História Transbordando Ódio - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassino, Drama, Mistério, Poderes, Violencia
Visualizações 14
Palavras 2.155
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Seinen, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Estou animado por ter uma quantidade considerável de pessoas acompanhando a história de Eilif Polona, vocês que possuem conta na spirit, comentem o que estão achando, isso geralmente me estimula muito a tentar melhorar.

Outro detalhe: Um leitor me atentou para alguns erros bobos de ambiguidade. As vezes acontece por eu não revisar detalhadamente antes de publicar.

Recomendação de trilha sonora nas notas finais < < <

Capítulo 5 - Crime


Fanfic / Fanfiction Transbordando Ódio - Capítulo 5 - Crime

Faça meu sangue correr

Antes que eu me desfaça

Salve-me desse nada que me tornei

 

— ...O corpo do jovem foi encontrado dentro do banheiro coletivo do reformatório, partido em duas partes em um corte vertical. O homicídio foi digno de um assassino profissional, na cena do crime havia ainda um pé de cabra. A polícia investiga dentre os alunos do reformatório aqueles com precedentes criminais que se adequem ao ocorrido. De acordo com a perícia, o corpo do jovem August Duckhad foi encontrado com os dedos da mão direita decapitados. Seguindo o rastro de sangue seco deixado nos corredores do prédio, a perícia ainda encontrou os dedos dentro de um alçapão de esgoto que estava aberto. De acordo com a coordenação do reformatório, esse alçapão sempre se manteve trancado e fora criado para ser utilizado apenas em questões de emergência e manutenção. 

Eu não havia conseguido dormir de maneira alguma, não era tão simples assim, eu acabava de matar uma pessoa —  MATAR! Tirar o direito de alguém de viver! — Apesar dele ter contribuído diretamente para a minha morte, naquele mesmo lugar, meu sentimento de culpa por me igualar me matava tanto quanto o ódio que me pedia mais. Muitas lembranças se passaram na minha cabeça no instante em que August abriu aquela porta e meus olhos o cortaram ao meio como se fosse um pedaço de carne, mas a mais eminente não era uma ruim, e sim de quando eu estava sendo expulso para o reformatório e a cuidadora da Casa dos Anjos me mandou virar homem — Talvez eu realmente tenha virado naquele instante. Era aquilo que eu era, homem, assassino, com uma sede insaciável de vingança.

— Eilif, acorda! — Eu estava atrasado no dia seguinte, visivelmente cansado — O diretor do reformatório quer interrogar você — Um dos garotos que dividiam quarto comigo me chamou.

— O que?! — Me levantei e me vesti rápido, eu estava realmente fodido. Assim que saí do quarto os guardas me algemaram e foram me conduzindo até o setor administrativo do reformatório, onde estava a sala do Diretor. Durante o caminho eu segui calado, se passava na minha mente a dúvida de qual ponto eu havia deixado se furar. Nenhum guarda havia me visto com August naquela noite, eu lavei meu uniforme ensanguentado e troquei por outro seco na lavanderia, eu realmente achava não ter deixado rastros, mas ainda havia a menina do esgoto que eu havia salvado. O que porra ela tava fazendo ali? Era tão errado ela estar lá quanto nós, então com certeza ela não iria se entregar dizendo que nos viu no subsolo do reformatório. Teria alguém ouvido os gritos? Se algum guarda tivesse escutado a gente, com certeza teria nos parado de algum jeito.

Não havia resposta até entrar naquela sala, uma porta com o nome "Direção Administrativa" em uma placa. Os guardas abriram a porta e lá estava eu, Eilif Polona, de frente para o "fodão" Asmus Whillemberg, o diretor e dono da porra toda dentro daquele reformatório. Ele era alto, possuía um cabelo castanho penteado para trás com gel fixador, sua barba era bem feita e volumosa. No dia ele vestia um paletó marrom e seus óculos de descanso — Você deve saber o motivo de estar aqui, Eilif Polona — Eu fiquei em silêncio sem fazer expressão alguma, eu não podia gerar nenhuma prova contra mim, estava convicto de que não havia deixado nada passar — Coincidências podem ser bem curiosas. — Naquele momento eu gelei por dentro, senti que todo o meu plano estaria sendo arruinado, senti nos olhos de Whillemberg que ele sabia que tinha sido eu.

— Não entendo. — Ainda assim mantive minha linha de incompreender a situação.

— Não? — Perguntou arqueando uma de suas sobrancelhas, com os cotovelos sobre a mesa e os dedos das mãos entrelaçados, fazendo uma expressão intimidadora — August Duckhad morreu hoje dentro do banheiro, assassinado a sangue frio — Não pude conter minha expressão de medo, eu sabia que estaria tudo arruinado naquele momento. O espanto tomou conta de mim e fiquei estasiado — Ele foi partido ao meio — continuou — No mesmo banheiro em que você quase foi assassinado. Você deve saber bem que crimes não passam em branco aqui — me segurei forte na cadeira, eu estava aponto de explodir e meu medo estava quase sendo vomitado, entalado na garganta — Então precisamos da sua ajuda, provavelmente quem tentou te matar no banheiro é o mesmo que matou August hoje.

O que?! Eu estava errado, a coincidência citada pelo Diretor era a cena do crime, os corpos foram encontrados no mesmo local, mas ele tinha cortes e eu evidências de um espancamento — Eu... — Fiquei em silêncio, ainda estasiado, abaixei minha cabeça e assenti que não.

— Eilif, isso é um caso sério — Ele botou as mãos sobre a mesa fazendo um certo barulho e olhei nos seus olhos naquele instante, nosso contato visual estava vidrado — Sei que podem ter te ameaçado, mas você estará protegido, só precisamos saber quem te atacou — Eu não sei o que havia ali, mas ele me olhava como se soubesse o que eu havia feito, e ao mesmo tempo eu me sentia seguro com aquele contato visual penetrante.

— ... — Tomei tempo com uma respiração pensando na minha resposta. Criar um falso testemunho? Não, eu não podia incriminar um inocente. E se eu acusasse o Bruce? De fato não, ele seria enviado pra solitária e eu não poderia o matar, por mais que fosse o culpado do meu assassinato. Era melhor deixar que a polícia encontrasse alguém com o perfil desse assassinato sozinha — Eu não lembro do seu rosto... — Inventei — Ele usava uma camisa amarrada no rosto.

— Era alto... forte? 

— Não sei, mas era maior que eu. — Respondi, tentando não fazer mais tanto contato visual com o Senhor Whillemberg.

— Quando você foi atacado no banheiro o agressor usou alguma arma? — Logo me lembrei do pé de cabra que havia ficado na cena do crime, mas não fazia sentido algum um pé de cabra fazer cortes daquele nível.

— Não — Se eu citasse um facão, espada ou qualquer coisa do tipo ficaria confuso, se não eu teria que ter sido atacado da mesma maneira — Foram apenas chutes e murros, senhor.

— Tudo bem, Eilif Polona, está dispensado.

Fui direcionado de volta para o reformatório, ainda com meu coração quase saindo pela boca. Por sorte não fui descoberto, ninguém suspeitaria do indefeso Eilif Polona, expulso do orfanato por agredir um coordenador com uma lâmpada de canto. 

 

O reformatório estava uma bagunça, haviam vários policiais guardas e jornalistas no local, todos os garotos ficaram trancados no pátio externo para não entrar em contato, mas pude ver uma quantidade enorme de gente na área isolada. Foi uma morte diferente, seguida de outros dois incidentes estranhos, um espancamento e um corte inexplicável nos calcanhares. Cheguei até o lotado e ensolarado pátio externo, haviam vários caras me olhando estranho. Primeiro eu sou espancado até quase morrer, depois especula-se que eu fiz os cortes nos calcanhares de Pedro após o mesmo ter me atacado e agora acontece isso — Seria algo bem menor se eu tivesse pensado melhor ou tivesse conseguido matar August dentro daquele bueiro seboso. 

Fui caminhando pelo pátio, naquele instante já não estavam ligando tanto para a minha presença, continuei andando devagar e pude ouvir a conversa de dois garotos falando sobre como estava o corpo retalhado de August. Parecia que aquilo tudo havia virado o assunto do momento, eu só ouvia o nome August e banheiro no local — Ei, Eilif! — Tauvin me puxou pelo ombro no meio de todo mundo e começou a conversar baixo comigo — Por que te levaram pra sala do diretor? — Ele estava curioso, todo mundo tava, e percebi que algumas pessoas em volta começaram a prestar atenção no nosso diálogo, mas me fiz de desatento e inocente.

— Era sobre o meu agressor — respondi — Aconteceu no mesmo lugar então pode ter sido a mesma pessoa.

— Mas afinal, quem espancou você? — Tauvin perguntou meio alto e todo mundo em volta já tava praticamente assistindo aquilo como se fosse um filme. Fiquei em silêncio e não disse nada, naquele instante quem estava em volta parou tudo para me esperar dizer alguma coisa, até que um dos garotos se manifestou e me dirigiu a palavra.

— Por que você tá escondendo isso de todo mundo aqui dentro? — Era um menino brando de cabelo curto preto, parecia ser mais novo, eu sequer havia notado a presença dele nos arredores, sua existência pouco importava.

Olhei pra ele com uma expressão indiferente e respondi — Isso só cabe a mim e à direção — Todo mundo me olhou em silêncio, eu tentei ficar o mais sério possível e completei — É muito pessoal.

— É, pessoal, vamos deixar ele ter o espaço dele, ele foi espancado duas vezes esses dias e ainda não conseguiu nem respirar direito — Tauvin tocou na minha ferida, mas estava tentando me defender, ele somente queria me tirar dali, mas esqueceu que nem todo mundo no reformatório era bonzinho, eles queriam saber de um jeito ou de outro.

— Foda-se, a gente quer saber o que porra ta acontecendo aqui dentro! — Um dos caras empurrou Tauvin e um tumulto começou a acontecer em minha volta, todo mundo gritando perguntas estranhas e diferentes ao mesmo tempo, uma verdadeira algazarra. Eu estava a ponto de explodir e sequer conseguia sair do meio de todo mundo. 

— EI! — Em meio àquela barulheira toda, uma voz firme e seca ecoou no pátio em um berro, fazendo todos ficarem em silêncio — Deixem esse cara em paz, porra, vão cuidar do caralho da vida de vocês — A multidão se abriu e aos poucos algumas pessoas foram saindo de perto de mim em blocos.

Ciro, um cara alto, magro, com corpo levemente definido, tendo longos e assanhados cabelos loiros com olhos quase cinzentos, ele sempre andava sem camisa, exibindo uma enorme cicatriz de queimadura que cravava do seu peito esquerdo até a cintura em diagonal, além de algumas marcas de bala. Como eu já disse anteriormente, todo mundo dentro desse reformatório tem uma história, cada um aqui dentro está aqui por um motivo específico, que faz com que você tenha ou não influencia. Por mais que houvessem grupos fechados com caras perigosos influentes sobre os mais fracos lá dentro, existia um lobo solitário que todos temiam. "Bestia", como ficou conhecido no país inteiro — Um garoto que viu a pizzaria italiana do seu pai ser queimada com eles dentro por uma milícia. Com apenas 14 anos, Ciro caçou toda a milícia que matou o seu pai, e de um a um, foi matando, mordendo todos na jugular e arrancando o pescoço fora com os dentes, algo completamente escroto, uma história que intimidava qualquer um dentro daquele lugar.

— Tá tudo bem. — Ciro olhava diretamente dentro dos meus olhos, como se fosse realmente um animal selvagem, seus olhos acinzentados me faziam sentir um medo.

— Obrigado — agradeci enquanto Tauvin me puxava pelo braço dizendo para sairmos de lá. Até mesmo os caras mais barra-pesada do reformatório haviam se dispersado quando Ciro abriu a boca. O famoso Bestia mal falava. Eu segui andando, mas ainda olhando de lado e mantivemos o contato visual perene, dois assassinos brutais se olhando.

 

Voltei para o meu quarto e Tauvin ficou lá comigo, ele tentava conversar, mas eu ainda estava abismado com tudo o que tinha acontecido. Eu calculei a morte de August Duckhad como se eu fosse um psicopata, agi frio e sorrateiramente, corte ele no meio como se não fosse nada. Ao mesmo tempo voltava a me lembrar que ele era um estuprador como Abraham e Mr Roosevelt, pessoas que eu odiava de coração, e recordei-me daquela garota. Aquela menina... o que diabos ela estava fazendo lá? Ela me viu, ela com certeza deve saber que fui eu quem matei August, o assunto já deve ter chegado no Bloco Feminino. O que eu deveria fazer em relação à ela, e, pior que isso, como e o que?! Eu não tinha como ter acesso à essa garota de jeito nenhum e eu não ameaçaria ou machucaria ela, seria contra os meus princípios. 
Mas, além disso, ainda haviam algumas outras coisas com as quais eu teria que lidar. A primeira: ser uma atenção, eu precisaria que algo tirasse a atenção que ta me cobrindo nesse momento, todo mundo ta inseguro e curioso dentro do reformatório e a culpa é minha, mas só eu sei disso. A segunda vem exatamente de eu ser o único a saber, Tauvin já se mostrou muito confiável, eu deveria compartilhar o que sentia e havia feito com ele? É uma faca de dois gumes, ele poderia me ajudar a armar uma confusão já que o líder da Gang dos Negros havia prestado certo apoio a ele, mas ainda assim é arriscado alguém saber que eu sou um assassino, apesar de que ele confia em mim e me admirou só de suspeitar que cortei os calcanhares de Pedro. A terceira e última era: O que, como e quando fazer com Bruce, o terceiro dos meus agressores.

 

Continua.

 


Notas Finais


TRILHA SONORA RECOMENDADA PARA LER:
https://www.youtube.com/watch?v=jid_fTSWR1o


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