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História Transtorno Bipolar - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Episódio Depressivo


Vozes me tiram do meu casulo de pensamentos e me fazem levantar minimamente a cabeça do travesseiro. E demoro até entender de fato o motivo de toda aquela barulhada. Algum grupo da faculdade deve estar saindo ou entrando no dormitório ou matando aula. Bem... mais um dia se foi, mais um dia em que não encontrei animo algum para levantar.

 

Olho brevemente para a tela do celular e tudo o que vejo são muitas mensagens de colegas e alguns professores que não tenho a menor vontade de ler ou responder, todos eles me cobrando pelas atividades extracurriculares e trabalhos em que disse que iria ajudar... 

 

Por que disse que faria isso? Realmente não podia estar com a cabeça no lugar quando dei todas aquelas respostas positivas a tudo que me aparecia pela frente, é impossível conseguir fazer tanto desse jeito. Ou de qualquer outro jeito. No que diabos fui me meter? Deveria saber que não conseguiria dar conta nem da metade! 

 

Sou incapaz de conseguir administrar tanta coisa quando mal consigo administrar meu próprio sono. Tudo que quero é simplesmente dormir. Me pergunto pra onde foi toda aquela energia, quando dormia pelo o que me parecia um momento e ainda assim ficava bem. 

 

Me arrasto até a cozinha, onde encontro potes e mais potes com pedaços de diferentes bolos e a geladeira com pratos de pudins e outros tantos potes de recheios, que a essa altura, já devem estar estragados. Lembro de como cismei em querer cozinhar em casa mesmo, cozinhar e comer doces mais especificamente, e como por um tempo fazer ambas as coisas me deixava feliz. Mas, agora não sinto vontade alguma de fazer nenhum dos dois. Na verdade a simples ideia de alguma dessas coisas me deixa mais sem animo ainda. Uma atividade sem sentido.

 

Ao sair do cômodo, vejo um envelope no chão, que deve ter sido empurrado pelo vão da porta. E obviamente tinha que ser a fatura do cartão de credito. Estourado. De novo. No extrato, todos os utensílios de cozinha e confeitaria e ingredientes dos mais variados tipos e valores, alguns que sequer me lembrava de ter comprado. Suspiro ao notar o valor, que não quero sequer imaginar ou cogitar como vou conseguir pagar depois levando em conta as outras vezes em que isso aconteceu e que não resolvi até agora. Dirijo o olhar para parte das sacolas em que ainda estão guardados parte dos itens cobrados, bem ao lado porta.

 

Volto para a cama. Foi apenas o tempo de cobrir a cabeça para que o celular apitasse novamente. 

 

Apenas olho essa mensagem porque é da minha chefe, me questionando por que não fui para o trabalho hoje de novo e se está tudo bem, mesmo porque está precisando da minha ajuda para a organização e administração de um evento. Estou para começar a digitar uma resposta quando outra mensagem chega. Dessa vez de um colega perguntando se a festa que dei a ideia de fazer e disse que organizaria ainda estava de pé no final da semana e foi o bastante para que desistisse de mandar qualquer resposta a minha chefe.

 

 São mensagens demais. Perguntas demais. Repostas demais. Cobranças demais. Tantas que nem sequer consigo selecionar uma para começar a me explicar. Apesar de uma parte de mim acreditar que devo ao menos explicações para todas as faltas que venho cometendo, simplesmente não consigo encontrar um meio de começar essas justificativas.

 

Solto o celular e volto a cobrir a cabeça. Só sei que ele caiu no chão pelo barulho que fez, mas não me dou ao trabalho de saber ao certo onde. Fico pensando se talvez não fosse melhor sumir de vez, ao menos não deixaria tantas pessoas na mão desse jeito. O sono volta a me encontrar perdido entre esses pensamentos mórbidos sobre a morte.

 



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