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História Trégua Suspensa - Capítulo 7


Escrita por: caulaty

Capítulo 7 - Killing with kindness


Kyle estava sentado no meio da cama com o notebook no colo e os óculos no rosto, sem camisa, alisando os lábios com o dedo indicador e médio, beliscando o inferior por vez ou outra enquanto pensava. Pôde sentir a diferença de peso no colchão quando as molas rangeram. A cama fazia barulho há mais de seis meses e Cartman ainda não encontrara disposição para trocar o colchão. A cama era dele, então Kyle não reclamava mais.

Sentiu a respiração do outro homem em sua nuca, enquanto Cartman afastava os fios de cabelo ruivo e colava os lábios na curva do ombro com o pescoço, envolvendo a cintura nua entre suas mãos grandes. A única resposta do ruivo foi levar a mão dos lábios até os cabelos castanhos e molhados de Eric, sem afastar os olhos da tela, concentrado no que quer que estivesse lendo. Gotas de água pingavam dos fios de cabelo pela sua pele pálida, ainda mornas, pois ele havia recém saído do banho, não vestindo nada além de uma toalha em torno dos ombros. Eric grunhiu baixo, subindo os lábios pelo pescoço dele até o ouvido, puxando seu tronco magro para trás até que as costas do ruivo colassem em seu peito. Kyle resmungou baixinho.

-Eu tô trabalhando.

-Trabalha depois.

A voz de Cartman era rouca e arrastada, os dentes envolvendo devagar o lóbulo da orelha de Kyle, que encolheu o ombro para afastá-lo, sentindo um arrepio percorrer a espinha. Afastou a mão dos cabelos do namorado e voltou a digitar no teclado com pressa, ignorando a boca quente e úmida que chupava de leve a lateral do seu pescoço.

-Você sabe que eu não posso.

A mão firme de Cartman apalpava a barriga de Kyle primeiro, escorregando os dedos pela pele macia enquanto envolvia seu tronco no braço forte e o pressionava contra o próprio corpo, subindo lentamente a palma pelas costelas dele, massageando-o sem pressa. Um riso fraco brotou nos lábios, colidindo com a pele sensível do pescoço do ruivo que se contorcia desconfortavelmente, esforçando-se para não reagir. Os dentes de Cartman abocanharam o ombro tão branquinho, sem delicadeza, amassando o nariz pelo pescoço para inalar o cheiro dele.

-Para, filho da puta. – Kyle disse enquanto tentava conter o sorriso, empurrando o homem para trás sem se dignar a olhá-lo.

Antes que o ruivo pudesse protestar, Cartman virou seu corpo e o empurrou de costas na cama com facilidade, sem desfazer o sorriso malicioso. Kyle deitou a cabeça contra o colchão, logo ao lado do notebook, tendo os pulsos presos pelo aperto rude das mãos grandes de Cartman, que deitava por cima dele e descia o rosto pelo pescoço alvo e fino, inalando seu cheiro, distribuindo beijos demorados e chupões enquanto Kyle se contorcia sem poder evitar a risada, sentindo cócegas pelo roçar grosseiro da barba mal feita em seu pescoço.

-Você vai me esmagar. – ele disse com um sorriso largo, tentando soltar as mãos. – Eu vou passar três semanas preso embaixo de você e vão encontrar meu corpo parecendo uma panqueca.

-Cala a boca, viadinho. – Cartman resmungou com a voz abafada pelo pescoço do ruivo, respirando pesado contra a pele dele.

-Você tem que fazer a barba.

Os olhos de Eric se ergueram por um instante, mas a boca continuava trabalhando contra a pele sensível do namorado, provocando arrepios e arrancando gemidos baixos sob a respiração intensa. Instintivamente, Kyle pressionava o quadril para cima, roçando-o contra o peso do corpo de Cartman.

-Quando é que você vai entender, judeuzinho, que você não me dá ordens? – Cartman sussurrou enquanto erguia a cabeça, soltando os pulsos de Kyle para levar as duas mãos à testa dele, acariciando os cabelos ruivos para trás. – Já tava na hora de ter aprendido.

A resposta foi uma gargalhada irônica.

A mão pesada de Eric ergueu a coxa dele para que Kyle enroscasse suas pernas no quadril do homem maior, franzindo a testa e dando um tapa barulhento contra aquela perna branquinha, forçando uma expressão séria.

-Quer que eu te ensine quem é que manda, é? – O moreno sussurrou, descendo o rosto novamente para mordiscar o maxilar de Kyle, que apertou o tronco largo de Cartman entre as suas pernas e se ajeitou sob o peso dele, levando a mão ao rosto para retirar os óculos, deitando-os em cima do notebook.

Os dois trocaram um olhar demorado, o polegar grosso de Eric acariciava despretensiosamente a pele do rosto do ruivo enquanto o observava. A expressão de Kyle era assustadoramente pensativa.

-O que foi? – Perguntou com hesitação, apoiando as mãos do lado da cabeça do ruivo para erguer o tronco, tentando não esmagar seu corpo pequeno.

-Eu tenho algo pra te contar. Mas você não pode ficar puto, porque não é nada demais.

Em três anos de relacionamento, Kyle já conhecia muito bem todas as expressões e caretas de Eric Cartman. Poderia escrever um livro inteiro sobre como ele movimentava os músculos do rosto e o que cada feição representava, traduzindo sentimentos que ele jamais conseguia verbalizar como um ser humano normal. Não era preciso ser tão especialista assim para entender o que se passava na cabeça de Eric quando ele franziu as sobrancelhas e ergueu o tronco, saindo de cima de Kyle, mantendo-se ajoelhado entre as pernas dele. Os lábios se mantinham bem colados em uma linha reta e os olhos castanhos se estreitaram totalmente alertas e desconfiados, tão semelhantes à forma de olhar dos felinos do Animal Planet quando espreitavam suas presas. Kyle raramente se sentia ameaçado diante daquele olhar, mas por algum motivo, dessa vez ele engoliu seco e respirou fundo, erguendo o próprio tronco para se sentar na cama.

-O Kenny voltou.

Houve uma contração mínima na bochecha de Eric e ele virou o rosto levemente para o lado, mantendo exatamente o mesmo olhar. Mas suas sobrancelhas relaxaram, como se ele estivesse esperando algo muito pior do que a informação que acabara de receber. Kyle tomou isso como um bom sinal.

-McCormick?

O ruivo deu uma risada nervosa.

-E tem outro?

-Não que tenha te comido. – ele respondeu casualmente, dirigindo-se à beirada da cama e colocando os pés no chão, como se fosse levantar. Soltou um “hm” breve, pressionando os lábios enquanto pensava a respeito.

-Eric, não fala desse jeito.

-Ele te ligou?

A voz agora era mais severa, mais brusca. Soava quase como uma acusação, mas Kyle nunca havia abaixado as orelhas diante daquela voz e não pretendia começar agora.

-Ligou, mas acho que só porque ele e o Stan se encontraram por acaso e ele não quis ser grosseiro. Sabe, caso o Stan me contasse e ele não tivesse avisado que estava na cidade. Eu não sei.

A mão de Cartman cobriu sua testa enquanto ele se levantava, esfregando as têmporas por alguns instantes, de costas para Kyle. Quando o ruivo abriu a boca para tentar oferecer mais justificativas, ele apenas ergueu a mão no ar e se virou para encará-lo, sacudindo a cabeça.

-Kyle. Relaxa.

Agora foi a vez do ruivo de franzir a testa de forma confusa, genuinamente surpreso. Ele esperava que Cartman quebrasse o abajur no chão e soltasse uns palavrões. “Relaxa” era a última coisa que ele esperava escutar. O que foi quase... Irritante. Olhou para baixo e suspirou fundo, colocando seus óculos novamente e se endireitando em frente ao notebook, ajeitando a tela sem olhar para Eric.

-Eu não tenho que relaxar, só tô te contando o que aconteceu. – a voz saiu mais alterada do que ele pretendia.

Por alguns instantes, acreditou que a conversa se encerraria por ali. Voltou a se concentrar nas letrinhas da tela do notebook, digitando de forma mais lenta e travada do que antes, um pouco perturbado pela presença de Cartman de pé ali parado, sem ter certeza do que o moreno fazia, mas sentindo os olhos castanhos o vigiando. Kyle alisou o queixo de forma pensativa e disse, quase sem pensar:

-O Stan acha que a gente deveria se reunir.

Cartman soltou um bufo disfarçado de risada, tirando a toalha que envolvia seus ombros para secar os cabelos rapidamente, sem muito cuidado, jogando a toalha na cama em seguida porque sabia que Kyle odiava quando ele fazia isso. Depois abriu a porta do armário, procurando algo para vestir.

-Marsh sempre foi a cola que segurava os pedaços daquele nosso grupinho esquisito. Nenhum de nós realmente gostava um do outro, mas Stan dava um jeito de fazer aquilo funcionar.

Kyle franziu a testa.

-É claro que a gente se gostava. Nenhum de nós gostava de você, é diferente. – o ruivo disse com um sorriso malicioso, não resistindo à tentação de se esticar para agarrar a toalha molhada e jogá-la na direção de Cartman, que a agarrou no ar e apontou o dedo indicador na direção de Kyle, gritando:

-Vai se foder, sua putinha!

O ruivo soltou uma gargalhada satisfeita quando Cartman voltou a lhe dar as costas, tirando uma calça do armário com raiva e batendo a porta com força antes de vesti-la.

-Enfim, o que você acha?

-Do quê?

-Da ideia do Stan. – Kyle explicou enquanto esticava a mão para coçar as costas, dobrando os joelhos sobre a cama. – Ele quer dar um tipo de festa, eu acho. Sabe, chamar todos os nossos amigos de infância que ainda estão em South Park, apresentá-los à Sally. Ele sempre quis fazer esse tipo de coisa, acho que o Kenny aqui é só um pretexto.

-Cara, eu juro. O Stan não virou viado porque ele é tão fresco que tem medo que dar o cu machuque. Só por isso. Porque ele é muito molenga, puta merda.

Kyle cruzou os braços, observando-o bem durante algum tempo, umedecendo os lábios devagar.

-Então você não quer ir?

-Claro que eu não quero.

-Achei que você tivesse dito que não tem mais problema com o Kenny.

-E não tenho!

-Então por que não quer ir?

Cartman o fuzilou com os olhos durante alguns segundos, o rosto corando de leve e Kyle não soube dizer se era raiva ou vergonha. De repente, ele jogou a toalha no chão e gesticulou em defensiva:

-Olha, quer saber? Foda-se. Vamos nessa merda. Vai ser divertido mesmo rir da cara de quem ficou gordo ou tá começando a perder cabelo.

E com isso, sem vestir a camisa, saiu dando passos pesados contra o chão de marfim, abrindo a porta do quarto com raiva e saindo dramaticamente. Kyle continuou trabalhando no computador durante alguns minutos, dando tempo o suficiente para que o namorado respirasse fundo, então gritou:

-A toalha, Eric!

Fez de tudo para conter o sorrisinho na boca quando o homem de 1,80m voltou para o quato no mesmo ritmo violento com o qual havia saído, abaixou-se para recolher a toalha do chão e jogou-a por cima do ombro, mandando o ruivo tomar no cu enquanto obedecia à ordem de colocar a toalha na secadora. Kyle apenas lhe jogou um beijo de longe, falando antes que Eric saísse do quarto:

-Obrigado. Eu te amo.

-Vai se foder, judeuzinho de bosta.



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