História Transbordando Ódio - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassino, Drama, Mistério, Poderes, Violencia
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Palavras 2.491
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Poesias, Policial, Romance e Novela, Seinen, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


REVISÃO: Chegou até aqui e está perdido em alguns termos? Confira:

Õnnis: Pessoas que ganham uma segunda chance após a morte, retornando então, com um poder/habilidade especial que possa ajudá-la a terminar sua missão em vida.

P.U.R.G.E.: Grupo de õnnis que elimina o que, para eles, é a escória da humanidade (mafiosos, estupradores, traficantes, pedófilos ou exploradores). Possuem, dentre seus ideias, manter a sociedade dos humanos mais limpa e protegida.

Col Blanc: Grupo de õnnis que visa adquirir poder sobre humanos e outros homens, além de sucesso e riquezas. Utilizam de meios ilegais para alcançarem o que cobiçam. Eles financiam o mal.

Medusa: Grupo formado por õnnis que defendem uma sociedade dos õnnis separada da sociedade humana, concebendo suas próprias leis e sistema monetário, buscando um ideal de vida superior ao que se entende por vida humana. Eles acreditam estarem em um patamar espiritual superior.

Capítulo 12 - Velha Infância


De tanto apanhar, eu já nem sinto dor

Palavras ferem mais que o soco do agressor

Quem traz pra dentro o que se encontra ao redor

Tende a ficar somente com o que há de pior

 

Naquela noite, Dea havia me levado para a minha primeira missão. Fui usado como uma isca e, quando pensei que tudo estava acabado, fomos salvos e a missão concluída. Um representante de uma transportadora de drogas holandesa e um emissário de uma empresa de tráfico de drogas conhecida no estado. Todos aqueles homens formato, e toda a credibilidade dessa merda iria para a Col Blanc. A ideia da missão era, basicamente, limpar a cena do crime e dar um "sumiço" em todos os empregados envolvidos, para que tanto os holandeses, quanto os traficantes, ficassem com um pé atrás, apesar de que a Col Blanc claramente iria desconfiar de nós.

Após o ocorrido, entramos no carro em que eles vieram, eu fiquei completamente sem jeito por estar apertado entre Dea e Russ no banco de trás — Talvez amenize a venda de drogas por uns dias por aqui — Disse Justin. Ele era o õnnis conhecido por Ace, significado que só fui entender após ver um ás de espadas enorme nas costas da jaqueta preta. Até aí eu não havia entendido o que "Ace" tinha a ver com o poder dele, que me pareceu ser algo relacionado à impulso.

— O que importa é que eles nem vão nos notar, já que vão limpar a bagunça — Setsuna acrescentou. Eu não tinha entendido ela direito, parecia estar feliz ao matar, sempre fazendo expressões nojentas de japonesa fofinha, mais nojento ainda com a cara ensopada em sangue. Seu poder também não me foi revelado ali, já que ela usou dentro do prédio (eu sequer à vi chegar no local), mas ela era conhecida como Angel of Darkness.

— Não, burra! — Dea respondeu, veemente rude — Eles vão saber logo.

— É... — Ciro abriu a boca, pela primeira vez dentro do carro. Nem precisei perguntar o que eles queriam dizer com "eles", eu consegui captar rapidamente do que se tratava.

Enquanto Setsuna fazia um draminha dentro do carro, mostrando claramente que ela era uma garota infantil e birrenta - chata pra cacete - Justin dirigiu até chegarmos em uma casa simples, de um único andar, tinha as paredes meio acabadas, mas até que o jardim na frente era bonito e a casa parecia grante. Estacionamos diante da porta e descemos — Residência universitária 08704 — Dizia uma placa na frente da casa.

— Olha só quem chegou! Entrem aí! — Um rapaz alto, pardo e careca abriu a porta, ele estava com uma garrafa na mão e usava piercings no nariz — Iai, gatinha? — Ace passou por ele e foi entrando, junto com Ciro, enquanto Dea se esticou um pouco pra beijar o cara que tinha aberto a porta. Fiquei olhando aquela situação meio sem graça, não foi do meu costume em todos esses anos ver pessoas se beijando... e o pior: A bruta da Dea tinha um namorado — Você deve ser o cara que salvou a minha garota, né? — Ele abriu um sorrisão enorme, fiquei todo sem jeito. Ele saiu dos braços dela e me abraçou forte, eu claramente fiquei assustado, enquanto Russ e Dea riam de mim.

— É, sou eu...

— Nossa, cara! — Ele me soltou e ficou me olhando dos pés à cabeça — Eu sou o Alex, é um prazer! — Aquele jeito todo animado tava me dando uma agonia, nem sorrir forçado pra ele eu consegui, eu tava muito envergonhado.

Entramos na casa, estava tudo bagunçado. Desde louças espalhadas pela casa à caixas de pizza largadas na sala. O lugar era simples, mas consideravelmente grande. Todos eles me olhavam em meio à conversas e risadas, eram jovens que tiveram suas vidas tiradas, tiraram vidas e, ainda assim, conseguem viver nesse mundo como se nada de louco estivesse acontecendo. Eu não engolia aquilo.

— Por que não mostra o poder pra gente? — Aquilo foi comigo, eu nem tinha me tocado, estava pensando na expressão do rosto do homem no qual eu enfiei uma faca — Tão te chamando de Schredder, deve ter a ver com o que vi no jornal — Russ continuava a forçar o assunto, enquanto eu só olhava pra baixo com os olhos quase fechados — Ciro contou o que você fez dentro do reformatório — Eu continuei calado.

— Você deve ter uma história — Disse Ciro, sentando do meu lado, no braço do sofá, com uma garrafa de cerveja barata na mão — Cada uma aqui tem a sua — Minha história? Eu nunca fui de confiar em ninguém para estar falando isso. Eles não eram meus amigos, eles eram falsos justiceiros, falsos moralistas, que achavam que podiam resolver todos os problemas da humanidade matando... não que eu fosse muito diferente, mas minhas causas eram pessoais — Eu, por exemplo, cresci ajudando meu pai na pizzaria do bairro — Ciro começou a contar, tornei a focar, sem querer, no que ele estava dizendo — Ele tinha uma maldita dívida de empréstimo, que foi cobrada com a vida — Todos ficaram em silêncio, prestando atenção na história — Nós morávamos praticamente em cima da pizzaria, era o mesmo prédio, embro de estar no meu quarto lendo a história em quadrinho do demolidor. Senti o cheiro de queimado e pensei: "Pensei que já estivéssemos fechados, será que papai esqueceu o fogo aceso?" — Ergui o rosto e já estava me envolvendo com o que ele tinha pra contar. O assassino mais perigoso do reformatório estava do meu lado, a história que vi nos jornais estava sendo contada por ele — Desci as escadas e vi as cadeiras do restaurante queimando, ateando fogo pelas paredes, fazendo uma trilha pela madeira quebrada até um foco de labareda. Meus olhos seguiram lentamente até notar que o corpo do meu pai esta sendo feito de churrasco, ele sequer gritava, mas eu pude ver a expressão daquele homem trabalhador, chorando de desespero por ter falhado com seu único filho.

— Essa história nunca perde o clímax — O comentário solto do nada por Setsuna não me tirou do transe, de imaginar profundamente aquela cena.

Ciro tomou um gole da sua cerveja e continuou — Olhei pro meu velho morrendo, sabia que tinha acabado, mas eu me perguntava porque alguém faria isso com um homem tão bom — Ele deu uma pequena pausa, eu olhei pra ele de lado. Estava olhando nos meus olhos, como das outras vezes — Naquele instante eu ouvi uma voz aguda e rasgada dizendo: "O moleque tá vivo!". Eu me assustei e olhei para a porta, um daqueles homens de negócios, com quem meu pai fazia acordos estava lá, me olhando, usando aquele sobretudo preto com um chapéu de mafioso. Olhei pra baixo e vi que meu pai já estava completamente em chamas, não tinha ninguém pra me defender — Eu olhei pra frente, todos estavam concentrados. Por mais que parecessem já ter ouvido essa história, eles pareciam se sentir tocados pela história de Ciro — Vi os outros homens voltando ao local para atear mais fogo, eu só tentei fugir, mas não foi o suficiente.

— E então? — Perguntei.

— Então eu fechei meus olhos, senti meu corpo se queimando, eu estava morto. Naquele momento eu lembrei do rosto de cada um dos cinco homens da milícia que matou meu pai, lembro de desejar amargamente a morte de cada um deles e de sentir o quão injusto era eu morrer sem ter feito nada pelo meu pai — Ele se levantou e pegou uma fatia da pizza fria na mesa de centro — Daí aconteceu toda aquela putaria de Girei, poderes, foi bem tranquilo... lembro do meu olho brilhar quando senti que poderia vingar meu pai.

— A sensação de ter o poder é única — Comentou Dea.

— É... — Concordou Ciro — Quando acordei, vi queimaduras horríveis em mim, mas nada o suficiente para me parar — Ele realmente tinha uma cicatriz enorme no tronco — Cacei um por um, até ir parar no reformatório — Ficamos alguns segundo em silêncio, a história de Ciro também era forte. Eu nunca soube o que era ter um pai, ele soube e ainda o viu ser queimado vivo, eu queria entender o sentimento — Sabe, Eilif — Tocou meu ombro — Depois de matar o primeiro, depois do primeiro pescoço fora, você nunca mais será o mesmo, não vai mais fugir disso — Era odioso aceitar essa realidade — Hoje eu não sou o garoto "Ciro da Pizzaria Italiana", sou Bestia "o assassino animal" para os humanos, sou Bestia "um projeto de õnnis perigoso" para a nossa sociedade — Concluiu.

Eu podia odiar, mas tinha que concordar que, com certeza, eu não era mais o mesmo Eilif Polona.

— Meu próprio pai me matou — A voz de Russ, pela primeira vez séria, entrou suavemente pelo meu ouvido, me dando um choque — Ele sempre notou que eu não era o que ele queria. Filho de uma família tradicional, hereditariamente militar, meu pai esperava de mim uma pessoa que seguisse seus trilho — Mas, obviamente, Russ não era isso — A dor de um pai conservador ao ver traços femininos no primogênito — Aquilo parecia doloroso — Apanhei a vida toda, ele tentou me corrigir... Nada adiantava, eu nasci homossexual, nasci do meu jeito e nunca pude mudar isso, mas, cara, você não sonha o quanto eu me culpava pelo meu coroa não me amar. 

— Horrível a ingenuidade de uma criança — Comentou Alex, o namorado de Dea.

— Sim — Continuou Russ — Aos 16, ele viu que não tinha jeito, viu que não podia fazer nada além de me matar, era vergonhoso para ele as risadas dos colegas de trabalho pelo filho mais velho ser "uma garotinha" — Ele respirou fundo e começou a tocar o próprio pescoço — Meu pai me matou enforcado na banheira de casa, asfixiador profissional com muita força — Ele fechou os olhos e começou a olhar pra baixo — A história poderia ter sido diferente. Quando fui para a redoma, foi difícil pra mim entender que meu pai era um monstro, mas Girei me fez sair de lá com um sentimento perigoso de ódio.

— Entendo bem — Foi exatamente o que aconteceu comigo, eu tinha a certeza de ter morrido bom e puro, e de ser assim até o momento em que senti o poder dentro de mim.

— Matei meu pai sem pensar duas vezes, foi a primeira coisa que fiz depois de levantar daquela banheira, mas eu cometi um erro — Olhei pra ele, com a dúvida nos meus olhos — Deixar a porta aberta. Meu irmão de 14 passou pela porta e me viu sentado no chão, com o corpo do nosso pai, completamente baleado, jogado na banheira — Uma lágrima estava descendo de um dos olhos de Russ — "O que você fez com o papai, Russ?... Russ?!" Ele dizia. Meu irmão entendeu na hora, ele era inteligente, atlético, hétero. O filho que meu pai sempre sonhou — Russ enxugou o resquício de sentimento líquido que escorria pelo seu rosto e continuou a falar — Fui para o reformatório, com minha mãe desesperada e indo parar num hospício, enquanto meu irmão mais novo me jurou de morte, disse que me mataria assim que eu estivesse livre.

— Porra... — O palavrão se soltou sozinho da minha boca. Nunca tive um irmão, mas perdi alguém que amava, sem que essa pessoa morresse (Lucille), alguém que nunca mais viria.

— A dor de não ter uma casa para voltar é o que faz eu me manter aqui, eu sei que não tenho mais uma chance no mundo humano, mas sei que posso construir uma sociedade melhor, para que pessoas como eu e meu irmão não precisem se odiar.

Ficamos em silêncio, até que Dea saiu dos braços do namorado e ficou olhando para mim — Eu sou órfã desde que me entendo por gente. Cresci no subúrbio, sendo criada pela minha irmã mais velha — Era a vez de Dea contar a história dela — Eu tinha seis e ela treze quando a perdi. Minha irmã se prostituía tão nova para poder dar um pão pra eu comer diariamente. O que aconteceu com ela foi horrível — Ela respirou fundo — Forçada a fazer o que não queria, estuprada até a morte, era o que diziam.

— Eu lamento...

— "Puta", "Ela mereceu", era o que diziam sobre a minha irmã, foi aí onde o ódio nasceu em mim, eu deixei de ser pura antes de me tornar um õnnis. Eu virei uma delinquente, roubei, transportei droga, mal tratei pessoas mais novas. Tudo isso até chegar aos 13, quando finalmente um policial me pegou furtando uma senhora de madrugada, ele viu aquela garotinha valente num corpo frágil, sentiu que pudesse usar de alguma maneira — Eu não tava acreditando no que tava ouvindo, meu corpo começou a queimar por dentro, meu sangue corria rápido nas veias, só de imaginar que um policial tivesse feito algo com Dea — Felizmente, ele não conseguiu me estuprar, eu resisti, mas foi exatamente isso que fez ele me matar. Eu fugi, corri, ele entrou no carro e me matou atropelada.

— Depois da redoma, a Dea começou a usar o poder dela para roubar, até que descobrimos que tinha uma õnnis de 14 anos agindo no subúrbio da cidade — Comentou Justin (Ace), que estava lavando as louças na cozinha — Whillemberg e eu a levamos pro reformatório e começamos a trabalhá-la aqui — Eu sequer liguei para o que ele tava falando, a partir do momento em que imaginei Dea sendo abusada, sendo morta por causa do desejo de um homem, senti aquela semelhança no fundo e o rosto dele me apareceu.

Eu me impressionei de verdade em ver como eles conseguiam estar ali, inseridos na sociedade, rindo, mesmo depois de ter sofrido ou matado, era muito complicado lidar com a dor de estar virando um monstro, eu não os entedia. Afinal, essa não é uma história de como Dea, Ciro, Justin, Russ, Alex ou Setsuna se tornaram cidadãos, mesmo depois de terem se tornado õnnis. Não é uma história de como eles eram felizes, é uma história de como aquilo era um inferno pra mim, de como eu não sabia lidar com meu próprio sentimento — O ódio.

Comecei a tossir, sentia lágrimas escorrendo no meu rosto, que estava coberto pelo cabelo, enquanto eu olhava pra baixo. Eles ignoraram e continuaram a conversar, acho que Setsuna estava começando a contar sua história, mas a partir dali eu já não me concentrava mais. Comecei a chorar, sentia uma dor ardente de acentuando no meu estômago, me contorci de dor até cair do sofá no chão, de frente — Eilif?! — Ciro e Alex rapidamente levantaram e me ajudaram a me erguer — O que tá acontecendo — É como eu disse, essa história é sobre o inferno que eu estava vivendo, ninguém ali tinha um poder escroto e nocivo ao próprio como o meu. Eu me distrai demais, não pensei o suficiente para lembrar que não tinha usado meu poder durante dois dias inteiros, os efeitos colaterais viriam — Levem ele para um quarto! — Ciro e Alex iam me carregando para algum lugar, todo o meu corpo queimava por dentro, eu precisava usar meu poder de alguma maneira, eu sabia exatamente o que aconteceria.

CONTINUA.


Notas Finais


Espero que estejam gostando. A partir daqui vou demorar cerca de uma semana para atualizar a história, minhas aulas na Universidade começaram.


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