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História Transbordar - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Único;


— Tem certeza que você está bem? Eu não sinto e nem vejo firmeza nisso!

Kise nunca conseguiu tirar o que Aomine lhe disse naquele dia quando se esbarraram no mercado. Ficou em sua cabeça martelando e martelando, tirando-o do sério, pensativo. Encolhido ao lado da cama, tentando ao máximo segurar o choro, enquanto segurava sua aliança em mãos, novamente a exclamação de Aomine preencheu sua mente, como um tiro certeiro. Explodiu não suportando mais segurar aquilo que tanto incomodava há meses, não conseguia ser forte, não era.

A dor em seu coração estava tão forte que parecia estar dilacerando de dentro para fora, como espinhos. Apertou a aliança em mãos tão forte, segurando-se ao máximo para não jogá-la longe, precisava continuar tentando certo? Não poderia desistir de seu casamento, talvez tivesse alguma coisa errada consigo por isso Shougo estava com outra pessoa entre lençóis, porque estava sendo um péssimo marido, correto? Não, ele sabia, no fundo sabia. 

Não importa o que fizesse nada iria mudar, aquele casamento já estava fadado ao fracasso e no fundo do poço estava Kise, lamentando-se por algo que já deveria ter desistido, mas que continuava de modo tolo mudar as coisas. Levantou-se daquele chão frio em rumo ao espelho que tinha no quarto, seu reflexo estava tão horrível: bolsas roxas abaixo dos olhos tão horríveis pelas noites que não dormiu. Pele tão pálida que parecia estar doente, seus lábios ressecados, cabelos secos como palha; estava horrível. Será que foi por isso que ele não o queria mais? Estava tão murcho ao ponto de não querer mais cuidar de si? 

Não! Aomine tinha razão e Kise sabia, só não queria acreditar. Haizaki não o amava, jamais iria amá-lo. Não importa o quão carinhoso ele tinha sido durante os anos, os sorrisos que ele tinha lhe oferecido, todas as palavras amorosas, não era amor. E saber disso doía tanto, porque Ryouta fez de tudo pelo outro, mas a retribuição nunca foi a mesma e, jamais seria.

O barulho de chaves o tirou de seus pensamentos, desviou o olhar para o relógio sobre a cômoda, vendo o ponteiro gritar ao indicar que era quatro da manhã. Ficou todo aquele tempo chorando? Queria rir por ser tão patético. Escutou o longo suspiro vindo do outro cômodo, será que deveria continuar com isso? Fingir que não sentia os cheiros de perfumes nas camisas do marido? As marcas de chupões que nunca deu? Deveria continuar cego e tentar melhorar algo improvável enquanto se afunda numa dor alucinante? Não! Estava decidido. Em passos lentos se dirigiu até a sala, observou atentamente seu marido tirar seu sapato e afrouxar sua gravata para enfim, notá-lo.

— O que faz acordado? — Sentia o tom irritado de longe, mas suspirou, cansado de tudo.

— Acabou. — sussurrou com um fio de voz restante, olhava para baixo, mais especificamente para a aliança que segurava, girava entre seus dedos e enfim olhou para o outro que estava confuso. — Eu cansei. — E deixou a aliança cair no chão, vendo o choque passar pelo rosto de Haizaki.

— O que? Você… está brincando né? — Estava incrédulo. — Não pode desistir de nós. — Tentou dizer, aproximando-se do loiro e segurando-o pelos ombros. As lágrimas traçando pelo rosto do marido, quebrou o seu coração. 

— Você desistiu primeiro. — Sua voz estava tão baixa, tão quebrada. — Eu transbordava de amor por ti, mas eu não suporto estar com tanta dor. Você não me ama, não na mesma intensidade que eu amava. — Afastou-se do Shougo e seguiu rumo para a porta.

O único lugar que estaria seguro naquele momento era na casa de Aomine. Apenas torcia que ele estivesse sozinho, sem nenhuma companhia. Conforme caminhava pelas ruas escuras, não se incomodava pelo fato de estar descalço e com frio, estava até sendo relaxante em sua opinião, fazia refletir sobre tudo, estava tomando a decisão certa, não é? Não conseguiu ter uma resposta pois logo sua linha de raciocínio foi cortada pela chuva forte que começou a atingi-lo, tão sortudo, pensava. 

Olhou para trás e não via nem se quer uma sombra de Shougo e isso o fez concluir que de fato, não existia mais salvação naquele casamento, por que notou tão tarde?

Tremia tanto quando chegou na residência do outro que quase não possuía força para bater na porta, mas quando Aomine apareceu em seu campo de visão com aquele olhar tão preocupado, desmoronou ali mesmo. O quanto tinha aguentado para estar chorando novamente como um bebê?

Daiki nada dizia apenas o trouxe para dentro de casa e até pegaria uma coberta para aquecê-lo, mas o loiro o tinha abraçado, derrubando-o no chão no processo. Kise tinha seu rosto sobre o peito do moreno e chorava, enquanto que o maior apenas abraçava de volta fortemente, não se incomodando em ser molhado, aquilo não o incomodava e jamais iria, o que de fato incomodava era o choro do loiro.

— Acabou tudo. — disse entre soluços.

E Daiki entendeu tudo. Apertou ainda mais em seu abraço, acariciando seus fios loiros completamente molhados. Selou um ósculo sobre os cabelos, tentando ao máximo confortá-lo.

— Vai ficar tudo bem. — disse num sussurro. — Você terá alguém que vai amá-lo como merece.

Kise se afastou minimamente e com um olhar choroso que partiu o coração do maior, disse: 

— Não… — Sua voz saiu tão destruída. — Eu estou tão horrível, quebrado, quem vai querer alguém assim? — Aomine sorriu, passando seu polegar sobre as bochechas do loiro delicadamente, enquanto limpava as lágrimas.

— Você é perfeito, Ryouta, apenas teve o azar de ter alguém que não soube apreciar o quão especial você é. Você terá alguém que te ame como merece, alguém que fará você florescer, alguém que te amará incondicionalmente.

— Eu não irei mais transbordar de dor? 

— Não, não vai. — sussurrou como se estivesse contando um segredo para o outro, sorrindo e selando um beijo na testa de Kise que fechou os olhos ao ser agraciado por aquele carinho. — Vem cá, eu vou cuidar de você, mas não chore por alguém que não mereça o seu amor, jamais. — E limpou os últimos resquícios de lágrimas do loiro que sorriu. — Você é lindo quando está sorrindo. 

Kise alargou ainda mais o sorriso, fechando os olhos e encostando sua testa na do maior.

— Obrigado. — Aquelas singelas palavras aqueceu o coração de Daiki, que cuidou de Ryouta naquela manhã, com tanto carinho e amor; amor que sempre esteve disposto a dar para o loiro.


Notas Finais




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