História Transexual: A história de Emma Swan. - Capítulo 36


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Dr. Archie Hopper (Jiminy Cricket), Emma Swan, Fa Mulan, Lacey (Belle), Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sidney Glass, Tinker Bell, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Femmeslash, Regina Mills, Swan Mills, Swan Queen, Swanqueen, Swen, Transexualidade, Transsexualidade
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Palavras 5.813
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Fluffy, Orange, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, leitorxs

Voltamos aqui para dizer adeus, mais uma vez, e não está sendo fácil!
Nunca pensamos que ficaríamos tão emotivas com essa nova despedida, mas era necessário fazer a releitura para corrigir equívocos que cometemos em alguns trechos. Isso não quer dizer que, daqui a alguns dias, semanas, meses, anos, quando a lermos de novo, não encontraremos erros que vão nos irritar e vamos olhar uma para outra e dizer: o que estávamos pensando quando escrevemos semelhante bobagem? É, somos assim!
Mas, tbm não podemos negar o carinho imenso que sentimos por essa fic, tão grande quanto o que sentimos por SwanQueen.
Agradecemos a cada pessoa que se permitiu ler a fic, que a comentou, a favoritou, a recomendou e sempre expressou suas opiniões sobre a trama desde que ela foi postada em sua primeira versão no Nyah.
Por último, mas não menos importante, gostaríamos de fazer um agradecimento especial a @chifresdacallie, a leitora mais apaixonada por esta história que conhecemos. Muito obrigada por sempre nos dizer o quanto ama Transexual. A promessa de presenteá-la com um exemplar autografado se um dia ela vier a ser publicada em versão impressa está vivíssima (rs). Mas, enquanto isso não acontece, dedicamos este último capítulo a você, por todo o carinho, respeito e a admiração que sempre expressou por esse nosso trabalho.

Boa leitura, moçxs!

Capítulo 36 - Meu final feliz com Emma Swan.


Maio de 2023 – Em Boston

[Regina]

Ontem à noite, Emma e eu estávamos assistindo a um filme, e não preciso mais dizer o quanto gostamos de fazer isso juntas, não é? É uma das nossas coisas de casal preferida. Um desses hábitos simples e comuns que, mesmo com a chegada dos gêmeos, não deixamos de ter.

Em um determinado momento, a protagonista do filme, Frances, dividia a cena com outros personagens e a câmera se focava exclusivamente nela. Então, a jovem começou um monólogo sobre o que considerava um momento perfeito em um relacionamento:

"É uma coisa quando você tá com alguém e você ama a pessoa e vocês sabem disso. Vocês estão juntos, mas é uma festa, sabe? Os dois estão conversando com pessoas diferentes. Você tá lá sorrindo e olha para o outro lado da sala e vocês trocam olhares. Mas não porque são possessivos ou porque seja algo sexual, mas apenas porque aquela é a pessoa da sua vida. E isso é engraçado e triste, mas só porque está vida vai terminar. E é esse mundo secreto que existe bem ali em público, mas imperceptível, que ninguém vai ficar sabendo*”

Sorri ao ouvir esse monólogo. Sorri porque me lembrou de uma coisa que eu escutei Zelena dizer certa vez, sobre Emma e eu:

— Às vezes, tenho inveja de vocês duas. — minha irmã revelou na época. — Inveja dessa conexão cósmica que parece existir entre vocês, como se, mesmo em silêncio, conseguissem se comunicar através do olhar, por uma linguagem própria que só as duas são capazes de compreender.

Não tive como reprimir aquela expressão orgulhosa que certas vezes estampa nossa cara sem que a gente planeje fazer isso. Zelena, obviamente, não gostou da reação e me acusou de ser uma apaixonada soberba.

Mas, como eu poderia reagir de uma forma diferente naquele momento, se também sinto que entre Emma e eu existe essa ligação imaterial? E é até estranho que hoje eu pense assim, porque nunca fui de acreditar em lances espirituais.

Não acreditava em almas gêmeas. Não acredito em astrologia, muito menos em sinastrias amorosas. Mas, depois dela, já me peguei até lendo a compatibilidade dos nossos signos. Porém, após descobrir que Gêmeos (eu) e Peixes (ela) “vibram em sintonias distintas, que somos instáveis e volúveis e, se houver atração entre ambos, pode ser apenas por alguns dias”, decidi que certas coisas realmente não fazem o menor sentido, ou então a nossa ligação tem uma explicação mais racional, já que como opostos astrológicos não nos atraímos, como pessoas dispostas nos completamos.

Ainda pensando nisso, entrei em casa vindo do trabalho e logo vi Emma sentada na mesa da sala com Rachel no seu colo e Noah na cadeira mais próxima. Quando saí já os tinha deixado assim, fazendo uma tarefa da escola dos gêmeos sobre nossa família.

Encostei-me no vão da porta e fiquei admirando esse momento protagonizado pelas três pessoas que mais amo em todo o universo, sem anunciar que tinha chegado. E por estarem tão envolvidos no que faziam, também não perceberam minha presença ali.

— Mãe, por que ‘vó Cora nunca vem aqui nos visitar? — Noah questionou, sem tirar os olhos da folha colocada à sua frente sobre a qual deslizava um lápis de colorir.

— Porque ‘vó Cora e eu discutimos há alguns anos, antes de vocês nascerem — me intrometi na conversa ao perceber que Emma ficara tensa com o questionamento do nosso menino.

Ela olhou na minha direção, a princípio surpresa, certamente por não esperar me ver em casa tão cedo, mas logo se mostrou aliviada por eu ter chegado bem a tempo de livrá-la de uma saia-justa.

Aproximei-me dos três e os beijei carinhosamente aproveitando para dar uma espiada nos desenhos, que estavam muito bons levando em conta a idade deles, sobretudo o de Rachel. Me alegrava muito a ideia de que os dois pudessem ter herdado o talento de Emma.

— Por que vocês discutiram? — Noah insistiu no tema, ainda não satisfeito com a resposta dada. Como eu, ele podia ser extremamente curioso.

— Porque, às vezes, pessoas de uma mesma família podem ter opiniões diferentes sobre alguns assuntos — desarrumei um pouco o cabelo dele recebendo um baixo grunhido em protesto. — A avó de vocês e eu não concordamos com muita coisa — optei ser bem direta, pois, apesar de terem pouco mais de sete anos, Noah e Rachel são muito intuitivos e conseguem facilmente perceber se alguém não está sendo honesto com eles — mas não se preocupem, porque meu problema com Cora não tem nada a ver com vocês. Apenas achamos melhor nos distanciarmos para não machucarmos uma a outra. — Puxei uma das cadeiras para sentar, prevendo que a conversa poderia demorar. — Se um dia, ela quiser vir aqui, a trataremos muito bem, como tenho certeza que ela faz quando tia Zelena leva vocês para visitá-la, não é? — Me referi as ocasiões em que foram a Nova York com a tia.

— Sim. — Foi Rachel quem respondeu, parecendo mais interessada na conversa do que o irmão que acabou se distraindo com o que desenhava. — Vovó uma vez disse a tia Zelena que eu sou muito bonita e que me pareço com “aquela mulher” — Emma e eu nos entreolhamos e não conseguimos controlar um leve sorriso. — Quem é “aquela mulher”, mamãe? — Minha princesa me sondou claramente testando minha intenção de dizer a verdade.

— Quando sua avó fala “aquela mulher”, ela está se referindo a mim, meu amor.  — Emma se antecipou começando a explicar. — Lembra quando conversamos com vocês sobre o fato de algumas pessoas não entenderem que duas mulheres ou dois homens podem também se apaixonar e formar uma família? — Rachel assentiu com a cabeça, muito atenta ao que a mãe dizia. — Então... Infelizmente, a avó de vocês é uma dessas pessoas. Ela não gostou de sua mamãe ter casado comigo. — Os olhos verdes de Rachel desceram até o chão me deixando de coração apertado em perceber o quanto ela ficou triste por descobrir que Cora não gostava da sua outra mãe. — Ei! — Emma tocou delicadamente o queixo da nossa pequena, fazendo-a erguer a cabeça. — Mas você se lembra também que falamos sobre não ficarmos tristes com essas coisas? — Novamente a menina assentiu, recebendo de Emma um terno carinho na face. — Sua avó, mesmo que pelos motivos errados, tem o direito de não gostar de mim. Mas sei que ela ama vocês — disse olhando de Rachel para mim e depois para Noah, que não parava de desenhar. — Como vocês são uma parte minha, significa que lá “no fundo” — apontou o coração da nossa menina — ela deve gostar um pouquinho de mim.

Rachel ficou feliz com a possibilidade. Eu também fui contagiada por sua atitude positiva deixando escapar um meio sorriso.  

— Eu pensei que a vovó não gostava de você porque você é transexual, mãe. — Noah falou displicentemente.

Nossos olhares se pousaram nele rapidamente ao perceber que o garoto não estava tão alheio à conversa quanto imaginávamos.

— Por que você pensou isso, querido? — Emma o questionou, antes de olhar para mim buscando a explicação para o fato do Noah saber sobre algo que ainda não tínhamos conversado com ele nem com Rachel.

Demonstrei com o olhar que estava tão confusa quanto ela e Noah voltou a falar:

— Um dia, eu ‘tava passando pela biblioteca da casa da vovó e escutei tia Zel dizer que já estava na hora dela deixar de besteira e entender que você era uma mulher transexual — esclareceu meio envergonhado. — Mas eu não ‘tava ouvindo atrás da porta. — se antecipou imaginando que era o que pensávamos. Nosso pequeno claramente estava assustado com a possibilidade de brigarmos com ele.

— Tudo bem, Noah. Não estamos pensando isso. — Procurei tranquilizá-lo fazendo um carinho em seu rosto.

— Nós só ficamos surpresas com o seu comentário, pois ainda não falamos sobre esse assunto. — Tratou de explicar com calma nossa reação. — Aliás, eu nem sei se vocês entendem o que é ser uma mulher transexual… — seus olhos verdes vaguearam entre os gêmeos e eu, buscando meu apoio.

— Sei sim! — Noah disse bastante empolgado atraindo toda a nossa atenção. — Henry explicou.

— E o que ele disse? — perguntei franzindo o cenho.

— Disse que uma pessoa transexual é alguém que nasce em um corpo diferente e precisa mudar para ser feliz.

Emma procurou o meu olhar mais uma vez, visivelmente emocionada com um momento especial que havia surgido de uma forma tão espontânea. Coloquei minha mão sobre a sua tentando transmitir confiança.

— Mas a gente ainda não tinha entendido muito bem. — Rachel se juntou a conversa com sua vozinha doce. — E ele falou que uma pessoa transexual é uma lagarta presa no, no… — Casulo — ajudei com a palavra que ela procurava.

— Isso aí! — Noah confirmou.

— E o que mais? — Emma a incentivou a continuar.

— A pessoa quebra a casca como a borboleta faz, sai toda bonita e consegue viver feliz.

Naquele momento não podíamos estar mais felizes por termos Henry Millstone cuidando dos nossos filhos.

— E a gente entendeu porque você parece uma borboleta linda e feliz, mãe. — Noah concluiu olhando para a mãe com admiração.
Emma, que já não conseguia controlar as lágrimas, se inclinou e o trouxe mais para si. Depois puxou Rachel para um abraço triplo, beijando-os alternadamente no rosto e na cabeça. Levantei e envolvi todos no círculo protetor dos meus braços, amando mais do que nunca a mulher e os filhos maravilhosos que tenho.

O momento foi indescritível. Tão simples e tão importante. Bem mais fácil do que imaginávamos.

— Agora vamos parar de desenhar. Está na hora do banho. Vão subindo que daqui a pouco subo também pra ajudar vocês. — Falei ao final de alguns minutos tencionando ficar a sós com Emma.

Os gêmeos resmungaram, argumentaram, mas finalmente os convenci a continuarem só depois do jantar. Começaram a subir as escadas correndo e ainda tive que brigar com eles antes de me aproximar novamente da minha loira, que permanecia sentada na mesa muito pensativa.

— Não esperava por isso hoje — confessou fungando um pouco enquanto eu passava a mão por seus cabelos sempre tão sedosos. — E nós imaginávamos que só falaríamos sobre isso quando começassem os questionamentos sobre como nasceram.

Sentei em seu colo e Emma me abraçou antes que eu tomasse seu rosto entre as mãos e a beijasse.

— Foi bom que acontecesse assim, amor, porque talvez eles nunca tivessem a curiosidade de perguntar como nasceram — observei sorrindo. — As crianças de hoje não seguem mais o roteiro das de antes. Há coisas que elas simplesmente intuem — ponderei.

Mesmo a passos de formiga, a sociedade evolui e é bom viver em uma época, onde, apesar de ainda persistirem velhos tabus, já podemos falar abertamente com nossas crianças sobre a diversidade.

— Você tem razão! — encostou a testa na minha e me apertou ainda mais em seus braços. — Ficaria arrasada se depois eles imaginassem que eu tenho algo a esconder — confessou seu justo temor. — E que bom que tudo aconteceu de uma maneira tão natural, não é, esposa “daquela mulher”? — trouxe de volta à tona o assunto que deu início a conversa reveladora com nossos filhos.

Sorri.

— Você ainda se importa com as bobagens de Cora Mills? — passei os braços em torno dos ombros dela brincando com uma mecha de seu cabelo.

— Hoje já não me afetam como antes — respondeu dando um beijinho na ponta do meu nariz — até porque, como já dizia Jorge Maravilha, ela não gosta de mim, mas a filha dela gosta! — sorriu com malícia.

Não tive muita certeza, mas creio que ela estava parafraseando Chico Buarque mais uma vez, e, não poderia ter escolhido uma referência melhor, porque a filha de Cora Mills não apenas gosta, ela é completamente louca e apaixonada por essa bela borboleta.

***

Estávamos no salão de eventos onde se realizaria a cerimônia de entrega do prêmio Profissional do Ano, oferecido pela Prefeitura de Boston à mulher, que segundo uma banca julgadora especializada, mais se destacou em sua área de atuação nos últimos doze meses.

O fato de a cidade onde moramos reconhecer o talento das mulheres nos mais diversos setores já seria um bom motivo para Emma e eu estarmos aqui. No entanto, há uma razão mais especial. Ela foi uma das indicadas ao prêmio, pelo trabalho arquitetônico de revitalização de um parque próximo à nossa casa. A obra foi considerada modelo por sua preocupação ambiental e pelo impacto positivo na comunidade, além de ter sido uma ação totalmente voluntária da parte dela.

Uma mesa de discussão sobre a inserção da mulher no mercado de trabalho, assim como sobre o seu papel na atual sociedade, temas bastante pertinentes à motivação do prêmio, abriu a cerimônia. Enquanto isso, repassava em minha cabeça os eventos que se desenrolaram em torno de sua indicação.

Uma semana antes, Emma havia sido entrevistada em uma emissora local juntamente com a Dra. Emily Foston, da área de Direito, a bióloga Verônica Smith e a obstetra Caroline Morris, três de suas concorrentes. Até aí tudo bem, todas as profissionais envolvidas passaram pela mesma exposição, sabatinadas em grupos de quatro por haverem mais de vinte pessoas indicadas.

Não era nada que ela não pudesse tirar de letra e, de fato, a sua participação foi ótima. Apesar da timidez, permaneceu confiante e bastante segura do que deveria dizer, além de linda, como sempre. Estive nos estúdios durante a gravação e fiquei muito orgulhosa em vê-la defender com tanta paixão o que fazia.

O problema se deu quando após a entrevista ser exibida no dia seguinte, algumas pessoas a reconheceram como a ex-triatleta que foi impedida de competir profissionalmente por ser transexual. Foi aí que começou a polêmica. Alguns, com ânimos mais exaltados, passaram a fazer campanha contra a sua indicação ao prêmio nas mídias sociais, enviando mensagens raivosas aos organizadores do evento exigindo a sua desclassificação, por não considerá-la uma mulher.

Mesmo com toda a enxurrada de críticas negativas, os responsáveis decidiram pela permanência de Emma na disputa e confesso que isso, por um momento, me preocupou bastante.

Conversei com ela e expus o meu receio, até aconselhando-a a abrir mão ou não ir à cerimônia. Tinha medo que algo de ruim pudesse acontecer. Imaginava um protesto na porta da casa de eventos, nós e nossos filhos tendo que ser escoltados pela polícia. Não queria que nossa família passasse por nada semelhante.

Mas Emma não acreditava nessa possibilidade. Achava muito improvável que aquelas pessoas tivessem coragem de aparecer em um evento público para atacá-la. Na sua opinião, os revoltosos da internet eram apenas pessoas que se aproveitavam do anonimato ou da falta de contato físico para extravasar suas frustrações.

Não podia se esconder nem permanecer invisível por medo dessas pessoas. Precisava se mostrar sob pena de lhes dar razão, admitindo que não merecia ou não devia estar ali. Foi com esse argumento tão profundo e justo que ela ganhou o meu apoio incondicional novamente e, no fim, Emma estava totalmente certa.

Não só sobre a importância da sua participação, mas também sobre quem a atacava. Não houve protesto algum. Ela, os gêmeos, eu e toda a sua família ocupamos uma grande mesa junto ao palco sem sermos incomodados.

Quando a mestre de cerimônias subiu ao palco trazendo em mãos o envelope com o nome da vencedora, o silêncio pairou no salão e a expectativa dentro de mim só aumentou, mas olhei para Emma e percebi que, ao contrário de mim, ela parecia muito calma.

Eu a entendia. Não estava ansiosa pelo resultado porque o simples fato ter sido lembrada para uma premiação importante e a forma como lidou com a rejeição só para estar sentada ali assistindo à premiação já era a sua vitória pessoal e, no fundo, a que mais importava.

No momento em que o nome Emma Swan Mills foi anunciado por um instante flagrei em seu semblante uma surpresa genuína, mas logo a estávamos aplaudindo de pé  e senti seus lábios colarem aos meus em um rápido beijo antes que subisse ao palco.

Ela recebeu do mestre de cerimônias a comenda em formato de um perfil feminino esculpido em prata. Após um breve comprimento, seguindo o rito, o homem se afastou deixando o microfone livre para que a vencedora discursasse.

Emma olhou o prêmio em suas mãos por alguns segundos e só então fixou os olhos na plateia. Na mesa, ainda estávamos emocionados e em êxtase com sua vitória quando ela ajeitou o microfone e o testou.

— Depois de tudo o que li e ouvi sobre a minha indicação a esse prêmio, poderia não estar aqui hoje — sua voz vacilou um pouco ao começar o discurso. — Foram coisas duras de assimilar, principalmente para alguém que sempre se dedicou tanto ao trabalho que faz — pausa. — Diminuíram o valor do meu esforço, focados em apenas um detalhe da minha vida pessoal, que na verdade nem deveria ser levado em consideração nesse momento. — Respirou fundo antes de voltar a falar, claramente contendo a emoção. — Tentaram me enfraquecer, tentaram me coagir a desistir, tentaram me sufocar. O que eles não sabiam era que nada disso era novidade pra mim, aliás não é novidade pra nenhuma pessoa trans. Enfraquecendo, coagindo e sufocando… É assim que a sociedade tenta nos apagar todos os dias. Foi por isso que eu não me deixei abater, assim como subi ao palco porque apesar de qualquer coisa que seja dita em contrário, eu sei que tenho direito a este prêmio — o agitou em sua mão diante de todos. Puxamos os aplausos e a maioria dos presentes espelhou nosso gesto. — Sou mulher, sou uma profissional competente e dedicada, portanto atendo aos requisitos necessários para disputá-lo. Agradeço àqueles que tiveram, antes de tudo, a coragem de votar no meu trabalho, mesmo diante de tantas críticas. — A vacilação inicial foi substituída por uma crescente onda de confiança e ela já tinha a atenção de todos no salão. — Estou de fato muito agradecida. Porém, essa não foi a minha maior motivação. A minha maior motivação esteve o tempo todo na possibilidade de poder falar e a oportunidade de dar voz às mulheres transexuais deste país, sobretudo àquelas que, muito mais do que eu, sofrem com esse abuso todos os dias, não sendo vistas pelo que são, mas sim pelo que não querem ser. — A essa altura eu já chorava e poucas pessoas em nossa mesa não faziam o mesmo. — Eu tive a sorte de poder pagar por todos os procedimentos que fizeram com que os outros vissem em mim o que eu queria, mas isso também me fez invisível como pessoa trans. Hoje eu estou me fazendo visível de novo, essa sou eu. — Sob uma nova chuva de aplausos, vi a minha esposa se agigantar ainda mais diante de nós. — E isso eu só posso agradecer às pessoas que me reconheceram durante a entrevista e sem querer devolveram minha voz. Se a revolta em torno da minha indicação não tivesse acontecido, Emma Swan Mills seria apenas mais uma mulher aqui esta noite. Talvez recebesse o prêmio, talvez não, mas com certeza voltaria feliz para casa com sua esposa e filhos — enquanto falava, seu olhar relanceou pelo salão, até se encontrar com o meu. Meu coração batia forte e com o peito inundado de admiração e orgulho, eu chorava ainda mais — a diferença é que eu voltaria sob a capa desse anonimato confortável que não me cabe mais e perderia a oportunidade de dizer em alto e bom som a todas as pessoas trans que possam me ouvir: jamais baixem a cabeça ou abram mão de ser quem são, porque ninguém tem o direito de tirar a nossa identidade. Dedico esse prêmio a vocês. Muito obrigada!

Aos poucos as pessoas foram levantando de suas cadeiras para aplaudí-la de pé. Foi um momento mágico, vê-la ovacionada depois de um discurso tão marcante, descendo do palco linda em seu vestido de festa com as novas cores que trazia em si depois de fazer a coisa certa. Essa imagem ficou em minha mente por dias.

Quando me dei conta, ela já estava mais uma vez ao meu lado, abraçando a mim e aos nossos filhos e não demorou muito para que o nosso abraço se tornasse ainda maior porque ninguém na mesa queria ficar de fora da foto que Jefferson se preparava para tirar.

***

Março de 2029 – Em Bonita Springs, Flórida

[Regina]

Aos poucos, abri os olhos e pude observar os pequenos raios de luz dourados bailando sobre a cama que dividia com Emma há quase uma semana numa bonita e aconchegante casa à beira-mar que alugamos para a nossa segunda lua-de-mel. No dia anterior, 1º de março, ela havia completado cinquenta anos, quinze compartilhados comigo.

Ficando de lado, apoiei a cabeça na mão tentando observar melhor o seu ressonar. Seus cabelos, antes tão loiros, agora tinham um tom platinado que a deixava muito parecida com Margaret, que ficara responsável por cuidar dos netos em Boston. Eles agora tinham catorze anos, mas ainda adoravam passar um tempo com ela e Connie. As duas, como boas avós, jamais cansavam de mimá-los.

Com a atenção em Emma, notei as pequenas marcas de expressão que denunciavam seu amadurecimento, porém lhe emprestavam um ar ainda mais etéreo. Nada, nem mesmo a ação do tempo, seria capaz de comprometer a beleza natural da minha esposa. Como se pressentisse que eu a vigiava, ela se mexeu na cama e, devagar, foi abrindo as espessas pestanas, soltando um vagaroso e bonito sorriso ao flagrar a minha admiração.

— Bom dia, querida! — murmurou. A voz enrouquecida e mansa, enquanto se esticava fazendo o lençol descer revelando seu corpo atraente que, para mim, só melhorara com os anos.

— Bom dia, meu amor! — respondi aproximando-me mais a fim de que nossas peles se tocassem.

A Emma relaxada e linda ao despertar tinha um efeito instantâneo sobre mim: meu corpo crepitando de desejo ansiava seu toque delicadamente selvagem. Queria sentir o corpo dela todo colado ao meu, se esfregando em mim, me molhando de suor, me preenchendo inteira. E, depois, quando já estivesse morta, exausta de cansaço, queria que ela me acolhesse e me deixasse repousar no abrigo dos seus braços. Sem dar oportunidade para que saísse da cama, subi em cima dela e busquei o contato dos nossos lábios.

— Hum... Que fogo é esse, hein? — perguntou quando soltei seus lábios e ataquei seu pescoço com muita vontade.
— O fogo de sempre! — respondi sentando-me sobre seu abdômen, pegando suas mãos e a fazendo fechá-las sobre os meus seios. — É errado uma mulher querer fazer amor com sua esposa? — Aticei sarcástica. — Aliás, será que a esposa lembra como se faz isso?

Ainda éramos muito ligadas, fazíamos quase tudo juntas, mas há algum tempo vinha notando certa frieza no nosso relacionamento. Podia ser só acomodação pelos tantos anos de convivência, certamente era isso, porque sabia que não era falta de amor.

Também pesava o fato de praticamente não termos podido aproveitar nosso casamento antes das crianças. Amava nossos filhos incondicionalmente, mas havia uma grande diferença entre amantes com filhos e amantes sem filhos: tempo. Tempo a sós, tempo livre, tempo no qual as duas não tivessem exaustas a ponto do descanso parecer mais atraente que uma noite intensa de amor.

Havia muitas explicações possíveis, porém nenhuma com a capacidade de me deixar menos incomodada com a naturalidade que a falta de intimidade física tinha assumido em nossa rotina.

Continuei a provocação, rebolando em seu ventre. Seus braços se fecharam ao redor da minha cintura e ela se ergueu, ficando cara a cara comigo ostentando um sorriso sacana.

— Com certeza ela lembra. — Me puxou mais para si. — E não foi ela quem passou uns dois ou três dias reclamando que não tinha mais idade para certas posições depois da última vez — mandou uma indireta bem direta me retendo com uma das mãos, enquanto os dedos da outra se enrolavam em meus fios, inclinando suavemente minha cabeça para trás.

— Mas isso foi há muito tempo. Você tinha quarenta e nove anos na época — devolvi ouvindo-a grunhir em resposta antes de atacar meu pescoço, mordendo-o com certa força.

Gritei tentando me soltar do braço que prendia os meus atrás das costas, mas ela não parecia interessada em me libertar. A boca que antes se dedicava ao meu pescoço, agora se fechava molhada em volta de um mamilo, chupando-o até deixá-lo dolorosamente túrgido.

— Ahh... — soltei um gemido rouco, quando ela traçou círculos com a língua sobre o outro bico antes de sugá-lo com precisão.

— Olha só quem já está ronronando feito uma gatinha manhosa…  — me incitou, abandonando o que fazia e voltando a me encarar, ainda segurando firme os meus cabelos.

— Você sabe que é a única capaz de me excitar assim. — Enquanto encostava a minha testa na sua, a provocação foi dando lugar a um tom levemente magoado: — E talvez esteja tão convencida disso que não se importa mais como antes.

O sorriso vitorioso no rosto de Emma murchou e ela passou a me observar com olhos afetuosos, mas atentos.

— De onde saiu isso, Regina? — Perguntou em um tom preocupado.

— Ontem à noite, no restaurante, um dos garçons não parava de olhar para o meu decote e você nem sequer percebeu. — Revelei sem me importar com o quanto poderia estar parecendo infantil, mas pequenas cenas de ciúmes era outra coisa da qual sentia falta.

Emma sorriu.

— Eu não acredito que depois de quinze anos de casamento, justo agora que completei cinquenta, você espere de mim atitudes de uma jovem insegura — disse em seu tom brincalhão. — Confesso que realmente não percebi que havia um garçom suficientemente audacioso para cobiçar a mulher mais linda naquele restaurante diante da esposa dela. — Emma me derrubou na cama e mansamente foi deslizando sobre mim. Os meus pelos se eriçavam onde a sua pele tocava e a sua boca estava bem perto do meu ouvido quando voltou a falar: — Por outro lado, muito me admira que a senhora tenha notado esses olhares lascivos a ponto de guardá-los na memória. — Girou a ponta da língua na minha orelha me desarmando por completo. — Devo imaginar que foi por isso que você acordou tão safadinha, Regina?

Seus olhos estavam mais escuros tomados pelo desejo e quando encaixou seu quadril entre as minhas pernas, percebi que eu não era a única a estar excitada naquele quarto. Um jogo havia começado em cima daqueles macios lençóis com cheiro de lavanda.

Cruzei minhas pernas ao redor das suas coxas e passei os braços pelas suas costas, experimentando com os dedos seus músculos tensos.

— E, se, de repente — comecei a me aventurar — eu tivesse ficado lisonjeada em saber que ainda sou uma mulher capaz de despertar o interesse de estranhos, Emma? — agora era eu quem falava ao pé do seu ouvido.

Ela me dedicou um novo sorriso sacana antes de me segurar com firmeza pelas ancas me colocando onde queria.

— Nesse caso não me resta alternativa. Terei que ser dura com você! — Sublinhou a palavra me fazendo sentir ainda mais a rigidez do que a sua peça íntima escondia.

Quando me dei conta, já tínhamos invertido as posições novamente e eu descia por sua excitação determinando o ritmo das estocadas e ouvindo-a gemer cada vez que sua pélvis se movia para cima, mergulhando dentro de mim sem trégua.

Antes de desfalecermos de prazer, ela voltou a ficar por cima e elevei meus quadris para receber uma última estocada firme e precisa antes que seu gozo me inundasse de forma prazerosa. Mordi levemente o seu ombro esquerdo quando gozei na sequência ainda ouvindo seus gemidos.

Sentia fortes e deliciosos espasmos percorrendo todo o meu corpo em ondas quando ainda dentro de mim ela me fez encará-la.

— Você é minha, Regina! — Sua voz doce e calma contrastava com seus olhos de um verde possessivo.

— Sim! — Consegui murmurar ofegando sob os seios que esmagavam os meus.

— Você é só minha! — Repetiu com mais ênfase.

— Apenas sua, Emma... — Concordei cravando as unhas na sua pele, cerrando os olhos e inclinando a cabeça no travesseiro quando, finalmente, Emma se fez, uma vez mais, senhora de mim.

***

Ao fim da tarde, depois que o café-da-manhã foi substituído por algo mais quente e o almoço acabou sendo mais do que postergado, subimos para o deck da piscina a fim de contemplar o pôr-do-sol.

Estávamos sentadas em uma espreguiçadeira branca contrastando com o piso de madeira escura da belíssima casa na qual nos hospedamos e eu me encontrava totalmente aninhada nos braços de Emma. O silêncio que pairava entre nós parecia dizer que nenhuma das duas tinha a coragem de interromper a magia do momento.

Quando o espetáculo do sol terminou e a lua já começava a se mostrar mansamente, saí do longo estupor ao ouvir a voz dela, num tom extremamente suave, como alguém que teme atrapalhar uma exibição.

— Será que esse é o nosso final feliz?

Ato contínuo, virei para encará-la tentando entender melhor sua pergunta. Ela sorriu parecendo se divertir com a minha cara confusa.

— Será que esse é o momento em que nos contos de fadas o autor escreve que todos foram felizes para sempre e nada mais precisa ser dito para que os leitores entendam que tudo foi pleno e sem grandes conflitos a partir dali? — Se fez mais clara.

Deixei seus braços com cuidado me sentando frente a ela. O espaço de uma espreguiçadeira era pequeno para nós duas, mas por nada no mundo eu me distanciaria. Não naquele instante em que Emma estava tão linda com a prata da lua refletindo em seus cabelos. Precisava guardar essa imagem na minha mente.

— Espero que não! — Respondi com firmeza depois de pensar um pouco.

E foi a minha vez de sorrir com a expressão de espanto dela.

— Acho que a nossa história é daquelas que merecem continuação — comecei a divagar ao passo que sua expressão suavizava. — Nosso amor é tão forte e a nossa história tão bonita que pode inspirar outros casais, outros romances… — parei de falar sem concluir o raciocínio.

Emma me observava com uma ternura imensa, porém não sabia se estava embarcando na minha loucura. Eu tinha toda a sua atenção, mas não queria parecer uma boba. Já bastava a queixa infantil sobre sua falta de ciúmes que fiz mais cedo na cama.

— Estou parecendo uma louca, não é? — Sorri sem jeito desviando os olhos para o vazio.

— Estava aqui pensando sobre essa mania que você tem.

— Que mania? — perguntei franzindo o cenho.

— De fazer eu me apaixonar por você desde a primeira vez que a vi. — Emma me trouxe de volta aos seus braços e suas mãos subiram até a minha nuca me arrepiando com o toque e com a respiração calma que sentia sobre os meus ouvidos. — Desejá-la quando a minha própria razão dizia que era errado foi a maior e a melhor loucura da minha vida.

— O amor é uma loucura sensata… — Sua declaração me fez lembrar de versos que ouvira há muito tempo. — Quem disse isso? — Recorri a sua memória infalível.

— Acho que foi Shakespeare — respondeu depois de franzir o cenho tentando lembrar. — E ele estava coberto de razão, pelo menos no que nos diz respeito.

Sorrimos uma para a outra em cumplicidade. Um flashback de tudo o que vivemos até ali passou em segundos pela minha cabeça.

Eu começava a sofrer por antecipação pelo fim da nossa lua-de-mel. Desejava mais desses momentos, desejava tê-la só para mim por mais tempo. Sem compromissos, sem hora, sem correria. Ali parecia que tínhamos voltado anos atrás e eu simplesmente não queria perder isso antes de sentir que estávamos totalmente reconectadas.

— Pena que amanhã já temos de voltar pra casa — comentei sem esconder minha frustração.

Emma me olhou de uma forma estranha e tive a certeza que tramava alguma coisa.

— No que está pensando, Emma Swan Mills? — Sondei desconfiada.

— Quem disse que vamos voltar amanhã? — ela devolveu a pergunta cantando as palavras.

— O que você fez?

— Enquanto alguém estava dormindo à tarde eu posso ter dado alguns telefonemas — desviou os olhos fingindo inocência — e preparado tudo para ficarmos aqui mais uma semana. — Confessou animada.

— Emma… — tentei falar, mas fui impedida por seu dedo indicador pousando sobre meus lábios.

— Não faça objeção, Regina. Nós precisamos de mais esse tempo a sós. Tudo ficará bem em Boston. Falei com mamãe e com os meninos, com o meu escritório, com a sua atendente… Só uma semana. Não sabemos quando vamos ter uma oportunidade como essa novamente. — Quase suplicando afastou o dedo devagar para esperar minha resposta.

Como ela podia pensar que eu recusaria a proposta quando meu coração batia forte dentro do peito ao perceber que estávamos de novo na mesma sintonia, que nossos desejos apontavam na mesma direção?

— Quem disse que eu faria alguma objeção? — Acabei com o suspense revelando o meu sorriso enquanto a pegava pela nuca a fim de que nossas testas se encontrassem.

Depois de algum tempo, Emma levantou da espreguiçadeira e, estendendo a mão, me convidou a levantar também. Aceitei o gesto e logo saímos do deck. Passamos pelo nosso quarto e pelo corredor extenso acabando em uma escada que levava até a sala. Emma sempre na frente guiava meus passos.

— Para onde está me levando? — Perguntei ao vê-la abrir a porta.

Emma nos conduziu até a praia, deserta àquela hora. A noite escura era iluminada apenas pela lua cheia que vimos nascer e que agora alcançava um ponto mais alto.

Andamos de mãos dadas em silêncio por alguns metros, depois paramos e nos sentamos na areia de frente ao mar assistindo o vai-e-vém das ondas. A maré estava baixa e o mar tão calmo que elas pareciam fazer seus movimentos em câmera lenta.

Emma me observou com um ar ainda mais apaixonado e, num ímpeto, me beijou. Antes que eu abrisse os olhos, ela já estava de pé, correndo até o mar e se jogando com roupa e tudo diante do meu olhar contemplativo.

— Vem, Regina! O que está esperando? — Levantei atendendo ao seu pedido e em pouco tempo estávamos as duas sendo envolvidas pela água salgada e morna.

No passado, se alguém me falasse de um amor como o nosso, eu duvidaria. Não diria nada, mas meu ceticismo não aceitaria a possibilidade. Depois de Emma, eu descobri que amar alguém com todas as forças não era só uma expressão tola e exagerada. Eu vivi, nós vivemos isso todos os dias desses anos. Juntas sempre fomos como uma doce e linda canção de Bossa-Nova: simples, poética e harmoniosa, exaltando o amor em sua mais pura essência.

Apesar dos percalços, fomos felizes, pois tínhamos uma a outra e nada era mais forte que isso. Pequenas crises e inseguranças poderiam até colocar o nosso amor à prova, mas jamais iriam destruí-lo. Como eu poderia ter certeza? Eu não tinha. E aprendi que nessa fé sem fundamentos lógicos estava a beleza do amor.

Ao fim de um beijo salgado e molhado, nos olhamos com intensidade e na imensidão verde eu vi a síntese do meu passado e do meu presente. Ainda presa àquele ímã, sorri para os próximos anos de nossas vidas.

~ F I M ~


Notas Finais


*Trecho do filme Frances Ha (2012) de Noah Baumbach.

Até outro dia, em outra história!


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