História Traição - Capítulo 2


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 234
Palavras 3.428
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Quem eu sou ?


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 2 - Quem eu sou ?

Três meses depois

 SIMÓN  SE encontrava em seu apartamento, refletindo em silêncio. Deveria estar sentido alguma paz de espírito agora que nada ameaçava sua empresa. Porém, o fato de saber por que não lhe trazia nenhum consolo. Observou a pilha de documentos à sua frente enquanto o noticiário na televisão zumbia ao fundo.

Aquela parada em Nova York seria curta. No dia seguinte, viajaria para Londres para se encontrar com o irmão, Theron, para a cerimônia de inauguração do luxuoso hotel que construíram. O que não teria sido possível se  Ámbar tivesse levado a cabo seu plano. Um resfôlego sarcástico lhe escapou da garganta. Ele, o CEO da Alvarez  International, fora manipulado e roubado por uma mulher.

Por causa dela, ele e os irmãos haviam perdido dois de seus projetistas para o concorrente mais próximo, antes de ele descobrir a traição. Poderia tê-la entregado à polícia, mas ficara demasiado perplexo, muito vulnerável para fazer tal coisa.

Nem ao menos retirara os pertences de  Ámbar do apartamento. Presumira que ela viria recolhê-los e talvez uma pequena parte dele desejasse aquilo para ter a chance de confrontá-la mais uma vez e questioná-la sobre o motivo. Em sua próxima viagem de volta, faria isso. Estava na hora de varrê-la por completo de sua mente.

Quando ouviu o nome familiar em meio ao turbilhão de pensamentos, pensou que o havia conjurado de suas reflexões sombrias, mas, quando escutou o nome  Ámbar Smith  outra vez, focou a atenção na televisão.

Um repórter se encontrava em frente a um hospital local, e levou alguns instantes para que o zumbido nos ouvidos de  Simón  lhe permitisse compreender o que estava sendo dito. As imagens mudavam enquanto exibiam fotos tiradas mais cedo de uma mulher sendo retirada de um prédio de apartamentos em uma maca. Ele se inclinou para a frente, com expressão incrédula. Era Ámbar.

 Simón  se ergueu como uma flecha da mesa e tateou pelo controle remoto para aumentar o volume. Encontrava-se tão perturbado que só conseguiu compreender algumas palavras, mas foram suficientes.

 Ámbar havia sido raptada e agora fora resgatada. Os detalhes de quem cometera o crime e o motivo ainda estavam incompletos, mas ela suportara um longo período em cativeiro.  Simón  sentiu a tensão crescer na expectativa de que seu nome fosse ligado ao dela, mas por que seria? O relacionamento entre os dois fora um segredo bem guardado, algo necessário em seu mundo. Seu anseio por privacidade nascera tanto da vontade própria quanto da necessidade. Após a traição de Ámbar, sentiu-se ainda mais aliviado pela circunspeção que mantinha em todos os seus relacionamentos. Ela o fizera de bobo, e o pensamento de que o resto do mundo ignorava aquilo o confortava.

À medida que a câmera se aproximava do rosto pálido e assustado da mulher sequestrada, algo se agitou dolorosamente dentro dele.  Ámbar tinha a mesma expressão da noite em que a confrontara sobre a farsa. Lívida, chocada e vulnerável.

No entanto o que o repórter disse a seguir o fez congelar, mesmo enquanto uma sensação incômoda lhe percorria e espinha. O homem dizia que a mãe e o bebê estavam em condições estáveis e que o aparente cativeiro de  Ámbar não lhe afetara a gravidez. A única pista que o repórter deixou escapar foi que a mulher parecia estar com quatro ou cinco meses de gestação. Os demais detalhes estavam incompletos. Nenhuma prisão fora feita, já que os sequestradores haviam escapado.

Theos mou – murmurou ele enquanto lutava para se agarrar às implicações daquela revelação.

 Simón  se ergueu e pegou o celular enquanto saía do apartamento. Quando transpôs a entrada do prédio alto, de segurança reforçada, o motorista havia acabado de estacionar em frente à calçada.

Uma vez dentro do carro, abriu o celular outra vez e ligou para o hospital para onde  Ámbar havia sido levada.

AS CONDIÇÕES físicas dela são satisfatórias – o médico informou a  Simón . – No entanto, é seu estado emocional que me preocupa. – Ele se sentia quase explodir enquanto esperava para que o médico concluísse seu relatório. Havia irrompido pelo hospital, exigindo respostas tão logo chegou ao andar em que  Ámbar fora acolhida. Apenas a declaração de que era o noivo da paciente o fizera lograr algum êxito. Em seguida, providenciara para que ela fosse transferida imediatamente para um quarto particular e insistira que chamassem um especialista para examiná-la. Agora, tinha de suportar todo o relato médico da condição em que ela se encontrava.
- Mas ela não foi ferida – argumentou  Simón .
- Eu não disse isso – resmungou o médico. – Falei apenas que as condições físicas dela não são graves.
- Então, pare de fazer rodeios e diga-me logo o preciso saber.

O médico o estudou por um instante, antes de pousar a prancheta sobre a mesa.

- A srta. Smith  passou por um grande trauma. Não sei exatamente a extensão, porque ela não consegue se lembrar de nada sobre seu cativeiro.
- O quê? –  Simón  encarou o médico com uma incredulidade perplexa.
- Pior, ela não se lembra de nada antes disso também. Sabe o próprio nome e pouco mais. - Até mesmo a gravidez a chocou.

 Simón  passou uma das mãos pelos cabelos e xingou em três idiomas diferentes.

- Ela não se lembra de nada? Nada mesmo?

O médico respondeu com um movimento negativo de cabeça.

- Temo que não. Ela está extremamente vulnerável. Frágil. Por isso é muito importante que não a aborreça. A srta. Smith  tem mais quatro meses de gestação pela frente e um calvário do qual se recuperar.

 Simón  deixou escapar um som impaciente.

- Claro que não faria nada para aborrecê-la. Apenas acho difícil acreditar que ela não selembre de nada.

O médico fez um movimento negativo com a cabeça.

- Obviamente a experiência foi muito traumática para ela. Suspeito de que seja uma forma que a mente encontrou de poupá-la. É apenas um apagão até que ela possa lidar melhor com tudo que aconteceu.
- Eles… –  Simón  se via incapaz de completar a pergunta, mas ainda assim tinha desaber. – Eles a machucaram?

A expressão do médico se suavizou.

- Não encontrei nenhuma evidência de maus-tratos de nenhuma forma. Fisicamente falando.Não há como saber tudo que ela suportou até que esteja apta a nos contar. Devemos ser pacientes e não pressioná-la, antes que ela esteja preparada. Como disse, a srta. Smith  está extremamente fragilizada e, se sofrer qualquer tipo de pressão, os resultados podem ser devastadores.

 Simón  deixou escapar um xingamento baixo.

- Entendo. Eu me incumbirei de que ela tenha o melhor tratamento possível. Agora, posso vê-la?

O médico hesitou.

- Pode, mas devo aconselhá-lo a não ser muito explícito quanto aos detalhes do sequestro.

Linhas profundas marcavam a testa de  Simón , que encarava o médico com olhar sombrio.

- Quer que eu minta para ela?
- Quero apenas que não a deixe nervosa. Pode inteirá-la dos detalhes da vida que ela levava. Das atividades do dia a dia. Como se conheceram. As coisas cotidianas. No entanto, sugiro, e confirmei isso com o psiquiatra do hospital, que não se apresse em lhe dar detalhes sobre o sequestro ou de como ela acabou perdendo a memória. Na verdade, nós a conhecemos muito pouco, portanto seria imprudente especular ou lhe fornecer informações que podem não ser verdadeiras. Ela deve permanecer calma. Não quero nem pensar o que outro aborrecimento poderia causar à srta. Smith  no estado em quem se encontra.

 Simón  assentiu, relutante. O que o médico dizia fazia sentido, mas a necessidade de saber o que acontecera a  Ámbar era premente. Porém, não a pressionaria se aquilo causasse algum mal a ela ou ao bebê. Verificou a hora no relógio de pulso. Ainda precisava falar com as autoridades, mas primeiro queria vê-la, e disse isso ao médico.

 ÁMBAR LUTAVA sob as camadas de névoa que a rodeavam e murmurou um fraco protesto quando abriu os olhos. Não procurava a consciência. O cobertor escuro que o esquecimento lhe oferecia era tudo de que necessitava.

Não havia nada para ela no despertar. Sua vida era como um buraco negro. Apenas o próprio nome atravessara as camadas desordenadas de mente. Ámbar.

Procurou por mais alguma coisa. Precisava de respostas para as perguntas que a oprimiam a cada vez que acordava. O passado se estendia como uma paisagem árida diante dela. As respostas pendiam além de sua consciência, tentando-a, mas escapando antes que pudesse alcançá-las.

 Ámbar virou a cabeça sobre o travesseiro fino, determinada a escorregar de volta para o vácuo do sono, quando sentiu uma mão firme segurar a dela. Um arrepio de medo lhe percorreu a espinha até se lembrar de que estava segura em um hospital. Ainda assim, soltou a mão e não pôde evitar a respiração acelerada.

– Não pode voltar a dormir, pedhaki mou. Ainda não.

A voz daquele homem se alastrou por sua pele, deixando um rastro de calor em seu encalço.

Cautelosa, ela girou o rosto na direção do estranho. Quem era ele? Será que o conhecia? Quem a conhecia? Seria ele o pai da criança que se encontrava aninhada em seu ventre?

Em um gesto automático,  Ámbar levou a mão ao ventre abaulado enquanto o olhar focava o homem que falara com ela.

Era uma presença dominante. Alto, ágil, perigosamente atento enquanto os olhos âmbar a observavam. Não era americano. Quase deixou escapar uma gargalhada diante dos pensamentos absurdos. Deveria estar exigindo saber quem ele era e por que estava ali e tudo que conseguia concluir era que o homem não era americano?

- Nosso bebê está bem – disse ele quando baixou o olhar à mão protetora que ela pousara sobre o abdome.

 Ámbar não pôde evitar a tensão ao perceber que aquele homem de fato alegava ser o pai. Não deveria reconhecê-lo? Tentou encontrar algo, algum lampejo de reconhecimento, mas medo e inquietação foi tudo que encontrou.

- Quem é você? – conseguiu perguntar por fim em um sussurro.

Algo faiscou naqueles olhos âmbar, mas ele manteve a expressão neutra. Estaria magoado por ela revelar que não o conhecia? Tentou se colocar na posição daquele estranho. Imaginar como se sentiria se o pai de seu bebê de repente não lembrasse mais dela.

 Simón  puxou uma cadeira para o lado da cama e se sentou. Em seguida, esticou o braço e segurou sua mão. Dessa vez, apesar do instinto a estimular a fazê-lo, ela não se retraiu.

- Sou  Simón Alvarez . Seu noivo.

 Ámbar lhe procurou o rosto tentando reconhecer a veracidade daquelas palavras, mas ele a encarava com semblante calmo, sem nenhum sinal de emoção.

- Sinto muito – disse ela, engolindo em seco quando a voz falhou. – Não me lembro…
- Eu sei. Conversei com o médico. O que você lembra não é importante no momento. Éprimordial que descanse e se recupere para que eu possa levá-la para casa.  Ámbar umedeceu os lábios, o pânico ameaçando dominá-la.
Casa?

 Simón  anuiu.

- Sim, casa.
- Onde fica? – Detestava perguntar. Odiava o fato de estar deitada ali, conversando com um completo estranho. Mas, ao que parecia, ele não o era. Aquele homem era alguém de quem fora íntima. Por quem era obviamente apaixonada. Estavam noivos e ela carregava um filho dele. Aquilo não devia mexer com algo dentro dela?
- Está se esforçando muito, pedhaki mou – disse ele com voz suave. – Posso ver pelo seu semblante. Não deve apressar as coisas. O médico disse que tudo voltará no tempo certo.

 Ámbar lhe apertou a mão e, em seguida, baixou o olhar aos dedos unidos aos dele.

- Será? E se isso não acontecer? – Uma onda de medo a invadiu, apertando-lhe o peito,estreitando sua garganta e a fazendo lutar para respirar.

 Simón  esticou a outra mão e lhe tocou o rosto.

-  Acalme-se, Ámbar. Seu nervosismo não faz bem nem a você nem à criança.

Ouvir seu nome naqueles lábios a fez experimentar sensações estranhas. Era como se ele falasse de uma estranha, embora  Ámbar se recordasse do próprio nome. Mas temera que, na confusão da perda de memória, tivesse entendido mal e que com tudo mais o nome também fosse um pedaço esquecido de sua vida.

- Pode me contar alguma coisa sobre mim? Qualquer coisa?

Estava quase a ponto de suplicar. Lágrimas lhe faziam a garganta se estreitar e os olhos arderem.

- Haverá muito tempo para conversarmos mais tarde. –  Simón  retrucou com ternura. –Estou tomando as providências para levá-la para casa.

Era a segunda vez que ele mencionava a casa, embora ainda não tivesse mencionado onde ficava localizada.

- Onde fica nossa casa? –  Ámbar insistiu.

Os lábios de  Simón  se estreitaram por um momento, e, em seguida, a expressão daquele belo rosto relaxou.

- Nossa casa fica aqui na cidade. Os negócios me obrigam a me ausentar com frequência,mas moramos juntos em um apartamento. Planejo levá-la para minha ilha tão logo possa viajar.

 Ámbar franziu a testa enquanto tentava compreender a estranheza daquela declaração. Parecia tão… impessoal. Não havia emoção, nenhum sinal de felicidade, apenas a estéril citação de um fato.

Como se sentisse que ela estava a ponto de lhe fazer mais perguntas, ele se inclinou para pressionar os lábios à testa de Marley.

- Descanse, pedhaki mou. Tenho providências a tomar. O médico disse que você poderá ter alta dentro de alguns dias se tudo correr bem.

Exausta,  Ámbar fechou os olhos e concordou. Ele permaneceu lá por mais uns instantes e, em seguida, ouviu os passos dele se afastando. Quando a porta do quarto se fechou, ela voltou a abrir os olhos, apenas para sentir a trilha úmida das lágrimas que lhe escorriam pelo rosto.

Era um alívio saber que não estava só. No entanto, de alguma forma, a presença de  Simón Alvarez  não a tranquilizara. Sentia-se mais apreensiva do que nunca e não sabia dizer por quê. Puxou o lençol fino para cobrir ainda mais o corpo e fechou os olhos, desejando que o entorpecimento pacífico do sono a possuísse mais uma vez.

Quando acordou outra vez, uma enfermeira se encontrava parada ao lado da cama, aferindo lhe a pressão arterial.

- Oh, Deus, você está acordada – disse ela em tom alegre enquanto removia a braçadeira. –Trouxe uma bandeja com seu jantar. Está com fome?

 Ámbar negou com a cabeça. Só de pensar em comer se sentia levemente nauseada.

- Deixe a bandeja aqui. Eu farei com que ela se alimente.

 Ámbar ergueu o olhar surpreso para se deparar com  Simón  assomando atrás da enfermeira, com uma expressão determinada estampada no rosto. A mulher girou e lhe sorriu.

Em seguida deu algumas palmadas leves no braço de Ámbar.

- É muito sortuda por ter um noivo tão dedicado – disse ela antes de partir.
Sim, sortuda – murmurou Marley, imaginando por que sentia uma ânsia repentina de chorar.

Quando a porta se fechou,  Simón  puxou uma cadeira para perto da cama outra vez. Em seguida, pousou a bandeja diante dela.

- Deveria comer.

 Ámbar o fitou nervosa.

- Não estou com muita fome.
- Sente-se incomodada com minha presença? – perguntou ele enquanto lhe percorria a forma abaulada do corpo com o olhar.
- Eu… –  Ámbar abriu a boca para negar, mas descobriu-se incapaz. Como dizer àquele homem que o achava intimidador? Ali estava alguém a quem supostamente deveria amar. Fizera amor com aquele homem. O simples pensamento fez um rubor lhe corar as maçãs do rosto.
Em que está pensando? – Os dedos longos lhe encontraram a mão e a acariciaram distraidamente.

 Ámbar desviou o rosto, esperando encontrar alívio longe do escrutínio daquele homem.

- Na… nada.
- Você está assustada. Isso é compreensível. Ámbar voltou a girar o rosto para encará-lo.
- Não fica aborrecido por eu sentir medo de você? Na verdade, estou aterrorizada. Não merecordo de você e de nada mais de minha vida. - Estou esperando um filho seu e não consigo me lembrar de como fiquei neste estado! – disse ela, apertando o lençol e o mantendo contra o corpo como a se proteger.

Os lábios de  Simón  se estreitaram em uma linha fina. Estaria zangado? Estaria apenas disfarçando para não aborrecê-la ainda mais?

- É como você disse. Não consegue se lembrar, portanto sou um estranho. Caberá a mimconquistar sua… confiança. – Ele pronunciou a última palavra como se a achasse repugnante, mas ainda assim manteve a expressão controlada.
 - Simón … – Ela deu voz ao nome, hesitante, deixando que as sílabas deslizavam em sua língua. Não lhe parecia estranho, mas também não lhe suscitava nenhuma lembrança. A frustração a dominou quando a mente permaneceu assustadoramente vazia.
- Sim, pedhaki mou.

 Ámbar piscou várias vezes quando percebeu que ele estava esperando que continuasse.

- O que aconteceu comigo? – perguntou. – Como vim parar aqui? Como perdi minha memória?

Mais uma vez ele lhe segurou a mão e  Ámbar encontrou consolo naquele gesto. Em seguida,  Simón  se inclinou para a frente e lhe tocou o rosto com a outra mão.

- Não deve apressar as coisas. O médico foi categórico nesse ponto. No momento, o maisimportante para você e nosso bebê é ter calma. Tudo voltará no momento devido. –  Ámbar deixou escapar um suspiro, percebendo que ele não cederia. – Descanse um pouco. –  Simón  se ergueu, inclinou o corpo mais uma vez e lhe tocou a testa com os lábios. – Em breve, sairemos deste lugar.

 Ámbar desejava que aquelas palavras lhe trouxessem mais tranquilidade, mas, em vez de conforto, a insegurança e o transtorno cresceram dentro de seu peito, até que temesse sufocar de ansiedade.

Gotas de suor lhe brotaram na testa e o pouco da comida que conseguira engolir, instantes atrás, ameaçava voltar.  Simón  lhe lançou um olhar penetrante e, sem dizer uma palavra, tocou a campainha para chamar a enfermeira.

Instantes depois, a profissional adentrou o quarto. Ao pousar o olhar em Marley, a expressão da mulher se encheu de compaixão. Pousou-lhe a mão fria sobre a testa enquanto lhe administrava uma injeção com a outra.

- Está segura agora.

Mas as palavras não conseguiram abrandar o aperto no peito de Marley. Como poderiam, quando em breve ela seria atirada em um mundo desconhecido, com um homem que lhe era completamente estranho?

 Simón  permaneceu ao lado da cama, observando-a, cobrindo-lhe uma das mãos com a dele. A medicação havia lhe embotado os sentidos e  Ámbar se sentia flutuar, o medo desaparecendo como uma névoa. As palavras que ele pronunciava foram a última coisa que conseguiu ouvir.

- Durma, pedhaki mou. Eu tomarei conta de você.

Estranho, mas de fato ela conseguiu encontrar conforto naquela promessa suave.

 SIMÓN  FICOU parado no quarto escuro a observando dormir. A tensão causada pelo franzir da testa lhe provocando uma dor entediante nas têmporas.

O peito de  Ámbar se erguia e baixava com a respiração cadenciada e, mesmo durante o sono, a tensão lhe fazia franzir a testa. Ele se aproximou e a tocou com os dedos, roçando-os de leve na pele pálida.  Ámbar estava adorável como sempre, mesmo no estado de fraqueza em que se encontrava. Os cachos ruivos formavam uma massa desordenada sobre o travesseiro. Ele segurou um entre os dedos e o afastou da testa delicada. Estavam mais compridos agora. Não mais o quepe de cachos curtos que se agitavam em torno da cabeça toda vez que ela ria.

Um xingamento lhe escapou dos lábios enquanto se afastava da cama. Tudo não passara de um ardil.  Ámbar nunca fora feliz. Verdadeiramente feliz. Ao que parecia, não fora capaz de fazê-la feliz. Durante todo o tempo em que estiveram juntos, ela tramara para roubá-lo e a seus irmãos. Embora a tivesse considerado uma amante, nunca a colocara na mesma categoria das outras. O que compartilhara com  Ámbar não fora algo mercenário ou ao menos assim pensara. No final, tudo se resumira a dinheiro e traição. Coisas a que estava acostumado nas relações com mulheres.

Ainda assim a desejava. Aquela mulher ainda lhe fazia queimar as veias. Um vício contra o qual não tinha o poder de lutar. Angustiado, fez um movimento negativo com a cabeça.

 Ámbar estava esperando um filho seu, e isso tinha prioridade sobre tudo mais. Seriam forçados a conviver um com o outro por causa da criança. O futuro de ambos irremediavelmente interligado. Mas não era obrigado a achar aquilo agradável e não tinha de oferecer nada mais do que sua proteção e seu corpo.

Se mais uma vez  Ámbar seria posta sob sua proteção, então faria tudo que estivesse ao seu alcance para garantir os melhores cuidados, tanto para ela quanto para o bebê, mas nunca mais lhe devotaria sua confiança. Aquela mulher esquentaria sua cama e não seria mentiroso a ponto de dizer que tal perspectiva não o agradava. Mas  Ámbar não teria mais nada dele.



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