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História TrapLuv - Capítulo 1


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Notas do Autor


Boa Leitura!

Capítulo 1 - Arctic Monkeys


 

Música é algo sensacional, existe pra qualquer situação, das mais simples as mais complicadas, tem pra todos os tipos de pessoas. E é incrível como a letra de um artista que nem sabe da nossa existência, não sabe de nossos problemas, pode se encaixar tanto em nossa vida, ao ponto de mexer com nossos sentimentos, nossa mente e principalmente, nossas ações. Uma canção pode mudar o rumo de muitas coisas em nossa vida, seja pra melhor ou pra pior.

      E se tem uma pessoa que concorda com isso, essa pessoa é, Heloisa Gutierrez. Quantas ações fez ou deixou de fazer por causa da letra de uma música? Quantas “merdas’’ já não fez movida por uma guitarra? Quantos desenhos, artes, já não fez inspirada por causa de alguma música? 

   E no momento era isso que estava fazendo, sendo movida por “R U Mine?” de Arctic Monkeys, batendo seus pinceis no pote de tinta como se fosse uma bateira, movendo seu corpo no ritmo da música, e é claro, gritando a letra junto de Alex Turner, tudo isso com um belo sorriso no rosto, tinha acabado de terminar seu portfólio e sinceramente, estava lindo, assim como o “AM”, que puta álbum temos aqui.

          - Lica? – ouviu uma batida na porta, seguida da voz de Marta, sua mãe. Logo tratou de desligar o som, poxa, agora era a hora de One For The Road.

          - Fala, Dona Marta. – Assim que abriu a porta do quarto, já plantou um beijo na bochecha de sua mãe.

         - Nossa, acordou animada ou melhor inspirada? Tá toda suja de tinta. – Ah Dona Marta, mas é isso mesmo, sua filha está inspiradíssima. 

        - Acordei animada, fiquei inspirada e agora sou a menina mais feliz de São Paulo – Marta estava com sorriso no rosto vendo toda a felicidade de sua filha, fazia um tempinho que não via Lica, tão feliz assim.

       - E eu posso saber de onde vem toda essa felicidade? – Marta perguntou cheia de curiosidade. – ou não tem motivos. 

      - Não vou contar – Disse ganhando olhar surpreso de Dona Marta. Heloísa estava muito feliz com o seu trabalho finalmente finalizado e adoraria contar pra sua mãe, mas só contaria depois de enviar o portfólio pra Escola de Artes e ganhar uma resposta positiva. – É surpresa!

      A Escola de Artes de São Paulo era um sonho, todos os grandes artistas do Brasil estudaram por lá, fotógrafos, pintores, músicos, dançarinos, tudo que engloba a arte e é de alto nível veio dessa escola. E bom, essa escola era o sonho de anos na vida de Heloísa, era a sua grande meta depois de se formar no colégio, e bom, ela já está formada, já está com seus 18 anos e apta a estudar nessa escola, tudo que falta ou melhor, faltava, era o bendito do seu portfólio, a qual ela estava sofrendo pra terminar por diversos motivos e hoje, finalmente, conseguiu. Entretanto, isso não significava que ela passaria, por mais que o portfólio esteja pronto, ele ainda tinha que ser analisado pela direção da escola, eles precisavam saber se ela tinha ou não potencial pra estudar ali. 

         Heloísa estava satisfeita com seu trabalho, ele girava em torno da cidade de São Paulo e mostrava a grande desigualdade social e racial que existia ali. Tinha fotos e pinturas de bairros ricos e outras dos lugares mais precários da cidade, das situações mais absurdas, como crianças de família pobre, faltando na escola pra vender doces no semáforo, tudo pra ajudar a família a se manter, enquanto no mesmo dia e horário, tem criança em sala de aula tendo aula de inglês e espanhol. A desigualdade é gritante, mas poucas pessoas ligam, poucos se importam se o resto de comida que deixou no prato e que, provavelmente vai pro lixo, tá faltando na casa de muita gente.

      Heloísa até uns anos atrás não tinha essa noção, tudo mudou, depois que conheceu, Ellen, ela viu a dificuldade que sua amigava passava no dia a dia, viu a dificuldade que os moradores da comunidade onde sua amiga morava passavam, ela viu as lutas de cada um, seja pela cor ou por causa do local onde morava, viu a amiga sofrer racismo, e viu a dor dela e de sua família nas eleições de 2018, mas ela, Heloísa, só viu, quem sabe, é quem passa, quem sente. A maior dor sempre é a da vítima, e Heloísa não é vitima, ela é privilegiada e por reconhecer seus privilégios, usara eles pra dá voz a quem realmente precisa.   

      - Olha lá, Heloísa, cuidado com suas surpresas e com coração de sua mãe, depois da ultima que você aprontou, não sei se ele tem força pra mais alguma. 

     - Relaxa, Dona Marta, eu estou limpa e essa surpresa, eu juro que é boa. – Lica falou ganhando um abraço forte de sua mãe. – Ai, mãe, eu to toda suja de tinta, vai sujar a senhora. - Apesar de estar sem usar drogas a um tempo, Marta, ainda se preocupava muito, confiava em Lica, mas mãe é mãe, e só ela sabe a dor que sentiu ao receber uma ligação avisando que sua filha tinha sofrido uma overdose e estava no hospital, foram tempos difíceis, a qual ela espera nunca mais passar. 

    - Eu não ligo, ai como é bom ouvir isso. – E apertou Lica ainda mais forte, não tinha nada que a deixava mais feliz que ouvir sua filha dizendo que está limpa. – Ai, vou falar pra Leide, fazer seu prato preferido pro almoço, um delicioso stroggonoff de frango. – E saiu marchando pra cozinha, deixando o coração de Heloísa quentinho. Não tinha nada melhor do que ser o motivo pela qual sua mãe sorri, esperava botar ainda mais sorrisos no rosto dela, queria encher sua mãe de orgulho e esse era um dos motivos pela qual queria muito ser aprovada na Escola de Artes. Além de ser seu sonho, mostrar seu potencia e usar seu trabalho pra ajudar pessoas, queria da orgulho a sua mãe, ela merecia.

     Sentou em frente ao seu computador, entrou no seu e-mail e enviou a escola o seu portfolio. Pronto. Daqui a 2 dias ela saberia se entrou ou não, se poderia ou não encher o peito da sua mãe de alegria. 

***

    Se em uma parte de São Paulo tinha gente louca pra ser aprovada na Escola de Artes, na outra tinha gente que já estuda lá, querendo fugir, tá, fugir não, mas continuar de férias, sim. Daqui a 7 dias as aulas voltam e Samantha Lambertini, não está nada animada pra isso. Não levem a mal, mas as suas férias estão boas de mais pra já terminar ,e mesmo se não estivessem ela optaria por continuar de férias. O primeiro ano foi pesado demais,  nunca vai esquecer o susto na primeira semana de aula, quando de cara já pediram uma música completa sobre qualquer tema, ok, ela é artista, tinha a obrigação de conseguir fazer uma música. O problema era o prazo, quem faz música em dois dias?

Tá legal muitos artistas, mas ela ainda não era uma artista completa, ela só tinha 19 anos, pelo amor deus. O importante foi que ela conseguiu, não foi a sua melhor letra, porém ela entregou no prazo. Mas, então, ela ainda precisava de férias, não estava pronta pra voltar, preferia mil vezes ficar como agora, jogada em sua cama, ouvindo a bela voz de Alex Tunner, do que voltar pra lá. 

                “When she needs to shelter from reality she takes a dip in my daydreams.”

   - É, Alex Tunner, quando terei alguém pra fugir da realidade? – Samantha pensou em voz alta. A última pessoa a qual tentou fugir da realidade, tratou de fazer ela voltar a realidade botando um belo par de chifres em sua cabeça, obrigada aí, Samuel. 

    Depois dele, não se envolveu com mais ninguém, já está a mais de 2 anos vivendo o lema “Pega e Solta” e saibam que não é porque quer, simplesmente, não apareceu ninguém interessante nesse tempo, na verdade, apareceu, mas nada que a faça se sentir diferente, ninguém que a faça querer sair da realidade, ninguém que mexa com sua cabeça, coração, que a deixe maluca. Ela era intensa, se jogava de cabeça, gostava de loucuras e queria alguém do mesmo nível que ela. Engraçado é que passou dois anos com Samuel, que não era nem um pouco assim, ele era paradão, chegava a ser chato, mas seus pais gostavam dele, não tinha porque não tá com ele. Pensando agora, ela não tava com ele por amor e sim, por comodidade. Talvez, seja por isso que não ficou tão sentida com a traição, e sim puta, pela falta de respeito com ela e relação deles. Se não queria mais, era só terminar, é tão simples.

       Bom, mas isso não vem ao caso. Agora, ela estava carente. E poxa sentia falta de uns carinho, um cafuné, uma conchinha, uns beijinhos antes de dormir.....ah, Samantha sentia muita falta disso, e vendo suas amigas de boiolagem com seus namorados a deixava com mais saudade de ter alguém. Estava muito carente e não tinha um contatinho fixo pra tentar resolver isso com um belo de um sexo, na verdade, até tinha, mas estava cansada deles, queria algo novo, algo que acabasse com ela por inteira. Ai, só de pensar já deixava com tesão e a voz gostosa do Alex não tá ajudando.

        É não vai ter jeito. Carente, em pleno sábado a noite e ainda com tesão. Desculpa, Alex Tunner, mas Samantha não era a Arabella de ninguém e ninguém queria ser a dela. Desligou a música e tratou de mandar mensagem pra sua amiga, Clara, a chamando pra balada e logo recebeu uma mensagem positiva. Correu pro banho, colocou sua melhor roupa e tava pronta. Não precisava de muito pra ficar gostosa. Era isso que Samantha pensava enquanto se olhava no espelho, ela sabia que era bonita e abusava disso em qualquer situação. Bom, errada ela não estava. E como uma boa leonina, tratou de tirar uma foto e postar em suas redes sociais, porque o que é bonito tem de ser mostrado!

          "Como um rostinho desse tá solteiro ainda?" Falou em voz alta para si mesmo, antes de sair. Mas é aquilo, solteiro sim, sozinho nunca, ia pra balada encher a cara e tirar essa carência que se instalou em sua alma. Hoje a noite ia ser só dela.


Notas Finais


Oi, tudo bom? Sou nova como autora aqui no social, sempre fui mais chegada na leitura, agora com essa quarentena resolvi escrever, espero que tenham curtido o cap kk


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