História Traga-me aquele horizonte - Capítulo 17


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bringmethehorizon, College, Girls, Lesbians, Lesbicas, Livros, Old, Saga, School
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Palavras 7.200
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Um capítulo bonitinho con um toque sutil de Emily Thorne :(:

Capítulo 17 - Jovem tortuoso


Fanfic / Fanfiction Traga-me aquele horizonte - Capítulo 17 - Jovem tortuoso

Sentei depois de cinco minutos em pé e encarei a TV desligada, enquanto mamãe estava sentada ao meu lado, me mostrando um novo kit de crochê que havia comprado para me fazer um cachecol ou algo do tipo e presto atenção, tentando focar como ela fazia a mágica de botar a linha em um lugar e quando puxava já estava formando uma borda rendada ou algo assim, era mágico de se ver. Ela sorria para mim satisfeita com a atenção que eu lhe dava para coisas que eu classificaria como entediantes — eu estava começando a achar interessante todas essas coisas de crochês e assistir o canal do tempo para saber que na Suíça iria fazer menos três graus negativos — Olhei para ela e a abracei com força pois eu sabia que ela precisa de todo amor que ele não dava e ali passamos a tarde toda costurando cachecóis para usarmos no inverno. 

— Cheguei — anuncia ele.

— Estamos aqui — diz mamãe.

— Olá família, como estão as coisas ? — pergunta se juntando a nós na sala.

— Bem, Holly e eu estávamos fazendo alguns cachecóis — explica ela mostrando.

— Inclusive fiz um para você — digo me apressando para lhe entregar o cachecol azul.

— Esta perfeito, esta aprendendo mesmo — brinca bagunçando meu cabelo.

— Tenho uma ótima professora — explico sorrindo satisfeita.

— Aproveitando isso, tenho uma coisa importantíssima para contar para vocês — começa.

— Diga de uma vez — mamãe diz.

— Estarei no programa do canal 7 — diz alegre.

— Como ? — pergunto surpresa.

— Eles vão entrevistar todos os líderes de igrejas de Los Angeles, com a intenção de mostrar como as famílias cristãs são bem unidas e que Deus nos guia — argumenta completamente eufórico.

— Ah querido, isso é ótimo — comemora mamãe.

— Em comemoração vou querer aquele seu delicioso purê de batata com filé mignon — diz para mamãe que se apronta para se dirigir a cozinha, mesmo depois de ter passado o dia todo limpando a casa de cima pra baixo.

— Quanto a você, porque não vá ate lá aprender como fazer um purê como sua mãe, aposto que seu marido também iria se apaixonar por isso — brinca sentando no sofá.

— Sim senhor, tenho que aprender com a melhor — digo me virando para seguir até a cozinha.

— O que acha disso ? — pergunta ela.

— Acho que ele está feliz — zombo a fazendo me encarar.

— Holly fico feliz que você esteja se dando bem com seu pai — sorri trabalhando nas batatas.

— Eu também — sorri de volta — pode me ensinar como descasca batatas tão rapidamente ? — pergunto vendo ela conversando comigo enquanto fazia isso.

— Muitos anos de prática — diz piscando me fazendo rir.

Depois do jantar ajudei mamãe com a louça e subi para meu quarto já que era hora de me recolher e dormi. No dia seguinte me levantei antes do sol nascer e fomos os três juntos a igreja, papai começou a fazer seu discurso enquanto ouvíamos atentos agradecendo suas orações e depois desse culto mamãe e eu voltamos para casa para cuidar dos afazeres, enquanto ele ficava para organizar o próximo. Meu dia passava lentamente e eu podia achar que estava parado mesmo, eu estava com saudade de algo que eu nem lembrava ao menos o que era, fiquei com isso na cabeça o dia inteiro remoendo.

— Holly, Collins está aqui — diz mamãe aparecendo em pé no corredor entre a sala e cozinha — você conhece as regras, nada de trazer ninguém para casa quando seu pai não está — adverte.

— Não passarei da porta, vou dizer que volte mas tarde — digo me levantando rapidamente.

Caminho até a porta da entrada e quase morro de susto quando invés de ser somente uma, são varias de uma vez praticamente invadindo minha casa e fico avulsa as olhando com olhares estranhos, depois de uma encarada de cima a baixo. Daphne parece contém o riso, enquanto Hilary parecia que iria vomitar e as encaro cruzando o braço.

— Holly que droga é essa ? — resmunga Daphne olhando meu vestido ate as canelas e meu suéter.

— Velhos tempos — diz Ashlee me avaliando.

— O que ouve com seu cabelo e sua franja ? Está deixando seu cabelo crescer ? — diz Hilary tocando meus cabelos me fazendo a afastar rapidamente.

— A pergunta é o que ouve com você afinal de contas — diz  Taylor.

— Nada só resolvi ficar em casa — digo as encarando.

— Isso tem um mês — reclama Mckenna que agora começava a ficar bochechuda.

— Como você ousa ficar um mês afastada de nós e ainda por cima fazer cosplay de seguidora de Jesus ?! — murmura Daphne.

— Holly eu... — mamãe aparece no corredor e nos olha apavorada — pensei ter visto apenas uma — aponta para Hilary que acena para ela euforicamente.

— Chegamos logo depois — explica Megan no canto ao lado de Ashlee.

— Sinto muito meninas, mas não posso as convidar para ficarem,  Holly você conhece as regras — diz dando meia volta.

— Que regras ? — questiona Hilary tomando a frente.

— As que eu impus — diz uma voz grave aparecendo atrás de mim.

— E você é algum governador ou algo do tipo ? — zomba  Daphne fazendo as garotas rirem e eu apenas permaneço quieta.

— Holly o que eu disse para você ? — pergunta ele me fazendo o encarar com todas as garotas vendo minha reação como telespectadoras.

— Elas entraram antes que eu pudesse impedir, mas eu já estava seguindo suas ordens senhor — explico vendo a cara de interrogação delas.

— Sinto muito meninas, mas como mamãe disse não podem ficar, sendo assim vou lhes pedir que se retirem — abro a porta.

— Está me zoando ? — pergunta Ashlee — nossa engraçada demais você Holly — zomba sem humor.

— Estou falando sério — digo em um tom que deixasse claro.

— Ouviram ela se retirem — insiste ele.

— Não nos vemos a muito tempo e é assim que nos trata ? — questiona Daphne de mal humor.

— Por favor — insisto apontando a saída.

— Isso só pode ser brincadeira — resmunga Taylor encarando Megan que me olha com total indignação.

— Vocês não deveriam estar aqui, olha só que horas são, não deveriam andar sozinhas deste jeito — aponta para seus shorts curtos e regatas — onde estão seus país, vou ligar para busca-las — argumenta ele.

— São cinco horas da tarde — aponta Mckenna para o relógio.

— Está é a última vez que vou pedir para saírem — diz sério. 

— Senhor senador...

— Governador — Mckenna corrige Ashlee.

— Senhor Governador, sinto muito, mas você não manda em nós — explica ela cruzando os braços — daqui não vamos sair — diz fazendo todas concordarem.

— Minha casa, sabia que podem serem presas por invasão de propriedade ? — pergunta pegando o celular elas olham para ele parecendo intimidadas e logo então olham para mim como se eu fosse fazer algo para ajudar.

— Holly — diz Hilary para mim.

— Para o próprio bem de vocês não queremos uma viatura na porta de minha casa, então se retirem — digo apontando novamente sobre o olhar satisfeito dele.

— Sério isso ? — resmunga Daphne pela última vez.

Aponto novamente a saída e elas se olham daquele jeito que eu reconhecia quando aprontaram alguma coisa errada, então começam a sair me encarando de forma decepcionada, admito que meu peito chega a queimar por aquilo, mas aguento firme ate só restar Hilary me olhando como se tivesse fazendo um check-out em mim, então se vira e sai com Marcus batendo a porta com força, e me olha abrindo um enorme sorriso.

— Essa é minha garota — me abraça firme e caminha em direção a cozinha.

Eu vou até o olho magico da porta rapidamente vendo elas reunidas em frente a minha casa e então começam a se afastar ate sumirem do meu campo de visão. Não as via tinham realmente um mês e uma sensação de amargo se forma na minha boca, eu as deixei ir e nem disse algo, era estranho para mim, mas eu sabia que estava fazendo o certo, assim vou na direção da cozinha ver o que mamãe teria inventado para o jantar.

(...)

As coisas em casa estavam indo bem, eu tinha ficado o dia inteiro no quarto fazendo o estudo profundo da bíblia e aprendendo sobre os doze versículos ate estar com olhos pesados demais, descansei um pouco acordando para tomar um banho e ajudar mamãe com as tarefas do dia, como lavar roupas e passa-las. Ela por sua vez estava com uma expressão cansada em seu rosto, enquanto me ajudava a dobrar e guarda as que estavam limpas e passadas, sua respiração estava visivelmente difícil, perguntei se ela estava bem e sua resposta para mim foi um tanto quanto amarga, pois sabia que atrás daquele sozinho estava um pedido de desculpas por não estar e então eu decido terminar sozinha, aproveito também para me oferecer a terminar ali e fazer a janta.

Fazia um bom tempo que mamãe vinha estando um pouco diferente do normal, em coisas que eu julgava simples eu percebia que ela estava diminuindo o ritmo cada vez mais e não era por conta da idade, cheguei a pedir que ela fosse ao médico, mas a mesma mal quis saber disso, disse que era cansaço por estar sempre limpando tudo e que eu não deveria me preocupar com besteiras. No nosso jantar fiquei o tempo todo observando-a enquanto papai não parava de falar sobre o programa, que está bem próximo de acontecer — ele lembrava disso na igreja espalhando para todos, em casa em cada ação que ele executava e em qualquer lugar que fosse tal, como mercado, ate nos correios, estava feliz da vida e não podia se contar o que estava acontecendo a ela, para não estragar sua felicidade — ela ficava sorrindo para ele contando o roteiro que ele pretendia usar e eu achava que não era um sorriso verdadeiro e buscava nele a reação de perceber também, mas parecia que estava cego por contar da emoção de estar em um programa de TV, mesmo que não fosse os mas famosos e talvez nem um terço da população americana assistisse, ele estava contente demais.

Embora eu estivesse contente por ele, não parava de me preocupar com mamãe, de alguma forma queria poder levá-la ao médico, mas sua teimosia cortava qualquer possibilidade, tendo que fazer a mesma me prometer, que quando sentisse muita dor me acompanharia ao médico e ela aceitou,  para finalmente me fazer respirar um pouco aliviada. Eu já tinha perdido uma pessoa, não precisava me lembrar de como era horrível se sentir vazia, todo cuidado com mamãe era pouco e eu mas que ninguém sabia disso.

Era quase três horas da tarde de um sábado quando a campainha tocou e como eu já estava no meio da escada alertei que eu atenderia a porta, fico alguns minutos encarando o corredor para então abrir a porta e dar de cara com Hilary parecendo mais furiosa do que nunca, olho para trás me certificando que ela estava sozinha e fico a encarando em silêncio.

— Posso entrar ou vai me expulsar ? — murmura.

— O que você quer ? — reclamo.

— É assim que trata sua melhor amiga ? — continua.

— Holly quem é ? — pergunta papai aparecendo no topo da escada — ah Collins — grunhi se juntando a nós.

— Olha eu sei que você me odeia, mas eu preciso falar com Holly sozinha, tipo cinco minutos — discursa me fazendo encara-lo.

— Holly o que você me diz ? — pergunta ele me olhando como  se eu que fosse decidir, mas entendi o olhar dele esperando uma reação desejável — deseja conversar com ela ? — insiste.

— Não senhor — digo encarando Hilary que parece levar um soco no estômago.

— Holly o que droga está acontecendo com você — inicia segurando meu ombro — olá você está ai dentro ? — pergunta me sacudindo.

— Papai vou estudar — digo tirando seus braços de perto de mim e começo a fazer meu caminho até o quarto.

— Não faz isso Holly, por favor me escuta — começa tentar vim na minha direção e papai a impede.

— Ouviu minha filha, saia Collins — insiste ele.

— Holly como você pode fazer isso comigo, consigo mesma, pense em todas as coisas que ele te fez passar e agora você está o defendendo ?! — brandi nervosa.

— Saia Hilary, estou falando sério — ele ameaça.

— Tudo o que ele fez foi para me proteger você quis dizer ? — pergunto me virando para encara-la.

— Você sabe que é mentira, ele só te fez mal — grunhi.

— Ele me ajudou, me curou olha só pra mim — rosno para ela.

— Você não é isso — devolve.

— Agora sou, papai por favor — insisto.

— Eu vou sozinha não me toque — bufa me encarando e dá meia volta parando na porta com um olhar que eu jamais tinha visto era um misto de raiva e decepção — e lembrar que tudo o que Charlotte fez foi em vão — ri sem humor.

—  Olha só o sol lá fora, a verdade aparece, quando o sol chega a metade do destino a audiência cresce sete vezes mais, o primeiro de sete começará o ciclo com ajuda de cinco elementos — cito vendo a me encarar de forma confusa assim como papai.

— Você está louca isso sim — resmunga saindo e ele volta a bater a porta.

— Amo poemas acho que vou estudar eles — digo sorrindo para ele que sorri de volta.

— Este fala sobre o que ? — pergunta.

— Sei não acabei de inventar — zomba.

— Estou orgulhoso de você por reconhecer as más amizades e elimina-las de sua vida — diz beijando o topo da minha cabeça.

— Eu também — digo dando meia volta para subir as escadas imediatamente e vou até a janela do quarto ver se a garota ainda por ali e infelizmente ela já tinha sumido de vista, me fazendo suspirar eu esperava que ela entendesse o recado e me lembro de suas palavras sobre Charlotte, cerrando os punhos com força e respiro fundo, caminho ate minha escrivaninha para começar ler um livro qualquer.

O fim de semana passou rápido literalmente, pois aqui em casa foi uma correria para organizar roteiros e escolher roupas para a grande entrevista de papai, todos estávamos bem nervosos e a tensão no ar era grande para nada dar errado, reconhecíamos isso. Eu por minha vez fiquei o tempo todo pensando em Hilary, preocupada com o pouco tempo que tínhamos. Apressada para bolar meu plano eu escolho minha roupa e desço para ajudar organizar a casa junto a mamãe, que já não escondia o cansaço e peço que descanse me fazendo organizar tudo e então descansar depois da janta, pois amanhã seria um dia crucial na minha vida.

As dez e ponto estávamos todos em pé, prontos para tomar café e ir a caminho da emissora, que ficava a uma hora de carro. Todos muito nervosos por estar indo para o grande dia da vida de papai. Assim que chegamos na emissora passamos pela portaria já entusiasmados vendo como era grande e bonita. Com a guia de um segurança estávamos caminhando juntos por um enorme corredor onde entravam e saiam pessoas toda hora, papai citava alguns nomes de pessoas a qual ele conhecia e eu e mamãe prestamos atenção em tudo.

Fomos levados ate um quarto com paredes e portas brancas, contendo um balcão com pote de frutas e outros comes e bebes, um sofá e uma televisão ligada no canal sete apresentando algum tipo de jornal, enquanto um homem com fones de ouvido pendurados no pescoço falavam com papai, mamãe me olhava seriamente como se dê algum modo tivesse sentindo que algo não estava certo, eu apenas ignoro e continuamos incontáveis minutos ali, depois somos levados para outra sala, dessa vez junto com outras pessoas e uma simpática morena toda arrumada, lendo folhas de papel que imaginei ser roteiros, assim papai se apressa em nos apresentar e nos cumprimentamos dando inicio uma rápida conversa me fazendo ficar a olhando de cima a baixo pois era uma morena linda, facilmente distraída esqueço algum tempo o que estava fazendo ali a propósito.

Então estou sentada na plateia observando a movimentação de pessoas e câmeras para todos os lados, observo o teto completamente tomado por luzes e geradores e fico encarando tudo a minha volta, me perguntando por que tanta demora para dar início e logo quando penso isso, começam comandos de silêncio e uma contagem se inicia tocando um dingou musical muito animado,  enquanto somos instruídos a bater palmas por uma moça atrás das câmeras, assim a morena simpática entra em cena, enquanto olho para mamãe sorrindo. Olho para o relógio de mamãe que marcam exatamente meio dia e suspiro preocupada sem saber se tinha alguém atrás de uma TV nesse exato momento.

Depois de eternos minutos de muita conversa, com um grupo de pessoas com animais abandonados, outro quadro do programa é apresentado e encaro o relógio esperando euforicamente papai ser chamado, o que acontece vários longos minutos, depois de três ou quatro intervalos, estou junto a mamãe aplaudindo em pé sua chegada, enquanto somos filmadas por uma câmera, ele se senta me causando uma tremedeira forte eu estava nervosa demais e imaginava o quarto ele estaria também, então se inicia a entrevista com ele respondendo suas perguntas, sobre sua rotina na igreja e suas obrigações, as vezes causando risos na plateia, as vezes palmas e meus tímpanos já estavam querendo explodir, depois de tanta coisa que ouvi e me convenço a permanecer quieta aguardando meu momento.

— Vamos agora falar sobre sua vida pessoal pastor Mckenzie  — diz a morena o fazendo sorrir orgulhoso de si — como é a relação com sua família ? — pergunta.

— Bem é perfeita, tenho uma família linda, uma esposa maravilhosa e uma filha adorável — continua me fazendo revirar o estômago.

— São lindas mesmo — diz ela me olhando e acabo por sorrir — agora todos de casa gostariam de saber qual é o segredo para ter uma família tão unida — continua.

— É como aquele ditado família que reza única, permanece unida — sorri fazendo a apresentadora piscar para as câmeras.

— Caso você não queira rezar unido ele te passa super bonde na cadeira, assim você é impedida de levantar — digo alto para todos ouvirem e me olharem surpresos fazendo a plateia rir.

— Obrigado filhinha por me lembrar — diz ele sem graça tentando parecer divertir.

— Pastor Mckenzie, qual o segredo para o respeito entre pais e filhos ? — aborda ela.

— Bem acho que tem que haver respeito dos dois lados para ter   equilíbrio — diz — os jovens devem obedecer seus pais, para serem tratados com devido respeito — continua.

— Para você um bom filho é aquele que...

— É feliz sem dúvidas — responde rapidamente — independente de onde venha sua felicidade, porque acho que todos merecem serem felizes, dependendo de suas condições físicas ou psicológicas — explica e fazendo querer rir.

— Você permite que sua filha viaje e vá para lugares distantes ? — pergunta ela.

— Bem, sinceramente eu não gosto muito pois tenho saudades dela... — se interrompe quando a plateia faz um barulho de admiração e a câmera foco no meu sorriso sarcástico.

Logo depois de muitas outras perguntas sinto que meu cérebro vai explodir, diante de tantas perguntas e respostas contraditórias sou obrigada a respirar, tentando parecer calma e gentil para as câmeras, que focam em mim e mamãe toda vez que a pergunta é referente a nós duas. Meu amargo da boca já começa a incomodar com a língua pinicando fico estática, ouvindo atentamente cada uma delas reformulando uma resposta ate que chegue a hora de virem perguntas da plateia, para ele onde me arrumo para ouvi-las atentamente.

— Olá meu nome é Higor e eu gostaria de saber o que você acharia da sua filha saindo com um cara assim como eu ? — pergunta um rapaz me olhando fazendo a plateia rir e olho para papai encarando suas vestes negras de um típico roqueiro.

— Eu não me importaria se você a tratasse com respeito —  responde fazendo o rapaz sorrir para mim.

— Contanto que mude de roupas, pois elas definem caráter — digo para o rapaz a algumas fileiras de mim fazendo papai me encarar novamente.

— Olá, sou Bianca e gostaria de saber o que o senhor acharia de sua filha, se ela dissesse que não queria ir mas a igreja — pergunta a seguinte me fazendo cruzar as pernas e o encarar de modo irônico.

— Buscaria conversar bastante e tentar entender, convenceria ela dar uma segunda chance, caso não quisesse entenderia e pediria que pelo menos não se desvirtuar-se, continuasse a ter caráter e ser uma mulher honrosa — diz fazendo a plateia aplaudir em pé.

— Como se isso fosse acontecer — zombo com o fato deles pensando que me referia, a eu sair da igreja invés do que ele disse sobre apoiar.

A cada pergunta e resposta as pessoas gostavam cada vez mais dele, que já se considerava o pai que todos queriam ter e eu por dentro estava queimando em uma grande vontade de vomitar, me aguentando novamente ao máximo que eu conseguia com mamãe as vezes me cutucando quando percebia minha ironia, mas ignoro e continuo olhando para ele, que por sua vez parecia estar percebendo algo de errado, tentando sempre reverter meus comentários, tentando parecer uma piada nossa.

— Sua filha é bem falante — diz a apresentadora sorrindo para mim

— Sabe como são esses adolescentes — diz ele sem graça. 

— Tenho dois filhos homens e sei como podem ser ativos — diz ela fugindo do roteiro para não o deixar em uma saia justa — vamos então a próxima pergunta — diz apontando a plateia uma garota loira.

— Marcus o que você faria se Holly fosse lésbica ? — pergunta ela sem se preocupar com o modo informal e direto que perguntou. Ele engasgou com a boca cheia de água e voltou a encara-la vendo todos prestando atenção, em cada rosto curioso esperando uma resposta

— Isso é bem pessoal — diz ele olhando para a apresentadora.

— Na verdade é uma pergunta normal, como todas as outras e creio que seja importante, pois nos dias de hoje esse tipo de situação ocorre com muito mas frequência na sociedade, queria sua opinião — diz ela parecendo que iria explodir a cabeça dele — Ótimo tema de abordagem, querida qual seu nome ? — pergunta a apresentadora.

— Hilary Collins — diz a loira me olhando e sorrindo me fazendo sorrir de volta.

— Pastor Mckenzie o senhor pode responder a pergunta da nossa plateia, mas se preferir não responda, pois não estamos aqui para forçar o senhor a nada — explica.

— Creio que seja inoportuna demais para mim — diz com os olhos queimando de raiva fazendo a plateia começar a murmurar.

— Já que o senhor,  não quer responder eu mesma respondo — digo me levantando — ele provavelmente bateria nela até ela se “curar” — digo.

— Caso isso não resolvesse ? — continua Hilary.

— A trancaria em casa a impedindo de ter contato com o mundo interior — digo fazendo a plateia começar a discutir.

— Isso não seria o suficiente para provocar uma depressão nela não é mesmo ? — continua a garota entrando no meu jogo.

— Logico que sim, ela viraria uma alcoólatra viciada em êxtase, naftalina e alto mutilação — insisto parecendo ofendida fazendo a mesma ficar surpresa com minha revelação.

— Mas oras, assim ela teria uma overdose não é mesmo ? — murmura parecendo brava comigo.

— Das piores ao ponto de morrer e voltar a vida — explico — o pior é quando acordasse, ela estaria em uma reabilitação para doentes mentais sem ao menos ser uma, convivendo com pessoas assim se achando anormal ou coisa do tipo — engulo a seco me lembrando desse pesadelo.

— Parem com isso — grita ele.

— Pra completar será que ele se importaria, se ofendesse todos os dias suas própria filha e a tratasse pior que trata uma barata ? —  pergunta ironicamente.

— Violência moral e física todos os dias ? — repito destacando essa ultima parte — que isso gente — zombo.

— O que está acontecendo aqui ? — pergunta a apresentadora lendo todos seus scripts, procurando esse teatro que estamos fazendo.

— Holly por favor — mamãe tenta me puxar para fora mas insisto travando o corpo já sentido meus olhos queimarem.

— Esta esquecendo da parte que não respeita nem os mortos, as pessoas que cuidaram e ajudaram sua filha, quando ele a deixou no fundo do poço, o motivo também, por ela ser lésbica. Segundo ele Deus a mandou de volta para seu lugar na terra direto ao inferno — digo sentindo as primeiras lágrimas caírem queimando minhas bochechas.

— Como acabaria a vida dessa filha Holly ? — pergunta ela já me olhando cabisbaixa 

— Ótima, pois vou apresenta-lhes a solução final para essa aberração em sua casa — digo olhando para as câmeras — você vai precisar de quinze pessoas, com esse mesmo pensamento do pastor Marcus, uma corda...

— Não se atreva a falar mais nada — berra vindo na minha direção sendo contido pelos seguranças da emissora.

— Continuando cordas, um círculo, uma cadeira, bíblias, palavras ofensivas da pior espécie, tortura psicológica e água benta em abundância — explico vendo a reação de todos que pareciam espantados — sim galera, estou falando de um exorcismo contra uma peste chamada “filha lésbica possuída” — zombo gargalhando vendo o silêncio de todas — ah mas não se preocupem, isso só ocorre se vocês forem filhos do pastor Mckenzie, fiquem tranquilos ele só tem uma filha, é puritano demais para ter duas, imaginem só — finalizo olhando para ele que parecia um balão explodindo.

— Uma família grande e feliz — diz Hilary depois de segundos me encarando boquiaberta.

— O que foi isso ? — pergunta a apresentadora parecendo em choque chamando os comerciais.

— Collins vamos — chamo antes olhando para mamãe que parecia prestes a morrer ali mesmo e a abraço — eu sinto muito mamãe eu te amo — a abraço fazendo a chorar.

— Por que fez isso filha ? — pergunta ela desesperada.

— Fiz o que era necessário, ninguém destrói meu império — digo seca — tijolo por tijolo — encaro ele por longos minutos vendo seus olhos saltarem e suas veias na testa saltarem junto.

Olho para a plateia que parecia mas que zangada e observo que era melhor tirarem Marcus dali, pois eu temia que ele pudesse ser linchado por todos ali presentes, assim puxo Hilary para a saída junto a mim, passando por um corredor, saindo em uma porta contra chamas olho para o lindo sol e imagino não ser nem uma hora da tarde ainda, sorrindo satisfeita olhando para Hilary que parecia ainda não acreditar no que havia acontecido.

— Pensei que não entenderia o recado — digo enquanto caminhamos em direção a portaria.

— Admito não entender de princípio, demorou muito tempo ate que eu conseguisse interpretar o que havia dito achei que você era doída ou sofreu lavagem cerebral, pois eu não reconheceria se te encontrasse na rua, te chamaria de louca — explica.

— Que bom que entendeu — adentro na rua finamente.

— E agora como vai ser ? — pergunta se juntando a mim.

— Guerra — digo seriamente.

— Tipo Game Of Thrones ? — pergunta.

— Tipo Tróia — observo sua expressão mudar.

— Serei sua cavalaria — me abraça de lado.

— Ótimo, preciso dessa divisão mesmo — abro um sorriso para ela enquanto nos afastamos mais e mais da emissora, e de Marcus.

(...)

Me sentei na cadeira enquanto que um policial me fazia perguntas sobre minha rotina e muitas sobre Marcus, a qual eu respondia da forma mas clara possível, ao lado de Julie que me acompanhava passo a passo nesse processo. Eu não havia feito nada a não ser ter contado a verdade na televisão aberta, para não sei quantas pessoas e algumas acabaram vendo e começado a se posicionar contra ele, assim pedindo que providências fossem tomadas, nesse processo uma investigação começou a ser feita, já tinha um caso aberto por cárcere e outras acusações que ele fez e Julie se apressou para mexer seus pauzinhos e agora tínhamos um novo processo que se iniciava.

Marcus era odiado por onde o reconheciam, ate mesmo na igreja alguns de seus companheiros acabaram o deixando, para que ele não desse seus nomes diminuindo um pouco seu número de fiéis, mamãe estava triste comigo por ter feito isso e nem se quer queria me ver no momento, por achar que trai ele quando poderia ter sentado para conversar, o que achei injusto já que ela sabia mas que ninguém, tudo o que fez e mesmo assim o defendia, não querendo depor contra ele, fazendo Julie virar a advogada mas sedenta por justiça possível, assim eu já estava novamente debaixo de suas asas.

Quando terminamos assinei uma autorização para uma ordem judicial, para iniciar o processo e ele se manter longe de mim por aproximadamente cinquenta metros, o que para mim ainda era pouco considerando que ele pudesse atirar em mim ou me jogar uma pedra ou madeira, nessa distância penso sarcástica, me dirijo para fora vendo o mesmo sentado no banco com mamãe ao seu lado e o modo que ele encarava a mim e Julie era o pior que eu já vira, eu precisava de ar para me recuperar disso.

— Aqui está sua restrição — diz Julie entregando a ordem para ele.

— Jura Holliston ? UMA ORDEM JUDICIAL CONTRA SEU PRÓPRIO PAI ? — brandi mamãe parecendo mas que brava  — quanto a você Julie ele é seu cunhado — murmura segurando os papéis na sua cara.

— Eu disse que ela iria influenciar a garota fazendo todos seus gostos colocando em escolas de rico e todas essas coisas — diz ele se levanto e eu automaticamente me afasto, me escondendo atrás de Julie.

— Nossa própria família em guerra, Deus quando teremos paz — pergunta mamãe chorando.

— Quando ele pegar pelo que fez com Holly — diz Julie friamente sem se comover com a cena — se mantenha longe de Holly ao menos que queira ser preso — sorri ela me puxando.

(...)

— Isso é algum tipo de coleira ? — pergunta Taylor mexendo no meu bracelete.

— Não é um rastreador via satélite — explico puxando meu braço  de volta.

— O que não deixa de ser uma coleira moderna — zomba ela.

— Pra que serve ? — pergunta Mckenna com sua mão apoiada no balcão apoiando a cabeça.

— Bem serve para saber se ele está por perto, ele fica vermelho e apita, se continuar vermelho por mais de dois minutos polícias são automaticamente acionados — explico.

— Taylor eu vou te comprar um desses — diz Daphne fazendo as garotas rirem.

— Não me conformo que você fez mesmo isso — diz Ashlee apoiada no colo de Megan.

— Nem eu — digo encarando a morena que parecia perdida em pensamentos distantes.

— Terra chamando Megan — Ashlee cutuca ela que finalmente olha ao seu redor nos pegando encarando ela.

— Desculpem eu estava pensando — explica.

— Você pensa ?! — zomba Daphne rindo junto a Taylor.

— Faltam três meses para a festa de Joseph, estou preocupada quero tudo em ordem pois será o casamento dele, não pode dar nada errado — continua.

— Já organizamos tudo, pode deixar que vai ser perfeito — encoraja Mckenna apoiando se aos ombros da garota e observo um reflexo atrás do vidro da cozinha e olho imediatamente para meu bracelete verde e vejo Julie entrando na cozinha.

— Notícias ? — pergunto indo ate sua direção.

— Nenhuma — responde.

— Nem de mamãe ? — insisto vendo sua expressão mudar.

— Sua mãe não entende, não é mesmo ?! — se lamenta.

— Ela nunca entenderá — murmuro.

— Vamos ter paciência — diz e me dirijo ao encontro das garotas — Holly só vou te pedir uma coisa — diz.

— Pois não ?

— Não faça nada, tudo poderá prejudicar o rumo do processo, sei que guardou suas mágoas por muito tempo mas é de crucial importância que fique quieta na sua, curta o momento com suas amigas — argumenta.

— Tudo bem — digo sorrindo — E tia...

— Sim.

— Onde está Manuela ? — pergunto notando a ausência da menor.

— Sabia que sentiria sua falta — sorri — Manu venha dizer oi para Holly — chama ela e observo a porta a garotinha correndo na minha direção, tão cheia de agasalhos que achei que era uma garotinha dentro de uma bola de roupas e não uma bola de roupas dentro de uma garotinha.

— Tia Holly — grita correndo para pular em meus braços.

— Oi Manu onde foi que você estava em ? — pergunto fazendo cócegas na pequena.

— Fui esquiar com papai — diz de forma irônica como se fosse obvio por suas roupas de neve e caio na gargalhada.

— E como foi o passeio ? — pergunto vendo ela eufórica querendo descer.

— Foi muito legal, eu complei uma coisa — diz correndo e sumindo no corredor, me fazendo ir ate as garotas e sentar no balcão para ver a pequena bola de roupas voltando correndo segurando uma bolsa de Dora aventureira.

— Ela parece um pinguim andando — Daphne comenta.

— Você sabe que ela tem menos de 4 anos não é ? — resmungo jogando a primeira coisa que vejo na minha frente que é um paliteiro.

— Estou dizendo que é fofo — comenta.

— Oia Tia — diz a pequena abrindo a bolsa e tirando roupas de bonecas, que vão se espalhando no chão, e ela continua na mochila como se tivesse procurando algo e tira a sacola com dois pacotes e encara as meninas e para na minha frente fazendo um gesto para eu me abaixar e ela contar no meu ouvido como se fosse um segredo — Só tenho doisi — se explica apontando para elas como se elas não tivesse a vendo.

— A tudo bem elas podem comprar quantos elas quiserem — explico rindo.

— Eu tousse pra você — diz me entregando o primeiro pacote vermelho todo embrulhado e finjo estar tentando ouvir o que tem dentro do pacote, fazendo a pequena gargalhar e depois de fingir não conseguir abrir recebo ajuda dela para abrir e ver uma caixinha e surpresa de verdade abro encontrando um colar de duas bonequinhas juntas e olho para Julie que fica a olhando de  longe.

— Essa é você e essa é a pessoa que você ama — explica mostrando a outra bonequinha e fico espantada.

— Frank você que escolheu ? — pergunto para ele aparecendo atrás de Julie.

— Não, ela escolheu sozinha os dois — diz sorrindo para ela.

— Tia eu sei que você gosta de galotas, eu também poquê os galotos da minha scola ficam puxando meu cabelo e brincam de lutinha — diz ela mostrando a língua.

— Eu já disse que amo essa garota ? — pergunta Mckenna parecendo bestificada com Manuela e me questionei se não era por estar começando a fluir pensamento maternos nela.

— Eu amei obrigado Manu você pode me ajudar a colocar ? — pergunto fazendo ela concordar e juntas colocamos a corrente e meus olhos ameaçam marejar, pois ela era tão inocente, tão novinha, não teve maldade em seu gesto — e quanto aquele outro ? — pergunto me lembrando do outro pacote.

— Aquele não é seu tia — ri ela divertida.

— Como não, o que tem lá ? — pergunto levantando a sobrancelha.

— É segredo — diz rindo enquanto balançando os pés de um lado para o outro.

— Me conta — digo a fazendo me olhar e balançar a cabeça negativamente — por favorzinho — peço novamente.

— Você vai manter segledo ? — pergunta.

— Prometo — faço os sinais beijando os dedinhos.

— Então vou te mostla — diz correndo até a mochila pegando o pacote e vindo ate mim e mostra um na cor verde e abre sozinha me mostrando uma pequena moto preta, com alguns traços verdes e meus olhos já marejam amargamente — esse vou dar para tia Charlie, ela me deixa pintar quantos desenhos quelo, eu sei que ela é sua namolada, eu escolhi porque é a moto dela — explica — tia porque ta cholando ? Quelia uma também ? — pergunta a pequena colocando a mão na minha perna.

— Vamos Manu está na hora do Barney — chama Julie fazendo a pequena voltar a me olhar.

— Tia você pode entregar pra ela ? — pergunta.

— Claro — digo depois de longos minutos encarando o brinquedo em minhas mãos.

— Não esquece de dizer que fui eu que dei espertinha — brinca ela pulando no colo de sua mãe gritando “ Hora do Barney ”.

Me levanto e caminho ate o vidro da porta que dava acesso a piscina, a atravesso sentindo o ar faltar em meus pulmões, eu já nem me lembrava como era seu sorriso de tanto tentar me esquecer, parece que eu já havia conseguido conquistar meu objetivo e tento me acalmar e evitar começar a chorar novamente, já faziam agora mais de um mês e ainda sim parecia horas ou minutos, doía lembrar de tudo, ainda sim doía.

— Tudo bem com você ? — pergunta Ashlee aparecendo ao meu lado encarando a piscina assim como eu.

— Na medida do possível — explico respirando profundamente antes de dar meia volta em direção a cozinha quando vejo Hilary correndo na minha direção praticamente saltando em meu colo.

— Que bom que está bem tenho algo para te contar — diz parecendo elétrica.

— Pode começar — seguro ela pela cintura e a encaixo no meu corpo a fazendo suspender do chão e a carrego até o balcão.

— Holly, você me surpreende cada vez mais — diz Daphne maliciosamente e Taylor cala sua boca.

— Primeiro que sua amiga está oficialmente namorando e segundo que...

— Espera você o que ? — pergunto.

— Não importa, o segundo é sobre seu pai — diz mudando de assunto tão rápido quanto entrou.

— O que tem ele ? — pergunto.

— Bem, sua igreja foi apedrejada por um grupo de manifestantes cristãos contra a homofobia, o que chega ser irônico — zomba.

— Ele está bem ? — pergunto mesmo que eu não ligasse muito.

— Está — diz ela revirando os olhos para mim — estava fechada quando aconteceu, agora alguns de seus seguidores saíram, pois estão com medo de um novo ataque — explica.

— Acho que ele está ficando uma figurinha muito mal falada — diz Mckenna fazendo as garotas concordarem.

— Nada que ele não merece — diz Hilary olhando para o balcão e captando a moto ficando incrivelmente quieta.

— Manuela — digo a fazendo me encarar.

— Ok bem era isso — diz ela cruzando as pernas.

— Bem as coisas estão tomando caminhos sérios — digo olhando uma por uma — a escolha foi dele não minha — insisto dando de ombros.

(...)

Fiquei parada encarando a casa alguns minutos antes de me arrastar para lá, olhando sempre a pulseira me certificando que continuava verde e assim atravesso a porta sem bater, apenas olhando tudo ao meu redor a procurando. Então subo as escadas esperando a encontrar nos quartos, mas não a vejo, então desço e caminho ate a cozinha a vendo de costas mexendo em algo no fogão e me movo fazendo meu coturno bater no chão entregando minha presença.

— Chegou cedo querido estou terminando de arrumar aqui e...

— Achei que precisaria de ajuda — digo a vendo me encarar amargamente.

— O que está fazendo aqui ? Pensei que estivesse na casa da sua adorável tia — diz.

— Estou, mas eu precisava saber como estava e já que não atende meus telefonemas, achei melhor vir pessoalmente — digo sentindo um aperto no peito 

— Decepcionada — explica.

— Mãe eu sinto muito por ter que te envolver nisso, mas eu tinha que fazer algo...

— Holly você já parou para pensar em tudo o que está causando em nossa família, fazendo duas irmãs brigarem, dois genros se odiarem ainda mais, e quanto a pai e filha em pé de guerra? — começa dizer colocando os pratos sobre a mesa.

— Estou fazendo o que deveria ser feito, me perdoe se não sou a filha perfeita, se sou lésbica, alcoólatra e pouco amigável — resmungo.

— Escute — diz se aproximando — eu te amo e não é isso que vai me fazer te amar menos — segura meu rosto — assim como seu pai te ama — diz me fazendo bufar.

— Estou vendo esse amor todo — reclamo me afastando.

— Ama do jeito dele ,mais ama sim filha — me encara seriamente — amor de pai é diferente de mãe — argumenta

— Então prefiro só ter seu amor porque o de pai...

— Holliston escute — me interrompe vindo na minha direção rapidamente — seu pai não é um homem mal, ele nunca teve a intenção de te magoar, ele só queria te proteger, não é justo com ele também — suspira — os pais são mas difíceis de aceitar as escolhas dos filhos, porque eles não os carregam nove meses como as mães, eles apenas protegem, cuidam e zelam o conforto e geram bem estar na criança, ajudam na educação e tentam dar o mundo para vocês — mamãe parece querer chorar — quando você nasceu ele ficou tão feliz que fosse uma garotinha, eu perguntei porque ele teve essa reação já que os homens costumam ficar muito mas felizes quando nasce um garoto, você sabe porque ele reagiu assim? — me encara.

— Não, mas acho que era pra ter duas empregadas para fazerem as vontades dele — zombo.

— Não, ele ficou feliz porque você séria uma linda princesa e ele... — ela se interrompe e reprime um grito me fazendo a ajudar imediatamente.

— Mãe o que ouve ? — pergunto a encarando preocupada.

— Nada apenas um desconforto vai passar — diz se afastando.

— Bem, você não deveria falar mas nada apenas aceitar — continuo.

— Acho que você deveria parar para ver o que está causando, já pensou em como seu pai está arrasado com tudo isso, a cada dia que passa menos pessoas frequentam sua igreja, cada dia nossos amigos deixam de nos convidar para festas e tudo porque você não soube conversar com ele — lamenta.

— A culpa não é minha se ele não soube cuidar de sua cria — resmungo.

— Estou falando sério, você vai ir ate sua tia e cancelar tudo isso — adverte.

— Não  eu não vou — cruzo os braços e no mesmo minuto vejo mamãe respirar profundamente, mas dessa vez era como se tentasse puxar o ar.

— Mãe qual foi a ultima vez que você foi ao médico ? — pergunto a encarando.

— Eu estou ótima — da de ombros.

— Não me parece ótima — resmungo e escuto um bip irritante e olho para minha pulseira na coloração vermelha e meu corpo treme.

— Vai embora Holly — diz mamãe assim que percebe.

— Eu já estou indo só vim te ver — explico encarando a porta esperando que ele fosse aparecer a qualquer momento — olha eu posso estar sendo injusta contigo, mas saiba que acho que isso é justo com ele mãe — continuo olhando fixamente para a porta — Não precisa me ignorar mãe — digo agora olhando na direção do balcão e ela não está lá — Mãe — chamo olhando para os lados ela não poderia desaparecer do nada sem eu perceber, então dou mas alguns passos e minha cabeça martela com a imagem dela caída no chão.

— Querida você não vai acreditar essa droga de pulseira... — ele atravessa a porta e quando me vê cerra os punhos e em passos rápidos se aproxima de mim e percebe mamãe caída aos meus pés — o que você fez com ela ? — pergunta desesperado indo ate ela.

— Eu...eu... — não consigo dizer nada porque estou em choque encarando mamãe estirada no chão, ele se coloca a examina-la e volta a me encarar.

— Que droga você fez com ela ? — berra e tento dizer algo mas meus olhos estão vidrados nela e tento ir na sua direção, mas ele me empurra violentamente contra a parede — Você fez isso com ela — grita apontando mamãe no chão e eu tento conter as lágrimas no meu rosto que caiem violentamente, eu só conseguia ver mamãe naquele estado e tentar caminhar ate elas mas não conseguia.

Marcus gritava comigo e apontava ela as vezes tentava reanima-la, mas eu só conseguia ouvir os toques irritantes do bip e ouvir sirenes, lembrar de Marcus encima de mim e ter a vaga lembrança de um policial segurando ele pelo pescoço o tirando da casa, enquanto outro vinha em minha direção e eu apontava mamãe e o mesmo espantando começava uma massagem cardíaca. Tudo passou bem rápido diante meus olhos, Marcus sendo algemado e sendo contido no camburão gritando contra mim, enquanto eu saia cambaleando pra fora encontrando Hilary com os olhos perturbados, vendo mamãe saindo carregada eu não conseguia falar, parecia que minha língua tinha sido comida por um animal qualquer.


Notas Finais


Enjoy 😎


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