História Traição (Jikook - Mpreg) - Capítulo 9


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Got7, Red Velvet
Personagens Irene, Jimin, Jungkook, Rap Monster, V, Yugyeom
Tags Adaptação, Jeonconda, Jikook, Jimin Bottom, Jungkook Tops, Maya Banks, Mpreg, Passivamin
Visualizações 448
Palavras 4.110
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Medo


Aos poucos, os dias do casal começaram a se acomodar em uma rotina, assim como as noites.

Desde que se certificara de que estava tudo bem com a saúde dele e do bebê, Jeongguk fazia amorcom ele todas as noites, possuindo-o com uma paixão que o deixava sem fôlego. Mas nas manhãs ele nunca se encontrava na cama quando Jimin acordava.

Tornara-se um hábito ela sair à procura de Jeongguk, aborrecido pelo fato de ele ter selevantado tão cedo. Na maioria das vezes, o encontrava na biblioteca falando ao telefone,trabalhando no computador ou analisando contratos e faxes. Quando entrava, ele erguia o olhar e, porum breve instante, Jimin percebia o fogo faiscar nos olhos castanhos, antes de ele conseguir controlar aexpressão. Após murmurar um formal “bom-dia”, voltava a se concentrar no trabalho, dispensando-o sumariamente dessa forma.

Portanto, Jimin passava a maior parte das manhãs sozinho ou na companhia de Seulgi e do dr.Karounis, que parecia muito contente com o tempo que passavam juntos. Na hora do almoço, Jeongguk aparecia, como se não tivesse passado horas encerrado na biblioteca. Para seu crédito,ele lhe dedicava as tardes.

Jimin conseguira convencê-lo a fazer caminhadas na praia, embora ele reclamasse dapossibilidade do ruivo tomar friagem e se cansar. Jimin ansiava por aqueles momentos porque sóassim o tinha exclusivamente para si. E ao menos naquele tempo, ele parecia perder a atitudereservada e cautelosa da qual raramente abria mão.

Foi durante um desses passeios que Jeongguk o puxou para que se sentasse no tronco onde o menor sempre se acomodava para observar o oceano. Após fixar o olhar no mar por um instante, ele se virou para encará-lo com expressão séria.

– Deveríamos nos casar logo. – Jimin girou o anel de noivado no dedo com a ponta do polegar eimaginou por que aquela não era uma conversa animada. – Queria lhe dar um tempo para querecuperasse as forças. O médico acha que sua saúde está ótima agora.

Jimin relaxou um pouco sob o escrutínio intenso dos olhos escuros.

– Para quando está planejando?

– Logo que conseguir providenciar os papéis. Não quero esperar mais. Não quero que nosso filhonasça bastardo.

Jimin franziu a testa e virou o rosto na direção dele. Aquela estava longe de ser uma declaração romântica de amor e devoção. Mas também não queria que o filho nascesse fora do casamento. De repente, sentiu-se egoísta por desejar um motivo mais sentimental para apressarem o casamento.

– Quer se casar comigo, pedhaki mou? Cuidarei de você e de nosso filho. Juro que não lhe faltaránada.

Jimin lutou para não franzir a testa mais uma vez. Quanto mais Jeon falava, menos ele seempolgava com o casamento. Ele fazia aquilo parecer uma barganha. Não queria que aquela uniãofosse fria e racional.

Jeongguk lhe ergueu o queixo com um dedo e o olhou nos olhos.

– Em que está pensando tão concentrado? – Jimin não queria lhe dizer a verdade. Portanto, em vez disso, anuiu lentamente. Uma das sobrancelhas de Jeongguk se ergueu em uma expressão questionadora. – Isso é um sim?

– Sim – sussurrou ele. – Eu me casarei com você tão logo possa providenciar os papéis.

Um brilho de satisfação iluminou os olhos do maior enquanto ele se inclinava para roçar os lábiosaos dele.

– Não se arrependerá disso, pedhaki mou.

Uma estranha escolha de palavras. Por que razão ele se arrependeria de se casar com o homemque amava, o pai de seu filho? Jimin imaginou se ele sempre fora tão enigmático e se haviaaprendido a amá-lo apesar disso. Era óbvio que sim.

Enquanto se encaminhavam de volta a casa, Jimin escorregou a mão pela dele, necessitando deconforto. Após um breve segundo de hesitação, os dedos longos se fecharam contra os deles e osapertaram. Aquecido por aquele pequeno gesto, Jimin expulsou as dúvidas que o atormentavam.

Naquela noite, Jimin estava pronto para dormir quando ele surgiu por trás e lhe envolveu acintura com os braços. As mãos grandes descansaram na curva avantajada do abdome enquanto oslábios sensuais descreviam uma trilha de fogo do topo do ombro até a região logo abaixo da orelha
de Jimin, lhe fazendo a pele arrepiar e o corpo estremecer contra o dele.

– Prefiro você nu, pedhaki mou – disse ele, erguendo uma das mãos para desabotoar a camisa que ele acabara de vestir. As palavras lhe invadindo a mente e despertando umadistante similaridade. Por um instante, Jimin o viu parado diante dele encarando-a com olharardente e dizendo exatamente as mesmas palavras. Esforçou-se para evocar mais lembranças, mas aimagem se esvaiu tão rápido quanto aflorou.

A frustração a fez fechar os olhos, mesmo enquanto se entregava ao prazer do toque daquelehomem.

Jeongguk escorregou uma das mangas da camisa pelo ombro delicado, seguindo o movimentocom o toque dos lábios até descê-lo pelo braço de Jimin. Em seguida, deu o mesmo tratamento ao outro lado.

Enganchando os polegares na cintura da calça do pijama começou a baixá-la até que o tecido acetinado deslizasse pelo corpo de Jimin e formasse uma poça no chão. A incerteza e a vulnerabilidade o assolaram enquanto permanecia nu, exceto pela cueca boxer. Jimin se sobressaltou quando as mãos longas se espalmaram sobre seu abdome volumoso mais uma vez e, em seguida, empreenderam uma jornada lenta, subindo por suas curvas, pelas laterais do corpo sensível e pousando sobre os mamilos.

Os lábios sensuais lhe encontraram o pescoço outra vez, fazendo-o estremecer incontrolavelmente quando submetida às carícias dos polegares nos mamilos rígidos e às mordidas leves no pescoço.

– Eu o desejo – sussurrou ele com voz gutural. – Você é tão lindo, agape mou! Venha para a cama comigo.

Era muito fácil esquecer as dúvidas e inseguranças no casulo seguro daqueles braços fortes.

Quando faziam amor, se conectavam verdadeiramente. Não havia barreiras, tensão ou relutância.

Jimin vivia em função daqueles momentos, quando ele o possuiria e lhe mostraria com muito mais do que palavras qual era o significado dele em sua vida.

Park virou-se permitindo que as mãos longas escorregassem por sua pele. Quando estava de frente para ele, se ergueu nas pontas dos pés e envolveu o pescoço largo com os braços.

– Beije-me – sussurrou Jimin.

Com um gemido rouco, Jeongguk o puxou contra o corpo e lhe capturou os lábios, mal conseguindo se conter. Seus movimentos estavam impacientes naquela noite, como se fosse incapaz de se saciar dele, como se não pudesse esperar para possuí-lo.

Jimin permitiu que ele o guiasse, apressado, para a cama, sentindo o corpo viril pressionado ao seu. Jeongguk o deitou sobre o colchão, sem nunca desprender os lábios dos dois. Em seguida, ergueu a cabeça, revelando as labaredas que inflamavam os olhos castanhos. Como movimentos bruscos, se livrou das próprias roupas, antes de pairar sobre ele outra vez.

– Faça amor comigo – pediu Jimin, esticando a mão para lhe tocar o rosto. Sem esperar por mais nada, ele se inclinou para lhe violar com beijos molhados e sôfregos a pele da mandíbula, pescoço e mais abaixo. Com a língua descreveu carícias leves e eróticas nos mamilos rígidos, fazendo descargas elétricas se espalharem por todo o corpo de Jimin, até se concentrarem no centro pulsante de sua masculinidade.

A jornada sensual prosseguiu com a exploração do abdome abaulado, que ele emoldurou com ambas as mãos em um gesto tão reverente que trouxe lágrimas aos olhos de Jimin. Em seguida, Jeongguk pressionou os lábios contra a pele retesada com um beijo suave.

A emoção formou um nó na garganta de Jimin, dificultando-lhe a respiração. Se ao menos pudessem ficar assim. Ali, onde não havia palavras nem defesas, se sentia amado e venerado. Não existiam muralhas, barreiras ou segredos.

A boca experiente se moveu, fazendo-o ofegar quando Jeongguk lhe afastou as pernas para lhe beijar a glande que pulsava com a excitação.

– Jeonggukie! – gritou ele enquanto a língua quente e ágil lhe estimulava o ponto mais sensível.

– Você é tão doce, agape mou – disse ele ao se mover para cima, roçando o corpo ao de Jimin.

Com um movimento preciso, Jeongguk se posicionou contra o calor úmido e convidativo de Jimin escorregando para dentro daquele corpo excitante e acolhedor. Ele fechou os olhos e esticou os braços na direção dele com um suspiro de prazer. Os dedos se enterrando nos cabelos curtos da nuca de Jeon e descendo pelo pescoço que acariciava enquanto ele se movia para a frente e para trás com extrema suavidade.

E então, os lábios exigentes se apossaram dos dele outra vez, absorvendo-lhe o grito abrupto quanto ele se enterrou dentro de si ainda mais.

– Mostre-me seu prazer – sussurrou ele contra os lábios intumescidos de Jimin. – Apenas para mim.

Diante dos primeiros espasmos do clímax, ele arqueou os quadris, sentindo o corpo enrijecer, antes de explodir em milhões de partículas que se espalhavam em todas as direções. O grito suave que Park deixou escapar cortou o silêncio da noite enquanto ele o puxava contra o corpo. A mão longa lhe acariciando a lateral do corpo, o quadril e a curva da barriga abaulada.

– Não consigo me saciar de você – admitiu ele com uma voz que soou estranhamente vulnerável.

Jimin descerrou as pálpebras para se deparar com os olhos escuros fixos nele. A expressão do belo rosto másculo feroz e assombrada. E então, ele começou a se mover com mais força e exigência. Sem dizer mais uma palavra, Jeongguk o levou a indescritíveis alturas. Ele flutuou livre, o corpo envolto em um casulo de prazer.

E assim começou a noite. Jimin mal completava a jornada descendente de um pico para que ele o levasse a outro ainda mais alto. Jeongguk o possuía de modo incansável, comandando seu corpo com uma facilidade que o deixava sem fôlego.

Durante toda a noite, ele se mostrou insaciável e pouco antes da madrugada, os dois se rederam à exaustão e adormeceram.

Mesmo envolta na euforia do pós-sexo, o sono de Jimin era agitado. Havia uma familiaridade na forma exigente como Jeongguk fazia amor. Era como se, pela primeira vez, tivesse lhe mostrado parte da vida que levavam no passado.

Jimin lutava para abrir uma porta firmemente fechada, sabendo que do outro lado se encontrava sua história de vida. Ele a puxou com força e, em seguida, bateu desesperado, soluçando para que a porta se abrisse e lhe revelasse o que estava do outro lado.

Jimin unhou a superfície e, por fim, conseguiu entreabri-la alguns milímetros. Uma luz forte incidiu através da abertura e, em seguida, tão repentinamente quanto brilhara, se apagou diante do medo e do desespero. Sabia, sem a menor sombra de dúvida, que não queria ver o que se encontrava do outro lado.

Em choque, perdeu a força e a porta bateu com um estrondo, deixando-o recostado, ajoelhado e trêmulo, contra a madeira fria. Não! Precisava saber. Tinha de saber. Quem era ele e o que lhe acontecera?

– Jimin. Jimin! – A voz ansiosa de Jeongguk lhe penetrou o sonho. – Tem de acordar, pedhaki mou. É apenas um sonho. Você está seguro. Está aqui comigo.

Jimin abriu os olhos para se deparar com Jeon assomando sobre ele, os olhos arregalados de preocupação. Ele havia acendido a luz do abajur ao lado da cama, e Jimin ficou grato por isso.

Sentia-se sufocado pela escuridão que povoava seu pesadelo.

O rosto estava molhado, um sinal de que havia chorado no sonho. O coração ainda estava disparado por causa do pânico e ele não conseguia se livrar da tenebrosa sensação do mau presságio que o assolara. Tentou falar, dizer a Jeongguk que estava bem, mas em vez disso deixou escapar um grito. Ele o envolveu com força nos braços e o segurou enquanto o corpo de Jimin sacudia com os soluços.

– Isso vai fazer mal à sua saúde. Tem de parar. – Durante um longo tempo, ele se agarrou aos braços musculosos para impedi-lo de se afastar. Quando, por fim, conseguiu recuperar o autocontrole, Jeongguk o recostou com cuidado aos travesseiros. – O que o assustou tanto, agape mou?

As imagens do sonho voltaram com força total, mas Jimin se forçou a entendê-las. Felizmente, o pânico inicial se dissipara, possibilitando-lhe respirar com tranquilidade.

– Eu estava diante de uma porta – explicou, com voz trêmula. – Sabia que do outro lado estavam minhas lembranças, mas não conseguia abri-la por mais que tentasse. Por fim, consegui entre abri-la e então…

– E então, o quê? – perguntou Jeon com voz suave.

– Medo – sussurrou ele. – Muito medo. Eu estava com medo, larguei a porta e ela se fechou com força.

Jeongguk se deitou ao lado dele, puxando-o para seus braços.

– Foi apenas um sonho, pedhaki mou. Apenas um sonho. Não pode fazer mal algum a você. Está temendo o desconhecido. Isso é natural.

Lentamente, o ruivo começou a relaxar contra o corpo quente e forte. Ele lhe afagava as costas, a palma da mão escorregando para cima e para baixo sobre toda a extensão da espinha de Jimin.

– Está melhor agora? Quer que eu chame o dr. Karounis?

Jimin negou com a cabeça contra o peito largo.

– Não. Eu estou bem. Sério. Estou me sentindo tão tolo agora!

– Não é tolo. E tente voltar a dormir. Receio tê-lo deixado acordado por muito tempo essa noite.

A voz do maior tinha um timbre rouco e grave e lhe fez o corpo enrijecer outra vez diante das lembranças do que o deixara acordado.

Com um bocejo, ele se enterrou com o máximo de força possível contra o corpo de Jeongguk e se entregou ao que dessa vez foi um sono sem sonhos.

Jeongguk se levantou com o raiar do dia. Não dormira desde que Jimin acordara devido ao pesadelo. Após tranquilizá-lo, ele cedera a um sono reparador, mas ele permanecera acordado, com o olhar fixo no teto, refletindo sobre o absurdo da situação em que se encontravam.

Com cuidado para não acordá-lo, tomou um banho e se vestiu. Após se certificar de que ele não fora incomodado, desceu a escada em silêncio e passou direto pelo escritório, embora fosse seu costume começar lá o dia de trabalho.

Naquela manhã, algo o impeliu para a praia, na direção do local que Jimin costumava visitar. O ar soprava frio, vindo do oceano, mas aquilo não o incomodava enquanto permanecia parado, observando as ondas quebrarem na areia e retornarem ao mar.

O passado de Jimin, o passado de ambos, ameaçou visitá-lo durante o sono. As lembranças travavam batalhas nos momentos em que ele estava mais vulnerável e o que ele faria se fossem recuperadas?

O terrível conflito que o corroía por dentro o estava desgastando. Podia sentir raiva e de vez em quando sentia, mas também era muito fácil esquecer. Ali na ilha, protegido do resto do mundo, era muito fácil fingir que existiam apenas Jimin, ele e o filho que ainda não nascera. Nenhuma traição do passado, nenhuma mentira ou falsidade.

Jeon enfiou as mãos nos bolsos da calça e baixou a cabeça, resignado. Nunca antes, tanto na vida profissional quanto na pessoal, se sentira tão perdido, tão indeciso. Seria capaz de perdoá-lo por ter tentado destruí-lo e aos seus irmãos? Aquela era a pergunta que valia um milhão de dólares, porque se não fosse capaz, não seria possível um futuro para os dois.

Quando Jimin recuperasse a memória, as coisas mudariam radicalmente. E a ele restaria se agarrar ao sabor amargo da traição ou seguir em frente e lhe conceder seu perdão.

Theos mou! Não tinha a resposta para aquele impasse. Não sabia se seria capaz de tanta generosidade. Não havia dúvida de que o desejava. Sentia-se atraído por Jimin, mesmo ciente de seus pecados. Ele estava gerando um filho seu, mas poderia afirmar com toda a honestidade que, se não estivesse grávido, o dispensaria facilmente?

Um par de braços pequenos lhe envolveu a cintura e um corpo quente se recostou ao dele.

Jeongguk baixou o olhar para ver as mãos de Jimin unidas em seu abdome e as cobriu com a dele em um gesto automático.

O abraço era apertado e ele podia sentir a face macia pressionada contra sua espinha. Era uma sensação… de perfeição.

Lentamente, Jeon lhe retirou as mãos para que pudesse girar no círculo dos braços
delgados. Ele ergueu um olhar afetuoso e receptivo, antes de se atirar nos braços fortes e aconchegar o rosto ao peito largo.

– Bom dia – disse ele, incapaz de impedir a onda de desejo que invadiu cada célula de seu corpo.

– Passei em seu escritório e não o encontrei. Fiquei preocupado – disse ele recuando.

Jeongguk inclinou a cabeça para o lado.
– Preocupado?

– Está sempre em seu escritório a esta hora – retrucou Jimin em um tom de voz leve. – Quando não consegui encontrá-lo em mais nenhum lugar da casa, pensei… pensei que talvez tivesse partido.

As mãos longas pousaram nos ombros de Jimin e os apertaram em um gesto tranquilizador.

– Não partiria sem avisá-lo, pedhaki mou. – Estivera tão distante, tão arraigado em seus esforços em evitá-lo que o fizera esperar uma atitude como aquela da parte dele? Se esse fosse o caso, não poderia culpá-lo. Incluindo a srta. Kang e o dr. Karounis, havia colocado um verdadeiro arsenal de
pessoas entre eles.

– Gostaria de fazer uma caminhada comigo? – perguntou ele. – Sempre passeio de manhã pela praia enquanto você está trabalhando. Isto é, se não estiver muito ocupado?

Jeongguk lhe segurou a mão e a levou aos lábios.

– Nunca estou muito ocupado para você e para o nosso filho. Mas não deveria descansar?

Um suspiro exasperado escapou dos lábios de Jimin enquanto ele soltava a mão e levava os dois punhos cerrados aos quadris.

– Pareço estar precisando de descanso? – A raiva e o desapontamento lhe faziam brilhar os olhos. – Ouça, se não quiser me fazer companhia, é só dizer, mas pare de repetir o mantra “você precisa descansar” – dizendo isso, ele se virou e saiu pisando duro pela areia, deixando-o parado lá, como se tivesse recebido um soco no peito.

Jeongguk passou uma das mãos pelos cabelos e o observou se afastar, apressado, para só então o seguir. Os pés espalhando areia para todos os lados na tentativa de fechar a distância entre os dois.

– Jimin! Espere. – Ele chamou, segurando-lhe o cotovelo. Quando o girou, foi atingindo em cheio pelas lágrimas que rolavam pelo rosto delicado. Jimin virou a cabeça para o lado, limpando as lágrimas às cegas com a outra mão.

– Por favor, vá embora – disse ele com voz engasgada. – Vá fazer o que quer que faça com o seu tempo. Aguardarei minha hora marcada com você à tarde.

As palavras soaram amargas, repletas de mágoa e deixaram claro que ele não conseguira enganá-lo com toda aquela distância que colocara entre os dois. Jeongguk esticou o braço e lhe tocou o queixo, erguendo-o até que ele o encarasse. Com a ponta do polegar, limpou uma lágrima que corria pelo rosto delicado.

– Não temos hora marcada.

– Não? – Jimin se soltou e recuou até colocar uma respeitável distância entre eles. – Tenho tentado ser paciente e compreensivo, embora não consiga entender nada do que está acontecendo. Nem a você nem mesmo a mim. Não consigo decifrá-lo, Jeongguk, e estou cansado de tentar. Esforcei-me para ser forte e tolerante, mas não posso continuar assim. Estou apavoradk. Não sei quem sou. Acordei e me descobri grávido, com um estranho em minha cama que afirma ser meu noivo e pai do meu filho. Qualquer um pensaria que isso seria o suficiente para me julgar amado e tratado com carinho, mas todas as suas ações só conseguiram me deixar ainda mais confuso. Você alterna entre quente e frio e nunca sei qual dos dois esperar. Não posso suportar isso.

Um frio aterrorizante se espalhou pelo peito de Jeongguk, comprimindo-o até lhe dificultar a respiração.

– O que está dizendo? – Ele quis saber.
Jimin lhe dirigiu um olhar cansado.

– Por que está se casando comigo? É apenas por causa da criança?

Linhas profundas vincaram a testa de Jeongguk. Não o agradava ser pressionado daquela forma.

– Está cansado e transtornado. É melhor voltarmos para casa e continuarmos essa conversa em um lugar mais aqueci…

Jimin o cortou com um gesto brusco de mão.

– Não estou cansado. Não estou transtornado e quero que pare com essa superproteção. Nem mesmo acredito que se preocupe tanto. Isso não passa de uma conveniente barreira atrás da qual se esconde quando começo a lhe fazer perguntas.

Jeongguk abriu a boca para refutar aquelas palavras, mas paralisou. Não poderia negar a verdade. Ainda assim, não queria que ele se aborrecesse. Certamente aquilo não faria bem para o bebê.

– O que há no meu passado que tanto me assusta? – sussurrou ele. – A noite passada me aterrorizou. Acordei esta manhã com a sensação daquele medo e não por não poder me lembrar, mas por ter medo de me lembrar. – Jimin o encarou, ansioso, com uma súplica estampada no olhar. – Conte-me. Preciso saber. Como era nossa relação antes? Como nos conhecemos? Estávamos de fato apaixonados?

Jeongguk virou-se na direção do mar e enfiou as mãos nos bolsos de trás da calça.

– Você trabalhava para mim – disse em tom áspero.

Jimin se moveu até se posicionar ao lado dele, sem tocá-lo, mas perto o suficiente para que ele lhe escutasse a respiração alterada.

– Trabalhava? No hotel?

Jeongguk negou com um gesto de cabeça.

– Nos escritórios da empresa. Era meu assistente.

Jimin o encarou chocado.

– Mas JooHyun é sua assistente e parece muito adaptada ao cargo. Como se o ocupasse há anos.

Um sorriso breve curvou os lábios de Jeongguk.

– Não foi meu assistente por muito tempo. Eu estava determinado a tê-lo em minha cama. Convenci a pedir demissão e ir morar comigo. Você significava uma distração à minha concentração no trabalho.

Jimin não pareceu lisonjeado com a revelação. A testa se encontrava enrugada em uma expressão preocupada e os lábios se curvavam para baixo.

– Então, tornou um hábito me colocar onde lhe era mais conveniente – murmurou ele.

Jeongguk xingou em silêncio, porém, mais uma vez, não podia negar que sempre tivera a sedução em mente no que se relacionava a ele. – E eu permiti isso? – Jimin perguntou. – Simplesmente pedi demissão e fui morar com você? 

Jeon deu de ombros.

– Parecia tão feliz em estar em minha companhia quanto eu em estar ao seu lado.

As linhas que vincavam a testa de Park se aprofundaram enquanto ele envolvia o abdome saliente com as mãos em um gesto protetor.

– Nosso bebê foi planejado?

Jeongguk inspirou profundamente. Aquele era um ponto nevrálgico que tinha de contornar com cuidado.

– Não diria planejado, mas a notícia de sua gravidez certamente não foi mal recebida.

Se aquilo era possível, a resposta o deixara ainda mais entristecido. Os ombros de Jimin se curvaram para a frente enquanto ele virava de costas, mas não sem que antes  de Jeon percebesse a nova leva de lágrimas que lhe banhava os olhos.

Com um suspiro, o moreno o puxou e o envolveu nos braços.

– Por que está tão triste esta manhã, pedhaki mou? O que posso fazer ou dizer para fazê-lo se sentir melhor?

Jimin ergueu os olhos úmidos pelas lágrimas.

– Pode parar de me evitar, de usar a preocupação com minha saúde e a do bebê como desculpa para me tratar como um inválido. Pode parar de tratar o meu passado como se fosse algo do qual não tenho direito de saber.

Os lábios finos se comprimiram.

– Tentarei ser menos zeloso com sua… saúde, embora me reserve o direito de me
preocupar.

E então, um sorriso curvou os lábios de Jimin, atingindo-o como um golpe certeiro que quase o fez cambalear para trás. Não havia percebido o quanto a felicidade de Jimin era importante para ele. Seria louco por se preocupar tanto, quando ele não se importara nem um pouco com sua felicidade no passado?

Inclinando-se para beijá-lo, ele se viu pressionado ao corpo forte enquanto os lábios eram devorados pelos dele.

– Obrigado – disse quando recuou. – Só quero… – Jimin se calou sem conter a ansiedade no olhar, antes de desviá-lo.

– O que quer, pedhaki mou?

Jimin voltou a encará-lo.

– Quero que sejamos felizes – respondeu com voz rouca. – Quero ter certeza do lugar que ocupo em sua vida. Quero me lembrar, porém mais do que isso, quero sentir que tenho mais do que uma pequena porção de você e do seu tempo.

Jeongguk o observou pensativo. Jimin nunca fora tão direto antes da amnésia. Mostrava-se tímido e hesitante em dar voz a seus desejos e anseios. Mas teria ele se sentido assim antes? Teria se ressentido de suas longas ausências? Do modo como o encaixava em sua vida como lhe conviesse?

Teria sido aquele o motivo que o levara a agir de forma tão leviana? Fora aquele ato uma forma de lhe chamar atenção?

– Também quero muito que você seja feliz, Jimin. E embora não possa convencê-lo do lugar que ocupa em minha vida com meras palavras, talvez possa provar isso ao longo do tempo.

O sorriso de Jimin o aqueceu por inteiro. Era como ver o sol surgir no horizonte. Ele esticou as mãos para segurar as do maior.

– Venha caminhar comigo – convidou.

Incapaz de lhe negar qualquer coisa naquele momento, ele o puxou para perto e os dois começaram a passear pela praia.


Notas Finais


Finalmente Jimin soltou os cachorros no Jungkook 👺

Vamos a pergunta do dia: vcs preferem uma atualização na semana, uma atualização todo dia ou duas na semana em dia alternados? Vale lembrar que a estória tem 16 capítulos e o epílogo.


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