História Traição - Capítulo 14


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 99
Palavras 1.769
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 14 - Destruída


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 14 - Destruída

 ÁMBAR TINHA apenas uma vaga ideia do que se passava ao seu redor. Após aquele primeiro mergulho no esquecimento, percebeu estar sendo carregada para dentro de um carro. Ouviu a voz preocupada de Simón murmurando-lhe palavras ao ouvido, mas se fechou em seu íntimo para tudo que vinha daquele homem.

Quando despertou outra vez, se encontrava deitada em uma cama. Olhando ao redor, reconheceu onde estava e, com isso, foi invadida por uma nova onda de agonia, quente como uma lava, que lhe percorreu todo o corpo e lhe tirou o ar.

Simón não seria capaz. Certamente não poderia ser tão cruel a ponto de trazê-la para o lugar em que viveram e do qual a expulsara.

Esperou pelas lágrimas, mas curiosamente tudo que sentia era um estranho distanciamento, um vácuo sem fundo, com a necessidade de sair daquele lugar.

Quando se sentou, o olhar se fixou em uma cadeira, próxima à janela, onde Simón estava adormecido. Encontrava-se tombado sobre o braço da cadeira, com a roupa amarfanhada e a barba de um dia lhe escurecendo a mandíbula.

Ámbar esperou pelo acesso de raiva, de fúria, porém mais uma vez, tudo que sentiu foi um entorpecimento sufocante e a necessidade de escapar.

Levantou-se da cama, sem perceber as próprias roupas amassadas. Ocorreu-lhe que deveria trocá-las, mas não poderia arriscar acordar Simón . Não. Precisava sair dali. Não poderia encará-lo sabendo que ele lhe fizera tão terríveis acusações e depois a deixara à mercê dos sequestradores.

O polegar roçou a argola fina do anel de noivado e ela o retirou com um movimento brusco. O metal era frio contra a palma de sua mão. Com um movimento suave, ela o pousou sobre o criado mudo, girou e saiu.

Com os pés descalços, se encaminhou ao elevador. Sentia o estômago revirar enquanto revivia a noite em que entrara naquele elevador, com o mundo desmoronando ao seu redor e as acusações de Simón reverberando em seus ouvidos. Como ele fora capaz? Aquele era o único pensamento que espiralava em sua mente até fazê-la ter vontade de gritar para dispersá-lo.

Quando alcançou o saguão, estacou, percebendo que não só o pessoal da segurança de Simón estaria guardando a entrada da frente como o porteiro também não a deixaria sair naquelas condições.

Ámbar girou e se encaminhou, apressada, à entrada dos fundos. Para seu desapontamento, um dos homens que ela reconheceu como pertencente ao destacamento de Simón se encontrava a postos. Rapidamente, desviou para a entrada de serviço e cruzou o corredor que levava à lavanderia e à sala de manutenção. Minutos depois, Ámbar abriu uma porta e saiu para a luz pálida que prenunciava o amanhecer.

SIMÓN ACORDOU com a sensação de um monstro grudado em seu pescoço e mudou de posição na cadeira pequena para aliviar o desconforto. Quisera passar a noite com Ámbar em seus braços, mas mesmo entorpecida, ela resistira a cada toque seu, se mostrando incomodada até que não lhe restasse outra alternativa, a não ser deixá-la sozinha na cama.

Acatara o conselho do médico que estava no hotel e telefonara para uma terapeuta assim que retornara para o apartamento com Ámbar . Marcara uma sessão para aquela manhã.

Esperava apenas que ela estivesse em condições para iniciar a terapia.

Quando o olhar de Simón se fixou na cama e a viu vazia, se levantou da cadeira de um salto. Começou a se precipitar para fora do quarto, mas o brilho de algo sobre o criado mudo lhe atraiu a atenção. Quando constatou que se tratava do anel de noivado, a garra do medo lhe apertou o peito. Sem esperar mais nada, disparou pelo apartamento, procurando de cômodo em cômodo, com pânico crescente. Ámbar não se encontrava em lugar algum.

Enquanto entrava no elevador, retirou o celular do bolso e começou a discar. Quando chegou ao saguão, correu em disparada, quase colidindo com Stavros. Simón segurou o homem pelo colarinho e o puxou para perto.

– Onde ela está?

O segurança pestanejou várias vezes surpreso.

– Nós não a vimos, senhor. Nenhum de nós. Ela estava com o senhor.

Simón o empurrou para o lado com um xingamento violento.

– Ela fugiu. Chame todos os seus homens. Quero que a encontrem imediatamente – dizendo isso, se encaminhou à entrada para questionar o porteiro, mas o homem parecia tão perplexo quanto os seguranças.

Quando girou, Simón se deparou com vários membros da equipe de sua escolta reunidos no saguão, sendo questionados por um Stavros furioso.

Theos! Para onde ela poderia ter ido? Ámbar não estava em condições de vagar por Nova York e as pessoas que a sequestraram ainda estavam soltas.

A preocupação lhe comprimia o peito como um trator. Girou, decidido a sair para procurála pessoalmente, quando viu Theron entrar.

– Simón – disse ele em saudação. – Estava subindo para visitá-lo. Como está Ámbar ?

– Ela fugiu – respondeu Simón com semblante austero.

Theron ergueu uma das sobrancelhas.

– Fugiu? Mas como?

– Não sei – retrucou Simón frustrado. – Desapareceu. Tenho de encontrá-la.Theron colocou a mão no ombro de Simón e o segurou firme.

– Nós a encontraremos.

– Há algo estranho nesta situação – disse Simón com voz fraca. – Algo que não faz sentido. Não consegui ver nenhum sentimento de culpa estampado no rosto de Ámbar quando ela recuperou a memória. Apenas uma completa devastação, como se tivesse sido ela a ser traída. Ficou tão perturbada que teve de ser sedada e, mesmo em seu torpor, se mostrava extremamente irritada. Ámbar não está em seu normal. Tenho medo do destino que ela tenha tomado. Seu estado mental está alterado.

– Eu o ajudarei – Theron afirmou em tom de voz tranquilizador. – Não se preocupe. Nós a encontraremos.

ÁMBAR ESTREMECEU quando se sentou no banco de pedra frio e abraçou o corpo trêmulo. Baixou o olhar aos próprios pés, mas não conseguia se repreender por ter saído no frio sem sapatos ou casaco. Seu único pensamento era se afastar o mais rápido possível. Não poderia encarar Simón naquele momento.

Agora sabia por que fora atraída para aquele lugar. Seu ponto de reflexão. Horas antes daquela noite fatídica, havia se sentado ali, temendo a reação de Simón à sua gravidez. E tinha razão em temer. Ele não acreditava nela. Não a amava. Abandonara-a à própria sorte com os sequestradores.

Ámbar se recusava a permitir que as lembranças lhe voltassem à mente. Eram muito dolorosas. Ao menos agora percebia por que escolhera esquecer. Todas aquelas semanas convivendo com o medo enquanto seus sequestradores esperavam que lhes atendessem as exigências haviam empalidecido comparadas à traição de Simón recusando-se a atendêlas. Como alguém podia ser tão frio? Não seria capaz de pagar uma quantia ínfima em dinheiro para soltar qualquer pessoa? Até mesmo um completo estranho? Nunca imaginara que ele fosse tão desalmado.

Entretanto aquele homem a mantivera à margem de sua vida, sem um mínimo de consideração. Fora apenas amante dele. Alguém com quem ele saciava sua luxúria e nada mais. Tola fora ela em se apaixonar por Simón . Não uma, mas duas vezes.

Um gemido fraco lhe escapou dos lábios e Ámbar fechou os olhos quando a dor a assolou mais uma vez. Nunca se sentira tão ferida, tão completamente perdida.

As mãos se fecharam em torno do abdome abaulado e lágrimas que ela julgara congeladas começaram a lhe rolar pelo rosto.

Como Simón fora capaz de uma farsa tão desprezível? Deveria saber que em algum momento ela recuperaria a memória e, ainda assim, passara semanas a cortejando, fazendo com que se apaixonasse por ele outra vez. Fingindo lhe ter afeição. E paixão. A pergunta era: por quê?

Teria sido aquilo uma teia milimetricamente urdida para puni-la? Para fazê-la sofrer ainda mais? Nunca imaginara que Simón pudesse ser tão cruel, mas aquilo provava apenas o pouco que conhecia do homem a quem se entregara.

Ámbar permaneceu lá, balançando-se para a frente e para trás. Os braços envolvendo o abdome em um gesto protetor. O vento se tornou mais intenso, fazendo um arrepio lhe percorrer a espinha, mas ela ignorou o desconforto.

– Ámbar ?

O nome foi dito com certa cautela e soou distante. Quando ela ergueu o olhar, um homem se encontrava parado a alguns metros de distância, com olhar preocupado. Ámbar o reconheceu. Theron. Não era de se admirar que ele tivesse sido tão resistente à ideia de Simón se casar com ela. Julgava-a uma ladra, assim como o irmão. Aquilo era mais do que podia suportar.

Ámbar abraçou o próprio corpo com mais força ainda e baixou o olhar, determinada a esconder as lágrimas.

Theron se agachou diante dela e pousou uma das mãos em seu punho.

– Preciso levá-la de volta, pedhaki mou. Não é seguro para você ficar aqui fora – disse ele com voz suave.

Ámbar se encolheu diante do tratamento carinhoso. Aquele era o apelido que Simón usava para se referir a ela e não queria mais escutá-lo. Ela negou com um gesto de cabeça e ergueu a mão como se estivesse se protegendo.

Theron baixou o olhar aos pés descalços de Ámbar e xingou baixo.

– Está frio e não deveria ter saído descalça. Deixe-me levá-la de volta para casa.

Ámbar se encolheu com um movimento brusco.

– Não – disse, balançando a cabeça vigorosamente. – Não quero voltar para lá – acrescentou, deslizando pelo banco de pedra. A superfície áspera atritando com o tecido da roupa.

Theron esticou a mão para impedir que ela escapasse.

– Pense no bebê. Deixe-me levá-la de volta. Você está fria.

– Não voltarei para aquele apartamento – disse ela desesperada, levantando-se, pronta para sair em disparada.

Theron a encarou com olhar tristonho.

– Não posso permitir que fuja. Você está obviamente perturbada e não está agasalhada.

Os olhos azuis se encheram de lágrimas.

– Por que se importa? Eu o roubei, lembra-se? Sou apenas a vagabunda que armou uma cilada para o seu irmão e tentou destruir sua empresa – disse ela amargurada.

O olhar de Theron suavizou.

– Se eu prometer não a levar de volta ao apartamento, virá comigo? Não posso deixá-la aqui desse jeito.

Ámbar oscilou e ele a segurou quando seus joelhos cederam. Theron a ergueu nos braços e se afastou dali.

Ámbar sentiu o corpo todo tenso.

– Por favor, deixe-me em paz – suplicou.

– Não posso fazer isso, irmãzinha.

– Sou apenas a prostituta do seu irmão – disse ela, permitindo que uma nova onda de angústia a invadisse.

Theron a segurou ainda mais firme.

– Theos! Nunca mais repita isso.

 Ámbar girou o rosto, recostando-o ao ombro largo, enquanto grossas lágrimas lhe banhavam os olhos. Ela os fechou e se permitiu flutuar mais uma vez para a inconsciência. Era tão fácil fugir da realidade quando havia tanto do que queria escapar. Amaldiçoou o momento em que recobrou a memória. Aquilo a havia destruído. 



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