História Traição - Capítulo 3


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 221
Palavras 2.428
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Chegando em casa


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 3 - Chegando em casa

DOIS DIAS depois,  Ámbar se encontrava sentada em uma cadeira de rodas. O nervosismo a fazendo fechar os dedos com força em torno do cobertor com que a enfermeira lhe cobrira o colo.  Simón  estava parado a seu lado, escutando com atenção as instruções que a enfermeira lhe dava sobre os cuidados adicionais.  Ámbar alisou as rugas da blusa de gestante que uma das enfermeiras lhe dera com tanta gentileza. Todas haviam sido extremamente carinhosas, e  Ámbar temia deixar para trás todo aquele afeto para mergulhar no desconhecido.

Quando a enfermeira concluiu,  Simón  segurou as alças de impulso da cadeira de rodas e começou a guiá-la pelo corredor na direção da saída. Ela piscou várias vezes quando a luz radiante do sol lhe ofuscou a visão. Uma limusine brilhante se encontrava estacionada a alguns metros de distância, e  Simón  se encaminhou com passos decididos na direção do veículo. O motorista o contornou para abrir a porta no momento em que  Simón , sem fazer o menor esforço, a ergueu da cadeira de rodas e se apressou em acomodá-la no interior aquecido do carro. Em questão de segundos, estavam se afastando do hospital.

 Ámbar olhou para fora enquanto seguiam o fluxo intenso das ruas de Nova York. A cidade em si lhe era familiar. Conseguia se lembrar de determinadas lojas e marcos. Tinha conhecimento da cidade, mas o que estava faltando era a sensação de que ali era sua casa, de que pertencia àquele lugar.  Simón  não havia dito que viviam ali? Sentia-se como uma artista diante de uma tela em branco, sem habilidade para pintar.

Quando a limusine estacionou diante de um prédio moderno e luxuoso,  Simón  saiu apressado enquanto o porteiro abria a porta do lado onde  Ámbar estava sentada.  Simón  se inclinou para dentro do carro e a retirou com cuidado do veículo. Ela pisou na calçada com os pés trêmulos e logo se viu recostada ao corpo forte, com um braço firme em torno de sua cintura, enquanto os dois transpunham a entrada.

Uma onda de déjà vu a engolfou quando as portas do elevador se abriram e ele a ajudou a entrar. Por alguns breves momentos, experimentou um lampejo de memória, e  Ámbar lutou para apartar os véus da escuridão.

- O que foi? – perguntou  Simón .
- Já fiz isso antes – murmurou ela.
- Você se lembra?

 Ámbar respondeu com um gesto negativo de cabeça.

- Não. Apenas me parece… familiar. Sei que já estive aqui.

Os dedos longos se fecharam com força em torno do braço delicado.

- É aqui que vivemos… durante vários meses. É natural que seja capaz de registrar alguma coisa. – As portas do elevador voltaram a se abrir, e  Ámbar inclinou a cabeça para o lado enquanto ele seguia em frente. O fraseado de  Simón  era estranho. Não viviam ali antes do que quer que tivesse acontecido com ela? Ele lhe estendeu a mão. – Venha. Estamos em casa.

 Ámbar aceitou a mão estendida, e ele a puxou para o saguão suntuoso. Para sua surpresa, uma mulher veio ao encontro deles quando os dois adentraram à sala de visitas. Ela hesitou quando a jovem alta e loira pousou uma das mãos no braço de  Simón  e sorriu.

- Seja bem-vindo, sr. Alvarez . Deixei todos os contratos que necessitam de sua assinatura sobre a mesa do escritório e organizei suas ligações por ordem de prioridade. Também tomei a liberdade de pedir o jantar. – A mulher varreu  Ámbar com um olhar que a fez se sentir obscura e insignificante. – Imaginei que não estaria disposto a sair depois desses dias difíceis. –  Ámbar franziu a testa ao perceber que a mulher insinuava que fora  Simón  a enfrentar um calvário e não ela.
Obrigado, Emilia – agradeceu ele. – Não deveria ter se dado ao trabalho. – Em seguida,girou na direção de  Ámbar e a puxou para perto. – Esta é Emilia Chambers, minha assistente.

 Ámbar esboçou um sorriso trêmulo.

- É um prazer revê-la, srta. Smith  – disse Emilia com suavidade. – Há eras não a vejo.Meses, creio eu.
- Emilia – interveio  Simón  em um tom de advertência. O sorriso nunca abandonou os lábios da loira enquanto dirigia um olhar inocente ao patrão.

 Ámbar alternou o olhar entre os dois, cautelosa. A confusão em sua mente se agravando cada vez mais. A intimidade com que a mulher se movia pelo apartamento que  Simón  afirmava ser o lar de ambos era evidente. E ainda assim, Emilia não a encontrava havia meses? O olhar possessivo com que a assistente o fitava foi a única coisa que ficou clara para  Ámbar .

- Vou deixá-los a sós – disse Emilia com um sorriso gracioso. – Tenho certeza de que têm muito a conversar. – Ela virou-se para  Simón  e mais uma vez pousou uma das mãos delicadas sobre seu braço. – Telefone-me se precisar de qualquer coisa. Virei no mesmo instante.
- Obrigado – murmurou ele.

A loira alta se afastou com os saltos dos sapatos elegantes ecoando contra o lustroso chão de mármore italiano e entrou no elevador, sorrindo para o patrão enquanto as portas se fechavam.

 Ámbar umedeceu os lábios repentinamente ressecados e desviou o olhar.  Simón  parecia tenso a seu lado como se esperasse alguma reação de sua parte. Mas ela não era tola o suficiente para fazê-lo. Não quando ele se encontrava com a guarda tão erguida. Mais tarde, lhe faria o milhão de perguntas que pairavam em sua mente cansada.

- Venha, deveria estar deitada na cama – disse  Simón  enquanto lhe envolvia as costascom um dos braços.
Fiquei deitada tempo suficiente – retrucou ela em tom de voz firme.
- Então, deveria ao menos se acomodar confortavelmente no sofá. Eu lhe trarei uma refeição para que se alimente.

Comer. Descansar. Comer um pouco mais. Aquelas ordens pareciam compor o único objetivo de  Simón  no que se referia a ela.  Ámbar suspirou e permitiu que ele a guiasse até a sala de estar. Após acomodá-la no sofá,  Simón  trouxe uma manta para cobri-la.

Havia uma tensão nele que a deixava confusa, mas, se os papéis fossem invertidos e tivesse sido ele a esquecê-la,  Ámbar também não se sentira muito segura.  Simón  deixou a sala e, alguns minutos depois, retornou com uma bandeja que pousou na mesa de centro em frente a ela. Um vapor aromático se desprendia da tigela de sopa, mas  Ámbar não se sentiu tentada com a oferta. Encontrava-se muito agitada para comer.

 Simón  se sentou em uma cadeira diagonal ao sofá, mas, após alguns instantes, se ergueu e caminhou pela sala como um predador impaciente. Os dedos puxando o nó da gravata para afrouxá-lo e, em seguida, desabotoando os punhos da camisa de seda.

- Sua assistente… Emilia… disse que deixou trabalho para você?

 Simón  virou-se para encará-la. As sobrancelhas se enrugando quando franziu a testa. – O trabalho pode esperar.

 Ámbar suspirou.

- Pretende me observar tirar um cochilo, então? Ficarei bem. Não pode tomar conta de mimo tempo todo. Se há assuntos que requerem sua atenção, então vá resolvê-los.

Um lampejo de indecisão cruzou o belo rosto másculo.

- De fato tenho coisas a fazer antes de deixarmos Nova York.

Uma onda de pânico a pegou desprevenida, fazendo-a engolir em seco e se esforçar para se manter inexpressiva.

- Então, partiremos em breve?

 Simón  anuiu.

- Pensei em lhe proporcionar alguns dias de descanso para que se recupere melhor antes departirmos. Providenciei para que meu jato particular nos leve até a Grécia e depois pegaremos um helicóptero para a ilha. Enquanto conversamos, meus empregados estão preparando tudo para nossa chegada.

 Ámbar o encarou receosa.

- Qual é a extensão de sua fortuna?

 Simón  pareceu surpreso.

- Minha família é proprietária de uma cadeia de hotéis.

O nome Alvarez  flutuou nas escassas lembranças de  Ámbar . Imagens de um hotel suntuoso, no coração da cidade, lhe vieram à mente. Celebridades, realezas, algumas das pessoas mais ricas do mundo se hospedavam no Imperial Park. Mas ele não poderia ser aquele Alvarez , certo?

Empalidecendo, ela fechou os dedos para controlar o tremor. Eles eram apenas a mais rica família hoteleira do mundo.

– Como… como foi possível que nós dois… –  Ámbar se viu incapaz de completar o pensamento. Em seguida, franziu a testa. Pertenceria a uma família como aquela?

A fadiga a venceu, fazendo-a enterrar os dedos nas laterais das têmporas enquanto lutava contra o cansaço. No instante seguinte,  Simón  estava ao seu lado. Ele a ergueu no colo como se carregasse uma pena e a levou para o quarto. Com todo o cuidado, deitou-a na cama, os olhos âmbar deixando transparecer o brilho da preocupação.

– Descanse agora, pedhaki mou.

 Ámbar anuiu e se aninhou sobre a cama confortável, com os olhos já semicerrados pela exaustão. Pensar doía. Tentar lembrar lhe sequestrava todas as forças.

 SIMÓN  SE deixou afundar em sua cadeira e passou uma das mãos pelo cabelo. Em seguida, ergueu a lista de mensagens telefônicas. Os olhos faiscaram quando se deparou com a de um de seus irmãos, Theron. Também havia outra de seu outro irmão, Piers.

Remexeu-se, desconfortável, na cadeira. Sabia que não conseguiria evitar os irmãos por muito tempo. Eles deviam ter recebido suas mensagens e certamente estariam curiosos. Não sabia como poderia explicar aquela confusão para os dois e justificar o fato de estar levando a mulher que tentara arruinar os negócios da família para sua casa na Grécia.

Com expressão desgostosa, ergueu o fone e discou o número de Theron.

 Simón  falou rápido em grego quando o irmão atendeu.

- Como foi a cerimônia de inauguração?
-  Simón , finalmente – retrucou Theron em tom de voz seco. – Estava imaginando se teria de voar até aí para obter respostas suas.

 Simón  suspirou e respondeu com um grunhido.

- Aguarde enquanto coloco Piers na chamada. Isso lhe poupará outro telefonema. Sei queele está tão interessado quanto eu em sua explicação.
E desde quando devo explicações a meus irmãos mais novos? –  Simón  rosnou.

Theron soltou uma risada abafada e no instante seguinte Piers soou do outro lado da linha, sem medir palavras.

-  Simón , que diabo está acontecendo? Recebi sua mensagem e, a julgar pelo fato de que não apareceu em Londres, só posso presumir que tenha tido algum problema sério em Nova York.

 Simón  beliscou o nariz e fechou os olhos.

- Ao que parece, vocês serão tios.

Um profundo silêncio se seguiu ao comentário.

- Tem certeza de que é seu? – perguntou Theron por fim.

As feições de  Simón  se contraíram.

- Ela está com cinco meses de gravidez, e cinco meses atrás eu era o único homem na cama de  Ámbar . Disso tenho certeza.
- Da mesma forma que sabia que ela estava tentando nos roubar? – Piers retrucou.
- Cale a boca – interveio Theron. – A pergunta mais importante é: o que fará? Obviamenteela não merece confiança. O que essa mulher tem a dizer em defesa própria?

A dor na cabeça de  Simón  latejou com mais intensidade.

- Há uma complicação – resmungou. – Ela não se lembra de nada.

Os dois irmãos resfolegaram incrédulos.

- Que conveniente, não acha? – perguntou Piers.
- Essa mulher o está manipulando por meio do sexo – disse Theron contrariado.
- Também achei difícil de acreditar – admitiu  Simón . – Mas eu a vi. Ela está aqui…em nosso… em meu apartamento. A amnésia dela é real. – Não havia a menor possibilidade de  Ámbar estar fingindo tal vulnerabilidade, confusão e dor que lhe embotavam os olhos antes vivazes. A certeza da dor que ela sentia o incomodava, embora não devesse.  Ámbar merecia sofrer da mesma forma que fizera com ele.

Piers deixou escapar um som grosseiro.

- O que pretende fazer? – Theron perguntou.

 Simón  se preparou para as objeções dos irmãos.

- Voaremos para a ilha tão logo ela se sinta melhor. É um lugar mais adequado à recuperação de  Ámbar , e fica longe dos olhos do público.
- Não pode instalá-la em algum lugar até que o bebê nasça e depois se livrar dela? – Piers questionou. – Perdemos dois negócios de milhões de dólares por causa dessa mulher, e agora nossos projetistas estão assinando em nome da empresa de nosso concorrente.

O que o irmão não disse, mas  Simón  ouviu em alto e bom som como se Piers tivesse falado, era que perderam aqueles negócios porque ele ficara cego pela mulher com quem dormia. A culpa fora tanto dele quanto de  Ámbar . Falhara com os irmãos da pior forma possível, arriscando o que eles levaram anos de trabalho para conseguir.

- Não posso abandoná-la neste momento. –  Simón  retrucou cauteloso. – Ela não tem família. Ninguém que possa cuidar dela. Está grávida de um filho meu e por isso farei o que for necessário para garantir a saúde e a segurança do bebê. O médico acha que essa amnésia é apenas temporária, um mecanismo psíquico para lidar com o trauma pelo qual ela passou.
- O que as autoridades têm a dizer sobre o sequestro dela? – Piers perguntou. – Já sabe o motivo ou quem foi o responsável?
- Tive uma conversa breve com eles no hospital e tenho uma reunião com o detetive encarregado da investigação amanhã. –  Simón  respondeu em tom de voz tenso. – Espero saber mais alguma coisa então. Também contarei a eles meus planos de levá-la para fora do país. - - Tenho de pensar na segurança dela e do bebê.
- Vejo que já está decidido quanto a isso – disse Theron calmamente.
- Sim.

Piers deixou escapar um som como se fosse protestar, mas se calou quando a voz de Theron se fez ouvir mais uma vez.

- Faça o que tiver de fazer,  Simón . Piers e eu podemos cuidar das coisas. E, apesar de tudo, parabéns por se tornar pai.
- Obrigado – murmurou  Simón  enquanto pressionava o botão para interromper a ligação e pousou o fone.

Em vez de fazê-lo se sentir melhor sobre a situação em que se encontrava, a discussão com os irmãos apenas reforçara o quanto tudo aquilo era absurdo. Não duvidava de que  Ámbar não se lembrasse dele ou do fato de que o roubara. Aquela amnésia não poderia ser forçada. O que o deixava com uma única escolha, a mesma que fizera no instante em que soubera que  Ámbar estava esperando um filho seu. Ele a manteria a seu lado, cuidaria dela, garantira que  Ámbar tivesse os melhores cuidados possíveis. Contrataria alguém para ficar com ela quando tivesse de se ausentar e lhe fornecer os mínimos detalhes sobre os cuidados de  Ámbar . Dessa forma, poderia mantê-la a um braço de distância e, ao mesmo tempo, observar seu progresso.

E, por ora, deixaria de lado toda a raiva pela traição que ela lhe fizera.



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