História Traga-me aquele horizonte - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bringmethehorizon, College, Girls, Lesbians, Lesbicas, Livros, Old, Saga, School
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Palavras 6.890
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


⚠️ Esse capítulo é um dos SAD/PHYSICAL ⚠️

Capítulo 16 - A casa dos lobos


Fanfic / Fanfiction Traga-me aquele horizonte - Capítulo 16 - A casa dos lobos

Abotoei a blusa e encarei meu reflexo no espelho, não sabia se colocaria o cabelo para trás da orelha ou deixaria a franja nos olhos e me convenci que assim seria melhor. Respirei fundo bebendo um gole grande de whisky e soltei o ar voltando ao passo anterior terminando de botar meu sobretudo negro e me sentindo estranha me encarei novamente. Era para ser um dia normal na escola ou em casa, mas na verdade era um inferno a quilômetros de Los Angeles e uma onda de agonia no meu peito.

Assim que eu fui retomando consciência depois de passar a noite toda acompanhada de garrafas, me vesti e me preparei para sair do hotel ate um cemitério. E não relutei em beber um pouco mais pois não queria ter consciência do que estava acontecendo, queria fugir da realidade porque ela estava machucando e me deixando aos pedaços, tudo aconteceu tão depressa que eu quase nem pude acompanhar os acontecimentos.

Fui caminhando pelas ruas ouvindo o som mudo do mundo enquanto me deslocava até o caminho que tinha que seguir, olhei para o céu e um misto de sol e nuvens formavam um dia parcialmente nublado, porém bonito, mas mesmo assim para mim tudo continuava na escala cinza e minha cabeça era inundada de pensamentos aleatórios vozes e questionamentos vindos do fundo da consciência e eu sabia que de algum jeito eu teria que entender tudo aquilo. Olhei para o céu e meus olhos marejaram ameaçando chorar, mas me contive pensando que talvez as coisas já tinham sido definidas e que tudo teria que ser assim desde o começo, mais eu não gostava nem um pouco dessa ideia de começo meio e fim.

Na verdade tudo era confuso dolorido e assustador, eu tinha medo de tudo do mundo das pessoas e das vozes que me diziam que as coisas eram piores do que eu imaginava do outro lado que logo chegaria minha vez. Tentei pensar nisso como uma coisa boa pois eu não aguentava essa pressão, nem a vida, era difícil para mim desde o começo e agora estava pior que antes era como se quando eu tivesse ajeitado tudo e o meu mundo tornou a virar de ponta cabeça e como uma janela de vidro rompendo em milhares de pedaços, senti tudo o que passei e superei se dividindo em varias direções diferentes. Eu tinha medo de como seria daqui pra frente pois não sabia como iria superar e se iria, pois meu único ponto de equilíbrio havia ido embora me deixando desconfiada de todos, de tudo e o pior eu senti que junto havia levado um pedaço muito importante de mim. 

Eu queria muito uma arma para colocar dentro da boca e puxar o gatilho, queria um veneno o mais poderoso do mundo, queria apenas não precisar acordar mas de tudo aquilo. Dói por eu não saber o que fazer, dói porque eu queria fazer algo e não podia, dói porque me sinto triste e desesperada por explicação ou razão que mostre porque desta forma eu tenho perdido a pessoa As importante da minha vida. O sentimento de perda era horrível quase como um próprio tiro na própria nuca, só que que com o tiro você morre e com a perda você vive para todos os dias se lembrar que perdeu e nunca mas terá de volta aquilo de mais precioso que tinha.

(...)

Chego ao meu destino vendo uma grande movimentação de polícia e pessoas em frente a uma pequena capela na cidade de Culver, estava acontecendo, penso comigo mesma. Do lado de fora via-se uma grande movimentação de motos de todos os tipos e pessoas notei que seguravam pôsteres de Charlotte, de motos da equipe e notei que eram fãs e amantes de motos, corridas e seus próprios fãs e respirei fundo tentando me conter ao máximo que consegui passando pela corrente, paro em frente a capela com portas fechadas e olho para os céus me desculpando por estar entrando daquele jeito e abro as portas sendo tomada por uma chuva de olhares sobre mim, eu não liguei meus olhos pousaram no caixão ao lado de um padre e meus olhos são fixados ali eu não queria ver, eu simplesmente não acreditava, achava que a qualquer momento ela fosse levantar e gritar dizendo que era uma brincadeira, mas na verdade ela nunca foi de fazer brincadeiras e tenho que engolir a seco, aquilo definitivamente estava acontecendo e eu me sentia flutuando em outra dimensão.

— Holly vamos — Tia Julie me puxa até a frente me colocando ao seu lado, meus olhos permanecem fixos em um único lugar.

Mesmo com o barulho lá fora podíamos todos ouvir um choro angustiado vindo do lado de dentro. eu sabia que era de sua mãe chorando ao lado do marido e filhos, então se inicia palavras sábias de um senhor com uma bíblia e todos se calam e a escala zero me atinge, olho para cada rosto de amigos e familiares e sinto que estou quebrando mais e mais, queria fazê-los pararem e os confortar mas prefiro ficar travada pensando o que tinha acontecido comigo, meus olhos ardiam e se mantinham fechados, eu não queria olhar, não queria ouvir, não queria me sentir quebrada.

Cada segundo durou uma eternidade eu vi cada rosto sofrendo ate mesmo aqueles que não conheciam nem metade da essência dela e chegava ser injusto sofrerem por ela. Mesmo evitando eu derramei lágrimas silenciosas, buscando diminuir mesmo que minimamente minha dor no peito e a vontade de socar tudo a minha volta, apenas peguei meu sobretudo um pequeno recipiente e tomei mas alguns goles do líquido que descia rasgando minha garganta e continuei ali parada, mesmo quando todos se dirigiam para fora levando consigo minha garota e parada encaro o símbolo de Jesus na cruz e caminho lentamente até ele o encarando, naquele momento eu vi um deslumbre do meu futuro e ri sem humor dando as costas para a imagem seguindo a multidão, Julie me puxou ate onde Hilary estava e vou me afastando, eu não queria ficar perto de ninguém precisa de um tempo para entender tudo e respirar.

Encaro somente o caixão sendo posto no carro e então um estrondo como trovões se estende por quilômetros quando é ligado o motor de uma moto preta com uma garra e todos fazem silêncio ouvindo os estragos da aceleração, aquela que eu reconheceria de longe. Jack o mestiço atrás do carro dela levava sua moto sem monta-la e gritava ordens de comando e vários outros trovões ganham vida fazendo uma verdadeira orquestra de motos e o carro da partida e as motos o acompanham, era barulho demais de motos e acho que era a trilha sonora para sua despedida e assim começa uma fileira de pilotos todos trajados com as cores do uniforme da garota, a seguir o carro com outros atrás, agora sim fazendo uma orla gigante. Em algum momento Julie me puxa para o outro lado e entramos em um carro seguindo outro que imaginei ser o dela era isso estávamos guiando o carro dela, meu peito era tomado por varias sensações diferentes variações de agradecimento com pura angústia, fixei meus olhos olhando para a janela observando o caminho silencioso, para mim é cada vez mas difícil, estava chegando a hora da despedida.

Desde as palmas orquestradas ate os últimos gritos de campeã e as ultimas palavras de amigos fãs e familiares, um senhor careca chorando e uma mãe inconsolável eu estava ali a quilômetros de distância observando de longe tudo aquilo. Sentada em uma lápide qualquer fumando um cigarro esperei ate chegar minha vez de me despedir, mesmo com uma dor terrível vendo o caixão sendo abaixado me contive em esperar, e quando restava apenas a chuva e a noite se aproximando me levantei pensando se tudo o que eu pensei ainda estava na minha cabeça para executar perfeitamente meu discurso e lentamente me aproximo do nome icônico ali Charlotte Di Achmelvich Alekevna, excelente filha, leal companheira, ser humano indescritível a campeã das campeãs, nosso anjo da guarda, nossa eterna Valentina, cinco de fevereiro de mil novecentos e noventa e sete, três de novembro de dois mil e doze.

Fiquei ali encarando a legenda e eu poderia escrever mil coisas para completar, mas eu não queria lembrar de todas qualidades que eu perdi e achei que acabou, o que eu tinha que falar não valeria mas nada já que ela se foi. A encaro sem dizer nada vendo a chuva engrossar e olho para o céu sentindo meu corpo tremer de raiva, não era a porra de uma despedida, era apenas um até logo. Eu queria me convencer que suportaria isso mas a verdade era que eu já sentia saudade e queria ter um abraço, apenas olho o cemitério vazio e sabia que já era muito tarde, sem olhar para trás me afasto caminhando dando olá para todos o que estavam ali a minha volta e sem pressa trilho o caminho da saída vendo uma moto em frente ao lugar, assim imaginei que um fã obcecado estaria ali ainda inconformado, mas vi que era um piloto, na verdade uma garota e a encarei sentada no meio fio, encarando o vazio tomando chuva como eu e resolvo me juntar a ela para saber porque estava ali ainda.

— Foi tudo muito lindo — diz reparando minha presença, e eu continuo quieta olhando também para o vazio — você deve estar se perguntando o que estou fazendo aqui ainda — me olha e percebo seus olhos vermelhos e ao perceber que eu não iria responder suspira — eu simplesmente não consigo subir na moto e ir embora — sua voz falha e a olho pela primeira vez diretamente e a reconheço como a garota do hospital de voz rouca. Gabbe era seu nome e tento entender porque ela continuava ali, quando ela se curva e baixa a cabeça permanecendo ali um bom tempo ate eu perceber que a chuva abafava seu choro.

De princípio não sei o que fazer apenas continuo a encarando e olho para a rua não muito movimentada, a encaro novamente, seu rosto já inchado sentindo que ela precisa conversar e mesmo eu não querendo nem um pouco ter contato com ninguém, precisava ouvi-la e me inclino dando palmadas em suas costas fazendo a mesma me encarar. 

— Eu não consigo entender isso — diz fungando e me encara — eu me sinto muito mal eu não quero subir na moto porque eu não posso — se lamenta chorando mas alguns incontáveis minutos — eu nunca perdi ninguém, nenhum amigo nem familiar e nem nada — continua — e então lá estou eu correndo e... — se interrompe para soluçar — eu não conhecia Charlotte direito como você ou seus companheiros de equipe, mas eu senti que perdi algo importante e isso machuca demais — explica me fazendo encarar o céu.

— Dor é cruel — digo para mim mesma.

— Essa é a primeira vez que vejo um companheiro de corrida morrer na pista e bem ela não era minha amiga, talvez fossemos rivais, mas eu sou corredora eu senti cada coisa que ela deve ter sentido, eu vivo o que ela viveu  não tem como explicar mas é como se eu a conhecesse desde que ela nasceu, eu senti algo forte quando a vi a primeira vez — muda o tom de voz me fazendo encara-la — eu sei que isso parece loucura, mas eu sinto que não estou pronta para me despedir dela ainda — se lamenta balançando a cabeça negativamente.

— Não te culpo era fácil se apaixonar por aquela garota — digo 

— Estou com medo de ser a próxima ,de ver isso acontecer novamente com algum companheiro meu e temo que eu não possa aguentar isso — explica.

— Você não pode desistir da corrida, isso acontece o tempo todo — digo olhando para meus sapatos negros.

— Não quero passar por isso novamente, eu estava lá e ela passou por mim como um foguete...

— Não quero saber, por favor não fale dela — a interrompo.

 — Lamento sua perda Holly — diz baixando a cabeça — ela estava tão agitada esse dia como se algo a incomodasse, já que não quer ouvir deixo para outra vez, estou indo talvez um dia nos encontramos novamente — diz se levantando e caminhando parando para olhar para dentro do cemitério e volta a caminhar deixando pra trás sua moto e capacete a qual observo e quando volto a olhar para rua ela desapareceu já em meio a tempestade, que eu nem notará que estava ainda caindo sobre meu corpo e me levanto para finalmente me afastar da saudade da garota que amava.

(...)

Tínhamos acabado de desembarcar em Los Angeles quando vi Ashlee no celular parecendo um pouco mas agitada que o normal e me perguntei o que estava acontecendo, ela disse que não era nada,  mas não era isso o que seu rosto dizia e fiquei a observando de longe enquanto tia Julie conversava com Hilary que eu nunca vi tão abatida na vida, era como se ela tivesse ficado noites sem dormir e eu podia imaginar que ela era muito mas sensível que o normal, e aquilo tinha a abalado, por hora deixo que Tia Julie cuide disso porque eu não tinha cabeça para nada a não ser tentar entender o que foi que ouve nas ultimas quarenta e oito horas. Mal tinha conseguido dormir ou comer e agora já tinha outra coisa na cabeça que era Ashlee completamente eufórica sem me dizer o que estava te causando um comportamento apreensivo. Alias todos estávamos, ao entrar no carro via a cara de cansaço e abatimento de cada uma de nós, estávamos horríveis.

Eu a vigiei por vários instantes e achei que talvez seria por causa de seus pais e por quatro dias fora de casa ela estava sentada no banco de trás do carro quando seu telefone tocou e ela o pegou rapidamente como se esperasse aquela ligação de qualquer maneira e a vi arregalar os olhos e prender o ar então eu soubesse que algo estava errado quando olhou diretamente para mim com um ar terrivelmente preocupado então me virei para encara-la sentindo meu pulso saltar aquilo não estava acontecendo de novo mamãe tinha que estar bem ,ela estaria bem sabendo que eu estava com Julie eu tinha certeza.

— Ashlee parece que você viu um fantasma o que foi ? — pergunto fazendo todas nos olharem.

— Holly... — começa a dizer.

— Ashlee o que ouve ? — pergunta  Tia Julie visivelmente preocupada também.

— As meninas não foram para Culver pois estavam no hospital — diz tentando ficar calma.

— O que ouve ? — perguntei rapidamente sentindo meu pulso saltar novamente.

— Eu não sei tinha desligado o celular e aguardava resposta de qualquer uma delas — diz nervosa.

— Ashlee que droga esta acontecendo ? — berra Hilary visivelmente irritada.

— Mckenna está no hospital — diz me fazendo segurar o ar.

— Como assim ? — pergunta Julie a olhando pelo retrovisor e eu me coloco a virar para frente e me afundar no banco sentindo meu coração disparando sozinho.

— Eu não sei elas não respondem estou tentando ligar faz muito tempo — se explica rapidamente mostrando estar preocupada na mesma intensidade que eu.

— Que hospital estão ? — pergunto me virando para encara-la.

— Central — diz.

— Tia vamos voltar — digo apontando a placa de retorno ao centro.

— Não acho que seja uma boa ideia você em hospitais nesse momento — diz me encarando.

— Estamos falando de Mckenna — diz Ashlee me fazendo concordar.

— Tia nos leve até o hospital agora — digo a encarando seriamente e mesmo relutante ela acaba tomando o retorno — tente ligar novamente Ashlee — digo nervosa pois na minha cabeça coisas terríveis e possibilidades diferentes de ser algo grave passavam me dominando e a cabeça já estava fraca, agora estava ficando fora de controle a agonia me dominava e quando eu me lembrei da situação atual de Mckenna, meu peito queimou ela estava grávida e se algo tivesse acontecido com o bebê ? Minha preocupação aumentou o dobro, ficando apreensiva até o longo percurso até o hospital onde eu praticamente me atirei para fora do carro na entrada 

— Holly espera você tem certeza ? — pergunta Julie abaixando os vidros para me encarar.

— Anda Holly não temos tempo a perder — diz Ashlee da entrada me apontando a porta.

— Tudo bem, eu vou com elas — diz Hilary saindo do carro.

— Tia vamos ficar bem — digo correndo junto a Hilary atrás de Ashlee que sumia nos corredores.

As garotas eram mas rápidas devido minha falta de exercícios e eu facilmente fui ficando para trás e esse foi um erro fatal pois eu andava olhando para médicos e pacientes que passavam por mim e tudo ali me lembrava Charlotte mesmo que fossem hospitais diferentes e pessoas diferentes, tudo para mim era familiar como se fosse o mesmo, cada passo era uma dor no peito, era uma lembrança, era como se tudo voltasse a tona e tentei ignorar o máximo focando em só lembrar que lado elas haviam pegado para as seguir, fui as seguindo vendo a cara feia que enfermeiras faziam quando passamos correndo por elas. As garotas pararam de correr apenas para pegar o elevador e segurar para mim entrar olhei para Ashlee que estava visivelmente preocupada e Hilary que mesmo não estando no mesmo nível de Ashlee demonstrava a mesma coisa e encarei meu reflexo no espelho, eu sem duvida parecia uma velha bêbada mesmo arrumada e me distrai vendo as duas dispararem corredor adentro parando apenas para pegar informações com uma recepcionista do segundo andar, então sem me esperar as duas correm para a direita, eu ainda me pego as seguindo sem pressa, ate ver as duas entrando finalmente em uma sala e nos fundos vejo uma enorme placa de identificação de U.T.I. Encaro a seco, quando pisquei meus olhos me tornaram a castigar com lembranças de Charlotte na cama, o ar parece ter seu cheiro e por segundos achei que ela sairia andando dali detrás daquela porta e vou me aproximando, encarando os médicos que saiam dali e macas com pessoas saindo e entrando o tempo todo eu fiquei encarando como se estivesse em transe. 

— Holly ! — chama alguém e olho para frente vendo a porta aberta onde várias garotas estavam me olhando, quando vou dar um passo para frente sou impedida por um médico que abre caminho para uma maca com uma pessoa coberta dos pés a cabeça e imagino o que significava, encaro ela passar por mim, eu estava vendo Charlotte bem na minha frente e meus olhos chegaram a queimar com tal visão. Os observo até sumir no corredor e mesmo assim continuo encarando achando que Julie tinha razão, era cedo demais para presenciar tais coisas e meu corpo demora a reagir comigo forçando meus pés a caminharem até o quarto onde os sinto tremerem ate ultrapassar a linha da porta.

— Você está bem ? — pergunta Hilary me ajudando a atravessar e fechar a porta atrás de mim me fazendo voltar a realidade e encarar todas as garotas ate parar em Mckenna.

— Como está o bebê ? — pergunto rapidamente.

— Espera como você... — pergunta Ashlee me encarando.

— Isso não importa — diz Taylor se pronunciando.

Complô — aponta para nós duas.

— Calma como é a história, você também sabia Taylor ? — pergunta Daphne parecendo brava.

— Eu descobri acidentalmente — explica.

— Vocês duas sabiam e não nos contaram ? — resmunga Megan me encarando.

— Ah então a grávida era Mckenna e não Taylor — diz Hilary ao meu lado me fazendo encara-la.

— Como assim até você sabia ? — resmunga Mckenna.

— Eu ouvi uma conversa entre você e a loira simpática — explica pra mim.

— Achou que eu estava grávida ? — pergunta Taylor espantada  

— Eu quebraria seus dentes por isso — resmunga Daphne a encarando.

— Galera foco — diz Mckenna nos fazendo encara-la.

— O que ouve com você ? — pergunto.

— Eu acabei passando mal na escola e as meninas me socorreram, cheguei a achar que era algo com o bebê e contei para as garotas — começa a explicar enquanto meus olhos varrem o quarto não muito diferente do quarto onde Charlotte estava e um gosto amargo se forma na minha boca, parecia que tudo ali era idêntico.

— Holly — chama Taylor me fazendo olha-las e verem as mesmas me encarando.

— Você não deveria ter vindo — diz Mckenna me olhando pela primeira vez com certo olhar penoso.

— Holly ela está certa , não faz nem ...

— Quatorze horas que enterrei a garota que eu amava ? — pergunto fazendo todas ficando cabisbaixas — já que está bem eu vou lá fora — digo me virando.

— Holly a gente sabe como isso é difícil, todas sentimos muito por ela, afinal ela nos trouxe de volta para nós — diz Megan me fazendo fechar os punhos com força.

— Deve mesmo agora quem vai me dar valor não é mesmo?! — concordo a encarando ironicamente — melhoras MC — digo saindo da sala, minha cabeça já estava um turbilhão, eu não precisava tornar a me sentir assim, então resolvi que era hora de ir para casa, tinha que descansar a mente por algumas horas.

(...)

Assim que passei pela porta ouvi mamãe gritar meu nome da escada e eu vejo Marcus se dirigir até mim com um semblante parecido com o Hulk prestes a se transformar, confesso que eu não ouvi uma palavra se quer das que ele gritava comigo enquanto me chacoalhava de um lado para o outro, mamãe assistia tudo apavorada implorando que ele me soltasse. Eu não relutei, não tinha forças para impedir seus tapas nem palavras que me fizessem mal, nem parar de me chamar por nomes terríveis, eu apenas aceitei ignorar mesmo que doesse, não importava agora que dor eu sentia, a que senti quando Charlotte se foi era a pior de todas. Apenas deixei o mesmo me conduzir ao quarto afinal eu queria mesmo passar um tempo sozinha, a esse ponto me encontrava exausta e precisava descansar, me lembro de ter dito que aceitava qualquer castigo por sumir de casa e ir parar no outro lado do país, eu só queria paz e silêncio.

Naquela noite eu sonhei que estava em uma espécie de roleta russa com todas as pessoas que eu conhecia e quando percebi Charlotte estava apontando a arma para boca algo ficou bem claro nesse sonho, uma era que eu sabia que ali tinha uma bala e tentei impedir, mas infelizmente não sei o que ouve pois o som do suposto tiro me fez despertar de um sono profundo e pesado. Acordei me sentindo suada e resolvo tomar um banho gelado e pouco me importo com a temperatura e horário eu já não sentia mas nada mesmo.

Acordei logo pela manhã pois ainda tinha aula e resolvi me arrumar já que banho tinha tomado e assim que termino vou para a cozinha, onde encontro mamãe pondo a mesa e me sento na cadeira sem fazer barulho, olho apenas para a TV ligada no mínimo sem ter interesse  naquilo, com meu olhar a procura de outra direção para mim olhar e finalmente deixo minha mente trabalhar na distração espontânea olhando qualquer direção e ficando hipnotizada no mesmo momento.

— Holly — chama mãe parada ao meu lado.

— Sim — respondo voltando a focar.

— Está bem ? — pergunta tocando meu ombro.

— Sim — digo a encarando com o típico olhar preocupado.

— Se quiser pode ficar em casa, não precisa ir para a escola — diz. 

— Precisa e vai, olha que dia lindo lá fora — aponta Marcus para o sol e abre um enorme sorriso.

— Porque essa animação toda ? — pergunta mamãe.

— Não é óbvio,  Deus fez justiça novamente  — diz olhando diretamente para mim  — condenou aqueles que traem seus pais, mentem para Deus e são os causadores de discórdia deste mundo  — recita fazendo meus olhos queimarem.

— Marcus  — começa mamãe tentando o interromper.

— Deus castigou os atiçadores da destruição, eu repugno estes seres, finalmente pudemos ter ele limpando a terra novamente e colocando os seguidores do pai da mentira no seus devidos lugares, que é a sete palmos de terra sendo comido por insetos e nunca chegando ao caminho da luz  — zomba e nesse momento meu pulso salta eu sabia que ele se referia a ela e meu consciente queria ter uma arma em punhos.

— Você não a conhecia  — digo tremendo.

— Aquela que te causou discórdia Deus eliminou, agora você pode voltar a ser o que era Holliston o caminho para a luz está livre — continua parecendo mas que satisfeito.

— Marcus ela era um ser humano tenha mais respeito  — diz mamãe baixo.

— AQUILO ? — brandi  — aquilo era uma aberração  — rosna e eu sinto um choque no corpo 

CALE A BOCA !  — digo quebrando o copo que eu segurava pela força que o apertei o fazendo me encarar com olhos arregalados.

Mamãe assustada prontamente encara ele que mantém olhos fixos a mim com um postura séria e respiração forte. Então o encaro fixamente também vendo o mesmo continuar como se me examina-se e os dois permanecem fazendo o local ficar silencioso e tenso, ate aos poucos ele ir relaxando a postura e começar abrir um sorriso sarcástico.

— Olha só pra você  — começa a gargalhar  — só de tentar defender o mal acaba atraindo coisas ruins  — comenta apontando minha mão me fazendo encarar o sangue misturado com o liquido laranja agora no chão e mamãe prontamente segura minha mão a examinando  — limpe essa bagunça e suma da minha frente  — diz nos encarando  — ANDA  — grita me fazendo o encarar.

Então eu relutante me levanto sobre olhar de mamãe e vou até a pia buscar um pano e vejo um pedaço do vidro na mão a qual ignoro, apoiando as mãos ali olho para meu reflexo na janela, nesse momento senti nojo de mim mesma por ter saído de um cara como esse e meus olhos começam a marejar. Charlotte não era nada dessas coisas horríveis a qual ele se referiu, eu me senti mal por não conseguir a defender e limpo as primeiras lágrimas que escorreram e me pergunto porque ele era tão maldoso.

— Não tenho o dia todo  — resmunga pela demora me fazendo ir ate lá e começar a limpar  — vou aproveitar que hoje vai ter outra igreja vinda da Califórnia e faremos uma missa grande, vou propor uma corrente de orações voltadas a você  — diz orgulhoso de si mesmo — Deus entrará novamente no seu coração e te guiará  —  assegura.

— Até mas tarde mãe  — digo quando não aguento mas as provocações e seus discursos patéticos, já que eu não conseguia retrucar e por dentro estava um caos resolvo ir para escola o mas rápido possível.

(...)

— Holly o que você acha ? — pergunta Ashlee me distraindo novamente pela milésima vez.

— Azul — digo olhando para as garotas sentadas na mesa me encarando.

— As opções eram urso ou bonecos — resmunga ela.

— Paramos de falar de cores de paredes tem meia hora tem certeza que esta prestando atenção no que estávamos falando ? — ironiza Daphne

— Claro — respondo voltando a colocar meus fones para voltar a ouvir minha playlist. Agora sentada no mesa vazia ao lado delas com pés cruzados no banco, encarando o vazio entre uma árvore seca e as nuvens do céu meio nublado, meio ensolarado, uma bipolaridade grande ali.

Afinal se passara uma semana desde de Charlotte dormiu para sempre e que eu vinha sofrendo de insônia e da terrível falta de apetite, tentei fazer com que minha vida continuasse seguindo em frente, mas minha vida estava a exatamente a dois pés de largura e seis pés de profundidade. Eu não conseguia viver tranquila com essa informação, embora eu não tenha caído em um abismo, eu já me sentia na borda dele, era assustador dormir e acordar sabendo que era real o que havia ocorrido, então busquei não dormir para não precisar acordar e assim acreditar que estava em um pesadelo, e alguma hora ou outra iria acordar. A noite chorava ate não conseguir mais de tanto que os olhos ardiam e eu voltava a beber apenas para me lembrar que eu tinha que continuar viva, afinal o que eu tinha perdido aqui para continuar tentando ? — Era mas difícil achar motivos para não viver do que ao contrário, mesmo assim com tanta dor eu não conseguia me machucar, não conseguia fazer algo ruim a mim mesma, pois parecia que Charlotte estava na minha mente o tempo todo implorando que eu não o fizesse, o mas engraçado era que eu obedecia por medo de decepciona-la —.

Quanto as garotas agora passavam quase todo o tempo conversando sobre berços, nome, decorações, festas, coisas de casa e conversavam como minhas avós, tias e primas em uma reunião de família do tipo “ Vi uma mesa de centro linda para casa combinando com o tapete e comprei, aproveitei para trocar todas as luminárias e minha louça”. Chegava a parecer que estavam planejando suas próprias famílias, mas eu estava feliz por Mckenna finalmente poder compartilhar com todas nós o que pensava e sentia, parecia mas solta e feliz que o normal e fiquei bem em saber que as garotas a apoiaram invés de a encher de críticas e amolações, porque era isso o que ela precisava, além do mas me contentei em deixá-las conversarem, pois paravam de me encarar o tempo todo como se tivessem fazendo um check-out em mim, o que era irritante, afinal eu estava bem só em constante dor de cabeça, por conta das ressacas duradoras eu usava Ray-ban quase todo o tempo para disfarçar olheiras e me achava o máximo com roupas negras e coturno contrariando o uniforme escolar. 

— Holly o que você acha disso ? — pergunta Mckenna depois de eu tirar os fones quando Ashlee jogou uma bola de papel em mim.

— Já acabou o intervalo ? — pergunto olhando para os lados.

— Que engraçada — zomba — agora é sério avião ou carrinho ? — pergunta Mckenna me encarando.

Porque ? — questiono fazendo todas bufarem.

— É uma pergunta bem simples — Megan diz tentando ser sarcástica.

— Acho que eu não deveria responder, já que tenho o péssimo habito de escolher o pior caminho sempre — respondo olhando para ela que desvia o olhar e olha de relance.

— Era só avião ou carro — Daphne quebra nosso contato visual.

— Estamos vendo a organização do quarto diga logo — resmunga Mckenna continuando tentando cortar o clima.

— Você já sabe se é garoto ou garota ? — pergunto impaciente.

— Não — diz.

— Então quando souber faz esse tipo de pergunta, já parou para pensar se você se preparar para um garoto e vem uma garota? — resmungo.

— Essa é a graça, não vamos saber até o dia do nascimento queremos que seja surpresa, então nos preparamos para os dois — resmunga ela parecendo ofendida com minha pergunta.

— Você é uma péssima madrinha Holly — Taylor zomba.

— Devo ser — dou de ombros me levantando rapidamente indo ate Mckenna e beijo sua cabeça.

— Onde você vai ? — pergunta Ashlee se levantando rapidamente. 

— Marquei de me encontrar com Hilary depois da aula, como estou sem animo vou dar uma passadinha em Culver um pouco mas cedo — explico indiferente.

— Nos vemos amanhã então batman — diz Taylor fazendo cócegas na minha barriga e seguro suas mãos a impedindo de prosseguir e beijo seu rosto, seguido de Daphne e Ashlee ignorando Megan que não fazia questão.

Alguns minutos mas tarde eu estava andando pelos corredores de Culver high school procurando por Ashlee, sentindo um deja-vi pois reconhecia estes corredores de olhos fechados e ignoro minhas memórias ruins e foco em encontrá-la imaginando que deveria estar em horário de refeição, comigo rodando alguns minutos a mais a encontrei sentada com um garoto a qual eu não reconhecia, que logo tratou de se afastar quando eu me aproximei e me sentei ao seu lado olhando seu rosto surpreso.

— Achei que viria depois da aula — diz me abraçando.

— Posso voltar depois — digo.

— Matar aula com minha melhor amiga é tudo o que nesse momento — diz imediatamente me fazendo encarar ela de modo desconfiado.

— Está fugindo de quem ? — pergunto.

— Um professor lunático por provas gabaritadas — grunhi se levantando e me levando junto.

— Entendo — digo a seguindo pelo corredor principal.

— O que ouve com seu vestuário assaltou algum guarda roupas das trevas ? — zomba.

Batman me influenciou — digo dando de ombros.

— Isso está legal, meio assustador mas combinou com você — sorri para mim — não vamos fazer nenhum ritual com galinhas em uma esquina não é mesmo ? — pergunta quando atravessamos a rua.

— Claro galinhas pretas — resmungo a fazendo rir.

Fomos até a praia aquele dia estava propício para contemplar as ondas, já que a maré estava alta e todas poderiam ultrapassar metros de alturas facilmente, me sento no píer observando as ondas quebrarem nas pedras e olho as gaivotas voando para fugir das ondas. Eu queria relaxar o suficiente para aquilo ser a única coisa que eu estivesse ouvindo, mas minha mente era malvada e me fazia lembrar de coisas que envolviam risadas contagiosas e olhos castanhos brilhantes, um sorriso que poderia me matar de tão lindo. Eu estava ali novamente pensando nela talvez eu tivesse que perceber que nunca mas a teria, já era hora de aceitar mesmo que alguma parte dentro de mim se recusa-se, esse tempo de aceitação estava me destruindo pois quanto mas pensava nisso mais dolorido ficava.

— Está pensando nela não é mesmo ? — pergunta Hilary me fazendo voltar a realidade me lembrando da sua presença ali ao meu lado.

— Eu não consigo aceitar que ela se foi, é como se a qualquer momento meu telefone fosse tocar e eu escutarei a voz dela me dizendo que esta voltando ou o ronco de sua moto parando em frente a minha casa — digo encarando minhas mãos nuas.

— Sei como é toda vez que passo em Santa Mônica a vejo correndo na minha direção, eu me lembro de seus conselhos quando eu estou com algum problema — diz com os olhos marejando e sou obrigada a olhar para outra direção para não fazer o mesmo — é tão pouco tempo sem sua presença, mas parece que já é uma eternidade — funga.

— Sinceramente não entendo porque isso aconteceu, não era pra ela ir embora de jeito nenhum — resmungo voltando a olhar para as nuvens se formando no céu

— Não devemos questionar as vontades de Deus, talvez ela já tivesse comprido sua missão — diz limpando as lágrimas.

— Sinto muito mas não acredito nisso, afinal a única coisa que eu aprendi foi que a morte serve apenas para nos dar mas motivos para querer uma corda no pescoço — suspiro deixando meus pés ficarem soltos no ar quando me apoio sentando no muro, vendo as ondas baterem contra o mesmo chegando a me molhar.

— Charlotte faz falta mas devemos lembrar das coisas boas que passamos com ela — explica.

— Você diz isso como se você mesma seguisse essa linha de raciocínio — resmungo fazendo as duas ficarem em silêncio olhando as ondas comigo pendurada e ela apoiada no muro com cotovelo apoiadas sobre ele.

— Não está pensando em se jogar não é mesmo ? — pergunta depois de muitos minutos de silêncio comigo olhando as ondas.

— Meus demônios sabem nadar não me dariam o gostinho de eu me livrar de todo esse sofrimento — digo ironicamente fazendo ela me olhar seriamente.

— Odeio quando diz coisas assim — reclama revirando os olhos.

— Odeio me sentir assim — digo soluçando por dessa vez não conseguir me controlar — eu sinto tanto a falta dela — olho para Hilary que me encara e se aproxima com cuidado para me abraçar.

— Eu também sinto — diz me apertando com força contra ela. 

— Parece um pesadelo já disse isso ? — grunho.

— Um milhão de vezes — começa alterar a voz.

— Eu preciso tanto dela, eu quero ela de volta Hilary, eu quero aqui, será que é pedir muito ? — pergunto deixando as lágrimas e toda a tristeza voltar a tona.

— Eu sei, eu sei — repete me apertando fazendo parecer que meu buraco estava se abrindo cada vez mas.

— CHARLIE EU PRECISO DE VOCÊ !!!— grito contra o vento e ondas e no céu um estrondo abafa minha voz devido a um raio caindo no mar que vejo com os olhos meio distorcidos devido as lágrimas, raios caindo em todas as direções começam um show pirotécnico no céu iluminando tudo e assustando com seus estrondos fortes.

— Aqui não é um ótimo lugar para ficar, vem tempestade por ai — diz ela me puxando de volta para o solo — vamos Holly — me afasta do muro e continuo olhando para os raios, por algum motivo em tinha uma fascinação enorme por eles e achava a coisa mas linda desse mundo poderia ficar ali observado até cegar, mas deixo Hilary me guiar para longe dali.

(...)

Depois de um banho quente, marshmallows e chocolate quente, fiquei conversando com Hilary ate ela precisar ir embora e assim que o fez, dormi um pouco pelo cansaço físico e quando levantei ouvi um barulho com que se pareciam vir de dentro da casa, me levanto rapidamente indo devagar até a porta e colocando o ouvido me certificando que era realmente ali a feira, ando para saber onde era o incêndio e desço as escadas seguido o som passo pela sala e quando chego na sala de estar sou pega por vários olhares sobre mim.

— Que bom que acordou querida, sentasse estávamos mesmo conversando sobre você — diz Marcus sorrindo para mim apontando varias pessoas que deveriam ser umas vinte ou mais, todas me encarando.

— O que é isso aqui ? — pergunto sem entender.

— Bem como não podemos levá-la até a igreja um lugar sagrado, resolvi trazer a igreja até você — sorri.

Olho para cada rosto ali e me pergunto porque todos me olhavam como se eu fosse a porra de uma aberração da natureza, eles me comiam com o olhar pareciam uma alcateia pronta para o abate e engoli a seco, pois o abate seria contra mim e olho para mamãe sentada no canto com a cabeça baixa, isso era coisa de Marcus e me pergunto o que ele teria falado de mim para todos estarem agindo como se a qualquer momento eu fosse cuspir fogo ou decapitar alguma cabeça.

— Vamos começar com ela praticar atos proibidos com uma pessoa do mesmo sexo — começa fazendo todos dizerem coisas horríveis e me encarem ao mesmo tempo.

— O que você está fazendo ? — questiono.

— Estão vendo irmãos é disso que estou falando o inimigo se manifesta quando é questionado — diz ele fazendo todos concordarem — Aceite às nossas orações — diz se levantando e me segurando, colocando-me na cadeira, formando um circulo ao meu redor e percebo que ele estava me amarrando.

— Sério está fazendo um exorcismo ? — zombo fazendo todos jogarem água benta em mim me causando um misto de raiva e vergonha.

— Deus já trabalhou na vida dela e a livrou de um mal semana passada — começou a tomar um rumo que eu não queria ouvir.

— Não se atreva a falar de Charlotte — rosno.

— Está se manifestando — diz outro homem e começa uma euforia.

Marcus dá ordens de comando e eles começam a orar, outros jogarem agua benta, enquanto o mesmo continuava a falar de Deus como se ele estivesse recebendo ordens diretas do criador para fazer algo comigo, eu tentava me libertar e eles pareciam ficarem mas agitados com isso, então parei de tentar resistir. Com isso acontecendo eu ouvia palavras horríveis dirigidas a mim e as pessoas que eu amava, principalmente Charlotte eu queria responder, queria retrucar, mas eu não podia, eu fraca psicologicamente e fisicamente quase não me mantinha alerta, o tempo todo olhava para mamãe que tentava parar de chorar e eu fazia o mesmo eu não aguentava mas, por duas horas seguidas ou mais, depois de ouvir as coisa que eu ouvi, sentir as coisas que eu senti, me perguntei como Marcus teve coragem de fazer tal absurdo comigo, COM A SUA FILHA !!! E me senti exausta e quebrada, naquele momento pensei que tortura não era muito meu forte, pois estava quase mordendo minha própria língua para me libertar de todos aquele circo e parar de lamentar por não conseguir reagir, meus olhos queimavam e eu já não podia resistir, tento me livrar das amarras vendo mamãe chorando e novamente tento me libertar sendo segurada por dois enquanto outros três oravam no pé do meu ouvido. 

Se o objetivo deles era me libertar eu poderia parar de tentar me soltar e dizer a eles que me livrei, que não estava mas amarrada a nada, que agora eu poderia seguir o caminho certo e garantir meu lugar na luz e como todos eles juntos conseguiram essa façanha, principalmente Marcus que havia me mostrado, que o caminho da libertação estava bem ali na minha frente, que eu só precisava de um ponta pé deles para poder sair. Algo grande e completamente desastroso estava por vir, mas eles não sabiam que destruíram minha fortaleza, que comigo era tijolo por tijolo, agora eu estava pronta para dizer que eu definitivamente estava livre e que todos seriam minhas testemunhas de que um exorcismo realmente funcionava para esses tipos de casos — De demônios incorporados — talvez eles fossem se sentir orgulhosos quando descobrissem o poder que eles tinham, principalmente Marcus que além de me libertar mostrou como tratar sua filha possuída para seus amigos ou sei lá o que eles eram e para mamãe ainda como cuidar bem de sua filha. Todos estavam felizes e orgulhosos, mas tinha uma coisa muito errada ali, pena que eles não notaram e agora eu estava pronta, precisei de um molde, já pronta pude sorrir, pois na pior das hipótese o exorcismo podia sair pela culatra, e o demônio possuir outro corpo e outra forma.

Eles não sabiam mas era exatamente isso o que aconteceu...


Notas Finais


Enjoy :)(:


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