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História Travessuras são mais doces - Capítulo 1


Escrita por: _Mag

Notas do Autor


Há algum tempo uma pergunta anda pertinente na minha vida e quem me segue no Twitter já deve ter percebido:

O que é DDC?

DDC é a sigla de DUODECIM, do latim 12 e que corresponde a um grupo de 12 autores que irão postar todo mês uma fanfic do EXO, no último dia, uma ONESHOT de mesmo tema! Ou seja, VAI TER MUITA FANFIC SIM! E A TAG NÃO VAI MORRER JAMAIS!

O tema de Outubro é óbvio e delicioso: Halloween! Ou seja, até meia-noite 12 fanfics do tema serão postadas nas tags que indiquei ali em cima, então não deixem de conferir e LEIAM TODAS AS HISTÓRIAS, lembrando sempre de incentivar nossos autores, combinado? A gente faz isso porque ama e por vocês!

Capa: Gabs que também está no projeto e me ajudou! ♥

BOA LEITURA A TODOS!

Capítulo 1 - Capítulo Único - Demônios também podem se divertir.


-

Todos nós vamos para o inferno.

-

O Inferno é um tédio.

Depois de um tempo, talvez séculos, você começa a perceber que não é nada legal ouvir humanos gritando enquanto queimam no lago de lava ou que já não é mais interessante vê-los carregando pedras, como escravos, sofrendo eternamente. No começo era bem divertido, confesso, nos primeiros meses depois que caí achava que estava no paraíso, no de verdade porque o céu era branco demais e apático demais. Porém, há algum tempo aquilo começou a me cansar, a maioria dos humanos que vinham para o Inferno eram chatos ou piores que demônios e eu acabava passando muito tempo na Terra.

A Terra é... Interessante.

Quando era anjo passava minha eternidade observando os humanos e agora que sou um lindo e extremamente excitante demônio, ainda tenho o mesmo hábito. Gosto de vê-los agitados andando nas grandes metrópoles, de como trabalham, se relacionam, de como são manipuláveis, frágeis, tolos e como fazem merda. Anjos e demônios podem ser bem idiotas às vezes, mas nada chega aos pés do que os humanos fazem, o que é engraçado, pois se acham muito inteligentes e possuem uma visão bem distorcida do que é o Céu, o Inferno, Deus e o Diabo.

O Céu é branco, um palácio interminável e branco, cheio de pilares como na Grécia e lotado de anjos cheios de regras, localizado acima da Terra, acima das nuvens.

O Inferno é preto e vermelho, há um palácio interminável preto e vermelho, com ares dos antigos castelos da Terra, lotado de demônios e humanos considerados pecadores, com poucas regras e localizado abaixo da Terra, próximo ao núcleo.

Deus é um baixinho metido a sabe tudo chamado KyungSoo, que pensa que tem o direito de sair expulsando anjos infratores do Paraíso, bom, ele tem, mas continua sendo exibido.

O Diabo também não é muito alto, é menos exibido, mas extremamente vaidoso e um viciado em sexo. É um anjo caído como eu, porém foi o primeiro, por isso é o rei e fica mandando e desmandando por aqui. Os humanos o chamam de Lúcifer, os demônios o chamam de Luhan e eu o chamo de Lulu, porque ele namora meu melhor amigo.

Ah, Sehun o chama apenas de Lu e quando eles fodem apaixonadamente o Inferno inteiro consegue ouvir.

O que me causa certa inveja, confesso, a eternidade é longa demais e o tempo corre diferente no centro da terra, não há sol, lua ou estrelas, sendo sempre noite, igual, imutável e parado. Então aproveitá-la sozinho não tem muitos benefícios, nenhum demônio conseguia mexer comigo da mesma forma que o humano que me fez cair um dia fez, ele me virava do avesso na época e se tornou apenas uma lembrança, porque enquanto eu caí do Paraíso ao quebrar as regras ele continuou sua vida na Terra e rapidamente me esqueceu.

Hoje ele vive em alguma parte desse lugar de ninguém e em séculos nos encontramos apenas três vezes.

E nossos encontros eram até agradáveis, porque fazia sua pele queimar até chegar aos ossos apenas ao encará-lo, ser um demônio tem suas vantagens afinal. Principalmente em relação às regras, nós podemos nos envolver com humanos, enganá-los, roubar suas almas e dar a eles o melhor sexo de suas vidas, mas apenas nos mundo dos sonhos. Porque quando um humano sonha, a linha que os separa do Inferno fica mais tênue e é muito fácil ultrapassá-la, contudo é apenas nesse plano, não podemos de fato tocá-los ou sermos vistos.

Com duas exceções.

A primeira são as crianças, elas sentem tudo em dobro do adulto e são mais sensíveis, por essa razão a maioria tem medo do escuro quando algum demônio realmente malvado resolve atormentá-las ou têm amigos imaginários em um período da vida. Não é fruto da imaginação dos pequenos, é real, quando uma criança diz que tem alguém tomando chá com elas, acredite, já tomei muito chá e comi biscoitos de graça. Contudo, com o passar do tempo elas não podem mais nos ver e nos esquecem, o que mais uma vez nos coloca como errantes sem direção, sem ninguém.

E a segunda exceção é o Halloween, o único dia do ano em que podemos caminhar na Terra e nos divertir de verdade, sendo vistos por qualquer um, criança ou adulto.

Pelos meus cálculos a data estava próxima, mas enquanto não chegava, eu morreria de tédio no Inferno.

- BaekHyun! – alguém me chamou e pelo tom de voz animado, só poderia ser uma pessoa. – Eu te procurei por todos os círculos do inferno, seu idiota.

- Olá para você também, MinSeok. – respondi, sem me levantar da cama ou me mover. – Eu estava no meu quarto o tempo todo, então procurou errado.

- Achei meio óbvio você estar aqui. – ele se aproximou, se sentando na cama e passando a acariciar meu braço. – Pelo jeito não tem saído do quarto e há algum tempo não me procura, está tudo bem?

Acabei me sentando na cama também, para poder admirá-lo melhor. MinSeok era simplesmente adorável e não combinava com o Inferno com seus traços e jeito de anjo, tudo nele era celestial e quando adormecia no meu peito após o sexo, me perguntava o que alguém como ele fazia em um lugar repleto de pecado. Nós tínhamos algo como um caso, sexo sem compromisso e o prazer da companhia um do outro, não nos amávamos como dois apaixonados, mas era gostoso de qualquer forma.

- Estou entediado nesse lugar, Min. – murmurei, apoiando a cabeça em seu ombro. – E não queria te contaminar com o meu humor depressivo e muito menos causar ciúmes do JongDae.

- C-Ciúmes? – ele corou instantaneamente. – Por que ele teria ciúmes?

Soltei uma risadinha baixa, MinSeok era um pouco lerdo.

- Talvez... Porque ele finalmente começou a reparar em você. – sugeri. – Deveria prestar mais atenção, depois que ele descobriu que a gente dorme junto de vez em quando, nunca mais olhou na minha cara direito! Sabe o quanto é divertido ser odiado por um demônio?

- E-Eu não notei nada. – confessou. – E também não sinto nada por ele.

Dei um beijo leve em seus lábios, apenas um toque.

- Sente e sabe muito bem disso, por isso achei melhor me afastar. – sorri e MinSeok entendeu o que eu queria dizer com aquilo. Nós tínhamos química e cumplicidade, mas era diferente de gostar de alguém. – Você já está atrasado, corra atrás de quem você ama de uma vez, antes que o perca de alguma forma.

Humanos, demônios ou anjos, ninguém estava imune ao amor.

- Você também está atrasado. – respondeu.

- Eu? – atrasado em quê?

- Sim! – riu. – Em que mundo está vivendo, Byun? É Halloween na Terra agora, achei que soubesse.

- Agora? – pulei da cama. – Mas... Mas eu contei os dias terrenos, não era... – fiz o cálculo mentalmente da última vez que visitei a Terra e droga, era verdade! – Porra, eu estou atrasado.

- Eu disse. – revirou os olhos. – Estava aí entediado à toa, vá se divertir!

- Sim, eu vou, eu... – o que eu vestiria para andar como um humano? – E você, não vai?

- Não. – sorriu mostrando suas presas, uma característica comum a demônios. – Vou ficar por aqui esse ano, quem sabe eu não encontre o JongDae por aí?

MinSeok iria se divertir a sua maneira.

-

Respirar pode parecer simples e banal para um humano qualquer, mas para um demônio na noite de Halloween é como ser vivo. É diferente de dias normais em que caminhamos pela Terra sem sermos vistos, a sensação do ar entrando e saindo dos pulmões chega a arder em nossas almas condenadas e todas as sensações se multiplicam. É possível sentir a brisa e o sereno da noite, olhar para o céu noturno cheio de estrelas e de fator sentir algo, o que me deixava até mesmo contente de verdade.

A natureza terrena era linda, eu amava as árvores, a grama e as flores, mas também a iluminação artificial das casas, prédios e postes, os carros em movimento, o barulho e ao mesmo tempo do silêncio que a gente consegue perceber quando nos concentramos em nós mesmos. E o melhor era poder fazer tudo aquilo misturado aos humanos fantasiados de monstros, personagens de contos de fadas, bruxas e demônios sem me preocupar por ser um demônio real.

As ruas da cidade que gostava em particular estavam cheias de crianças, adolescentes e até mesmo adultos pedindo doces, em um bairro residencial próximo ao centro. Caminhava entre eles como mais um segurando meu baldinho de doces, embora recebesse diversos olhares em todo percurso, alguns encantados e outros surpresos por causa da minha fantasia realística. Não precisei esconder nenhuma das minhas características, minha pele pálida refletia a luz da lua, meus adorados chifres enfeitavam minha cabeça, minhas asas negras chamavam a atenção e meus olhos eram...

Irresistíveis.

Um vermelho e um azul, o que provocava estranheza e fascínio em quem passava.

Principalmente nos garotos que com certeza imaginavam o que existia por baixo da minha roupa toda de couro. Botas, calça e jaqueta, na forma de um perfeito demônio da luxúria e que adoraria se divertir com um deles, de preferência com o mais bonito. Por essa razão decidi encontrar alguma festa, o que foi relativamente fácil ao seguir o barulho e os gritos empolgados que vinham de uma dessas mansões de gente com dinheiro. Davam tanto valor a um papel e bens sem saber que tudo aquilo não significava nada quando morriam, o que chegava a ser engraçado pela forma que o dinheiro exercia total controle em uma sociedade.

Mas na noite de Halloween, sou eu quem pode controlá-los.

E foi o que fiz ao enganar os seguranças de uma festa e passar na frente dos que esperavam na fila, sem perguntas e sem ser barrado. A casa era realmente bonita e estava lotada de jovens aproveitando – ou desperdiçando – suas vidas, com copos de bebida alcoólica em mãos, cigarros e cheios tendências que eu considerava suicidas. Havia alguns dentro da piscina, outros dançando e se exibindo e muitos, muitos aos beijos completamente dominados pelo pecado, porque não há nada que mais se assemelhe as orgias do Inferno do que festas de adolescentes.

KyungSoo odeia festas, talvez porque não participe de nenhuma.

Embora eu acredite que ele faça festinhas particulares com o anjo cor de ébano puxa saco que não saía do pé dele e que adorou me ver cair do Céu.

Uma boa festa era o verdadeiro Éden.

Porém, depois de duas horas naquele lugar, comecei a ficar entediado como sempre, as pessoas que se aproximavam eram desinteressantes, tinham hálito de álcool e não conseguiam ser nada além de humanos imbecis, como os que tentavam passar a mão na minha bunda ou nas minhas asas à força. Será que aqueles idiotas não entendiam nada de boas maneiras e eu, um demônio, precisava ensiná-las? Aquilo me incomodava e se ficasse irritado, teria que voltar para o Inferno antes da meia-noite ou revelaria minha verdadeira identidade queimando um por um.

O que deixaria Lulu muito irritado, ele odeia quando demônios são de alguma forma descobertos e nem mesmo mil boquetes do Sehun conseguem amenizar a irritação dele quando isso acontece.

Achei melhor me enturmar, de verdade, indo até a cozinha da casa e encontrando duas garotas aos beijos em um canto, eram quentes juntas e acabei torcendo para elas irem para o Inferno um dia. Mas infelizmente o papo sobre homossexuais serem pecadores era a maior e a pior mentira da humanidade, o que no fundo é uma pena, seria muito melhor do que o bando de héteros chatos que vão aos montes todos os dias para lá.

A mesa estava cheia de garrafas com bebidas alcoólicas, jarras cheias de misturas com frutas e as latas de cerveja estavam por toda a parte, conhecia muito pouco das bebidas humanas, gostava mais do sangue deles, porém iria me virar com algum líquido daquelas garrafas, até alguém aparentemente descobrir meu disfarce.

- Ual, um demônio.

Merda.

Me virei lentamente com uma leve careta, mas ao focalizar quem me identificou, meu coração condenado começou a bater mais forte e eu sequer lembrava que ele existia.

Um anjo.

Ou melhor, um humano alto fantasiado de anjo estava parado bem na minha frente.

Ele sorria abertamente, seu cabelo loiro brilhava como se fosse um dia de sol, dourado como o verão. Sua roupa branca descia até os pés, como um manto muito bonito, mais bonito do que um de verdade, era menos pálido do que eu, mas dolorosamente belo. E suas asas de papel lhe davam realmente um ar angelical, entretanto, chegava a ser infantil a maneira que foi confeccionada, algo que qualquer criança faria com um pouco de cola.

- Você é realmente de verdade? – tornou a falar e se aproximou.

- O quê?

- Suas asas, elas são... Tão bonitas. – disse sorrindo admirado, estendendo o braço, quase as tocando. – Parecem reais, posso tocar?

Elas eram reais, oras!

- Pode. – não sabia por que o autorizei.

Lentamente ele acariciou as penas negras, com extremo cuidado, roçava apenas as pontinhas dos dedos e sorria com o toque, completamente encantando.

- São realmente bonitas, usou penas de verdade? Deve ter ficado caro a sua fantasia. – concluiu, se afastando um pouco. – A propósito, sou Park Chanyeol.

- BaekHyun. – respondi simples, ainda o encarando. – E sim, eu... Eu... – qual era o nome mesmo? – Eu comprei pela internet.

- Claro! Deve ter para vender no ebay! – sorriu e nunca vi tanto dente dentro de uma boca. – Ficou muito bom, as minhas eu mesmo que fiz. – coçou a nuca, envergonhado, e olhou para os lados. – Está sozinho?

- Estou, ou melhor, estava até você aparecer.

- Eu também. – corou levemente. – Festa estranha, né? Mas a sua fantasia é a mais bonita, suas asas parecem brilhar e me desculpe, mas... Eu precisava falar isso para você, está incrível.

- Obrigado, a sua fantasia também é legal.

Chanyeol ficou um pouquinho em silêncio, mas logo voltou a falar.

- Você ia beber alguma coisa? – apontou para a mesa.

- Sim, mas não sou muito experiente nisso, pode me indicar algo?

- Hm, eu também não sou. – confessou. – Mas a gente pode experimentar uma e ficar doidão, igual às outras pessoas.

- Igual os outros não, por favor! – brinquei. – Vamos apenas ser nós mesmos, o que acha?

- Eu acho ótimo, BaekHyun!

-

A música é a melhor invenção dos humanos, ela entra pelos poros, pela alma, percorre todo o corpo e depois transborda, em suor, em sorrisos. Chanyeol e eu dançávamos no centro da sala sem nos importarmos com ninguém, com o álcool correndo em nossas veias, trocando sorrisos e olhares que me deixavam completamente desnorteado. Às vezes dançávamos de forma desengonçada de propósito, apenas para nos divertir, contudo, em segundos já estávamos no ritmo da música, acertando todos os movimentos, encaixando nossos corpos, deixando tudo mais excitante.

Existia algo muito angelical nele, como uma aura de pureza semelhante a minha de quando era anjo, que sequer me lembrava de como era antes de encontrá-lo. O jeito que ele sorria, como era cuidadoso ao segurar minha cintura, me deixava com uma sensação de proteção constante, embora não conseguisse desviar minha atenção de sua boca. Aquele Halloween começava a ficar divertido e eu só queria que todos os outros humanos desaparecessem e restasse apenas Chanyeol e eu, ele tinha vinte e um anos e eu há muito tempo parei de contar minha eternidade.

Era certo, nós dois juntos era certo, bastou pouco para descobrir. Ele era doce, engraçado, delicado em seus toques e firme em seu olhar, com seus lábios cheios e bem desenhados, seus olhos grandes e braços definidos. Lindo de uma forma que só um anjo poderia ser, mas humano, com sangue quente em suas veias, com uma bagunça de sentimentos, com o jeito único que me faria atravessar todos os círculos do Inferno, só para provar um pedacinho do pecado com ele.

Quando eu era anjo não poderia me relacionar com um humano.

Agora nada poderia me condenar.

Por essa razão o puxei, queria muito beijá-lo, chegava a ser doloroso esperar mais, contudo, não queria que ninguém nos visse, não queria estar cercado por um bando de bêbados, precisava ser só eu e ele. Atravessamos o amontoado de adolescentes e novamente estávamos na cozinha, seus dedos estavam entrelaçados aos meus e em nenhum momento Chanyeol me soltou, com o aperto se tornando mais forte quando atravessamos uma porta na cozinha, nos deparando com a despensa da casa.

Ele sabia o que eu queria, porque era o que ele queria também.

Não precisando perguntar se eu queria gostosuras ou travessuras antes de me beijar no espaço apertado.

Porque só precisávamos daquele maldito beijo.

Eu voltei a sentir o céu ao tocar seus lábios, com minhas mãos encontrando caminhos entre seus fios de cabelo e meu corpo inteiro se colando ao dele, se arrepiando dos pés até a ponta de minhas asas. De olhos fechados eu sentia a brisa fresca das nuvens, o calor do sol e a pureza, que se desfazia em minha boca e no contado de sua língua buscando a minha, a princípio um pouco tímido, para se tornar totalmente erótico.

O aperto que era delicado se tornou firme, seus braços longos envolveram a minha cintura por inteiro e meus pés quase se desgrudaram do chão, tentando equiparar nossa altura. Ele não estava me beijando, estava me adorando, fazendo de mim o seu bem mais precioso, mordendo meus lábios e sugando minha língua para dentro de sua boca quente, como se há muito tempo me desejasse, como se eu fosse seu pote de ouro ao final do arco-íris.

Era a primeira vez que me sentia assim, rendido e sem nenhuma chance de defesa, passava a pontinha da língua entre seus lábios e o ouvia gemer contra minha boca, de uma forma tão intensa que parecia sua primeira vez, seu primeiro beijo. Meu corpo inteiro era de Chanyeol e ele também se entregava, colocando uma das mãos grandes por debaixo da minha camiseta e tocando minha pele quente, excitando-me com seus toques.

- Me desculpe se pareço desesperado, é porque estou. – confessou roçando sua boca na minha. – Nunca vivi algo assim, tão intenso, agora entendo porque as pessoas enlouquecem, é por causa disso que estou sentindo.

- E o que você sente?

- Eu te desejo de tantas formas. – prensou meu corpo contra um dos armários embutidos na parede. – Foge do meu controle, é irracional.

- Deseja o meu corpo?

- Não, não é só isso. – confessou e ele chorava tamanha sua angústia. – É maior que uma eternidade.

- Eu entendo bem de eternidade. – sorri amargo, acariciando seu rosto bonito. – Por que você, Chanyeol? Por quê agora?

- Estava escrito, acredite. – deu leves beijos de boca fechada. – Eu quero... Quero alguém igual a você há muito tempo.

- Alguém vestido de demônio?

- Alguém que faça meu coração bater. – parecia ser uma confissão tão dolorosa. – E sim, de preferência vestido de demônio, mas eu sei que há um anjo dentro de você.

Massageie seu lábio inferior com o polegar, tolo, ele não sabia o que estava dizendo.

Então o puxei pelo queixo e voltei a beijá-lo, sentindo meu peito doer por ser a única vez em que nos veríamos, só tinha mais alguns minutos antes do Halloween acabar e com isso, minha chance de sentir algo além do vazio dos meus últimos anos. Aquele encontro era inesperado e inexplicável, como podemos nos sentir arrebatados em tão pouco tempo? Uma hora, talvez? Não era suficiente para se apaixonar ou... Era? Não sabia como humanos se sentiam, tinha amado alguém quando era anjo e nos braços de Chanyeol, com seus beijos, começava a entender como demônios se apaixonavam, sendo mil vezes mais doloroso.

Não havia regras ao se envolver com humanos, porque era algo impossível, o único momento para ser algo verdadeiro era no Halloween e eu só poderia ver e tocar Chanyeol novamente no próximo ano, quando ele provavelmente não lembrasse mais do meu rosto ou do meu cheiro. Eu me lembraria do perfume de rosas que se desprendia de sua pele, da boca aveludada, dos toques quentes, de suas palavras carregadas de afeto. E da forma que ele conseguia ser ousado ao me segurar pelas coxas, desejando se fundir a mim através das roupas.

- Você não está mais sozinho, BaekHyun.

- O quê? – o encarei confuso, sentindo sua respiração acelerada. – Como sabe?

- Seus olhos dizem tudo, eles são bonitos e sinceros. – sorriu e encostou sua testa na minha. – Azul como o céu e vermelho como o amor e não havia nada que eu amasse mais do que o céu antes de você.

- Você... – o encarei, seus olhos pareciam dourados naquele instante, mas foi por pouco tempo. – E-Eu preciso ir, está tarde.

O empurrei com um pouco de força e ajeitei minhas roupas, completamente atordoado, minhas pernas fracamente sustentavam o meu corpo.

- Tudo bem. – ele sorriu, acariciando meu rosto pela última vez. – Nós vamos nos ver de novo. – prometeu.

Não estava tudo bem, eu queria chorar por nunca mais poder vê-lo.

Mas antes que o relógio marcasse meia noite e eu desaparecesse, saí sem olhar para trás, porque doeria mais do que já estava doendo e eu não entendia qual era fonte da dor.

E não sabia que demônios podiam chorar.

-

Sehun depositava um carinho leve na minha cabeça, brincando com meus fios de cabelo entre seus dedos bonitos. Estávamos no meu quarto, com ele sentado na cama e eu deitado em suas pernas, suspirando a cada segundo. Há alguns dias nós fomos até a Terra procurar por Chanyeol, mas não havia nenhum sinal dele em parte alguma, era como se ele não existisse ou tivesse desaparecido. Vaguei pela cidade na ânsia de ao menos vê-lo de longe e nada, acabava voltando para o Inferno, ouvindo os gritos de sempre e com a mesma sensação de vazio no peito.

Tínhamos apelado até mesmo para a lista de Luhan, que continha os nomes e a localização de todos os humanos na Terra, mas nenhum outro Park Chanyeol era o meu Chanyeol, o que me fez pensar que delirei esse tempo todo. E que ele não era meu, simplesmente não era para ser.

- Eu nunca te vi assim antes. – Sehun murmurou preocupado. – Gostou mesmo desse cara? Em um dia?

- Sim, eu penso nele o tempo todo e sabe o quanto o tempo é longo no Inferno. – seria idiota da minha parte negar. – Eu não sei, Sehun, algo nele era diferente, você não se sente diferente sempre que está perto do Luhan?

- Sinto que o inferno de verdade seria ficar sem ele.

- É o que estou sentindo agora, em um inferno de verdade.

Sehun me puxou para um abraço, ele possuía um lado extremamente carinho e paterno, o que era bem-vindo naquele momento, entretanto, MinSeok entrou no quarto correndo, completamente sem fôlego.

- Vocês, vocês precisam ir até o salão principal. – disse de forma desesperada. – Agora!

Nós tínhamos conversado e ele sabia sobre Chanyeol, não nos tocávamos mais intimamente, mas éramos amigos e ele finalmente começava a se entender com JongDae, estava feliz por MinSeok.

- O que aconteceu? – Sehun se levantou preocupado. – É algo com o Lu?

- Não! É algo que há muito tempo não acontecia! – vibrou, seus olhos brilhavam de felicidade. – Algo realmente incrível.

- Então fala logo! – me desesperei junto, esquecendo por um instante de Chanyeol.

- Um anjo caiu. – ele respondeu.

Perdi todo o ar com aquela frase, há muito tempo um anjo não caía, talvez um século em anos humanos? E justo naquele momento KyungSoo mandava um anjo para o Inferno?

De qualquer forma não era mais um anjo, era um de nós.

E precisávamos dar as boas vindas ao anjinho provavelmente muito assustado.

Saímos correndo em direção ao salão principal, onde Luhan ficava sentado em seu trono feito de ossos e veludo macio, julgando os humanos que chegavam, ditando ordens a todos os demônios e controlando todo o Inferno. Ele era um bom líder, admito, um pouco sádico, mas nada que nos surpreendesse e que só amolecia aos pedidos manhosos do meu melhor amigo, que sabia como domá-lo. Mas ele parecia tranquilo diante do ex-anjo, que estava de costas para nós, era alto e tinha as asas mais escuras do que as minhas, o que deveria ser algo bem grave.

Quanto mais negras as asas, maior o pecado cometido, KyungSoo não perdoava quem quebrava suas preciosas regras.

Mas o que poderia ser pior do que se envolver com um humano para as asas dele brilharem como céu noturno?

A resposta era óbvia quando ele se virou e sorriu em minha direção.

Aquele anjo se envolveu com um demônio.

Ele era Park Chanyeol.

Minha vontade era de socá-lo até ele explicar que merda era aquela e depois beijá-lo até minha boca ficar dormente.

- BaekHyun, venha até aqui. – a voz de Luhan soou autoritária por todo salão, alguns demônios curiosos como nós acompanhavam a recepção do nosso mais novo membro. – Esse anjo caído disse que te conhece e quer falar com você. – avisou. – Não sei o motivo, mas eu sinto que você tem a ver com a queda dele...

- Sou completamente inocente. – ergui as mãos em sinal de inocência e caminhei até ficar de frente para Chanyeol. – Eu nunca vi mais demoníaco.

Os olhos de Chanyeol estavam dourados, usava roupas pretas, sua pele estava pálida igual a minha, com chifres pontudos na cabeça e o par de asas mais bonito de todo o Inferno. Agora compreendia porque tinha sido tão diferente e me sentia burro ao ser enganado por um anjo. Ele tinha me dado todos os sinais, com seus toques, sua fala, seu cheiro adocicado de rosas e a certeza de que me veria de novo.

Ele sabia que iria cair ao se envolver comigo.

- Ótimo! Todos voltem aos seus afazeres, deixem os... Diabinhos conversarem a sós, vamos, vamos depressa... – Luhan ordenou empurrando alguns demônios, a multidão se dispersou e ele saiu puxando Sehun e MinSeok, mas deixou seu recado antes. – Os dois vão me explicar o que aconteceu depois e pelo amor de KyungSoo, aquele deus idiota, não façam nada que sujem o chão e não encostem no meu trono.

- Nós só vamos conversar, Lulu. – sorri o provocando.

Recebi um dedo do meio em troca e as portas foram fechadas, restando apenas eu e Chanyeol.

- Oi. – ele disse sem graça, coçando a nuca. – Não adianta perguntar se você vem sempre aqui, não é?

- Não, mas você aqui é uma surpresa. – suspirei. – Eu não entendo, você não é humano, nunca foi... E agora está aqui.

- Não, eu era um anjo que vivia te observando do céu. – deu um passo em minha direção. – Que vivia se perguntando porquê você ficava nos terraços dos prédios observando as pessoas e porque era tão triste. – outro passo. – Você era um demônio, de um mundo oposto ao meu e eu só pensava qual era o gosto da sua boca, como seria tocá-lo e ver seus olhos bonitos de perto, uma única vez e tirar essa tristeza de dentro de você.

- Você caiu por minha causa... – não conseguia acreditar e sentia vontade de chorar novamente.

- Sim e não me arrependo, quando vi você entrando naquela festa não pensei duas vezes em quebrar milhões de regras do Céu, enfrentar o KyungSoo e viver umas mil vidas no Inferno por você.

- Essas mil vidas serão ao meu lado, sabia? – quebrei qualquer distância entre nós, abraçando sua cintura. – Fiquei com medo de nunca mais te ver. – confessei. – Doeu muito? – olhei para suas asas, o processo para elas perderem o branco e se tornarem negras era doloroso e durava dias.

- Suportável. – Chanyeol beijou o topo da minha cabeça. – Mas sempre gostei mais do preto do que do branco e sim, sei que será ao seu lado. – me beijou lentamente.

E eu o correspondi embriagado.

Até me lembrar de algo.

- E-Espera. – pedi me afastando poucos centímetros de sua boca. – Por que você me enganou? Por que fingiu ser humano no Halloween, disfarçado de anjo, quando era um anjo de verdade? Era só ter me procurado.

Chanyeol riu e me olhou divertido.

- Porque travessuras são mais doces.

Muito mais doces.


Notas Finais


É ISSO AÍ PESSOAL!
Não deixe de conferir na tag #ddc e #doudecim para achar as outras fanfics!
Espero que tenham gostado da fanfic e do projeto! ♥
Beijos e até mês que vem com mais um projeto DDC!

Qual será o próximo tema? ;*


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