História Transferência - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Naruto, Romance, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Sasusaku
Visualizações 324
Palavras 2.010
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Como a minha outra fanfic está chegando ao fim, resolvi começar com uma nova. Assim que eu fechar O Fantasma do Teatro, esta aqui será o foco da minha atenção.
Transferência vem da psicanálise, e seu termo correto é Übertragung.
Sobre a transferência: A transferência é o deslocamento do sentido atribuído a pessoas do passado para pessoas do nosso presente. Também ocorre quando o paciente relembra das coisas que lhe ocorreram no passado e conta para seu psicanalista, que deve fazer pouca intervenção enquanto tal ato ocorre.
Ficou bem grandinho e eu espero que vocês gostem do novo enredo!
Desta vez, quis trocar os papéis. Sasuke é a pessoa rejeitada daqui e vai ter que trabalhar com seus conflitos. ♥
Boa leitura e sejam bem vindos!

Capítulo 1 - 1; a little bit colder


Fanfic / Fanfiction Transferência - Capítulo 1 - 1; a little bit colder

SASUKE


O homem de cabelos negros abriu os olhos, ainda sonolento. Gostaria de continuar dormindo, mas tinha uma rotina de emprego a cumprir. Sentou-se na cama, esfregando seus olhos com força e após alguns segundos parado ali apreciando a parede branca do quarto, procurou por seus óculos no criado- mudo. Tateou a superfície de madeira até encontrá-los e por fim, os colocou em seu rosto. Andou um pouco cambaleante até o banheiro que ficava próximo ao seu quarto e ligou a água quente da torneira. Fitou seu rosto cansado no espelho de parede e lavou seu rosto com calma. Arrumou seus cabelos que estavam rebeldes demais para seu gosto e escovou os dentes com a porcaria da pasta dental que estava em promoção e Sasuke jurou que parecia que o negócio havia derretido parte de sua arcada dentária. Isso era o que acontecia quando se comprava pasta de marca desconhecida por "apenas" seis reais e cinquenta centavos. Voltou a colocar seus óculos no rosto, fitando as lentes que havia comprado dentro do armário mas que nunca tinha tido vontade de usar.


"Dinheiro jogado fora", pensou enquanto se movia até seu quarto novamente a procura de sua camiseta social e gravata. Mais um dia de trabalho no banco. Mais um dia no inferno. As vezes Sasuke Uchiha se sentia culpado por pensar dessa forma, afinal, pelo menos ele tinha um emprego. E o emprego não pagava mal. Mas o estresse era tanto que ele tinha marcado uma consulta com seu psicólogo as cinco horas da tarde. Não era apenas o banco e o emprego infernal e estressante que lhe afligia e ele sabia disso. Tinha vinte e sete anos e ainda não havia encontrado uma mulher ou mantido um relacionamento sério com alguma desde sua adolescência. Trauma de adolescente? Talvez. O fato é que a partir disso, nunca mais conseguiu se relacionar com mulheres. A rejeição que sofreu por seu amor de adolescência lhe tinha causado estragos até hoje, e, embora ele tivesse tentado esquecer a garota sorridente e ambiciosa de cabelos rosas que marcou seus dezesseis anos, isso nunca acontecia. Talvez falar com um psicólogo como seu irmão mais velho havia indicado ajudasse em alguma coisa. Ou não. Seria sua terceira conversa com Uzumaki Naruto, o primeiro rapaz que ele encontrou num anúncio de jornal. Aparentemente, o homem de cabelos loiros e olhos azuis tinha acabado de se formar. Mas Sasuke também não tinha muitas expectativas e, ao invés de falar com alguns velhos que ficavam apenas lhe encarando, decidiu dar uma chance ao rapaz que tinha a mesma idade que a sua.


Desde que havia se mudado para Tóquio, mesma cidade onde seu irmão mais velho Itachi já morava a alguns anos, seus pais não cansavam de mandar mensagens para ele questionando quando conheceriam seus netos e que desejavam fazer aquilo em vida. Sasuke já estava cansado de se sentir pressionado em relação a começar uma família, mas a verdade é que ele também queria uma. Mas o que poderia fazer? Haruno Sakura havia partido seu coração e até hoje ele sentia — na verdade, não sentia — os danos disso. Ele não conseguia se lembrar da última vez em que sentiu seu coração bater forte por causa de alguém. Estava cansado de ouvir suas colegas de trabalho, Temari e Ino, lhe falando que ele era bonito e que se realmente quisesse alguém conseguiria com facilidade. Até porque sua chefe do departamento, Karin, deixava muito claro que o desejava. Sasuke até deu uma chance para ela. Uma vez. Saiu com a ruiva para um jantar, mas não conseguiu sentir nada além de ter que ficar forçando um sorriso amarelo praticamente a noite toda enquanto era encarado por ela num restaurante chique. Odiou. Nunca mais queria colocar os pés em um e nunca mais tinha interesse em sair com uma mulher que só queria saber de colocar as mãos em seu corpo. Depois daquilo, o relacionamento de ambos era estritamente profissional. E ele estava satisfeito com aquilo.


Pegou sua pasta com várias papeladas e coisas que teria que resolver no início daquela manhã e saiu pelas ruas quentes de Tóquio. A camiseta social lhe fazia ferver e tudo que ele queria era poder usar uma camisa normal sem gravatas e ternos. Mas a etiqueta de seu lugar de trabalho não permitia. E, para ajudar, o climatizador da sala de atendimentos onde trabalhava havia quebrado e o diretor do banco, Kakashi, não queria arrumar aquilo tão cedo. Então tudo que restava para ele e seus colegas era um ventiladorzinho de teto que mais parecia dar uns leves tapas no ar do que fazer vento. Chegou na frente do banco e olhou seu relógio de pulso. Nove horas e quarenta minutos. Vinte minutos adiantado. Suspirou cansado só de pensar nos clientes mal educados e irritados do dia, e entrou no banco. Passou por Ino e Temari, lhes cumprimentando com a cabeça e então ouviu Karin lhe saudar, enquanto segurava uma xícara de café:


— Olhem só quem chegou cedo, é o bancário bonitão. Ou pelo menos, é o que nossas clientes falam. - Ela sibilou maliciosamente enquanto tomava outro gole de café e Sasuke revirava os olhos, passando por ela.


De fato, ele notou que suas clientes femininas tinham aumentado de uma hora para a outra, desde que assumiu o cargo de atendimento ao público. Mas pensava que aquilo era só coincidência. E mesmo assim, não tinha interesse nenhum em sair com as mulheres que discutiam de empréstimos a abertura de contas com ele. Até porque ele mal reparava em seus rostos, só queria terminar o turno e ir embora para ficar no silêncio de sua casa. A fila de atendimento só aumentava enquanto o horário de expediente se aproximava, e Sasuke só queria que aquele dia acabasse logo.


Depois de resolver alguns problemas com uma mulher gorda que parecia estar lhe assediando indiretamente e o convidando para ir em sua casa lhe explicar finanças depois de seu trabalho, Sasuke finalmente havia acabado. Por hoje. Amanhã, tudo aconteceria novamente. Algo em sua mente lhe deixava frustrado por ter a mesma rotina desde os vinte e quatro anos. Parecia que estava estagnado ali e não tinha o que fazer para que aquilo melhorasse. Aliás, algo que ele notou e que lhe incomodava no fundo da mente:


As pessoas casadas da empresa passavam em sua frente quando se tratava de promoções. Desde que Ino e Sai se casaram, o rapaz já estava em outro departamento. Sasuke achava que tinha a ver com o fato de ele ser um homem solteiro, e sendo assim, não precisava de tanto dinheiro para viver confortavelmente bem. Já Ino e Sai, bom, eles poderiam aumentar a família a qualquer momento. Mas aquilo continuava sendo injusto e não deixava de lhe incomodar. De qualquer forma, o que ele, um mero empregado, poderia fazer? Tudo que lhe restava era tentar se conformar com a situação já que não o faltava nada.


Pegou sua pasta preta novamente, e saiu do banco sem se despedir dos colegas. Estressado. Andou em direção ao metrô e comprou um ticket para pegar a linha próxima ao consultório de seu psicólogo. O metrô estava lotado, nada além do normal. Foi praticamente jogado para dentro dele, enquanto adolescentes davam risada empurrando todos por ali e outros adultos se batiam com suas pastas e mochilas. Sasuke foi jogado com tanta força que seu óculos havia voado para o chão e por pouco um dos adolescentes não pisou em cima. Grunhiu irritado enquanto pegava os óculos do chão e observava se não tinha quebrado suas lentes. Sorte que não. Acomodou-se em pé próximo a uma senhora que carregava sacolas de supermercado e ficou encarando as janelas enquanto se movimentava. Saiu pelas portas do metrô quando chegou na estação em que queria e finalmente agradeceu por conseguir respirar um ar fresco. Subiu as escadas do subsolo e estava praticamente na frente do consultório de Naruto Uzumaki, que tinha um letreiro — nada chamativo — em neon azul.


As vezes ele achava que quem precisava de tratamento era seu psicólogo, e não ele. Mas tudo bem. O próprio loiro falava que tinha um analista e que profissionais psicólogos também tinham que consultar. Vai ver não existia uma pessoa nesse mundo que fosse sã da cabeça. Entrou no consultório e foi saudado pela secretária e esposa de Naruto, Hinata. A morena dos olhos perolados sorriu docemente enquanto escrevia num caderninho e falava ao telefone. Jogou sua pasta na cadeira ao lado da que sentou, cansado, e ficou na espera do atendimento de Naruto.


— Uchiha Sasuke! Como vai, meu caro? Pode entrar! - Ouviu a voz alegre e irritante de seu psicólogo e levantou-se, indo em direção à porta de madeira escura. Naruto lhe sorria alegremente, mostrando todos os seus dentes, enquanto ele passava por ele e sentava-se em um sofá em frente a mesa de seu psicólogo. Ouviu Naruto fechar a porta e suspirou quando o loiro se sentou em sua frente.


— Cansado? - O homem de olhos azul-céu lhe questionou, com o sorriso ainda em seu rosto.


— Sim.


— Muito trabalho hoje, Sasuke?


— O de sempre.


— Você está comunicativo hoje! - Naruto encarou Sasuke e o moreno queria pular em seu rosto para fazê-lo descolar aquele sorriso da cara. Já estava lhe irritando. — Quer me falar da sua paixão de infância hoje ou ainda não está pronto?


Sasuke engoliu em seco. Estava demorando. Seu psicólogo estava tentando falar de suas feridas em aberto e ele odiava que tocassem nelas. Mas.. era para isso que estava pagando consulta, não é?


— Não quero.


— Mas já estamos na terceira consulta.. nós precisamos falar disso.. Sasuke.


— Já acabou minha sessão?


— Você quer que ela acabe? - Naruto cruzou suas mãos, encostando em sua cadeira enquanto fitava os olhos negros e cansados de seu paciente.


— Sim.


— Então acabou.


— Vou marcar para daqui dois dias.


— Sem problemas. Espero que você decida me falar sobre isso, Sasuke.


Dito isso, o homem de cabelos negros ajustou seus óculos e saiu pela porta que foi aberta por Naruto. Se soubesse o que veria em sua frente, talvez não tivesse feito isso. De preferência, teria se enfiado dentro de algum dos armários do consultório de Naruto. Deu um passo para dentro da sala novamente e encostou no loiro.


— Sasuke?!


Tarde demais. Já tinham lhe visto. Suspirou cuidadosamente e sorriu amarelo.


— Sakura! Quanto tempo! - Saudou a sua ex-colega de escola que o fitava e analisava cuidadosamente com seus olhos esverdeados. Continuava com a cara de boneca que sempre teve. Pele clara, bochechas rosas, cabelos rosas. A única diferença é que agora estavam curtos. A mulher andava em sua direção com um sorriso doce e então lhe abraçou apertado. Sasuke sentiu o cheiro de baunilha do perfume daquela mulher e aceitou o abraço de uma forma meio desengonçada, enquanto ela entrelaçava suas delicadas mãos em seu tronco. Se separou dele e lhe encarou.


— Você está diferente! Oh, você está muito bonito. - Ela lhe elogiou enquanto encarava seus olhos negros por sobre seus óculos.


— Obrigado. Você também.... er.. está. - Sasuke retribuiu o elogio, desconfortável. Na verdade, Sakura não estava apenas BONITA. Ele continuava achando aquela mulher deslumbrante, ainda mais agora que estava adulta.


— Problemas com a esposa, Sasuke? - Sakura riu enquanto lhe questionava curiosa e Hinata entrava na sala de Naruto com informações do próximo atendimento.


— Eu não tenho esposa. Sou solteiro. - Respondeu enquanto levantava sua mão esquerda, sem nenhum anel para mostrar.


— Você também?! Nossa. Estou surpresa. Como um homem bonito como você ainda está solteiro? - Sakura respondeu, simples e sincera. Como Sasuke se lembrava dela.


Ele queria muito falar "Pois é, você diz isso mas me rejeitou anos atrás. Engraçado, né?" Mas apenas deu uma pequena risada enquanto as bochechas de Sakura coravam com o contato visual.


— Vejo que vocês já se conhecem! Sakura e Sasuke. - Naruto acenou para ambos da porta de sua sala.


Sasuke se virou para ele e falou o que não deveria ter falado, e que faria ele se arrepender desde então:


— Sim, doutor, ela é meu problema.

 


Notas Finais


O que acharam? Vou aguardar comentários! Espero que tenham gostado e comentem por favor! (Me faz escrever mais rápido porque anima, né?)
Beijo! ♥


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