História Traição - Capítulo 10


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 88
Palavras 4.591
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Atrapalho ?


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 10 - Atrapalho ?

ÁMBAR SE ajoelhou no chão frio do jardim e arrancou algumas ervas daninhas que circundavam as flores e a folhagem. Durante a rotina de trabalho matinal de Simón , ela encontrara outras formas de ocupar seu tempo para o desânimo do jardineiro que voava até ali duas vezes por semana para cuidar dos jardins.

Desde aquele desabafo na praia, Simón deixara de lhe impingir Patrice e o dr. Karounis a cada preocupação com sua saúde. Em vez disso, a enfermeira e o médico se mantinham nos bastidores para serem acionados se necessário e Simón lhe permitira transitar pela escada sozinha.

Apesar do fato de continuar trabalhando durante as manhãs, ele aparecia para tomar café da manhã em sua companhia antes de retornar ao escritório. E então, começava o divertimento de Ámbar . Todas as manhãs, encontrava uma forma de enlouquecê-lo. Quando Simón saía à sua procura, após a jornada de trabalho, invariavelmente Ámbar punha à prova a promessa que ele fizera em se abster de exigir que descansasse.

Quando ele a encontrara no jardim, apoiada nas mãos e nos joelhos, Ámbar pensou que fosse vê-lo enfartar. No mesmo instante, Simón erguera nos braços, a carregara para dentro de casa e pela escada, a despira e a colocara na banheira.

Ámbar dera risadinhas da expressão feroz do noivo, escutara com pretensa seriedade o sermão sobre não se colocar em perigo daquela forma nunca mais e no mesmo instante tramara incorrer na mesma travessura, tão logo Simón se distraísse com o trabalho.

Aquilo dera início a um jogo engraçado entre eles, no qual o divertimento ficava exclusivamente por conta de Ámbar , porque ele não conseguia achar nenhuma graça em sua contínua desobediência.

E então, lá estava ela, esperando, extasiada, o momento em que ele a encontrasse.

Ámbar ouviu o suspiro exasperado atrás dela e sorriu, mesmo quando se viu erguida no ar. Sua cabeça colidiu com a solidez do peito largo e um sorriso lhe curvou os lábios diante da expressão sombria de Simón , que resmungava durante todo o trajeto até a casa.

– Prometi suavizar minhas tendências superprotetoras. Parei de insistir para que descansasse e até permiti que você transitasse sozinha pela escada. – Ámbar revirou os olhos.

– Mas você é capaz de desafiar a paciência de um santo.

Como fizera antes, e com o que ela estava contando, Simón a despiu e colocou-a em um banho de imersão. Ele lhe lançava olhares furiosos o que a fazia soltar risadinhas enquanto afundava na água. Ámbar se banhava lentamente, e os olhos âmbar seguiam cada movimento com um desejo feroz.

Deleitando-se com o fato de deter toda a atenção de Simón , valeu-se daquela vantagem para, lânguida, esfregar a esponja sobre cada centímetro de seu corpo.

Quando terminou, lançou um olhar inocente à Simón , que a secava com uma toalha. Ámbar conjurou um de seus melhores sorrisos, mas aquilo não ajudou em nada a suavizar o brilho feroz daqueles olhos dourados.

– Sua graciosidade não a livrará de um sermão, pedhaki mou.

– Bem, ao menos sou graciosa – retrucou atrevida.

– Por que insiste em me provocar? Meus cabelos estão ficando grisalhos e a culpa é toda sua.

Ámbar relanceou o olhar aos cabelos negros do noivo que não se encontravam maculados por um único fio branco e ergueu as sobrancelhas.

– Pobre querido. Está muito velho para lidar com uma mulher grávida?

– Eu lhe mostrarei o velho – rosnou ele enquanto a erguia da banheira.

Mal teve tempo de secá-la, antes de penetrar no quarto com passos duros e depositá-la na cama. Os olhos de Ámbar se arregalaram, apreciativos, quando ele começou a se despir revelando o corpo musculoso.

– Certamente tenho de agir como uma menina levada com mais frequência – murmurou ela.

– Posso me acostumar facilmente com a punição.

– Sua feiticeira – disse ele ao se inclinar na direção dos braços que o aguardavam.

Simón sempre determinava a forma como faziam amor, e ela sabia que sempre fora daquele jeito, mas no momento foi invadida por um repentino desejo de virar a mesa. Enlouquecê-lo da mesma forma como Simón fazia com ela.

Ámbar o empurrou, fazendo-o recuar e erguer o tronco com a testa franzida. Em seguida, também se ergueu e pousou as mãos nos ombros largos, forçando-o a se deitar de costas. Quando montou sobre os quadris retos com um joelho de cada lado, observou a expressão chocada com que ele a encarava e um sorriso malicioso lhe curvou os lábios.

– Quero tocá-lo – disse com voz suave, espalmando as mãos sobre as coxas musculosas eas movendo lentamente para cima.

Os olhos âmbar faiscaram como labaredas de fogo.

– Então, fique à vontade e me toque, agape mou.

Incapaz de evitar uma pontada de nervosismo, Ámbar lhe tocou a virilidade e o sentiu se contrair em resposta. Invadida pela ousadia, fechou os dedos em torno da ereção e o acariciou suavemente.

Um gemido escapou da garganta de Simón e ela percebeu gotículas de suor lhe brotarem na testa. Ele era um homem lindo. Forte, viril, exalando força por todos os músculos.

Inclinando o tronco, Ámbar pressionou um beijo no abdome definido, traçando um caminho eletrizante com os lábios até os mamilos planos. Uma fileira fina de pelos lhe escurecia a linha média do peito e ela escorregou os dedos naquele local, gostando da sensação da aspereza em sua pele.

Sabia o que desejava fazer, mas não tinha certeza de como conseguir. Simón devia ter lhe pressentido a incerteza e a hesitação, porque esticou os braços e lhe envolveu as laterais dos quadris com as duas mãos.

Em seguida, suspendeu-a e tornou a baixá-la sobre o comprimento de sua ereção, escorregando para dentro dela.

– Você está me matando, pedhaki mou – confessou com voz gutural. – Deus! Isso é muito bom. Você é tão doce!

Encorajada com a satisfação e a aprovação na voz de Simón , fez amor com ele, depositando beijos sobre o peito largo, enquanto as mãos longas guiavam os movimentos de seus quadris.

Ámbar sentiu o próprio corpo estremecer e percebeu que estava se aproximando do clímax, mas não sucumbiria até que ele também se rendesse ao êxtase. No instante seguinte, sentiu Simón enrijecer sob seu corpo e as mãos fortes se contraírem nas laterais de seus quadris. Ele arqueou, penetrando-a ainda mais fundo, e, com um grito, Ámbar sentiu o mundo explodir ao seu redor. Pendeu para a frente, mas ele a segurou com todo cuidado. Em seguida, Simón a deitou sobre o peito arfante e lhe acariciou os cabelos enquanto os dois lutavam para recuperar o fôlego.

Simón girou para acomodá-la ao seu lado e desencaixar os corpos dos dois, suscitando outro gemido de Ámbar . No mesmo instante, ela se aninhou ao corpo forte, aquecida e saciada.

– Eu me saí bem? – perguntou as palavras abafadas pelo peito largo.

Simón soltou uma risada que lhe sacudiu o corpo e virou o rosto para que ela pudesse vê-lo.

– Se tivesse sido melhor, teria feito de mim um velho antes do tempo.

– Mas você gostou? – questionou ela com voz suave. – Ou acha que me transformei em uma devassa agora?

Simón lhe beliscou a ponta do nariz e depositou um beijo no mesmo ponto.

– Gostei muito. Tanto que estou considerando deixá-la brincar no jardim outra vez amanhã.

Ámbar revirou os olhos e bocejou sonolenta. Ele lhe traçou o contorno da maçã do rosto com um dos dedos.

– Durma agora. Eu a acordarei na hora do jantar.

– Não preciso cochilar – resmungou ela, embora quase adormecida.

NÃO DESEJANDO parecer totalmente previsível, Ámbar renunciou ao jardim no dia seguinte, optando pela piscina aquecida. Desde que chegara à ilha, vinha observando as águas azuis reluzentes com olhar cobiçoso. Graças às butiques ávidas por entregarem suas mercadorias na ilha, dispunha de um traje de banho simplesmente decadente que estava ansiosa por experimentar.

Enquanto colocava o diminuto biquíni, percebeu que, na essência, estava tentando seduzir Simón . Não que já não tivesse conseguido isso, mas estava tentada a fazê-lo se apaixonar por ela.

Ámbar franziu a testa para a imagem que o espelho lhe devolvia. O certo não seria o contrário? Ele gozava de memória perfeita. Não deveria ser ele a tentar fazê-la se apaixonar? Sabia que o amava, mas não dera voz àquele sentimento. Algo a detivera, e agora Ámbar ponderava o que a desestimulava a dar aquele salto.

Havia uma hesitação em Simón que a incomodava, como se ele quisesse manter alguma distância entre os dois. Mas não era isso que ela desejava. Queria que ele a amasse com a mesma intensidade com que o amava.

Ámbar deixou escapar um suspiro. Se ao menos pudesse se lembrar!

Contorcendo o corpo diante do espelho, ajustou o biquíni até ficar satisfeita com o resultado. A parte superior lhe erguia os seios pequenos, emprestando-lhes uma aparência mais avolumada do que realmente tinham. A parte de baixo… Ámbar sorriu quando se virou para obter a visão traseira do traje de banho. Não era exatamente uma tanga, mas chamava atenção para as nádegas levemente arredondadas.

Aprumando as costas outra vez, Ámbar acariciou o abaulamento do abdome. Simón parecia gostar de sua gravidez. Tocava e beijava sua barriga com grande frequência e parecia encantado com o crescimento contínuo. Esperava que ele achasse o biquíni… e ela… sexy.

Percebendo que estava muito exposta, esticou a mão para o robe de seda e o vestiu. Não queria que ninguém mais a visse naquele escandaloso traje. Aquela visão era apenas para os olhos de Simón .

Ámbar desceu a escada e cruzou a sala de estar sem ser vista. Caminhou até a pequena área que abrigava a parte interna da piscina e observou a água ondulante em expectativa.

Com ou sem Simón , estava ansiosa por nadar.

Livrando-se do robe, atirou-o sobre um das espreguiçadeiras e caminhou até a margem para imergir a ponta de um dos pés. Estava divinamente aquecida. Se encaminhou aos degraus e desceu para a água.

Ah, aquela era uma sensação maravilhosa. Nadou na direção até a divisória de vidro que dava vista para a porção externa da piscina. Ficou tentada a mergulhar sob a divisória e nadar para o ar livre, mas a brisa fria a desestimulou.

Durante algum tempo, boiou preguiçosamente sobre a superfície e, em seguida, deu alguns mergulhos se mantendo de baixo da água pelo tempo que o fôlego permitiu. Veio à tona com um arquejo e se amparou na margem lateral da piscina. Foi então que se deparou com um par de mocassins de couro.

Ámbar ergueu o olhar para ver Simón a observando, com os braços cruzados sobre o peito e uma carranca zombeteira estampada no rosto. Até mesmo ela podia perceber que os lábios sensuais se contraíam de maneira suspeita.

Pestanejando com ar inocente, ela sorriu e o cumprimentou. Simón se agachou e com a ponta de um dedo lhe ergueu o queixo.

– Divertindo-se, pedhaki mou?

– Muito – respondeu ela.

– E pensar que estava ansioso por arrebatá-la de seu jardim hoje – murmurou ele.

Ámbar sentiu o rosto ferver ao se lembrar do que acontecera no dia anterior depois que Simón fizera exatamente aquilo. Em seguida, estendeu a mão.

– Pode me ajudar a sair?

Simón lhe segurou a mão ao mesmo tempo em que ela fechou os dedos da outra sobre o pulso largo, plantou os pés na lateral da piscina e o puxou com toda a força que possuía. Com um grito de surpresa, ele pendeu para a frente e caiu, espirrando água para todos os lados.

Simón voltou à superfície se debatendo e, por um instante ela pensou que estivesse de fato furioso. Ele a encarou com olhar irado, antes de baixar o olhar às próprias roupas e soltar uma risada que ecoou no ambiente.

Antes que ele pudesse pensar em retaliação e desejando que Simón visse seu biquíni, ela nadou até os degraus e saiu da piscina com movimentos deliberadamente lentos. Em seguida, olhou por sobre o ombro para ver o queixo de Simón quase cair aos pés enquanto observava a parte de trás de seu biquíni.

Quando alcançou o topo, ela se virou para lhe proporcionar uma visão de seu perfil e o ouviu prender a respiração. Em seguida, girou mais uma vez, se encaminhando à espreguiçadeira onde deixara o robe.

– Ah, não fará isso, sua provocadora – rosnou ele.

Ámbar pestanejou, confusa, com a velocidade com que ele saiu da piscina. Soltou um guincho de surpresa quando ele a ergueu nos braços e voltou para a piscina.

– Suas roupas!

– Como se agora isso tivesse alguma importância! Você as arruinou.

– Sinto muito.

Simón soltou uma risada.

– Não, não sente. – Ele se inclinou na lateral da piscina e a depositou com cuidado na água.Em seguida, se dirigiu a ela com olhar austero. – Não se mexa.

Ámbar soltou uma risadinha que logo morreu em sua garganta quando o viu começar a se despir. Primeiro se livrou da camisa, revelando o peito musculoso. Em seguida, atirou os sapatos para o lado e arrancou as meias molhadas. Quando levou a mão à braguilha da calça comprida, Ámbar corou, mas se viu incapaz de desviar o olhar nem que disso dependesse sua vida.

O volume patente contra o tecido da cueca boxer enquanto Simón descia a escada lhe dizia que havia conseguido o intento de deixá-lo enlouquecido de desejo. Porém, agora imaginava o que fazer quanto àquilo.

Com um mergulho preciso que quase não espalhou água, ele surgiu ao lado dela. Em seguida, a puxou contra o corpo, capturando-lhe os lábios com um beijo faminto.

– Deveria ser considerado ilegal usar um biquíni como esse – disse ele lhe explorando opescoço com beijos eróticos.

– Não gostou? – Ámbar perguntou, fingindo inocência. – Posso me desfazer dele.

– Ah, gostei – murmurou ele. – E vou gostar ainda mais de arrancá-lo de seu corpo.

Ámbar se soltou e mergulhou, nadando para o mais longe possível. Após uma curta distância, emergiu, mas não o viu de imediato. Quando baixou o olhar era tarde demais. O corpo de contornos prefeitos se encontrava muito próximo debaixo da água e ele lhe puxou as pernas, fazendo-a imergir outra vez.

Os lábios sensuais cobriram os dela enquanto Simón dava impulso para que os dois emergissem da água. Ámbar lhe envolveu o pescoço com os braços e lhe sorriu. – Acho que terei de retirar o comentário de que você é muito sério.

– Parece que sim.

– Não me oporia à ideia de você me tirar da piscina e me levar lá para cima – declarou ela,com pretensa inocência.

Simón se apossou da boca macia mais uma vez com um beijo quente e de tirar o fôlego. As mãos longas deslizando pelas laterais do corpo de Ámbar para se espalmarem nas nádegas arredondadas. Em seguida, suspendeu-a e ela enroscou as pernas nos quadris retos.

– Segure-se em mim, pedhaki mou – murmurou ele. – Eu a tirarei da piscina agora mesmo.

Simón subiu os degraus com cuidado e saiu da piscina. Quando se aproximaram das espreguiçadeiras, ela percebeu que havia duas toalhas os aguardando. Ao que parecia, Simón tinha a intenção de entrar na piscina durante o tempo todo. Ámbar exibiu um sorriso travesso. Seu noivo não era tão sério afinal.

Depois de pousá-la em uma das espreguiçadeiras, ele esticou a mão para uma das toalhas. Em seguida, lhe secou os cabelos, o corpo, permitindo se deter nos pontos mais sensíveis do corpo de Ámbar , tocando-a e a acariciando até que ela estivesse se contorcendo na cadeira.

– Quem está provocando agora? – perguntou ela ofegante.

Simón montou sobre a espreguiçadeira e baixou o corpo até encostá-lo ao dela.

– Hummmm, você está quente.

– Está com frio? – questionou ele com voz rouca. – Estou imaginando o que posso fazerpara aquecê-la.

Ámbar o puxou para perto, lhe envolveu o corpo com os braços, enterrou os dedos nos cabelos negros molhados e o beijou. Um som de puro contentamento lhe emergiu da garganta quando ele correspondeu ao beijo com igual ardor.

A ereção lhe comprimia o ventre, quente e rígida como o aço. Uma onda de calor varou o corpo de Ámbar , deixando-a corada e excitada. Desejava aquele homem. Com toda a força de seu ser.

– Leve-me para o quarto – sussurrou ela contra os lábios sensuais que lhe exploravam o pescoço e a curva do seio.

O som de uma porta se fechando os surpreendeu. Simón deixou escapar um xingamento enquanto rolava para o lado e erguia uma toalha para cobri-la. Ámbar enrijeceu quando viu Emilia por sobre o ombro largo.

Logo sua surpresa se transformou em raiva. Aquela mulher invadia a casa e a privacidade dos dois, sem nem ao menos um telefonema para avisar que estava a caminho da ilha. Não ouviram sequer o ruído do helicóptero pousar. O que não era de se admirar, já que estavam ocupados com outros assuntos.

– O que está fazendo aqui? – Simón questionou em um tom de voz frio como o gelo.

– Desculpe-me a interrupção, sr. Alvarez – começou Emilia, embora a expressão não refletisse nenhum arrependimento. O olhar vagou por Ámbar com um triunfo que logo ocultou quando voltou a atenção a Simón . – Há vários assuntos que requerem sua atenção e pensei que seria melhor trazê-los pessoalmente do que relatá-los por telefone ou e-mail.

– Certamente esses meios nunca falharam no passado – retrucou Simón com voz tensa.

– Se nos der licença, acho que é melhor me esperar no escritório.

– Sim, claro, sr. Alvarez . Mais uma vez peço-lhe desculpas pelo incômodo.

Ámbar estremeceu, dessa vez em virtude de um frio mais profundo. Aquela mulher tinha uma cronometragem impecável.

– Sinto muito – disse Simón enquanto a ajudava a se erguer da espreguiçadeira. Emseguida, lhe envolveu o corpo trêmulo com a toalha e a colou à lateral do corpo. – Vou acompanhá-la até o quarto para que possa vestir algo mais quente. Isso não levará muito tempo e logo estarei de volta.

Ámbar anuiu, mas para ela o momento fora arruinado. O humor adorável e divertido que Simón demonstrava minutos atrás havia se dissipado. A paixão que eletrizava a atmosfera entre os dois agora se transformara em um cobertor frio atirado sobre eles pela leal assistente.

Simón a guiou até o quarto e a apressou a entrar debaixo do chuveiro. Quando Ámbar saiu do banho, ele já havia se vestido e descido.

Com um suspiro desanimado, ela envolveu o corpo com a toalha e se sentou na beirada da cama.

A IRRITAÇÃO havia substituído o bom humor de minutos atrás quando Simón entrou no escritório. Dirigiu um olhar austero a Emilia, que se afastou para que ele passasse.

– Essa intrusão não me agradou – começou em tom áspero. – Não me telefonou, não avisounem pediu permissão para vir até a ilha. – Emilia empalideceu e arregalou os olhos. – Essa é minha residência particular, e aqui você não tem o livre acesso do qual desfruta em meus ambientes de trabalho. Estamos entendidos?

– Sim, senhor – retrucou a assistente, tensa.

– E então, o que há de tão importante que não justificou ao menos um telefonema prévio? –perguntou ele.

– Descobri que outro projeto foi roubado – respondeu Emilia com voz suave.

– O quê? – Simón começou a praguejar e demorou um instante para se dar conta de queestava falando em grego, portanto a assistente não estaria entendendo. Espalmou as duas mãos sobre o tampo da mesa, balançando a cabeça em negativa.

– Que projeto? Conte-me tudo.

A expressão de Emilia endureceu.

– Um antigo que o senhor havia jogado fora. Era o planejamento original para o hotel doRio de Janeiro. Mas ainda assim ela deve tê-lo vendido para Marcelli, com os outros, porque o hotel que ele está erguendo em Roma tem as mesmas características. Vi as provas pessoalmente dois dias atrás.

A raiva era como ácido corroendo as veias de Simón .

– Meus irmãos já sabem disso?

Emilia negou com a cabeça.

– Achei melhor lhe contar primeiro.

Simón anuiu e fechou os olhos enquanto se virava para olhar a praia, além da janela. Sempre que pensava ter aceitado a traição de Ámbar , o passado voltava para assombrá-lo. Por mais que quisesse esquecer, seguir em frente, colocar aquele episódio para trás, sempre o via retornar, insidioso e implacável.

Esforçou-se para se lembrar de como Ámbar poderia ter tido acesso aos planos para o hotel. Certamente não se protegia em casa. Por mais cuidadoso que fosse no escritório e em todos os outros aspectos de sua vida, sempre agira de maneira relaxada e despreocupada com ela, nunca pensara em resguardar seus interesses de Ámbar .

Como seria capaz construir uma vida ao lado de Ámbar se não podia confiar nela? Estaria sendo tolo em começar um relacionamento temporário, sabendo que tudo iria por água abaixo no instante em que ela recuperasse a memória? Quando tivesse de encarar seus pecados e arcar com as consequências da traição que lhe fizera?

Em meio a tudo aquilo, Simón só conseguia se lembrar de uma coisa: a expressão de Ámbar no dia em que a confrontara em seu apartamento. O choque e o horror absolutos estampados em seu rosto. Poderia alguém fingir tal reação com tanta perfeição?

Pela primeira vez, Simón fez uma análise profunda da mulher que ela fora durante todo tempo em que estiveram juntos, antes do sequestro, e da mulher que se mostrara desde então. Não havia nenhuma grande diferença. A única inconsistência era a traição.

– Simón – Emilia o chamou com voz suave. Os olhos âmbar se estreitaram ao ouvir aassistente se referir a ele pelo seu primeiro nome. Nunca tolerara aquele tipo de tratamento de seus funcionários, embora não soubesse dizer por que se sentia incomodado escutá-lo de alguém que trabalhava tão intimamente ligada a ele há bastante tempo. – Não permitirá que ela faça nada de errado, certo?

Simón girou para encará-la.

– Não. Isso não se repetirá – respondeu com a voz tensa. A raiva lhe percorrendo a espinhacomo uma serpente. Mas aquela raiva não se concentrava somente em Ámbar . Por alguma razão, irritou-o o fato de Emilia se achar no direito de preveni-lo contra a noiva.

A assistente parecia desconfortável.

– Espero apenas que ela não estrague mais uma vez seus acordos para esse novo hotel. Nãooutra vez. É um negócio muito importante.

– Acho que isso não é de sua conta. Ámbar é problema meu.

Emilia se encolheu diante do tom do patrão.

– Peço-lhe desculpas, mas essa empresa e esse emprego são muito importantes para mim.Trabalhei duro para o senhor e me empenhei muito no projeto do hotel de Paris.

Simón permitiu que um pouco da raiva se esvaísse em um profundo suspiro. Emilia trabalhara duro e era compreensível que tivesse certa animosidade em relação a Ámbar , mesmo que ele não estivesse disposto a tolerar isso. Mesmo que não sentisse que aquela animosidade era justificada. Tal pensamento o atingiu como uma bala de revólver, porque aquilo significava que, de algum modo, não acreditava que Ámbar fosse capaz de cometer um crime.

– Aprecio muito sua preocupação, porém esse não é um problema seu. Se isso era tudo quetinha a dizer, então pedirei que o helicóptero a leve até o continente.

Emilia pareceu querer protestar, mas em seguida concordou.

Trinta minutos mais tarde, Simón a acompanhou até o heliponto e, tão logo o helicóptero decolou, ele retornou para dentro da casa.

A raiva e as dúvidas evaporaram quando entrou no quarto e encontrou Ámbar sentada na cama, envolta apenas por uma toalha, com expressão tristonha e distante.

Simón se ajoelhou diante dela e lhe tocou o rosto.

– O que é, agape mou? Você está bem?

O sorriso de Ámbar não se refletiu no olhar. Naqueles lindos olhos azuis que faiscavam minutos atrás enquanto ela ria. Queria ver aquele brilho outra vez. Desejava ter de volta aquele momento roubado na piscina. Antes da chegada de Emilia e das notícias que poderiam mudar tudo entre os dois. Mais uma vez.

– Estou em uma situação muito desagradável – confessou ela.

A incompreensão o fez franzir a testa. A tristeza e a resignação no tom de voz de Ámbar não o agradavam.

– O que quer dizer com isso? – perguntou com voz suave enquanto lhe traçava o contorno dalateral do rosto com um dedo.

Ámbar o encarou.

– Não me agrada o modo como ela tem livre acesso às nossas vidas. Esta é a nossa casa.Deveríamos ter a liberdade de fazer amor, nos divertir juntos sem temer sermos surpreendidos em uma situação comprometedora por uma estranha. Mas se der voz a isso, disser que não gosto dela e não a quero aqui, temo parecer mesquinha. Não há nenhuma forma de eu sair vencedora e todas de sair perdedora nesta situação. – Ela baixou o olhar por alguns instantes e voltou a erguê-lo. A emoção lhe fazendo os olhos faiscar. – Não gosto da forma como você se retrai todas as vezes que ela aparece. Essa mulher entra aqui com um pretexto profissional e, quando vai embora, você se torna distante. As últimas semanas têm sido maravilhosas, e agora ela aparece e já posso senti-lo se distanciando de mim. Não sei se posso suportar isso.

Lágrimas banharam os olhos azuis, o que o deixou sem palavras. Tudo o que Ámbar dizia era verdade. Não pensara em como ela se sentia. Achava que conseguia esconder as emoções conflitantes que experimentava sempre que se lembrava do fato de que ela o roubara, traíra e lhe mentira.

Simón tomou-lhe uma das mãos, levou-a à boca e a pressionou sobre os lábios.

– Desculpe, agape mou. Sinto muito se a presença dela a tem incomodado e eu não percebi. Isso não se repetirá. Já informei Emilia de que, sob nenhuma condição, deve aparecer aqui sem dar ao menos um telefonema.

– Eu poderia suportar a presença dela. Não vou mentir e dizer que simpatizo com essa mulher, mas poderia tolerá-la. O que não posso suportar é o modo como você se retrai todas as vezes que sua assistente aparece. Sem nenhuma lembrança para me fortalecer a autoconfiança, não tenho nada que me diga: Ámbar , você está sendo ridícula. Claro que há algo se passando entre você e Emilia.

A surpresa quase fez o queixo de Simón despencar.

– Acha que estou tendo um caso com ela? – perguntou não conseguindo evitar o arrepio de repugnância que lhe percorreu a espinha.

Ámbar negou com a cabeça enfática.

– Oh, transformei isso em um caos. Estou apenas tentando dizer que, para mim, tudo isso é novo. Nosso relacionamento é novo. Não consigo me lembrar do tempo que vivemos juntos, portanto, para todos os efeitos, estamos construindo um novo relacionamento. Recomeçando. Não posso evitar a insegurança quando vejo que ela está tentando minar nosso convívio.

Simón a envolveu nos braços, sem ideia do que responder. Não podia negar que provavelmente Emilia queria afastá-lo dela. A assistente sabia que Ámbar havia roubado a empresa, à qual era devotada e para a qual passara longas horas preparando o acordo que havia desaparecido com os projetos para o hotel de Paris. E agora, ele ficara sabendo que mais um dos projetos da Alvarez seria apresentado sob a assinatura de Marcelli. Não importava que fosse um que ele havia descartado. Ámbar não poderia saber disso na ocasião.

Que situação absurda! Mas o que mais o surpreendia era a raiva que as palavras de Emilia lhe suscitaram. Sua primeira reação fora defender Ámbar e repreender a assistente por acusála. Mas como poderia fazer isso se Emilia estava coberta de razão?

Tudo o que sabia era que não queria magoar Ámbar . Por mais estúpido que aquilo parecesse, dado o estrago que ela causara, queria afastar a tristeza daqueles olhos azuis. Embora não pudesse fazer nada para apagar o passado, podia se certificar de que Emilia não fosse uma fonte de discórdia entre os dois. Iria satisfazer a vontade de Ámbar naquele aspecto, porque refletia a dele. Não queria que nada se interpusesse entre os dois naquela ilha. Emilia não voltaria àquela casa. 



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