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História Trans rights (jikook) - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Programas de culinária


Hora de levantar. Olhei a hora no despertador, resolvi que não, não era hora de levantar. Infelizmente meu sono não durou muito, minha mãe bateu na porta do quarto.

Me levantei, fiz tudo que devia fazer, e desci as escadas. Fui em direção a cozinha para tomar café. Ainda usava meu pijama, uma camiseta velha e gigante de uma banda que eu nunca se quer ouvi em toda minha vida. Abri a geladeira e tinha somente leite, algumas cervejas e uma batata, batatas são boas.

Peguei o leite e depois fui até o armário, peguei o cereal e uma tigela. Me preparei e fiz o ritual que tenho que fazer todas as manhãs, molhar meu girassol, depois coloquei o leite na tigela e por fim o cereal. Jin odeia o fato de eu colocar o leite primeiro.

Peguei a tigela e fui até a sala, minha mãe estava sentada assistindo a um programa de culinária, odeio esses tipos de programas. Ela me olhou e bateu a mão no sofá, indicando que eu devia sentar. Coloquei a tigela em cima da mesinha de centro e a encarei, depois a televisão.

Motivos para odiar programas de culinária:

Motivo 1: são chatos;

Motivo 2: qual o sentido se eu vou ficar com fome e não vou saber fazer nada;

Motivo 3: minha mãe começou a assistir eles até demais depois do divórcio, acho que é um meio dela tentar esquecer então finjo que não ligo.

Me sentei no sofá, na televisão tinha um cara que estava desesperado porque a carne não tava no ponto. Peguei a tigela e comecei a comer o cereal, minha mãe permanecia concentrada na tv.

— Acho que vou tentar fazer esse prato - quase engasguei — O que acha?

— Você lembra da última vez que tentou fazer algum prato desses programas?

— Aquilo foi um acidente e ficou gostoso mesmo assim — a encarei e ela fez o mesmo comigo, começamos a rir — Tá, talvez não tenha ficado gostoso. Ficou só um pouco queimado.

— Quem dera se o queimado tivesse sido só a comida — ela beliscou o meu braço — Ai, viu por isso sua comida não dá certo.

— O que tem haver eu te beliscar com a comida? — começou a me dá várias beliscadas.

— Karma. Agora deixa eu comer.

— Quantas horas? — olhou o celular — Vou me atrasar pro trabalho.

— Karma — disse de boca cheia enquanto ela corria pra subir as escadas e se arrumar.

Minha mãe é uma pessoa incrível, tipo, ela é realmente a melhor mãe do mundo. Não faço ideia de como meu pai, um homem bem idiota por sinal, conseguiu conquistar essa mulher.

Meu pai e minha mãe haviam se divorciado a um ano, acho que minha mãe tá indo melhor do que ele. A única coisa que mudou nela depois do divórcio foi esses programas de culinária, mas acho que ela tá bem. Enquanto meu pai, ele sempre foi um idiota, não mudou nada, continua o mesmo merda só que agora divorciado.

Sou obrigado a vê-lo pelo menos uma vez por mês, odeio ele mais que tudo.

Motivos pelos quais odeio o meu pai:

Motivo 1: ele é um babaca;

Motivo 2: ele ainda me trata no feminino;

Motivo 3: já disse que ele é um babaca?

Tinha me assumido dois meses depois do divórcio, meu pai disse que era invenção da minha cabeça e pediu para minha mãe me levar ao médico. Ela ficou uma fera com ele. Minha mãe me trata no masculino desde que eu me assumi, ela na verdade me aceitou mais do que eu mesmo. Ela é ou não é a melhor mãe do mundo?

Minha mãe saiu correndo pela sala e foi em direção a porta.

— Tem resto de comida na geladeira, mas se quiser pode fritar alguma coisa. Estou indo, tchau!

Agora estou sozinho, não tem mais nada pra fazer. Meu celular vibra, há uma nova mensagem. Vejo que é Duda, meu amigo virtual, ele é incrível.

Conheci Duda já faz um ano, no mesmo dia que meus pais se divorciaram. Desabafei com ele de uma maneira, até que assustadora, pra uma pessoa que eu acabei de conhecer. Ele também contou coisas sobre ele, depois de um tempo de mais ou menos dois meses, nunca mais paramos de conversar. Agora somos amigos virtuais, fazemos vídeo chamada toda semana.

Ele mora do outro lado do país, em uma cidade chamada Solar. Eu moro nessa cidade um tanto chata chamada Via Láctea, ela é bem pequena com menos 30 mil habitantes.

Duda

Mano vc ñ vai acreditar no que eu escrevi


Eu

Na fanfic? 

O que?


Duda

Sabe o Callum?

Ele vai morrer


Eu

Qual caralhos é o seu problema?

Pq ele vai morrer ?


Duda

Pq eu quero

Fim.


Eu

Toma no teu cu



Depois disso vi que ele ficou offline. Duda e eu escrevemos fanfics de The Dragon Prince, é a nossa série preferida, e nas fanfics de Duda ele sempre tem que matar alguém, sempre. Eu fico puto com isso, tipo, você tá lá de boa lendo sua fic, aí vai lá sem nenhum aviso, sem nenhum porquê, o principal morre. Minhas fics tem sempre final feliz, elas tem pouca visualização, mas tem pelo menos final feliz.

Uma outra coisa que descobri sobre Duda, assim que eu contei que era trans, é que ele também é. O pronome agora era ele/dele, ele é gênero fluido. Há um a ano ele usava feminino, demorei a me acostumar mas depois foi fácil. 

Resolvi ir até meu quarto. Peguei meu caderno de desenhos e fui em direção a mesinha. O celular vibrou novamente, agora era uma mensagem do Hoseok me convidando para ir a casa dele hoje, não respondi. Deixei o celular no volume alto e escolhi uma música, Class Fight da Melanie Martinez, tive a ideia de desenhar um rosto todo machucado.

Eu amo desenhar, isso me deixa tão... Tão... Eu não sei descrever, são tanto sentimentos bons que é impossível explicar sobre eles. Desenhar simplesmente me deixa feliz.

Ainda estava fazendo o rascunho até receber outra mensagem, era da minha mãe.


Mãezinha

Então, o Hoseok me disse que vai ter uma festa na casa dele hj. Vc devia ir.


Eu

Mas eu tô ocupado


Mãezinha

Com o quê? 


Deixei o celular de lado, precisava inventar uma desculpa. Não consegui pensar em nada que não tivesse usado, me fudi.


Eu

Desenhando


Minha mãe visualizou a mensagem mas não respondeu, dois minutos depois ela estava me ligando. Não atendo, deixo o meu celular de lado e volto a desenhar.

Meu celular vibra novamente, outra mensagem. Vejo pela barra de notificações, era minha mãe, ela dizia: "Se esforce pelo menos um pouquinho pra ir nessa festa, seus amigos sentem falta de vc. E além disso faz muito tempo que vc não sai". 

Ela estava certa, fazia já um certo tempo que eu não saia. Fui até a conversa com o Hoseok.


Eu

Que horas vai ser?


Hobinho

Vai ser lá pra umas 19:00


Hobinho

Aparece lá, quero vê essa sua cara linda


Não respondi a mensagem. Talvez eu vá, eu realmente tô com preguiça e vai ter muita gente. Outra coisa é que eu odeio festas, tem pessoas nelas.

Perdi a vontade de desenhar, volto pra sala e procuro alguma coisa na tv. Desisto e vou para Netflix, vou assistir pela quarta vez The Dragon Prince.

Essa série é incrível, ela tem uma história perfeita e tem também representatividade. O Callum é birracial, sua mãe era asiática amarela e seu pai provavelmente é branco. Rayla é uma elfa, tipo ela é forte pra caralho e muito inteligente. Ezran, meio irmão de Callum por parte de mãe, também é birracial, seu pai é negro e é o rei. Game of Thrones chora ao ver isso.

Ainda são dez horas, já está chato. Ouço um miado, é Rayla, minha gata. Ela pula encima do sofá, onde estou deitado, e fica encima da minha barriga fazendo uma massagem com as patinhas e por fim de deita. Ela está piscando os olhos lentamente mas abre eles de forma rápida pelo susto, alguém tinha batido na porta. Mesmo de pijama fui atender, minha gata não gostou muito.

— Jungkook eu vim o mais rápido possível. Hobi disse que você ia a festa — era Jin, que falava de um jeito animado.

Ele morava a dez minutos daqui, deve ter vindo de Uber.

— Eu não disse que iria, só perguntei que horas ia ser — abri espaço para Jin estrar, ele possuía ombros largos e seu cabelo estava loiro. Vestia uma camisa de manga média rosa e usava um jeans meio largo e escuro, também usava um all star rosa.

— Sua mãe já foi trabalhar? — assenti com a cabeça — Ótimo, vamos no shopping.

— Não quero — Jin já estava subindo as escadas para meu quarto.

— Eu não perguntei se você quer. Nós vamos e ponto final, você precisa comprar roupas novas — o acompanhei até o meu quarto — Sua mãe me disse que suas roupas já estavam velhas, que algumas já estavam até rasgadas.

Estávamos no meu quarto. Jin checava meu guarda roupa, que não tinha muita coisa. Não gostava tanto de ter muitas roupas, me deixava indeciso, estão tinha somente o necessário mas realmente, todas já estavam meio gastas.

— Não dá pra ir na festa com umas roupas dessas — ele pegou minha camisa favorita — Jungkook, olha isso, ela está rasgada — colocou o dedo no rasgo que ficava na manga.

— Não faz isso, vai rasgar ainda mais.

— Eu não fiz nada, o tecido que já está podre — Jin jogou a blusa pra mim — Suas roupas são todas pretas.

— Você não tem nada que reclamar das minhas roupas, as suas são todas rosa.

— Isso é uma grande mentira. Sim, eu tem muitas roupas rosa, mas tem de outras cores — olhou pela última vez para meu guarda-roupa — Você ainda não passou da fase gótica, né?

— Eu não sou gótico, só gosto de usar preto.

— Tá, vou fingir que acredito. Que tal a gente comprar umas roupas vermelhas, azul, branca... — ignorei tudo que ele falou — Acho que você nem escutou, olha, tá pode ser tudo preto mas que tal amarelo e cinza. Você ama essas cores.

— Ok, por mim tudo bem. Todas elas eu vou escolher? — Jin concorda — Tá bom.

— Ótimo, agora se vista com alguma roupa que não esteja rasgada e vamos ir as compras.

Jin ficou me encarando e eu continuava parado.

— Acorda Jungkook, anda logo — meio que sem eu querer fui em direção ao guarda-roupa.

Escolhi uma calça de tecido fino preta, minha blusa era praticamente igual ao meu pijama, só que sem os rasgos. Me troquei na frente do Jin, éramos amigos afinal.

O Jungkook da primeira carta nunca ficaria pelado na frente de outra pessoa, mesmo que essa seja seu melhor amigo. Esse Jungkook de um ano atrás ainda não tinha se aceitado de certa forma, o de agora mesmo se aceitando tem medo, eu não do que é, mas tenho medo.




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