História Traição - Capítulo 7


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 209
Palavras 4.890
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Paris?


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 7 - Paris?

OS RAIOS de sol que incidiam no quarto envolviam a cama em um calor aconchegante, onde

 Ámbar se encontrava deitada. Ela abriu os olhos, mas no mesmo instante escondeu o rosto sob as cobertas. Tateou à procura de  Simón , mas encontrou apenas o lugar que ele ocupara vazio.

Com a testa franzida, sentou-se na cama e olhou ao redor, mas ele não se encontrava em lugar algum. O ruído inconfundível do helicóptero lhe chamou atenção, fazendo-a se levantar e caminhar até a janela.

 Simón  se encontrava parado com Emilia a uma curta distância do helicóptero, tocando-lhe o braço com uma das mãos. A mulher anuiu e, logo depois, se encaminhou ao helicóptero com o corpo inclinado para a frente.  Ámbar não pôde evitar o suspiro de alívio.

Observou por mais um instante, antes de virar-se e se apressar na direção do toalete. Tomou uma ducha rápida, envolveu o corpo com o robe e voltou ao quarto para se vestir.

 Simón  a aguardava.

 Ámbar o encarou com expressão nervosa, ajustando o robe ao corpo.

– Eu a deixarei à vontade para que se vista – disse ele, conciso. – Enviarei a srta. Cahill para acompanhá-la pela escada dentro de meia hora.

Sem dizer mais nada,  Simón  se retirou do quarto, deixando-a boquiaberta. Uma pontada de dor lhe percorreu a espinha. Ele agira como se mal pudesse esperar para se afastar dela. Depois da noite anterior, certamente aquele não era o tipo de comportamento que  Ámbar esperava.

E enviar Patrice para acompanhá-la? Se estava tão determinado a não permitir que ela descesse a escada sozinha, então devia ao menos realizar a função pessoalmente, em vez de atirá-la aos cuidados da enfermeira como se ela fosse uma tarefa indesejada.

Curvando os ombros,  Ámbar entrou no closet para escolher uma roupa. Tinha preocupações suficientes sem ter de acrescentar um homem mal-humorado e rabugento a elas. Qualquer que fosse o motivo para aquele estado de espírito, ele podia muito bem superá-lo.

Todas as sensações cálidas e flutuantes da noite de amor evaporaram enquanto  Ámbar deixava o quarto. Não ficaria parada como um cachorro obediente, esperando as ordens do dono. Era ridícula a insistência de  Simón  em que a ajudassem a transitar por escadas como se ela fosse uma criança.

 Ámbar havia descido metade dos degraus quando viu  Simón  parado ao sopé da escada com a mandíbula contraída e a raiva faiscando no olhar. Ela hesitou por um instante, mas apertou o corrimão e continuou a descer.

Desafiá-lo em algo tão insignificante a fazia parecer infantil e um pouco mesquinha, mas no momento não se importava nem um pouco em irritá-lo.

Sustentou-lhe o olhar, desafiadora enquanto descia os últimos degraus. Os lábios de  Simón  se apertaram em uma linha fina, mas ele nada disse. Segurando-lhe o cotovelo com uma das mãos, a guiou à mesa do café da manhã, mas  Ámbar se soltou e caminhou à frente dele.

Fizeram a refeição em silêncio, embora ela não pudesse afirmar que comera alguma coisa. Mexia as frutas no prato com o garfo e tomava goles mecânicos do chá, mas o silêncio pétreo em que  Simón  se encontrava a fazia ter vontade de sair correndo.

Em vários momentos,  Ámbar abriu a boca para lhe perguntar qual era o problema, mas a cada vez algo na expressão daquele homem a mantinha em silêncio. Por fim, ela desistiu de fingir que estava comendo e afastou o prato para o lado.

 Simón  ergueu o olhar com a testa franzida em desaprovação quando percebeu a comida ainda no prato de  Ámbar .

- Precisa se alimentar.
- É difícil ter apetite com uma nuvem negra pairando sobre a mesa do café da manhã –retrucou ela com voz tensa.

Os lábios de  Simón  se comprimiram e os olhos faiscaram. Dava a impressão de que iria responder, mas naquele momento ela ouviu o ruído do helicóptero se aproximando.

- Esta ilha está parecendo um aeroporto esta manhã – resmungou ela.

 Simón  se ergueu e atirou o guardanapo sobre a mesa.

- Deve ser o joalheiro. Retornarei dentro de um instante.

Joalheiro?  Ámbar o observou se afastar, com a mente repleta de questionamentos. Para que diabos ele precisava de um joalheiro? Inclinou-se para trás na cadeira com um suspiro, imaginando onde estaria Patrice e o dr. Karounis. Ao menos na presença deles, não teria de enfrentar o silêncio tempestuoso de  Simón .

 Ámbar se ergueu e olhou ao redor por um instante, antes de finalmente decidir se aventurar para fora da casa. O sol parecia quente e convidativo e ainda não vira nenhuma parte da ilha à luz do dia. Saiu para o terraço e no mesmo instante fechou os olhos, apreciando a brisa suave do mar que lhe soprou o rosto. Era fria, mas não de forma desconfortável, e a luz do sol deixava um rastro aquecido em sua pele enquanto procurava pelo caminho de pedra que levava à praia.

Quanto mais se afastava da casa, mais o caminho se tornava arenoso.  Ámbar retirou as sandálias, imaginando como seria a sensação da areia aquecida sob os pés.

Ao final do caminho, havia um declive curto na direção da praia. Quando desceu, os pés se enterraram nos grãos macios, fazendo com que seus lábios se curvassem em um sorriso prazeroso.

As ondas recuaram e ela se aventurou em direção à espuma espalhada sobre a areia úmida à margem da água. O mar tinha um tom de azul que lhe tirou o fôlego. Paraíso. Aquilo era simplesmente o paraíso. E pertencia a  Simón .

O vento lhe ergueu os cachos da nuca, atirando-os contra seu rosto. Após várias tentativas de colocar as mechas desobedientes para trás das orelhas,  Ámbar soltou uma risada e desistiu, deixando-as ao sabor do vento. Arriscou um olhar na direção da casa, mas não viu ninguém se aproximando e continuou a caminhar pela praia, na margem da água. O som das ondas que estouravam a acalmava e logo a tensão em seus ombros começou a abrandar. Sentia-se em paz naquele lugar, porém mais do que isso, tinha a sensação de estar segura.

Aquela palavra a assustou, fazendo-a paralizar onde estava, com a testa franzida pela consternação. Por que não se sentiria segura?  Simón  tinha um verdadeiro batalhão de seguranças que insistia em levar para todos os lugares com eles. Se havia alguém seguro no mundo, esse alguém era ela.

Contudo, ainda assim, até aterrissarem naquela ilha, sentia-se inquieta, o pânico sempre a circundando.

– Está enlouquecendo – resmungou ela. – Bem, você já perdeu a memória. Talvez a sanidade seja uma questão de tempo.

 Ámbar avistou um grande pedaço de madeira entalado em um monte de areia e caminhou naquela direção. Havia um espaço na extremidade onde a superfície era relativamente lisa e ela espanou a areia com a mão para se sentar.

Um suspiro de contentamento lhe escapou dos lábios. Poderia ficar sentada ali durante horas observando o movimento das ondas e escutando os sons confortantes do oceano.

Se estivesse quente o suficiente para nadar, teria ficado tentada a se despir e entrar na água. Mas não tinha ideia onde estariam posicionados todos aqueles seguranças que mantinham guarda e não estava disposta a lhes proporcionar um show.

Um movimento em um dos cantos de seus olhos lhe captou a atenção e  Ámbar virou a cabeça para ver  Simón  caminhando pela praia e murmurou um xingamento enquanto ele se aproximava.

Estacando diante dela,  Simón  a encarou com a testa franzida. Em seguida, comprimiu os lábios e fez um movimento negativo de cabeça, antes de se acomodar ao lado dela.

- Vejo que manterá meus seguranças muito ocupados, pedhaki mou. –  Ámbar deu de ombros, mas não respondeu. – O que está fazendo aqui? – perguntou em tom suave.
- Aproveitando a praia. É muito linda.
- Se eu prometer trazê-la de volta, concordará em me acompanhar até a casa? O joalheiroestá nos aguardando, e ele tem pressa de voltar para o continente.

 Ámbar lhe relanceou o olhar.

- Por que chamou um joalheiro e por que temos de nos encontrar com ele aqui? O normalnão seria ir até a loja dele? –  Simón  se ergueu, dirigindo-lhe um olhar arrogante que sugeria que todos costumavam vir até ele e não o contrário. Em seguida, esticou a mão e  Ámbar a aceitou, resignada. – Você é muito sério – resmungou ela quando  Simón  a ajudou a se levantar.
Vejo que terei de mudar sua opinião sobre mim.

 Ámbar tentou soltar a mão, quando os dois começaram a se encaminhar de volta para a casa, mas ele a segurou com força. Quente e, em seguida, frio. Naquele ritmo, nunca conseguiria entendê-lo. Amnésia ou não, não pôde deixar de se imaginar querendo arrancar os cabelos por causa daquele homem.

Os dois se encaminharam à biblioteca, onde um homem mais velho estava dispondo os mostruários forrados de veludo sobre a mesa de  Simón . Quando entraram, a expressão do joalheiro se iluminou.

- Sente-se. – O homem a encorajou, contornando a mesa para segurar a mão de  Ámbar ,levá-la aos lábios e lhe depositar um beijo formal no dorso.

Depois de acomodá-la em uma das cadeiras,  Simón  se sentou ao lado dela, e o joalheiro se apressou a contornar a mesa outra vez.

Deparada com anéis estonteantes e uma vertiginosa fileira de diamantes,  Ámbar ofegou e dirigiu um olhar questionador a  Simón .

- Eu o chamei aqui para que possamos escolher seu anel –  Simón  disse em tom casual.

Como se a visita de um joalheiro em sua casa fosse algo corriqueiro.

- Não estou entendendo – começou ela insegura.

 Simón  lhe ergueu a mão esquerda, pressionando os lábios sobre os dedos delicados.

- É importante para mim que use uma aliança. Ainda não tínhamos escolhido uma quando você teve seu… acidente. Quero consertar isso.
- Ah! – No quesito respostas, aquela não era uma das mais brilhantes, mas foi tudo que Ámbar conseguiu dizer.

 Simón  a estimulou a desviar a atenção para as joias e assim ela o fez, embora um pouco nervosa. Aqueles anéis eram tão grandes. E caros! Não queria nem se inteirar do preço daquelas peças. Após experimentar vários,  Ámbar encontrou um que a encantou, mas logo imaginou se  Simón  não ficaria ofendido com sua escolha.

O olhar insistia em voltar ao gracioso anel, mesmo enquanto continuava a experimentar os que o joalheiro tentava lhe impingir.

- Aquele – disse  Simón , apontando para o anel na extremidade direita.

Para a surpresa de  Ámbar , o joalheiro pegou aquele que ela estivera admirando e o entregou a  Simón , que o deslizou por seu dedo. A joia se encaixou com perfeição. Era menor que os outros e simples, mas combinava com ela. Um solitário de safira que faiscava a qualquer movimento e, de repente,  Ámbar não queria mais tirá-lo.

- Você gostou desse – afirmou  Simón .
- Amei – sussurrou  Ámbar , relanceando o olhar a ele. – Mas, se preferir outro, não tem problema.
- Ficaremos com este – disse  Simón  ao joalheiro. 

Se o homem ficou desapontado, não demonstrou enquanto dirigia um largo sorriso ao casal. Com treinada eficiência, guardou as demais joias e as colocou em uma caixa que trancou em seguida. Minutos mais tarde,  Simón  o acompanhou ao helicóptero que o aguardava, mas não sem antes deixar uma ordem austera para que  Ámbar não saísse do lugar.

Uma risada abafada escapou dos lábios de  Ámbar quando ele se retirou.  Simón  parecia tão exasperado. Provavelmente estava acostumado com pessoas obedecendo a todas as suas ordens e permanecendo onde ele determinava. Um pensamento repentino deixou-a horrorizada. Teria sido uma daquelas pessoas? Certamente não. Podia ter perdido a memória, mas não havia sido submetida a um transplante de personalidade.

Com aquele pensamento em mente, deixou a biblioteca e foi em busca de algo para comer.

Agora que sentia o estômago reclamar, se arrependia de não ter comido no café da manhã.

Antes que pudesse abrir o refrigerador, ouviu  Simón  entrar na cozinha.

- Por que será que adivinhei que você não estaria onde a deixei? – disse ele.

 Ámbar girou com um doce sorriso a lhe curvar os lábios.

- Por que não pediu com educação?

 Simón  deixou escapar uma risada baixa, um som sexy que lhe reverberou pela espinha.

- Pedi que o helicóptero voltasse dentro de uma hora. Se estiver disposta, pensei em visitarmos as ruínas pelas quais se interessou e aproveitar para conhecer outros lugares.
- Ah, eu adoraria! – Esquecendo a comida e tudo mais,  Ámbar cruzou a cozinha apressadae se atirou nos braços musculosos, abraçando-o com força.

 Simón  soltou outra risada baixa.

- Então, estou perdoado por ser muito sério?

 Ámbar recuou e fez uma careta.

- Você é bom em me atirar as palavras de volta na cara. Mas, sim, está perdoado. Deixe-me apenas mudar de roupa.
Traga um suéter. Esfriará no fim do dia.

 Ámbar virou-se, apressada, mas ele a puxou de volta. Ela colidiu com o peito musculoso e ergueu o olhar para descobrir os lábios sensuais a centímetros dos seus.

- Certamente mereço uma recompensa? – murmurou ele.

 Ámbar umedeceu os lábios, fazendo-o gemer.

- Suponho que uma pequena recompensa não faria mal algum – retrucou com voz rouca.

A boca exigente se fechou sobre a dela e  Ámbar se derreteu no círculo seguro daqueles braços fortes. Quando  Simón  aprofundou o beijo, ela estremeceu e um gemido fraco lhe escapou da garganta.

Quando ele interrompeu o beijo, labaredas incendiavam os olhos âmbar.

- É melhor eu ajudar você a subir a escada para que troque de roupa. Do contrário, acabaremos não indo a lugar nenhum a não ser para a cama.

Um sorriso malicioso curvou os lábios de  Ámbar antes de ela se afastar na direção da escada. Não que tivesse a ilusão de que subiria sozinha e não subiu. Antes que pisasse no primeiro degrau,  Simón  a alcançou.

Enquanto subiam a escada, ela lhe relanceou um olhar exasperado.

- Estou perfeitamente apta a subir a escada sozinha. Não sou uma incapaz.
- Posso ser um homem tolerante, mas não nesta questão – retrucou ele, arrogante. – Desculpe, mas terá de conviver com o fato de que pretendo tomar conta de você.

 Ámbar revirou os olhos, mas um sorriso lhe ergueu os cantos dos lábios. Era evidente que ela testava a paciência de  Simón , mas por alguma razão aquilo a divertia.

Enquanto  Ámbar trocava de roupa, ele a aguardou e, por fim, lhe entregou um suéter. Ela o pendurou sobre um dos braços e, mais uma vez,  Simón  a guiou pela escada e na direção do heliponto, onde estavam sendo aguardados pelo piloto.

Dentro de alguns minutos, sobrevoavam o oceano e, pouco depois, aterrissaram em Corinto. Um carro os aguardava e, para a surpresa de  Ámbar ,  Simón  a acomodou no banco do carona de um luxuoso carro esporte. Em seguida, contornou o veículo e escorregou para trás do volante.

- Eu sei dirigir – disse, conciso, quando ela o encarou um olhar inquiridor.

 Ámbar soltou uma risada.

- É que nunca o vi dirigir antes. – Ela franziu a testa quando percebeu o que dissera. – O que quero dizer é que nunca o vi dirigir desde que…  Simón  pousou a mão sobre a dela.
- Eu entendi. Na verdade, não dirijo com muita frequência. Geralmente estou ocupado com questões de trabalho, mas tenho um carro tanto aqui quanto em Nova York.

 Ámbar se acomodou confortavelmente no banco de couro enquanto ele se afastava do aeroporto.

Passaram a maior parte da manhã caminhando pelas ruínas. Ele lhe explicava a história, mas  Ámbar estava mais focada no fato de aquele ser um belo dia de outono e de estarem juntos. Não havia interferência de assistentes irritantes, de médicos, enfermeiras, chamadas e faxes referentes aos negócios. Aquilo era, para resumir em uma palavra, perfeito.

- Não está prestando atenção, pedhaki mou. – A voz bem-humorada de  Simón  lhe penetrou a bruma do contentamento.

 Ámbar enrubesceu e girou para encará-lo.

- Desculpe. Estou adorando, de verdade.
- Está querendo voltar para a ilha? – perguntou ele. – Não a estou exaurindo, certo? – O divertimento dera lugar à preocupação e, se ela não o dissuadisse da ideia de que não estava bem, em breve se encontraria enfiada de volta no helicóptero e aquele dia perfeito chegaria ao fim.
- Conte-me sobre sua família. Nunca os mencionou. Suponho que a informação seja redundante, mas como não me recordo de nada, talvez pudesse fazer minha vontade.
- O que gostaria de saber? – perguntou ele.
- Qualquer coisa. Tudo. Seus pais ainda estão vivos? Não comenta nada sobre eles.

Um lampejo de dor varou os olhos dourados, fazendo-a lamentar a pergunta.

- Morreram alguns anos atrás em um acidente de iate – respondeu ele.

Passando o braço pelo de  Simón , ela o apertou em um gesto confortador.

- Desculpe. Não tive intenção de suscitar lembranças tão dolorosas.
- Já faz muito tempo – retrucou  Simón , dando de ombros. Mas  Ámbar percebeu quefalar sobre eles o fazia sofrer.

Quando ela abriu a boca para mudar de assunto, o viu franzir a testa e enfiar a outra mão no bolso. De lá, retirou o celular e o observou por um instante, antes de abri-lo e o colar à orelha.

- Emilia – disse ele em tom suave, após relancear o olhar a  Ámbar . Ela enrijeceu a colunae se soltou de  Simón . Era típico a assistente saber o exato momento de ligar. Devia possuir um radar. Podia sentir a tensão crescendo dentro dele e quando os olhos âmbar pousaram nela era como se a traspassassem.
- Está tudo bem aqui – disse ele. – Verifique com Piers como estão indo as coisas no hotel do Rio de Janeiro e me dê um retorno. – Seguiu-se uma longa pausa. – Não. Não sei quando retornaremos a Nova York. – Mais uma vez, relanceou o olhar a  Ámbar , fazendo-a ter a clara impressão de que Emilia estava falando sobre ela. – Não, claro que não – acrescentou  Simón  em um tom de voz tranquilizador. – Aprecio sua atenção, Emilia. Será a primeira a saber quando eu decidir deixar a ilha.

 Ámbar desviou o olhar, desgostosa, incapaz de continuar escutando o que ele dizia. Instantes depois,  Simón  desligou o telefone e o colocou de volta no bolso. Como era esperado, quando ela girou na direção dele, percebeu a mudança brusca em seu comportamento. Ele a encarava quase desconfiado, embora  Ámbar não pudesse entender por quê. Porém, sabia que aquilo não era fruto de sua imaginação. Uma clara mudança se operara no humor de  Simón .

- Desculpe pela interrupção – disse ele em um tom quase formal. – Sobre o que estávamosfalando?
Conte-me sobre seus hotéis – pediu  Ámbar em um impulso, desejando afastá-lo das preocupações.

A expressão do belo rosto másculo pareceu congelar e a cautela o dominou.

- O que quer saber?

 Ámbar encontrou um lugar para se sentar de frente para as enormes colunas e o puxou para que se acomodasse a seu lado.

- Não sei. Qualquer coisa. Em que lugares possui hotéis? O Imperial Park em Nova York éum deles, certo? –  Simón  anuiu. – Onde mais possui hotéis? É uma rede internacional? Ouvi você mencionar Rio de Janeiro. Tem um hotel lá?

 Simón  não conseguia esconder a tensão, e ela imaginou por quê. Não gostaria de discutir seus negócios? Na verdade, ansiava por qualquer detalhe sobre a vida dele.  Simón  nunca se mostrara muito acessível quanto à sua vida profissional. Um fato que ela achava estranho.

Temos hotéis na maioria das cidades do mundo. Nossas maiores unidades se concentramem Nova York, Tóquio, Londres e Madri. Temos vários outros, um pouco menores, espalhados pela Europa. Atualmente estamos trabalhando em um projeto para construir um no Rio de Janeiro.
- Mas não em Paris? Gostaria que tivesse um em Paris para que pudéssemos visitá-lo. – Ámbar o provocou com um sorriso, que logo secou quando os olhos dourados se tornaram frios e severos. Um arrepio lhe percorreu a espinha e um nó se formou em sua garganta.  Simón  parecia enraivecido. Não, parecia furioso.
- Não. Não temos nenhum em Paris.

O tom conciso a fez recuar, deslizando vários centímetros ao longo do banco.

- Desculpe… – Nem mesmo sabia por que estava se desculpando.  Simón  perdera o humor em questão de segundos e não tinha ideia do motivo. Ela parecia ter uma inclinação para tocar nos assuntos errados. Primeiro fora os pais de  Simón  e agora os negócios.

Haveria algum assunto seguro que pudessem discutir?

 Ámbar se ergueu cerrando os punhos.

- Talvez tenha razão. É melhor voltarmos agora. – Ela se virou com rapidez, na intenção de retornar ao carro, mas o movimento brusco fez o mundo girar ao seu redor.

A lembrança de que não comera no café da manhã lhe veio à mente, antes de os joelhos cederem e o mundo se apagar.

QUANDO VOLTOU a si, a primeira coisa que escutou foi uma voz furiosa, cuspindo fogo em grego. À medida que os olhos abriam e percebiam o ambiente a seu redor, ela se deu conta de que se encontrava em uma cama de exames no que parecia ser uma clínica.

 Simón  estava de costas para ela, interrogando o médico que se encontrava parado diante dele.

-  Simón . – Ela chamou com um fio de voz.

Virando-se, ele se precipitou na direção dela.

- Você está bem? – As mãos fortes lhe apalpavam o corpo, mesmo enquanto os olhos dourados se encontravam fixos nos dela. – Está sentindo dor?

 Ámbar tentou sorrir, mas se sentia trêmula. O médico interpôs à frente de  Simón  e entregou um copo para ela.

- Beba isto, srta. Smith . Sua glicemia está muito baixa, mas acho que um suco a fará sesentir melhor.

 Simón  pegou o copo do suco, escorregou um dos braços sob o pescoço de  Ámbar e a ergueu. Em seguida, encostou o copo em seus lábios e ela tomou goles suaves do líquido doce.

Quando comeu pela última vez, srta. Smith ? – perguntou o médico com um olhar questionador que a fez corar de vergonha e baixar a cabeça.
- Não tomei café da manhã – admitiu.

 Simón  deixou escapar um xingamento.

- Tampouco jantou bem ontem à noite. Theos! Não deveria tê-la trazido para cá hoje. Sabia que não havia se alimentando adequadamente e não fiz nada para remediar essa situação.

 Ámbar exibiu um sorriso frágil.

- Não é culpa sua. Foi uma tolice da minha parte. Fiquei tão animada com a visita às ruínas que me esqueci de comer.
- É meu dever cuidar de você e de nosso filho – afirmou ele, obstinado.

O médico limpou a garganta e sorriu para o casal.

- Sim, bem, nenhum mal foi causado. Bastará uma refeição decente para que ela se sintauma nova mulher. Porém, sugiro que permaneça em repouso pelo restante do dia. Não há motivo para arriscar um novo mal-estar.
- Eu me encarregarei disso – disse  Simón  tenso. –  Ámbar suspirou. Ele estava se culpando por seu desmaio. Podia senti-lo fervilhar com o sentimento de culpa e não haveria como dissuadi-lo de seu propósito. Era melhor se resignar e passar o restante do dia de repouso. – Posso levá-la para casa agora?

O médico anuiu.

- Apenas se certifique de que ela se alimente imediatamente e descanse.
- Pode ter certeza disso – retrucou  Simón  em tom de voz austero.

 Ámbar fez menção de se levantar da cama, mas  Simón  a impediu segurando-a com uma das mãos. Em seguida, ergueu-a nos braços e a carregou pelos corredores.

Quando saíram do hospital, um carro preto estacou imediatamente diante deles e um homem saltou para abrir a porta.  Simón  se inclinou e entrou no veículo ainda a carregando nos braços.

- Já perdeu a vontade de dirigir – resmungou ela enquanto o carro arrancava para tomar ocaminho do aeroporto.
- Não posso dirigir e segurá-la ao mesmo tempo – explicou  Simón  paciente.
- Não sabia que agora terei de ser carregada no colo.
- Eu cuidarei de você.

As palavras expressavam uma determinação ferrenha. A voz grave soou austera, fazendo-a ciente de que  Simón  levava aquela promessa muito a sério. Percebendo que seria inútil argumentar com ele,  Ámbar relaxou contra o peito musculoso e lhe envolveu o corpo forte com os braços.

Acariciando-lhe os cabelos, ele murmurou palavras em grego.  Ámbar estava quase adormecida quando o carro parou com um leve solavanco. Pouco depois, a porta se abriu e um raio de sol a fez espremer os olhos quando os ergueu.  Simón  improvisou uma viseira com uma das mãos para lhe proteger a visão e voltou a lhe virar o rosto contra o próprio peito com um gesto suave. Ainda a carregando nos braços, saltou do carro e se encaminhou, apressado, ao helicóptero.

- Volte a dormir se puder, pedhaki mou – murmurou ao subir no helicóptero.

No entanto, quando o ruído das hélices começou, a névoa da sonolência se dispersou.  Ámbar se contentou em se aninhar contra a curva do pescoço largo enquanto decolavam na direção da ilha.

Era óbvio que  Simón  havia telefonado e disparado uma sucessão de ordens, porque quando entrou em casa, com ela nos braços, Patrice já tinha uma refeição a aguardando e o dr. Karounis se encontrava a postos para monitorar o estado de  Ámbar . Após a comoção inicial, Patrice e o médico o asseguraram de que ela estava bem e pediram licença para se retirar, deixando-os sozinhos.

 Ámbar começou pela tigela de sopa e suspirou, satisfeita, quando o alimento lhe forrou o estômago vazio.

- Não deixará de fazer mais nenhuma refeição – disse  Simón  em tom de reprovaçãoenquanto a observava do lado oposto da mesa.
- Não era essa minha intenção – respondeu ela. – Apenas me distraí.
- Eu me certificarei de que isso não se repita.

 Ámbar ergueu uma das sobrancelhas e exibiu um sorriso travesso.

- Então, voltou a ser sério?

 Simón  a encarou com olhar furioso.

Aquilo a fez se lembrar do que acontecera entre os dois, antes de ela desmaiar. A expressão de  Ámbar se tornou séria e o encarou, pensativa.

- O que há de errado? – perguntou ela.

 Ámbar brincou com a colher antes de pousá-la na tigela.

- Por que ficou tão aborrecido quando estávamos nas ruínas?

A expressão de  Simón  permaneceu neutra, mas ela percebeu que a pergunta não o agradou.

- Não foi nada. Estava apenas pensando em assuntos de trabalho – retrucou descartando oassunto.

 Ámbar lhe dirigiu um olhar incrédulo, mas não insistiu. Quando concluiu a refeição, mais uma vez ele a ergueu nos braços e a carregou até o quarto. Em seguida, pousou-a sobre o colchão e metodicamente começou a lhe remover as roupas. Quando lhe tirou a calça comprida,  Ámbar se encontrava deitada na cama apenas de calcinha e sutiã. A inspiração profunda de  Simón  soou audível enquanto ele se virava de costas.

-  Simón  – sussurrou ela. Com a musculatura do corpo tensa pelo grande esforço que parecia fazer para se controlar, ele se virou. – Fique comigo. Vamos tirar um cochilo juntos?

- Estou me sentindo muito cansada.

Se ele não parecesse tão torturado,  Ámbar teria soltado uma risada. Lutou para manter a expressão neutra enquanto  Simón  ruminava aquele pedido. Por fim, começou a desabotoar a camisa. Em silêncio, se despiu até ficar apenas com a cueca boxer e escorregou para a cama, acomodando-se ao lado dela. E então, soltou um xingamento baixo.

 Ámbar lhe dirigiu um olhar questionador enquanto os olhos dourados lhe varriam o corpo.

- Não quer vestir algo para dormir? Não pode ficar apenas com suas roupas íntimas. Não parece confortável.

As maçãs do rosto de  Ámbar se tornaram rubras, mas ela anuiu.

- Um camisão será suficiente.

 Simón  se levantou e retornou com uma de suas camisas. Ajudou-a a sentar e lhe retirou o sutiã. As mãos ligeiramente trêmulas enquanto lhe vestia a camisa pela cabeça e a deixava escorregar pelo abdome abaulado.

Com um movimento suave, a inclinou de volta na direção do colchão e se ajoelhou diante dela.

- Está melhor assim?
- Muito melhor – concordou ela com voz rouca.

 Simón  se deitou ao lado dela e a puxou para os seus braços.  Ámbar contorceu o corpo, tentando encontrar o ponto ideal. Quando encaixou as nádegas contra o quadril de  Simón  lhe sentiu a ereção e congelou. Em seguida, fez menção de se afastar, mas ele a prendeu no lugar.

- Não se mexa.

Os braços fortes a envolveram, prendendo-a. Com o rosto em chamas,  Ámbar tentou relaxar. No momento em que ele a tocara, o sono se dissipara. Agora tinha de tentar dormir com aquele corpo forte colocado em cada centímetro do seu.

O calor que dele emanava se derramava sobre ela.  Simón  lhe acariciou os cabelos e murmurou palavras gregas em seu ouvido. Embora não entendesse o sentindo,  Ámbar reconheceu a intenção de relaxá-la. Um suspiro de satisfação lhe escapou dos lábios quando a mão longa escorregou por seu braço, quadril e descansou sobre a coxa. Uma sensação de perfeição a atingiu e a deixou perplexa ao perceber que a emoção que não sabia definir e com a qual estivera batalhando se chamava amor.  Ámbar abriu os olhos quando ouviu a respiração de  Simón  cadenciada pelo sono.

Amava aquele homem. Aquilo não deveria surpreendê-la, mas agora que percebera aquele sentimento, lembrou-se que não o havia reconhecido de imediato, após a perda de memória. Não deveria saber de alguma forma que amava aquele homem?

 Simón  era complicado, quanto a isso não havia o que discutir. Complexo, firme e reservado. Bem, se um dia conseguira lhe quebrar as barreiras, certamente seria capaz de repetir a façanha.

 Ámbar relaxou para dormir, a determinação imprimindo um ritmo cadenciado em sua mente.



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