História Traição - Capítulo 9


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Emília, Simón
Tags Simbar
Visualizações 92
Palavras 4.187
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Medo ?


Fanfic / Fanfiction Traição - Capítulo 9 - Medo ?

AOS POUCOS, os dias do casal começaram a se acomodar em uma rotina, assim como as noites. Desde que se certificara de que estava tudo bem com a saúde dela e do bebê, Simón fazia amor com ela todas as noites, possuindo-a com uma paixão que a deixava sem fôlego. Mas nas manhãs ele nunca se encontrava na cama quando Ámbar acordava.

Tornara-se um hábito ela sair à procura de Simón , aborrecida pelo fato de ele ter se levantado tão cedo. Na maioria das vezes, o encontrava na biblioteca falando ao telefone, trabalhando no computador ou analisando contratos e faxes. Quando entrava, ele erguia o olhar e, por um breve instante, Ámbar percebia o fogo faiscar nos olhos âmbar, antes de ele conseguir controlar a expressão. Após murmurar um formal “bom-dia”, voltava a se concentrar no trabalho, dispensando-a sumariamente dessa forma.

Portanto, Ámbar passava a maior parte das manhãs sozinha ou na companhia de Patrice e do dr. Karounis, que parecia muito contente com o tempo que passavam juntos. Na hora do almoço, Simón aparecia, como se não tivesse passado horas encerrado na biblioteca. Para seu crédito, ele lhe dedicava as tardes.

Ámbar conseguira convencê-lo a fazer caminhadas na praia, embora ele reclamasse da possibilidade de ela tomar friagem e se cansar. Ámbar ansiava por aqueles momentos porque só assim o tinha exclusivamente para si. E ao menos naquele tempo, ele parecia perder a atitude reservada e cautelosa da qual raramente abria mão.

Foi durante um desses passeios que Simón a puxou para que se sentasse no tronco onde ela sempre se acomodava para observar o oceano. Após fixar o olhar no mar por um instante, ele se virou para encará-la com expressão séria.

– Deveríamos nos casar logo. – Ámbar girou o anel de noivado no dedo com a ponta dopolegar e imaginou por que aquela não era uma conversa animada. – Queria lhe dar um tempo para que recuperasse as forças. O médico acha que sua saúde está ótima agora.

Ámbar relaxou um pouco sob o escrutínio intenso dos olhos dourados.

– Para quando está planejando?

– Logo que conseguir providenciar os papéis. Não quero esperar mais. Não quero que nosso filho nasça bastardo.

Ámbar franziu a testa e virou o rosto na direção dele. Aquela estava longe de ser uma declaração romântica de amor e devoção. Mas também não queria que o filho nascesse fora do casamento. De repente, sentiu-se egoísta por desejar um motivo mais sentimental para apressarem o casamento.

– Quer se casar comigo, pedhaki mou? Cuidarei de você e de nosso filho. Juro que não lhe faltará nada.

Ámbar lutou para não franzir a testa mais uma vez. Quanto mais Simón falava, menos ela se empolgava com o casamento. Ele fazia aquilo parecer uma barganha. Não queria que aquela união fosse fria e racional.

Simón lhe ergueu o queixo com um dedo e a olhou nos olhos.

– Em que está pensando tão concentrada? – Ámbar não queria lhe dizer a verdade. Portanto, em vez disso, anuiu lentamente. Uma das sobrancelhas de Simón se ergueu em uma expressão questionadora. – Isso é um sim?

– Sim – sussurrou ela. – Eu me casarei com você tão logo possa providenciar os papéis.

Um brilho de satisfação iluminou os olhos âmbar enquanto ele se inclinava para roçar os lábios aos dela.

– Não se arrependerá disso, pedhaki mou.

Uma estranha escolha de palavras. Por que razão ela se arrependeria de se casar com o homem que amava, o pai de seu filho? Ámbar imaginou se ele sempre fora tão enigmático e se havia aprendido a amá-lo apesar disso. Era óbvio que sim.

Enquanto se encaminhavam de volta a casa, Ámbar escorregou a mão pela dele, necessitando de conforto. Após um breve segundo de hesitação, os dedos longos se fecharam contra os dela e os apertaram. Aquecida por aquele pequeno gesto, Ámbar expulsou as dúvidas que a atormentavam.

NAQUELA NOITE, Ámbar estava pronta para dormir quando ele surgiu por trás e lhe envolveu a cintura com os braços. As mãos grandes descansaram na curva avantajada do abdome enquanto os lábios sensuais descreviam uma trilha de fogo do topo do ombro até a região logo abaixo da orelha de Ámbar , lhe fazendo a pele arrepiar e o corpo estremecer contra o dele.

– Prefiro você nua, pedhaki mou – disse ele, erguendo uma das mãos para puxar a fita que amarrava a camisola que ela acabara de vestir. As palavras lhe invadindo a mente e despertando uma distante similaridade. Por um instante, Ámbar o viu parado diante dela encarando-a com olhar ardente e dizendo exatamente as mesmas palavras. Esforçou-se para evocar mais lembranças, mas a imagem se esvaiu tão rápido quanto aflorou.

A frustração a fez fechar os olhos, mesmo enquanto se entregava ao prazer do toque daquele homem.

Simón escorregou uma das alças da camisola pelo ombro delicado, seguindo o movimento com o toque dos lábios até descê-la pelo braço de Ámbar . Em seguida, deu o mesmo tratamento ao outro lado. Enganchando os polegares nas alças finas continuou a baixálas até que o tecido acetinado deslizasse pelo corpo de Ámbar e formasse uma poça no chão.

A incerteza e a vulnerabilidade a assolaram enquanto permanecia nua, exceto pela calcinha de renda. Ámbar se sobressaltou quando as mãos longas se espalmaram sobre seu abdome volumoso mais uma vez e, em seguida, empreenderam uma jornada lenta, subindo por suas curvas, pelas laterais do corpo sensível e pousando sobre os seios firmes.

Os lábios sensuais lhe encontraram o pescoço outra vez, fazendo-a estremecer incontrolavelmente quando submetida às carícias dos polegares nos mamilos rígidos e às mordidas leves no pescoço.

– Eu a desejo – sussurrou ele com voz gutural. – Você é tão linda, agape mou! Venha para a cama comigo.

Era muito fácil esquecer as dúvidas e inseguranças no casulo seguro daqueles braços fortes. Quando faziam amor, se conectavam verdadeiramente. Não havia barreiras, tensão ou relutância. Ámbar vivia em função daqueles momentos, quando ele a possuiria e lhe mostraria com muito mais do que palavras qual era o significado dela em sua vida.

Ámbar virou-se permitindo que as mãos longas escorregassem por sua pele. Quando estava de frente para ele, se ergueu nas pontas dos pés e envolveu o pescoço largo com os braços.

– Beije-me – sussurrou ela.

Com um gemido rouco, Simón a puxou contra o corpo e lhe capturou os lábios, mal conseguindo se conter. Seus movimentos estavam impacientes naquela noite, como se fosse incapaz de se saciar dela, como se não pudesse esperar para possuí-la.

Ámbar permitiu que ele a guiasse, apressado, para a cama, sentindo o corpo viril pressionado ao dela. Simón a deitou sobre o colchão, sem nunca desprender os lábios dos dois. Em seguida, ergueu a cabeça, revelando as labaredas que inflamavam os olhos âmbar. Como movimentos bruscos, se livrou das próprias roupas, antes de pairar sobre ela outra vez.

– Faça amor comigo – pediu Ámbar , esticando a mão para lhe tocar o rosto.

Sem esperar por mais nada, ele se inclinou para lhe violar com beijos molhados e sôfregos a pele da mandíbula, pescoço e mais abaixo dos seios intumescidos. Com a língua descreveu carícias leves e eróticas nos mamilos rígidos, fazendo descargas elétricas se espalharem por todo o corpo de Ámbar , até se concentrarem no centro pulsante de sua feminilidade.

A jornada sensual prosseguiu com a exploração do abdome abaulado, que ele emoldurou com ambas as mãos em um gesto tão reverente que trouxe lágrimas aos olhos de Ámbar . Em seguida, Simón pressionou os lábios contra a pele retesada com um beijo suave.

A emoção formou um nó na garganta de Ámbar , dificultando-lhe a respiração. Se ao menos pudessem ficar assim. Ali, onde não havia palavras nem defesas, se sentia amada e venerada. Não existiam muralhas, barreiras ou segredos.

A boca experiente se moveu, fazendo-a ofegar quando Simón lhe afastou as pernas para lhe beijar o centro da feminilidade que pulsava com a excitação.

– Simón ! – gritou ela enquanto a língua quente e ágil lhe estimulava o ponto maissensível.

– Você é tão doce, agape mou – disse ele ao se mover para cima, roçando o corpo de Ámbar .

Com um movimento preciso, Simón se posicionou contra o calor úmido e convidativo de Ámbar escorregando para dentro daquele corpo excitante e acolhedor. Ela fechou os olhos e esticou os braços na direção dele com um suspiro de prazer. Os dedos se enterrando nos cabelos curtos da nuca de Simón e descendo pelo pescoço que acariciava enquanto ele se movia para a frente e para trás com extrema suavidade.

E então, os lábios exigentes se apossaram dos dela outra vez, absorvendo-lhe o grito abrupto quanto ele se enterrou dentro dela ainda mais.

– Mostre-me seu prazer – sussurrou ele contra os lábios intumescidos de Ámbar . – Apenas para mim.

Diante dos primeiros espasmos do clímax, ela arqueou os quadris, sentindo o corpo enrijecer, antes de explodir em milhões de partículas que se espalhavam em todas as direções. O grito suave que Ámbar deixou escapar cortou o silêncio da noite enquanto ele a puxava contra o corpo. A mão longa lhe acariciando a lateral do corpo, o quadril e a curva da barriga abaulada.

– Não consigo me saciar de você – admitiu ele com uma voz que soou estranhamente vulnerável.

Ámbar descerrou as pálpebras para se deparar com os olhos dourados fixos nela. A expressão do belo rosto másculo feroz e assombrada. E então, ele começou a se mover com mais força e exigência. Sem dizer mais uma palavra, Simón a levou a indescritíveis alturas. Ela flutuou livre, o corpo envolto em um casulo de prazer.

E assim começou a noite. Ámbar mal completava a jornada descendente de um pico para que ele a levasse a outro ainda mais alto. Simón a possuía de modo incansável, comandando seu corpo com uma facilidade que a deixava sem fôlego. Durante toda a noite, ele se mostrou insaciável e pouco antes da madrugada, os dois se rederam à exaustão e adormeceram.

Mesmo envolta na euforia do pós-sexo, o sono de Ámbar era agitado. Havia uma familiaridade na forma exigente como Simón fazia amor. Era como se, pela primeira vez, tivesse lhe mostrado parte da vida que levavam no passado.

No sonho, Ámbar lutava para abrir uma porta firmemente fechada, sabendo que do outro lado se encontrava sua história de vida. Ela a puxou com força e, em seguida, bateu desesperada, soluçando para que a porta se abrisse e lhe revelasse o que estava do outro lado.

Ámbar unhou a superfície e, por fim, conseguiu entreabri-la alguns milímetros. Uma luz forte incidiu através da abertura e, em seguida, tão repentinamente quanto brilhara, se apagou diante do medo e do desespero. Sabia, sem a menor sombra de dúvida, que não queria ver o que se encontrava do outro lado.

Em choque, perdeu a força e a porta bateu com um estrondo, deixando-a recostada, ajoelhada e trêmula, contra a madeira fria.

Não! Precisava saber. Tinha de saber. Quem era ela e o que lhe acontecera?

– Ámbar . Ámbar ! – A voz ansiosa de Simón lhe penetrou o sonho. – Tem de acordar, pedhaki mou. É apenas um sonho. Você está segura. Está aqui comigo.

Ámbar abriu os olhos para se deparar com Simón assomando sobre ela, os olhos arregalados de preocupação. Ele havia acendido a luz do abajur ao lado da cama, e Ámbar ficou grata por isso. Sentia-se sufocada pela escuridão que povoava seu pesadelo.

O rosto estava molhado, um sinal de que havia chorado no sonho. O coração ainda estava disparado por causa do pânico e ela não conseguia se livrar da tenebrosa sensação do mau presságio que a assolara. Tentou falar, dizer a Simón que estava bem, mas em vez disso deixou escapar um grito. Ele a envolveu com força nos braços e a segurou enquanto o corpo de Ámbar sacudia com os soluços.

– Isso vai fazer mal à sua saúde. Tem de parar. – Durante um longo tempo, ela se agarrouaos braços musculosos para impedi-lo de se afastar. Quando, por fim, conseguiu recuperar o autocontrole, Simón a recostou com cuidado aos travesseiros. – O que a assustou tanto, agape mou?

As imagens do sonho voltaram com força total, mas Ámbar se forçou a entendê-las. Felizmente, o pânico inicial se dissipara, possibilitando-lhe respirar com tranquilidade.

– Eu estava diante de uma porta – explicou, com voz trêmula. – Sabia que do outro lado estavam minhas lembranças, mas não conseguia abri-la por mais que tentasse. Por fim, consegui entreabri-la e então…

– E então, o quê? – perguntou Simón com voz suave.

– Medo – sussurrou ela. – Muito medo. Eu estava com medo, larguei a porta e ela se fechou com força.

Simón se deitou ao lado dela, puxando-a para seus braços.

– Foi apenas um sonho, pedhaki mou. Apenas um sonho. Não pode fazer mal algum a você. Está temendo o desconhecido. Isso é natural.

Lentamente, Ámbar começou a relaxar contra o corpo quente e forte. Ele lhe afagava as costas, a palma da mão escorregando para cima e para baixo sobre toda a extensão da espinha de Ámbar .

– Está melhor agora? Quer que eu chame o dr. Karounis?

Ámbar negou com a cabeça contra o peito largo.

– Não. Eu estou bem. Sério. Estou me sentindo tão tola agora!

– Não é tola. E tente voltar a dormir. Receio tê-la deixado acordada por muito tempo essanoite.

A voz de Simón tinha um timbre rouco e grave e lhe fez o corpo enrijecer outra vez diante das lembranças do que a deixara acordada.

Com um bocejo, ela se enterrou com o máximo de força possível contra o corpo de Simón e se entregou ao que dessa vez foi um sono sem sonhos.

SIMÓN SE levantou com o raiar do dia. Não dormira desde que Ámbar acordara devido ao pesadelo. Após tranquilizá-la, ela cedera a um sono reparador, mas ele permanecera acordado, com o olhar fixo no teto, refletindo sobre o absurdo da situação em que se encontravam.

Com cuidado para não acordá-la, tomou um banho e se vestiu. Após se certificar de que ela não fora incomodada, desceu a escada em silêncio e passou direto pelo escritório, embora fosse seu costume começar lá o dia de trabalho.

Naquela manhã, algo o impeliu para a praia, na direção do local que Ámbar costumava visitar. O ar soprava frio, vindo do oceano, mas aquilo não o incomodava enquanto permanecia parado, observando as ondas quebrarem na areia e retornarem ao mar.

O passado de Ámbar , o passado de ambos, ameaçou visitá-la durante o sono. As lembranças travavam batalhas nos momentos em que ela estava mais vulnerável e o que ele faria se fossem recuperadas?

O terrível conflito que o corroía por dentro o estava desgastando. Podia sentir raiva e de vez em quando sentia, mas também era muito fácil esquecer. Ali na ilha, protegido do resto do mundo, era muito fácil fingir que existiam apenas Ámbar , ele e o filho que ainda não nascera. Nenhuma traição do passado, nenhuma mentira ou falsidade.

Simón enfiou as mãos nos bolsos da calça e baixou a cabeça, resignado. Nunca antes, tanto na vida profissional quanto na pessoal, se sentira tão perdido, tão indeciso. Seria capaz de perdoá-la por ter tentado destruí-lo e aos seus irmãos? Aquela era a pergunta que valia um milhão de dólares, porque se não fosse capaz, não seria possível um futuro para os dois. Quando Ámbar recuperasse a memória, as coisas mudariam radicalmente. E a ele restaria se agarrar ao sabor amargo da traição ou seguir em frente e lhe conceder seu perdão.

Theos mou! Não tinha a resposta para aquele impasse. Não sabia se seria capaz de tanta generosidade. Não havia dúvida de que a desejava. Sentia-se atraído por Ámbar , mesmo ciente de seus pecados. Ela estava gerando um filho seu, mas poderia afirmar com toda a honestidade que, se não estivesse grávida, a dispensaria facilmente?

Um par de braços pequenos lhe envolveu a cintura e um corpo quente se recostou ao dele. Simón baixou o olhar para ver as mãos de Ámbar unidas em seu abdome e as cobriu com a dele em um gesto automático.

O abraço era apertado e ele podia sentir a face macia pressionada contra sua espinha. Era uma sensação… de perfeição.

Lentamente, Simón lhe retirou as mãos para que pudesse girar no círculo dos braços delgados. Ela ergueu um olhar afetuoso e receptivo, antes de se atirar nos braços fortes e aconchegar o rosto ao peito largo.

– Bom dia – disse ele, incapaz de impedir a onda de desejo que invadiu cada célula de seucorpo.

– Passei em seu escritório e não o encontrei. Fiquei preocupada – disse ela recuando.

Simón inclinou a cabeça para o lado.

– Preocupada?

– Está sempre em seu escritório a esta hora – retrucou Ámbar em um tom de voz leve. –Quando não consegui encontrá-lo em mais nenhum lugar da casa, pensei… pensei que talvez tivesse partido.

As mãos longas pousaram nos ombros de Ámbar e os apertaram em um gesto tranquilizador.

– Não partiria sem avisá-la, pedhaki mou. – Estivera tão distante, tão arraigado em seus esforços em evitá-la que a fizera esperar uma atitude como aquela da parte dele? Se esse fosse o caso, não poderia culpá-la. Incluindo a srta. Cahill e o dr. Karounis, havia colocado um verdadeiro arsenal de pessoas entre eles.

– Gostaria de fazer uma caminhada comigo? – perguntou ela. – Sempre passeio de manhãpela praia enquanto você está trabalhando. Isto é, se não estiver muito ocupado?

Simón lhe segurou a mão e a levou aos lábios.

– Nunca estou muito ocupado para você e para o nosso filho. Mas não deveria descansar?

Um suspiro exasperado escapou dos lábios de Ámbar enquanto ela soltava a mão e levava os dois punhos cerrados aos quadris.

– Pareço estar precisando de descanso? – A raiva e o desapontamento lhe faziam brilhar osolhos. – Ouça, se não quiser me fazer companhia, é só dizer, mas pare de repetir o mantra “você precisa descansar” – dizendo isso, ela se virou e saiu pisando duro pela areia, deixando-o parado lá, como se tivesse recebido um soco no peito.

Simón passou uma das mãos pelos cabelos e a observou se afastar, apressada, para só então a seguir. Os pés espalhando areia para todos os lados na tentativa de fechar a distância entre os dois.

– Ámbar ! Espere. – Ele chamou, segurando-lhe o cotovelo. Quando a girou, foi atingindoem cheio pelas lágrimas que rolavam pelo rosto delicado. Ámbar virou a cabeça para o lado, limpando as lágrimas às cegas com a outra mão.

– Por favor, vá embora – disse ela com voz engasgada. – Vá fazer o que quer que faça como seu tempo. Aguardarei minha hora marcada com você à tarde.

As palavras soaram amargas, repletas de mágoa e deixaram claro que ele não conseguira enganá-la com toda aquela distância que colocara entre os dois.

Simón esticou o braço e lhe tocou o queixo, erguendo-o até que ela o encarasse. Com a ponta do polegar, limpou uma lágrima que corria pelo rosto delicado.

– Não temos hora marcada.

– Não? – Ámbar se soltou e recuou até colocar uma respeitável distância entre eles. –Tenho tentado ser paciente e compreensiva, embora não consiga entender nada do que está acontecendo. Nem a você nem mesmo a mim. Não consigo decifrá-lo, Simón , e estou cansada de tentar. Esforcei-me para ser forte e tolerante, mas não posso continuar assim. Estou apavorada. Não sei quem sou. Acordei e me descobri grávida, com um estranho em minha cama que afirma ser meu noivo e pai do meu filho. Qualquer um pensaria que isso seria o suficiente para me julgar amada e tratada com carinho, mas todas as suas ações só conseguiram me deixar ainda mais confusa. Você alterna entre quente e frio e nunca sei qual dos dois esperar. Não posso suportar isso.

Um frio aterrorizante se espalhou pelo peito de Simón , comprimindo-o até lhe dificultar a respiração.

– O que está dizendo? – Ele quis saber.

Ámbar lhe dirigiu um olhar cansado.

– Por que está se casando comigo? É apenas por causa da criança?

Linhas profundas vincaram a testa de Simón . Não o agradava ser pressionado daquela forma.

– Está cansada e transtornada. É melhor voltarmos para casa e continuarmos essa conversaem um lugar mais aqueci…

Ámbar o cortou com um gesto brusco de mão.

– Não estou cansada. Não estou transtornada e quero que pare com essa superproteção. Nem mesmo acredito que se preocupe tanto. Isso não passa de uma conveniente barreira atrás da qual se esconde quando começo a lhe fazer perguntas.

Simón abriu a boca para refutar aquelas palavras, mas paralisou. Não poderia negar a verdade. Ainda assim, não queria que ela se aborrecesse. Certamente aquilo não faria bem para o bebê.

– O que há no meu passado que tanto me assusta? – sussurrou ela. – A noite passada me aterrorizou. Acordei esta manhã com a sensação daquele medo e não por não poder me lembrar, mas por ter medo de me lembrar. – Ámbar o encarou, ansiosa, com uma súplica estampada no olhar. – Conte-me. Preciso saber. Como era nossa relação antes? Como nos conhecemos? Estávamos de fato apaixonados?

Simón virou-se na direção do mar e enfiou as mãos nos bolsos de trás da calça.

– Você trabalhava para mim – disse em tom áspero.

Ámbar se moveu até se posicionar ao lado dele, sem tocá-lo, mas perto o suficiente para que ele lhe escutasse a respiração alterada.

– Trabalhava? No hotel?

Simón negou com um gesto de cabeça.

– Nos escritórios da empresa. Era minha assistente.

Ámbar o encarou chocada.

– Mas Emilia é sua assistente e parece muito adaptada ao cargo. Como se o ocupasse há anos.

Um sorriso breve curvou os lábios de Simón .

– Não foi minha assistente por muito tempo. Eu estava determinado a tê-la em minha cama.Convenci a pedir demissão e ir morar comigo. Você significava uma distração à minha concentração no trabalho.

Ámbar não pareceu lisonjeada com a revelação. A testa se encontrava enrugada em uma expressão preocupada e os lábios se curvavam para baixo.

– Então, tornou um hábito me colocar onde lhe era mais conveniente – murmurou ela.

Simón xingou em silêncio, porém, mais uma vez, não podia negar que sempre tivera a sedução em mente no que se relacionava a ela.

– E eu permiti isso? – Ámbar perguntou. – Simplesmente pedi demissão e fui morar comvocê?

Simón deu de ombros.

– Parecia tão feliz em estar em minha companhia quanto eu em estar ao seu lado.

As linhas que vincavam a testa de Ámbar se aprofundaram enquanto ela envolvia o abdome saliente com as mãos em um gesto protetor.

– Nosso bebê foi planejado?

Simón inspirou profundamente. Aquele era um ponto nevrálgico que tinha de contornar com cuidado.

– Não diria planejado, mas a notícia de sua gravidez certamente não foi mal recebida.

Se aquilo era possível, a resposta a deixara ainda mais entristecida. Os ombros de Ámbar se curvaram para a frente enquanto ela virava de costas, mas não sem que antes ele percebesse a nova leva de lágrimas que lhe banhava os olhos.

Com um suspiro, Simón a puxou e a envolveu nos braços.

– Por que está tão triste esta manhã, pedhaki mou? O que posso fazer ou dizer para fazê-la se sentir melhor?

Ámbar ergueu os olhos úmidos pelas lágrimas.

– Pode parar de me evitar, de usar a preocupação com minha saúde e a do bebê como desculpa para me tratar como uma inválida. Pode parar de tratar o meu passado como se fosse algo do qual não tenho direito de saber.

Os lábios sensuais se comprimiram.

– Tentarei ser menos zeloso com sua… saúde, embora me reserve o direito de me preocupar.

E então, um sorriso curvou os lábios de Ámbar , atingindo-o como um golpe certeiro que quase o fez cambalear para trás. Não havia percebido o quanto a felicidade de Ámbar era importante para ele. Seria louco por se preocupar tanto, quando ela não se importara nem um pouco com sua felicidade no passado?

Inclinando-se para beijá-lo, ela se viu pressionada ao corpo forte enquanto os lábios eram devorados pelos dele.

– Obrigada – disse ela quando recuou. – Só quero… – Ámbar se calou sem conter a ansiedade no olhar, antes de desviá-lo.

– O que quer, pedhaki mou?

Ámbar voltou a encará-lo.

– Quero que sejamos felizes – respondeu com voz rouca. – Quero ter certeza do lugar que ocupo em sua vida. Quero me lembrar, porém mais do que isso, quero sentir que tenho mais do que uma pequena porção de você e do seu tempo.

Simón a observou pensativo. Ámbar nunca fora tão direta antes da amnésia. Mostravase tímida e hesitante em dar voz a seus desejos e anseios. Mas teria ela se sentido assim antes? Teria se ressentido de suas longas ausências? Do modo como a encaixava em sua vida como lhe conviesse? Teria sido aquele o motivo que a levara a agir de forma tão leviana? Fora aquele ato uma forma de lhe chamar atenção?

– Também quero muito que você seja feliz, Ámbar . E embora não possa convencê-la dolugar que ocupa em minha vida com meras palavras, talvez possa provar isso ao longo do tempo.

O sorriso de Ámbar o aqueceu por inteiro. Era como ver o sol surgir no horizonte. Ela esticou as mãos para segurar as dele.

– Venha caminhar comigo – convidou.

Incapaz de lhe negar qualquer coisa naquele momento, ele a puxou para perto e os dois começaram a passear pela praia. 



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