História Traição - Capítulo 16


Escrita por:

Postado
Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 232
Palavras 4.047
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 16 - Nosso lar


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 16 - Nosso lar

ÁMBAR SE encontrava parada diante da janela do quarto, com o olhar perdido. Àquela altura, nada que Simón fizesse deveria feri-la, mas aquele homem ainda exercia tal poder sobre ela.

– Ámbar .

Girando, ela se deparou com Simón parado à soleira da porta. Parecia cansado. As feições abatidas e os olhos preocupados. Havia algo mais naquela expressão. Tristeza e… medo?

Simón entrou no quarto um pouco hesitante.

– Precisamos conversar.

Ámbar sentiu a tensão crescer e, em seguida, se preparou para o que sabia que viria. O repúdio de Simón . Ela desviou o rosto, mas anuiu. Sim, precisavam conversar e colocar um fim naquilo.

Os dedos longos pousaram sob seu queixo, antes de ele gentilmente lhe virar o rosto para que o encarasse.

– Não fique assim, agape mou. Não gosto de vê-la triste.

– Por favor – suplicou ela. – Apenas diga o que quer. Não prolongue mais isso.

Simón baixou a mão para lhe capturar o punho. O polegar lhe roçando a pulsação que acelerou diante daquele toque.

Ámbar permitiu que ele a guiasse até a cama. Simón a sentou e se acomodou ao seu lado. O corpo enrijecido e a postura gritando aflição. De repente, ela não queria esperar para ouvir o que Simón tinha a dizer. A raiva em ebulição dentro dela.

– Você mentiu para mim – começou ela. – Tudo que me disse desde aquele dia no hospitalfoi uma mentira atrás da outra. Você não gosta de mim. Todas as coisas que disse não passaram de mentiras. Quando me levava para a cama, me desprezava, mas ainda assim fez amor comigo e me fez acreditar que se importava comigo. Que tipo de pessoa age dessa forma? – Ámbar estremeceu e levou as mãos ao rosto.

– Está errada – retrucou Simón com voz suave, afastando-lhe as mãos e levando uma delas aos lábios para lhe beijar a palma. – Gosto muito de você. Não a desprezava quando fazíamos amor. Sim, menti sobre os detalhes. Orientaram-me para não fazer ou dizer nada que a aborrecesse até que recuperasse a memória. Eu menti, mas sobre coisas pequenas. Não sobre as importantes. Como, por exemplo, o quanto gosto de você. S’agapo, pedhaki mou. – Ámbar baixou a cabeça, sentindo as lágrimas lhe queimarem os olhos. Como queria acreditar nele. No entanto, Simón não fizera nada para merecer sua confiança. – Errei muito com você. – Ámbar ergueu a cabeça, encarando-o com expressão chocada. Aquele homem admitindo que errou? Vergonha e uma dor profunda desbotavam os olhos âmbar. – Há coisas que deve saber. Nunca recebi nenhum pedido de resgate. Eu teria movido céus e terras para libertá-la. Nenhuma quantia seria alta o suficiente. Não sabia que você havia sido sequestrada. O queixo de Ámbar pendeu.

– Como poderia não saber?

Os olhos de Simón se tornaram conturbados.

– Emilia destruiu os bilhetes com os pedidos de resgate. Estava certa em não gostar dela e,por ter ignorado sua intuição em relação à minha assistente, eu a coloquei em grande perigo.

A mente de Ámbar parecia arrastada em um redemoinho diante de tudo que ele lhe dissera. Ergueu uma das mãos trêmulas e a levou à boca. Simón não recebera os pedidos de resgate?

– Pensei… – Ela se calou e fez um movimento negativo com a cabeça, sufocada pela emoção.

– O que pensou, agape mou? – perguntou ele, com voz suave.

– Que você me odiava – sussurrou ela. – Que não queria pagar o resgate porque pensava que eu o havia roubado. Que eu não valia nem mesmo meio milhão de dólares.

Simón gemeu e a puxou para seus braços. As mãos longas tremiam enquanto lhe acariciavam as costas.

– Eu sou um tolo. Estava errado em acusá-la como fiz. Não há defesa para a minha atitude. Ámbar recuou e ergueu o olhar para encará-lo.

– Não acredita que eu o tenha roubado?

Simón negou com um gesto veemente de cabeça.

– Não. Foi Emilia. Ela plantou aqueles papéis em sua bolsa para me fazer acreditar que era você. – Simón fez uma pausa e passou uma das mãos pelos cabelos. – Embora pensando que você havia roubado minha empresa, isso pareceu não ter mais importância depois de seu sequestro. Tudo que me importava era tê-la de volta ao seu lugar. Ao meu lado. – Os lábios se Simón se comprimiram. – Naquela noite, quando me questionou sobre nosso relacionamento… eu fiquei assustado. – Ámbar ergueu uma das sobrancelhas. A ideia de assustar Simón era hilariante. – Pensei que estava se sentindo infeliz. Que quisesse mais do que eu lhe estava dando – admitiu ele. – E depois fiquei ainda mais irritado porque aquilo me assustou. Estava decidido a não permitir que você determinasse nosso relacionamento, portanto a afastei, afirmando que não tínhamos um, que você não passava de uma amante.

O coração de Ámbar disparou diante da vulnerabilidade estampada naquele belo rosto másculo. Sentiu um aperto no peito e à medida que a pulsação acelerava, mais difícil se tornava oxigenar os pulmões.

– O que está dizendo? – sussurrou ela.

– Que eu a amo, pedhaki mou. S’agapo. – Os olhos azuis se arregalaram quando ela percebeu o que as palavras que Simón dissera significavam. Ámbar se viu incapaz de formular uma resposta, portanto limitou-se a encará-lo em estado de choque. – Tenho um péssimo modo de demonstrar isso – disse ele, escarnecendo de si mesmo. – Era orgulhoso, muito orgulhoso para confessar meus sentimentos. Nem mesmo os conhecia. Sabia apenas que não queria que você partisse e fiquei com raiva por pensar que estava insatisfeita com nosso relacionamento. E então, quando vi aqueles papéis em sua bolsa, tomei um choque e fiquei furioso. Não podia acreditar que você tivesse sido capaz de me roubar.

– Mas acreditou – argumentou Ámbar pesarosa.

Simón desviou o olhar. A dor lhe contraindo as feições.

– Eu estava com raiva. Nunca senti tanta raiva. Pensei que havia me usado para ajudar meu concorrente. Por isso a mandei embora. – Ele passou uma das mãos pela nuca. – E Deus me ajude! Eu a entreguei direto nas mãos daqueles sequestradores.

Ámbar fechou os olhos, não querendo recordar o medo e o desespero que experimentou durante o cativeiro. Embora tivesse recuperado a memória, aquela parte ainda se encontrava enevoada. Talvez a tivesse bloqueado para sempre.

– Você me ama? – Ámbar ainda estava presa àquelas palavras. O restante da conversa estava meio confuso e ela se fixava naquela declaração.

Mais uma vez Simón a puxou para os braços, envolvendo-a como uma delicada peça de cristal.

– Não soube demonstrar isso, mas eu a amo de verdade. Quero uma chance para provar meu amor. Quero que se case comigo. Por favor.

Confusa, Ámbar fez um gesto negativo com a cabeça diante da súplica humilde.

– Ainda quer que eu me case com você?

Simón a pressionou contra o corpo até encostar os lábios na testa delicada.

– Não precisa responder agora. Sei que disse muitas coisas que a chocaram. Mas me dê uma chance. Prometo-lhe que não se arrependerá. Farei com que volte a me amar. Nunca mais vou negligenciar seu sentimento precioso como fiz.

Ámbar estava convencida de que havia enlouquecido. Finalmente perdera a sanidade. Simón a segurava nos braços, declarando seu amor e desejando que se casasse com ele.

Dessa vez, para valer. Sem fingimentos. Sem mentiras ou meias verdades entre os dois.

Gentilmente, ele a afastou e depositou um beijo suave em seus lábios.

– Pense nisso, agape mou. Esperarei o tempo que for preciso por sua resposta.

Simón se ergueu como se lhe sentisse a necessidade de ficar sozinha e se encaminhou à porta, estacando apenas para lhe voltar um último olhar, antes de desparecer de vista.

Ámbar permaneceu sentada por um longo tempo, com o olhar pregado na agora vazia soleira da porta. As mãos tremiam e o peito se comprimia. Ele a amava? Emilia plantara os papéis incriminatórios em sua bolsa e depois destruíra os pedidos de resgate?

Um tremor lhe varou o corpo. A assistente de Simón a odiaria a tal ponto? Ou apenas desejava o patrão desesperadamente? Talvez os dois. Ou talvez Emilia estivesse trabalhando para o concorrente de Simón durante todo o tempo.

Os acontecimentos dos últimos dias ainda pesavam sobre ela. Não podia simplesmente esquecer tudo porque ele lhe pedira desculpas e lhe oferecera seu amor e um casamento, certo? Nem mesmo pudera reciprocar aquela declaração, porque Simón não acreditaria se lhe dissesse isso agora.

Ámbar suspirou e se deitou de lado, encolhendo os joelhos até que lhe tocassem o abdome. Estava tão cansada! Desgastada, tanto física quanto emocionalmente. Acariciou a barriga, sorrindo quando o filho se mexeu e chutou sob seus dedos.

– O que devo fazer? – sussurrou. Temia dedicar seu amor a Simón outra vez. Mas também a assustava a ideia de ficar sem ele. Por mais estrago que aquele homem havia lhe causado ao coração, experimentava uma dor profunda só de pensar em deixá-lo.

Ámbar fechou os olhos por um breve instante. A exaustão transbordava por todos os seus poros. Não podia tomar uma decisão tão importante em questão de minutos. Havia muita coisa em jogo. Tinha um filho para levar em consideração. E a si mesma.

NOS DIAS que se seguiram, Simón lhe satisfez todas e quaisquer necessidades. Ele a mimava, a enchia de atenções e se esmerava nos cuidados com Ámbar . Repetia incessantemente que a amava, embora mantivesse uma distância respeitável entre ambos.

Ao que parecia, Simón se sacrificava ao máximo para não a pressionar em nenhum sentido. Não era capaz de usar a paixão eletrizante que existia entre os dois para persuadi-la e Ámbar se sentia grata por isso.

Dois dias depois de Simón a pedir em casamento, os dois irmãos vieram visitá-los. Ámbar tentou se retirar pensando em deixar que os três discutissem seus negócios à vontade, mas, para ser sincera, ainda se sentia constrangida e envergonhada na presença dos dois, embora nada tivesse feito para merecer qualquer censura.

Entretanto, era com ela que os dois irmãos desejavam falar, e Ámbar encarou, confusa, os semblantes sérios à sua frente.

– Agimos de maneira imperdoável com você, irmãzinha – disse Theron.

Piers anuiu em concordância.

– Compreenderemos se nunca nos perdoar. Fomos grosseiros. Não há defesa para o modo como a tratamos, principalmente quando está esperando um sobrinho nosso.

O sentimento de culpa e o arrependimento era patente nas duas expressões, mas Ámbar não tinha ideia do que dizer para aliviar a situação.

Theron deu um passo à frente, pousou as mãos com suavidade nos ombros de Ámbar e lhe deu um beijo de cada lado do rosto. Quando recuou, foi a vez de Piers fazer o mesmo.

Ámbar relanceou o olhar a Simón , percebendo a expressão séria em seu olhar. O rosto estava abatido e parecia mais fino, como se tivesse perdido peso. Parecia… infeliz. Não se tratava de culpa, embora a atmosfera estivesse repleta daquele sentimento. Dava a nítida impressão de ter perdido a única coisa que lhe importava.

Ela?

O pensamento quase a paralisou. Ámbar exibiu um sorriso trêmulo para Theron e Piers e, em seguida, se desculpou, quase correndo na pressa de se retirar daquela sala.

Escancarou a porta que dava para o pátio e recebeu de bom grado o ar frio que a recepcionou. Inspirou várias vezes, tentando acalmar as emoções conturbadas.

A mente passou por todos os sentimentos que a invadiram nos últimos dias. Traição. Haviam mentido para ela. Ámbar impediu a progressão daqueles pensamentos, porque agora imaginava se Simón realmente havia mentido sobre seus sentimentos.

A aparência dele refletia o modo como ela se sentia. Perdida. Ambos estavam obviamente feridos. Se Simón a odiasse de verdade, por que teria se dado ao trabalho de representar um papel tão elaborado quando ela perdera a memória? Por que sentira qualquer obrigação em relação a alguém que o havia roubado?

– Está esperando um filho dele – murmurou ela. E, sim, tinha ideia do quanto a mãe de um filho de Simón seria digna de cuidados, mas por que ele não fizera o que Theron sugerira e a colocara simplesmente em um apartamento qualquer? Por que a paparicara, fizera amor com ela, agira como se gostasse dela?

De fato a amava? Tal declaração lhe devia ter sido muito custosa. Simón não era um homem inclinado a dar voz aos próprios sentimentos. Durante todo o tempo em que estiveram juntos, antes do sequestro, ele nunca lhe revelara nenhum deles. Mas demonstrara de muitas formas que gostava dela.

Poderia voltar a confiar em Simón ? Tal pensamento a assustava e ao mesmo tempo lhe oferecia certa paz. A escolha seria dela. Ela determinaria o próprio futuro.

Mesmo enquanto as opções se alternavam na mente de Ámbar , ela sabia o que faria. Tinha plena ciência do que queria, mesmo sabendo que talvez não fosse a melhor escolha. O coração nem sempre fazia a escolha mais sábia, pensou com expressão pesarosa.

Ainda assim, descobriu-se entrando na casa e indo à procura de Simón . A preocupação lhe dava um nó nas entranhas, mas ela sabia que estava tomando a decisão certa, mesmo que não lhe parecesse tão certa assim no momento.

Ámbar o encontrou na sala onde o deixara, olhando pela janela com um drinque na mão. Os irmãos haviam partido e o silêncio tornava a atmosfera pesada. Ela estacou por um instante, reunindo coragem. Simón tinha a aparência de quem não dormia havia dias. A calça comprida estava amarfanhada e as mangas da camisa enroladas até os cotovelos. A sombra de uma barba lhe escurecia a mandíbula e os cabelos estavam desgrenhados.

Ainda assim, era extremamente desejável. Ámbar teve ímpetos de cruzar a sala em disparada e se atirar naqueles braços fortes. Queria que ele a abraçasse e lhe dissipasse os medos e as dúvidas. O nó que sentia na garganta se agigantou e Ámbar soube que tinha de falar naquele momento ou arriscar não ser mais capaz.

– Simón – chamou em tom de voz suave.

Girando, ele pousou o drinque e se precipitou na direção dela.

– Você está bem, agape mou? Há algo que eu possa fazer por você? Desculpe se meus irmãos a aborreceram.

Ámbar tentou soltar uma risada, mas o som terminou em um soluço. Respirou profundamente e tentou se recompor.

– Eu me casarei com você.

Labaredas escuras faiscaram nos olhos âmbar, tornando-os da cor de ouro velho. As mãos fortes seguraram os ombros de Ámbar enquanto ele a encarava.

– É verdade? – perguntou com voz rouca. Ámbar anuiu. Simón fechou os olhos e, emseguida, a puxou contra o corpo. Por um longo instante, apenas a abraçou. Em seguida, deu um passo atrás, e a olhou nos olhos. – Está falando sério? Você se casará comigo?

Ámbar umedeceu os lábios em um gesto nervoso.

– Quero uma cerimônia discreta. Sem festejos. O mais reservada possível. Simón anuiu e lhe segurou o queixo.

– Tudo que você quiser.

– E quero… – Ámbar desviou o olhar e prendeu o lábio inferior entre os dentes.

– O que você quer, agape mou? Diga-me. Não há nada que eu não faça por você. Tudo que tem a fazer é pedir.

– Não quero ficar aqui – disse ela em tom de voz calmo. – Gostaria de voltar para a ilha. – Ámbar cerrou os punhos com tanta força, que as juntas dos dedos se tornaram esbranquiçadas.

A expressão de Simón suavizou e ele cobriu a mão delicada com a dele, abrindo-lhe os dedos e os entrelaçando aos seus.

– Voaremos para lá assim que nos casarmos.

O alívio teve um efeito calmante nas veias de Ámbar .

– Está falando sério? Não se importa?

– Sua felicidade é tudo para mim. Pediu algo tão simples. Como não lhe satisfazer a vontade? Tornarei aquela ilha nosso lar se for esse o seu desejo.

Ámbar anuiu.

– Isso me agradaria.

– Então, tomarei as providências imediatamente.

SIMÓN NÃO perdeu tempo em finalizar os preparativos para o casamento e organizar a viagem para a ilha. Sozinho, rearranjou sua agenda de trabalho, providenciou para que tudo que Ámbar precisasse fosse comprado, embora já tivessem comprado o vestido de noiva. Ámbar não pôde deixar de se admirar com tudo que ele providenciara em tão pouco tempo.

As autoridades a interrogaram agora que ela recuperara a memória e Ámbar teve de passar várias e exaustivas horas fornecendo-lhes os detalhes que conseguia se lembrar. Os sequestradores não a haviam machucado e mostraram até mesmo um pouco de consideração quando sua gravidez ficou evidente. Eles a haviam observado, sabendo que era próxima a Simón e a atacaram quando surgiu oportunidade. Optaram por uma quantia modesta para o resgate, esperando consegui-la sem muito alarido. Quando viram que não conseguiriam seu intento, abortaram o plano do sequestro e tomaram providências para que Ámbar fosse encontrada. O fato de saber que Simón ignorara o pedido de resgate fora a gota d’água que transbordara o copo. Fora naquele momento que Ámbar bloqueara seu passado, tão abalada ficara com aquela traição. A emoção devastadora a levara à amnésia. O medo de ser abandonada pelos sequestradores, o terror de ser deixada sozinha, sem ter para onde ir ou ninguém a quem recorrer.

Ámbar ficara transtornada durante o relato e Simón sofreu a agonia de ser confrontado com tudo que ela havia passado. Por sua causa, pensou ele. Durante todo o depoimento, ele se manteve ao lado dela em atitude protetora e pediu que parassem quando percebeu que Ámbar não poderia mais suportar.

A polícia ficou de posse dos contatos de Simón para que a chamassem caso fizessem prisões ou necessitassem de seu testemunho.

Dois dias depois, estavam casados. Theron e Piers compareceram, e Patrice foi a única testemunha da cerimônia.

Após os trâmites legais, Piers lhe desejou as boas-vindas à família de maneira reservada enquanto Theron foi mais efusivo.

– Você o faz muito feliz, irmãzinha – murmurou ele enquanto a puxava para um abraço.

Ámbar exibiu um sorriso tímido, mesmo sabendo que Theron não se deixaria enganar com isso.

Pouco depois, os dois irmãos de Simón partiram. Theron, para a Inglaterra, e Piers, para o Rio de Janeiro, a fim de supervisionar os planos para a construção do novo hotel. Patrice retornou a Atenas, onde se encontraria com o dr. Karounis. Embora Simón quisesse esperar mais um dia, antes de viajarem para a Grécia, Ámbar não abriu mão de partirem tão logo a cerimônia acabasse. Queria retornar à ilha, ao lugar onde fora feliz mesmo que por um curto período de tempo. Nova York guardava muitas lembranças desagradáveis e queria apenas se afastar dali.

Simón a acomodou no jato particular e insistiu para que ela dormisse durante toda a viagem. Era tarde quando aterrissaram e ainda mais tarde quando o helicóptero tocou o solo da ilha.

Entretanto Ámbar se sentia aliviada por estar em casa.

Simón a carregou nos braços para dentro da casa e não a soltou até que estivessem no quarto. Sentou-a sobre a cama e, em seguida, se ocupou em despi-la e colocá-la debaixo das cobertas.

Quando se deitou ao lado dela e se limitou a segurá-la nos braços com delicadeza, como se estivesse com medo de tocá-la, Ámbar franziu a testa na escuridão. Ergueu o corpo e esticou o braço por sobre Simón para acender a luz do abajur que ele apagara momentos antes.

– O que há de errado? – perguntou quando ela baixou o olhar para encará-lo.

Ámbar o estudou, observando as linhas que lhe vincavam os cantos dos lábios e a preocupação estampada nos olhos dourados. E então, naquele momento, percebeu que Simón estava com medo.

– Faça amor comigo – sussurrou Ámbar . Os olhos de Simón faiscaram como ourolíquido e um suspiro sonoro lhe escapou dos lábios. – Preciso que faça amor comigo.

– Tem de estar certa disso, agape mou. Não quero pressioná-la a fazer nada que não esteja preparada.

– Tenho certeza do que estou dizendo.

Com um gemido rouco, Simón a deitou e a fez cativa sob seu corpo. Cada beijo, cada toque expressava extrema ternura. Ele a tocava e acariciava com um cuidado reverente.

A camisola foi removida e, instantes depois, Simón deslizou a cueca boxer pelas pernas musculosas, em um movimento suave e preciso. O corpo forte, quente e excitado, cobriu o dela. O prazer a inundou em ondas, quando os lábios experientes se fecharam em torno de seu mamilo. Simón o sugou de leve, roçando a língua pela protuberância intumescida para, em seguida, aplicar o mesmo tratamento ao outro.

Uma das mãos longas se espalmou, protetora, sobre o abdome avantajado e em seguida a puxou contra o corpo enquanto a boca quente e sensual imprimia uma trilha de beijos ardentes pelo pescoço, até lhe capturar os lábios.

– S’agapo, pedhaki mou, S’agapo – murmurou ele com uma voz tão rouca e com tanta emoção que fez lágrimas brotarem nos olhos de Ámbar .

– Por favor – suplicou ela enquanto Simón se movia por seu corpo. – Preciso de você.

Com uma única e lenta investida, ele a penetrou. Os movimentos cuidadosos e calculados. Mas ela não queria ser tratada com tanto zelo. Desejava-o por completo. Portanto, arqueou os quadris e enroscou as pernas em torno da cintura reta.

Soluços de desejo e prazer lhe escapavam da garganta e, pela primeira vez, a dor minimizou a uma lembrança distante. Era como se existisse apenas aquele momento e o homem que amava.

Com uma velocidade alucinante, ela escalou a montanha do prazer e despencou em queda livre no êxtase. Simón estava lá para segurá-la, puxando-a de encontro ao corpo e murmurando palavras de amor contra seus lábios.

Ámbar se aninhou no casulo protetor daquele abraço quase se fundindo a ele. Precisava daquela proximidade. Precisava dele.

– Não me deixe – sussurrou ela.

– Nunca, agape mou – prometeu Simón , acariciando-lhe os cabelos, as costas, o abaulamento do abdome enquanto ela flutuava para o sono. A última coisa que ouviu foi ele dizer que a amava.

ÁMBAR ESCORREGOU para fora da cama e vestiu o robe para cobrir a nudez. Simón ainda dormia profundamente. O braço esticado como se o estendesse para segurá-la.

Haviam feito amor durante quase toda a noite. Por fim, imergiram em um sono exausto pouco antes da madrugada. Ámbar ainda sentia o corpo formigar com o toque, os lábios e as carícias ternas daquele homem. Observando-o, soube que não poderia esperar mais. Não poderia continuar torturando os dois. Suas incertezas haviam se dissipado. Os temores teriam o mesmo destino com o tempo.

Ámbar desceu a escada com um sorriso tristonho ao se lembrar da comoção que Simón faria pelo fato de não tê-lo esperado.

Após uma parada na cozinha, onde comeu uma rosquinha e bebeu um copo de suco, se aventurou até a sala de estar para apreciar a vista do oceano.

Foi lá que Simón a encontrou. Deslizou os braços em torno do corpo de Ámbar , espalmando-as sobre o abdome protuberante e lhe beijou a curva do pescoço.

– Levantou-se cedo, agape mou.

– Estava pensando – murmurou ela, girando nos braços fortes para encontrar o olhar preocupado de Simón .

Os dois se olharam nos olhos por um longo tempo e, por fim, ele disse com voz rouca:

– Acha que terei a chance de ser amado por você? Ou arruinei essa possibilidade parasempre?

O olhar de Ámbar suavizou e o coração se inundou mais uma vez com o amor que transbordava em seu peito. Amor e perdão.

– Eu já o amo – retrucou com voz suave. A surpresa varou o semblante de Simón ,seguida de perto pela dúvida. – Sempre o amei. Desde o instante em que o vi pela primeira vez, jamais existiu outro homem para mim. E nunca existirá.

– Você me ama? – perguntou ele, maravilhado. A esperança florescendo nos olhos âmbar.

– Não podia revelar meus sentimentos antes – explicou ela. – Não em Nova York, quandotudo estava tão confuso. Não teria acreditado se eu tivesse confessado meu amor logo depois que revelou o seu. Queria voltar para cá, onde fomos felizes. Queria que nossa vida começasse aqui.

Simón a envolveu nos braços, puxando-a contra o corpo trêmulo. A voz embargada pela emoção quando murmurou palavras de amor em grego. Ele alternava entre a língua natal e o inglês enquanto professava seu amor e lhe dizia o quanto lamentava a dor que lhe causara.

Em seguida, ergueu-a nos braços e a carregou pela escada de volta para a cama, onde fez amor com Ámbar de forma doce e apaixonada outra vez. Mais tarde, encostou-a ao corpo e lhe acariciou os cabelos.

– Eu a amo tanto, yineka mou. Não mereço seu amor, mas sou muito grato por tê-lo.

Passarei o resto da vida zelando por esse sentimento. Eu lhe juro.

Ámbar o abraçou.

– Eu também o amo. Muito. Seremos muito felizes juntos. Eu o farei feliz.

E Ámbar cumpriu a promessa.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...