História Traga-me aquele horizonte - Capítulo 14


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bringmethehorizon, College, Girls, Lesbians, Lesbicas, Livros, Old, Saga, School
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Palavras 14.979
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Antes de ler vai direto para as notas finais, lá se encontra a música que em certo momento vou pedir pra dar play, ela é praticamente excecional para esse capitulo pois ele foi construído em base dela, NÃO ignorem isso.

R.I.P Luis Jaime Salom Horrach
3 de junho de 2016,
El Mexicano Always in our hearts 💔

Capítulo 14 - Avalanche ( Charlotte )


Fanfic / Fanfiction Traga-me aquele horizonte - Capítulo 14 - Avalanche ( Charlotte )

 

Nunca pensei que diria isso, mas obrigado Steven Spielberg por me mostrar que os dinossauros são seres calmos e pacíficos ao contrário da minha irmã do meio, que parecia mais perigosa que todos eles juntos. Anote esta nota mental e leve para o resto da vida com você Charlotte — pensei comigo mesma enquanto escrevia no caderno —.

Me sentei na cadeira olhando para todas minhas anotações ignorando todo o drama que Lola insistia em fazer e foquei em resolver todas as minhas contas que apesar de poucas eram complicadas meu campeonato acabaria com mais cinco corridas e eu teria pontos o suficiente para entrar no mundial mais não teria o suficiente para avançar para o MotoGP o que me deixava cabisbaixa, mas lembrava o motivo de perder tantos pontos e me peguei sorrindo ao lembrar de como ela era linda sorrindo.

— Qual é a graça? — pergunta ela se sentando ao meu lado.

— Não estou rindo estou sorrindo — digo olhando para as minhas anotações.

— Desde quando fazer contas matemáticas causam esse tipo de reação? — pergunta.

— Não estou sorrindo por conta das contas matemáticas — explico.

— Então como eu havia dito, quero este lado da garagem disponível para mim guardar meu carro já que a senhorita faz questão de ocupar todo ele com sua moto — diz mostrando um desenho representativo da nossa garagem.

— Podemos entrar em acordo? — pergunto.

— Não — diz se virando para sair me deixando ali sozinha.

— Ótimo — zombo me levantando caminhando até meu quarto para conferir se eu já tinha organizado tudo e pego minha pequena mala descendo com ela pela escada.

— Já pegou sua passagem ? — pergunta meu pai me ajudando a descer.

— Vamos de ônibus-minhão — digo zombando do ônibus que se parecia mais um caminhão e por isso eu o apelidei carinhosamente assim — volto em três semanas, diz para mamãe que se eu não ligar é porque estarei ocupada, mas mando notícias para vocês assim que eu puder — explico me dirigindo até a porta vendo um ônibus-minhāo parando ao lado de casa.

— Tudo bem, cuidado e boa sorte — sorri.

— Ah e sobre hipótese alguma deixe que Lola fique com o maior lado da garagem — resmungo abrindo a porta da garagem onde Max se dirige ate minha moto a pegando mesmo que eu não fosse usá-la, pois era avançada demais para minha categoria e eu gostava de usar para me divertir as vezes.

— Vou anotar — diz piscando — está levando protetor ? — pergunta apontando para o céu.

— Claro — me viro para ver Jordan meu irmão entrar em casa acenando para mim — até logo — aceno para ele e me dirijo a caminho do caminhão as vezes ônibus gigante.

— Alek onde está aquela revanche que você me prometeu ? — pergunta Jack mais conhecido como meu velho rival.

— Acho que alguém não aprendeu a hora de parar de querer perder — zomba papai rindo.

— Nastya diga para ele — chama Jack 

— Senhor Di Achemelvich o garoto merece um melhor de três — diz ela aparecendo na janela com celular em mãos.

— Não merece não — digo fazendo papai concordar.

— Eu tenho que pensar — diz ele.

— Qual é Alek — dramatiza.

— Que tal fizermos um trato se você ganhar o campeonato eu te dou quantas revanches quiser — diz fazendo com que Nastya caia na gargalhada.

— Feito — diz o garoto todo seguro de si.

— Essa pago para ver — zombo abrindo a porta do ônibus esperando Max voltar — Max papai disse que dará revanche a Jack se ele ganhar o campeonato — digo fazendo nosso mecânico rir.

— Boa sorte viu — sorri para Jack entrando no ônibus.

— Vai pagar pra ver — zomba o garoto.

— Tchau garotos, deem o melhor de si — diz acenando enquanto caminha para dentro — te amo Charlotte — sorri para mim.

— Te amo pai — devolvo me apoiando na escada do ônibus.

— Tchau Alek nos vemos em breve na revanche — grita Jack colocando a cabeça para dentro do ônibus.

Entro no ônibus-minhão que tinha um vagão para os equipamentos e outro para a equipe era como um trailer gigante, tinha pelo menos cinco ou sete eixos de rodas. Deixando a porta se fechar atrás de mim caminhando até onde os dois estavam, Jack sentado segurando um vídeo game portátil sobre a mesa e Nastya com o celular em mãos no sofá. E começo a atravessar o ônibus para guardar minhas malas conversando com mais alguns membros da equipe como mecânicos, supervisores técnicos e alguns representantes dos meus patrocinadores. Depois de colocar a bolsa nos compartimentos do fundo volto para onde os dois estão agora conversando algo e me sentei na janela colocando os fones de ouvido o que era completamente normal para mim, pois viajava muito para disputar competições, as vezes ficava meses fora de casa e meus pais já haviam se acostumado comigo ali o tempo todo saindo e voltando sozinha. Eu havia ganhado minha independência muito cedo e por isso já havia acostumado com aquela rotina, embora sentisse saudade deles eu gostava dessa liberdade.

A viagem foi calma e seguia na normalidade, parávamos em postos sempre para reabastecer ou comer algo e voltamos para seguir viagem e embora gostasse de avião achava que a viagem de ônibus era mais emocionante pois podia ficar olhando para a estrada vendo as paisagens mudarem de acordo com o clima e o tempo, eu só estava indo para o estado ao lado de dois a três dias de viagem sem trânsito era o suficiente para me deixar relaxar de todas as preocupações que eu tinha, gostava da sensação de paz de liberdade e aquela calma no coração que eu ganhava ao observar a vida lá fora, ouvindo musicas com letras bonitas que me faziam construir histórias perfeitas na mente. O mundo parava para mim e tudo aquilo era lindo ate quando Jack ficava fazendo graça querendo atenção de Nastya e eu ria com eles mesmo não participando diretamente da brincadeira.

Os dois eram como irmãos para mim Nastya corria comigo desde o campeonato júnior de motocross e tinha se tornado minha melhor amiga até o dia que se juntou a minha equipe, já Jack tinha chegado a três anos atrás para substituir nosso melhor amigo que acabou sofrendo um acidente e nunca mais pode correr, ele era irritante de inicio pois nossa relação não era boa, ele queria substituir alguém insubstituível e se achava o maioral, tivemos vários desentendimentos tanto na pista quanto fora dela, um querendo ser melhor que o outro e acabamos que dando uma trégua quando Nastya se machucou certa vez, eu sabia que ele tinha uma queda por ela e que no fundo a raiva que sentia por mim nada mais era medo dela preferir a mim e não ele, mas com o tempo ele viu que éramos grandes amigas e apenas isso me deixando em paz. 

Quando vi Jack fazendo graça para Nastya me lembrei na hora de Andrew fazendo o mesmo para mim embora cada um fosse diferente do outro eles se pareciam muito. Eu via o próprio Andrew ali e meu peito reagiu apertando um pouco me causando uma dor incômoda que me tirou a tranquilidade e penso que se ele estivesse aqui com a gente estaríamos todos brincando rindo alto e fazendo piadas com nossa equipe. Aquele sorriso bobo estaria a mostra todo tempo e eu sorriria ao vê-lo, tantas coisas se passaram em minha cabeça quando meus pensamentos são desviados para Andrew, que sinto meus olhos querem marejar então olho para a grande mata aberta ao lado da estrada e tento esquecer daqueles detalhes que machucavam.

(...)

 

Acordo olhando para o lado vendo um cobertor me cobrindo e Jack deitado ao lado de Nastya com os braços entrelaçados e acho aquilo fofo e tiro meu celular do bolso tirando uma foto dos dois que eu usaria para fazer alguma chantagem depois e volto a guarda-lo para caminhar até a porta, vi que estávamos parados pela cortina e resolvo sair para me mover um pouco pois não aguentava ficar tanto tempo parada e aquela sensação de que nunca chegaríamos me deixava louca e o ar puro me ajudaria a deixar a mente mais tranquila.

Pulo para fora do ônibus e vejo um posto de gasolina com lojas ao redor e outras conveniências que poderiam ser úteis e caminho ate uma loja para comprar alguns salgadinhos e refrigerantes esperando que aquilo pudesse encher a barriga nessas ultimas horas de viagem e volto para o ônibus segurando o pacote em frente ao rosto de Jack que dormia tranquilamente e vejo a embalagem encostar em seu rosto o fazendo acordar de princípio perdido e depois assustado com o pulo que deu me fazendo rir.

— Tomem um pouco de ar fresco acho que já estão ficando pirados — digo me virando.

— Porque pirados? — pergunta ela com voz grunge.

— Estão de mãos dadas parecendo um casal — zombo fazendo os dois ficarem vermelho — não estou afim de ser o Harry Potter da relação de vocês — resmungo apontando para ambos e saio do ônibus logo sendo seguida por eles dois.

— Onde estamos? — pergunta Jack olhando sonolento para todos os lados.

— Talvez Henderson — digo olhando o local — devemos ter mudado o trajeto — explico.

— Las Vegas nos espera — diz Nastya empolgada.

— Esqueçam não passaremos nem tão perto, lembram da última vez que em estiveram em Vegas ? — pergunta Max nos encarando.

— Eles estavam roubando — resmunga Jack na defensiva.

— Ah claro — zomba — vocês quase perderam a moto — continua.

— Vocês? Não me inclua nisso ele que apostou ate as calças que tinha e perdeu — reclamo.

— Max você sabe que temos que passar por Vegas temos reunião com os patrocinadores — lembra Nastya piscando para Jack que me olha do mesmo jeito.

— Vocês vão fazer um juramento e não entraram em cassino algum — resmunga ele entrando no ônibus.

— Vegas !!! — gritam os dois animados saltando do ônibus e se dirigindo até a grande loja despertando olhares sobre eles era impossível não rir com aqueles dois.

Mais tarde acordei com um balanço me assustei pois imaginei que algo aconteceu mas me deparei com Jack e Nastya encima de mim os dois sorrindo diabolicamente e dou um pulo os afastando ambos olharam para mim e colocaram o dedo indicador no lábio para que eu ficasse em silêncio, enquanto me arrastavam para o fundo do ônibus vendo todos dormindo então quando chegamos no vagão de bagagem eles saem correndo e sou obrigada a segui-los até a grande porta de metal onde os dois abrem dando acesso ao compartimento das motos e Jack pega seu macacão e começa se vestir apontando sua moto e em seguidas para as nossas Honda RC213V acenando para Nastya que já montava na sua já uniformizada. Ambas eram lindas e potentes eu queria possuir as mais rápidas, mas eu estava contente com minha mascote da Kawasaki contratariando meus patrocinadores por ter uma moto de outra fabricante e vou na sua direção arrancando sua capa vendo seus aros verdes brilharem, então pego meu macacão no compartimento ao lado das correntes e os encaro me olharem com uma cara que dizia “Não é justo” me fazendo revirar os olhos e voltar a colocar a capa na moto e ir até a azul e vermelha chamativa e desprendo as corretes utilizando minha chaves e subo na moto.

Vocês estão prontas crianças? — Jack cantarola a música do Bob Esponja apertando alguns botões ao lado em um painel.

Estamos Capitão!!! — grita Nastya o ajudando.

As portas traseiras do vagão começam a descer fazendo uma pequena rampa o ar gelado começa a invadir o compartimento e escuto o som dos motores deles sendo ligados aquela aceleração e o som fazem meus pelos se arrepiarem intensamente, meu peito dispara em puro prazer não existia som melhor, então como se eu adivinhasse Jack passa rasgando por mim com o som da sua moto causando um grande estrondo no vagão ele praticamente salta com a moto para fora do ônibus-minhão e logo em seguida Nastya faz o mesmo causando outro estrondo de trovão dentro do vagão e eu sinto meu corpo explodir em êxtase com a mão acelerando e olhando o momento certo para soltar o freio e a moto me impulsiona para frente e minha mão bate no painel no minuto que passo ao seu lado fazendo a rampa começar a subir e conforme ela sobe eu me aproximo respirando fundo quando vôo com a moto pra fora sentindo o vento me invadir e como uma aterrissagem de skate sinto um pequeno impacto ao tocar o solo e quando a moto tende a virar para a direita descontrolada eu seguro firmemente fazendo com que ela fosse se estabilizando até eu ter controle total sobre ela.

Olho para o caminhão com portas fechadas e percebo Jack se aproximando pela direita e Nastya pela esquerda e como se me desafiassem começam a acelerar ultrapassando o caminhão acelerando propositadamente para chamar a atenção do nosso motorista que respondeu com uma longa buzina e então faço o mesmo, a estrada não estava vazia mas rapidamente deixamos os carros para trás. Era estranho pilotar aquela moto pois ela se parecia mais leve e menos rápida que minha outra, julgava por uma ser do MotoGP e outra do Moto 3 duas categorias diferentes que eu ainda não havia me acostumado desde que ganhei a Ninja de Max por bom comportamento.

Mais de qualquer forma a melhor sensação do mundo era estar encima de uma moto em uma rota interestadual vazia, olhando para as paisagens montanhosas por vezes pastos e vegetação desértica como era o caso agora, sentindo o vento ultrapassar minha roupa e uma incrível sensação de liberdade tomar conta de mim eu me sentia voando como os pássaros sem limites e eu forçavam a moto dar o melhor de si nas pequenas inclinação de asfalto. Me deixo alcançar os dois na minha frente diminuindo para olhar para os dois Jack olhou para mim e fez um sinal positivo mesmo com o capacete cobrindo todo seu rosto eu poderia dizer que estava sorrindo do mesmo modo que fazia quando Nastya o elogiava depois de uma boa corrida, repito o ato olhando agora para Nastya que apontava mais a frente mostrando uma placa que identifiquei como a Rota 515 que nos conduziria até a Rota 95 em Winchester estávamos indo em direção a Vegas. Por isso entendi toda a animação dos dois Jack agora estava bancando o imprudente passando no meio de carros como se fosse um guarda acenando para eles encostarem, as vezes empinava a moto e se exibia para Nastya que me olhava e fazia um sinal negativo e que eu sabia que era falso por dentro daquele capacete tenho certeza que existia uma risada descontrolada.

Acelero deixando os dois para trás e resolvo que queria um tempo sozinha em cima da moto enquanto minha mente vaga olho para o horizonte o sol se pondo e eu ali imaginando se Andrew estaria pilotando uma moto como a minha em algum lugar por ai e deixo tudo se apagar me lembro de um pequeno beijo, um pequeno sorriso e tudo vai sumindo enquanto faço o mesmo na estrada. Vou aos poucos desaparecendo.

A moto corria sozinha por conta de velocidade e meu corpo apenas acompanhava tudo como se fosse parte de um único conjunto. Minha mente vagava sozinha ignorando todas as placas eu via os reflexos dos carros passarem como vulto no painel da moto que eu olhava e voltava encarar a pista bem na minha frente e senti uma vontade enorme de ganhar mais poder e me sentir forte o suficiente para subir os pneus dianteiros e a moto pede mais marcha e dou sentindo o vento aumentar e a moto voar pelo asfalto literalmente e passei ao lado de alguns carros encarando o ultimo vestígio do sol no horizonte. Fiquei muito tempo distraída sozinha e só parei para olhar o que estava acontecendo quando Jack ficou acenando para mim reduzir a velocidade e então ele aperta o botão da viseira do capacete deixando metade do rosto a mostra. Olhei para trás e Nastya se juntava a nós dois fazendo o mesmo com seu capacete e eu faço o mesmo.

— Max vai surtar — zomba ele gritando contra o vento.

— Jura? Não diga — digo sarcástica.

— Deixei uma mensagem antes de sairmos — diz ela ao meu lado — disse que nos encontraríamos no Lótus — explica Nastya.

— De qualquer jeito vamos estar mortinhos quando...

— Veja — aponta Jack me interrompendo — Rota 95 — diz entusiasmado — Las Vegas eu te amo — berra antes de acelerar entrando na rodovia seguinte.

— Alguém desliga as pilha dele — resmungo o seguindo vendo a rota mudar a estrada embora ainda na paisagem desértica começou a dar espaço para asfalto novo e mais vida com postos e restaurantes a beira da estrada.

Depois de alguns minutos já vimos varias placas apontando quantos quilômetros faltavam até a cidade mais rica e colorida do universo. A estrada já ganhava vida com luzes ao horizonte facilitando a leitura de placas, Jack estava ainda na nossa frente parecendo que estava correndo um grande prêmio em que tinha que cruzar a placa de “Bem Vindo A Fabulosa Las Vegas” e ele estava perto conforme íamos nos aproximando a cidade aparecia no horizonte com todas aquelas luzes florescentes que me deixariam cega rapidamente. Demorou minutos ate cruzarmos a grande placa em vermelho vivo com uma estrela no mesmo tom e passamos pelos primeiros cassinos e seus típicos coqueiros. Mesmo que eu não gostasse nem um pouco de todo aquele brilho e atenção que tinham eu tinha que admitir que era um lugar impressionante, carros luxuosos passavam a cada segundo, limusines com pessoas vestidas de maneira exemplar paravam em frente aos cassinos e era admirável todo aquele luxo. 

— Garotas olhem ele está me chamando — aponta Jack voltando para o nosso lado — o papai voltou — diz mandando beijo para um conjunto de duas edificações altas e extremamente elegantes onde havia uma fonte com a água mais cristalina possível. Era sem dúvida lindíssimo e chamava a atenção de todos claro que estávamos falando do Cassino Lótus.

— Hoje quem vai arrastar ele para fora? — pergunta Nastya murmurando.

— Não quero nem saber — digo me dirigindo ao lado oposto do cassino — vou descansar amanhã tem conferência com os patrocinadores quero parecer séria — digo meio que gritando para ambos.

— Você vai conosco — berra Jack me perseguindo.

Sou obrigada a segui-los até o cassino e saímos da moto estacionando em frente e conseguimos entrar facilmente já que Jack havia feito uma carteirinha ou algo parecido que nos fazia ser uma espécie de clientes vips e corremos para deter Jack de entrar em uma aposta, fazendo Nastya terminar o perseguindo e eu só fico parada nas escadas olhando aquele enorme lugar e reparo a movimentação das mesas e os seguranças que eram muitos em todos os lados assim volto a atenção para Jack fazendo uma aposta — tarde demais — como eu não tinha muito o que fazer me dirijo até o bar e me sento pedindo um whisky duplo encarando o barman que insistia em me olhar e sorrir. O ignoro procurando os dois que saíam de uma mesa e entravam em outra e penso que a noite seria longa, o barulho das máquinas, bolinhas e todas aquelas coisas estavam me irritando e bebo outro gole sem sentir qualquer efeito da bebida  — era uma tradição na família de meu pai passar na puberdade tomando whisky para completar o ciclo, éramos mais russos do que americanos ou hispânicos então eu poderia tomar uma garrafa inteira sem causar grandes efeitos — mas eu estava dirigindo e não podia deixar com que aqueles dois bebessem algo ou causasse algum estrago e volto a me virar para o balcão deixando uma nota de cinquenta dólares sobre a mesa e praguejo por tudo ser tão caro e percebo olhares de homens sobre mim, claro uma garota bonita em um cassino sozinha era a presa perfeita para os pervertidos e resmungo reparando que eu ainda vestia o macacão e estava apenas com a blusa térmica preta por baixo com a parte das mangas abaixadas na altura da cintura e cabelos presos em rabo de cavalo. Por isso eu chamava atenção e acho que os dois também chamariam, vou atrás dos dois em uma máquina a poucos metros, olhei meu relógio de pulso e percebi que embora parecesse minutos já estávamos faziam uma hora e meia dentro daquele lugar que parecia ter um bloqueio que impedia a gente de enxergar a realidade.

— Hora de ir, temos trabalho pela frente e precisamos descansar — digo parando em pé ao lado de Jack que tinha os olhos vidrados nas máquinas.

— Você pode esperar um pouco estou quase ganhando — diz sem ao menos me olhar.

— Você não entendeu que a casa nunca perde? — resmungo o puxando para fora da máquina.

— Deixa de ser chata Charlotte — bufa me olhando — olhe estou ganhando — insiste  travando o corpo.

— Vamos logo — insisto o puxando de volta.

— Este é meu último jogo deixa eu completar — implora se soltando e voltando correndo para a máquina.

— Onde está Nastya ? — pergunto percebendo sua ausência. 

— Disse que iria no banheiro — da de ombros.

— Onde...

— Ah oi Charlotte — diz vindo na minha direção segurando um copo com um líquido vermelho vivo.

— Onde você... — pauso encarando Jack — não importa, quando acabar esse jogo leve Jack de volta ao hotel — digo seriamente fazendo ela concordar — fui clara ? — insisto falando alto para Jack ouvir.

— Eu prometo — diz me olhando pela primeira vez.

— Estou indo, não demorem e você não bebe mais nada, está dirigindo — digo me afastando.

— Só mais um jogo já vou — berra quando me afasto rindo dos dois maiores bobões que eu conhecia pareciam duas crianças e eu tinha que fazer o papel de pais deles o tempo todo, coisa que não me incomodava afinal amava cuidar de quem amava e fazia de muito bom grado. 

Já no hotel subo até o quarto que havia sido reservado, não era luxuoso nem nos hotéis mais caros era apenas confortável e serviria muito bem para dormir. Depois de um banho quente e roupas limpas peguei meu celular e avisei o pessoal de casa que eu já havia chegado e estava em Vegas os deixando entusiasmados porque sabiam que quando haviam conferências em lugares mais ricos nossa equipe crescia, nossos patrocinadores ficavam mais famosos e isso significava, motos mais potentes, campeonatos mais importantes. 

Enquanto estava na varanda olhando para as ruas super movimentadas tirei o celular do bolso e olhei para a tela vendo meus contatos o nome Holly nos favoritos. Que saudade eu estava da minha garota, queria ligar, mas não queria parecer desesperada por notícias ou qualquer coisa do tipo sendo que ultimamente ela tem ficado mais tempo em casa do que em outros lugares e não era culpa de seu pai, era por opção própria — no ultimo mês seu pai conseguiu na justiça uma ordem para que ela torna-se a morar com ele pois somente ele tinha a guarda legal dela e apesar de todas as garotas, Hilary seus tios e eu irmos contra ela achou melhor retornar pois não queria que seus tios fossem prejudicados por obstrução de justiça — Holly voltou a ser fechar e eu mal conseguia permanecer ao seu lado sem achar que estava incomodando e achei que fosse melhor deixar que Hilary assumisse dali e cuida-se da garota.       

Soube que a garota com sotaque francês loira tem passado muito tempo com Holly e achei desconfortável, já que não sabia nada sobre a garota e tinha certo medo de me afastar demais para ela se aproximar demais. Mais Hilary fez questão de me aliviar dizendo que a garota não era “uma amiga lesbica emocionante” e algo sobre ser mãe ou algo parecido. Mesmo assim eu continuava preocupada porque morar na mesma casa que aquele homem devia ser terrível e por incrível que parece Holly não havia reclamado uma só vez, o que me alertou a desconfiar que algo estava errado.

— Você ai o que esta fazendo ? — pergunta Nastya passando pela porta que dava acesso até a varanda.

— Nada — digo vendo ela olhar para meu celular.

— Ligando para sua paixão ? — zomba.

— Na verdade pensando nisso — digo a encarando.

— E porque não liga ? — pergunta se apoiando no parapeito.

— Acho que vou incomodar já é tarde, além do mais não tenho certeza se tenho liberdade para isso — resmungo guardando o celular.

— Bem pra mim não seria um incômodo mesmo que fosse de madrugada, é sempre bom ouvir a voz de quem amamos — diz sorrindo — esse horário da noite tem dois significados — me olha maliciosamente.

— Ou você quer conversar safadezas ou não consegue dormir pensando na pessoa — diz Jack aparecendo do nada na porta.

— Estava nos ouvindo ?! — resmunga ela.

— Talvez — dá de ombros — liga para ela — diz para mim — vem Nat acho que Max vai ter um ataque no saguão do hotel — zomba saindo.

— Liga — diz Nastya passando por mim fazendo um celular com a mão e então desaparece na porta.

Fico olhando para o vazio por um bom tempo eu queria e não queria ao mesmo tempo porque eu não iria saber o que falar pensei em “ Oi te liguei porque senti saudades ” não isso é estúpido Charlotte tente algo como “Holly eu queria ouvir sua voz” não mesmo, isso soa desesperada. Encarei seu número e então bloqueie a tela do celular o guardando no bolso caminhando de volta ao quarto onde me sento no sofá e ligo a televisão no canal de esportes onde passava tênis ao vivo e vou mudando de canal aleatoriamente pois não estava afim de assistir nada, só queria passar o tempo. Mais longos minutos depois desligo e pego meu celular discando seu número onde depois de três ou quatro toques quando estou desistindo de ligar por me achar idiota escuto sua voz embriagada do outro lado da linha.

Hum...alô ?

— Oi Holly sou eu Charlotte — digo sentindo minhas mãos tremerem.

Ah oi Char eu não vi seu nome aqui na tela, minha vista está desfocada — diz com um som de bocejos que imaginei virem de uma Holly esfregando os olhos com as costas da mão de maneira fofa e sorrindo.

— Estava dormindo? Me perdoe eu não queria te acordar e...

Ei, está tudo bem eu só tinha cochilado — me interrompe rindo de maneira boba.

— Serio que não é um incômodo ? — pergunto temendo a  resposta.

Claro que não eu precisava saber notícias suas — diz fazendo meu peito acelerar.

— Notícias minhas ? — repito sorrindo feito idiota.

Sim, me diz como está ? — responde com certa emoção na voz.

— Eu...quer dizer...es...estou... — gaguejo por não saber o que falar com a pergunta desprevenida fazendo ela rir ao perceber.

Hilary me disse que está em Nevada para algum tipo de corrida para patrocinadores — diz.

— É um campeonato de patrocinadores, serve mais para eles verem as equipes e ver quem tem mais potencial e eles vão querer patrocinar — explico não engasgado ou gaguejando com a única coisa que sabia conversar bem.

Isso é legal, mas onde está ? — pergunta parecendo interessada.

Na Fabulosa Las Vegas Baby — digo como se fosse um apresentador de reality show fazendo ela rir novamente e eu morro de amores por a risada dela ser linda demais.

Cidade bonita, vários cassinos, bebidas e estou me esquecendo de algo ? Ah sim mulheres — diz mudando a voz e eu crio a esperança de ela estar sentindo ciúmes de mim.

— Bem tem muitas mulheres bonitas sim — digo para ver como Holly reagiria.

Pena que nenhuma delas se chama Holly — diz prontamente me causando um arrepio e fico sem ter o que falar ela havia pegado no ponto cerro — está ai ? — pergunta depois de todo meu silêncio.

— Estou — digo rapidamente.

Ótimo estou com saudade — diz me causando uma crise de nervos.

— De mim ? — tento soar indiferente mais mal consigo pronunciar algo.

Na verdade não — me corta ficando seria — da sua boca na minha — completa.

Agora eu estou sem reação, não esperava que ela dissesse algo do tipo o que me deixou empolgada afinal ela estava com saudade e queria me ver mais vezes se foi isso o que entendi. Logo em seguida lembro de como era gostoso beijar Holly, sua boca macia sua língua em sincronia com a minha, aquele gosto de bala de laranja que ela tinha, toda a delicadeza e ternura eu ficava sem fôlego sempre que lembrava. Nosso ultimo beijo intenso foi na minha casa e Lola viu tudo pois Holly não conseguia se controlar e eu queria que ela perdesse a linha daquele jeito mesmo, mas não falei pois queria que viesse dela. Mais tudo acabou por água a baixo porque ouve o lance da internação e afastamento e eu mal podia a ver era triste e ao mesmo tempo dolorido pois eu sentia falta ate de seu cheiro.

— Quando eu voltar podemos resolver isso — digo parecendo confiante do outro lado da linha escuto um suspiro. 

Me mantenha informada sobre as corridas e cuidado na pista — muda de assunto de repente — e Char — diz.

— Pois não...

Volta logo — diz toda meiga me fazendo querer ir na mesma hora, aposto como ela fez biquinho.

— Volto sim algum pedido a mais ? — pergunto.

Bem, tem um sim — zomba.

— Qual ? — pergunto curiosa.

Fica longe dessas mulheres — diz com tom autoritário me deixando feliz.

— Vou pensar a respeito — digo bancando a difícil.

Não tem que pensar, tem que agir — resmunga me fazendo rir — haha engraçadinha — grunhi.

— Tudo bem não me bate — zombo.

Ok, eu vou indo tenho escola amanhã e sabe como é ruim dormir na sala de aula durante uma explicação sobre a segunda guerra mundial — zomba me fazendo negar automaticamente pois esse era um dos temas a qual eu mais tinha interessei na escola.

— Tudo bem, durma bem pequena — digo triste por ela ter que desligar eu estava gostando tanto.

Obrigado por ligar eu precisava mesmo ouvir sua voz — diz fazendo meu pulso saltar novamente.

— Ah sim, por nada eu também queria ouvir a sua — digo boba.

Boa noite Char, ganhe tudo e volte logo estou te esperando — se despede.

— Estou indo o mais depressa possível — zombo fazendo ela rir por entender a piada.

Tchau Char.

— Tchau pequena.

E desligo sorrindo feito uma idiota e me levanto ouvindo o barulho de vozes vindos de fora me deparando com Nastya deitada no sofá encarando o teto de forma entediada e Jack estando de braços cruzados de costas pra Max que parece que vai voar no pescoço dos dois. Eu me sento ao lado dela e fico encarando os dois que me olhando como se quisessem que eu dissesse algo mas apenas continuo em silêncio como se nem tivesse percebido, mas Nastya me cutuca e aponta com os olhos Max que nos olha tentando entender o que estávamos aprontando.

— Então alguém tem algo a dizer ? — pergunta ele.

— Tudo bem — resmungo depois dos olhares sobre mim — nos só quisemos aproveitar a estrada vazia, não fomos a nenhum cassino não batemos as motos, não atropelamos ninguém e estamos aqui bem — discurso.

— Mais não me avisaram e se algo tivesse acontecido e se não tivesse tudo ok com as motos ? — pergunta eufórico.

— Quem é o piloto ? — pergunto levantando.

— Eu sou o mecânico — diz.

— Mais quem corre a mais de 300km por hora ? — continuo — que dirige motos desde os cinco anos de idade e conhece cada peça com os olhos fechados ? Que também já ganhou mais de cinquenta e três campeonatos e tem quatro mundiais? Melhor quem é a líder da equipe ? — o encaro cruzando os braço caminhando ate ele — Eu? Ah sim — fico frente a frente com ele que desvia o olhar.

— Boa noite — diz fazendo o caminho da porta.

— Você é demais — diz Jack quando Max sai.

— Fica quieto — digo o fazendo sair de perto.

— Ligou para Holly ? — pergunta Nastya.

— Liguei foi bom — digo apenas dando de ombros — agora os dois pra cama, vamos acordar cedo pra conferência antes da reunião — digo fazendo meu caminho para o quarto.

— Você quem manda capitã — diz os dois prestando continência me fazendo os encarar antes de fechar a porta.

(...)

Acordei ao som do despertador e não demorei para levantar e entrar no chuveiro, me apressei em ser a primeira a ficar pronta para ir logo chamar os dois seres mais demorados e desorganizados que eu conhecia. Demorou mais de vinte minutos ate acordarem e resolverem o que iriam fazer, eu sem paciência desci até o restaurante para tomar um café com minha equipe que já estava pronta ao contrário de certas duas pessoas. Que não demoraram a chegar Jack com uma polo branca, calça Levis rasgada azul e um Nike todo branco, relógio de ouro brincos nas orelhas e aquele seu típico penteado que dizia “Ei gata tenho dinheiro” era todo arrepiado para trás e nas laterais bem aparados na lateral uma linha reta que fazia a divisão. Bem Jack era bonito era um mestiço de japonês com um sorriso simpático eu entenderia Nastya por se interessar, mas isso se eu não soubesse o quão insuportável ele era eu até pensaria em dar uma chance se eu gostasse de garotos. Então olho para Nastya que vinha em seguida com uma traça escama de peixe uma camiseta de seda azul marinho e calças jeans e salto, Nastya era latina, pele bronzeada, olhos negros e cabelos no mesmo tom, era elétrica não parava de falar um minuto se quer e dançava muito bem e isso pra mim comprovava que os latinos eram “quentes”. Entendia o interesse de Jack mas eu sempre vi ela como uma grande amiga e nunca teria interesse na garota. E olho para mim com um vestido preto todo rendado e saltos scarpin e cabelos soltos lisos.

— Crianças vamos logo — diz Jack se sentando como se nós que estivéssemos fazendo hora.

— Tome seu café idiota — resmunga Max de mal humor pelo jeito.

— Afinal o que é essa tal conferência ? — pergunta ele como se não soubesse apenas para fazer Max explicar e ele perguntar novamente na próxima fazendo ele surtar de raiva.

— É como uma confraternização de todas as equipes que participam do campeonato — explica em um misto de resmungo e múrmuros.

— Ah isso quer dizer que os pilotos também vão estar lá ? — pergunta fazendo alguns membros rirem.

— Sim a equipe toda — continua Max.

— E os mecânicos e operadores de rádio ? — pergunta.

— Todos os membros — diz Max entre dentes fazendo Nastya cair na gargalhada.

— Parem de amolar o Maximus — diz um dos outros mecânicos.

— Ótimo eu cansei — diz se levantando — vamos logo — resmunga novamente me fazendo levantar.

— Jack você teve o tempo todo do mundo para comer geleia anda logo — digo fazendo ele me encarar com a boca toda suja de roxo da geleia de uva.

— Calma — berra quando ganho distância.

Quando chegamos lá esperei encontrar conhecidos e isso aconteceu, vários amigos de outros campeonatos, outras ligas todos ali juntos podendo relembrar de vários momentos, historias engraçadas e conversa sobre motos. Além dos rostos desconhecidos que eram vários percebi que esse ano seria mais competitivo já que o número de equipes tinham aumentado e as regras haviam sofrido alterações de idade e alguns fatores que fizeram muitos pilotos se inscreverem para participar. Eu estava olhando para Jack conversando entusiasmado com Max sobre novos pilotos já que ele achava que mais competição fazia com ele desse o melhor de si mostrando todo seu potencial, pra mim significava que teriam mais cabeças para cortar e continuar na competição. Ainda distraída com os garotos mal percebo quando um dos dirigentes da equipe Red bull team Ajo se dirige a mim com uma pergunta que não entendi e passo a encara-lo confusa.

— Perdão ? — sou forçada a dizer para não ficar aquele clima chato.

— Eu disse que é um prazer conhecer a pérola da Honda — diz sorridente.

— Pérola ? — pergunto confusa.

— Ah sim você foi muito mencionada nas reuniões do comitê — explica — as atenções estão voltadas a você, digamos que os membros da Honda estão nos escondendo um diamante bruto, se é que me entende — pisca para mim.

— Não faço a menor ideia do que esta falando — digo com cuidado pois já tinha sido avisada pela equipe que seria muito cobiçada por outras e que tentariam qualquer coisa para eu ceder minha permanência na equipe.

— Acho que gostaria de poder conversar mais com você soube que é um pouco... bem... rebelde e teve alguns problemas com outros campeonatos mais acho que não será um problema que não possa ser resolvido — argumenta olhando para os lados — temos motos recém lançadas e acho que precisaríamos de um piloto muito bom para avaliar dignamente elas — continua agora retirando um cartão do bolso — se conhecer algum piloto assim, bem peça que entre em contato com um dos meus assessores — pisca saindo.

— Ah claro — concordo para que ele saia logo e assim que dá as costas para mim vou até o lixo e jogo aquele cartão fazendo uma careta.

Eu não era nem doida ao ponto de trocar a melhor equipe do universo por uma que nunca poderia fazer tudo o que a minha me fez. Eles eram minha família e de jeito nenhum eu aceitaria qualquer proposta para sair de lá. Resmungando alguns bons palavrões me dirijo até a mesa pegando uma taça de vinho para tirar o amargo da minha boca e olho em volta a procura de Nastya que parecia ter sumido propositalmente de vista.

— Olha só o que temos aqui — diz uma voz pouco conhecida.

— Ah olha o ganhador número um do mundo —  digo fingindo tossir — de quarto lugar — completo o fazendo revirar os olhos.

— Quanta hipocrisia — diz um segundo cara se aproximando.

— Soube que perderam o regional que ótimo — sorrio para eles que me encaram com raiva.

— E que você nem ao menos se classificou para a segunda divisão não é uma peninha Will ? — zomba Richard.

Richard era da equipe Red bull Ajo e eu tinha o desprazer em conhecer, era um mimado filho de um piloto que logo cedo ingressou no motocross e colecionava títulos que eu certamente atribuía a moto e não ao piloto, já que todos eram de ultima categoria. Um branquelo com cara de idiota cheio de Botox pois seu rosto nem se movia quando falava e tinha um hálito de álcool 99% do tempo. Will era seu melhor amigo e outro grande babaca que era na verdade jóquei que resolveu entrar para o mundo das motos por inveja de Richard e por incrível que pareça contratou um piloto aposentado para lhe dar aulas, o mesmo nem se quer sabia como ligar a moto e a injustiça começava quando ele não poderia entrar, pois não tinha experiência nem os requisitos básicos como algum campeonato de motocross ou algo do tipo e ele magicamente entrou depois de oferecer papel magico a alguns empresários que o colocaram imediatamente na terceira divisão ele era um magricela de um e oitenta, desengonçado que mal sabia andar com suas próprias pernas, na pista conseguia ficar em pé na moto algo que nunca lhe deu nenhuma vitória a e sua maior proximidade com o pódio foi passar por ele para ir ao banheiro. Ambos eram de Washington e pra minha sorte não corriam nos mesmos circuitos que eu, mas uma vez por ano eu os encontrava na nacional e estadual o que me deixava nervosa já que eles não me deixavam em paz um minuto se quer.

— Sem pressa quando eu estiver na primeira divisão te mando um cartão postal — sorrio seca dando as costas para eles.

— Temos um novo membro que com certeza você vai ouvir falar muito na primeira divisão — zomba Will.

— Com toda certeza vai chegar lá primeiro que você — ajuda Richard me fazendo virar para encara-los — eu quero que conheça a perdedora da HRC — grita ele a alguém me fazendo virar para socar o mesmo para não berrar em meus ouvidos, mas me interrompo para encarar o novo membro da Ajo.

Era uma garota, era uma garota repito para mim mesma espantada. Desde que me entendo por gente a Red Bull não colocava mulheres para correr, pois não achavam que as mulheres tinham capacidade para ganhar dos homens e ate me conformo pois eles poderiam colocar ate uma mula para correr no lugar dos dois idiotas já que eles não tinham nada de ganhadores e certamente estavam embaixo da média. E volto a encarar a garota se aproximando e logo noto que ela tinha uma áurea estranha eu me senti desconfortável quando seus olhos azulados me encararam de cima a baixo, minha primeira impressão foi que ela tinha personalidade forte e me pareceu um tanto quanto igual aos dois, mas tinha algo a mais, algo familiar e estranho que eu não entendia nela.

— Então você é a garota que os meninos falam arrogante e mesquinha — diz ela com a voz grave e rouca algo que parecia natural.

— Eu sou a arrogante ? — olho para os dois — você é quem ? —  digo sentindo uma pontada de raiva pelo modo esnobe que ela me encarava.

— Sou Gabrielle mais meus amigos me chamam de Gabbe — estende a mão para mim mais não pego de inicio a encarando.

— Finalmente sua equipe vai colocar alguém descente para disputar algo — digo para Richard que sorri para Will irônico.

— Caso não saiba ela vai ser a número um da equipe nesse campeonato sempre na sua cola como uma naja — zomba dando o bote — cadê aquele japonês otário vou avisar que vou ficar na cola dele — diz e logo então sua cabeça automaticamente vai para baixo depois de um estralo e vejo Jack surgir atrás dele com Nastya.

— Oi Panaca — zomba Jack depois do tampa que deu na cabeça de Richard.

— Ouvimos um som de zumbidos parecidos com bosta falando se isso fosse possível e vimos que eram apenas os dois maiores ótarios do pedaço — zomba Nastya agora encarando Ganhe.

— E olha novos pilotos — diz ela com um sorriso amarelo.

— Você deve ser Gabbe — diz Jack estendendo a mão para a garota que ignora o fazendo recolher o braços causando risinhos entre os dois garotos atrás dela.

— Nastya e Jack — ela diz para os garotos — Will achei que tinha dito que ele não conseguia abrir os olhos — reclama para o garoto e olho Jack que encara Will com raiva — E que você fosse mais caliente — diz para Nastya que bufa indiferente.

— Galera acho que temos que achar um lugar longe da ralé — diz Jack abraçando o pescoço de Nastya.

— Achei que você fosse mais — diz olhando para mim lá pausando — velha — diz agora voltando para os meninos — Richard te descreveu como rabugenta, impotente e arrogante achei que fosse por causa da menopausa — resmunga revirando os olhos.

— Olha Jack eu te apoio — murmuro dando as costas para eles.

Cuidado viu — grita a garota fazendo praticamente todos nos encarar — quero viva para morrer na pista — fala me encarando de forma estranha.

— Pode deixar fofa — respondo dando um sorrisinho para a loira acenando freneticamente para mim.

— Te vejo em Reno — manda beijo para mim.

— Porque sempre tão otários ? — pergunta Jack ainda abraçado com Nat.

— Quem é essa garota afinal ? — pergunto irritada.

Gabrielle Schmid — diz Max se juntando a nós de repente — veio da Suzuki Blue Angeles a alguns meses corria no torneio chinês tem ganhado todas que disputou, a Ajo investiu milhões nessa garota para ela ser a representante deles nessa categoria já que sabemos que nem William nem Richard tem potencial para ganhar nada — explica enquanto encaro a garota me observando de longe. 

— Estão dizendo que ela é favoritíssima a entrar no mundial da superbike deste ano — disse Jack me fazendo encara-lo pelo modo como disse como se tivesse admiração — qual é ela é gata — diz recebendo um soco forte de Nastya no ombro.

— As más bocas dizem que é marketing demais encima dela e que ela nem é tudo isso, pesquisei suas corridas e você ainda é muito melhor que ela — diz Nastya.

— Mais também que ela veio disputar pessoalmente com você frente a frente — diz Max a encarando.

— Como sabem disso tudo e eu não sei de nada ? — resmungo.

— Você estava ocupada quase sendo presa invés de ir nas reuniões da equipe — zomba Max saindo fazendo os outros dois me encararem como se dissessem “ ele tem razão” e se afastam de mim.

Olho para eles sumindo de vista e volto a encarar a garota que por incrível que pareça ainda não tinha tirado os olhos de mim e saio dali pensando na possibilidade de ter uma rival de nível este ano já que a última vez que isso aconteceu foi com Jack e nem foi tanto assim. Uma nova melhoria na equipe somente para me vetar no campeonato, um jogo de marketing e milhões de dólares investidos por minha causa. Sinto meu estômago revirar era uma coisa que eu costumava chamar de pressão e eu quase nunca tinha e agora estava voltando. Me deixo ficar perdida em pensamentos e olhar o lado positivo, era uma garota, poderia ser outro garoto o ultimo que chamaram era um idiota suicida que se jogava na minha frente para eu não correr ate ser expulso por um ato antidesportivo colocando minha vida e de outros pilotos em risco.

Chego em casa e os garotos querem ir para algum cassino e aproveitar nossa ultima noite em Vegas já que agora atravessaríamos o estado até chegar em Reno a cidade que ocorreria o campeonato. Eu estou cansada demais e resolvo que iria descansar um pouco antes de cair de volta a estrada. Uma missão um pouco difícil já que agora tudo o que eu pensava era sobre corrida e treino e sobre ainda no que descobriria a respeito de Gabbe.

(...)

Estou no ônibus da equipe de volta a estrada foram alguns dias de estrada já eu estava cansada de tanto ficar sentada e me perguntei porque não podíamos pegar um avião ou coisa do tipo. Já que nossas paradas demoram horas e ficávamos menos de meia hora em algum posto ou parada. Além de tudo isso eu ficava entediada facilmente vendo Jack e Nastya brincando rindo juntos e se distraindo enquanto eu não conseguia descansar um minuto se quer pensando no campeonato. Embora meus pais me ligassem sempre para saber notícias e eu tinha meu celular sempre em mãos nas redes sociais pois eu sentia que estava faltando alguma coisa.

Peguei alguns livros e fui tentar ler mas eu não tinha interesse ficava poucos minutos interessada em algum e já cansava, sem ter o que fazer ia toda hora verificar as motos checava os freios a embreagem, escapamento e ate as figurinhas dos patrocinadores, por vezes abria as portas e tomava ar, eu vi chuva, vi sol, granizo e todas as estações, a estrada me parecia silenciosa e um tanto quanto perturbadora até o momento eu consegui me distrair. Mas eu estava em Nevada o estado mais problemático da minha vida eu o conhecia de fora a fora por estar sempre viajando pra lá e para cá durante campeonatos, se fazia três anos desde que tinha me mudado para Los Angeles e deixando esse lado da minha vida se apagar. Eu não tinha a sensação de estar voltando para casa, pelo contrário tinha a sensação de não ser bem vinda por aqui ,já tinha me esquecidos dos vales e cordilheiras, o clima que conseguia ser mais seco que as praia no verão máximo, estava passando por condados que tinham histórias engraçadas por lugares que tinham marcado minha infância e lugares a qual eu queria esquecer. Eu sabia que o problema não era o lugar em si mas as vezes que eu lembrava de Andrew aprontando alguma, sorrindo para mim ou fazendo algo com a cara dele algo que ninguém poderia fazer algo que ninguém iria sentir.

Minha culpa me dominava ficava pensando em tudo o que ocorrera e sentia que podia ter feito algo eu era estúpida e não conseguia agir sozinha. Seco algumas lágrimas olhando para o por do sol ao horizonte e queria entender porque aquilo tinha acontecido e como eu tinha conseguido tornar a viver carregando esse peso todo em minhas costas. Eu só me sentava e pensava nessas coisas mesmo com Jack e Nastya parando sempre para tirar foto em algum lugar histórico falar e apontar freneticamente o Caynon e tudo aquilo que eu já conhecia muito bem, permanecia em silêncio olhando pela janela deixando minha playlist entusiasmada parecer mais uma coletânea suicida.

— Isso é demais eu não acredito que estamos em Reno — dizia Jack entusiasmado.

— Você não acha que isso me lembra algum lugar ? — pergunta Nastya para ele.

— Vegas — disse Max se juntando aos dois.

— Crianças uma pequena aula de história — disse Jack ficando na frente da porta que separava nossa cabine com a do motorista — vocês estão entrando na “ A maior menor cidade do mundo” ali como podem ver pela placa conta com 225.221 habitantes — sorri para a gente.

— Não diga — resmunga Max se sentando.

— E digo mais Reno esta localizada no condado de Washoe, fundada em 13 de maio de 1868, localizada a 42 quilômetros ao norte de Carson City capital do estado de Nevada — diz fazendo meu corpo vibrar Carson me trazia más lembranças — estamos no verão pessoal, nada melhor que fazer uma caminhada pelas sierras a sua esquerda em uma temperatura adorável de 30°C — finaliza com um “Tcharam”.

— De onde tirou isso ? — pergunta Nastya impressionada.

— De uma parte eficiente do meu cérebro chamada Google — dá de ombros fazendo ela fechar a cara — estamos parando, motorista abre a porta — diz brandindo o compartimento observamos o mesmo pulando para fora do ônibus e vamos até a janela conferir o que ele estaria aprontando dessa vez.

— Ele vai fazer o que ? — pergunta ela ao meu lado.

— Não faço a mínima ideia — digo o encarando parar ao lado de um rapaz.

— Caro cidadão Renoense — diz piscando para nós por saber como era o jeito certo de nomear um cidadão de Reno — o senhor por obséquio poderia me passar uma informação estamos perdidos — aponta para o ônibus e sorri, eu o ignoro e volto a me sentar.

— Max controla sua cria — reclamo de mal humor.

— Nem conheço, motorista pode fechar as portas e seguir viagem — reclama ele.

Então o ônibus da partida fazendo o garoto ao lado de fora correr ao lado batendo nas laterais para que abrissem a porta causando uma euforia histérica de risos dentro do ônibus com toda equipe na janela zombando do garoto que entra fungando sem ar pela pequena maratona que acabará de fazer e me olha como se eu fosse a culpada, mas dou de ombros e me concentro em olhar a cidade pela janela Reno era a cidade a qual eu estivera poucas vezes e não tinha uma lembrança dela, pra mim era ótimo já que eu não sofreria por nada apenas por estar próxima o bastante de Carson.

Mais tarde nesse mesmo dia nos estabelecemos no hotel e começaram os preparativos para o treino. Depois de organizar minhas malas e meus pertences deito sobre a cama exausta de tantos dias de viagem em um ônibus e tento descansar para o dia seguinte eu me sentia acabada e precisava de uma noite tranquila de sono para quem sabe no outro dia me distrair e poder finalmente começar a fazer o que eu gostava, que era correr. No dia seguinte teríamos um dia de trabalho técnico e manual para testar diversas coisas nas motos e também equipamentos imaginei que isso seria o suficiente para que eu não me deixar abalar.

(...)

Três dias seguidos fazendo recuperação de perdas buscando encontrar defeitos na moto, estávamos prontos para a corrida que eu não conseguia tirar da cabeça. O clima havia mudado drasticamente e tinha começado a chover o que me deixou desanimada correr com pista molhada era o pior tipo de corrida que eu tinha pois o controle da moto era difícil a aderência dos pneus eram mínimos e aquela chuva embaçado meu visor o que me irritava por isso durante os períodos entre o treino, academia e preparo físico fazíamos sessões de terapia para relaxar e outros tratamentos psicológicos eu costumava meditar antes das corridas e me ajudava bastante pois me mantinha calma para ter controle sobre a moto e sobre a mente.

E depois desses três dias de treinos em Reno descobri que Gabbe realmente era rápida e que tinha potencial para entrar para o moto 2 como William e Richard haviam dito, varias vezes na pista  disputando espaço o que me causou incomodo porque fazia tempo que ninguém corria ao meu lado. Foram os três dias mais chatos que eu tive, toda hora tinha que socar um deles para calarem a boca já que me atrapalharam o tempo todo e não paravam de reclamar seus lugares na classificação geral “se fossem bons o suficiente estariam em lugares melhores” penso comigo sarcástica e continuo sentada na mureta de proteção fazendo anotações sobre a pista em um bloco de notas. Nesse tempo liguei para casa e disse que estava me saindo bem nos treinos já que no último classificatório consegui ficar na terceira colocação atrás apenas de Gabbe e um garoto da Yamaha. Aproveitei também para me informar com Hilary sobre Holly e a mesma disse que estava tudo bem que aguardava eu retornar o mais depressa para casa.

Enquanto nos dirigimos até o circuito que eu não sabia onde era já que pareciam não quererem que eu soubesse ou estavam de implicância porque eu não fui na reunião para saber, eu fico com os fones escutando música alta para não enlouquecer. Jack estava organizando suas ferramentas e Nastya terminava de vestir o macacão me encarando com um olhar as vezes parecendo triste. Eu estava bem distraída até quando Max explicava alguma coisa e eles discutiam assuntos da corrida a qual eu não dei a mínima apenas os observei, mesmo quando se parecia estranho pegar alguma autoestrada ou rodovia para ir para outro lado da “A maior menor cidade do mundo” mas como ninguém parecia se importar deitei com a cabeça virada para baixo e dormi até sentir o ônibus diminuir e começar a entrar em algum lugar imaginei ser um circuito qualquer e vou caminhando na direção da porta esperando ela abrir o que demora alguns minutos até o ônibus manobrar e parar de vez abrindo.

— Charlotte — chama Nastya vindo imediatamente na minha direção mais eu já estou fora do ônibus encarando aquele lugar incrédula.

— Eu estou saindo do campeonato — digo me dirigindo de volta ao ônibus mas ela para na porta me segurando.

— Você não pode dar no pé — resmunga.

— Aposto como sabia que estávamos vindo para cá — digo desapontada.

— Todos sabiam e todos sabem que você não...

— Não gosto nem um pouco desse lugar — a interrompo.

— Sim, mas não tínhamos escolha — diz cabisbaixa — acha que eu gosto daqui ? — pergunta me encarando.

— E mesmo assim quis vir — ironizo.

— Charlotte — grita quando me afasto caminhando até o fundo do ônibus abrindo o compartimento.

Subo a rampa antes mesmo que desça e retiro minha moto a ligando e saltando do ônibus-minhão. Olho em volta e mal podia acreditar que estava em Carson minha terra natal, o pior lugar da minha vida e acelero seguindo em direção a onde Nastya se encontrava com Max e Jack todos me encarando como se eu tivesse fazendo algo errado.

— Achei que tivesse superado — diz Jack de braços cruzados.

—  Charlotte você está agindo feito uma criança, agora desça dessa moto e vai se preparar — comenta me olhando como meu pai me olhava quando eu era pequena e fazia algo errado.

— Não é hora disso — disse Nastya me olhando com os olhos marejados e acelero passando por eles indo rumo a saída, mas olho para trás e vejo a garota completamente sem rumo e praguejo, eu não podia deixar minha melhor amiga aqui também sozinha, então faço meia volta e me dirijo os boxes.

Vou passando um por um ate chegar no da minha equipe onde os técnicos montavam seus equipamentos e olho para outros pilotos checando suas motos outros conversando entre si e parada ali eu via lembranças para onde quer que eu olhasse cada boxe tinha uma história cada canto, atrás dos pneus, no fundo do terceiro boxe, ao lado do bebedouro do corredor entre os dois pátios, cada um tinha uma lembrança e sou tomada delas eu não queria ficar perto de ninguém e não queria percorrer a cidade, pois temia que seria pior e agradeci por dormir e perder de ver através da janela. Assim decido me afastar um pouco de todos acelerando para entrar na pista mesmo que ela ainda nem tivesse sido liberada. Com o vento tomando conta de mim pela velocidade chego ate pelo menos estar na metade da pista e paro a moto sabendo que ninguém estava por perto para me ver desabando tiro o capacete e caminho ate a mureta de proteção me sentando.

Afinal eu estava de volta a Carson City a cidade a qual fugi a três anos atrás. Por não ser feliz aqui, por não querer viver em um lugar cheio de lembranças, eu era uma fugitiva daqui não queria ter voltado, não desse jeito talvez um dia eu pudesse ficar aqui e me sentir bem novamente, mas esse não era o momento. Assim fico ali contendo minhas lágrimas olhando o conjunto de montanhas no além e na hora me lembrei do que Andrew disse sobre como eram lindas e como ficavam mais lindas ao por do sol. Pra minha sorte o sol praticamente acabará de nascer e fico quieta tentando me concentrar no treino ver se a moto não precisava de ajustes porque essa temporada seria tudo ou nada. Vejo alguns pilotos começarem a correr na pista reconhecendo ela e continuo ali encarando o vazio do lugar eu não precisava disso já que conhecia o lugar com a palma da mão e não tinha a mínima vontade de alcançar o lado que eu mais temia da pista, minha atenção se volta as arquibancadas vazias e penso que dali eles tiveram uma visão desfocada do que havia acontecido e olho mais adiante bem longe dali bem próxima aos boxes uma mureta que ficava dividindo a pista e eles e penso que dali sim daria para ver. 

— Treinando sua pose da derrota ? — grita William passando com Richard e os encaro ate sumirem da minha vista e continuo ali vendo Nastya e Jack passando juntos logo em seguida e encaro minha moto a poucos metros de mim e resolvo me afastar um pouco dela temendo voltar a chorar. Ali estava eu novamente e inevitavelmente sendo inundada de lembrança, queria explodir por isso é quando escuto o ronco de moto atrás de mim e enxugo as lágrimas.

— Não vai iniciar o treino ? — pergunta uma voz feminina completamente rouca e olho para trás vendo Gabbe parada próxima a mim com capacete em mãos.

— Porque não vai fazer seu treino e me deixa em paz — reclamo da implicância comigo.

— Se acha tão boa que não precisa treinar ? — zomba.

— Qual é o problema de vocês ? — grito avançando na direção dela que me encara assustada.

— Eu... calma eu só perguntei — diz agora entrando em contato com meus olhos e parece perceber que eu estava provavelmente com eles vermelhos de tanto chorar — você estava chorando ? — pergunta pulando da moto.

— Poeira da pista — digo com a voz carregada me dirigindo a minha moto e subo ligando tentando dar partida mas estou tremendo de raiva e a moto morre diversas vezes.

— Você está bem ? — pergunta se aproximando me fazendo levantar a mão para ela parar de se aproximar e consigo dar a partida colocando o capacete e saindo acelerada dali.

Pelo mesmo caminho que vim voltei, pelo gramado e areia pois uma colisão com alguém que estaria vindo de frente seria eminente. Chego onde minha equipe está vendo olhares sobre mim e desço passando direto por Max entrando na sala de concentração sendo seguida pelo mesmo e me sento no sofá e permaneço quieta encarando o vazio sentido seus olhos fixos em mim que continuo silenciosa esperando ele dizer algo para eu debater.

— Eu não vou correr  — digo.

— Como não ? Você ficou doida Charlotte essa é a SUA CASA precisa ganhar essa corrida para se tornar a líder da competição — diz desesperado.

— Maximus eu não vou correr, esquece vou voltar pro hotel — digo me levantando o fazendo me empurrar de volta para o sofá.

— Muita coisa está em jogo não podemos perder um piloto não agora — insiste.

— Nastya pode correr ela está preparada — afirmo me levantando.

— Nastya não é Charlotte, ela é um piloto reserva da equipe — resmunga.

— Ela precisa de uma oportunidade de mostrar seu potencial para a equipe — digo pacientemente.

— Charlotte pare e pense um pouco — segura meu rosto — se você tiver que correr o mundial e tiver em uma final e essa final for aqui você não vai correr ? — argumenta.

— Nunca vai haver uma final aqui Max — digo me afastando.

— Hipoteticamente, mas você precisa encarar logo seus fantasmas e superar este lugar — continua suplicando.

— Eu NÃO vou correr — berro atirando o capacete longe saindo da sala com os olhares da equipe todo sobre mim — QUAL É O PROBLEMA ? — pergunto abrindo os braços passando por eles.

— VOLTA AQUI O QUE ESTÁ FAZENDO ? TENTANDO SAIR DA EQUIPE ? — berra Max aparecendo na porta segurando o capacete.

— ÓTIMO — zombo — podem me tirar da equipe — digo olhando para a área vip onde imaginei ter os donos e patrocinadores — EU NÃO VOU CORRER — digo subindo na moto.

— Desce essa é uma propriedade da equipe — Max diz seco me fazendo olhar para todas as outras equipes as pessoas me encarando.

— Ok — saio andando em direção a saída.

— Que cena estúpida — alguém diz alto o suficiente para mim escutar e olho na direção sentindo meu pulso saltar.

No espaço da Ajo vejo um cara de um metro e oitenta com cabelos negros segurando uma prancheta e com fones de ouvido pendurados no pescoço. Achei que o não veria por um tempo era incrível olhar para ele e ver a tamanha semelhança entre ele e Andrew. O mesmo sorriso, os mesmos cabelos, o mesmo olho e até o jeito que andava, meu peito doeu imediatamente me apunhalando de um jeito que eu não sabia se era ruim ou bom. Me questionei o que ele estava fazendo aqui e ainda mais na Ajo achei que sua carreira tinha acabado, mas ele parecia muito mais ativo do que antes.

— Só pode ser brincadeira — murmuro respirando fundo.

— Saudades de te ver Valentina — sorri usando meu apelido como piloto se referindo ao grande Valentino Rossi o maior piloto de MotoGP de todos os tempos e também um apelido que eu odiava.

— O que droga está fazendo aqui Devon ? — pergunto me dirigindo ao seu boxe.

— Voltei a atuar minha velha amiga — gargalha mostrando seus dentes brancos me fazendo querer quebrar cada um deles — parece que estamos de volta a Carson aqui juntos como nos velhos tempos — sorri se aproximando.

— Não se aproxima de mim — cerro os punhos.

— Soube que fugiu para Los Angeles e tem feito uma boa temporada por lá — diz continuando a se aproximar e escuto o som de motos se aproximando e continuo esperando ele se aproximar esperando para acertar um gancho bem no meio do rosto.

— Sai de perto dela — resmunga Nastya o empurrando para longe de mim e Jack me segura pela cintura me puxando para longe.

Eu juro que eu te mato se voltar a falar comigo — digo com os olhos vidrados nele que sorri debochado.

— Não posso cumprimentar minha velha companheira de equipe ? — pergunta olhando para outras equipes rindo.

— Cala a boca Devon — insiste Nastya o empurrando de volta ao seu box.

— Fica calma ele só quer te irritar — diz Jack em meus ouvidos.

— Eu estou calma, me solta vou atrás da minha moto — digo fazendo o mesmo concordar e me soltar, me analisando e continuo meu caminho ate a saída tentando me acalmar.

— O cheiro de Carson é ótimo não acha ? Quanto esta pista pequena Valentina não acha que continua ótima como sempre ? — insiste ele me fazendo tremer de raiva me virando para ir na direção dele Jack estava de costas e Nastya longe o suficiente para impedir que eu avance nele e acerto um soco em seu nariz logo sentindo Jack correr para me segurar

— Garota qual é seu problema ? — pergunta Gabbe quando para indo ajudar Devon.

Fica longe de mim ! — grito entres dentes.

— Isso é maneira de tratar um velho amigo ? — reclama tirando o sangue do nariz.

— Charlotte já chega vai esfriar a cabeça — grita Max praticamente me expulsando dali.

E acho melhor seguir seu conselho pois daqui a pouco os juízes e comissão técnica chegariam e uma briga nos boxes não seria uma coisa boa para mim. Mesmo que eu não me importasse, mas sabia que estava quase colocando a cabeça de Devon no rolamento da moto e me afasto sendo acompanhada de Jack que me acompanha o caminho inteiro sem dizer nada pois ele provavelmente idolatrava Devon por ter o colocado na equipe logo depois de Andrew e para não causar brigas resolveu se calar ate chegarmos ao ônibus.

— Tenta se acalmar e voltar para pista — diz apenas me deixando sozinha ali e sou obrigada a entrar no ônibus chutando tudo o que vejo pelo caminho me deixando cair abalada no sofá.

Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo primeiro Carson depois Devon e tudo o que eu mais temia estava acontecendo bem na minha frente, sem eu saber o que fazer eu estava sentindo raiva e estava querendo que isso não passasse de um sonho. Agora já não me encontrava nada bem, minhas lágrimas voltaram com mais força ele estava me perseguindo era isso ? Tudo aquilo tinha sido causado por Devon e eu tinha que aturar ele na competição agora me enchendo. Com certa dificuldade vou tomar um pouco de água eu estava tremendo e não me sentia bem eu queria vomitar.

Só me deitei e fiquei evitando deixar Andrew entrar na minha cabeça, mas lá estava ele sorrindo e apontando para a pista querendo que eu o ajudasse a fazer algo com a moto, eu sorria de volta e negava ajudar para simplesmente fazer ele correr atrás de mim para brincarmos. Droga eu estava fora de controle parecia que eu sentia seu cheiro era como se cada vez que eu pensava as lembranças ficavam mais fortes, suspiro pesadamente sentindo meu peito apertar cada vez mais e me deixo fechar os olhos evitando pensar nele ate ir caindo levemente para o lado e apagar. No tempo que estou inconsciente vejo uma curva muito estreita era como se fosse feita para não conseguir passar, foi em quando minha visão desfoca vendo algo fazendo um barulho alto como se fosse um trovão explodindo no céu, mas era algo mais humano parecia uma bomba então vejo fogo e fumaça e meu corpo sacudindo e acordo assustada de repente percebendo que era um sonho ruim.

— Charlotte acorda — dizia Max me sacudindo — anda ou eu vou achar que está morta — insiste.

Queria estar morta — digo o fazendo suspirar.

— Anda logo Lana Del Rey gótica barroca de humanas do MotoGP — zomba.

— Me deixa em paz — me viro de costas para ele.

— Não, anda logo o treino vai começar temos poucos minutos — me sacode.

— Max eu não vou, coloque Nastya no meu lugar — insisto me virando para ele.

— Você não sabe mais os chefões me ligaram furiosos com seu desempenho lutadora de boxer — diz socando o ar — acho bom fazer uma boa corrida e conseguir alguns bons pontos — argumenta se sentando.

— Eu não tenho condições para correr estou péssima, me deixa — continuo.

— Charlotte não diga que desaprendeu a correr levanta temos dez minutos — puxa meu braço.

— Max eu estou falando serio é melhor eu não correr, não estou me sentindo bem meu corpo não reage — digo o encarando com os olhos marejados.

Por favor Charlotte mostra pra todo mundo quem manda muito nessa pista — pede me colocando em pé — estarei no radio o tempo todo com você se precisar gritar ou algo parecido estarei te ouvindo — sinaliza.

— Não sei se vou me segurar quebrar os dentes daquele babaca — continuo insistindo.

— Já cuidamos disso, ele não vai te incomodar — diz sorrindo para mim.

O ignoro indo na direção da saída antes para olhar meu reflexo no espelho e arrumar meu cabelo que havia bagunçado e olho para Max sorrindo na escada o ignoro. Maximus era meu mentor no MotoGP ele me conhecia desde que eu corria no motocross e sempre me apoiou a subir de nível ate eu ter idade e prestígio para chegar ate as motos mais potentes e ele fazia o papel do meu segundo pai, pois torcia feito doido em cada corrida, me dava conselhos tanto para as corridas quanto pessoais e me ajudava sempre que eu precisava. Olho para sua cabeça careca e sua expressão cansada meu amigo que antes tinha cabelos e esbanjava beleza conquistando as mulheres, agora já estava com uma idade um pouco mais avançada e dou risada lembrando dos tempos dele de Don Juan e vou caminhando sem pressa alguma até a entrada dos corredores que davam acesso aos boxes e depois de muitos corredores entro na sala de concentração passando para o boxe onde recebo uma salma de palmas entusiasmadas dos meus companheiros de equipe por estar voltando á corrida pronta para correr e caminho em silêncio ate minha moto pronta e subo esperando Max me entregar o capacete. Reparo Nastya parada ao lado de um telão me encarando como se tivesse preocupada com algo que eu ignoro e continuo olhando para Max esperando que ele me entregasse, olho para minhas mãos que não conseguiam segurar o capacete sem tremer e tentei disfarça tremendo de novo como se estivesse com frio sobre os olhos atentos da minha melhor amiga.

Minha cabeça estava rodando e eu queria que aquele incômodo parasse e escuto Max falar comigo, mas não percebo o que é então forço minha mente trabalhar em concentração para ouvir o que ele estava falando e depois de alguns segundos percebo que era algo relacionado a nossa pequena briga anteriormente e sou obrigada a olhar para trás para ver Devon me encarando de longe e mostro para ele o dedo do meio antes de colocar minhas luvas e voltar a dar atenção para Maximus.

— Sobre mais cedo não quis gritar ... — acelero a moto. 

— Perdão ? — digo.

— Eu não quis... — acelero novamente o fazendo me encarar ao perceber que era proposital sorri, pego o capacete de suas mãos o colocando — não quis ... — antes que ele termine acelero ganhando velocidade o deixando para trás sem ao menos ter a oportunidade de se desculpar e eu usaria isso mais tarde para me favorecer quando eu precisasse. 

Passando por todos os corredores que estavam apenas esperando o sinal para ir em direção a largada mais como eu não tinha feito nenhuma volta obrigatória eu teria que fazer pelo menos uma e acelero para terminar o mais rápido possível e vou me aproximando da primeira curva acentuada diminuindo a velocidade sentindo meu corpo se deslocando contra o asfalto rasgando minha joelheira e logo então voltando a acelerar para voltar a diminuir na próxima curva. Eu achava que era uma péssima ideia correr meus olhos estavam embaçando por conta das lágrimas que saiam de mim e eu ao menos percebia minha cabeça doía por isso e minha concentração não era nada boa, as vezes eu perdia o tempo de frear e invadia a areia perdendo velocidade e comendo pneus. Aquele não era um dia que eu ganharia algo e parecia que estava piorando quanto mais eu chegava perto daquela curva, mas parecia que eu acabaria no chão aos mãos estavam trêmulas e minha cabeça doía sentia que o corpo suava frio mesmo com a jaqueta térmica e evitei ao máximo olhar para aquele lugar virei minha cabeça na direção contrária causando uma perda de controle que fez ela derrapar demais querendo me atirar para o chão e eu sou obrigada a saltar da moto fazendo ela correr em pé sozinha e corro para ela não cair o público certamente achou que era uma exibição então agi como se fosse mesmo pulando de volta demorando alguns minutos para recuperar o comando. A chance de eu conseguir fazer isso de novo era mínima e agradeci mentalmente ao anjos dos pilotos pois seria um estrago total de ossos caso eu não alcançasse ela a tempo. Volto a pista agradecendo por não ter prestado a atenção na curva e ter focado em correr atrás da moto e me aproximo da chegada fazendo um alarme soar enquanto volto para os boxes vejo os pilotos todos saindo para a formação na chegada, paro a moto e deixo os mecânicos conferirem, se eu precisava trocar os pneus por conta da minha falta de atenção e olho para Nastya que encarava a tela dos operadores e ao perceber pela câmera focada em mim meu coração estivera disparado e meu corpo tremia ainda pela quase queda, a  mesma vem na minha direção.

— Diga que você fez aquilo propositalmente — implora me encarando preocupada.

Não, era pra você estar aqui — resmungo ouvindo outro apito.

— Charlotte aqui — diz Max estralando os dedos no meu rosto — se concentra nunca vi curvas tão ruins em toda minha vida a AJO estava rindo de você, qual é garota mostra quem nasceu correndo aqui — diz batendo no meu peito — anda logo estão esperando  que você complete a corrida em primeiro lugar — continua me fazendo colocar o capacete e olhar para minhas mãos trêmulas.

— Max eu não posso ir, coloque Nastya no meu lugar — imploro tentando conter o que pareciam lágrimas.

— Charlotte eu estou aqui — diz ela vindo ate mim.

— Não, venha aqui, eu não posso correr, está tudo errado — insisto ouvindo o segundo apito obrigatório me fazendo ser obrigada a ir até os demais pilotos a olhando cada minuto.

Já prontos eu me junto a Jack ficando ao seu lado ocupando a  terceira colocação ele estava em quarto, a minha frente tinha Gabbe e um cara da Suzuki, estamos em ordem de classificação do mundial então eu sabia que terceiro estava pouco ainda e eu tinha que consegui ficar em primeiro. Olho para os lados e vejo as arquibancadas já tomadas pelo público eufórico cada um com a escuderia de seu time e volto a olhar em direção aos boxes vendo Max apontar para os fones fazendo meu ouvido chiar o encarando fazendo um sinal positivo. Apesar de toda aquela positividade pra cima de mim eu me sentia estranha tinha algo errado e eu sabia que não era pra estar correndo aqui e que era uma sensação ruim.

— Charlotte ? — chama Jack e o encaro — ocê está bem ? — pergunta ele também parecendo perceber algo.

— Eu estou com um frio na barriga, tem algo muito ruim acontecendo, Nastya deveria estar no meu lugar — digo respirando fundo para ao menos tentar me concentrar na corrida.

Mal percebo quando é dada a ordem para ligarmos os motores e um zumbido parecido com trovões faz a terra tremer, meu corpo começa a absorver toda a adrenalina que teria a seguir e olho o painel o sinal vermelho os pontos irem se apagando ficando verdes e chega no último solto a mão do freio e meus pés automaticamente sobem para os pedais vendo os demais pilotos fazerem o mesmo e a moto vai ganhando velocidade, depois diminuindo quando vejo o farol das motos que estão a frente e vejo o primeiro erro incorrigível do piloto da Suzuki ele fez uma curva muito aberta dando a possibilidade de ultrapassagem e assim faço tirando ela de letra, ficando atrás de Gabbe que parecia ter se acostumado com pista pois as curvas estavam sendo feitas de maneira fechada e eu mal podia avançar. Olho para trás e vejo Jack brigando com o garoto da Suzuki por colocação e volto a olhar para frente retomando minha atenção a pista que de inicio parecia estar sendo fácil e passamos a primeira volta sem muita diferença e assim continua ate estarmos na terceira onde eu havia percebido que Gabbe tinha falhas do lado esquerdo e que ao contrário do que pensava ela não tinha controle em algumas curvas, suas rodas derrapagem de leve na terra antes de voltar ao asfalto e era nisso que eu estava prestando atenção, eu poderia passar dela quando quisesse, mas alguma coisa fez com que eu não o fizesse — Queria ter alguém na minha frente para me fazer prestar atenção somente naquilo e ignorar a curva toda vez que passávamos por ela e agora eu já havia percebido que tinha lembrando dela, tento me acalmar me inclinando completamente guiando a direção tendo em vista a moto azul a minha frente e de fato consegui por algumas boas curvas ter a moto como distração.

Ao chegar naquela em questão, fui sentindo meu olho queimar eu vi uma moto verde ao meu lado me ultrapassando, mas ela não estava lá ao meu lado, não tinha nada e balanço a cabeça tentando me livrar daquele deslumbre e acelero agora querendo correr ao lado de Gabbe, precisava saber que tinha uma moto real ao meu lado e consigo em uma de suas curvas abertas chamando sua atenção que olha para o lado assustada, eu continuo olhando fixamente para a frente e quando olho para trás vejo a moto verde atravessar a pista e correr na minha direção, assustada volto a olhar para o lado de Gabbe que tem ela olhando para mim como se esperasse que eu a ultrapassasse a qualquer momento, mesmo que eu quisesse mais outro fleche e a moto verde reaparece e some me causando um desespero, quando volto a olhar para frente breco bruscamente vendo a moto vindo na minha direção e meu corpo balança de um lado para o lado descontrolado e minha moto começa a tremer vendo a velocidade que as outras estão vindo na minha direção forço a moto a voltar a funcionar mas ela não reagi, sinto que se não conseguissem desviar de mim eu ia sofrer um acidente serio e olho desesperada para frente levantando para sentar com força forçando a moto a desengatar e voltar a andar e vejo os dois primeiros me ultrapassarem tirando fino de mim Jack e o garoto Suzuki passam logo em seguida quatro e a esse ponto Max já estava no radio gritando todos os nomes que sabia para mim fazer alguma coisa, vou perdendo velocidade sendo ultrapassada por mais sete ou eram oito? 

Frustrada comigo mesma subo no banco a forço a andar dando impulsão, ela faz um barulho forte voltando a acelerar e me sento tentando fazer com que ela ganhasse mais velocidade antes que a próxima onda de pilotos me ultrapassasse, o que não foi difícil, com a moto já ligada acelero retomando velocidade, assim a ultima onda a me ultrapassar não estava longe e mesmo com  a moto ligada eu sabia que não podia os alcançar e miro o caminho dos boxes pedindo a Max uma troca de rodas urgentemente, assim alcanço minha equipe que assim que paro começam a trabalhar na moto.

— Você tem que recuperar essa perda, o que ouve com você parecia minha vô correndo — diz Nastya se juntando a mim.

— A moto parou sozinha — argumento olhando para Max que checava a hidráulica.

— Charlotte você tem uma volta inteira para recuperar anda — diz ele entregando a moto e subo imediatamente olhando para o telão vendo as voltas.

Volto a pista batendo no capacete com a mão para ver se eu acordava porque achei que estava dormindo e corro o circuito sozinha esperando o primeiro sinal de vida ou melhor de motos e os últimos colocados estão bem na minha frente, os passo tentando ganhar mais espaço para correr. Passo por mais alguns e olho para o telão preocupada, faltavam duas voltas para Gabbe encerrar e acelero passando por mais alguns pilotos e agora permanecia acelerando e correndo como se a pista estivesse vazia, nenhum sinal dos primeiros colocados e um certo desespero toma conta de mim. Eu tinha de recuperar minhas voltas, eu estava com pneus novos duros, que poderiam me ajudar sem eu precisar parar e eles todos tinham que trocar os pneus e essa seria a oportunidade perfeita, continuo no mesmo ritmo algumas boas curvas depois bem ao horizonte vejo um pontinho verde, o que era a segunda onda que me passou e acelero mantendo a velocidade diminuindo tragicamente pouco em relação as outras vezes e ali continuei angustiada, pois quanto mais eu corria mais parecia que eles se afastavam. Pronta a surtar ou algo do tipo lentamente me aproximo deles e consigo aos poucos ultrapassar um a um de forma lenta e agonizante até chegar no ultimo homem, olho a diante vejo aros brilhantes, era a moto de Richard que eu teria o prazer de ultrapassar e assim o faço acenando para ele e continuo sentindo vontade de gorfar, algo no meu estomago não estava gostando de tanta velocidade e tanto vento podia, senti minhas mãos frias. Na minha frente sumiam na pequena subida, os quatro primeiros colocados correndo praticamente grudados um no outro e desço rapidamente para tornar a subir na curva que é a área de refúgio que era de areia e terra. Com alguns minutos de paciência e controle vou me aproximando deles, já conseguia ver Jack atrás do garoto Suzuki novamente e vou me aproximando dele fazendo o mesmo fazer sinal para eu avançar e acelero o ultrapassando me aproximando do garoto Suzuki que parecia não querer colaborar travando minha passagem, ele só não contava com a curva acentuada que poucos conseguiam completar sem abrir demais por conta de ser muito fechada e diminuir a velocidade era quase lei, bem eu não era todos e sabia disso, invés de diminuir eu acelero ultrapassando ele e depois que faço diminuo quando tem que acelerar deixando meus pés tocarem o solo para me equilibrar pelo tamanho esforço que fiz para me manter dentro da pista e assim conclui a primeira etapa do processo de três procedimentos.

Passo cinco minutos tentando alcançar Gabbe, mas com pneus duros era difícil ganhar muita aderência nessa parte de curvas mais densas e derrapar seria consequência, com esforço avanço para cima dela tentando a alcançar e passamos pela primeira vez na largada entrando em linha reta, sentindo minha moto pedindo marcha  acelero vendo a mesma reagir com sons de escapamento e assim continua minha corrida, eu acreditava que tinha tudo sobre controle, mas a verdade era que minha cabeça apagou tudo nos minutos atrás e agora explodiu na minha frente. Meu estômago embrulhou e eu forcei a barriga para segurar, minha cabeça girava e eu sentia que tinha que parar imediatamente mais meus dedos apertavam mais o acelerador e passei direto pelos boxes e lembrei do que Max disse sobre estar comigo o tempo todo — Max estava de fato conversando comigo o tempo todo, mas minha cabeça estava em outra dimensão que eu nem sabia sobre o que ele estaria falando, ate imaginei o que ele falaria se eu dissesse que precisa abandonar a corrida — sem chance alguma de parar, eu respirei profundamente diversas vezes olhando para meu painel então voltei a olhar para o farol sentindo o motor roncar até meu pulso voltar a saltar e a começou disparar sentindo meu corpo sendo tomado por uma adrenalina sem limites, meus dedos coçam para mim acelerar mais e a moto faz um barulho como um trovão explodindo nos céus e ganha mais velocidade e a esse ponto ela está tão rápida que sinto como se a qualquer momento ela fosse decolar como um avião, pois as rodas dianteiras estavam levantando levemente e eu tinha que jogar meu corpo para frente para a manter no solo, minha alma estava sendo arrastada para outra direção o circuito foi tão longo que quase perdi o controle reparando que a minha frente havia uma curva a qual no mesmo momento tive que desacelerar rapidamente, meu corpo foi caindo junto a moto tentando equilibrar o peso enquanto eu jogava meu corpo e no impulso a moto voltou a subir para cima, coloquei os dedos no acelerador trocando as machas já ganhando mais velocidade. Meu capacete parecia pesar uma tonelada e eu sentia um calor incomum mesmo com um vento sobre meu rosto, eu senti minha pele queimar por dentro do macacão eu estava ficando suada, enquanto fazia a quarta volta fui andando o mais devagar que conseguia porque sentia que meu controle sobre a moto estava sumindo a cada curva mal feita que eu passava.

�� ( Play na música mais importante, não é opcional  é obrigatório >> Avalanche / BMTH )

As rodas estavam derrapando e toda aquela chuva anterior começou a me irritar quando o pneu de trás derrapou e quase fez a moto derrapar na grama. Tive de segurar a parte dianteira da moto e fiz a parte traseira levantar para a roda não atrapalhar e quando voltei a encostar a roda no chão ela pareceu voltar ao normal tudo estava ali bem na minha frente, todos os sinais que eu tinha que parar de correr, na primeira vez que fiz a curva já senti que não estava bem, agora Andrew dominou minha cabeça e nada conseguia tirar. Meu rosto já queimava em lagrimas e eu não queria parar de correr porque eu lembraria da curva, lembraria do acidente, lembraria dele e tudo estaria perdido e nesse meio segundo que me distrai quase não vi o muro de contenção e tentei desacelerar, mas já tinha acelerado demais e a moto ganha vida sozinha, sinto meu corpo sendo arremessado para frente e tento derrapar para o lado contrário, mas não consigo e meu coração pula para fora foi um impacto terrível, então olho para trás vendo a moto começar a rolar dando vários rodopios e olho para frente enquanto vou deslizando em direção ao muro de pneus em velocidade absurda, olho para os lados procurando a moto enquanto vou deslizando, com o reflexo do meu capacete vejo um brilho incomum e olhando para cima vejo minha vida passando bem na frente dos meus olhos, no último minuto que tenho pra reagir consigo rolar o mais rápido que eu consigo para o lado batendo contra o muro de pneus antes de ouvir o barulho da moto rolando violentamente na minha direção, me fazendo fechar os olhos sentindo a pancada.

Deitada no chão com a cabeça rodando a mil por hora meu corpo dói como se eu tivesse sido arranhada pois tudo queimava, minha vista embaçada não me permitia ver nada, apenas a proximidade que a moto havia parado de mim a roda estava encima do meu braço e eu ouvi um barulho de algo pingando pensei que fosse coisa da minha cabeça e olho para o céu vendo as nuvens negras tomarem conta dele. Eu não conseguia levantar fiquei imóvel sentindo náuseas com meu coração querendo pular pra fora, ate quando olhei para pista de ponta cabeça girando vejo a moto verde próxima a mim com um piloto saindo correndo na minha direção, mas eu não podia acreditar naquilo porque era impossível. Andrew estava em pé atrás de mim me encarando.

Saia dai agora — disse encarando a moto com preocupação.

— Drew, você...

Valentina saia dai agora ! — grita pra mim me fazendo encarar a moto. 

E olho na direção da mesma uma pequena fumaça começar e percebo que o tanque estava vazando gasolina, que meu rosto estava cheio dela por conta da proximidade que eu estava — com a força do impacto meu capacete havia quebrado a viseira —  percebo que uma faísca estava se formando próxima, o cheiro já estava forte e com a vista melhorando eu vi que já começava a queimar, olho imediatamente para meu braço tentando tirar ele debaixo do pneu mas parecia travado e Andrew gritava comigo para mim sair dali. Assim eu lutava para tentar soltar puxando o mesmo vendo as chamas crescerem e com a pressão caindo vou sentindo  o corpo querer apagar, eu não conseguia me mover estava angustiada querendo me livrar daquilo e vou fechando os olhos.

Charlotte ACORDA ! — grita ele me fazendo voltar a encarar o fogo cada vez mais próximo do tanque.

Puxo meu braço sentindo que iria arrancar ele no desespero mas não me importaria se isso salva-se minha vida, puxo ele como eu consigo pegando gasolina e espalhando pelo braço para fazer com que ele derrapasse e consigo o puxar sentindo uma dor terrível e desesperada tento me levantar, mas minhas pernas não reagem ao meu comando o nível de angústia cresce e tento me apoiar no muro de pneus para me levantar, mas caio para trás com as costas doendo arranco minhas luvas e olho suplicando a Andrew que me ajudasse, só que ele apenas me encarava preocupado, me deito de peito para o chão e vou puxando a grama com as unhas sentindo a carne cortar pelo esforço e vou tentando me arrastar sem sucesso, meu corpo era pesado demais para meus braços fracos e começo a ver meus pais me olhando em lembranças que eu não lembrava de ter, via meus irmãos pequenos, via Nastya com batom vermelho com nove anos, lembro de Max com cabelo e barba para fazer aparentando ser mais novo, vejo Andrew meu namorado sendo chamado por Devon seu pai para entrar para dentro de casa e os dois mostrando a língua para ele, e tudo acelerou correndo ali bem em frente aos meus olhos meus amigos, minha escola, primário, ensino médio, primeiro beijo, primeiro baile, bronca, choro, corridas, campeonatos, Andrew sua moto, um acidente, um velório, Los Angeles umas garota, festas, amigos, bebidas, corridas, meninas mimadas, hospital, fuga, garota, loira, simpática, Holly, beijo, pista, Jack entrando na minha equipe Nastya e eles juntos no hospital, vejo Gabbe, ultrapassagem perda de controle eu vi umas luzes estranhas, olhei para trás e um... dois... três... bum


Notas Finais


Play na música > https://youtu.be/ALRRylzov-0

Esse capítulo foi escrito em decorrer de duas perdas importantes para mim, uma delas o acidente do meu anjo Salom 💔 quem quiser entender um pouco sobre o acidente vou deixar o link aqui tbm.

https://youtu.be/Dwc5iReTfFM

Salom forever ❤️💙


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