História Traição - Capítulo 13


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 93
Palavras 2.697
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Mentiras


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 13 - Mentiras

 ÁMBAR AJEITAVA e puxava o vestido enquanto admirava sua aparência no espelho. As safiras faiscavam em suas orelhas e no colar que fazia conjunto e lhe ornava o pescoço.

– Está linda, agape mou.

Quando ela girou, se deparou com Simón . Ámbar não pôde evitar um arquejo diante da aparência daquele homem. O terno preto de corte perfeito se ajustava com perfeição ao corpo forte, valorizando-lhe a estrutura muscular. A camisa branca contrastava com a pele bronzeada e compunha um conjunto arrebatador com os cabelos negros e os olhos dourados. Para ser sincera, Ámbar tinha de admitir que estava babando.

– Você também – conseguiu dizer por fim.

Simón soltou uma risada abafada e se aproximou.

– Lindo? Certamente pode achar adjetivo melhor.

– Estonteante? Devastadoramente belo? Tão deslumbrante que estou tentada a me atirar sobre você e arrancar suas roupas?

– Essa linha de pensamento me agrada.

– Não estava brincando – murmurou ela.

– Está pronta? O carro está nos aguardando.

Ámbar deixou escapar um profundo suspiro e girou o anel de noivado no dedo com a ponta do polegar.

– Na medida do possível.

Simón a tomou nos braços.

– Não será tão ruim assim. Ficarei ao seu lado a noite toda.

Ámbar se colocou nas pontas dos pés para beijá-lo.

– Sou uma covarde. E não me importo em admitir.

Simón se deteve lhe explorando os lábios, movendo-se com uma sensualidade que a deixou fraca e ofegante. Quando se afastaram, Ámbar percebeu que ele se encontrava igualmente afetado.

– Acho que devemos partir agora – disse ele com voz rouca. – Do contrário, não iremos anenhum lugar.

Quando chegaram ao hotel, Ámbar viu várias limusines enfileiradas no caminho circular do lado de fora da entrada principal. Engoliu em seco, nervosa, ao observar as pessoas brilhantes e glamourosas que desciam dos carros e entravam no hotel. De repente, se sentiu mal vestida e despreparada.

Quando chegaram à entrada principal, a porta do veículo se abriu e Simón saiu para ajudá-la a descer. Ámbar encaixou o braço firmemente ao dele e os dois entraram no hotel.

Sentiu um frio congelante no estômago enquanto os dois adentravam o imenso salão. Uma banda de jazz executava os acordes suaves em um pequeno palco ao fundo. Garçons circulavam com bandejas repletas de taças de vinho e champanhe, enquanto outros ofereciam uma refinada seleção de hors d’ouvres.

Simón murmurou algo para um dos garçons enquanto retirava uma taça de vinho da bandeja e, momentos depois, o homem retornou com um copo de água mineral para Ámbar .

Enquanto olhava ao redor, com o copo em uma das mãos, ela gemeu mentalmente ao avistar Theron, Piers e Emilia. Embora soubesse que eles estariam presentes, esperara sinceramente poder evitá-los o máximo possível. Mas aquilo não seria possível, pensou ao ver Theron cruzar o salão na direção de Simón .

Sua primeira reação foi se desculpar e se encaminhar ao toalete feminino, mas Simón lhe segurou o braço com força como se previsse o que ela pretendia fazer.

– Simón – disse Theron como forma de cumprimento. Varrendo Ámbar com o olhar,ele lhe ofereceu o mais breve dos acenos de cabeça. Ao menos, não era uma total reprovação ou o homem teria lhe oferecido uma carranca.

Ámbar ouviu enquanto os dois trocavam amabilidades e, em seguida, Theron gesticulou na direção de Piers e um distinto senhor que se encontrava ao lado dele. Permaneceu parada quando Simón se encaminhou na direção do outro irmão, mas ele a puxou para que o acompanhasse, aumentando-lhe o temor.

Piers franziu a testa quando eles se aproximaram. O homem mais velho exibiu um sorriso largo e cumprimentou Simón de maneira polida. Uma mulher que Ámbar presumiu ser a esposa do homem, também ofereceu uma entusiasmada saudação.

Simón a puxou para frente.

– Sr. e sra. Vasquez, gostaria de lhes apresentar Ámbar Smith . Ámbar , este é o sr. Vasquez e sua esposa. Vieram do Brasil em viagem de negócios.

Ámbar sorriu e trocou gentilezas com o casal mais velho, relaxando em seguida, contra o corpo de Simón . Piers estava sendo educado, e Theron se juntou ao grupo, deixando de lado a completa indiferença com que a tratara momentos antes. Talvez fosse capaz de suportar aquela noite, afinal.

Simón lhe segurou a mão e a apertou, girando para os demais do grupo, em seguida, com uma estranha tensão no semblante.

– Ámbar aceitou ser minha esposa. Planejamos nos casar durante nossa estadia em NovaYork. Ficaríamos honrados se pudessem comparecer.

Um arquejo alto soou às costas de Simón , e Ámbar virou-se para se deparar com Emilia parada a alguns centímetros de distância, com uma expressão chocada no rosto. A assistente recobrou o controle rapidamente, mas não o suficiente para impedir Ámbar de imaginar por que ela parecia tão perplexa com a notícia. Quando tornou a virar-se, apenas os Vasquez pareciam felizes com a notícia.

As expressões de Piers e Theron refletiam o mesmo choque de Emilia. Em seguida, a surpresa inicial deu lugar à patente desaprovação. Simón lhes dirigiu olhares de repreensão, mas Ámbar se viu completamente perdida. Estremeceu ao lado dele, e a mão forte apertou a dela como se ele entendesse seu desejo sair correndo dali.

Como poderia o anúncio daquele casamento ser uma novidade? Estavam noivos antes do acidente e, ainda assim, todos agiam como se aquilo fosse um acontecimento inesperado. E desagradável.

Após as educadas congratulações dos Vasquez e de outras pessoas ao redor que escutaram o anúncio, a conversa mudou para assuntos triviais. Ámbar permaneceu em silêncio, alheia ao falatório ao seu redor. Simón afrouxou a força com que lhe segurava a mão, mas lhe envolveu a cintura com um dos braços a ancorando firme contra o próprio corpo. Não havia como escapar, não importava o quanto ela desejasse.

A conversação mudou para a possibilidade da construção de um hotel no Rio de Janeiro e, embora Ámbar permanecesse em silêncio, apenas observando os outros, o braço forte nunca lhe abandonou a linha da cintura.

À medida que a noite se prolongava, mais pessoas se aproximavam para oferecer suas congratulações pelo iminente casamento e logo o salão fervilhava com a notícia. O sorriso permanente que Ámbar estampava no rosto estava começando a enfraquecer. Como se lhe sentisse o desânimo, Simón a guiou para a pista de dança enquanto o lento jazz flutuava melodiosamente pelo ambiente.

Ámbar suspirou, derretendo-se no círculo seguro daqueles braços fortes.

– Obrigada. Precisava de uma pausa.

Simón sorriu e inclinou a cabeça para lhe morder de leve um dos cantos dos lábios.

– É a mais bela mulher neste salão. Todos os homens a observam com olhares apetitosos, oque basta para eu querer nocauteá-los.

– Hummmm, por mais que goste dessa atitude viril, prefiro que me leve para casa e exerciteessa arrogância masculina de outra forma.

– Está me tentando.

Ámbar lhe dirigiu um sorriso sedutor.

– Estou falando sério.

Simón suspirou.

– Por mais que essa ideia me agrade, acho que terei de permanecer aqui durante toda arecepção. Se for muito cansativo para você, posso pedir que Stavros a leve de volta ao apartamento.

Como se ela fosse deixá-lo ali com Emilia, a “Miss Super Assistente”!

Apesar do fato de os irmãos de Simón e de Emilia estarem decididos tratá-la como uma pária, havia muitos outros que lhe eram gentis e a incluíam em suas conversas. Ámbar se descobriu gostando da atmosfera festiva, apesar do início de noite desfavorável.

Estava ficando tarde quando Simón se inclinou para lhe falar ao ouvido.

– Tenho de conversar com meus irmãos. Ficará bem sozinha por alguns instantes?

– Claro, seu bobo – retrucou ela com um sorriso. – Vou ao toalete feminino. Pode ficar àvontade.

Simón lhe depositou um beijo nos lábios e se encaminhou na direção dos irmãos. Ámbar se demorou no toalete. O lugar lhe proporcionou um excelente descanso do falatório interminável e dos olhares animosos que lhe eram lançados pelos membros do clã Alvarez .

– Não pode se esconder aqui para sempre – disse a si mesma. Aprumando os ombros, saiudo toalete e retornou ao salão. Quando passou por uma sala de reuniões pequena, ouviu a voz de Simón pela porta entreaberta. Hesitou e estacou, decidindo se devia prosseguir ou esperar por ele ali.

As palavras que ouviu a seguir tomaram a decisão por ela.

– Droga, não há necessidade de se casar com ela. Coloque-a em um apartamento qualqueraté que a criança nasça. Não se case com essa mulher e permita que ela tenha acesso a tudo que possui.

Ámbar entreabriu a boca em choque diante do discurso irado de Piers.

– Ela está esperando um filho meu – retrucou Simón em tom frio. – Se optei por me casar com ela, não é problema de nenhum dos dois.

Ámbar se aproximou da porta, não se importando se a vissem. Que direito tinha Piers de falar com Simón daquela forma?

– Não pode se casar com ela! – Soou o grasnido alto de Emilia. – Esqueceu-se de como ela o roubou? De que ela tentou arruinar sua empresa? Se precisa de alguma justificativa, basta olhar para os hotéis que estão sendo construídos em Paris e Roma. Seus hotéis, Simón . Agora estão sendo erguidos sob o nome de seu concorrente.

Uma neblina varou a mente de Ámbar . Fervente. Como uma colmeia de abelhas ferozes, fragmentos de informação zumbiam em seu cérebro. E, de repente, era como se uma represa se abrisse. A porta trancada que se esforçara tanto para abrir, se escancarou e o passado a transpôs como uma enchente de velocidade assustadora.

Ámbar oscilou e se agarrou ao batente da porta com força. A náusea lhe revirando o estômago enquanto cada momento espocava em sua mente como um filme avançando rapidamente.

A acusação de roubo que Simón lhe atirara no rosto. A expulsão de seu apartamento, de sua vida. O sequestro, os meses que ela passou em um temor esperançoso, aguardando que Simón atendesse à exigência do resgate. Exigências que ele ignorara.

Oh, Deus! Iria vomitar.

Simón a deixara. A descartara como um lixo. Meio milhão de dólares, uma quantia ínfima para um homem com aquelas posses, fora a soma que ele se negara a pagar para que ela fosse libertada.

Tudo não passara de uma mentira. Ele lhe mentira sem parar desde que acordara naquele leito de hospital. Ele não a amava ou a desejava, mas sim a desprezava.

Não valera sequer meio milhão de dólares para ele.

Uma dor intensa comprimia o peito de Ámbar enquanto ela se sentia despedaçar. Tudo que acreditara ser verdade de repente eclipsou. Sentia o coração rachar e se desmantelar aos seus pés.

Simón nem ao menos tentara salvá-la.

O grito angustiado que lhe escapou da garganta ecoou na sala. Ámbar levou a mão aos lábios, mas era tarde demais. Todos giraram na direção dela. Theron se encolheu e um estranho desconforto se estampou no rosto de Piers. Os olhos de Ámbar encontraram os de Simón e a verdade se estampou nas íris douradas quando se deu conta de que ela havia recuperado a memória.

Quando ele começou a cruzar a sala na direção dela, Ámbar recuou, cambaleando para trás. Oh, Deus! Não podia enfrentar aquilo. Lágrimas lhe embaçavam a visão. A imagem do rosto pálido de Simón apenas a estimulou a dar o próximo passo. Ela saiu em disparada pelo corredor na direção do saguão. Simón gritou seu nome, mas ela não parou. Soluços emergiam do peito de Ámbar e explodiam sem que os controlasse. Ela tropeçou, mas recobrou o equilíbrio e se projetou para a frente. Atrás dela, Simón praguejava e a chamava.

Ámbar corria na direção da saída sem um destino definido na mente. Estava quase lá quando colidiu contra uma montanha. Stavros se interpôs diante dela e a segurou. Ámbar explodiu em fúria, chutando e socando. Seu único pensamento era escapar dali para o mais longe que pudesse.

Conseguiu se soltar e cambaleou para a frente, caindo ao chão. No mesmo instante, Stavros se ajoelhou ao lado dela, lhe perguntando se estava bem e Ámbar soube que não havia como escapar.

Uma dor intensa lhe varou o corpo como se inundada por um córrego interminável de agonia. Ela fechou os olhos no momento em que as mãos fortes de Simón escorregavam sob seu corpo. Em tom de voz ansioso, ele lhe perguntava se havia se machucado, mas Ámbar se viu incapaz de responder. Dobrou o corpo, enroscando-se no chão sem se importar com o fato de estar no meio do saguão do hotel.

Simón a ergueu e ela o ouviu chamar seu nome. Xingamentos irritados lhe escapavam dos lábios, antes de ele bradar ordens para que alguém chamasse um médico. Em seguida, se afastou do saguão barulhento e, instantes depois, entrou em um quarto vazio do hotel.

Tão logo Simón a pousou na cama, ela voltou a se enroscar, afastando-se dele. Encolheu-se quando Simón lhe pousou uma das mãos sobre o corpo, com um toque suave.

– Tem de parar de chorar, agape mou, ou acabará passando mal.

Ámbar já estava passando mal, pensou entorpecida. Seu coração havia adoecido. Ela fechou os olhos, mas ainda assim, grossas lágrimas lhe rolaram pelo rosto e Simón as limpava com os dedos.

Sua única vontade era escapar. Ir para algum lugar em que não sentisse tanta dor. Através de uma névoa, ouviu Simón conversar com um médico. Instantes depois, sentiu uma picada no braço, mas não reagiu. Não se importava. E então, começou a flutuar, agradecida pela suavização da dor. A mente se tornou indistinta enquanto o véu do esquecimento pousava sobre ela. Esquecimento. Ansiava por esquecer.

Mergulhar no vazio e despencar para um lugar onde não havia dor nem traição.

SIMÓN CAMINHAVA de um lado para outro ao pé da cama de Ámbar enquanto o médico do hotel lhe aplicava um sedativo. Ela se encontrava sob forte estresse, e o médico agiu rapidamente para prevenir maiores danos.

Quando terminou de administrar a medicação, se afastou da cama e o encarou com expressão severa.

O medo era como uma garra esmagando o peito de Simón .

– Ela está bem? A criança está bem?

O médico gesticulou para que se afastassem da cama, onde Ámbar permanecia imóvel agora.

– Os danos que ela sofreu não são físicos. Se fossem, eu poderia ser de alguma utilidade.Mas o estresse de Ámbar é mental. Se é verdade o que disse e ela recuperou memória, foi isso que lhe causou uma dor imensurável.

Simón se remexeu impaciente.

– O que pode ser feito? Ela não pode ficar como está. Deve haver algo que possamos fazer.

A visão do rosto pálido de Ámbar , com os olhos arregalados pela devastação tinha o efeito de uma facada em suas entranhas.

– Deve levá-la de volta para casa, para um lugar que lhe seja mais familiar. Ela precisa de um médico, não para seu bem-estar físico, mas que possa ajudá-la no aspecto psiquiátrico.

– Está se referindo a um terapeuta? – Simón perguntou com semblante sombrio.

– Este é um momento muito delicado – preveniu o médico. – Ámbar está muito frágil. A recordação de eventos extremamente traumáticos pode lhe causar um colapso. – Com expressão compassiva, o homem apertou o ombro de Simón . – Isso vai ser difícil, mas talvez seja melhor. É bom que ela tenha recuperado a memória, mesmo que isso lhe cause um grande estresse.

Simón não tinha tanta certeza disso. O fato de Ámbar ter recuperado a memória, implicava em saber que ele a expulsara de seu apartamento, colocando-a praticamente nas mãos dos sequestradores. Também se lembraria das palavras ofensivas que lhe atirara ao rosto. E recordaria o papel que ela desempenhara em toda aquela confusão.

Simón passou uma das mãos pelos cabelos. Parte dele desejava que Ámbar nunca tivesse recobrado a memória. Haviam construído um novo relacionamento, sem as mentiras e traições do passado. Algo o intrigava ao mesmo tempo em que aqueles pensamentos lhe preenchiam a mente.

Não teria Ámbar motivos para se sentir culpada ao recuperar a memória? Tudo que vira refletido naqueles olhos azuis fora mágoa. Uma profunda e terrível mágoa. Não havia culpa, nenhuma vergonha pelo fato de tê-lo roubado. Apenas um sofrimento tão extremado que ele ainda podia sentir a faca que parecia ter sido enterrada em seu peito ao ouvi-la gritar e fugir dele.

Uma sensação incômoda o invadiu. Não conseguia afastar o pensamento de que havia coisas que não o agradariam enterradas na memória de Ámbar .



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