História Traga-me aquele horizonte - Capítulo 15


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bringmethehorizon, College, Girls, Lesbians, Lesbicas, Livros, Old, Saga, School
Visualizações 63
Palavras 12.227
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Esse é um capitulo chato de ler, admito
😐

Capítulo 15 - Parte 2- Sonambulismo ( Holly )


Fanfic / Fanfiction Traga-me aquele horizonte - Capítulo 15 - Parte 2- Sonambulismo ( Holly )


Acordo assustada olhando para todos os lados com o coração batendo para fora do peito sem conseguir puxar o ar que parecia travar em meio aos meus esforços e minha visão fica completamente embaçada. Acabara de ter um sonho terrível e não conseguia voltar ao normal, e até então eu não tinha parado para perceber o que tinha acontecido, me levanto as pressas tocando com os pés descalços no chão e corro até o quarto de mamãe, não podia ser duas vezes em uma única semana era demais, desesperada esbarro em uma cômoda no corredor atingindo em cheio meu dedo do pé e ignoro a dor abrindo a porta rapidamente encontrando a mesma deitada com Marcus ao seu lado, os dois dormindo serenamente e me aproximo devagar para que ele não acorde e consigo chegar ate onde ela está, me ajoelhando. Ao tocar sua cabeça vejo que ela não estava com febre, nem aparentava falta de ar ou qualquer coisa do tipo e invés de melhorar vendo que ela estava bem eu ainda sim me sentia angustiada e me levanto, era muito tarde para acordar penso comigo mesma olhando para o relógio que não marcava mais que cinco horas da manhã e volto para meu quarto.
Aquela sensação estranha continuava me dominando, me sento segurando meu peito murmurando de dor e me jogo para trás tentando aliviar e o que parecia acalmar começou a piorar, pois meus olhos marejaram sozinhos, eu não entendia mas sabia que era uma sensação ruim. Mamãe estava bem eu vi com meus próprios olhos, porque aquilo continuava ali ? — nos últimos dias minha preocupação com mamãe tem crescido muito desde que a mesma sofreu um infarto pouco depois da última briga, que me fez voltar para casa para cuidar dela, sendo que tudo aquilo havia sido causado por mim e eu tinha que arrumar ficando aqui para cuidar dela de qualquer maneira —.
Deixando a dor passar me dirigi até o banheiro para tomar um banho gelado a essas horas da manhã para ver se eu conseguia aliviar um pouco minha mente, que trabalhava a todo vapor tentando conter uma explosão de emoções e fico alguns minutos a mais para deixar a água me atingir no rosto. Saindo escuto um despertador soar no outro lado da casa e imagino que já estaria acordando. Coloco meu uniforme escolar que consistia em uma saia curta e blusa social, suéter, salto e suspensórios e abro a porta dando de cara com mamãe.
— Já iria te acordar mas vejo que já está pronta — sorri com os olhos ainda meio fechados por conta do sono.
— Eu estou adiantada hoje, você está bem ? — pergunto a examinando de cima a baixo.
— Sim ótima e você ? — pergunta agora fazendo o mesmo — está meio abatida o que ouve ? — pergunta se aproximando de mim.
— Noite de pesadelos — digo encarando o vazio.
— Ah querida, eu sinto tanto por isso — lamenta cabisbaixa.
— Não lamente eu...
— Qual das duas vai fazer meu café da manhã ? — pergunta Marcus me interrompendo — Holliston está pronta ? Ótimo desça e prepare meu café — diz apoiado na porta segurando uma escova de dentes encarando meu uniforme com desprezo.
— Eu faço querido — diz mamãe olhando para ele.
— Tudo bem eu faço, termine de acordar — digo rapidamente segurando suas mãos e as beijando.
— Não esqueça meu açúcar — berra ele enquanto caminho ate a escada.
— E o veneno — resmungo.
— O que você disse garota ? — berra ele.
— Que ta chovendo — berro de volta.
— Não vejo chuva — continua.
— Coisa da idade — zombo chegando no primeiro andar.
— O que ? — pergunta do topo.
— Só na cidade — insisto indo na direção da cozinha.
Paro em frente ao balcão e olho em volta quais seriam minhas opções e vejo a fruteira cheia de laranjas, então resolvo fazer um suco natural. Logo depois abro a geladeira e procuro farinha de trigo, açúcar e manteiga, iria fazer panquecas com ovos e bacon, quem sabe assim sua pressão subia e ele me deixasse em paz dessa vez, penso rindo. Isso era pecado e eu sabia, não que desejava seu mal, mas ficava pensando como a vida séria melhor sem esse preconceito dele e sem todas suas amolações.
Haviam feito dois ou três meses que eu estava morando com ele novamente e quase noventa e nove por cento do tempo ele estava implicando comigo e com minhas roupas. Tia Julie me ensinou a usar a paciência para não brigar, pois elas seriam prejudiciais para mamãe que não aguentava mais isso e acabou sendo prejudicada por causa dos dois. Pelo bem dela fizemos um pacto, eu tentava não o insultar o máximo que eu conseguia e ele não implicava comigo e por duas semanas isso estava funcionando, mas lá vem ele querer me chamar de infiel, de garota perdida ou qualquer coisa parecida. Agora eu já não chorava como antes porque sabia que era exatamente isso que ele queria que eu demonstrasse a fraqueza, prometi segurar firme ate não estar perto dele para desabar.
— Espero que não tenha esquecido meu açúcar — murmura se sentando ligando a teve e eu coloco meus fones me afastando.
— Quer carona ? — pergunta mamãe me abraçando pela cintura e faço o mesmo sorrindo para ela.
— Eu não vou levar ninguém — diz ele com a boca cheia de panqueca.
— Eu posso muito bem ir andando afinal essas pernas aqui foram feitas para serem vistas — zombo tocando nas pernas apenas com meia calça no mesmo tom de pele parecendo que estavam nuas o fazendo me encarar de maneira assustadora.
— Holly... — adverte mamãe.
— Desculpa — digo o encarando — até mais tarde mamãe — digo a beijando o topo da cabeça — e você cuida dela — digo seriamente.
— Você esqueceu o meu açúcar — reclama tomando o suco.
— Fui — digo saindo rapidamente antes dele começar a reclamar.
Ligo meu celular e vejo a caixa de entrada vazia e ignoro caminhando pelo gramado até a casa ao lado, tocando uma ou duas vezes a companhia até ser atendida por uma garota segurando uma revista sobre o sistema solar no rosto e abaixo a revista com a ponta do dedo encarando a mesma, que parece brava com meu ato e dá as costas para mim puxando ar que eu nem sabia se ela tinha mesmo.
Hily a ex freira está aqui — berra me fazendo tapar os ouvidos — pronto ela já está vindo — diz me encarando.
— Muita gentileza da sua parte fazer algo que eu mesma poderia fazer — tento soar neutra mas pareceu sarcasmo.
— Margot para de berrar a essas horas da manhã — murmura Hilary aparecendo no topo da escada com as mãos na cabeça — oi Holly — diz parando ao meu lado.
— Oi Hilary está bem ? — pergunto.
— Sim e você ? — me encara confusa.
— Eu não sei queria saber se estava porque hoje de manhã eu estava... — me interrompo olhando para Margot ainda parada nos encarando.
— Continue está interessante — diz.
— Sai daqui — resmunga Hilary apontando para que ela saia o que a garota faz relutante — continua, hoje de manhã... — diz.
— Ah sim, bem eu estava com um mal pressentimento — digo olhando para trás sentindo o vento balançar meus cabelos.
— Eu estou bem acho que era só um alerta para ir ao banheiro rápido — zomba encarando algo atrás de mim.
— Ótimo estou indo — digo vendo o carro parando em frente minha casa.
— Holly — chama quando me afasto.
— Sim ?
— Eu queria saber se poderíamos sair hoje quem sabe para conversar ou ver algum filme — encara o chão.
— Sinto muito Hilary, tenho muitos trabalhos para fazer e estudar para uma prova. Quem sabe outro dia — digo apressadamente.
— Tudo bem — sorri sem ânimo.
— Prometo te compensar — insisto correndo até o carro.
Ela acena enquanto vamos nos afastando e encaro tio Frank segurando minha bolsa a qual eu nem me lembrava que existia vendo o mesmo sorrir e beijo sua bochecha para então me inclinar para trás para fazer cócegas na pequena, que assistia Barney aquele dinossauro gay roxo. E volto a me virar olhando para as ruas e fico encarando o vazio da minha caixa de entradas sentindo algo muito estranho, antes de Frank frear bruscamente fazendo meu corpo ir para frente e voltar com tudo para trás.
— Esses motoqueiros não tem noção nenhuma de velocidade — brandi olhando o motoqueiro na nossa frente fazendo gestos de reprovação.
Olho para trás e vejo Manoela ainda olhando para a tela como se nada tivesse acontecido e agradeço Barney pelos milagres da hipnose, voltando a prestar atenção no motoqueiro e sua moto negra com o numero 3 em verde no tanque fico encarando aquilo afinal era uma moto bonita, que tinha certeza que Charlie adoraria ter e o observo ate acelerar e sumir de vista. Frank ainda visivelmente irritado com aquilo e permaneceu assim todo o trajeto até finalmente chegarmos a escola, o que demorava muito tempo já que parávamos para deixar Manoela na creche e continuávamos seguindo uma estrada em direção a Bervely. Assim quando finalmente chegamos saio do carro encarando o enorme edifico a minha frente com pessoas entrando e saindo toda hora.
Caminho prestando atenção na entrada que até hoje fazia meu peito sacudir, era assustadora de tão grande e majestosa afinal era muito linda e chamava a atenção, pelas colunas gigantes e portas de vidro que refletiam até a mosca que estava próxima a mim se duvidasse. Nas primeiras semanas estar nesse lugar era horrível, cheio de pessoas que eu não conhecia e o fato de precisar usar saltos me incomodava porque eu adorava usar os discretos e confortáveis tênis All Star. Ali foi um tremendo choque de realidade pois vi pessoas que eram completamente diferentes de mim com rotinas e gostos diferentes, o que me fazia ser uma estranha no meio deles que apreciavam do mesmo gostos, diferente de mim. Uns achavam meus cabelos estranhos e zombavam, outros achavam lindos e elogiavam sempre que me viam o que não me deixava 100% contente com aquele lugar. E ainda me perguntava o que eu fazia perdida naquele lugar afinal de contas ? 
— Que bom que chegou eu estava pensando porque toda vez que eles dão salada de frutas esquecem de colocar a maçã ? — resmunga Ashlee segurando uma bandeja e colher — quer ? — pergunta me oferecendo, mas sou obrigada a recusar já que nem café eu havia tomado por conta de uma dor estranha.
— Acho que eles colocam mais bananas para usar as maçãs nas tortas — digo olhando para o vazio a minha frente enquanto entramos no prédio.
— Será que podemos ir até o sindicato e gritar “ Não às bananas ” — resmunga berrando a última parte.
— De novo isso de dar fim às nossas bananas Ashlee ?! — resmunga um garoto passando por nós.
— Não dessa vez não são as bananas dos homens e sim da salada de fruta — explica fazendo as pessoas rirem.
A puxo até o corredor seguinte vendo Taylor apoiada no armário conversando enquanto Daphne pegava ou guardava algo e as duas viram ao mesmo tempo nos olhando, fazendo com que meu olhar se volte para Ashlee que rir, elas que pareciam duas gêmeas siameses que faziam tudo ao mesmo tempo. E nos aproximamos fazendo elas nos acompanharem pelo corredor grudando nos nossos braços uma de cada lado formando uma corrente enquanto caminhávamos em direção ao corredor principal.
— Chega, estou sensível a comida igual Mckenna  — resmunga Ashlee jogando a embalagem fora me fazendo olhar para Taylor que me olha igual — estou vendo isso — continua a garota.
— Estou atrasada ? — pergunta Mckenna aparecendo com um livro debaixo do braço e uma maçã inteira fazendo Ashlee bufar.
— Nem cinco minutos — Daphne murmura — perfeita demais, vou reclamar com Josh ele não está fazendo um bom trabalho em te atrasar por motivos de transa — zomba fazendo Ashlee rir.
— Fica quieta Daphne — resmunga ela se juntando a nós fazendo uma corrente grande o bastante pra ninguém passar se quiséssemos, fazendo as pessoas resmungarem.
— Mckenna trouxe o meu livro ? — pergunta Alex aparecendo no corredor.
— Pôr que você nunca lembra de pegar o livro depois da aula Alex ? — resmunga para a garota a nossa frente com um roupa que achei chamativa demais para usar, algo como calça de couro regata branca e jaqueta de couro no mesmo jeito que a calça e botas coturno.
— Estou ocupada secando Kendal me poupe — reclama pegando o livro e olhando diretamente para mim com aquele típico olhar superior — se não se importam — sorri quebrando a corrente bem na minha parte para passar esbarrando por mim.
— Parece que ela cismou mesmo com você — zomba Daphne como se aquilo fosse engraçado.
— Eu nunca fiz nada pra ela — resmungo olhando pela janela encarando a vendo caminhar ate sua moto potente e logo me vem Charlie novamente me causando um arrepio do nada.
— Kendal é do comitê de boas vindas, ela provavelmente acompanhou Holly durante o tour pela escola, Alex viu e agora está com birra por ciúmes — explica Mckenna fazendo todas soltarem um couro ensaiado de “ah sim”.
 
Meu dia corria estranhamente lento pois todos os dias eram rápidos e piscando acabavam. Eu não conseguia dizer o que eu tinha, mas era uma angústia sem fim, tentei me alimentar no primeiro intervalo, mas simplesmente não descia, era como se tivesse entalado algo que nem fazia o ar entrar e sair, fora o incômodo no peito e minha visão embaçada achei que estava sensível por conta da menstruação, mas eu já estava livre este mês o que me fez questionar o que seria. Alguma coisa não estava bem pelo que havia visto as garotas estavam bem, assim com Hilary, mamãe e isso não fazia sentido já que ainda estava faltando alguma coisa que me deixou o dia todo no mundo da lua, ignorando as pessoas ao meu redor e todas as seis aulas que já havia assistido, então o sinal toca me livrando dos devaneios e saio da sala sozinha já que nenhuma das garotas tinham aula de espanhol comigo, caminho ate o refeitório sabendo que Ashlee estaria tentando empurrar comida para Mckenna e que eu teria que impedir.
— Olha que gostoso o aviãozinho — diz Ashlee sentada na mesa com uma colher cheia de torta fazendo zig zags na direção de Mckenna.
— Já disse que não quero torta de maçã — resmunga a mesma tentando afasta-la.
E olho para as garotas sentadas Taylor encarando Ashlee de braços cruzados, Daphne com as pernas sobre o colo da loira conversando com Alex, que está apoiada com os dois braços na mesa ao lado em pé com pernas cruzadas prestando atenção enquanto Megan está no celular entretida com algo. Ao redor várias mesas com pessoas em frente a lanchonete todas falando ao mesmo tempo, criando uma feira a céu aberto e me aproximo colocando a bolsa ao lado de Mckenna segurando Ashlee pela cintura a tirando de perto de Mckenna fazendo as outras me olharem.
— Ei estou tentando fazer sua amiga não virar uma magrela anêmica — protesta.
— Quando ela quiser, ela come, se a força vai fazer ela vomitar — reclamo me sentando ao lado de Taylor que bate discretamente em minhas mãos aprovando a atitude.
— Complô — resmunga encarando Mckenna que me olha como se agradecesse silenciosamente.
— Pelo que me lembre não vi a senhorita comendo nada hoje também — diz Daphne mexendo nos cabelos de Megan para irritar a morena.
— Estou sem fome — digo encarando Megan já que era a primeira vez que a vi no dia, a mesma me olha também e desvia o olhar me fazendo voltar a olhar para a lanchonete onde a uma boa distância de mim vejo uma TV de plasma ligada nas notícias e desvio o olhar para encarar as garotas.
— Que tal bolo de chocolate ? — pergunta Ashlee insistindo.
— Ashlee não vou comer nada — reclama Mckenna desviando a boca do garfo cheio dele.
No moto3 esta manhã... — escuto a fino a TV falando pois embora ainda estivesse olhando para as garotas meus ouvidos continuavam atentos, mas com o barulho das pessoas foi quase impossível ouvir o que a repórter diz e olho brava para as pessoas encarando a TV distante.
— Ah quero ver negar um cachorro quente — diz Ashlee.
— De onde está tirando isso ? — resmunga Mckenna.
— Taylor qual sua próxima aula ? — pergunta Daphne.
— Eu preciso de um lápis azul de olho alguém tem ? — pergunta Megan.
— Tem um esconderijo de comida ai — diz Alex para Ashlee rindo.
E elas falam todas juntas uma atravessando a outra me causando uma dor de cabeça terrível e volto a tentar prestar atenção na TV sentindo que meu peito começava a acelerar sozinho, eram apenas dez horas da manhã mas eu estava pilhando de tanta bombeação de sangue que meu cérebro estava recebendo. Presto atenção na tela com a repórter aportando um lado de uma pista completamente negra por conta de algo queimado e meu cérebro começa a trabalhar vinte vezes mais rápido, com as garotas todas juntas falando ao mesmo tempo começam a me fazer surtar.
— Quietas — digo sem tirar os olhos da TV.
— Esta cor não combina comigo — resmunga Megan.
— Mckenna você engole coisa bem pior que uma melancia, por favor — Ashlee insiste.
— Eu tenho Física depois Química — diz Daphne.
— Meninas quietas — insisto mais uma vez.
— Será que ela come tacos ? — pergunta Alex.
Fico olhando para a Tv vendo algumas partes de corrida ainda com a repórter apontando e falando do local e me levanto encarando as garotas que continuavam tagarelando me fazendo pedir mais uma vez, mas elas parecem nem ao menos me ouvir e minha cabeça vai enchendo ate eu não aguentar mais e explodir.
— CALEM A BOCA — grito vendo elas me olharem assustadas assim como boa parte do refeitório — que droga — digo caminhando até a TV — aumenta — digo para a garota que tinha controle em mãos o que saiu mas como uma ameaça do que um pedido.
— O que foi ? — pergunta Ashlee parando ao meu lado junto às outras garotas, mas não tiro os olhos da TV sentindo que precisava ver aquilo.

Lamentável acidente está curva número doze até está sobre critério de exclusão pelo nível de vítimas mortais que fizera nos últimos anos. O último caso ocorreu no grande prêmio da categoria moto2 envolvendo um jovem piloto de 21 anos, Andrew Vásquez da equipe Honda Racing Team, onde na mesma curva o piloto perdeu o controle da moto e foi jogando contra o muro de pneus sendo esmagado por sua própria moto vindo a óbito imediatamente — diz a repórter na pista.
Bem lembrando Joanna, este acidente marcou a história da equipe HRC por um bom tempo e por coincidência ou não um mesmo membro dessa equipe acaba sofrendo um acidente gravíssimo, reveja as imagens fortíssimas do acidente que ocorreu nesta manhã no treino do moto3 — diz a repórter atrás da bancada.
Meu coração está disparado eu não consigo entender o que estava acontecendo todas aquelas referências HRC, treino, Nevada, curva e volto a olhar para a televisão vendo uma câmera mostrando motos passando rapidamente por uma curva, logo em seguida todas a caminho da largada em linha reta, uma moto mista vermelha e azul correndo a uma velocidade absurda ultrapassando todas as motos, na imagem seguinte as motos freando na curva, quando no canto do vídeo vemos um pequeno ponto negro na velocidade da luz indo em direção ao muro, em seguida uma segunda câmera entra em cena e mostra um piloto logo em seguida sua moto perdendo o controle e ele é atirado a quilômetros de distancia, a moto rodopia em uma velocidade incrível na direção dele que desvia por um triz de ser atingindo e os dois batem contra o muro na super câmera lenta vendo todo o corpo do piloto ir e voltar por conta da agressividade da batida. Meu peito dói e meus olhos começam a marejar quando os detalhes começam a ficarem claros o número 3 ao lado da moto o capacete com o nome Di Achmelvich e uma asa de águia a postura do piloto e meu coração bombeia sangue sem parar.
— Isso foi feio — diz alguém atrás de mim, mas meus olhos não conseguem parar de prestar atenção nos detalhes desde a queda até o momento que a mão se mexe mostrando vida.
Este é o momento mais desesperador que é quando o piloto percebe que sua moto está em chamas e tenta se levantar e fugir, mas não consegue, sua cabeça se move atordoada como se fosse perdendo a consciência e retorna na sequência temos um ato desesperado do piloto se arrastando na tentativa de fuga e luta por sua vida logo em seguida os pilotos que vinham atrás na tentativa de resgate e na sequência a explosão — começa a explicar um especialista analisando.
Na minha opinião pela velocidade que estava e por conta do impacto ali ele já estava atoado e por isso não consegue de imediato levantar — diz outro homem aparecendo atrás do homem que analisava.
Mas hipoteticamente falando, caso o piloto estivesse com alguma fratura e estivesse atoado com o que aconteceu ? — retruca o outro.
E continuam falando com minha cabeça rodando me deixando facilmente tonta. Ali na minha frente se repetia varias e varias vezes o acidente e o mundo fica mudo quando aparece o nome e a foto de Charlotte Di Achmelvich corredora da equipe HRC aparece na tela, na sequência aparece a câmera dos boxes mostrando os membros de sua equipe em desespero e corta para um piloto mestiço japonês completamente atordoado sendo empurrado para longe da pista por outros dois pilotos, depois um Helicóptero, depois imagens da corredora em corridas antigas e me afasto me sentindo alguém me sacudir, Ashlee ou era Megan, tanto faz não consigo olhar para elas nem pra ninguém, minhas mãos trêmulas entram em meu bolso e meus dedos deslizam até meus contatos e procuro a letra C logo em seguida discando automaticamente, eu não ouvia nada, mas o som do telefone chamando eu não conseguia ignorar, só chamou e caiu então na caixa postal olhei para a TV, o nome dela ali e meus olhos foram marejando sozinhos algo no peito queimava, o ar estava me deixando e tudo tinha ficado escuro e como quando cai água no ouvido minha audição cessava e começa a voltar rapidamente vendo agora uma terceira tela na televisão com uma repórter em frente a um hospital apontando assim me levanto tão rápido que não imaginei ser humanamente possível.
As informações que temos é que a jovem piloto de 20 anos foi submetida a uma cirurgia de emergência assim que deu entrada aqui no hospital, médicos que nos ouviram mas cedo, afirmam que seu estado de saúde é delicado... — ignorei todo o restante Charlie estava viva eu precisava ir vê-la e me dirijo até minha bolsa a pegando.
— Pra onde você está indo ? — pergunta.
— Nevada — digo rápido.
— Está louca Carson é muito longe, não chegará com menos de três a quatro dias bem talvez horas de avião — diz Megan rapidamente me segurando.
— Vocês querem que eu fique aqui enquanto Charlie está morrendo ? — grito sentindo minhas mais tremerem nenhuma delas falam nada e me viro saindo.
— Você não tem condições de ir a lugar algum — diz Alex parada ao lado de Megan me olhando seriamente.
— Quem é você para dizer se posso ou não ? — rosno para ela.
— Alexandra Mary Crawford Elizabeth Terceira, Casa de Valdes de Hampshire, sétima na linha de sucessão ao trono da britânica  — responde causando um alvoroço de murmúrios ao redor — você só vai quando se acalmar — insiste.
— Estou ótima — digo com o coração sendo esmagado a cada segundo, minha visão escureceu por minutos antes de voltar a tona com as garotas ao meu redor me olhando, talvez eu tivesse desmaiado ou apenas entrei em choque e sabia que estava perdendo tempo e me levanto de supetão.
— Holly você não pode ir assim — diz alguém que ignoro e caminho ate a saída da escola.
— Holliston — grita alguém me fazendo encarar.
As garotas estavam todas ali me olhando, eu não conseguia saber o que cada uma estava pensando, pois cada uma me olhava de um jeito, era difícil interpretar e me convenço que estavam tão atordoadas como eu. Tentava pensar mas tudo era difícil de entender, só queria parar de chorar de lutar contra a vontade de cair e no meio de todos aqueles olhos encontrei um suave, terrivelmente caímos e foram eles que me prenderam a atenção. Era Alexandra.
— Você não vai mudar de ideia — diz me encarando — vai demorar muito para chegar em um voo convencional — insiste me fazendo querer retrucar — papai tem um jatinho será muito rápido — diz me fazendo olha-la surpresa.
— Porque quer me ajudar, você me odeia — retruco.
— Porque eu faria a mesma coisa por Kendall — diz.
— Não, você não pode ir sozinha — Megan dá um passo a frente com olhos preocupados.
— Eu vou com você — diz Alex.
— Você tem quer ficar com a Kendall — diz Mckenna — eu posso ir — diz.
— Não preciso de companhia — digo me apressando em parar o primeiro táxi que vejo.
— Você tem outras preocupações  — diz Taylor seriamente para ela — então eu vou — completa.
— Taylor você tem fobia de avião — lembra Daphne — eu sou a líder eu vou — diz fazendo elas começarem a discutir enquanto eu entro no táxi.
— Galera — berra Ashlee — EU VOU — afirma fazendo elas se calarem e me encararem.
— Ashlee você não...
— A única que pode sumir por dias que ninguém fora vocês se importaram sou eu, e todas vocês tem coisas a fazer — discursar me  seguindo — fiquem e avisem Tia Julie e companhia sobre o ocorrido não temos tempo a perder — insiste.
— Ashlee eu não preciso...
— Holly eu não vou te deixar sozinha — diz me abraçando.
— Vou preparar as coisas, vão direto para o aeroporto — diz Alex na janela.
— Mande notícias — diz Taylor.
— Cuida dela Ash — disse Megan.
— Estaremos aqui pra o que precisarem, só pedir — diz Daphne. 
Eu não ligava para elas, ouvia algumas coisas e deixava minha cabeça viajar para longe dali. O que importava no momento era entrar em um avião o mais rápido possível, eu queria ver Charlie, precisava muito ver ela e tinha que ser rápido, queria ajudar, queria fazer alguma coisa não podia ficar ali parada. Durante a viagem até o aeroporto que parecia demorar uma eternidade senti os braços de Ashlee envoltos de mim e mesmo com tal ato eu não conseguia parar e respirar calmamente, estava surtando.

 
Sinceramente não conseguia entender o que tinha acontecido, porque tudo era surreal era como uma droga de um sonho que eu não acordava. Ignorei as vezes que meu celular tocou e me afundei no banco do avião, nunca imaginei que passaria por tal situação, mas já sabia que as coisas pareciam injustas. Todas as vezes que aconteceu coisas ruins a mim e as pessoas que amava, minha cabeça tentava montar um quebra cabeça que explicasse o porquê de acontecer isso, tentava achar razão e fazer as coisas sem sentido se encaixarem.
Eu mal esperei o jato pousar e já estava me atirando pra fora dele. Não tínhamos conseguido autorização para pousar direto no aeroporto de Carson, tivemos que parar em algumas cidades antes e seguir de carro o que me angustiava mais e mais, acrescentando uma ou duas horas de viagem o que me desanimou dez por cento a mais, fora a sensação ruim que não passava, eu buscava na internet notícias, mas elas pareciam nunca atualizar, tentei o número de Lola já que tínhamos ficado amigas que falavam mal de Charlie apenas para irrita-la, mas imaginei que estaria ocupado por amigos, parentes e conhecidos, que estavam assim como eu preocupados e querendo notícias. Ashlee inúmeras vezes me disse que tudo daria certo, me consolava e pedia mais calma agora que estava preocupada que eu que pudesse ter um infarto ou algo do tipo e eu tentava ouvir, somente tentava. 
Quando chegamos no hospital vimos alguns carros de impressa na porta e seguranças, passamos sem problemas, eu praticamente corri para dentro sem saber se minha acompanhante conseguiu me seguir ou não, já que só tinha um objetivo e queria continuar só o seguindo sem fazer a menor ideia de nada, mas era como se soubesse exatamente em que andar ela estava e subo sem se quer passar pela recepção, sem paciência ou calma para subir de elevador percorro as escadas e chego ao topo do número 3 abrindo a porta vendo grande movimentação deste lugar e ando os corredores procurando algo que denunciasse sua presença, algo como inúmeros pilotos amontoados na sala de espera e corro na direção deles sendo recebida por uma chuva de olhares preocupados fazendo meu peito arder.
— Onde está a Charlie ? — pergunto rapidamente para qualquer  um que respondesse.
— Está na sala de cirurgia — diz um mestiço de japonês que na hora lembro de ter visto na TV e olho na direção que ele aponta, me encaminho rapidamente para lá sendo segurada por alguém que julgo já me conhecer por me pegar de formar familiar.
— Você não pode entrar na sala de cirurgia Holly — diz Ashlee me puxando de volta.
— Eu tenho que ver ela — insisto sentindo meus olhos queimarem. 
— Todos queremos — diz uma garota de cabeça baixa com outra ao seu lado segurando seu cabelo pra cima parecendo apoiar a outra a vomitar na lixeira que estava logo a sua frente.
— A quanto tempo ela está lá ? — pergunto me aproximando.
— Tem mais de 3 horas — diz um senhor careca com um casaco da equipe e imagino ser o chefe.
— Você é a famosa Holly que Charlotte tanto dizia — diz a garota com a cabeça ainda abaixada.
— Pelas fotos você deve ser Nastya — digo sem ânimo pois minha atenção ainda continuava no corredor onde ficavam a ala cirúrgica visível de onde eu estava.
— Você saiu de Los Angeles deve estar cansada tente descansar um pouco — diz a garota apoiada com Nastya ela tinha intensos olhos vibrantes azuis e nesse momento meu corpo reagiu de maneira estranha, seus olhos pareciam ter entrado dentro de mim e sugado minha alma, era algo que eu não entendia mas me parecia ruim, visto já que eu nunca tinha sentido isso antes — eu sou Gabbe estava correndo com ela quando tudo ocorreu — explica depois de ver minha cara de interrogação.
— Os pais dela já devem estar chegando melhor deixamos somente quem precisa ficar — diz o homem mais velho fazendo os outros concordarem.
— Acho que essa é minha deixa — diz Gabbe se levantando seguida de outros.
— Jack vamos — diz o homem para o mestiço.
— Vou ficar com Nat — diz prontamente abraçando a outra que levanta a cabeça e sua face revela o nível de abatimento em que ela se encontrava assim desvio encarando os outros saírem um por um restando apenas os dois pilotos eu e Ashlee que fez questão de ficar comigo.
E ali sem trocar nenhuma palavra permanecemos quietos encarando médicos que passavam e o tempo que não parecia passar. Era angustiante ficar ouvindo aparelhos apitarem, médico passarem caminhando rápido demais eu já olhava para o corredor temendo o pior, eu sentia muitas coisas e uma delas era a vontade de ver Charlie de qualquer jeito. Tentei dormir mas eu se quer podia ser egoísta de dormir enquanto Charlie estivesse naquele lugar, não pensava em comer e na verdade nada importava mesmo. Era difícil lidar com a dor e pareceu piorar quando os pais de Charlie chegaram, sem conter as lágrimas abraçando os jovens pilotos retribuindo o ato e me pego ali avulsa sem fazer nada já que eu não conseguia me mexer e minha cabeça foi tomada de pensamento negativos de eles estarem assim por conta da morte dela, e não havia ocorrido isso, me levanto do canto que eu estava sentada ao lado de Ashlee e olho para a entrada e vejo Lola parada ao lado do seu irmão Jordan ambos encarando seus pais com os próprios olhos cheios de lágrimas e assim que entro em seu campo de visão ela corre para me abraçar.
— Ela vai ficar bem — disse para ela tentando conter minhas lágrimas pois mal conseguia acreditar em mim mesma.
— Obrigado por estar aqui — diz entre lágrimas e soluços.
A aperto mais forte e me junto a orla ali para fazemos uma pequena oração, eu tinha perdido a noção do tempo, Ashlee  acordava e dormia, levantava e sentava e eu continuava parada encarando o corredor com todo aquele silêncio, todos aqueles apavorantes pensamentos, tudo estava conspirando para mim surtar. Queria fazer bilhões de perguntas para cada medico que passava, mas nenhum deles parecia interessados em responder, o que fazia Ashlee me puxar de volta ao banco na tentativa de me fazer ficar calma. Ela estava cuidando de mim, me observando, me oferecendo água e comida que arrumava por lá e ficava insistindo que estaria tudo bem. Algumas vezes por telefone conversou e imaginei estar noticiando as garotas e volto a ignorar.
 
A tortura por notícias continuo praticamente uma eternidade e as horas se passavam como se zombassem de mim. Meu corpo estava de certa forma cansado demais e pedia sono, mas minha cabeça pedia alerta total pra qualquer movimentação suspeita e me apoiei em Ashlee para subitamente cair com certa facilidade por conta da exaustão física no sono direto. Lembro que foi nesse mesmo momento que eu retomei a consciência tão rápido quanto perdi vendo um medico com prancheta se aproximar da gente e chamar somente os pais de lado para conversa e era o que eu temia pois minha cabeça me fazia imaginar um milhão de coisas ruins, não só a mim mas todos ali estavam incrivelmente tensos e nervosos, como eu, afinal estávamos todos ali por um único motivo, controlei minha respiração e foquei em ter somente pensamentos positivos esperando a conversa infinita entre eles acabarem. Senti meu peito errar a batida quando os Di Achmelvich começaram a vir novamente em nossa direção com um certo ar de suspense que confesso poderia ter me matado ali mesmo.
— O que podemos dizer é que a cirurgia foi um sucesso e que ela está descansando tem horas, pois foi muito complicado, eu e sua mãe entraremos primeiro para vê-la em seguidas vocês poderão vê-la também — diz olharam para os irmãos de Charlie e em seguida para mim.
— Como ela está ? — pergunta Lola.
— Ela está acordada ? — pergunta Jack.
— Ela vai sair da UTI ? — pergunta Nastya.
E todos começam a martelarem os pais da garota de perguntas eu mesma queria saber todas igual eles. Em primeiro momento soube que ela estava bem, porém não sabia definir essa palavra “bem” de forma correta. Eles apenas disseram para termos calma e eles iriam ser os primeiros a vê-la embora eu quisesse correr para o quarto e ser a primeira fiquei ao lado de Ashlee esperando ate todos verem ela, vi cada um deles entrando e saindo com caras não muito boas, mas pra mim não tão graves, deixei ate mesmo que o mestiço e sua melhor amiga fossem primeiro, mesmo com muita agonia pois ficava andando para lá e para cá esperando os próximos saírem da sala e eu poder entrar, já estava acabando o horário de visitas e eu teria pouco tempo.
— Holly — Ashlee chama me fazendo olhar em sua direção e apontar para a porta onde o mestiço e a garota hispânica estavam saindo.
Caminho ate eles em passos curtos e lentos estava tentando botar minha cabeça em ordem antes de encarar os fatos de frente. O tempo parou. Sombras cantavam, os sinais ficavam claros para mim e então os passos lentos se tornavam pesados e difíceis me manter respirando era como me atirar em um rio e gritar deixando a água me inundar, eu só pensava em uma coisa e essa coisa era correr para não ficar presa em um pesadelo sem fim. Ao alcançar a porta fiquei encarando os olhares sobre mim e encaro Ashlee esperando que ela me acompanhe, mas com os olhos ela deixou claro que eu tinha que ir sozinha e assim o faço respirando fundo, abrindo a porta, entrando no quarto de cabeça baixa encarando o chão sem me importar, apenas tomando folego e finalmente escuto o som do ambiente depois da escala muda, e os aparelhos parecem altos o suficiente para todo hospital ouvir.
Meus olhos ardem a medida que varrem o quarto branco e gélido e assim eles param nela, na minha garota, minha Charlie. A principio pensei ter confundindo o quarto e as camas, mas ao me aproximar vi que se tratava da mesma garota um pouco ferida de cortes cheia de ataduras, mas era sim Charlotte eu me aproximo dela notando seus aparelhos ligados, seu tubo de ar e depois seu corpo coberto por faixas e gesso imaginei ser pelas inúmeras lesões que teve e sinto meu corpo tremer e começar a produzir lagrimas, eu não queria ver ela naquele estado, não queria ver que ela não estava bem, algo dentro de mim queimava para que eu fosse embora, mas eu insisti em ficar e ali permaneci a encarando sem muito o que fazer, pois não sabia o que tinha acontecido como eu poderia ajudar. Seus olhos fechados me deixavam triste, eu estava com saudade dos intensos olhos castanhos da garota, de seu sorriso apaixonante. Estranho era o silencio da falante jovem, a forma que seu jeito inquieto agora quieto me incomodava, ela parecia frágil demais para se quer se mover, me aproximei ainda mais e beijei o topo de sua testa como a mesma sempre fazia e tento conter minhas lagrimas.
— Charlie sou eu Holly — digo em seus ouvidos sabendo que de alguma forma ela estaria me ouvindo — por favor se recupere logo preciso de você — pronuncio cada sibila com a garganta travada.
Olhei para o corpo imóvel e nada aconteceu, fiquei apenas a encarando ali, pois de alguma forma eu sabia que estava me preparando para o pior e ela não me responder me abatia com um soco no meio do estomago. Fiquei quieta ao seu lado apenas ouvindo os sons de aparelhos e nossas respirações quanto foi esse tempo não sei o certo, mas uma enfermeira anunciou o fim da visita me fazendo com grande dor no peito me despedir e caminhar pra fora, volto para sala de espera me sentando em silencio ao lado de Ashlee que me olhava de forma apreensiva.
— O que faremos ? — pergunta o irmão de Charlie encarando seu pai.
— Vamos tentar descansar, não temos muito o que fazer, amanha retornamos para visita-la — diz depois de um longo minuto de silencio.
— E se ela acordar de madrugada e não encontrar ninguém aqui ? — questiona Nastya.
— Eu vou estar aqui — digo rapidamente os fazendo me encarar.
— De forma alguma você veio de longe e não descansou o suficiente — diz ele.
— Ele esta certo Holly, você não comeu nada e nem dormiu — diz Ashlee.
— Eu não vou fazer nada — digo seriamente — você precisa disso eu não — afirmo.
— Holly...
— Eu vou ficar e ponto — digo firmemente.
— Bem, então vamos para casa de meu irmão, temos um longo dia amanha — diz Logan se levantando.
Usted pode vir conosco — diz a mãe de Charlie para Ashlee que faz um ponto de interrogação enorme na testa.
— Ela disse que pode vir com a gente — diz Nastya fazendo tudo ter sentido.
— Não quero incomodar — diz rapidamente minha amiga — posso arrumar um lugar — insiste.
— Não aceito sua recusa, você precisa descansar, tem que estar forte para cuidar de Holly — adverte o mais velho nos fazendo concordar.
— Cuide de minha hija, estaremos aqui logo cedo, qualquer coisa nos ligue, aqui estão todos nossos telefones — diz sua mãe me abraçando fortemente. 
— Vamos, nos vemos amanha Holly — diz Logan me cumprimentando seguida de Lola e seu irmão.
— Ei Holly, tenho certeza que Charlotte ficara muito feliz em te ver quando acordar — diz Nastya sorrindo de lado e saindo.
— Cuida bem da nossa garota — diz o mestiço me surpreendendo com um abraço de lado me deixando sozinha com Ashlee.
— Você é bem insistente — diz sorrindo sem graça.
— Ashlee obrigado por vir comigo — digo lembrando o que fez por mim e a abraço a fazendo retribuir.
— Estou aqui pra isso, tente comer algo não quero que pegue alguma doença por baixa imunidade — insiste batendo na minha testa.
— Tudo bem, obrigado — digo a fazendo sorrir de lado.
Então se vai me deixando sozinha encarando o corredor silencioso do lugar e me sento em uma poltrona sem se quer pensar em dormir e fico ali imaginando o que estaria Charlie nesse momento pensando se tivesse consciência do que estava acontecendo. Respiro fundo e tento imaginar que tudo estava bem a cirúrgica foi perfeita ela está bem, e no mesmo momento me levanto rapidamente para olhar a janela onde havia uma enorme avenida logo abaixo, onde carros passavam correndo pessoas atravessando a faixa de pedestres ali todos com suas próprias preocupações todas correndo para seus compromissos, enquanto aqui no hospital pessoas que corriam perdiam um por do sol lindo, um momento sozinhos com a família e ate que fazia sentido pensar assim. Corríamos para o que afinal?
Minha cabeça não colaborava uma enorme dor de cabeça tomava conta de mim e bebo água sendo a única coisa que eu conseguia ingerir no momento e volto a olhar para o quarto esperando uma troca de turno de enfermeiros para poder finalmente ficar ao lado de Charlie. A ansiedade tomava conta de mim apesar de ter em pensamento a palavra “respira” o tempo todo dando alertas, pois eu precisava muito ter cuidado comigo mesma para não surtar coisa que achei que já havia feito faz-se tempo.
 
Depois que entrei soube que haviam retirado seus aparelhos porque ela podia respirar sozinha o que me deixou muito feliz por saber que teve uma leve melhora, então fiquei a observando e nesse tempo observando seu rosto eu decidi que era o mais lindo de todos, mesmo cheio de hematomas. Charlie era linda e eu sentia o coração acelerar irregular somente por saber disso, sem dúvida eu já não conseguia esconder de mim mesma o que eu sentia eu tinha que contar para ela. Estava esperando ansiosamente que ela acordasse e a encarei novamente da poltrona ao lado de sua cama, ela por sua vez continuava imóvel sem dar sinal algum que havia acordado e aquilo me torturava, tentei me convencer que ela estava dormindo apenas e que logo iria acordar e me fazer sorrir como sempre fazia, eu só queria ela.
O quarto estava escuro apenas com um faixa de luz que vinha do corredor de fora por ser madrugada e talvez eles sempre desligassem as luzes neste horário, eu com o corpo dolorido da poltrona me levantava para olhar o corredor vazio, os enfermeiros quase não passavam e eu me sentia incomodada porque podia precisar deles e voltava para o quarto encarando a cama para ver Charlie do mesmo jeito que estava, eu não podia ficar junto a ela mas convenci os médicos a me deixarem para não deixá-la só e por algum motivo eles se entreolharam e concordaram. Era uma tortura cada minuto, cada troca de soro ou medicamentos fazer perguntas e todos responderem a mesma coisa “ No momento é só o que podemos dizer”. Isso me deixava sem ter o que fazer ou pensar era real e eu ainda não conseguia entender que ela estava mal e por isso tentei ler alguma revista que estava ali e continuei focada na cama.
Sem perceber eu havia desmaiado de sono e acordei no susto com um enfermeiro trocando algum soro, o mesmo nem se quer deu atenção para mim, apenas saiu assim que concluiu seu trabalho e então me levantei rapidamente para ficar ao seu lado fazendo carinho em sua cabeça e beijei sua testa ficando ali alguns minutos em pé deitada no seu peito, sentindo sua respiração e imaginei haver movimentos vindo dela e me convenci que está ficando louca e continuei quieta apenas distraída quando vi sua mão se mover e tive certeza que moveu então me coloco a encara-la e no minuto seguinte seus lábios contraem no que se parecia um sorriso, bestificada continuei a olhar para a garota que moveu novamente as mãos, até eu segurar suas mãos e sentir elas apertarem meus dedos, eu não sabia se chorava ou gritava de felicidade.
— Charlie você pode me ouvir ? — digo a encarando de olhos fechados — me desculpa por tudo o que fiz eu nunca tentei te afastar de mim — digo a encarando novamente — olha você mudou minha vida e eu sou muito grata a tudo o que fez, me ajudou quando mais precisei — tento não chorar mas meus olhos marejavam sem dar trégua — desculpa por brigar com você e dizer que fez de propósito tudo aquilo — digo lembrando da nossa conversa que eu briguei com ela por achar que ela estaria me usando como fazia com várias outras garotas iguais a mim. 
Respiro profundamente e continuo segurando sua mão no meu peito chorando por querer ela ali conversando comigo daquela maneira que fazia me olhando e sorrindo boba para mim, daquela maneira entusiasmada me contando coisas sobre motos ou ate mesmo as vezes que me roubava beijos delicados e me fazia sorrir de volta a beijando do mesmo modo, causando um ataque de risos em ambas. Cada brincadeira boba que fazíamos juntas e todas as vezes que eu pensava nela e ela me ligava Charlotte ali daquele jeito não era a mesma pessoa e eu já não aguentava, queria minha garota de volta o peito queimava e o ar sumia.
— Por favor Charlie acorda eu tenho tanta coisa pra te contar — digo me debruçando sobre seu corpo — você é a pessoa mas importante da minha vida eu preciso de você, quem vai me resgatar do hospital com uma moto veloz, quem vai me olhar com toda sinceridade e me beijar, quem vai estar lá quando eu surtar sozinha e vai me fazer carinho ate passar ?— resisto chorando apesar de não querer fazer isso perto dela — o motivo de cada sorriso meu é você, eu sinto muito por nos afastarmos, eu não queria as coisas só estavam complicadas pra mim eu estava assustada — explico vendo se ela reagia de qualquer maneira podia ate mudar o jeito que estava respirando — Charlie você foi a primeira garota que me beijou e eu te...— escuto um som que parecia um grunhido extremamente baixo e a encaro — Charlie eu te... — digo voltando a encara-la e por alguns segundos tudo é quieto eu deito em seu peito e volto a apertar sua mão mais forte e eu volto a encarar assustada ouvindo o que se parecia sua voz minimamente baixa, olhei para os lados tentando não ser enganada por minha cabeça que queria me pregar peças.
Fico a encarando ao seu lado e eu sinto uma coisa ruim não sei como ou porque a encaro assustada tento parar de tremer e respirar irregular com isso ficar o mais estática possível, não tinha movimentos vindos dela nem o de respiração e desesperada tento me acalmar e dizer que aquilo era coisa da minha cabeça e volto ficar ao seu lado segurando suas mãos incrivelmente gélidas e meus olhos queimam, eu não conseguia entender o que estava acontecendo, eu só senti meu peito disparado, eu olhando para ela em busca de algum sinal e fico parada para finalmente perceber que não era coisa da minha cabeça, eu imediatamente coloquei minha cabeça sobre seu peito e não consegui ouvir seu coração eu achei que era loucura, estava louca e fui tomada por pânico.
— Eu vou chamar alguém fica ai — digo desesperada nem notando que não havia possibilidade dela conseguir essa proeza e corro até o primeiro plantão que vejo praticamente gritando que tinha alguma coisa errada e dois enfermeiros vêm comigo me encarando como se eu fosse louca.
Os dois correm até o quarto e os sigo vendo seguir até a cama e começarem a examinar a garota e fazer perguntas que por minutos não foram respondidas os fazendo me encarar como se eu tivesse os chamado atoa por algo que achei que aconteceu mas não era verdade,  me convenci indo ate seu lado e segurando sua mão gélida e os dois me pediram para sair da sala imediatamente e eu me recusei querendo entender qual era o problema, se isso era uma coisa boa e relutante sou retirada por três técnicas de enfermagem que precisaram fazer muita força para me removerem e finalmente me colocar de volta a sala de espera e meus nervos simplesmente explodem encarando-os enraivecida por estarem me afastando dela. Imediatamente ligo para os pais dela para que venham aqui pois tinha algo acontecendo e eu não podia ficar mas sozinha ali pois iria acabar sendo presa ou quebrando algo, assim de imediato sou respondida, estavam a caminho do hospital.
Se passaram infinitos minutos eu já havia sentado e levantado das poltronas mil vezes e perguntado para qualquer um uniformizado que passava o que estava acontecendo e ninguém dizia nada, eu só queria fazer algo para ajudar, até comecei me arrepender de ter os chamado porque poderia ter ficado com ela mais tempo e terem me afastado dela me deixou furiosa e preocupada. O pensamento que dominava minha mente era o de seguir por aquele corredor para vê-la novamente, foi quando vi os dois enfermeiros voltando e um deles se aproximou de mim e eu já sentia o pânico me dominar eu ouvi de sua boca as palavras mas dolorosas da minha vida e quase como se tivesse comido algo estragado meu estômago embrulha e sou auxiliada até a lixeira mais próxima, eu não tinha o que vomitar a não ser água e sangue e minha garganta seca rudemente me causando um amargo na boca. Por cinco minutos encarei o enfermeiro e logo depois o corredor, então a fixa desfocada começava a cair, eu tinha que resistir mas meus olhos já transbordavam e na minha garganta um grito profundo se formava. Não sei o que aconteceu, não sabia explicar minha dor, mais infinitos minutos chorei sem me controlar, minha cabeça estava explodindo meu corpo doía e eu não conseguia acordar desse terrível sonambulismo, eu estava acordada tendo um pesadelo mas dormindo vivendo a realidade. Essa era a única explicação possível.
— Holly você quer se explicar ? — pergunta uma voz que mesmo com as mãos entre meus ouvidos identifico como Julie
— Eu tentei vir assim que soube mas meus pais não permitiram que eu viesse sozinha, esperei tia Julie vir atrás de você — explica uma segunda voz me apavorando — como está Charlotte ? — pergunta desesperada.
— Hilary quis vir — explica Julie.
— Holly o que ouve ? — pergunta outra voz que reconheço como Lola e minha cabeça aos poucos se levanta causando um choque em todos já que eu deveria estar péssima.
— O que ouve Holly ? — pergunta Logan com um tom mais desesperado.
Meus olhos voam de um em um, cada olhar ali me matava e meu peito queria explodir, eu não queria ser responsável por aquilo não queria que viesse da minha boca, olhei para sua mãe e senti como se estivesse vendo minha própria mãe quando me reencontrou depois da minha internação, mas era diferente era agonizante e torturador de imediato, respirei profundamente e em seus olhos eu vi a dor, aquele olhar significava que ela já sabia, só precisa ouvir de mim, eu não segurei minhas lágrimas e desabei caindo na poltrona soluçando sem parar, senti Hilary captar meu olhar e sua boca se abriu e fechou, assim me peguei encarando Ashlee que olhava para o corredor e tive que fazer o mesmo lembrando qual quarto ela estava e a agonia tomou conta de todos.
— Charlotte está como? — gritava Logan para mim e eu não podia se quer olha-lo nos olhos.
— Pelo amor de Deus Holly o que aconteceu, você está deixando todos preocupados — diz Julie se ajoelhado ao meu lado.
— Charlie  — digo com certa dificuldade meus soluços eram altos e roucos.
— Não ouse dizer mais nada — Lola grunhe caindo em lágrimas. 
— É mentira você está mentindo — diz sua mãe me sacudindo mais eu continuo negando com a cabeça desabada.
Holly — Hilary me olha com olhos vermelhos e eu respiro fundo para botar fim naquilo tudo.
— Charlie nos deixou — digo falha e todo explode, eles desabam eu já não aguentava e me deixo cair nos braços de Julie buscando algum tipo de conforto que eu não sabia se era possível existir.
Na minha cabeça passa um filme preto e branco e como se propositalmente o cérebro trabalhasse para me fazer lembrar de tudo o que eu tinha passado junto a ela começou a rodar de forma rápida e cada segundo que passamos juntas ficaram disparando na minha frente, eu queria gritar, eu queria chorar, eu queria morrer junto, eu queria não sentir aquela dor que sentia, queria ter dito o quando ela era importante para mim e eu sinto meus olhos pesarem mil toneladas e meu corpo pede ajuda e caí sem tocar o chão, eu estava flutuando.
 
Acordo em uma sala escura ouvindo o som de mini games apitando e sei que não era isso e sim aparelhos hospitalares , estava escuro e gelado olho para os lados e minha vista parece lutar contra a escuridão ate se adaptar e aos poucos procuro algum sinal de vida, mas não havia ninguém a única luz que eu via era do corredor atrás da porta que eu estava e rapidamente me apoiei  no colchão para encarar todas aquelas coisas ali em minhas veias e as tirei imediatamente colocando os pés no chão, encontrando meus tênis ao lado da cama e os calço lutando para manter o equilíbrio aquela maldita dor de cabeça estava me impedindo de pensar, a única coisa que lembro era de ver o sorriso de Charlotte e naquele momento me lembrei do ocorrido deixando as lágrimas me transbordarem vou me apoiando ate a porta sentindo o peito novamente palpitar e caio de costas para a porta pensando em como estariam todos nesse momento e um misto de agonia e luto fraternal me possui me fazendo agonizar com falta de ar. Charlie estava ali na minha cabeça me torturando e logo todos os fatos voltam.
Me lembrei da nossa primeira conversa.

Quando levanto meu olhar pego ela me encarando de modo diferente de como as outras garotas estavam olhando na festa, mesmo ela olhando para minhas roupas como as outras, esta tinha um olhar bem diferente, era quase como se estivesse gostando do que estava vendo, assim ela não se importou de continuar olhando mesmo depois que me pegou a encarando. Ela invés de parar continuou abrindo um sorriso longo em seguida apoiando a mão no queixo.
— Você deve estar se perguntando o que estou fazendo aqui certo ?! — digo baixinho.
— Com toda certeza você não pertence a este lugar — zomba — então me diga qual seu interesse ? — pergunta cruzando as pernas.
— Eu não sei bem na verdade — tento sorrir mas nesse momento vejo que eu realmente fiz uma enorme besteira e tinha que voltar urgentemente para casa — eu vou embora — digo me levantando.
— Se mudar de ideia — diz me fazendo virar para encara-la — suba lá encima — aponta — as coisas são mas interessantes — pisca me fazendo engolir a seco.

Me lembrei da nossa primeira provocação já que tudo havia sido tão intenso naquela festa que eu jamais poderia ter esquecido.

— Eu esperava que entrasse na roda — diz vindo na minha direção.
— Melhor apenas observar — tento explicar nervosa.
— Se sente desconfortável ? — pergunta se aproximando.
— Um pouco — admito.
— Já beijou antes ? — pergunta se aproximando mais um pouco ate estar do meu lado.
— Sim — respondo já que era verdade eu já tinha beijado pelo menos três garotos diferentes, todos na minha primeira chance no baile de outono que papai não quis me deixar vir, mas tia Julie o convenceu que era importante pra minha recordação na oitava série..
— Digo, já beijou uma garota ? — pergunta segurando minhas mãos.
— Não.
— Eu queria você na roda — explica grudando seu corpo no meu — talvez isso pudesse mudar — diz beijando meu pescoço me fazendo tremer ao toque.
Então sem dizer nada ela se vira para sair, aquele momento poderia mudar tudo e eu sabia daquilo, eu estava me sentindo toda eletrizada como se acabasse de encostar-se a uma cerca de choque e penso que era loucura, mas meu coração estava disparado nem mesmo com os garotos eu senti aquilo nem por um segundo, tinha alguma força sobrenatural dentro de mim prestes a explodir eu não senti vontade de afastar ela e nem de deixa-la ir eu queria que ela ficasse eu queria descobrir o que era aquilo que eu estava sentindo.
— Porque queria que eu estivesse lá ? — me atrevi a perguntar a vendo parar e se virar para mim sorrindo.
— Quer mesmo saber ? — pergunta se aproximando de novo.
— Acho que sim — explico me encolhendo pela proximidade que ela estava criando entre nós duas.
— Você é tão linda — diz colocando meus fios de cabelos para trás da orelha.
— Obrigado — digo olhando para baixo — você também — digo sincera ela era linda com cabelos castanhos com ondulações e um sorriso branco maravilhoso.
— Queria ter a oportunidade de te mostrar algo diferente — diz puxando minha cintura me causando outro choque.
— O que seria ? — pergunto me encolhendo, mas ainda com ela segurando minha cintura e me grudando na mureta da varanda.
— Algo que nunca vai esquecer — continua beijando meu pescoço causando uma sensação de desconforto no meio das pernas — eu prometo que não vai se arrepender — diz em meus ouvidos mordendo o lombo me fazendo gemer baixinho alimentando o que ela estava fazendo porque ela havia ouvido.

Lembrei da primeira vez que nos confrontamos por achar que tudo o que ela fez foi porque queria algo de mim, naquela festa e que não se importava comigo e porque eu era egoísta demais para perceber que ela se importava comigo.

— Ei tudo bem é normal se sentir assim no começo eu passei por isso também — diz me abraçando de lado.
— Eu estava sozinha e confusa porque você não me procurou? — perguntei sentindo meus olhos arderem.
— Eu tentei... juro que tentei eu não sabia seu nome — tenta dizer mas acaba se enrolando toda.
— Poderia tentar mais — murmurei.
— Eu perguntei para cada uma das pessoas que estavam naquela festa se sabiam quem era você, mas ninguém sabia me dizer era como se você fosse um fantasma eu cheguei a achar que aquilo foi um sonho meu — explica apressadamente.
— Claro eu era desconhecida sempre fui um vulto para todo mundo — mais lagrimas.
— Pra mim não, eu te vi aquela noite e desde então não consegui te tirar da cabeça — diz segurando meu rosto para limpar minha lagrima.
— Porque eu? porque? tinha varias outras meninas naquela festa mas você teve que querer a garota estranha — reclamei.
— Não te achei estranha te achei linda e por ser diferente das outras eu me interessei por você — ela me olha e sorri de forma verdadeira eu via em seus olhos.

Meu peito arde com as lembranças me tomando mesmo com tudo o que havia ocorrido eu não havia esquecido nenhum detalhe de cada parte delas o que cortava meu coração, esmagava meus nervos e me fazia sofrer calada, sentada naquele chão frio podia ouvir o timbre de sua voz, podia sentir seu perfume eu conseguia senti-la me envolver em um abraço.

— Boa noite Holly — diz com a voz em um tom baixo.
— Boa noite Char — digo.
O local fica em completo silencio e ela não se mexe imagino que já deve ter dormindo embora seja impossível pegar no sono tão rapidamente, nesse silencio fico pensando na festa nas garotas e como meu dia havia sido produtivo como encontrar Charlotte havia sido bom para minha mente. Agradeci aos céus por ter consigo desabafar o suficiente para que isso por um tempo não me atrapalhasse.
— Char?
— Sim?
— Se importa se eu te abraçar pra dormir? — pergunto me virando para encara-la.
— Eu estava quase pedindo o mesmo — brinca com as mexas do meu cabelo — vem aqui pequena — diz me puxando para mais perto.
— Temos a mesma altura — digo colocando a cabeça em seu peito.
— Eu sei mas eu gosto de apelidos carinhosos — diz me apertando com mais força.
— Este é fofo — digo colocando a mão na sua cintura e apertando — muito obrigado — agradeço.
— Eu que agradeço, durma bem — diz.
— Durma bem.

Lembro da sua casa me lembro a primeira vez que admito algo para mim mesma que precisava falar e essa doía demais, Charlie havia me levado para sua casa e estávamos de saída.

— Está sendo boa comigo, afinal o que sente por mim? — caminha na minha direção.

— Acha que quero algo em troca? — questiono.

— Ignora a primeira pergunta então vamos logo para a segunda — diz me colocando contra a parede pela milésima vez desde que nos conhecemos.

— Eu não sei te responder — digo sincera.

Ela segura meu rosto e com a ponta dos dedos faz com que nossa distancia diminua rapidamente, assim sua respiração bate no meu rosto me fazendo vibrar meu coração estava disparado e dessa vez eu não sabia o que fazer porque parecia que o mundo estava desabando e tudo o que conseguia fazer era me aproximar mais permitindo que nossos lábios se chocassem me fazendo gemer com o fervor que nos corpos se colaram, ali uma disputa entre nossas línguas começou para ver quem tinha mais controle sobre a outra. Mesmo que eu tentasse resistir eu não conseguia eu queria ser dominada, eu queria que ela me guiasse precisava daquilo meu peito não havia batido tão rápido como estava batendo naquele momento, afinal queriam um motivo para eu ter certeza e ali estava Charlie mostrando todos os que eu precisava, eu era dela desde o começo e agora não poderia ser diferente.

Logo sou tomada por um cerco de segurança, eu me lembrava bem daquele dia o quanto eu estava assustada o quanto eu precisava de ajuda e como eu queria escapar daquele lugar e escuto um grito aos fundos.

— HOLLY SOBE AGORA ! — grita uma voz feminina que reconheço então sua moto entra no meio do circulo e agarro sua mão estendida me atirando praticamente na garupa e ela sai rasgando em uma velocidade incrível fazendo os vidros dos carros tremerem.

Lembro de um ataque a sua casa uma mulher de vermelho meu pai lembro dos olhos marejados da garota e de desespero em sua voz, aquela imagem dela me doía como não nunca antes, eu mal podia querer vê-la daquele jeito.

— Holly corre ! — grita Charlie com uma voz que eu nunca tinha ouvido antes.

— Por favor corra — implora começando a chorar desesperadamente então eu a olho nos olhos e corro .
  


~


Meu peito ardia por estar vendo todas as garotas ali todos meus amigos juntos comemorando minha volta a casa, meu aniversário estava sendo ótimo com todos aqueles presentes Hilary ali me abraçando, Daphne fazendo piadinhas com Ashlee, Mckenna e Taylor rindo daquilo, Megan me olhando por vários minutos seguidos sem me temer e ali estava feliz novamente até ouvir um ronco de moto e meus olhos imediatamente vão para a porta meu pulso saltou e eu sabia que atrás daquela porta estava minha Char ,ela entra na casa com os olhos vagando todos os cantos em busca de mim, eu mal acreditava que estava vendo dela novamente e quando nos olhos colidem sinto que o coração errou a batida afinal ela era minha salvadora e corro para me jogar em seus braços o lugar que eu me sentia mas segura no mundo ela me abraça com força e chora baixinho seu calor estava me dominando eu estava tão feliz por vê-la novamente e imaginei que ela também.
— Me perdoa por ter deixado que te levassem, me perdoa pequena — diz a mais velha repetidas vezes com a voz rouca de tanto chorar.
— Char — digo fazendo a mesma me encarar surpresa — fica comigo apenas — digo limpando as lagrimas dela com certa delicadeza.
— Eu juro que nunca mas vou te deixar — insiste segurando meu rosto com as palmas das mãos e então me abraça forte de uma maneira que me faz ficar completamente aliviada e me sinto segura em seus braços.

As palavras tinham um peso tão diferentes no meu peito cada uma representava uma coisa avulsa, eu respirei fundo e me lembrei dos intensos olhos castanhos me encarando enquanto eu olhava para o horizonte do píer que estávamos no nosso primeiro encontro oficial, a forma como ela me olhava, me deixava sem graça pois era como se tivesse raio x que atravessava meu corpo, era o poder dela sobre mim, pois nos conhecíamos a pouco tempo e ela já parecia me conhecer a séculos.
Cada carinho que me dava e como dizia coisas lindas para mim me encantava eu amava a forma que me elogiava e me beijava brincalhona querendo que eu entrasse em seu jogo, empurrava ela toda vez que falava de motos pois parecíamos conversar em grego eu não entendia, mas ouvia cada palavra prestando atenção na sua empolgação que me lembrava de crianças quando falavam sobre seus brinquedos preferidos. Seu sorriso me despertava tanta coisa estranha mas era por que eu não sabia o que significavam eu sabia que eram boas. Charlie me deixava feliz apenas sorrindo sua energia e presença era mais forte que qualquer droga que existia e eu amava senti-la gostava de suas brincadeiras, de seus beijos e de ter ela para mim ali quando eu precisava.
Minha cabeça bate com força contra a porta e a ultima das milhares de lembranças que se passaram na cabeça chega me destruindo, eu me lembrava de estar dormindo e ouvir o celular tocando eram tarde da noite e eu me perguntava quem estaria a essas horas me ligando e prestes a surtar de raiva atendo ainda muito sonolenta pego ele da cabeceira e atendo pronta para confronto.

— Hum...alô 
— Oi Holly sou eu Charlotte — diz do outro lado da linha me fazendo dar um pulo imediatamente.
— Ah oi Char eu não vi seu nome aqui na tela minha vista da desfocada — digo bocejando por conta do sono e esfrego os olhos com as costas da mão para poder enxergar a tela e ver seu nome.
— Estava dormindo? Me perdoe eu não queria te acordar e... — ela diz desesperada me fazendo rir.
— Ei, está tudo bem eu só tinha cochilado — a interrompo.
— Serio que não é um incômodo ? — pergunta de forma engraçada.
— Claro que não eu precisava saber notícias suas — digo percebendo a mesma nervosa do outro lado da linha.
— Notícias minhas ? — repete com um tom mais doce imaginei que estivesse sorrindo.
— Sim, me diz como está ? — respondo alegre por isso.
— Eu...quer dizer...es...estou... — gagueja me fazendo rir pelo nervosismo que ela estava por uma simples pergunta minha.
— Hilary me disse que está em Nevada para algum tipo de corrida para patrocinadores — digo me lembrando do que minha amiga disse quando a encontrei por ai.
— É um campeonato de patrocinadores, serve para eles verem as equipes e ver quem tem mais potencial e eles vão querer patrocinar — explica agora firme.
— Isso é legal , mais onde está ? — pergunto interessada pois isso não era uma coisa que eu via todo dia.
— Na Fabulosa Las Vegas Baby — anuncia ela de maneira engraçada e caio na gargalha pelo modo fofo que ela falou e logo depois me dou conta de outra coisa.
— Cidade bonita, vários cassinos, bebidas e estou me esquecendo de algo ? Ah sim mulheres — digo rápido o que penso antes de me interromper pois iria parecer ciúmes.
— Bem tem muitas mulheres bonitas sim — diz como se fosse me provocar
— Pena que nenhuma delas se chama Holly — digo soando um pouco mas egocêntrica do que eu realmente queria que soasse e me arrependo logo em seguida ouvindo um silêncio vindo do outro lado da linha  — está ai ? — pergunto preocupada se tinha dito algo errado.
— Estou — diz rápido me fazendo respirar finalmente.
— Ótimo, estou com saudade — digo sincera por que estavam os longe tinha um tempo e eu realmente sentia sua falta.
— De mim ? — diz com a voz alterando o tom o que quase foi inaudível.
— Na verdade não — a interrompo de qualquer jeito  — da sua boca na minha — completo sem pensar em nada apenas em dizer o queria mesmo.
— Quando eu voltar podemos resolver isso — Charlie diz soando convincente.
— Me mantenha informada sobre as corridas e cuidado na pista — mudo de assunto lembrando que eu tinha algo muito importante para lhe contar  — e Char — digo sentindo que as três palavrinhas não fossem sair.
— Pois não — ela reforça esperando ansiosamente me fazendo respirar para buscar fôlego.
— Volta logo — digo batendo em minha cabeça pois não era aquilo que eu queria lhe falar mais ela pareceu não perceber.
— Volto sim algum pedido a mais ? — pergunta.
— Bem, tem um sim — zombo ainda tentando criar coragem de falar.
— Qual ? — perguntou mostrando curiosidade.
— Fica longe dessas mulheres — digo sabendo que não conseguiria e deixo meu ciúmes me dominar invés disso.
— Vou pensar a respeito — diz como se tivesse bancando a difícil para mim.
— Não tem que pensar tem que agir — resmungo irritada com sua postura o que fez a mesma rir de mim — haha engraçadinha — grunho brava
— Tudo bem não me bate — zomba ainda rindo.
— Ok , eu vou indo tenho escola amanhã e sabe como é ruim dormir na sala de aula durante uma explicação sobre a segunda guerra mundial — zombou lembrando que teria que acordar em algumas horas e não havia descansado ainda.
— Tudo bem, durma bem pequena — diz parecendo um pouco chateada comigo.
— Obrigado por ligar eu precisava mesmo ouvir sua voz — agradeço já que precisava mesmo ouvir a sua voz e matar a saudade.
— Ah sim por nada eu também queria ouvir a sua — diz feliz do outro lado da linha me fazendo disparar o peito.
— Boa noite Char ,ganhe tudo e volte logo estou te esperando — digo parando para pensar se eu falava para ela logo o que eu já não aguentava mas segurar e me convenço que seria melhor dizer quando ela estivesse aqui comigo.
— Estou indo o mais depressa possível — brinca me fazendo rir e sair dos devaneios.
— Tchau Char — digo com o peito doendo por cada despedida para mim era difícil e achei que era drama meu e pensei que a próxima vez que nos falássemos eu iria contar o que sentia
— Tchau pequena  — escuto sua voz ficando distante até o telefone apitar mostrando o fim da ligação.

Suspiro lembrando de como seu tom de voz era bonito de como brincava comigo na linha e meu coração está se partindo em cacos e se espalhando. Eu nunca mas veria aquele sorriso bobo para mim. nunca mas ouviria um pequena, nunca mas seria envolvida por aqueles braços acolhedores, nunca mas poderia dizer que eu era tão feliz ao seu lado e que era orgulhosa o suficiente para dizer que estive errada muitas vezes e que eu havia aprendido muito com sua experiência que já estava com saudade e que eu não consegui dizer o que sempre estava evidente para as duas aquele tempo todo. Olho para o teto em busca de invadir outra dimensão de trazer ela de volta para mim era injusto ela me prometeu que ficaria e não havia ficado. Me levanto encarando meu reflexo sem vida na janela e soco a mesma a quebrando, meus olhos queimam e meu corpo começa a explodir, eu tinha sido uma estúpida esse tempo todo eu poderia ter dito várias vezes, mas nunca me senti segura o suficiente agora eu via ela indo e nunca mas voltando, sentia raiva por ela ter ido, não era a hora dela, não podia ter acontecido eu reclamava em meu consciente que isso era insano e não era real era uma droga de pesadelo, olho para minhas mãos tomadas pelo sangue do vidro e começo a socar a parede sem sentir dor ou angústia, mas sim raiva porque eu odiava injustiça, ela não tinha que ir não era a sua hora repito sentindo que agora minhas cordas vocais queriam ser usadas eu não podia fazer nada a não ser chorar e gritar de dor eu precisava de Charlie eu precisa dela agora eu sentia muita dor era algo que tinha certeza que era psicólogo, mais existia de verdade e sabia que minha vida a partir daquele momento havia voltado todos os degraus que eu havia alcançado, tinha caído de uma altura enorme e não sabia se tinha estrutura para voltar a subir.
Mais uma vez eu estava caindo em um poço fundo e dez a vez senti que era diferente era mais profundo mas difícil escalada e sem Charlie eu não iria me levantar, a dor era enorme eu já tentava não imaginar como seria sem ela. Achava egoísmo continuar tentando quando um dos principais motivos havia sido apagado, minha âncora tinha se desprendido e afundado no fundo do oceano se perdendo, deixando meu navio a derivas, sem rumo sem certeza de que voltaria a ancorar em algum lugar, afinal eu não tinha conseguido dizer o que sempre quis eu precisava dizer minha angústia me dominou eu sentia tanta culpa, tanta raiva, tantas coisas , definitivamente perdida nos pensamentos, queria me lembrar de como aquele sentimento dentro de mim era lindo e que algum dia eu encontraria forças pra continuar. Me sentei no chão e chorei sem derramar uma lágrima, meu coração que chorava e tinha um buraco negro me sugando de dentro pra fora. Char nunca saberia que eu a amava com todo meu coração


Notas Finais


R.I.P Charlotte


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...