História Traição - Capítulo 1


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 320
Palavras 3.132
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Tudo desmorona


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 1 - Tudo desmorona

GRÁVIDA.

Apesar do calor do dia de verão, um incômodo calafrio percorreu a pele de  Ámbar Smith  no momento em que ela se sentou no banco do pequeno jardim, a poucos quarteirões do apartamento que dividia com  Simón Alvarez .

Um tremor a sacudiu mesmo quando os raios solares incidiam sobre os dedos que ela fechava com força, o calor incapaz de lhe dissipar os arrepios. Seu breve desaparecimento não agradaria a Stavros. Tampouco a  Simón , quando o guarda-costas lhe contasse que ela não seguira as medidas de segurança. Contudo, arrastar aquele necessário brutamontes para sua consulta com o médico não lhe parecera uma opção.  Simón  teria ficado sabendo da gravidez antes de ela retornar e lhe contar.

Como ele reagiria àquela notícia? Apesar de terem tomado precauções, estava com oito semanas de gravidez. A ocasião mais provável que podia imaginar fora quando  Simón  voltara de uma longa viagem de negócios ao exterior e se mostrara insaciável. Mas ela correspondera com o mesmo entusiasmo.

Um intenso rubor dissipou o frio em seu rosto enquanto se recordava da noite em questão.  Simón  fizera amor com ela incontáveis vezes, murmurando palavras suaves em grego, que fizeram seu coração executar acrobacias dentro do peito.

 Ámbar verificou a hora no relógio de pulso. Ele chegaria em casa dentro de poucas horas, e, ainda assim, a covardia a imobilizava naquele lugar por temer uma discussão. Ainda não havia trocado a calça jeans desbotada e a camiseta, trajes que usava apenas na ausência de  Simón .

Com uma relutância originada da insegurança,  Ámbar se forçou a levantar e começou a cruzar a curta distância até o prédio luxuoso que abrigava o apartamento de  Simón .

– Está sendo tola – resmungou ela à medida que se aproximava da entrada. Se o porteiro se surpreendeu ao vê-la chegar a pé, não demonstrou, embora tenha se apressado a admiti-la dentro do prédio.

Ao entrar no elevador, ela acariciou o abdome ainda plano. O nervosismo lhe apertando o peito durante a subida. Quando o elevador estacou com um solavanco suave e as portas se abriram para o espaçoso saguão da cobertura, ela mordeu o lábio inferior e saiu.

Em seguida, se encaminhou à sala de estar, se livrando dos sapatos durante o percurso até o sofá, onde pousou a bolsa. A fadiga lhe triturava os músculos, e tudo o que desejava era se deitar. Contudo tinha de matutar uma forma de abordar o assunto sobre seu relacionamento com  Simón .

Alguns dias atrás, diria que estava totalmente satisfeita, mas o resultado do exame de sangue daquele dia a deixara abalada. Fizera-a refletir sobre os últimos seis meses que vivera com  Simón .

Amava-o com toda a força de seu coração, mas tinha certeza do lugar que ocupava na vida dele. Quando estava ao seu lado, ele parecia ardente. O sexo era fantástico. Mas agora tinha de pensar em seu bebê. Precisava mais do que sexo excitante nas semanas em que a agenda atribulada do homem que amava permitia.

 Ámbar penetrou na ampla suíte e estacou quando  Simón  saiu do toalete, com apenas uma toalha lhe envolvendo os quadris.

Um sorriso lento se formou no belo rosto másculo. Todas as vezes que pousava o olhar naquele homem tinha a mesma sensação da primeira vez. Arrepios lhe percorriam a pele, e labaredas lhe lambiam todas as terminações nervosas.

- Che… chegou cedo. – Ela conseguiu dizer.
- Estava esperando por você, pedhaki mou. –  Simón  retrucou com voz rouca.

Em seguida, deixou a toalha cair, fazendo-a engolir em seco quando fixou o olhar na potente ereção. Com passos predatórios, ele fechou rapidamente o espaço que os separava. As mãos longas se curvaram sobre os ombros delicados, ao mesmo tempo em que ele inclinava o rosto para lhe saquear os lábios.

 Ámbar deixou escapar um leve suspiro enquanto sentia os joelhos cederem. Ele era como um vício. Um do qual poderia nunca se saciar. Tudo que  Simón  tinha a fazer era tocá-la para que ela se consumisse em paixão.

Os lábios experientes escorregaram da mandíbula de  Ámbar para lhe tocar a pele do pescoço. Os dedos longos e impacientes, tentando livrá-la da blusa. Como se tivessem vida própria, as mãos de  Ámbar se fecharam em torno dos cabelos pretos, puxando-o para perto.

Forte, esbelto, musculoso. Um predador deslumbrante. Ele se movia com graça e maestria, dedilhando-lhe o corpo como um instrumento perfeitamente afinado.

Quando  Simón  a inclinou na direção da cama, ela se agarrou ao pescoço largo.

Está com muitas roupas – murmurou ele enquanto lhe retirava a camiseta pela cabeça.

 Ámbar sabia que deviam parar. Precisavam conversar, mas sentira a falta daquele homem. Ansiara por ele. E talvez uma parte de si desejasse aqueles momentos, antes que tudo mudasse de forma radical.

 Simón  lhe retirou o sutiã, e ela ofegou quando os dedos ávidos lhe tocaram os mamilos agora ultrassensíveis. Estavam escurecidos, e  Ámbar imaginou se ele perceberia.

- Sentiu saudades?
- Sabe que sim – respondeu ela ofegante.
- Gosto de ouvir você dizer isso.
- Senti saudades. –  Ámbar cedeu com um sorriso a lhe curvar os lábios.

Não deveria surpreendê-la a rapidez com que  Simón  a despiu, atirando o jeans, o sutiã e a calcinha pelo chão. E então, o corpo musculoso pairava acima dela, sobre ela, dentro dela.

 Ámbar arqueou as costas enquanto ele a possuía, colando-se à estrutura sólida e quente daquele corpo musculoso, durante todo o tempo em que faziam amor. A paixão excitante e ardente. Era sempre assim. A um passo do desespero. O desejo um pelo outro os consumindo por inteiro.

Ao mesmo tempo em que a puxava para os braços,  Simón  sussurrava em grego. As palavras lhe roçando a pele como uma carícia enquanto atingia o ápice do prazer.  Ámbar se aninhou ao corpo forte, feliz e saciada.

Devia ter dormido, porque quando abriu os olhos,  Simón  estava deitado a seu lado, o braço estirado de maneira possessiva sobre seus quadris. Ele a observava com os olhos dourados ardentes pelo prazer da saciedade.

Aquele era o momento certo. Precisava abordar o assunto. Nunca encontraria melhor ocasião. Por que o pensamento de questioná-lo sobre aquele relacionamento lhe enchia o coração de receio?

- Simón  – começou em tom de voz suave.
- O que é? – Ele perguntou espremendo o olhar. Teria percebido a preocupação em seu tom de voz?
- Preciso conversar com você.

Esticando o corpo avantajado, ele recuou alguns centímetros para poder olhá-la melhor. O lençol escorregou até os quadris retos e se amarfanhou lá.  Ámbar se sentiu vulnerável, exposta e trêmula quando a mão longa escorregou pela superfície de um de seus seios?

- Sobre o que quer conversar?
- Sobre nós – retrucou ela concisa.

Os olhos dourados de  Simón  se tornaram desconfiados, mas logo em seguida, ocultaram qualquer emoção. O rosto se transformando em uma máscara de indiferença, que a assustou. Podia senti-lo recuando, mentalmente se afastando dela.

O som da campainha a faz se sobressaltar.  Simón  xingou em voz baixa e esticou a mão para apertar o botão do interfone.

- O que é? – perguntou sucinto.
- É Emilia. Posso subir?

 Ámbar sentiu o corpo enrijecer ao som do nome da assistente de  Simón . Era quase noite e ainda assim a mulher estava lá, tocando na campainha do que ela sabia ser o apartamento que o patrão dividia com a amante.

- Estou muito ocupado no momento, Emilia. Certamente isso pode esperar até eu chegar ao escritório amanhã.
- Sinto muito, senhor, mas não pode. Preciso de sua assinatura em um contrato que está sendo esperado para as 7h.

 Simón  soltou outro xingamento baixo.

- Então, entre – convidou, atirando as pernas pela lateral da cama e se levantando. Em seguida, caminhou até o guarda-roupa de mogno lustroso e de lá retirou uma calça comprida e uma camisa.
- Por que ela vem aqui com tanta frequência? – perguntou  Ámbar em tom de voz calmo.
- Ela é minha assistente – retrucou, dirigindo-lhe um olhar surpreso. – É sua função trabalhar em conjunto comigo.
- Em sua residência?

 Simón  fez um movimento negativo com a cabeça enquanto abotoava a camisa.

- Voltarei dentro de um minuto e poderemos ter nossa conversa.

 Ámbar o observou sair do quarto, com o peito ainda mais apertado. Sentiu-se tentada a deixar aquela discussão para outra noite, mas tinha de lhe contar sobre a gravidez e, para isso, precisava saber quais eram os sentimentos de  Simón  em relação a ela. O que ele pensava sobre o futuro de ambos. Portanto, teria de ser aquela noite.

A ansiedade de  Ámbar aumentava à medida que os minutos escoavam. Não desejando a desvantagem da nudez, se ergueu da cama e vestiu o jeans e a camiseta. Bastava de parecer composta e bela!, pensou, tristonha, com um gesto negativo de cabeça.

Por fim, ouviu os passos de  Simón  do lado de fora da suíte e o viu entrar com a testa franzida em uma expressão distraída. Quando pousou o olhar nela, retorceu os lábios em desaprovação.

- Prefiro-a nua, pedhaki mou.

 Ámbar exibiu um sorriso trêmulo e voltou para a cama.

- Tudo bem no trabalho?

 Simón  fez um gesto negligente com a mão.

- Nada que não tenha sido resolvido. A falta de uma assinatura. – Ele caminhou com passadas firmes até a cama, com um brilho predador no olhar. Quando se encontrava a 30cm de onde ela estava, estacou e esticou a mão para os botões da blusa da camisa.
-  Simón … precisamos conversar.

Uma expressão aborrecida se estampou no belo rosto másculo, mas logo em seguida ele deixou escapar um suspiro resignado, sentando-se na cama ao lado dela.

- Então, fale. O que a está preocupando?

A frieza de  Simón  quase a fez desistir. Ela se recostou para trás na cama em uma tentativa de colocar alguma distância entre os dois.

- Quero saber o que sente por mim, como vê nosso relacionamento – começou nervosa. – E se temos um futuro.

 Ámbar ergueu o olhar para lhe captar a reação. Os lábios sensuais se apertaram em uma linha fina.

- Então, é isso – disse ele em um tom de voz severo.

Em seguida, se levantou e virou-se de costas para ela, antes de tornar a girar para encará-la.

- Is… isso o quê? Apenas preciso saber o que sente por mim. Se temos um futuro. Nunca fala sobre nós em nenhum tempo a não ser o presente – concluiu tímida.

 Simón  se inclinou para a frente e lhe segurou o queixo.

- Não temos um relacionamento. Não sou afeito a relacionamentos, e você sabe disso. Considero-a minha amante.

Por que sentia como se ele tivesse acabado de esbofeteá-la? O queixo de  Ámbar pendeu sobre a mão longa enquanto ela o encarava como os olhos arregalados pelo choque.

 - Amante? –  Ámbar grasniu. Uma companheira com quem vivia. Uma namorada. A mulher com quem ele estava saindo. Aqueles eram termos que ele poderia ter usado. Mas amante? Uma mulher que comprara? Uma mulher a quem pagava para ter sexo? A náusea lhe chegou à garganta.  Ámbar afastou a mão com força e cambaleou, recuando para trás. Uma expressão confusa se estampou no rosto de  Simón . – Isso é realmente o que significo para você? – perguntou ainda perplexa, incapaz de compreender a declaração que ele fizera. – Uma am… amante?

Um suspiro exasperado escapou dos lábios de  Simón .

- Você está nervosa. Sente-se que vou lhe trazer algo para beber. Tive uma semana difícil eé óbvio que você não está bem. Não será bom para nenhum de nós prosseguir com essa discussão.

 Simón  a levou de volta à cama e, em seguida, saiu da suíte, em direção à cozinha. Após uma longa semana armando ciladas para a pessoa que estava tentando trair sua empresa debaixo de seu nariz, a última coisa de que precisava era uma discussão histérica com a amante.

Encheu um copo com o suco favorito de  Ámbar e, em seguida, preparou uma boa dose de conhaque para si mesmo. O início de uma dor de cabeça começava a incomodá-lo.

Um sorriso lhe curvou os lábios quando se deparou com os sapatos de  Ámbar no meio do chão, onde ela os havia largado tão logo saíra do elevador.  Simón  seguiu a trilha das coisas deixadas por ela até o sofá, onde a bolsa se encontrava jogada.

 Ámbar era uma criatura tranquila. Nunca se mostrava exigente. Portanto, aquela explosão emocional o pegara de surpresa. Aquilo não combinava em nada com ela.  Ámbar não era pegajosa, motivo pelo qual aquele relacionamento perdurara. Relacionamento? Acabara de negar que tivessem um. Ela era sua amante.

Deveria ter suavizado a resposta que lhe dera. Provavelmente  Ámbar não estava se sentindo bem e precisava de um pouco de ternura de sua parte. O pensamento fez suas feições contraírem, mas ela sempre estava pronta para confortá-lo após semanas de viagens de negócios e reuniões entediantes. Era justo que ele lhe oferecesse mais do que sexo. Embora o sexo com  Ámbar figurasse no topo de sua lista de prioridades.

 Simón  girou para voltar ao quarto e tentar contornar aquela situação, quando um pedaço de papel que saltava para fora da bolsa de  Ámbar lhe chamou atenção. Estancando, franziu a testa e pousou as bebidas na mesa de centro.

O medo lhe fez contrair o peito. Não podia ser.

Esticou a mão e arrancou o papel da bolsa, abrindo-o com um movimento brusco, enquanto a raiva, quente e volátil, se derramava em suas veias. Ámbar, sua Ámbar, era a traidora dentro de sua empresa?

 Simón  queria negar o fato. Amassar a prova e atirá-la no lixo. Mas a tinha diante de si, encarando-o. A informação falsa que plantara naquela mesma manhã na esperança de encontrar a pessoa que vendera os projetos sigilosos da empresa para seu concorrente havia sido levada por Ámbar. Ela não perdera tempo.

De repente, tudo se tornou claro. Seus planos de construção começaram a desaparecer na mesma época em que  Ámbar se mudara para a cobertura. Ela continuara a trabalhar para sua empresa e, mesmo depois de ele tentar convencê-la a se demitir para lhe dedicar tempo integral,  Ámbar ainda tinha acesso irrestrito ao seu escritório. Que tolo fora!

O telefonema de Stavros horas antes se alojou na mente de  Simón  como uma adaga. Na ocasião, sentira-se apenas levemente aborrecido, uma questão que planejara discutir com  Ámbar quando a encontrasse. Pretendia lhe passar um sermão sobre atitudes negligentes, sobre segurança, quando, na verdade, era ele que não estava seguro na companhia de Ámbar. Ela fora ao escritório dele e, em seguida, desparecera por várias horas. E agora, os documentos de sua empresa apareciam na bolsa que ela estava usando.

Com os papéis apertados em uma das mãos, saiu pisando duro na direção do quarto para encontrá-la ainda sentada na cama. Ela girou o rosto úmido pelas lágrimas para encará-lo, e tudo que  Simón  conseguiu enxergar foi o quanto aquela mulher fora hábil em manipulá-lo.

- Quero-a fora de meu apartamento dentro de 30 minutos – disse sem rodeios.

 Ámbar o encarou, chocada. Teria ouvido corretamente?

- Não entendo – retrucou com a voz estrangulada.
- Tem 30 minutos para juntar suas coisas, antes que eu acione a segurança para colocá-la para fora.

 Ámbar se ergueu em um pulo. Como tudo pudera sair tão errado? Ainda nem havia lhe contado sobre a gravidez.

- O que há de errado? Por que está tão zangado comigo? Foi por causa de minha reação ao ouvi-lo me rotular como sua amante? Foi um grande choque para mim. Achei que significava mais do que isso para você.
- Agora só lhe restam 28 minutos – insistiu ele, com frieza, erguendo a mão com várias folhas de papel amarrotadas – Como foi capaz de pensar que poderia levar isso a cabo? Acha mesmo que eu toleraria sua traição? Não tenho a menor compaixão com traidores e mentirosos, e você, minha querida, consegue ser as duas coisas.

Todo o sangue desertou o rosto de Marley. Ela oscilou, quase se desequilibrando, mas  Simón  não fez um só movimento para ajudá-la.

- Não sei a que está se referindo. Que papéis são esses?

Os lábios sensuais se curvaram em um sorriso desdenhoso.

- Os que roubou de mim. Tem sorte de eu não telefonar para as autoridades. Mas se eu pousar alguma vez pousar os olhos em você outra vez, será exatamente isso que farei. Seus esforços poderiam ter enfraquecido minha empresa. Mas quem fez papel de tola foi você.

Estes são documentos falsos que plantei para tentar descobrir o culpado.

- Roubei? – A voz de  Ámbar se ergueu com o nervosismo. Esticando o braço, arrancou os papéis da mão de  Simón . As palavras enevoadas diante de seus olhos. Tratava-se de um e-mail interno impresso, obviamente de um endereço do ISP da empresa. Informações sigilosas. Detalhamento de projetos de construção para uma proposta futura em uma grande cidade estrangeira. Fotocópias e desenhos. Nada daquilo fazia sentido.

 Ámbar ergueu a cabeça e sustentou seu olhar, como se o mundo estivesse desmoronando e se despedaçando ao seu redor.

- Acha que roubei estes papéis?
- Estavam dentro da sua bolsa. Não insulte a ambos negando o que fez. Quero-a fora daqui.– Com um gesto teatral,  Simón  conferiu a hora no relógio. – Agora só lhe restam 25 minutos.

O nó na garganta de  Ámbar cresceu e lá se alojou, quase a impedindo de respirar. Não conseguia pensar nem reagir.

Entorpecida, se encaminhou à porta, sem pensar em juntar suas coisas. Tudo o que queria era sair dali. Estacou segurando a maçaneta para se equilibrar antes de girar para tornar a encará-lo. O semblante de  Simón  permanecia impassível. Linhas vincavam sua a pele em torno dos lábios e os olhos pareciam intolerantes e implacáveis.

– Como pôde pensar que eu faria uma coisa dessas? – sussurrou antes de girar e sair.

 Ámbar cambaleou às cegas para o elevador. Soluços silenciosos lhe escapavam da garganta enquanto descia até o saguão. O porteiro lhe lançou um olhar preocupado e se ofereceu para lhe arranjar um táxi. Ela o dispensou com um gesto de mão e penetrou na noite, caminhando, sem firmeza, pela calçada.

O ar morno soprava seu rosto. As lágrimas esfriavam sua pele, mas ela não se importava.  Simón  teria de ouvi-la. Faria com que a escutasse. Permitiria que ele se acalmasse durante aquela noite, mas seria ouvida. Tudo não passava de um terrível engano. Tinha de haver alguma forma de fazê-lo cair em si.

Transtornada,  Ámbar não prestou atenção no homem que a seguia e, quando virou a esquina, sentiu a mão forte lhe segurar o braço. O grito de alerta foi abafado por um saco de pano que lhe foi enfiado pela cabeça. Ela lutou, frenética, mas com a mesma rapidez se descobriu empurrada para o assento traseiro de um veículo. Ouviu a porta bater com força e o murmurinho de vozes baixas. Em seguida, o veículo se pôs em movimento.



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