História Traição - Capítulo 15


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 113
Palavras 4.172
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - Culpada


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 15 - Culpada

SIMÓN ADENTROU o Imperial Park Hotel dispensando os funcionários que se apressavam em cumprimentá-lo. As portas do elevador estavam sendo mantidas abertas para que ele entrasse e fosse levado ao último andar. Instantes depois, Simón penetrava na suíte luxuosa geralmente reservada aos hóspedes VIP. O irmão o encontrou na sala de estar e ele o encarou com expressão furiosa.

– Por que não a levou de volta ao apartamento? – Simón quis saber.

– Ela se tornou histérica à simples menção de voltar para lá – justificou Theron. – Estava disposta a correr o mais rápido e para o mais longe possível. Tive de prometer que não a levaria de volta para a cobertura. – Simón soltou um xingamento baixo e fechou os olhos. Em seguida, ergueu a mão e beliscou o nariz em um gesto extenuado. – Ela está à beira de um colapso – prosseguiu Theron. –Traga aquela terapeuta até aqui para conversar com Ámbar .

Talvez ela possa ajudá-la.

Simón encarou o irmão com o olhar penetrante.

– Parece preocupado com ela.

– Ámbar está gerando meu sobrinho. – Os lábios de Theron se contraíram em uma linha fina. – É como você disse. Não há nenhum sentimento de culpa na expressão ou nas ações de Ámbar . Ela age como se tivesse sofrido a mais profunda das mágoas. Foi triste vê-la naquele jeito. De repente, queria fazer tudo que fosse possível para protegê-la daquela dor.

– Onde ela está agora? – perguntou Simón .

– Dormindo – respondeu o irmão. – Ela adormeceu no caminho para cá e nem se mexeu quando a carreguei pelo elevador e a coloquei na cama.

Simón se encaminhou ao quarto, determinado a se certificar de que ela estava segura. Cruzou o aposento imerso em penumbra e estacou ao lado da cama. Mesmo durante o sono, a testa de Ámbar se encontrava franzida em uma expressão de desespero.

Esticando o braço, ele lhe tocou o rosto e lhe afastou um cacho de cabelos macios para trás da orelha. Ámbar não se mexeu. O rosto pálido estava recostado contra o travesseiro, emoldurado pelos cachos escuros. Olheiras profundas se destacavam acima das maçãs descoradas do rosto e a vermelhidão das pálpebras deixava claro que ela estivera chorando.

Simón sentiu uma pontada de dor aguda no peito diante daqueles sinais de estresse.

Enquanto retornava à sala de estar, retirou o celular do bolso para chamar a terapeuta. Quando terminou, fechou o aparelho e se dirigiu a Theron.

– Onde a encontrou?

Theron lhe entregou um drinque.

– Ela estava em um jardim a alguns quarteirões de seu apartamento. – O irmão exibiu uma expressão pesarosa quando o encarou. – Estava descalça, sem um casaco ou suéter. Parecia perdida, sem se dar conta do que acontecia ao seu redor.

Simón praguejou mais uma vez.

– Tem estado assim desde que recuperou a memória. Theos mou, não sei o que fazer. – Nunca se sentira tão perdido.

– Ainda crê que Ámbar seja culpada? – Theron perguntou em tom de voz baixo.

– Não sei – admitiu Simón . – Às vezes, penso que isso não importa. – Dirigiu o olharao irmão esperando encontrar censura. Em vez disso, Theron lhe devolveu um olhar compreensivo.

– Quando a vi sentada naquele banco, também achei que não importava – retrucou com voz suave.

A terapeuta chegou alguns minutos depois. Simón a colocou a par de tudo que aconteceu desde que haviam chegado a Nova York. Apesar do constrangimento que sentia em expor detalhes tão íntimos para a mulher, queria deixá-la ciente de tudo que fosse necessário para que pudesse ajudar Ámbar . Ele contou toda a história à terapeuta. Desde o confronto que tivera com Ámbar , vários meses antes, até o presente.

Para crédito da profissional, ela não esboçou nenhuma reação. Recebeu calmamente as informações e pediu para ver Ámbar .

– Ela está descansando, mas pode entrar e esperar que ela acorde. Não quero que ela fique ainda mais aborrecida e tente fugir.

A terapeuta anuiu e seguiu Simón na direção do quarto. Quando os dois entraram, Ámbar se mexeu. Simón deu um passo para a frente em um gesto automático, mas a terapeuta ergueu a mão para fazê-lo parar.

– Deixe-me conversar com ela – disse em tom de voz suave.

Apesar do desejo de estar perto de Ámbar , ele anuiu com um gesto breve diante do pedido da terapeuta e girou para se retirar. Porém, não foi muito longe. Saiu do quarto e se encostou à porta, deixando-a entreaberta para que pudesse ouvir o que estava sendo dito.

Seguiu-se um longo período de silêncio, antes de ele ouvir o murmurar de vozes. A princípio, era a terapeuta quem mais falava enquanto a tranquilizava. Após algum tempo, escutou a voz trêmula de Ámbar e apurou os ouvidos para captar o que ela dizia.

– Fui ao médico no dia em que Simón chegaria do exterior. Quando descobri que estava grávida, foi um grande choque. Fiquei preocupada com a reação que ele teria. Queria questioná-lo sobre nosso relacionamento… o que ele sentia por mim.

– Continue. – A terapeuta encorajou.

As perguntas que Ámbar lhe fizera naquela noite agora faziam sentido, e as próximas palavras o fizeram se encolher.

– Ele me disse que não existia nenhum relacionamento entre nós. Que eu era sua amante.Uma mulher a quem pagava para fazer sexo – Ámbar acrescentou com voz fraca. Simón teve vontade de protestar. Marchar para dentro daquele quarto e dizer que nunca a considerara alguém a quem ele pagava para fazer sexo. – E então, ele me acusou de… – A voz de Ámbar morreu, e Simón escutou um soluço baixo ecoar no quarto.

– Está tudo bem – tranquilizou a terapeuta.

– Simón disse que eu o havia roubado. Que havia me apropriado dos projetos de um de seus hotéis e os entregado a seu concorrente. E me expulsou do apartamento.

– E você os roubou?

– Você é a primeira pessoa que me perguntou isso – disse Ámbar abatida. Mais uma vez

Simón se encolheu como se tivessem lhe desferido um golpe mortal. Ámbar tinha razão. Ele não perguntara. Tudo que fez foi julgá-la e condená-la. – Fiquei perplexa. Ainda não consigo entender. Nunca vi os papéis que ele atirou sobre mim. Não sei por que ele pensou que eu os peguei ou como foi capaz sequer de pensar em um absurdo como esse. – As lágrimas que Simón ouvia na voz fraca e magoada tiveram o feito de pequenas adagas se cravando em seu peito. A tensão lhe crescia no íntimo até pensar ser capaz de explodir. Uma sensação horripilante lhe percorreu a espinha. O que fizera? – E então…

Mais uma vez Ámbar se calou vencida pelos soluços. Seguiu-se outro silêncio prolongado, no qual a terapeuta sussurrou palavras tranquilizadoras.

– Conte-me o que aconteceu a seguir.

– Saí do apartamento, mas sabia que teria de voltar no dia seguinte, depois que Simón se acalmasse para chamá-lo à razão e lhe dizer que estava grávida. Achava que se tivesse a chance de conversar com ele, faria com que reconhecesse o erro que estava cometendo.

– E o que aconteceu? – perguntou a terapeuta com voz suave.

Simón pressionou o corpo tenso à porta, fervilhando em expectativa.

– Um homem colocou um saco sobre a minha cabeça e me forçou a entrar em um carro. Fui levada para algum lugar da cidade e informada de que permaneceria refém até que pagassem o resgate. Fiquei aterrorizada. Estava grávida e tive medo que fizessem algum mal a mim ou ao meu bebê. – As mãos de Simón se cerraram em punhos enquanto lutava contra a raiva que se erguia dentro dele. – Eles fizeram duas propostas de resgate – sussurrou Ámbar . – Simón recusou as duas. Deixou-me lá. Oh, Deus! Ele me deixou nas mãos daqueles homens. Eu não valia nem mesmo meio milhão de dólares para ele. – Soluços emergiram da garganta de Ámbar e se transformaram em pranto.

Simón se viu paralisado pela incredulidade. Mãe de Deus! Nunca havia recebido nenhum pedido de resgate. Nunca! Sentiu uma golfada de fel lhe subir à garganta. Girando, recostou a testa à parede e ergueu o punho cerrado para pousá-lo a alguns centímetros de distância da cabeça. Sentiu a umidade no rosto, mas não fez nenhum movimento para limpar as lágrimas.

Instantes depois, a terapeuta saiu do quarto e ergueu o olhar para encará-lo. Simón esperava ver condenação, mas encontrou apenas compaixão no semblante da mulher.

– Eu a sedei. Ela estava quase histérica. Ámbar precisa descansar acima de qualquer outra coisa. A realidade que se apresenta diante dela é muito dolorosa, portanto ela recua. Esse mesmo instinto de autopreservação é que induziu a amnésia. Agora, que não possui mais esse recurso protetor, está lutando para lidar com tudo isso da forma que encontra. Seja gentil e compreensivo com ela. Não a pressione muito. – A mulher lhe deu palmadas leves no braço enquanto se afastava. – Telefone-me se precisar de mim. Virei imediatamente.

– Obrigado – respondeu Simón com voz rouca.

Quando a terapeuta partiu, ele se deixou afundar no sofá da sala de estar.

– Deus do céu! – exclamou desolado.

– Eu ouvi – disse Theron com expressão pesarosa.

– Ela nunca roubou nada. – Simón fechou os olhos e passou uma das mãos pelos cabelos. – Theos! Nunca recebi nenhum pedido de resgate. Ámbar pensa… pensa que a deixei à mercê daqueles animais, que a detestava a ponto de me recusar a pagar meio milhão de dólares para que a libertassem.

Theron colocou a mão sobre o ombro de Simón em um gesto confortador.

– Temos muito o que investigar.

Simón anuiu. Os pensamentos se aprofundando enquanto deixava de lado a angústia produzida pelas revelações de Ámbar e se forçava a repassar os eventos daquela noite na cabeça.

Quando a percepção o atingiu, se mostrou tão assustadoramente clara que o fez se amaldiçoar por não ter juntado as peças do quebra-cabeça antes. Estava tão furioso, tão ferido com o que considerara ser uma traição de Ámbar !

– Emilia – disse conciso.

Theron ergueu uma das sobrancelhas.

– Sua assistente?

– Ela esteve na cobertura pouco antes de eu encontrar os papéis na bolsa de Ámbar . Emilia deve tê-los plantado lá.

Outro pensamento lhe ocorreu. Um que o deixou nauseado. Qualquer pedido de resgate seria feito para seu escritório. Suas residências eram mantidas em sigilo total. Ámbar afirmara que ele ignorara os pedidos de resgate, mas agora percebia que tais pedidos deveriam ter sido entregues e interceptados. Por Emilia.

Simón se ergueu e girou para encarar o irmão.

– Fique aqui com Ámbar . Certifique-se de que ela não saia daqui e que seja bem cuidada.Enviarei um médico para examiná-la.

Theron também se levantou.

– Para onde está indo, meu irmão?

– Descobrir se o que suspeito é verdade – retrucou ele em um tom de voz baixo e letal.

– Espere! – Simón estacou e voltou a encarar Theron. – Deveria chamar a polícia. Se aconfrontar e ela confessar, de nada adiantará. Apenas você saberá.

Simón cerrou os punhos pela frustração, mas sabia que o irmão estava certo. Não queria que Emilia escapasse impune depois do que fizera. Ele poderia lhe tornar a vida um inferno, mas ainda assim ela estaria livre. Queria justiça.

SIMÓN CAMINHAVA de um lado para o outro no confinamento do seu escritório em Nova York enquanto esperava Emilia chegar. Não queria estar ali. Desejava estar ao lado de Ámbar . Theron ficara com ela, e ele fervilhava impaciente. O estado de Ámbar não se alterara. Mesmo quando acordara, se mostrara distante, desfocada, não parecendo estar ali. Era como se ela tivesse se retirado para um lugar onde ele não pudesse mais feri-la.

Simón fechou os olhos e tentou se focar na tarefa que tinha pela frente. Quando ouviu Emilia entrar, enrijeceu a coluna. Era tudo que podia fazer para não gritar com ela ou lhe quebrar o pescoço fino. Recorreu a todo seu estoque de forças para injetar um sorriso nos lábios e agir como se nada estivesse errado, como se não odiasse até mesmo o chão que aquela mulher pisava.

– Queria falar comigo? – Emilia perguntou ofegante.

– Sim – murmurou Simón , deixando o olhar lhe percorrer o corpo de modo sugestivo,mesmo enquanto tinha calafrios de repugnância.

Os olhos da assistente se iluminaram e ela logo adotou uma postura sensual.

– Só agora percebi até onde foi para atrair minha atenção – disse ele com uma risada abafada. – As mulheres costumam dizer que os homens são obtusos, mas acho que me excedi nessa categoria.

A confusão se estampou no rosto de Emilia, mas ela se esforçou para manter um semblante inocente. Não poderia saber a que ele estava se referindo, mas em breve tudo ficaria muito claro. Simón observou a linguagem corporal da assistente. Os olhos eram as janelas da cretina desalmada que era.

– Por que simplesmente não disse que me queria? – perguntou ele com voz sensual. – Isso teria nos poupado muitos problemas. Em vez disso, fiquei preso a um relacionamento que não queria, embora aprecie seus esforços para me livrar dele. – Emilia relaxou e um sorriso frio lhe curvou os lábios. Era estranho, mas Simón nunca se dera conta de como aquela mulher era repulsiva. – Como planejou isso tudo? – perguntou com voz sedosa.

Simón escutou, horrorizado, enquanto a assistente relatava tudo que fizera para fazer parecer que Ámbar roubara os projetos. O sequestro havia sido um bônus, mas, quando o pedido de resgate chegou ao escritório, vira a oportunidade de se livrar de Ámbar de uma vez por todas.

Estava tão ansiosa em provar sua devoção a Simón que não percebeu que admitira ter vendido os projetos para o concorrente.

– Então, você roubou os projetos e os entregou a Marcelli. – A voz de Simón tinha atemperatura de um iceberg e ela se encolheu diante daquele tom. O rosto empalideceu quando percebeu o que acabara de confessar. – E então incriminou Ámbar , pensando que não apenas lucraria vendendo meus projetos para o concorrente, como se livraria de Ámbar para que pudesse ocupar seu lugar. – A boca de Emilia se abriu e fechou e Simón percebeu que a assistente se dera conta de que ele a induzira a confessar e que estava furioso. – Depois, quando os pedidos de resgate chegaram ao meu escritório, você os destruiu esperando o quê, Emilia, que eles a matassem? Que a removessem permanentemente do cenário?

A raiva o fazia tremer. Emilia não passava de uma névoa vermelha diante de seu olhar irado. Tudo que Simón conseguia ver era Ámbar , sozinha e assustada. Esperando um filho seu e vulnerável. Pensando não só que ele a odiava, mas que também a abandonara.

Tinha vontade de chorar.

Emilia pareceu se recompor e o encarava com olhar sarcástico.

– Você nunca conseguirá provar isso.

– Não preciso – retrucou em tom de voz suave, pressionando o pequeno botão do interfoneem sua mesa. – Pode entrar, detetive.

Emilia oscilou quando três policiais entraram na sala, com expressões austeras.

– Não pode fazer isso! – grasniu ela. – Eu o amo, Simón . Seria capaz de qualquer coisa por você.

Com um movimento negativo de cabeça, Simón lhe virou as costas enquanto ela era escoltada para fora do escritório, com as mãos algemadas. Não queria ouvir o que aquela mulher dizia. Tudo que desejava era voltar para junto de Ámbar . – Desculpe-me, agape mou – sussurrou ele.

ÁMBAR ESTAVA levemente ciente de estar sendo carregada nos braços outra vez. Não por Simón . Estava intimamente familiarizada com seu toque para saber que não se tratava dele. Por um instante, entrou em pânico, mas depois ouviu palavras confortadoras em grego e em inglês.

– Relaxe, irmãzinha. Você está segura.

– Para onde estamos indo? – perguntou ela com voz fraca.

– Para um lugar seguro – respondeu ele com voz suave. – Simón não permitirá que nada de mal lhe aconteça.

Ámbar teve vontade de protestar, dizer que Simón não seria capaz de fazer nada por ela, mas não conseguia reunir forças. Em algum momento, ouviu a voz de Simón e amaldiçoou o fato de se sentir imediatamente segura e ter o pânico suavizado.

Sentiu o roçar de lábios contra sua testa e, em seguida, mãos firmes a acomodando na cama.

Dedos lhe acariciaram os cabelos e a envolveram em um casulo de calor reconfortante.

– Você está segura, agape mou. Nunca mais permitirei que ninguém lhe faça nenhum mal.

– Não me chame assim – gritou ela. – Nunca mais. – Ainda assim, Ámbar se apegou àpromessa de Simón , mesmo que o coração gritasse em protesto. Aquele homem mentira para ela. Não podia acreditar em nada que ele dissesse. Mas mesmo contra sua vontade, se sentiu relaxar e imergir em um sono sem sonhos.

QUANDO ÁMBAR tornou a acordar, sentiu o cérebro aguçado, como não acontecia desde que recobrara a memória. A névoa que lhe cobria a mente se dissipara. Aquilo era bem-vindo, embora praguejasse contra aquele estado de consciência ao mesmo tempo. A confusão havia evaporado, mas com aquela nova clareza veio a inevitável tristeza.

Sentia-se alerta como se tivesse dormido durante uma semana. E talvez tivesse. Não tinha noção do tempo que se passara. Embora seu passado não fosse mais um mistério, os eventos dos últimos dias se encontravam fragmentados.

Com um suspiro relutante, Ámbar afastou as cobertas e atirou as pernas para fora da cama. Quando olhou ao redor, percebeu que não tinha noção de onde estava. O quarto era espaçoso e agradável, com várias janelas que permitiam a entrada da luz natural.

Ámbar se ergueu e caminhou em direção ao banheiro da suíte, os olhos se arregalando diante do tamanho e da suntuosidade. Observou a banheira de hidromassagem com olhar cobiçoso. Embora não soubesse quantos dias haviam se passado, pois tudo se encontrava envolto em um borrão, tinha certeza de que não tomava banho havia algum tempo e mal podia esperar para se sentir limpa e refrescada.

Apoiando o pé no degrau que dava para a banheira, inclinou-se para a frente e girou a torneira para enchê-la de água. Quando ergueu o olhar, se deparou com Simón parado à soleira da porta e um arquejo lhe escapou da garganta.

Projetando-se imediatamente para a frente, ele lhe segurou o braço para equilibrá-la.

– Desculpe-me se a assustei, pedhaki mou. Não era essa minha intenção. Fiquei preocupado quando vim ver como estava e não a encontrei na cama.

– Queria apenas tomar um banho – retrucou em voz baixa.

– Não quero que fique aqui sozinha – disse ele. – Pedirei a srta. Cahill para vir até aqui,portanto se precisar de alguma coisa, basta chamá-la.

Ámbar fechou os olhos por um instante e inspirou profundamente.

– Por favor, basta de mentiras entre nós. Não há necessidade de fingir que sou importantepara você…

A desolação se estampou nos olhos âmbar, e o rosto bronzeado adotou uma coloração acinzentada.

– Você é muito importante para mim, agape mou.

Antes que ela pudesse responder, Simón se retirou do toalete e, dentro de instantes, Patrice entrou. Em questão de minutos, Ámbar se encontrou despida e acomodada na banheira aquecida. Não muito quente, assegurou Patrice, pois banhos muito quentes não faziam bem para mulheres grávidas.

Quando emergiu sob as bolhas fragrantes, Ámbar recostou-se à lateral da banheira e ergueu o olhar a Patrice.

– Onde estamos? E como cheguei aqui? Pensei que você estava em Atenas com o dr. Karounis.

– O sr. Alvarez pediu para que eu voltasse para tomar conta de você – revelou a enfermeira em tom tranquilizador. – Parecia desesperado. A ideia de retornar àquele apartamento a aborrecia tanto que ele resolveu trazê-la para cá.

– E que lugar é este? – Ámbar quis saber.

– A casa dele – informou Patrice paciente. – Estamos a mais ou menos uma hora da cidade.

Aqui é mais calmo e silencioso. Ele achou que você gostaria.

Lágrimas enevoaram a visão de Ámbar . E ela pensara não ter mais lágrimas para derramar! Não sabia que Simón possuía uma casa fora da cidade. Assim como a ilha, aquele era mais um lugar em que nunca estivera durante todo o tempo em que se relacionara com ele. Mais uma prova de que nunca ocupara um lugar importante na vida de Simón .

– Ele está muito preocupado com você – disse Patrice com o semblante se suavizando pelacompaixão. – Todos estamos.

Ámbar negou com a cabeça. Simón a detestava. Nunca a amara, e ela fora tola demais para não perceber isso.

– O que farei? – sussurrou ela para ninguém em particular. Fora uma idiota em ter aberto mão de seu apartamento, emprego e todos os meios de que disponha para cuidar de si mesma quando fora morar com Simón . Estivera cega demais pelo amor e pela certeza de que teria um futuro com ele.

– Está na hora de sair da banheira – disse Patrice em tom de voz gentil. – Precisa se secar para descer e comer.

Ámbar permitiu que a enfermeira a paparicasse. Patrice a secou e a vestiu com uma calça comprida confortável e uma blusa de gestante. Ámbar acariciou o ventre abaulado e sussurrou um pedido de desculpas ao filho ainda não nascido. Não podia se dar ao luxo de colapsar. Seu bebê dependia dela.

Simón estava esperando quando ela saiu do quarto. Sem nada dizer, ele lhe segurou o cotovelo e a ajudou a descer a escada. Ámbar permitiu, muito entorpecida para protestar. Ela também optou pelo silêncio. As emoções se encontravam muito conturbadas para tentar ter uma conversa sensata.

Os dois se acomodaram em uma pequena mesa que dava vista para um jardim meticulosamente cuidado. A luz clara da manhã incidia através das portas de vidro e ela se sentiu aquecida pelos raios de sol.

Simón pousou um pato abarrotado de comida em frente a ela e se acomodou na cadeira oposta. Ámbar buliu no garfo e começou a afastar a comida de um lado para o outro do prato, evitando-lhe o olhar.

Quando ele suspirou, Ámbar ergueu o olhar para encontrá-lo a observando. A expressão do belo rosto sombria como se tivesse passado por um verdadeiro calvário. Ela quase soltou uma risada diante do absurdo daquele pensamento. Mas para seu horror, sentiu ardência nos olhos e o rosto de Simón começou a embaçar.

– Temos de conversar. Há muita coisa que quero lhe dizer. – A voz grave soava estranhamente estrangulada. – Mas antes tem de se alimentar para recuperar as forças. Sua saúde e a de nosso filho vêm em primeiro lugar.

Ámbar baixou a cabeça, recusando-se a lhe sustentar o olhar por mais tempo. Concentrouse em comer e logo percebeu que estava de fato com fome.

Ámbar estava tomando o último gole de suco, quando ouviu uma porta se fechando a distância e, em seguida, os passos determinados de alguém pelo chão. Ela se virou para ver Theron entrar na sala, com expressão séria.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Simón cravou o olhar no irmão e disse com a rigidez do aço na voz:

– Seja o que for, pode esperar até que Ámbar termine a refeição.

Theron lançou um olhar preocupado na direção dela e anuiu em concordância com o irmão. A raiva fez a garganta de Ámbar se contrair. O que quer que desejassem conversar, era óbvio que não pretendiam discutir na frente dela. Mas por que o fariam? Achavam que ela era a pessoa que os havia roubado.

Ámbar se ergueu em um impulso e atirou o guardanapo na mesa. Sem dizer nenhuma palavra, girou e se retirou.

– Ámbar , não vá – protestou Simón .

Virando-se, ela lhe dirigiu um olhar furioso.

– Fiquem à vontade para conversar. Detesto atrapalhar. Afinal, alguém que o roubou e traiu sua confiança não é digno de escutar sua conversa.

– Theos, não se trata disso. Ámbar ? Espere, droga! – Mas ela o ignorou e seguiu em frente. Simón a observou partir e soltou um xingamento. Sentia-se estrangulado pela impotência. Como poderia esperar que tudo se resolvesse entre os dois? Girou na direção de Theron, que também a observava se retirar e franziu a testa. – O que o trouxe aqui com essa urgência? – perguntou.

Theron enfiou a mão no bolso do paletó e de lá retirou um jornal dobrado. Em seguida, o atirou sobre a mesa em frente a Simón . – Isso.

Simón o desdobrou e xingou em quatro idiomas. A primeira página estampava Ámbar sendo carregada por Theron no dia em que fugira do apartamento. Logo abaixo, estavam as fotos dele e de Emilia com uma reportagem que detalhava cada faceta da saga dramática de seu relacionamento com Ámbar .

Simón atirou o jornal longe.

– Isso foi obra de Emilia. Nenhum dos meus homens falou com a imprensa.

Theron anuiu em concordância.

– Como fez com que fosse presa por roubo e pela fraude de interceptar os pedidos deresgate, Emilia deve ter pensando que não tinha nada a perder e tudo a ganhar dando ao público sua versão do suposto relacionamento entre vocês dois.

Simón se deixou afundar na cadeira e descansou os cotovelos sobre a mesa.

– Amaldiçoo o dia que contratei aquela mulher. Ámbar poderia ter morrido por causa da minha estupidez.

– Você a ama.

Aquela não era uma pergunta e Simón não a tratou como tal. Era simplesmente a constatação de um fato. Ele a amava, mas conseguira acabar com o amor de Ámbar não uma, mas duas vezes.

Simón anuiu e enterrou o rosto nas mãos.

– Não a culparia se ela nunca me perdoasse. Como Ámbar poderia se nem mesmo eu me perdoo?

– Vá falar com ela. Conserte as coisas entre vocês.

Simón se levantou. Sim. Estava na hora de tentar acertar as coisas com Ámbar . Se isso fosse possível.



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