levanto para tentar não surtar e olho para o quarto reparando que não haviam janelas ali e meus olhos varreram o local tentando encontrar uma explicação e encontrei olhando para o teto ou melhor o vidro, já que era um teto solar aberto que poderia também ser fechado e embora o quarto fosse de certo luxo eu não havia me impressionado ou talvez estivesse eufórica demais para reparar nele. Só haviam duas portas no quarto uma que estava trancada pois já havia tentado abri-la e a do James e com esse pensamento me levanto caminhando até onde James entrou vendo que era um banheiro e pra minha surpresa não havia janela ali também me causando certo incômodo pois me senti sufocada e cercada, pois o cara do outro lado derrubasse a porta não teríamos para onde ir.

— Você não poderia ligar para ninguém ? — pergunto inquieta.

— Ninguém irá atender, fique tranquila ele vai se cansar em breve — diz sem me olhar.

— E se ligar para a polícia? — pergunto me sentando na cama.

— Vai todo mundo preso — zomba bebendo mais alguns goles me fazendo lembrar também que éramos todos de menor na casa havia drogas e bebidas e resmunguei me atirando pra trás encarando a lua aparecer e desaparecer varias vezes devido as nuvens que passavam por ela.

(...)

Respirei diversas vezes tentando puxar o ar que aos poucos foi voltando ao normal depois de ter um pesadelo envolvendo um cara tentando me bater e suspiro sabendo que foi só um sonho ruim e me levanto levando um baque em seguida, pois eu não estava no meu quarto e aquilo realmente não era um sonho. Olhei imediatamente para onde James estava ou melhor deveria estar e me jogo para fora da cama, olhando para a porta que parecia estar do mesmo jeito que deixamos e quando vou gritar eu travo vendo James sentado em uma cadeira na parte escura do quarto me encarando. Era estranho toda vez que eu dormia e acordava ele parecia sumir e voltar toda hora e só tínhamos o banheiro como recurso no momento para respirar um pouco.

— O que foi ? — pergunta como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

— Nada achei que tivesse saído — digo rapidamente encarando outra direção.

— Claro sai voando por ali — aponta para o teto.

— Ah tudo bem acho que já vou — digo caminhando na direção da porta quando sou surpreendida.

— NÃO! — diz se atirando na minha frente.

— Porque não? — pergunto o encarando.

— Ele ainda está por ali — diz rapidamente.

— Eu duvido devo ter dormindo por uma hora ou mais ele já estaria morto de tédio uma hora dessas — zombo me livrando dele.

— Eu não contaria com isso ouvi o som de passos lá fora — diz me puxando de volta para trás.

— Espere — digo colocando o ouvido na porta — está ouvindo? — pergunto.

— Ouvindo o que? 

— O som do nada — resmungo tentando empurrar a cômoda mais ele me puxa com força para longe.

— Pode ser um truque, ele está esperando na espreita — diz falando em meus ouvidos me arrepiado dos pés a cabeça.

Então me livro dele sem questionar, porque isso ate poderia se verdade e volto a me sentar na cama vendo sua expressão assustada voltar ao normal e ele volta a se sentar no sofá me encarando profundamente como se estivesse pensando em algo, mas toda vez que fazíamos contato visual ele desviava para encarar outro lugar. O estranho disso tudo é que ele me lembrava ou me parecia muito alguém só que eu não conseguia saber quem era o que me deixava intrigada. Coisa que me acontecia sempre com as pessoas.

— Como você se chama? — pergunta depois de muito tempo o silêncio se fazer presente.

— Achei que soubesse — digo sem me importar.

— A única coisa que sei de você é seu sobrenome — explica pegando uma garrafa novinha de cerveja.

— Meu nome é Hilary — respondo o fazendo torcer o nariz como se não tivesse gostado do que ouviu.

Como dele não havia dito nada fiquei em silêncio observando ele beber sozinho uma garrafa inteira de vodka e me perguntei pra onde iria tudo aquilo. O que me incomodava mais era o silêncio dele e ao mesmo tempo o modo que me encarava, era como se quisesse dizer algo mas não falava o que me irritava pois odiava o silêncio e se eu tentava puxar assunto ele parecia completamente desinteressado além de ficar impaciente sozinho olhando para todos os lados. Embora não me sentisse segura deitei na cama e fiquei virando de um lado para o outro esperando algum ruído qualquer que fosse, mas tudo fora os ruídos da música por toda a casa as vezes gritarias e vozes de pessoas lá fora o resto parecia calmo. E foi naquele momento que percebi que estávamos no quarto dos pais de Zac e que não havia sonoro só se podia ouvir os ruídos de lá fora por conta do teto aberto de vidro e praguejei eu poderia gritar o quanto quisesse que jamais seria ouvida. 

— Tudo bem acho que ele já foi — me levanto encarando o sofá vazio e me levanto para a chama-lo quando vejo o mesmo em pé encarando seu reflexo no espelho seus olhos eram quase vermelhos e estavam vidrados quando me olha sinto um calafrio.

— Ele está lá fora — diz abrindo espaço para sair do banheiro e então vou ate onde ele estava a poucos minutos e reparo a pia com um pó branco que de início penso ser pasta de dente ou sujeira mais olhando bem eu descubro o que é tropeçando em meus próprios pés.

Era ótimo estar trancada em um quarto com um cara que eu nem conhecia agora estava trancada em um quarto com um cara que eu não conhecia e usava drogas e bebia como um louco, tinha uns traços faciais estranhos e me lembrava o Hannibal. Eu estava assustada na verdade, apavorada porque aquilo era péssimo eu estava em uma enrascada e o único jeito de fugir era escolhendo qual seria o pior. Ficar no corredor com um doido maníaco ou no quarto com um drogado aparentemente sociopata. Resolvi que o maníaco era melhor e ando ate a cômoda arrastando ela para longe da porta ate sentir ela sendo travada e olho para ele que empurra ela na direção contrária a minha.

— O que você está fazendo? — tento soar calma.

— Ele ainda está lá fora — diz dizendo as mesmas palavras novamente era como um rádio gravador.

— Não está não — digo voltando a empurrar.

— Está lá fora — diz em um tom mais grave em voz de comando o que me fez tremer olho para ele e me arrependo de ter feito contato visual pois seus olhos vermelhos queimavam em fogo então desvio soltando o móvel e me afastando dele.

Sento na cama e evito ao máximo encará-lo pois ele poderia ficar irritado ou pior poderia querer me encarar de volta o que me mataria de medo. Agora eu estava ficando louca me sentia sufocada o ar do quarto não parecia bom o suficiente para nós dois e queria muito que meus amigos sentissem minha falta e viessem me buscar pensei, ate em meus pais eu não ligaria se me dessem bronca ou me deixassem de castigo contanto que eu voltasse pra casa a salvo tudo estava ótimo. 

O tempo não andava era como se tivesse congelado a música lá embaixo parecia já distante e o mundo lá fora parecia estar em completo silêncio. Eu estava deitada olhando para o chão quando meus ouvidos sensíveis captaram os sons de pios o que reconheci como pássaros e olho diretamente para o vidro do teto vendo a luz da manhã. Já havia passado todo um dia eu tinha que sair dali e estava decidida que era impossível que o garoto estivesse lá fora então me levanto sendo observada por um par de olhos atentos até o banheiro no mesmo instante que chego os olhos são automáticos postos nos vestígios da droga e engulo a seco me lembrando da péssima situação a qual eu me encontrava e com os olhos faço uma varredura do local, não acreditava que aquele quarto enorme só tinha uma janela e a encontro a pelo menos cinco metros do chão e me pergunto qual a droga da finalidade daquela janela ali, respirando fundo tento pensar em algo que eu possa usar para colocar e subir ate alcança-la, mas nada além de um cesto de roupas sujas que era menor que eu sozinha e não serviria para nada. Enquanto bolo meu plano observo um brilho diferente no metal de uma dos sanitário prateados e olho para trás tomando um susto vendo ele parado em pé a porta me encarando.

— Eu quase morri, quer me matar do coração? — resmungo encarando o cesto.

— O que está fazendo? — pergunta seguindo meu olhar até a janela.

— Tomando um ar essa droga de quarto não tem ventilação nenhuma — minto apesar de ser verdade a parte da ventilação — bem já está de dia acho que ele não está mais lá fora — digo passando com certo receio por ele caminhando em passos rápidos até a cômoda.

Arrasto ela pronta para parar pois sabia que ele me impediria mas conforme vou a empurrando observo que o mesmo não se move apenas me observa sem demostrar qualquer interesse em me ajudar e termino deixando a porta livre prontamente encarando James que sorria fraco como se dissesse “parabéns ” devido aos olhos impacientes.

— Obrigado por me ajudar — digo irônica — eu nem sei como agradecer por mais cedo ou tarde, já está de dia — digo sorrindo que apenas continua a me observar então resolvo sair de vez puxando a porta que parece emperrar e percebo que está trancada olho a fechadura que ate onde me lembro deveria estar com a chave ali.

— Procura algo ? — pergunta balançando as chaves em mãos.

— Acho que a porta não abre sem isso — brinco caminhando ate ele que levanta as chaves no alto de sua cabeça me impedindo de alcançar — Você se importa? — pergunto pulando para tentar pegar enquanto sua feição continua intacta — ah tudo bem eu tenho que agradecer direito — desisto — eu queria me desculpar por te chamar de bêbado patético ou qualquer outra coisa que tenha sido — digo vendo sua mandíbula trincar.

— Tem razão a porta não abre sem isso — diz se afastando guardando as chaves em bolso.

— Ok me perdoa por te julgar sem te conhecer você é um cara legal — estendo a mão mais ele não entrega — ok mais legal da escola — continuo esperando que ele entregue mais não o faz me tirando do serio agora que era muita graça da parte dele — me dá as chaves — digo assumindo um tom mais sério.

— Já vai? Gostei da companhia fica mais um pouco — diz se sentando no sofá de modo irônico.

— Tenho que ir não posso ficar, estou morrendo de fome — digo impaciente pois havia realmente acumulados uma grande necessidade de comida já que a última vez que tinha feito uma refeição descendente tinha sido antes da festa.

— Quem disse ? — pergunta levantando bruscamente vindo ao meu encontro — temos todo o fim de semana — diz em um tom malicioso se referindo aos pais de Zac que estavam viajando.

— Podemos marcar um encontro um dia desses — digo tentando o convencer ele parece querer pensar então coloca a mão dentro do bolso e me entrega as chaves apenas sorrio e giro a chave na fechadura abrindo a porta sentindo o ar entrando em meus pulmões finalmente pensei comigo mesma e vejo que o corredor estava vazio — eu disse que ele não estava aqui fora — digo olhando para ele que estava na parte na porta entre o corredor e o quarto e vejo a sombra que a luz faz no rosto dele e vejo a curva de uma barba rala para fazer e algo ali me era terrivelmente familiar. 

—  Até gostosa — diz ele me fazendo parar bruscamente e encarar pois aquele tom de voz e aquela expressão me fizeram levar um choque.

— Você...

— Tinha razão ele não estava lá fora — diz agravando a voz ate atingir o tom certo — ele está aqui dentro — sorri para mim e eu paraliso.

Continua... 


Notas Finais


Preciso de alguém que me ajude a editar, se alguém tiver interesse me chama na DM ^^


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