História Tratado de paz. - Capítulo 1


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Categorias Satsuriku No Tenshi (Angels Of Death)
Personagens Isaac Foster (Zack), Rachel Gardner (Ray)
Tags Isaac Foster, Rachel Gardner, Ray, Satsuriku No Tenshi, Zack
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Palavras 1.399
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Tudo bem?

Bom... assistindo ao anime fiquei pensando que, talvez, Isaac Foster pudesse ser mais do que aquele sujeito frio e agressivo.
E que Rachel fosse mais sentimental do que aparentava ser.

Comportamentos dissimulados para, quem sabe, se protegerem contra si mesmos e contra os outros?

Mas sabemos que nada é capaz de nos proteger do amor, não é? O.o

Então hoje a one-shot é para eles... Zack e Ray.

Espero que gostem!
Bjinhos.

P.S: todos os direitos reservados ao autor da arte da capa, ok?!

Capítulo 1 - "Capítulo Único"


Se não fossem dores não o fariam chorar.

Não seriam essas lágrimas cruéis e amargas a desenharem seu rosto tão machucado, tão sofrido.

Se não fosse essa dor, se não fosse essa aflição comprimindo o peito ofegante, talvez ele pudesse compreender minhas razões.

Meus desejos.

Meus anseios.

Minhas ilusões.

Talvez pudesse me dar uma única chance.

Uma trégua!

Não seria pecado perceber o quanto podia ser gentil, mesmo envolto nas sombras de um passado delinquente; acreditar em sua própria capacidade de ser bom, mesmo quando blasfema e amaldiçoa o santo nome de Deus.

Mesmo assim.

Mesmo sob esse manto extenso de miséria e revolta, mesmo assim.

A angústia não o deixava raciocinar e sentir o quanto estávamos próximos e, ao mesmo tempo, tão distantes um do outro.

Eu o amava!

Ah... eu o amava muito!

Amei no instante que me olhou com ódio e desprezo.

Amei no momento que se atirou contra meu corpo frágil com brutalidade.

Amei quando me feriu com palavras inclementes e depreciativas.

Amei sua aparência desleixada e encharcada do sangue de suas vítimas; sua personalidade difícil, arrogante e estúpida.

Por que eu apenas o quis para mim!

E não foi o bastante ser rejeitada e expulsa de sua vida no instante que soube dos meus sentimentos.

Não bastou para mim ouvir sua voz arredia me xingar, me dizer que eu nada significava para ele.

Não bastou!

Não me convenceu.

Os olhos dourados sempre alheios a realidade me fitavam desconfiados e confusos; o medo de admitir e de aceitar que jamais estaria só outra vez o enlouquecia todas as vezes, a cada vez mais.

Não me matar foi uma escolha sufocante.

Encontrar motivos para me deixar permanecer ao seu lado foi dolorido para ele.

Esse homem de vinte e um anos e cheio de cicatrizes; as queimaduras aterradoras que marcaram sua tez o deixavam gradualmente mais arisco e impaciente.

Irritado com qualquer tentativa de afeto e carinho.

E eu o amava.

Do mesmo modo que Isaac Foster também me amava.

Amor doentio e devastador.

Para nós dois.

Se não fossem dores não o fariam chorar.

Soluços estrangulados pelo desalento de carregar um peso insuportável dentro do coração quebrado, o silêncio do choro não conseguia diminuir a consternação.

E ele chorou!

Chorou sentado na cama desarrumada, de costas para mim, enquanto tirava as ataduras que jaziam sujas sobre o corpo bem definido, que ocultavam os profundos vestígios de sua história atroz.

As mãos ágeis e habituadas ao mau desenrolavam devagar cada centímetro delas e, aos poucos, a pele nua cintilava em contraste com a luz branca e pura da lua que invadia o cômodo.

E eu o vislumbrava de longe, encostada no batente da porta do pequeno quarto daquele motel barato e mórbido.

Dois fugitivos sem destino e sem perspectivas.

Sem lar.

Mas nada disso foi capaz de tirar minha atenção dele; suas costas encurvadas, os cabelos negros e ligeiramente longos caídos sobre a face triste e concentrada, sua jaqueta marrom amarrotada jogada ao lado e o som audível de sua respiração descompassada perturbando minha alma.

Era inevitável.

Eu não podia deixá-lo mais, não podia deixar de amá-lo.

-Zack? - chamei baixo, hesitante. - Posso me aproximar de você?

Já faziam três anos desde o dia que escapamos daquele prédio abandonado, que escapamos das armadilhas e da morte iminente.

Três longos e perigosos anos.

E eu não pude evitar segui-lo em detrimento de todos os meus sonhos e ideais.

Renunciei a tudo e a todos por ele.

Por uma promessa não cumprida.

Por uma possibilidade de redenção.

Um mínimo resquício de apego.

Esperança.

Zack parou de se mexer e olhou-me sobre o ombro.

Seus olhos semicerrados brilharam e um sorriso irônico insinuou-se nos lábios perfeitos.

Um deslumbrante sorriso.

Será que ele sabia disso?

-Eu não quero que você me veja assim, Rachel! - e desviando o olhar do meu se levantou suspirando. - Saia daqui! Apenas me deixe trocar as faixas, por favor!

Seus punhos cerrados e trêmulos me diziam o quanto ele estava desesperado.

O quanto sua vergonha o esmagava.

O quanto aquela situação o magoava.

-Não! - respondi. - Hoje eu não vou sair, hoje eu não o deixarei sozinho e imerso em pensamentos destrutivos. - fechei meus olhos lacrimejantes e dei um passo adiante, temendo a reação de Zack. - Deixe eu me aproximar mais...  - e minha voz embargada chegou aos ouvidos dele, minhas intenções chegaram como flechas em seu âmago e quando o encarei, vi os olhos ferinos me fitarem novamente e se arregalarem incrédulos.- Não me expulse Zack, não faça isso comigo!

"Por favor!" - implorei.

As poucas faixas que ainda insistiam em cobri-lo escorregaram do tronco bem feito e riscado de marcas escuras quando Zack se virou e começou a caminhar na minha direção.

Um calafrio me fez tremer.

Meu coração martelava dentro do peito fazendo ecos por todo o corpo.

Não era medo.

Não era receio.

Só uma ansiedade opressiva.

Não saí do lugar!

E ele parou a poucos centímetros de mim.

Alto e imponente; o cheiro forte de suor e sândalo penetraram meus sentidos e minhas pernas vacilaram com a proximidade inesperada.

Senti-me atônita.

Eu não era capaz de reagir quando Zack me intimidava desse jeito.

-Rachel... - murmurou no meu ouvido ao se inclinar sobre mim. - não me obrigue a dizer e a fazer o que eu não posso! Não quero machucá-la mais do que já tenho machucado. - e respirando ruidosamente se afastou pousando uma de suas mãos ásperas sob meu queixo, guiando-me para seu olhos hipnotizantes.

Tão perto, perto demais.

Silêncio.

Uma quietude que gritava estridente e ensurdecedora ao nosso redor.

Ofegante.

Sem saber como eu o segurei pelo braço e pousei minha mão sobre a dele.

Trouxe-a para meus lábios e a beijei.

Zack não me repeliu.

Não me empurrou.

E todo o pranto que eu estava segurando até ali implodiu e jorrou para fora como um mar revolto e enlouquecido.

Acreditei que ele havia me aceitado.

Eu necessitava disso para me manter de pé e resiliente.

-Não chore Rachel! - ele falou sereno e complacente. - Não desista ainda de mim. - acariciou meu rosto e depois afagou meus cabelos. - Não me deixe sozinho neste quarto e em nenhum outro lugar se é isso que você quer. - abaixou-se até que ficássemos da mesma altura e sua boca encostou na minha.

Hálito morno.

Delicioso.

"Qual será o seu sabor?" - divaguei desorientada.

Meus nervos fragilizados estremeceram em choque.

Tudo o mais desapareceu.

Cega e descontrolada eu o abracei com ímpeto e pressionei nossas bocas implorando por mais contato, por mais intimidade, por mais dele.

O gosto de menta se misturou a minha saliva.

O resvalar de dentes me enfeitiçando.

Um encanto irreversível e irremediável.

-Eu deveria causar repulsa Rachel... - gemeu emocionado quando nos afastamos sôfregos. Ele parecia tão arrebatado quanto eu.- minha aparência monstruosa deveria lhe causar nojo. Eu não passo de um demônio! - e mais um beijo intenso nos subjugou, impiedoso e voraz.

Zack me agarrou, segurou-me firme em seus braços e num impulso desgovernado me levou até a cama.

O quanto eu quis observá-lo sem os curativos? 

Vê-lo nu e admirar a pele maltratada pelo abandono e pela barbárie?

Tocá-lo e sentir cada ondulação, cada protuberância insensível da sua pele?

Enxergá-lo como ele era de verdade; quente, desejoso, amoroso, apaixonado.

Eu o amava.

E ele também me amava.

Essas dores o fizeram compreender minhas razões.

Meus desejos.

Meus anseios.

Uma única chance e Zack descobriu-se incapaz de me impedir.

Uma trégua!

-Meu anjo desafortunado... você é apenas um anjo demasiadamente perdido. - cantarolei o apertando mais contra mim e ficando vagamente ciente de que ele havia tirado o resto das roupas que ainda nos cobriam.

-Seu anjo... - o ouvi responder antes de me levar ao topo do paraíso.

.

.

Nessa noite fizemos amor pela primeira vez.

Ainda éramos fugitivos.

Ainda éramos criminosos.

Ainda sobrevivíamos às margens da lei.

Mas agora, finalmente, amantes.

-Um tratado de paz! - segredei em êxtase e ainda unida a ele naquele gozo inebriante. - Amo muito você, Isaac Foster.

Ele sorriu pra mim, igualmente envolto em prazer e contemplação.

-Amo você, Rachel Gardner. Amo muito você! - confessou-se e eu tive a certeza de que tudo acabaria bem, de algum jeito.

"Um tratado de paz... enfim." - pensei enternecida ao abraçá-lo de novo e, desta vez, para sempre.

 

 

 

 

FIM

 

 


Notas Finais


Obrigada para você que leu!
Caso queira comentar, ficarei feliz.

Possíveis erros serão corrigidos posteriormente, ok?
Bjinhos.


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